As 42 (Quarenta e duas) Estações no Deserto

 

Sumário

1- Introdução ao Livro das Jornadas

2- Não podemos ficar nos Rudimentos

3- O Processo de Crescimento

4- O Senhor nos tira do Egito, Sodoma e Jerusalém

Introdução ao Livro das Jornadas

“Estas [são] as jornadas dos filhos de Israel, que saíram da terra do Egito, segundo os seus exércitos, pela mão de Moisés e Aarão.” Nm 33:1

É importante notar que aqui se fala de “as jornadas”, ou seja, está no plural. Isto porque em nossa caminhada nem sempre vamos em uma mesma toada, ou em um mesmo ritmo, senão que as vezes vamos em movimentos abruptos de uma etapa a outra, ou, na maioria das vezes de pouco a pouco. Além disto, tem o fato de serem várias etapas, sendo umas diferentes das outras. Algumas coisas primeiro, outras depois. De glória em glória!

E escreveu Moisés as suas saídas, segundo as suas jornadas, conforme ao mandado do SENHOR: e estas [são] as suas jornadas segundo as suas saídas.” Nm 33:2.

É importante ressaltar: “por mandado do Senhor”. Veja que além de conduzir a Seu povo, estação por estação; de permanecer sobre eles em cada estação através da nuvem de glória, Deus também ordena a Moisés que registre estas jornadas. Isto quer dizer que não é só história, como sabemos, senão que Deus queria que tudo ficasse registrado para o Seu povo: de Israel e para nós.

“Porque tudo que dantes foi escrito (aí está o livro das jornadas, pois esta é uma das coisas que se escreveram) para nosso ensino foi escrito, (para nós, os santos do Novo Testamento, os cristãos, não somente para conhecer a história antiga. Ele quer que possamos tirar proveito dos ensinos ali contidos, para hoje, para agora) para que, pela paciência e consolação das escrituras, tenhamos esperança. Ora, o Deus de paciência e consolação vos conceda o mesmo sentimento uns para com os outros, segundo Cristo Jesus.”Rm 15:4-5

A implicação disto é clara: cada uma das coisas que vamos encontrar nesta jornada deve nos ensinar algo. Muitos dos nomes, às vezes estranhos, por exemplo, que vamos encontrar ali, trazem consigo um ensino para nós. E é especialmente interessante verificar, em detalhes, o que acontece em cada estação tendo em vista todo este contexto.

Note bem para quê foram escritas: foram escritas para que “pela paciência e a consolação das Escrituras, tenhamos esperança”; ou seja, foram escritas para que tenhamos esperança!

Cada saída e cada chegada foram dirigidas pela nuvem de Glória. O Senhor se levantava e dizia quando sair, para onde ir, onde deviam se acampar e por quanto tempo. Tudo isto pelo que eles passaram deve servir de ensino para nós.

Logo, quando Deus estava dirigindo Israel, Ele não pensava somente em Israel; Ele estava escrevendo a Sua Palavra; Deus estava preparando as Escrituras para quatro coisas principais:

  1. Ensino
  2. Paciência
  3. Consolação
  4. Esperança

Uma estação pode ser boa quando representa um avanço, mas pode ser ruim se é uma fixação. Todavia, quando não temos experimentado algo, é bom que tenhamos paciência até que o Senhor julgue conveniente nos manter lá.

Ele que conhece as estações e os tempos de Deus; a nós não nos toca saber as estações e os tempos. É Deus mesmo Quem diz: Bem, chegou a hora de você sair disto e de chegar à outra estação. Por isto quando chegamos à outra estação, por exemplo, Pi-Hairote, experimentamos que há duas fases.

Não podemos ficar nos Rudimentos

Temos de ter em mente que acampar em uma estação é uma coisa. E sair dela é outra. Assim que temos de ver em cada estação estes dois aspectos. O de chegada, que é algo muito bom, pois viemos de algo mais atrasado na caminhada para algo novo e mais adiantado. Mas chegará um tempo em que temos de sair desta estação. Poderia estar bom por um tempo, mas o Senhor deseja que saiamos para aprendermos algo novo. Por isto é que vemos no Novo Testamento:

Porque naquilo em que já haveis de ser mestres visto o tempo, ainda necessitais de que se vos torne a ensinar quais são os primeiros rudimentos das palavras de Deus; e vos tendes feito tais, que ainda necessitais de leite, e não de sólido mantimento. Porque qualquer que ainda usa do leite, não está experimentado na palavra da justiça, porque ainda menino é. Mas o mantimento sólido é dos perfeitos, os quais pelo costume, já têm os sentidos exercitados para discernir assim o bem como o mal.” Hb 5:12-14.

Veja que depois de tanto tempo há que sair destes rudimentos e seguir adiante em direção à perfeição. Mas não se chega à perfeição abruptamente, senão que de glória em glória, de triunfo em triunfo, de prova em prova.

Então podemos dizer que estas jornadas são experiências espirituais do povo de Deus e que estas experiências são progressivas e que cada estação tem uma dupla função:

  1. Uma etapa bem-aventurada de chegada, aonde chegou a isto como algo novo e precioso o acampamos ali.
  2. Uma etapa onde, depois de aprendida a lição (e só o Senhor sabe se já aprendemos de fato), podemos até estar acostumados àquela posição, àquele acampamento, podemos até nos sentir confortáveis lá, porém o Senhor nos dirige a sair de lá. A seguir a uma nova estação, a uma nova experiência.

Assim é que cada estação tem dois aspectos: o de chegada e o de saída. Veja o que o apóstolo Paulo fala em I Co 10:1-5.

Ora, irmãos, não quero que ignoreis que nossos pais estiveram todos debaixo da nuvem; e todos passaram pelo mar, e todos foram batizados em Moisés, na nuvem e no mar, e todos comeram de um mesmo manjar espiritual, e beberam todos de uma mesma bebida espiritual, porque bebiam da pedra espiritual que os seguia; e a pedra era Cristo. Mas Deus não se agradou da maior parte deles, pelo que foram prostrados no deserto. E estas coisas foram exemplos para nós…”.

Veja como o apóstolo Paulo está recordando as jornadas, porém ele está dizendo isto à Igreja. Paulo correlaciona as experiências do povo de Israel no deserto às experiências da Igreja ao longo de sua história. Até que, ao final, ele diz: “e estas coisas foram escritas como exemplos para nós”.

Então qual a razão de nós estudarmos o livro das jornadas no deserto minuciosamente? Porque são exemplos para nós. Para que possamos aprender.

O Processo de Crescimento

O que é uma estação? A estação nada mais é do que uma experiência pela qual necessitamos passar para sermos tratados em determinada área em que ainda não experimentamos verdadeira transformação. E é evidente que o que Deus deseja é formar Cristo em Seus filhos. Assim, somente Ele sabe quando deve sacar-nos daqui e levar-nos até acolá. Este é o processo pelo qual somos tratados, transformados e edificados.

Vamos ver mais adiante como no princípio Deus disse: “Bem, para que estes recém-saídos não se assustem com a guerra, não vamos seguir direto; vamos dar uma pequena volta pelo deserto de Sur”. Mas este foi o princípio, depois não.

Ou seja, no princípio as tentações são umas, talvez até mesmo grosseiras. Depois se tornam mais sutis, mais difíceis. Assim é que o Senhor vai nos preparando, nos habilitando na jornada a experimentarmos experiências cada vez mais profundas para sermos plenamente transformados.

O Senhor nos tira do Egito, Sodoma e Jerusalém

Vamos nos deter um pouco em Ramessés para entender bem o que quer dizer estar numa situação em que estamos debaixo do governo de Ramessés fazendo ladrilhos para Faraó.

Precisamos entender de onde o Senhor está nos tirando. É fundamental entender que estávamos presos ao diabo, para entender de onde o Senhor nos está tirando, porque se não entendermos onde estávamos, não vamos entender de onde o Senhor nos tira e o porquê.

“E concederei às minhas duas testemunhas que, vestidas de saco, profetizem por mil duzentos e sessenta dias. Estas são as duas oliveiras e os dois candeeiros que estão diante do Senhor da terra. E, se alguém lhes quiser fazer mal, das suas bocas sairá fogo e devorará os seus inimigos; pois se alguém lhes quiser fazer mal, importa que assim seja morto. Elas têm poder para fechar o céu, para que não chova durante os dias da sua profecia; e têm poder sobre as águas para convertê-las em sangue, e para ferir a terra com toda sorte de pragas, quantas vezes quiserem. E, quando acabarem o seu testemunho, a besta que sobe do abismo lhes fará guerra e as vencerá e matará. E jazerão os seus corpos na praça da grande cidade, que espiritualmente se chama Sodoma e Egito, onde também o seu Senhor foi crucificado.” Ap 11:3-8.

Aqui em Apocalipse fala de duas testemunhas que testificam contra a besta e logo são mortas. Neste contexto observe uma importante expressão utilizada pelo apóstolo João. Seus cadáveres estariam na praça da grande cidade, (observem a expressão seguinte) “que em sentido espiritual se chama Sodoma e Egito, onde também nosso Senhor foi crucificado”. Ou seja, são mencionadas três cidades em seu sentido espiritual:

  1. Sodoma
  2. Egito
  3. Jerusalém

Logo, percebemos que o Egito carrega consigo um sentido espiritual. Assim que temos três aspectos em seu sentido espiritual: a velha Jerusalém, Sodoma e Egito; porém estas cidades são a mesma cidade, porém apresentam três aspectos distintos da mesma cidade. Não basta nos retirar do Egito, mas de Sodoma. Não basta nos retirar do Egito e de Sodoma, mas também da velha Jerusalém, sendo esta representativa da religião, da lei.

Vemos portanto, que temos de sair de muitas coisas. Deus nos está tirando de muitas coisas. Deus nos tira do pecado, dos pecados, do eu, do ser natural, da religião. Agora é relevante a expressão “em sentido espiritual”. A expressão mais adequada oriunda do texto original é: Sodoma e também do Egito e também de Jerusalém.

Portanto a jornada é muito importante de ser toda compreendida, desde seu início. Vale lembrar que o número 6 é o número do homem, pois ele foi criado no sexto dia da criação de Deus. O número 7 representa a perfeição e completude de todas as coisas no aspecto relacionado ao tempo. Assim é que: 6×7 = 42. Quarenta e duas estações.