As 42 (Quarenta e duas) Estações no Deserto

Sumário

1- Localidades Fronteiriças

2- Mar de Juncos x Mar Vermelho

3- Parênteses Histórico-Geográfico

4- Roteiros considerados como aceitáveis pelos estudiosos

5- A estratégia de Deus e as experiências do povo de Deus

6- A Dependência de Deus a partir das Experiências com Deus

7- As vacilações dos Começos

8- As batalhas espirituais dos Começos – Baal-Zefom

9- Atuando em Fé

10- O Batismo

11- Uma Fé que permite o operar de Deus

12- Pi-Hairote – Conclusões Finais

“Partiram de Etã, e voltaram a Pi-Hairote, que está defronte de Baal-Zefom, acamparam-se diante de Migdol.” Nm 33:7

Vejamos os textos bíblicos de Ex 14:1-31 e Ex 15:1-21 que são textos que nos explicitam em maior riqueza de detalhes o ocorrido nesta estação.

Localidades Fronteiriças

Devemos prestar a atenção em que, desde o começo, estas primeiras etapas são todas fronteiriças. Portanto, são questões que acontecem na fronteira do Egito com o Sinai, ou seja, referem-se a experiências que se relacionam às primeiras etapas, às primeiras jornadas do povo de Deus.

São experiências que que sucedem no início da caminhada do povo de Deus. Não quer dizer que mais adiante não possam novamente acontecer, mas são tipicamente características de acontecimentos espirituais atrelados ao início da caminhada dos recém convertidos.

A primeira observação relevante se dá quando comparamos Nm 33:8 com Ex 15:22. Vemos que o deserto de Sur é o mesmo que o deserto de Etam.

“Depois Moisés fez partir a Israel do Mar Vermelho, e saíram para o deserto de Sur; caminharam três dias no deserto, e não acharam água.” Ex 15:22

É objeto de debate sobre qual seria a origem do nome Pi-Hairote:

  1. Poderia ser de origem egípcia (que neste caso significaria “casa de Hator” – uma “deusa” celeste egípcia)
  2. Ou poderia ser de origem semítica (e nesta hipótese traria o significado de “escavar/cortar”, o que deixaria implícita sua localização junto a um canal).

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O Lago Timsah, também conhecido como Lago do Crocodilo, é um lago no Egito, no delta do Nilo. Encontra-se em uma bacia desenvolvida ao longo de uma falha que se estende desde o Mar Mediterrâneo até o Golfo de Suez, através da região dos Lagos Amargos.

Em 1800, uma enchente encheu o Wadi Tumilat, que causou a transbordamento das margens do Timsah e levou a água ao sul para os Lagos Amargos, a cerca de (14 km) de distância. Em 1862, o lago estava cheio de águas do Mar Vermelho.

Observe o que a Palavra nos diz utilizando a figura do crocodilo:

  1. Jó 41:1-17 Tipifica a questão da dureza de coração, orgulho e dura cerviz
  2. Ez 29:2-16 Relação de Faraó e o crocodilo e a disciplina sobre o Egito
  3. Ez 32:1-2 Relação de Faraó e o crocodilo e a disciplina sobre o Egito
  4. Sl 74:12-17 Os gloriosos feitos do Senhor e a relação com o crocodilo

Pi-Hairote se situa nesta região de pântanos; e se chama também Lago de Mansaleh (bastante próximo ao Lago de Timsah) ou também é chamado de Yam Sûf que significa “Mar de Juncos, ou Mar de Canas/Papiros”. Esta última é a palavra exata que aparece no hebraico.

O Antigo Testamento chamou de Yam Sûf à massa de água onde os israelitas pararam. Esta mesma palavra, Sûf, é empregada para referir-se a juncos/papiro que cresciam ao longo do Nilo. Observe outros contextos bíblicos relacionados a Suf:

  1. A mãe de Moisés pôs o filho num cesto e colocou o cesto no meio dos Sûf (“juncos?”). (Ex 2:3-5).
  2. Depois de ser retirado do navio, Jonas afirma que Sûf (“algas marinhas?”) teriam se enrolado em sua cabeça (Jn 2:5).
  3. Isaías escreve que os rios e canais do Egito secarão; seus juncos e Sûf (“caniços?”) apodrecerão (Is 19:6).

Obs: Há diversas outras menções a juncos e caniços na Bíblia. Devemos verificar suas aplicações e respectivos significados em função do contexto em que são mencionados. Neste sentido vejamos o que o Senhor falou acerca de João Batista:

“… João Batista enviou-nos a perguntar-te: És tu aquele que havia de vir ou esperamos outro? (…) E, tendo-se retirados os mensageiros de João, começou a dizer à multidão acerca de João: Que saístes a ver no deserto? Uma cana abalada pelo vento?” – Lc 7.20,24.

Jesus estava falando àquela multidão que João Batista é um homem levado pelos ventos? Uma cana sacudida pelos ventos? Sabemos que não. Observemos a continuação do texto:

“Mas que saístes a ver? Um homem trajado de vestes delicadas? Eis que os que andam com vestes preciosas e em delícias estão nos paços reais. Mas que saístes a ver? Um profeta? Sim, vos digo, e muito mais do que profeta. Este é aquele de quem está escrito: Eis que envio o meu anjo diante da tua face, o qual preparará diante de ti o teu caminho” – Lc 7.25-27.

O Senhor, de uma forma maravilhosa, está querendo levar-nos a experimentar uma vida profunda nele, porque não podemos viver uma vida cristã cheia de vacilações, uma vida que pode ser levada por toda sorte de ventos e doutrinas, que nos levam ao erro. Por isso é que o Senhor vai provando nossa fé para que estejamos mais e mais firmados nele.

Mar de Juncos x Mar Vermelho

É quase certo que Sûf foi tomado de empréstimo de uma palavra egípcia, twf(y), que significaria “juncos/papiro” e designaria uma região tanto de brejos com papiros quanto pastagens. Por este motivo, aqui em Êxodo a expressão Yam Sûf deve ser traduzida como “Mar de Juncos”.

E aqui temos de diferenciar. Aqui não se trata AINDA do Mar Vermelho. O Mar Vermelho está mais abaixo. A ele os israelitas chegariam depois. Esta parte do mapa (conforme abaixo), que em nosso tempo de chama Canal de Suez, porém neste tempo se chamava Mar de Juncos e, que aqui, encontra-se traduzido como se fosse o Mar Vermelho.

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Então o roteiro até então foi o seguinte:

  1. Ramessés Sucote
  2. Sucote Etam
  3. Etam Pi-Hairote

Então veja: tanto Sucote, quanto Etam quanto Pi-Hairote, todas são localidades de fronteira; ficam exatamente na fronteira com o Egito. E esta era uma terra que se considerava dos edomitas, embora também fosse uma localidade na qual os militares egípcios faziam seus treinamentos neste deserto. Mas o que nos é significativo é que as três localidades representam experiências espirituais do começo da fé cristã.

Parênteses Histórico-Geográfico

Como veremos nesta seção e nas seções subsequentes, existem muitas controvérsias acerca da real trajetória do povo de Deus na caminhada até a Terra Prometida. Porém, isto não é algo que venha a desqualificar a realidade espiritual acerca do trajeto, muito pelo contrário.

E, como veremos mais a frente, a realidade espiritual relacionada àquilo que o Senhor estava por trabalhar em Seu povo, por meio do trajeto, independe necessariamente da definição de uma rota “mais à esquerda ou mais à direita”.

Isto porque a região é rica em detalhes e, a despeito de terem passado mais por aqui, ou mais por ali, o fato é que poderemos extrair verdades espirituais correlacionando as características naturais da região com as experiências espirituais do povo, que nos servem, obviamente, de exemplo. Afinal, Deus usa tudo para o cumprimento de Seu propósito.

Por uma questão de fidedignidade à Palavra e temor a Deus, mencionamos nesta seção e em outras subsequentes, algumas possibilidades relativas ao trajeto, mas sempre enfatizando, de fato, aquilo que tem importância, que é o que o Senhor tem a nos dizer através deste roteiro; espiritualmente falando.

E, ademais, os achados arqueológicos, os manuscritos, a historicidade, bem como todas e quaisquer outras evidências certamente serão dignas de fidedignidade se estiverem em acordo com a Palavra, e não o contrário.

Portanto, a menção a mapas e a detalhamentos mais específicos tem o propósito não de afirmar que este roteiro é o roteiro absolutamente correto e infalível, mas o propósito de, analisando o roteiro com estas especificidades, observar o que o Senhor estava a falar e a ensinar a eles e a nós na caminhada até a Terra Prometida.

Roteiros considerados como aceitáveis pelos estudiosos

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A estratégia de Deus e as experiências do povo de Deus

Devemos notar que eles vinham de Ramessés, depois Sucote, e então Etam. Logo, eles seguiam, a princípio uma rota retilínea para baixo. E então o que acontece? Aparentemente eles se voltam; isto foi um despiste que eles fizeram. Eles subiram de novo. Voltaram. Esta volta foi para o norte, voltaram até Pi-Hairote.

Eles não tomaram uma rota normal, uma rota direta por este caminho que leva a Palestina, o caminho que os levaria ao país dos filisteus, e nem tampouco tomaram esta rota direta de Ramessés a Sucote descendo. Eles desceram depois; eles regressaram até acima, ao norte, e é por isto que se diz no texto bíblico: “voltaram até Pi-Hairote”.

Isto é algo bastante significativo. Deus estava dirigindo a Moisés e ao Seu povo. Isto foi, possivelmente, uma estratégia tanto de Deus quanto de Moisés. Porque Deus estava usando Moisés, uma estratégia que parecia uma loucura, mas que era uma armadilha de Deus para com os egípcios. Devemos lembrar que Moisés esteve 40 anos sendo treinado em rotas militares no deserto e que passou outros 40 anos do outro lado deste mesmo deserto.

Então o que sucedeu? Os egípcios começaram a achar que os israelitas estavam desorientados no deserto. Porém Deus estava a fazer uma Obra misteriosa. Ele estava com o intuito de confundir os egípcios e lhes preparava uma armadilha. Ao mesmo tempo, Deus estava preparando mais uma grandiosa experiência para Seu povo no intuito de que eles pudessem ver Sua ação Providencial e miraculosa. Era mais uma forma de, pelo relacionamento e pelas experiências, seu povo pudesse conhecê-Lo.

Ou seja, as vezes parece que Deus permite que o diabo nos coloque numa situação que nos parece sem saída, que nos sentimos perdidos, que não sabemos o que fazer, porém Ele o permite exatamente para mostrar o Seu Poder e para demonstrar o Seu Agir sobrenatural.

Nós, quando ainda estávamos no mundo, estávamos acostumados a fazer por nós mesmos as coisas. E agora somos treinados pelas circunstâncias a nos entregar às ações Providenciais de Misericórdia de Deus.

“Antes, parecia que eu tinha as coisas sob controle, que as coisas iam muito bem para mim. Agora, ao contrário, parece que perdi “as rédeas” da situação, começaram a aparecer muitos problemas, parece que cometi algum erro? Não seria melhor regressar?”

Nós conhecemos estes sentimentos. Este é Pi-Hairote; experiências. Pi-Hairote é o local onde começamos a ver o Senhor assumindo o controle de nossas vidas.

A Dependência de Deus a partir das Experiências com Deus

“Fala aos filhos de Israel que se voltem e se acampem diante de Pi-Hairote, entre Migdol e o mar, diante de Baal-Zefom; em frente dele assentareis o acampamento junto ao mar. Então Faraó dirá dos filhos de Israel: Eles estão embaraçados na terra, o deserto os encerrou.” Ex 14:2-3

Parece que os filhos de Israel tomaram uma direção absurda e estavam sendo “encantuados” entre os egípcios e o Mar. Aos olhos humanos isto equivale a sair da segurança do mundo e confiar-se a um Deus invisível que não conhecemos bem e que apenas acabamos de conhecer.

Um crente maduro já tem conhecimento de Seu Senhor pelos muitos anos de fidelidade de Deus para com ele e, apesar das aparentes contradições e absurdos, este é o melhor caminho porque determinada por Deus. Mas para um crente novo? Ele não entende o valor de ter experiências em que somos colocados diante de situações de “riscos” para o exercício da fé.

O crente novo não vivia pela fé, mas vivia pelas coisas que o davam segurança, coisas em que ele tinha o controle, que estavam debaixo de seu manejo, das coisas que lhe pareciam lógicas. No entanto agora, ele é chamado por Deus para sair de sua terra, de sua parentela e ir para uma terra que ele não sabe onde é. E, além disto, começa a ter experiências de não ter o controle da situação e ter de depender de Deus em situações extremas. Par um crente maduro pode parecer comum, mas não para um novo convertido.

Assim, temos um claro modelo do operar de Deus para nos transformar:

  1. Nos chama a sair de nossa terra, nos faz peregrinos e nos ensina fazer Enramadas, Tendas Esta é Sucote
  2. Nos chama a sair de nossa Parentela Esta é Etam
  3. E agora nos chama a ir para uma terra que nós não sabemos onde é, assim como Abraão Em certo sentido esta é Pi-Hairote.

As vacilações dos Começos

Pi-Hairote na Idade Média se chamava Airut; hoje em dia no Egito se chama Iangerut; e a raiz “Pi” não é uma palavra hebraica senão um artigo egípcio. Logo, esta palavra com sentido egípcio significa lugar de juncos.

O junco na Bíblia significa em diversas passagens como a cana que se move à mercê dos ventos. Este é o lugar dos juncos, o lugar das vacilações.

“Ao partirem eles, começou Jesus a dizer às multidões a respeito de João: que saístes a ver no deserto? um caniço agitado pelo vento?” Mt 11:7.

Foi por este motivo que Jesus disse que Pedro se chamava Simão, mas que haveria de ser chamado Pedro, pois deixaria de ser um junco para se tornar uma pedra. Então Pi-Hairote simboliza uma cana agitada pelo vento; uma experiência de vacilação, de dúvida, de inconstância.

“Ora, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e não censura, e ser-lhe-á dada. Peça-a, porém, com fé, não duvidando; pois aquele que dúvida é semelhante à onda do mar, que é sublevada e agitada pelo vento. Não pense tal homem que receberá do Senhor alguma coisa, homem vacilante que é, e inconstante em todos os seus caminhos.” Tg 1:5-8.

As batalhas espirituais dos Começos – Baal-Zefom

“Disse o SENHOR a Moisés: Fala aos filhos de Israel que retrocedam e se acampem defronte de Pi-Hairote, entre Migdol e o mar, diante de Baal-Zefom; em frente dele vos acampareis junto ao mar.” Ex 14:1-2

  1. Baal-Sefom era o “deus” desta região de Etam
  2. Na língua edomita e na língua egípcia se chama Baal-Zefom.
  3. Este Zefom passa a se chamar Zegóm, na região de Gaza; especialmente ali se chama Dagóm
  4. Depois passou a ser chamado de Baal-Zegú, ou seja, Belzebú.

Obs: Vimos com algum nível de detalhes sobre Belzebú quando estudamos a praga das moscas e seus significados. É relevante observar que esta questão novamente volte a ser mencionada neste ponto.

Em Migdol, que significa torre, estava nada menos do que o Templo de Baal-Zefom.

  1. Em outras palavras, Baal-Zefom era o local atribuído a este “deus”
  2. Migdol era onde se encontrava o Templo de Baal-Zefom

Observe que este Baal-Zefom se refere a Belzebú, “o senhor das moscas”, este príncipe satânico.

Então vemos que nesta experiência de Pi-Hairote eles teriam também de enfrentar a resistência do maligno, a conjunção de malignos, as vacilações, as circunstâncias que os faziam menear de um lado para outro. Esta é Pi-Hairote, que envolve também uma situação criada por Satanás.

Porém devemos ter em vista que foi o Senhor Quem ordenou: “Diga aos filhos de Israel…”. Ou seja, é Deus mesmo quem está conduzindo Seu povo. É Ele mesmo que, às vezes, nos deixa passar por situações para que sejamos obrigados a vê-Lo e conhecê-Lo mais e melhor.

Antes não estávamos acostumados a vê-Lo sobrenaturalmente, vivíamos no natural, no comum, no corrente, em uma situação em que ainda dispomos de instrumentos para poder manejar; assim julgávamos que tudo ia bem; porém agora somos cristãos.

O propósito de Deus aqui é mostrar que quando tudo parece que está contra nós, Alguém que nós não estávamos acostumados que colocaria Sua Mão, assim O faz. Estas são as experiências da fronteira, dos começos.

Deus luta por Nós

É Deus mesmo Quem diz: “Diga aos filhos de Israel que deem uma volta…”, ou seja que se voltem; eles vinham de Ramessés (acima), havia Sucote (abaixo) e Etam ali próximo, e então logo o Senhor os envia a subir novamente a Pi-Hairote, a dar uma volta. Estes são movimentos erráticos; seguramente os egípcios devem ter pensado: eles estão desorientados neste deserto.

Eles vão para lá, agora vão para cá; os movimentos que eles estão fazendo demonstram que estão perdidos, desorientados. Devem ter pensado: “agora nós os pegamos. Vejam onde estão, vejam onde foram parar.”

Porém isto tudo era proposital. Esta era a “cartada” de Deus para vencer os inimigos de Israel. Quando parece que o diabo nos levou ao extremo, que não temos saída, É ali que Deus atua e nos dá a vitória.

Os 318 Homens do exército de Abraão – Guematria

No Génesis 14:12-24 narra-se a invasão da Palestina por quatro poderosos exércitos do Oriente, que levaram Ló, o sobrinho de Abraão, como prisioneiro.

Quando o patriarca o vem a saber, reúne 318 pessoas, e vai em perseguição daqueles, consegue derrotá-los e liberta Ló.

Terá Abraão, só com 318 pessoas, vencido os quatro exércitos mais poderosos da Mesopotâmia?

Esse número teria outro significado. Sabemos que Abraão tinha um servo, herdeiro de todos os seus bens, chamado Eliezer (Gn 15,2).

Se somarmos os números correspondentes às letras hebraicas deste nome temos: E (=1) + L (=30) + I (=10) + E (=70) + Z (=7) +R (=200) = 318

Os valores indicados correspondem ao alfabeto hebraico e daí uma letra poder ter diversos valores.

Eliézer: Significa “Deus é socorro”, ou “Deus é meu auxílio”. Com origem no hebraico Eliézer, composto pelos elementos El que significa “Deus, poderoso” e “Ézer”, auxílio”.

Com isto podemos inferir que a significação é tal que simboliza o fato de que Abraão saiu a combater no “Poder do Senhor” e, neste sentido, a descendência de Abraão será sempre superior aos seus inimigos.

É SIGNIFICATICO LEMBRAR QUE ESTA É A PRIMEIRA MENÇÃO EXPLÍCITA DE GUERRA. E TODA PRIMEIRA MENÇÃO ESTABELECE UM PRINCÍPIO. LOGO, NÃO INTERESSA QUANTOS HOMENS ESTEJAM EM NOSSO EXÉRCITO, A QUESTÃO É SE O SENHOR ESTÁ NA BATALHA!!!

“Então, Faraó dirá dos filhos de Israel: Estão desorientados na terra, o deserto os encerrou.” Ex 14:3

Porque o diabo os via em uma situação difícil e o diabo dizia: “agora os peguei, agora os tenho sob meu controle, agora eles não tem como fugir, como escapar, eles não tem mais saída.” Agora observe o que Deus mesmo diz depois deste versículo:

“Endurecerei o coração de Faraó, para que os persiga, e serei glorificado em Faraó e em todo o seu exército; e saberão os egípcios que eu sou o SENHOR. Eles assim o fizeram.” Ex 14:4

Assim vemos que é Deus mesmo Quem está permitindo esta situação e não somente isto, é Deus mesmo Quem endurece o coração de Faraó. É Deus mesmo Quem permite uma situação em que o diabo acredita que venceu a luta, naquele momento em que eles estiveram em conflitos consigo mesmos, nos quais estiveram expostas suas vacilações, naquele momento difícil.

Assim, quando tudo parecia estar sob o controle do diabo, alí o Senhor diz: “Sou Eu, Estou aqui, a situação não saiu de controle”. Todavia, o povo não entende bem tudo isto, parece não perceber o que o Senhor faz. Porém o demônio o sabe muito bem, eles sabem o que se passou. Também estas são experiências fronteiriças.

“Sendo, pois, anunciado ao rei do Egito que o povo fugia, mudou-se o coração de Faraó e dos seus oficiais contra o povo, e disseram: Que é isto que fizemos, permitindo que Israel nos deixasse de servir?” Ex 14:5

Esta é a resistência, a luta contra estes demônios para impedir o avanço do povo de Deus, daqueles que estão começando a caminhar. Este é o conflito.

“E aprontou Faraó o seu carro e tomou consigo o seu povo; e tomou também seiscentos carros escolhidos e todos os carros do Egito com capitães sobre todos eles.” Ex 14:6-7

Quando começamos a sair do modo de vida natural, quando começamos a vivenciar um modo de vida espiritual, o modo de vida pela fé; onde se dão as situações que se parecem as mais absurdas, é aí que vemos a Mão de Deus. Já percebemos que não é algo humano, não é algo a que estávamos acostumados. Por isto a Escritura faz um registro bastante significativo neste contexto dos juncos:

“Pela fé, ele abandonou o Egito, não ficando amedrontado com a cólera do rei; antes, permaneceu firme como quem vê aquele que é invisível.” Hb 11:27.

A descrição que iremos encontrar em alguns textos, diz que Pi-Hairote está entre Migdol (que significa torre) e o mar, até Baal-Zefom, que era o deus desta região de Etã, assim chamado no idioma dos edomitas e dos egípcios. No idioma dos filisteus, era chamado de Dagon e depois Baal-zebu, ou seja, Bel-zebu. Foi justamente nesse lugar que Deus mandou o Seu povo acampar.

Um lugar onde tem a descrição do inimigo, onde lutas espirituais ocorrem. Foi nesse lugar que Deus colocou o Seu povo. Como já disse, parece que Deus coloca o Seu povo, onde certamente há desespero. Mas por que Deus faz isso? Porque é numa situação como essa que Ele Se revela com o Seu poder, mostrando que essa guerra não e nossa, é dele. Ele nos leva a situações inesperadas, que muitas vezes não entendemos, para que Ele seja glorificado.

“Perseguiram-nos os egípcios, todos os cavalos e carros de Faraó, e os seus cavalarianos, e o seu exército e os alcançaram acampados junto ao mar, perto de Pi-Hairote, defronte de Baal-Zefom.” Ex 14:9

Veja que interessante! Vamos observar a reação dos filhos de Israel diante de sua primeira luta. Será que eles vão honrar a Deus com uma fé genuína?

“E, chegando Faraó, os filhos de Israel levantaram os olhos, e eis que os egípcios vinham atrás deles, e temeram muito; então, os filhos de Israel clamaram ao SENHOR. Disseram a Moisés: Será, por não haver sepulcros no Egito, que nos tiraste de lá, para que morramos neste deserto? Por que nos trataste assim, fazendo-nos sair do Egito? Não é isso o que te dissemos no Egito: deixa-nos, para que sirvamos os egípcios? Pois melhor nos fora servir aos egípcios do que morrermos no deserto.” Ex 14:10-12

Será que eles se esqueceram de todos os sinais e maravilhas operados por Deus no Egito? Será que eles não se lembravam mais das 10 pragas enviadas por Deus para tirá-los da servidão, da fornalha ardente onde eram escravos, do local onde gemiam a ponto de seu clamor chegar até Deus? Será que eles se esqueceram da nuvem? Se esqueceram da coluna de fogo?

Eles só tinham olhos para os problemas que o diabo lhes causava no mundo, agora não só com a família, mas com o mundo, com os egípcios. E foi por isto que os filhos de Israel temeram em grande medida e clamaram a YHWH.

As vezes o Senhor tem de permitir que passemos por situações onde não sabemos onde nos agarrar, para que clamemos e possamos aprender a depender de Deus e não de nossos costumeiros arranjos e manejos de sempre.

Mas observe que este clamor não foi simplesmente um pedido a Deus. Ele carregava em si uma grande dose de queixa direta a Moisés. Observe que aqui é onde se trava o combate. Quantos pensam que se equivocaram, que o melhor era voltar e, com isto, passam a culpar os outros pelos fatos e situações que lhes sobrevêm. Resultado: querem voltar e alguns voltam.

“É fácil aprender a doutrina do avivamento pessoal e da vida vitoriosa; é coisa completamente diversa tomar a nossa cruz e afadigar-nos na escalada do sombrio e áspero morro da renúncia. Aqui muitos são chamados, poucos escolhidos. Para cada um que de fato passa para a Terra Prometida, muitos ficam por um tempo, olhando ansiosamente através do rio e depois retornam tristemente à segurança relativa das vastidões arenosas da vida antiga. A.W.Tozer”

Observe os passos que se seguem neste processo. Começaram a experimentar uma mudança, mas aí veio a dúvida. E a dúvida os conduziu a questionar:

  1. “Porque nos tiraste do Egito?
  2. Será que você, Moisés, quer que nós venhamos a morrer aqui neste deserto?
  3. Antes o que nos sucedia era melhor, antes de nos tornar cristãos não enfrentávamos estes problemas, porém agora…veja o que nos acontece!

Em resumo: via de regra, as pessoas não entendem os caminhos de Deus. Porém estas são as jornadas. E estas jornadas são os caminhos de Deus para nós.

“Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro?” Rm 11:33-34

“Será que não havia sepulcros no Egito para que nos trouxesse para cá para morrermos neste deserto?”

Na verdade, eles não criam que Deus os guiava, cuidava e protegia. O “problema” lhes sobrevêm de tal maneira que eles pensam que é melhor voltar a “normalidade” de antes.

Por causa deste momento de dificuldade, de tensão, eles buscam alguém a quem possam responsabilizar, a quem possam atribuir a culpa. E, em geral, o que ocorre é que os líderes são responsabilizados. A culpa lhes é atribuída.

Porém observe que foi Deus mesmo Quem os tirou do Egito, foi Deus mesmo Quem os guiava, foi Deus mesmo Quem os conduziu a algo que lhes parecia absurdo. Porém, claro, eles não viam a Deus, eles clamavam a Deus, mas com pouca fé, com quase nenhuma confiança. Eles iriam começar a conhecer a Deus. Este é Pi-Hairote.

Atuando em Fé

“Não é isso o que te dissemos no Egito: deixa-nos, para que sirvamos os egípcios? Pois melhor nos fora servir aos egípcios do que morrermos no deserto.” Ex 14:12

“Moisés, porém, respondeu ao povo: Não temais; aquietai-vos (ou em algumas traduções ficai firmes, não sejais como o junco, ou como a cana que vai para cá e para lá ao sabor do vento) e vede o livramento do SENHOR que, hoje, vos fará; porque os egípcios, que hoje vedes, nunca mais os tornareis a ver.” Ex 14:13

“O SENHOR pelejará por vós, e vós vos calareis.” Ex 14:14

E é como se o Senhor lhes dissesse: “Eu Sou digno de confiança. Até aqui vejo que vocês ainda não confiam de fato em Mim, apesar de tudo o que já fiz. Vocês não estão acostumados a confiar em Mim, mas vocês ainda confiam em suas contas bancárias, em seus parentes, em seu trabalho, em seus próprios manejos. Vejo que há muitos que ainda não entenderam; estão confundidos.”

Interessante notar a gradação no processo de construção da confiança que Deus estabelece:

  1. 1º Estágio Não temais – Sl 46:1-3
  2. 2º Estágio Estais firmes, aquietai-vos – Sl 46:8-11
  3. 3º Estágio Vejam a Salvação, o Livramento – II Rs 6:8-23

Até hoje estávamos acostumados a salvar-nos a nós mesmos, porém agora, através destas experiências, começamos a conhecer a Deus.

“O SENHOR pelejará por vós…”, quer dizer, quando vemos a Deus pelejando por nós, nos vem a confiança Nele.

“Disse o SENHOR a Moisés: Por que clamas a mim? Dize aos filhos de Israel que marchem. E tu, levanta o teu bordão, estende a mão sobre o mar e divide-o, para que os filhos de Israel passem pelo meio do mar em seco.” Ex 14:15-16

Mesmo Moisés parecia estar clamando a Deus. Porém Deus lhe diz que deveria mudar de atitude. De uma atitude de apenas clamar, ele deveria passara a uma atitude de fé prática, ativa. Em vez de temer, atue em fé. Que marchem!! Mas, para onde?

“E tu, levanta o teu bordão, estende a mão sobre o mar e divide-o, para que os filhos de Israel passem pelo meio do mar em seco.” Ex 14:16

Veja que interessante. Não era somente uma questão de estar temendo, mas uma questão de atuar em fé, debaixo da Palavra de Deus. E devemos notar uma coisa muito importante: às vezes nos ajoelhamos e oramos, clamamos; porém nem sempre a oração é manifestação de fé, ao contrário, as vezes a oração é sinal de incredulidade.

Muitas vezes, especialmente nos começos, a situação se processa conosco através dos seguintes passos:

  1. Senhor, porque estás a permitir isto?
  2. Porque estou vivendo esta situação?
  3. Tenho Te clamado e Tú não me respondes?
  4. O Senhor nos diz: “Porque clamas a Mim? Marche!”
  5. “Levante sua vara e divide o mar…”.
  6. Como? Nunca fiz nada parecido.
  7. “Mas porventura não Sou Eu contigo?
  8. Não to mandei Eu?

“Eis que endurecerei o coração dos egípcios, para que vos sigam e entrem nele; serei glorificado em Faraó e em todo o seu exército, nos seus carros e nos seus cavalarianos; e os egípcios saberão que eu sou o SENHOR, quando for glorificado em Faraó, nos seus carros e nos seus cavalarianos.

Então, o Anjo de Deus, que ia adiante do exército de Israel, se retirou e passou para trás deles; também a coluna de nuvem se retirou de diante deles, e se pôs atrás deles, e ia entre o campo dos egípcios e o campo de Israel; a nuvem era escuridade para aqueles e para este esclarecia a noite; de maneira que, em toda a noite, este e aqueles não puderam aproximar-se.” Ex 14:17-20

Esta experiência refere-se ao Batismo. O passar pelas águas. O mundo, no caso o Egito, ficou para trás. Agora devemos andar em novidade de vida. E, neste processo, o Senhor reafirma algo relacionado à Etam e de extremo valor: VISÃO ESPIRITUAL.

Para os egípcios aquela nuvem os confundia; no entanto, para o povo de Deus aquela mesma nuvem esclarecia a noite. Devemos lembrar que a exemplo dos dias da criação, entre uma tarde e uma manhã existe uma noite. Assim foi com os patriarcas e assim é conosco. Enquanto não passarmos por esta noite em que somos transformados, então poderemos até passar pelo Mar Vermelho e sair do Egito, mas a Obra de Deus ficará incompleta se o Egito não sair de dentro de nós: dos nossos interesses, de nossa visão focal.

O Batismo

Aqui, neste contexto, é onde os filhos de Israel se decidem e efetivamente experimentam a realidade do Batismo. Quando são batizados na nuvem (Etam) e no mar (Pi-Hairote).

“Ora, irmãos, não quero que ignoreis que nossos pais estiveram todos sob a nuvem, e todos passaram pelo mar, tendo sido todos batizados, assim na nuvem como no mar, com respeito a Moisés. Todos eles comeram de um só manjar espiritual e beberam da mesma fonte espiritual; porque bebiam de uma pedra espiritual que os seguia. E a pedra era Cristo.” I Co 10:1-4

Observe que aqui se menciona o batismo; na verdade dois batismos:

  1. O batismo na Nuvem, ou seja, o Governo de Deus, pois a Nuvem que os seguia era Cristo, ou melhor, a Nuvem a Quem seguiam era Cristo.
  2. O batismo nas Águas, ou seja, no Mar Vermelho. Interessante notar que o Mar, assim como nas traduções mais difundidas entre o povo de Deus, era Vermelho.

Observe que ser batizado na nuvem é ser batizado em Cristo, no Seu Governo, e que, ser batizado no mar é ser batizado em água. Isto significa, utilizando a linguagem do Novo Testamento, ser batizado na água e no Espírito. Estes dois aspectos são experiências iniciais.

A Bíblia nos ensina que somos batizados em Cristo, e isto pela fé. Por isto, há um aspecto que eles, por exemplo, no Egito, para sair tiveram que comer o Cordeiro.

Comeram debaixo do Sangue passado nos umbrais e vergas das portas e comeram o Cordeiro, se tornaram participantes de Cristo. Ou seja, Cristo os limpou, este é o Sangue. Agora Cristo mora com eles, porque comeram do Cordeiro. Agora são participantes de Cristo e são batizados na nuvem.

Mas agora são batizados também nas águas, passam pelo mar, quer dizer, que ao cruzar o Mar Vermelho corresponde ao batismo em água, porque o batismo em água simboliza a separação do mundo, do Egito.

Antes de se batizar, o cristão era como todos, porém crente. Aí está representado o batismo na nuvem. Mas quando ocorre o batismo em água, quer dizer, que foi ultrapassada a fronteira com o mundo, deixamos em definitivo o Egito. Até aqui era a fronteira, este é o ponto fronteiriço.

Portanto, esta é toda a experiência fronteiriça de Pi-Hairote:

  1. Saíram de Etam e chegaram a Pi-Hairote
  2. Começam a sofrer vacilações, lutas
  3. Então vem o Senhor e os livra com Mão Poderosa.

O batismo é a declaração da nossa emancipação do mundo. O batismo significa a experiência de que agora nós não pertencemos mais ao mundo.

O mundo era a nossa esfera de vida, de relacionamento, mas agora desde que fomos batizados, a nossa esfera de relacionamento é em Cristo, é na vida de Cristo, e é para a glória de Cristo.

Agora você tem que entender que o batismo proclama na sua vida, requer, reivindica na sua vida um testemunho público de que você pertence ao Reino de Deus.

Porque existe uma realidade interior e uma exterior. E esta realidade exterior é o testemunho e a proclamação do que existe em nós.

Se nós não tivermos uma Visão acerca do que significa esta experiência em Pi-Hairote, onde eles tiveram que sair, passar pelo Mar; se não entendermos o que significa tudo isso na nossa vida cristã, não sabemos o que é verdadeiramente este batismo.

Veja que a Palavra de Deus mantém uma unidade de pensamento. Em 1 Pedro 3.20, lemos:

os quais, noutro tempo, foram desobedientes quando a longanimidade de Deus aguardava nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca, na qual poucos, a saber, oito pessoas, foram salvos, através da água”.

Isso mostra a Salvação sob um ângulo muito interessante. Veja o que o Senhor Jesus diz em Marcos 16.16: “Quem crer e for batizado será salvo…”.

Em Atos 2.38, no Pentecostes, vemos Pedro pregando, proclamando o Evangelho para aquelas pessoas:

“Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo”.

Agora, vemos que o Senhor fala da Salvação através da água. Tudo que não resiste à passagem pela água, no batismo, não é salvo. Veja que no tempo de Noé todos foram batizados, mas apenas oito saíram da água com segurança.

O Dilúvio veio e cobriu toda a terra. Todas as pessoas foram mortas, mas somente oito pessoas saíram da água. Isso fala do poder da vida em ressurreição. O número oito está relacionado à ressurreição.

Porque o Senhor Jesus ressuscitou no oitavo dia, e aqui nós temos oito pessoas saindo da água. Todos na época de Noé foram imersos na água, mas apenas oito pessoas saíram dela. Aqui Deus tem o Seu testemunho. Toda a humanidade morreu afogada pelas águas do Dilúvio, mas oito pessoas saíram da água, pois a água não pôde retê-las; essas foram salvas.

Hoje o mundo inteiro está debaixo da ira de Deus, entretanto, a pessoa que se batiza passa pela ira de Deus e ressurge do mundo condenado; esse é o significado do batismo. Por isso, vamos entender estas verdades na nossa experiência cristã, na nossa própria vida.

Uma Fé que permite o operar de Deus

É interessante notar que o Senhor sopra um vento e divide o Mar Vermelho, mas Ele não o faz enquanto Moisés não levanta o bordão. Ou seja, é Palavra de Deus e a nossa decisão de, pela fé, permitir o operar de Deus em nosso favor. Isto é muito curioso. É como se Deus dissesse: “Moisés, não siga clamando a Mim, levanta o bordão e divide o Mar pelo Meu poder operando através de sua vida. Exercite sua fé.”

A decisão de fé de Moisés foi o canal através do qual Deus pode soprar pelo Espírito e abrir caminho onde não havia caminho. Esta é a ação de Deus pela fé ativa. Temos de atuar em fé para dar ocasião a Deus, porém Deus necessita que creiamos e que tomemos a decisão de atuar em união com Ele. E então Ele atua conosco. E assim, experimentamos algo novo, que nunca havíamos experimentado antes.

Observe que, no processo do operar de Deus, Ele primeiro promove um transtorno nos carros dos egípcios, e então é que eles se dão conta do que se passava com eles. Ou seja, primeiro veio o transtorno dos carros, depois veio a água que os havia de cobrir. Isto é bastante significativo porque demonstra que os egípcios perceberam que Deus pelejava a favor de Seu povo Israel.

“O SENHOR pelejará por vós, e vós vos calareis. Disse o SENHOR a Moisés: Por que clamas a mim? Dize aos filhos de Israel que marchem. E tu, levanta o teu bordão, estende a mão sobre o mar e divide-o, para que os filhos de Israel passem pelo meio do mar em seco.

Eis que endurecerei o coração dos egípcios, para que vos sigam e entrem nele; serei glorificado em Faraó e em todo o seu exército, nos seus carros e nos seus cavalarianos; e os egípcios saberão que eu sou o SENHOR, quando for glorificado em Faraó, nos seus carros e nos seus cavalarianos.

Então, o Anjo de Deus, que ia adiante do exército de Israel, se retirou e passou para trás deles; também a coluna de nuvem se retirou de diante deles, e se pôs atrás deles, e ia entre o campo dos egípcios e o campo de Israel; a nuvem era escuridade para aqueles e para este esclarecia a noite; de maneira que, em toda a noite, este e aqueles não puderam aproximar-se.

Então, Moisés estendeu a mão sobre o mar, e o SENHOR, por um FORTE VENTO ORIENTAL que soprou toda aquela noite, fez retirar-se o mar, que se tornou terra seca, e as águas foram divididas. Os filhos de Israel entraram pelo meio do mar em seco; e as águas lhes foram qual muro à sua direita e à sua esquerda.

Os egípcios que os perseguiam entraram atrás deles, todos os cavalos de Faraó, os seus carros e os seus cavalarianos, até ao meio do mar. Na vigília da manhã, o SENHOR, na coluna de fogo e de nuvem, viu o acampamento dos egípcios e alvorotou o acampamento dos egípcios; emperrou-lhes as rodas dos carros e fê-los andar dificultosamente. Então, disseram os egípcios: Fujamos da presença de Israel, porque o SENHOR peleja por eles contra os egípcios.

Disse o SENHOR a Moisés: Estende a mão sobre o mar, para que as águas se voltem sobre os egípcios, sobre os seus carros e sobre os seus cavalarianos. Então, Moisés estendeu a mão sobre o mar, e o mar, ao romper da manhã, retomou a sua força; os egípcios, ao fugirem, foram de encontro a ele, e o SENHOR derribou os egípcios no meio do mar.

E, voltando as águas, cobriram os carros e os cavalarianos de todo o exército de Faraó, que os haviam seguido no mar; nem ainda um deles ficou. Mas os filhos de Israel caminhavam a pé enxuto pelo meio do mar; e as águas lhes eram quais muros, à sua direita e à sua esquerda.

Assim, o SENHOR livrou Israel, naquele dia, da mão dos egípcios; e Israel viu os egípcios mortos na praia do mar. E viu Israel o grande poder que o SENHOR exercitara contra os egípcios; e o povo temeu ao SENHOR e confiou no SENHOR e em Moisés, seu servo.” Ex 14:14-31

Obs: Ver detalhamento sobre os Ventos Oriental e Ocidental contidos no Resumo sobre “Os Ventos na Bíblia”.

Quando cremos no Senhor e fomos batizados fomos efetivamente salvos. Já não somos contados entre os mundanos, porém entre os crentes.

“Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que seja a graça mais abundante? De modo nenhum! Como viveremos ainda no pecado, nós os que para ele morremos? Ou, porventura, ignorais que todos nós que fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte?

Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida. Porque, se fomos unidos com ele na semelhança da sua morte, certamente, o seremos também na semelhança da sua ressurreição,

sabendo isto: que foi crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos;

porquanto quem morreu está justificado do pecado. Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos,

sabedores de que, havendo Cristo ressuscitado dentre os mortos, já não morre; a morte já não tem domínio sobre ele. Pois, quanto a ter morrido, de uma vez para sempre morreu para o pecado; mas, quanto a viver, vive para Deus. Assim também vós considerai-vos mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus.” Rm 6:1-11.

Agora observe que o versículo “Assim, o SENHOR livrou Israel, naquele dia, da mão dos egípcios; e Israel viu os egípcios mortos na praia do mar. E viu Israel o grande poder que o SENHOR exercitara contra os egípcios; e o povo temeu ao SENHOR e confiou no SENHOR e em Moisés, seu servo…”.

Antes o povo temia aos egípcios, mas agora passa a temer o Senhor. Agora passam a crer e confiar no Senhor e em Seu servo Moisés.

Outro ponto que merece destaque é o fato de que os povos ao redor tomaram conhecimento deste fato e temeram. O temor vai tomar conta dos filisteus, edomitas, moabitas e etc… Vemos isto pelo registro que se encontra no Cântico de Moisés, com especial atenção aos versículos 14 a 16:

“Então, entoou Moisés e os filhos de Israel este cântico ao SENHOR, e disseram: Cantarei ao SENHOR, porque triunfou gloriosamente; lançou no mar o cavalo e o seu cavaleiro.

O SENHOR é a minha força e o meu cântico; ele me foi por salvação; este é o meu Deus; portanto, eu o louvarei; ele é o Deus de meu pai; por isso, o exaltarei.

O SENHOR é homem de guerra; SENHOR é o seu nome. Lançou no mar os carros de Faraó e o seu exército; e os seus capitães afogaram-se no mar Vermelho.

Os vagalhões os cobriram; desceram às profundezas como pedra. A tua destra, ó SENHOR, é gloriosa em poder; a tua destra, ó SENHOR, despedaça o inimigo.

Na grandeza da tua excelência, derribas os que se levantam contra ti; envias o teu furor, que os consome como restolho. Com o resfolgar das tuas narinas, amontoaram-se as águas, as correntes pararam em montão; os vagalhões coalharam-se no coração do mar.

O inimigo dizia: Perseguirei, alcançarei, repartirei os despojos; a minha alma se fartará deles, arrancarei a minha espada, e a minha mão os destruirá. Sopraste com o teu vento, e o mar os cobriu; afundaram-se como chumbo em águas impetuosas.

Ó SENHOR, quem é como tu entre os deuses? Quem é como tu, glorificado em santidade, terrível em feitos gloriosos, que operas maravilhas? Estendeste a destra; e a terra os tragou. Com a tua beneficência guiaste o povo que salvaste; com a tua força o levaste à habitação da tua santidade.

Os povos o ouviram, eles estremeceram; agonias apoderaram-se dos habitantes da Filístia. Ora, os príncipes de Edom se perturbam, dos poderosos de Moabe se apodera temor, esmorecem todos os habitantes de Canaã.

Sobre eles cai espanto e pavor; pela grandeza do teu braço, emudecem como pedra; até que passe o teu povo, ó SENHOR, até que passe o povo que adquiriste.

Tu o introduzirás e o plantarás no monte da tua herança, no lugar que aparelhaste, ó SENHOR, para a tua habitação, no santuário, ó Senhor, que as tuas mãos estabeleceram. O SENHOR reinará por todo o sempre.

Porque os cavalos de Faraó, com os seus carros e com os seus cavalarianos, entraram no mar, e o SENHOR fez tornar sobre eles as águas do mar; mas os filhos de Israel passaram a pé enxuto pelo meio do mar.” Ex 15:1-19

Observe ainda que esta mesma questão vai se repetir quando a próxima geração vier a cruzar o Jordão. Isto fica claro quando contemplamos o profeta Isaías:

“Assim diz o SENHOR, o que outrora preparou um caminho no mar (refere-se ao Mar Vermelho) e nas águas impetuosas (refere-se ao Jordão), uma vereda; o que fez sair o carro e o cavalo, o exército e a força – jazem juntamente lá e jamais se levantarão; estão extintos, apagados como uma torcida.

Não vos lembreis das coisas passadas, nem considereis as antigas. Eis que faço coisa nova, que está saindo à luz; porventura, não o percebeis? Eis que porei um caminho no deserto e rios, no ermo.

Os animais do campo me glorificarão, os chacais e os filhotes de avestruzes; porque porei águas no deserto e rios, no ermo, para dar de beber ao meu povo, ao meu escolhido, ao povo que formei para mim, para celebrar o meu louvor.” Is 43:16-21

“Antes que os espias se deitassem, foi ela ter com eles ao eirado e lhes disse: Bem sei que o SENHOR vos deu esta terra, e que o pavor que infundis caiu sobre nós, e que todos os moradores da terra estão desmaiados. Porque temos ouvido que o SENHOR secou as águas do mar Vermelho diante de vós, quando saíeis do Egito; e também o que fizestes aos dois reis dos amorreus, Seom (Guerreiro) e Ogue (Gigante), que estavam além do Jordão, os quais destruístes. Ouvindo isto, desmaiou-nos o coração, e em ninguém mais há ânimo algum, por causa da vossa presença; porque o SENHOR, vosso Deus, é Deus em cima nos céus e embaixo na terra.” Js 2:8-11

Estas citações trazem, implicitamente, realidades espirituais importantes, que veremos em detalhes posteriormente, dentre elas:

  1. Ambos reis, Seom e Ogue, eram amorreus. Da mesma forma veremos que na estação 15, Ritma (Nm 13:22-24 – Vale de Escol e Gn 14:14:12-14), se dá a visita dos espias e els trazem um cacho de uvas como testificação de que a Terra Mana Leite e Mel. Este “Vale de Escol” mencionado no contexto é relevante pois a mesma citação tem sua possível origem ao episódio de Gn 14 e ao amorreu Escol que ajudou Abraão na guerra de que participaram para salvar a Ló. Note o fato de Abraão habitar nos “carvalhais de Manre (força, sentido de vigor). Observe que retornamos ao episódio de Eliézer.
  2. As citações a ambos reis, analogamente, trazem mensagens implícitas que precisamos entender. Para tanto temos de analisar os textos contidos em Nm 21:21-30 em conexão com Dt 2:26-26 e, da mesma forma, Nm 21:31-35 em conexão com Dt 3:1-11. Isto nos fará compreender o Mapa abaixo.
  3. E, observemos o significado de três Ribeiros citados nas Escrituras em conexão com ambos reis e com a tomada da Terra Prometida:

3.1- Ribeiro de Zerede – Crescimento Exuberante, conforme texto hebraico.

3.2- Ribeiro de Arnom – Riacho Veloz, conforme texto hebraico.

3.2- Ribeiro de Jaboque – Desembocar, Esvaziar, conforme texto hebraico.

  1. Estas questões estão implicitamente correlacionadas e devem merecer oportunamente nossa análise e meditação mais acurada para aquilo que, o Senhor deseja nos falar, uma vez que há diversas citações deste elementos tanto em Gênesis, Números e também em Deuteronômio no contexto da tomada da Terra e da Vitória que o povo experimentou no Senhor!

C:\Users\Leonardo\OneDrive\Imagens 02\Mapa dos Ribeiros Arnom, Zerede e Jaboque - 02.JPG

Pi-Hairote – Conclusões Finais

  1. Local fronteiriço entre o Egito e o Sinai
  2. Local de vacilação, de dúvida, de inconstância.
  3. Local onde se começa a ter experiências grandiosas do Poder de Deus
  4. Local onde se experimentam circunstâncias difíceis que não se contornam de forma natural, mas de forma sobrenatural.

4.1- Local onde clamam, porém SEM FÉ

4.2- Local onde ACHAM QUE SE EQUIVOCARAM

4.3- Local onde NÃO CRÊEM QUE DEUS DE FATO VAI GUIÁ-LOS

4.4- Local onde manifestam o DESEJO DE VOLTAR A “NORMALIDADE” da vida de antes

4.5- Local onde buscam um culpado, exercendo o mecanismo humano de transferência de culpa, bastante característico de indivíduos ESCRAVIZADOS

4.6- Local onde questionam “COMO DEUS PODE ESTAR NOS GUIANDO SE ESTAMOS PASSANDO POR ESTA SITUAÇÃO?”

  1. Local de decisão de começar a exercitar e a andar pela fé
  2. Local onde o exercício da fé começa a ser vivido de forma prática em atuação conjunta com o Poder do Senhor atuante sobre nossas vidas.
  3. Local onde podemos perceber mais claramente nossa incredulidade embora todos os feitos grandiosos anteriormente realizados pelo Senhor.
  4. Local onde vemos o agir do Senhor e passamos a confiar nele
  5. Local onde cruzamos o Mar Vermelho (Yam Sûf) e somos batizados na Nuvem e nas Águas.
  6. Local onde o mundo percebe que já não fazemos mais parte dele. Começamos a experimentar mudanças, pelas experiências.
  7. Local onde o Senhor, pela Sua Graça, realiza feitos sobrenaturais evidentes, grandiosos. Para aumentar nossa fé e confiança nele.

Como nós somos carentes, extremamente carentes de entender estas verdades na nossa própria experiência, na nossa própria vida, no dia-a-dia.

Como nós somos centrados em nós mesmos, como as nossas próprias situações regem nossa vida, não somos guiados pelo Espírito de Deus, pela Palavra de Deus.

Nós somos guiados pelos nossos sentimentos. Precisamos ser livres, libertos disso.

Só Deus no Seu Espírito para poder nos ajudar; para poder nos levar às águas profundas e nos revelar o Seu caráter, Sua glória, Sua vontade, Seu poder.

O Senhor tenha Misericórdia de nós!