As 42 (Quarenta e duas) Estações no Deserto
Sumário
1- A Preeminência da Arca da Aliança
2- Serviço entre os 30 até os 50 anos – Simbologia
3- “Aparentes incongruências” da Idade para o Serviço na Palavra
4- Haveria porventura alguma contradição nestas passagens?
5- Novidade de Vida e Serviço em Comunhão
6- Servir em Cristo, em Espírito, em Companhia
10- As Quatro Coisas Principais
11- As Cortinas e Coberturas em conexão com a Jornada
A Preeminência da Arca da Aliança
“E falou o SENHOR a Moisés e a Arão, dizendo: Toma a soma dos filhos de Coate, do meio dos filhos de Levi, pelas suas gerações, segundo a casa de seus pais; da idade de trinta anos para cima até aos cinquenta anos será todo aquele que entrar neste exército, para fazer obra na tenda da congregação.” Nm 4:1-3
Serviço entre os 30 até os 50 anos – Simbologia
Jesus mesmo ao começar seu ministério tinha 30 anos de idade, quer dizer que Ele mesmo esperou para achegar-se para servir em Seu ministério público; e os 30 anos representavam em Israel a maioridade para o serviço.
Assim também os levitas não poderiam entrar para o ministério antes de completar esta idade. De maneira que estes 30 anos de Números e de Lucas são contados, e quando lemos Números à luz do Novo Testamento, podemos entender o que está dizendo o Espírito para o Novo Testamento, ou seja, através de Números o que se quer dizer é que para se servir ao Senhor tem de se estar em Cristo.
Analogamente, quando diz que até os 50 anos, quer dizer que o “velho homem” não participa legitimamente do serviço a Deus. Tem que se estar entre, figuradamente, 30 e 50 anos, o que significa servir em “Novidade de Vida”, ou seja, em Cristo, no Novo Homem.
Porém, como o Antigo Testamento era uma figura, hoje, no contexto da Nova Aliança, não importa a idade da pessoa. Pode ter oitenta anos, porque se está em Cristo, está em novidade de Vida. Com Cristo “não se passa dos 50 anos”.
“Aparentes incongruências” da Idade para o Serviço na Palavra
De acordo com Números 4:3, “da idade de 30 (trinta anos) para cima até aos cinquenta será todo aquele que entrar neste serviço, para exercer algum encargo na tenda da congregação”.
Entretanto, Números 8:24 afirma: “Isto é o que toca aos levitas: da idade de 25 (vinte e cinco) anos para cima entrarão, para fazerem o seu serviço na tenda da congregação”.
E ainda Esdras 3:8 diz: “e constituíram levitas da idade de 20 (vinte anos) para cima” para superintenderem a obra de reconstrução da casa do Senhor.
Haveria porventura alguma contradição nestas passagens?
Primeiro, há uma distinção feita no texto com referência ao tipo de serviço que é descrito em cada caso. Em Números 4:3 o texto fala de todo o que entrasse no serviço para exercer algum encargo (melakah, isto é, qualquer tipo de ocupação) na tenda do tabernáculo.
Números 8:24 refere-se àqueles que eram chamados para “fazerem o seu serviço” (baabodath, que significa “trabalho” ou “ofício”) do tabernáculo. A diferença indica que os mais jovens, referidos em Números 8:24, provavelmente eram aprendizes, que recebiam algum trabalho manual para fazer, em treinamento. Posteriormente seriam admitidos no serviço oficial do tabernáculo, quando tivessem 30 anos, conforme Números 4:3.
Segundo, Esdras 3:8 especificamente afirma que aqueles levitas tinham sido indicados para superintenderem a obra da casa do Senhor. Este não era o serviço oficial levítico do tabernáculo. Era um serviço bem diferente, o de supervisionar a reconstrução do templo.
Também, devido ao fato de que o número de levitas que tinham retornado do cativeiro era de apenas 74 (conforme Esdras 2:40 e Neemias 7:43), tornou-se necessário empregá-los nessa função incluindo os de idade menor, para que houvesse um número compatível com a necessidade de supervisão daquela obra.
Também Davi empregou levitas com 20 anos (1 Cr 23:24), e fez isso porque “os levitas já não precisarão levar o tabernáculo e nenhum dos utensílios para o seu ministério” (1 Cr 23:26). Aparentemente o trabalho de transportar o tabernáculo de um lugar para outro no deserto requeria pessoas mais maduras e mais fortes. Esta prática, aparentemente iniciada por Davi, foi seguida também por Esdras em seu tempo.
Novidade de Vida e Serviço em Comunhão
Veja que no texto original o servo de Deus entrava aos 30 anos para servir no Tabernáculo, “em companhia de seus irmãos”. Esta é uma palavra importante: o Serviço ao Senhor em Sua Casa deve ser feito em companhia, em comunhão uns com os outros.
O Senhor estabeleceu companhias. Por isto que o apóstolo Paulo dizia aos Coríntios em sua segunda Carta: “Por causa disso, tendo nós este encargo de servir segundo a misericórdia que nos foi concedida, não estamos desfalecendo;” II Co 4:1. Observe que no texto original a palavra está no plural. Paulo se utiliza das expressões “nós” e “estamos”.
Há outras menções também feitas na Palavra relacionadas ao servir em comunhão, a saber:
União/Comunhão:
“Ora, quando cheguei a Trôade para pregar o evangelho de Cristo e abrindo-se-me uma porta no Senhor, não tive repouso no meu espírito, porque não achei ali meu irmão Tito; porém despedindo-me deles, parti para a Macedônia.” II Co 2:12
Coordenação:
“Mas os nossos membros nobres não têm necessidade disso. Contudo, Deus coordenou o corpo, concedendo muito mais honra àquilo que menos tinha…” I Co 12:24.
Servir em Cristo, em Espírito, em Companhia
Então este ministério é um ministério corporativo. Nenhum membro é suficiente em si mesmo; todos nós cristãos temos que participar do serviço na comunhão do Corpo de Cristo, por isto que se diz: “entrar em companhia para servir.
Somente se pode servir em companhia, em comunhão; e este capítulo foi escrito para nos deixar e nos ensinar a ordem de prioridades, as disposições Divinas para o avanço do acampamento de uma etapa a outra etapa.
“Porque Deus, a quem sirvo em meu espírito, no evangelho de seu Filho, me é testemunha de como incessantemente faço menção de vós…” Rm 1:9.
Não somente a Quem sirvo, senão a Quem sirvo “em meu espírito”; o que são coisas diferentes. Servir em Espírito, servir em companhia e em Cristo. Aqui temos três requisitos do legítimo serviço a Deus:
- Em Cristo
- Em Espírito, em Comunhão
- Em Companhia
O Caminhar do povo de Deus
Agora também aparece uma ordem de prioridade na caminhada. Devemos lembrar que o acampamento está sempre se mudando. Ou seja, o Senhor começa a se mover e Seu povo de move Com Ele, na direção e sentidos por Ele indicados.
“E o SENHOR ia adiante deles, de dia numa coluna de nuvem para os guiar pelo caminho, e de noite numa coluna de fogo para os iluminar, para que caminhassem de dia e de noite. Nunca tirou de diante do povo a coluna de nuvem, de dia, nem a coluna de fogo, de noite.” Ex 13:21-22
“E no dia em que foi levantado o tabernáculo, a nuvem cobriu o tabernáculo sobre a tenda do testemunho; e ao anoitecer estava sobre o tabernáculo com uma aparência de fogo até à manhã. Assim era de continuo: a nuvem o cobria durante o dia, e de noite havia aparência de fogo. Mas sempre que a nuvem se alçava de sobre a tenda, os filhos de Israel após ela partiam; e no lugar onde a nuvem parava, ali os filhos de Israel acampavam.” Nm 9:15-17
Observe o início deste último versículo: “E no dia em que foi levantado o tabernáculo, a nuvem cobriu o tabernáculo sobre a tenda do testemunho…”. Assim como no dia de Pentecostes, aquela Coluna de Fogo se repartiu em Línguas como de Fogo sobre o verdadeiro Tabernáculo, que é a Igreja.
Isto é muito lindo e mostra o cuidado do Senhor com Seu Povo. Ficavam um tempo em certo lugar, porque estavam aprendendo uma lição neste lugar. Quando o Senhor julgava que eles já tinham aprendido aquela lição, então a nuvem se movia em direção à próxima estação.
As vezes havia que partir de dia, as vezes havia que partir de noite, as vezes havia que partir no dia seguinte, as vezes era depois de um tempo, dois dias, um mês, um ano. E a nuvem não só se movia, mas quando parava, ela se mantinha por sobre o Tabernáculo, enquanto os filhos de Israel aprendiam aquela lição.
Lembra-se quando o Senhor disse olhando para Jerusalém: “Jerusalém, Jerusalém, a que está matando os profetas, e matando- por- apedrejamento aqueles tendo sido enviados até ti! Quantas vezes quis Eu ajuntar os teus filhos, como uma galinha ajunta os pintinhos dela debaixo das asas dela, e vós não quisestes!” Mt 23:37
Temos de deixar o Senhor “chocar” e “empurrar” Seus filhotinhos. Assim como a galinha faz com seus pintinhos. Não se levanta antes do tempo, porque senão Seus filhotinhos podem morrer, pois são ainda muito novinhos. Ele sabe quanto tempo deve “chocar” os ovinhos daqueles que estão nascendo, e Ele sabe a hora em que os filhotinhos começam a picar os ovinhos para sair para fora. Então a galinha se levanta e os filhotinhos vão atrás.
Colocando ordem no Caos
Quando no Egito, o povo de Deus estava acostumado a fazer cada um como bem lhe parecia. Assim que, quando saíram, saíram como uma multidão desordenada. Então Deus começa a colocar ordem.
Esta é a mesma realidade que vemos em tipologia no capítulo 01 de Gênesis quando havia “caos e trevas” sobre a face das águas. Então, assim como em Gênesis 01, o Espírito de Deus começa a mover-se e a colocar ordem e trazer Vida a tudo aquilo. O Senhor começa trazendo Luz e separando a Luz das trevas. Começa separando as águas de baixo das de cima do firmamento, começa a fazer brotar Vida e a edificar para Si mesmo uma Casa.
Êxodo é uma repetição. Quando Israel saiu do Egito, parecia mais ou menos um caos, porém o Senhor começou a mover-Se sobre eles, começou a colocar ordem neles, e lhes ordenou que Lhe edificassem um Santuário com determinadas disposições, porque Ele haveria de “morar” em meio deles.
Então temos uma etapa seguida da outra; daí o porquê do livro de Levítico. Portanto o livro de Levítico era necessário para que o povo começasse a viver em função da Casa de Deus, conforme os arranjos relacionados à Santidade de Deus, conforme as ofertas estabelecidas por Deus, os distintos aspectos da cruz de Cristo, do sacerdócio do Senhor, a coordenação de todo o ministério.
Então o livro de Números se inicia com Deus começando a pôr ordem em Seu povo. Primeiro eles iam aonde queriam; no entanto, espere, agora vocês todos juntos devem ir e fazer um Tabernáculo para Mim e não devem se mudar quando queiram. Deus mesmo é Quem vai decidir como vai a treiná-los, quando devem levantar-se e quando devem acampar-se.
No início tudo era como no livro de Juízes, pois cada um fazia como bem lhe parecia, pois não havia Rei em Israel. Por isto é que em Deuteronômio o Senhor haveria de dizer:
“Não fareis conforme a tudo o que hoje fazemos aqui, cada homem tudo o que bem parece aos seus olhos. Porque até agora não entrastes no descanso e na herança que vos dá o SENHOR vosso Deus. Mas passareis o Jordão, e habitareis na terra que vos fará herdar o SENHOR vosso Deus; e vos dará repouso de todos os vossos inimigos em redor, e morareis seguros. Então haverá um lugar que escolherá o SENHOR vosso Deus para ali fazer habitar o Seu nome; ali trareis tudo o que vos ordeno; os vossos holocaustos, e os vossos sacrifícios, e os vossos dízimos, e a oferta alçada da vossa mão, e toda a escolha dos vossos votos que votardes ao SENHOR. E vos alegrareis perante o SENHOR vosso Deus, vós, e vossos filhos, e vossas filhas, e os vossos servos, e as vossas servas, e o levita que está dentro das vossas portas; pois convosco ele não tem parte nem herança. Guarda-te, que não ofereças os teus holocaustos em todo o lugar que vires; Mas no lugar que o SENHOR escolher numa das tuas tribos ali oferecerás os teus holocaustos, e ali farás tudo o que te ordeno.” Dt 12:8-14.
A Ordem da Mudança
Vemos então que havia a necessidade de levantar-se, seguir a nuvem de acordo coma ordem estabelecida por Deus, e esta ordem é justamente abordada em Números no capítulo 04. Então a primeira coisa que Deus trata é com a forma de traslado do acampamento.
“Mas tu incumbe os levitas sobre o tabernáculo do testemunho, e sobre todos os seus utensílios, e sobre tudo o que pertence a ele; eles levarão o tabernáculo e todos os seus utensílios; e eles o servirão, e acampar-se-ão ao redor do tabernáculo. E, quando o tabernáculo partir, os levitas o desarmarão; e, quando o tabernáculo se houver de assentar no arraial, os levitas o armarão; e o estranho que se chegar será morto. E os filhos de Israel armarão as suas tendas, cada homem no seu próprio arraial, e cada homem junto à sua bandeira, segundo os seus exércitos. Mas os levitas armarão as suas tendas ao redor do tabernáculo do testemunho, para que não haja ira sobre a congregação dos filhos de Israel, pelo que os levitas terão o cuidado da guarda do tabernáculo do testemunho.” Nm 1:50-53
“E falou o SENHOR a Moisés e a Aarão, dizendo: “Cada homem dos filhos de Israel armarão as suas tendas, cada homem debaixo da sua bandeira, segundo as insígnias da casa de seus pais; ao redor, defronte da tenda da congregação, armarão as suas tendas.” Nm 2:1-2
“E falou o SENHOR a Moisés, dizendo: “Faze chegar a tribo de Levi, e põe-na diante de Aarão, o sacerdote, para que o sirvam, e tenham cuidado da sua guarda, e da guarda de toda a congregação, diante da tenda da congregação, para servir no exercício- do- servir do tabernáculo. E tenham cuidado de todos os utensílios da tenda da congregação, e da guarda dos filhos de Israel, para servir no exercício- do- servir do tabernáculo. Darás, pois, os levitas a Aarão e a seus filhos; dentre os filhos de Israel são eles inteiramente dados a ele. Mas a Aarão e a seus filhos ordenarás que guardem o seu ofício sacerdotal, e o estranho que se chegar será morto.” Nm 3:5-10
“E falou o SENHOR a Moisés, dizendo: “Toma os levitas em lugar de todo o primogênito entre os filhos de Israel, e os animais dos levitas em lugar dos seus animais; porquanto os levitas serão Meus: Eu sou o SENHOR.” Nm 3:45
“Quando partir o arraial, Aarão e seus filhos virão e tirarão o véu da tenda, e com ele cobrirão a arca do testemunho; e pôr-lhe-ão por cima uma coberta de peles de texugos, e sobre ela estenderão um pano, todo azul, e lhe colocarão os varais. Também sobre a mesa dos pães da proposição estenderão um pano azul; e sobre ela porão os pratos, as colheres, e as taças e os jarros para libação; também o pão contínuo estará sobre ela. Depois estenderão em cima deles um pano de carmesim, e com a coberta de peles de texugos o cobrirão, e lhe colocarão os seus varais.” Nm 4:5-8
Veja: tudo começa pelo Lugar Santíssimo. Tirarão o véu de cobrir, cobrirão a Arca do Testemunho com peles e, ao final, com um pano azul. Isto é muito significativo: o primeiro de que se trata no movimento de peregrinação entre as estações é a nossa relação com Cristo. Antes até mesmo que a Mesa dos Pães da Proposição, antes que o Candelabro, antes que o Altar de Ouro do Incenso; todos estes se encontram no Lugar Santo. Assim vemos que tudo começa pelo Lugar Santíssimo.
As Quatro Coisas Principais
Em Atos doa apóstolos vemos no capítulo 02 que a Igreja perseverava em:
- Doutrina dos apóstolos
- Comunhão dos santos
- Partir do Pão
- Orações.
Da mesma forma vemos que estas são as primeiras coisas que se trasladam:
- A Arca da Aliança
- O Candelabro
- A Mesa dos Pães da Proposição
- O Altar de Ouro do Incenso
Logo, vemos que há uma correlação entre Números e Atos dos Apóstolos.
“E eles perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações.” At 2:42
“E todos os dias, no templo e nas casas, não cessavam de ensinar e de anunciar a Jesus Cristo.” At 5:42
Veja que se cumpria em Atos dos Apóstolos aquilo que em figura representava a centralidade do Tabernáculo, a saber a centralidade de Cristo. No caso do Tabernáculo, eles se colocavam todos virados defronte do Tabernáculo. Em Atos dos Apóstolos, eles tinham Cristo como o centro.
Porque eles haviam discernido que nenhuma coisa tem sentido se está separada de Cristo. Em Cristo todas as coisas ganhavam sentido, valor, realização.
As vezes nos centralizamos em outras coisas; as vezes nos organizamos em função de algo particular, onde Jesus Cristo não é o centro. Mas aqui em At 5:42 vemos que os apóstolos, todos os dias, no templo e nas casas, não cessavam de fazer as coisas:
- De ensinar (aspecto didático) em forma ordenada, sequenciada (porque a palavra no original é Didaqué que simboliza esta forma didática),
- E também de pregar ou anunciar a Jesus Cristo. Aqui a palavra utilizada é Kerigma que quer dizer uma proclamação.
Não podemos permanecer somente no ensino, porque constantemente temos necessidades práticas e necessitamos do depósito que nos foi dado pelo Senhor através de Sua Palavra. E, na medida em que andamos de acordo com a Palavra começamos a experimentar ao Senhor como Vida nas nossas vidas.
Assim, isto é o que primeiro temos de considerar em uma mudança de acampamento. Temos de centrar sempre em Cristo, porque o que, de fato deve mudar, é sempre nossa posição (espera-se sempre mais avançada) em relação ao nosso conhecimento (como Vida, como experiência) de Cristo, que envolve o quanto, mais e mais, apreciamos a Cristo e Sua Obra. Somente assim podemos avançar, seguindo-O, apreciando-O e vivenciando-O.
Quando nós voltamos para Nm 4:5 temos: “ Quando partir o arraial, Aarão e seus filhos virão, e tirarão o véu da coberta, e com ele cobrirão a arca do testemunho…”.
Em Hb 10:19-20: “Assim que já tendo, pois, irmãos, ousadia para entrar no Santuário, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, convêm a saber, por sua carne…”.
O primeiro é, portanto, conhecer a Jesus Cristo: no que concerne a Sua Pessoa, a Sua Obra, a Sua encarnação, cada vez mais profundamente. Mas veja que em Números está dito: “cobriram a Arca do Testemunho com o véu…”. Assim pelos textos que vimos anteriormente esta Arca representa Cristo, não de uma forma simples, senão de uma forma completa, com os distintos aspectos de Sua Pessoa e de Sua Obra.
As Cortinas e Coberturas em conexão com a Jornada
Em Nm 4:6 a Escritura nos diz assim: “e, por cima, lhe porão uma coberta de peles, e sobre ela estenderão um pano, todo azul, e lhe meterão os varais.”
Devemos nos lembrar que s quando se olhava de fora para a Casa de Deus, para o Tabernáculo, o que se via por fora eram duas coisas:
- A Cortina de linho fino branca que circundava e delimitava o Átrio
- A Tenda no seu interior que estava coberta por peles de texugo.
Observe então que a parte onde estava o ouro, a prata, o mobiliário, enfim toda a Glória estava encoberto. A parte mais visível eram as peles de texugo. O linho fino representa os “atos de justiça dos santos”. Um povo zeloso de boas obras. Portanto, desde fora do Tabernáculo, se vê gente comum apresentada assim, sem formosura e sem aparência de glória; assim como Jesus Cristo.
Assim como não conheceram o Rei da Glória, assim também não conhecem os Seus. Já somos filhos de Deus, todavia ainda não se manifestou o que haveremos de ser, por isto o mundo não nos conhece. O mundo só vê o exterior, só vê o que parecem ser as pessoas por fora.
Somos “peles de texugo”, no entanto fazendo boas obras, quer dizer, as cortinas de linho branco finíssimo. Agora observe o que acontece em Nm 4:6.
“E, por cima, lhe porão uma coberta de peles, e sobre ela estenderão um pano, todo azul, e lhe meterão os varais.” Nenhum dos outros itens da mobília tem a cobertura de azul por fora. Basta que se observe quando, depois, se cobre a mesa dos pães da Presença, quando se cobre o altar de Ouro do Incenso ou o Candelabro. Veja que o que se verá por fora será as peles de texugo.
O único móvel da mobília que tem a cobertura de azul por cima das peles de texugo é a Arca da Aliança. Isto porque o azul representa aquilo que é celestial. Como Nosso Senhor já foi glorificado, Ele é nosso precursor. Por isto o cuidado do Espírito Santo em detalhar as coberturas do mobiliário, quando em trânsito. Atenção à Arca da Aliança: Ele é o nosso precursor!!