As 42 (Quarenta e duas) Estações no Deserto
Sumário
2- Marta ou Mara: A Bênção da Vontade Rendida.
3- Fome e Sede – Significações: Natural e Espiritual
5- Águas amargas ou raiz de amargura: as possíveis reações da alma
6- Parêntesis para explicação do Significado de Neguebe
6.1. A conquista do Neguebe e a Maturidade
6.2. Deus age para nos avaliar em nossa Obediência e Confiança Nele
6.3. Neguebe – Lugar de ser Provado por Deus
6.4. Neguebe – Lugar de Decisões Maduras
7- Decisão errada – Mente não Renovada
8- Parênteses para explicação do significado de “deuses”
8.1. A idolatria – Os “deuses” e suas propostas enganosas
9- Experiências espirituais Doces e Amargas
9.1. A Cruz de Cristo torna o Amargo, Doce
9.2. Lagos Amargos: o Pequeno e o Grande
10- A Cruz e as Provas da parte de Deus
11- Menções à palavra Perseverança e o Contexto Bíblico Correspondente
12- Águas Amargas – Aspectos Medicinais
13- Deus sabe o que Faz. E povo? Entende?
14- Sair do Egito é uma coisa! O Egito sair de mim…é outra!!
15- A Árvore da Vida que transforma as Águas Amargas em Doces
Estação 05: Mara
“E partiram de Pi-Hairote, passaram pelo meio do mar ao deserto e, depois de terem andado caminho de três dias no deserto de Etã, acamparam-se em Mara. E partiram de Mara e vieram a Elim.” Nm 33:8-9ª.
Até aqui o povo havia passado por Ramessés, Sucote, Etam e Pi-Hairote. Todas experiências fronteiriças. Porém a partir deste ponto o povo começa a ser introduzido um pouquinho mais no deserto. O deserto traz consigo experiências distintas.
Alguém dentre nós poderia pensar: agora que me converti ao Senhor, desde este momento em diante tudo vai ser melhor, tudo me irá bem, eu vou ser muito feliz, não vou ter nenhum sofrimento, nenhuma experiência de sequidão. Porém o Senhor nos conhece e sabe o de que necessitamos.
“Fez Moisés partir a Israel do mar Vermelho, e saíram para o deserto de Sur; caminharam três dias no deserto e não acharam água. Afinal, chegaram a Mara; todavia, não puderam beber as águas de Mara, porque eram amargas; por isso, chamou-se-lhe Mara. E o povo murmurou contra Moisés, dizendo: Que havemos de beber? Então, Moisés clamou ao SENHOR, e o SENHOR lhe mostrou uma árvore; lançou-a Moisés nas águas, e as águas se tornaram doces. Deu-lhes ali estatutos e uma ordenação, e ali os provou, e disse: Se ouvires atento a voz do SENHOR, teu Deus, e fizeres o que é reto diante dos seus olhos, e deres ouvido aos seus mandamentos, e guardares todos os seus estatutos, nenhuma enfermidade virá sobre ti, das que enviei sobre os egípcios; pois eu sou o SENHOR, que te sara.” Ex 15:22-26
Devemos prestar a atenção a esta parte da frase: NÃO ACHARAM ÁGUA. Como dissemos, alguém dentre nós poderia achar que tudo seria fácil desde o princípio, mas há uma frase mais adiante que explica o porque Deus, que nos conhece, não faz as coisas tão fáceis assim desde o princípio.
No princípio temos momentos de grande gozo, mas vamos experimentar momentos de muita sequidão também. Quando estamos, por exemplo, na reunião de oração nos sentimos tão bem. Porém quando saímos de lá, e chegamos em casa ou no trabalho e então temos momentos de tanta dificuldade, de tanta sequidão.
Todos nós devemos nos recordar do primeiro Amor, quando acabamos de ser salvos, e estamos cheios de alegria, de amor; estamos cheios de felicidade, sentimos tanto a Presença do Senhor, cantamos, louvamos, adoramos a Deus.
Porém, passado aquele período inicial, quase que de pronto, parece que algo nos falta, como que nos fazendo sentir sede, fazendo-nos sentir secos.
No princípio, não entendemos que somente o Senhor pode matar esta sede que temos. Alguns de nós pensam que podem se dessedentar com os cânticos, porque “quando cantava aqueles cânticos me sentia tão bem, tão leve, tão em espírito”.
Então voltamos a cantá-los, porém agora já não me sinto da mesma forma. O que teria acontecido? Desta vez não foi como da vez passada. Da anterior me sentia em Espírito, mas desta vez me sinto um pouco seco, sinto um pouco de sequidão, parece que as coisas estão assim meio sem vida.
Mas isto também é parte do propósito daquilo que o Senhor quer nos ensinar. Temos de ter em mente que Quem os guiava, pela nuvem, era o Senhor.
Marta ou Mara: A Bênção da Vontade Rendida.
No original hebreu a primeira menção citada nestes versículos acima não são MARA, mas MARTA. Eles chegaram a Marta. Interessante notar que o nome Marta na Bíblia significa “ama”. Veja, eles chegaram àquele lugar com uma expectativa. Desnecessário dizer que o que se espera de uma “ama” é um cuidado para com aqueles que ela cuida. Toda atenção e suporte para que nunca lhes falte nada. Mas parece que se frustraram e, por isto, retiraram a letra “T” do nome e passaram a lhe chamar MARA.
Então o texto original ficaria assim descrito: “Afinal, chegaram a Marta; todavia, não puderam beber as águas de Marta, porque eram amargas; por isso, chamou-se-lhe Mara.” E este último nome significa amargura.
Veja, o local não chamava-se Mara, mas Marta. Vimos o significado de Marta e de Mara. Logo, a questão é que o local PASSOU A CHAMAR-SE MARA NA PERSPECTIVA DE VISÃO DO POVO EM RELAÇÃO AO QUE LHE ACONTECIA.
Pensávamos que todas as jornadas com o Senhor seriam só felicidade, porém isto agora: águas amargas? Mas os filhos de Deus experimentando águas amargas? Porque águas amargas?
Antes, porém, devemos observar um elemento extremamente significativo. Eles haviam andado “caminho de três dias no deserto…”. Observe esta expressão. Por quê? Porque ela é reincidente na Palavra de Deus e aponta para a Obra da Cruz. Morte e ressurreição.
Sabemos que o Senhor Jesus esteve três dias e três noites no seio da terra. E em várias outras passagens, caso façamos uma busca através de uma chave bíblica, veremos que o mesmo princípio está colocado. Significa a Obra da Cruz!
Ocorre que necessitamos entender melhor a Obra da Cruz. O que é Cruz? Nada melhor do que olharmos para o momento em que Jesus esteve no Getsêmani:
“Em seguida, foi Jesus com eles a um lugar chamado Getsêmani e disse a seus discípulos: Assentai-vos aqui, enquanto eu vou ali orar; e, levando consigo a Pedro e aos dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se”.
Então, lhes disse: A minha alma está profundamente triste até à morte; ficai aqui e vigiai comigo. Adiantando-se um pouco, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se possível, passe de mim este cálice! Todavia, não seja como eu quero, e sim como tu queres.
E, voltando para os discípulos, achou-os dormindo; e disse a Pedro: Então, nem uma hora pudestes vós vigiar comigo? Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca. Tornando a retirar-se, orou de novo, dizendo: Meu Pai, se não é possível passar de mim este cálice sem que eu o beba, faça-se a tua vontade.
E, voltando, achou-os outra vez dormindo; porque os seus olhos estavam pesados. Deixando-os novamente, foi orar pela terceira vez, repetindo as mesmas palavras. Então, voltou para os discípulos e lhes disse: Ainda dormis e repousais! Eis que é chegada a hora, e o Filho do Homem está sendo entregue nas mãos de pecadores. Levantai-vos, vamos! Eis que o traidor se aproxima.” Mt 26:36-46.
Este é um texto-chave para se compreender a questão relacionada a SEDE, a FOME, a OBSTINAÇÃO, IDOLATRIA e tantas outras questões mas, em especial, a OBRA DA CRUZ.
A cruz para Jesus foi, acima de tudo, VONTADE RENDIDA. “Pai, não se faça a Minha Vontade, mas a Sua.” Sabemos que Jesus sabia para o que Ele viera. Seu sentido de propósito e significado estavam muitos claros em Sua consciência. Logo, nos parece absurda a ideia de que Ele, ao indagar “se for possível passa de Mim este cálice…”, estivesse fugindo se Sua Missão. Ou que tal requisição se fundamentasse em um receio do sofrimento físico da cruz.
Mas observe que sua alma estava angustiada. Por quê? Porque a Cruz representaria a perda, ainda que momentânea, da Presença do Pai, da Face do Pai, da Comunhão com o Pai. O Pai é o Seu Alimento, o Pai é Aquele que dessedenta Sua sede, o Pai é Seu Tudo! Note que tanto a fome quanto a sede tem características de ordem NATURAL E ESPIRITUAL.
Fome e Sede – Significações: Natural e Espiritual
Observe a conversa do Senhor com a mulher samaritana.
João 4:13 Afirmou-lhe Jesus: Quem beber desta água tornará a ter sede; 14 aquele, porém, que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna.
João 6:35 Declarou-lhes, pois, Jesus: Eu sou o pão da vida; o que vem a mim jamais terá fome; e o que crê em mim jamais terá sede.
João 7:37 No último dia, o grande dia da festa, levantou-se Jesus e exclamou: Se alguém tem sede, venha a mim e beba. 38 Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva.
João 19:28 Depois, vendo Jesus que tudo já estava consumado, para se cumprir a Escritura, disse: Tenho sede!
Esta palavra sede – DIPSAO – no grego, aparece dezesseis vezes no novo testamento.
- Oito vezes diz respeito à sede física.
- Oito vezes diz respeito à sede que não é física.
Uma sede mais profunda, uma sede de alguma coisa que anelamos que não é meramente líquido. E as ocorrências são conhecidas, a gente não percebe, mas conhecemos as ocorrências. No livro de Mateus aparecem cinco ocorrências.
Uma delas nas bem-aventuranças.
- “ Bem-aventurado aquele que tem fome e sede de justiça.” Mt 5:6
Então você logo vê que não é de água e sim de justiça. As outras quatro vezes são no cap. 25, quando o Senhor desce e julga os povos, aos que estão à sua direita, disse:
- Mateus 25:34 “então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo. 35 Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me hospedastes; 36 estava nu, e me vestistes; enfermo, e me visitastes; preso, e fostes ver-me.”
Vinde, benditos do meu Pai, Ele fala assim, porque Eu tive sede e me destes de beber. E perguntamos: Senhor, quando te vimos com sede e te demos de beber? Então duas vezes. E as outras duas vezes, a aqueles que estavam à sua esquerda. Então essas são as cinco ocorrências no livro de Mateus.
No livro de João, aparecem seis, das quais nós lemos cinco. A sexta é a resposta que a mulher dá ao Senhor no versículo 15 do cap. 4 que acabamos de ler. Ela fala assim:
- João 4:15 “Disse-lhe a mulher: Senhor, dá-me dessa água para que eu não mais tenha sede, nem precise vir aqui buscá-la”
Aí aparece uma ocorrência em Romanos, cap. 12:20 que fala assim:
- Romanos 12:20 “Pelo contrário, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas vivas sobre a sua cabeça.”
Em 1ª Coríntios cap. 4:11, Paulo defendendo o seu apostolado disse:
- 1 Coríntios 4:11 “Até à presente hora, sofremos fome, e sede, e nudez; e somos esbofeteados, e não temos morada certa,”
Então essa é a outra ocorrência. E depois disso as três ocorrências que faltam, estão em Apocalipse, no cap. 21:6, o Senhor diz:
- Apocalipse 21:6 Disse-me ainda: Tudo está feito. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim. Eu, a quem tem sede, darei de graça da fonte da água da vida.
No cap. 7, Ele fala daqueles que vem da grande tribulação e diz que:
- Apocalipse 7:16 Jamais terão fome, nunca mais terão sede, não cairá sobre eles o sol, nem ardor algum, 17 pois o Cordeiro que se encontra no meio do trono os apascentará e os guiará para as fontes da água da vida…
E a última ocorrência que é no cap. 22 de Apocalipse que diz:
- Apocalipse 22:17 O Espírito e a noiva dizem: Vem! Aquele que ouve, diga: Vem! Aquele que tem sede venha, e quem quiser receba de graça a água da vida.
São essas as ocorrências que aparecem no novo testamento a respeito de sede. Sabemos que às vezes diz respeito à sede física, e às vezes diz respeito a uma sede muito mais profunda, algo que, um anelo que a água não mata e muitas outras coisas não podem saciar.
Então, quando começamos a considerar a conversa do Senhor com a mulher samaritana, ali nós temos quase tudo já naquela conversa.
Então o Senhor precisava passar por Samaria, e Ele encontrou a mulher depois de algum tempo viajando e o Senhor estava cansado. É curioso que lá não diz que ele estava com sede. Diz que ele estava cansado da viagem e Ele pediu à mulher – Dá-me de beber. E a mulher deu uma resposta, dizem alguns, meio atravessada. Alguns interpretam a resposta da mulher assim:
Mateus 4:9 Então, lhe disse a mulher samaritana: Como, sendo tu judeu, pedes de beber a mim, que sou mulher samaritana (porque os judeus não se dão com os samaritanos)?
Normalmente vocês não conversam conosco. Agora que você está com sede você conversa comigo? Agora que você me pede, não é? Alguns interpretam a resposta da mulher assim, mas o fato é que o Senhor disse:
10 Replicou-lhe Jesus: Se conheceras o dom de Deus e quem é o que te pede: dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva.
Essa água, se você beber, você voltará a ter sede, mas quem beber da água que eu lhe der não terá sede mais. Ao contrário essa água se tornará uma fonte a jorrar para a vida eterna.
E se os irmãos perceberem tantas vezes o Senhor fez essa promessa de que Ele daria a beber da água da vida e quem tomasse dessa água não mais teria sede, porque Ele é a própria vida, Ele é essa fonte.
Ele tem, digamos, o poder, a autoridade, Ele está na posição de fazer essa afirmação, de fazer essa promessa. Está com sede? Pode tomar e como disse à mulher, quem tomar uma vez, nunca mais terá sede.
Isso aponta para o aspecto de que nós ao chegarmos ao Senhor por fé, e cremos, de uma vez, o Senhor nos sacia de um certo aspecto. Depois nós vamos ver que tem aspectos que nós precisamos encher permanentemente.
Mas o fato é que o Senhor Ele tem esse poder de saciar a sede. Para nós pode parecer alguma coisa assim, vou usar a palavra de somenos, do Senhor ter dito para a mulher e dizer para nós também que Ele pode saciar a nossa sede. Mas, e obviamente entendemos que a nossa sede não é a sede de água, mas é alguma coisa muito mais profunda do que isso.
Vamos ler o Salmo 42, porque ali estabelece de forma muito clara o que realmente nos causa sede.
Salmos 42:1 Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma. 2 A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo….
A nossa alma tem sede de Deus. E aqui eu grifo, do Deus vivo. Porque na nossa mente muitas vezes pensamos em Deus e associamos com religião, associamos com costumes, com ideias, com conceitos. Nada disso satisfaz a nossa sede. Só a Pessoa de Deus, o Deus vivo.
Então, quando o Senhor se referiu a aquela mulher dizendo: olha, quem beber dessa água tornará a ter sede. Quem, porém beber da água que eu lhe der, jamais terá sede para si. Pelo contrário, a água que eu lhe der, será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna.
Ele estava falando exatamente de saciar a sede que temos de comunhão com Deus, da Pessoa de Deus. Separação de Deus gera sede. Quando nós não vamos a Deus suficientemente frequente, nós começamos a sentir sede. E aqui deixa muito claro que a nossa sede é uma sede de Deus, o Deus vivo.
Existe um texto no novo testamento, um dos capítulos mais difíceis de entender. E esse texto em particular também ele tem as suas dificuldades, vamos extrair um ponto dele que é Lucas cap. 16. É uma parábola, do rico e do Lázaro.
Tem gente que fica se debatendo se é parábola ou não. Nos parece que é parábola. Se não for também, não tem maiores dificuldades não. É um pedido que o rico faz a Deus, aqui digamos representado por Abraão.
Lucas 16:24 Então, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim! E manda a Lázaro que molhe em água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama.
Aqui temos alguém que estava em profunda sede a ponto dele imaginar assim: se alguém só molhar a ponta do dedo e me refrescar a língua já vai ser ganho. Pulando o versículo 25 que tem uma explicação, e no 26 a explicação continua e diz assim:
26 E, além de tudo, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que querem passar daqui para vós outros não podem, nem os de lá passar para nós.
E, além de tudo – essa é a resposta que Abraão dá a ele, está posto um grande abismo entre nós e vós.
Observe a relação que existe entre essa separação, esse grande abismo e a condição em que essa pessoa se encontrava de tormento, de sede profunda.
Então, a separação de Deus gera sede. Gera sede e quando o Senhor disse: eu posso saciar a sede, então Ele estava dizendo que Ele podia nos aproximar de Deus. Sabemos que é muito mais do que isso.
O Senhor é aquele que nos reconciliou com o Pai. Ele vai desaparecer com esse abismo, Ele permite que nós não fiquemos do lado de lá do abismo, mas para que isso fosse verdade, como vimos da última vez, Ele precisou ser separado. Ele precisou experimentar a separação de Deus. Ele que pode nos dessedentar, Ele teve que dizer: Tenho sede.
É como se o oceano dissesse: estou seco. Irmãos, a gente não consegue perceber o paradoxo que é isso. O Senhor é aquele que é a fonte de vida, Ele que mata a sede de tantos quantos forem a Ele. Ele, ali na cruz, na quinta palavra, já no final das seis horas, Ele disse: Tenho sede.
Boa parte dos autores só discutem a questão de que o Senhor realmente deveria estar com grande sede. E estava mesmo. Sede física. Ele, ao que tudo indica, a última vez que Ele havia tomado algum tipo de refeição, foi a Ceia. Foi a última vez que efetivamente Ele comeu, bebeu alguma coisa, foi com os discípulos na noite anterior, na Ceia. E depois de todo aquele esforço físico e todo o sofrimento Ele teve sede.
E há dois textos pelo menos que se referem à sede e ao que tudo indica também isso inclui a sede física. Então o Senhor sobre a cruz, encontramos no Salmo cap. 22 que descreve o Senhor sobre a cruz.
Salmos 22:15 Secou-se o meu vigor, como um caco de barro, e a língua se me apega ao céu da boca; assim, me deitas no pó da morte.
Então aqui fala que a língua se lhe apegou ao céu da boca. Realmente Ele estava seco, sua boca estava seca. Desidratação.
Outro texto messiânico nos encontramos no Salmo 69. Aqui a profecia certamente o Senhor devia lembrar desses textos sobre a cruz. Ele estava em perfeita condição psicológica, Ele lembrava, Ele sabia, e vendo que tudo estava se consumando, se cumprindo, Ele sabia que esse versículo precisava de cumprimento.
Salmos 69:21 Por alimento me deram fel e na minha sede me deram a beber vinagre.
Então Ele clamou: Tenho sede. Façamos, agora, a seguinte comparação. Mateus, cap. 27, quando descreve a morte do Senhor na cruz.
Mateus 27:45 Desde a hora sexta até à hora nona, houve trevas sobre toda a terra. 46 Por volta da hora nona, clamou Jesus em alta voz, dizendo: Eli, Eli, lamá sabactâni? O que quer dizer: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? 47 E alguns dos que ali estavam, ouvindo isto, diziam: Ele chama por Elias. 48 E, logo, um deles correu a buscar uma esponja e, tendo-a embebido de vinagre e colocado na ponta de um caniço, deu-lhe a beber.
Como alguém já observou, eles achavam que Ele estava chamando por Elias. O que é que tem a ver, porque correram em embeber uma esponja no vinagre para dar para o Senhor? Vamos voltar para João e aí podemos comparar esses textos. João cap. 19.
João 19:28 Depois, vendo Jesus que tudo já estava consumado, para se cumprir a Escritura, disse: Tenho sede! 29 Estava ali um vaso cheio de vinagre. Embeberam de vinagre uma esponja e, fixando-a num caniço de hissopo, lha chegaram à boca.
Agora sim, faz sentido. O Senhor disse tenho sede. Correram e lhe deram a beber na esponja. Ponha esses dois textos juntos e a conclusão é que Ele tendo falado Deus meu, Deus meu, por que me desamparastes, muito pouco tempo depois, Ele disse: Tenho sede. E aí foram embeber a esponja e a colocaram na ponta de um caniço e lhe deram de beber.
Irmãos, essa sede do Senhor, certamente como diz, era desidratação, mas não só desidratação. Ele foi separado de Deus. Deus meu, Deus meu, por que me desamparastes? Essa separação de Deus, gerou no Senhor uma sede muito mais profunda. Tenho sede. Tenho sede, como diz o salmista. A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo.
Salmos 42:2 A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo…
E Deus, que é Deus justo, naquele momento lançou sobre Deus o Filho, o nosso pecado. O castigo que nos traz a paz estava sobre Ele naquele momento. Ele, que não conhecia o pecado, Deus o fez pecado por nós para que fôssemos feito justiça de Deus.
O escrito de dívida, que constava de ordenança e que nos era prejudicial, Deus o encravou na cruz, isso tudo para que Deus pudesse justificar o pecador e Ele mesmo continuar justo e Deus santo. Deus não podia simplesmente fazer vista grossa para o nosso pecado e varrer o nosso pecado para debaixo do tapete.
O pecado precisava de castigo e esse castigo recaiu sobre o Senhor. E naquele momento, Deus Pai que não pode conviver com o pecado, Ele como que virou as costas e por três horas, a escuridão que pairou sobre este mundo, reflete que Deus criador, virou o seu rosto, na direção oposta a Deus o Filho.
E depois desse período, quando Senhor finalmente clamou, Deus meu, Deus meu, por que me desamparastes, logo depois Ele disse: Tenho sede. Isso para Ele hoje poder nos dizer, quem vem a mim, jamais terá sede para sempre. O preço foi pago e agora Ele pode efetivamente nos dessedentar.
Que história essa de irmos ao Senhor e beber? Como acontece isso? O que é que o Senhor quis dizer com isso? O que é o beber? Se nós olharmos para alguns dos textos e vamos voltar neles, e observarmos os verbos apenas, creio que teremos uma ideia muito boa. Se voltarmos, por exemplo, a João cap. 6, lemos o versículo 35, mais cedo, vamos voltar a ler este mesmo versículo.
João 6:35 “Declarou-lhes, pois, Jesus: Eu sou o pão da vida; o que vem a mim jamais terá fome; e o que crê em mim jamais terá sede.”
Retornando a Mara
Ora, então há aí uma questão envolvida. O que se passa em Mara tem haver com o desejo DO SENHOR, de nos fazer experimentar, ainda que de forma mais tímida, a experiência da Obra da Cruz, de forma subjetiva, para que possamos iniciar no caminho de ter nossa VONTADE RENDIDA a Ele e aos Seus caminhos.
Por quê? Porque o Senhor sabe que, desde a queda, ficamos reféns de nossa alma com suas infindáveis e insaciáveis buscas por satisfação. Ou seja, nossa vontade nos escraviza. Não bastasse isto temos de considerar que tudo na natureza humana foi corrompido na queda, incluindo-se aí: mente, emoção e vontade. (vide estudo sobre as consequências da queda).
Evidente que havia, sim, sede de natureza orgânica, mas não podemos nos esquecer, como vimos, do caráter espiritual das menções naturais e do significado delas no tocante a ter SEDE.
E aqui, neste ponto é que vemos como naturalmente falando somos OBSTINADOS. Elegemos ídolos que, em tese, na nossa ignorância e falta de visão, vão dessentar nossa sede, e vamos numa busca frenética atrás deles: dinheiro, status, carros, viagens, roupas, relacionamentos, carreira profissional e etc…
Águas amargas ou raiz de amargura: as possíveis reações da alma
Antes vejamos o que se diz no livro de Rute.
“Nos dias em que julgavam os juízes, houve fome na terra; e um homem de Belém de Judá saiu a habitar na terra de Moabe, com sua mulher e seus dois filhos”. Este homem se chamava Elimeleque, e sua mulher, Noemi; os filhos se chamavam Malom e Quiliom, efrateus, de Belém de Judá; vieram à terra de Moabe e ficaram ali.
Morreu Elimeleque, marido de Noemi; e ficou ela com seus dois filhos, os quais casaram com mulheres moabitas; era o nome de uma Orfa, e o nome da outra, Rute; e ficaram ali quase dez anos. Morreram também ambos, Malom e Quiliom, ficando, assim, a mulher desamparada de seus dois filhos e de seu marido.
Então, se dispôs ela com as suas noras e voltou da terra de Moabe, porquanto, nesta, ouviu que o SENHOR se lembrara do seu povo, dando-lhe pão. Saiu, pois, ela com suas duas noras do lugar onde estivera; e, indo elas caminhando, de volta para a terra de Judá, disse-lhes Noemi: Ide, voltai cada uma à casa de sua mãe; e o SENHOR use convosco de benevolência, como vós usastes com os que morreram e comigo.
O SENHOR vos dê que sejais felizes, cada uma em casa de seu marido. E beijou-as. Elas, porém, choraram em alta voz e lhe disseram: Não! Iremos contigo ao teu povo. Porém Noemi disse: Voltai, minhas filhas! Por que iríeis comigo? Tenho eu ainda no ventre filhos, para que vos sejam por maridos?
Tornai, filhas minhas! Ide-vos embora, porque sou velha demais para ter marido. Ainda quando eu dissesse: tenho esperança ou ainda que esta noite tivesse marido e houvesse filhos, esperá-los-íeis até que viessem a ser grandes? Abster-vos-íeis de tomardes marido? Não, filhas minhas! Porque, por vossa causa, a mim me amarga o ter o SENHOR descarregado contra mim a sua mão.
Então, de novo, choraram em voz alta; Orfa, com um beijo, se despediu de sua sogra, porém Rute se apegou a ela. Disse Noemi: Eis que tua cunhada voltou ao seu povo e aos seus deuses; também tu, volta após a tua cunhada. Disse, porém, Rute: Não me instes para que te deixe e me obrigue a não seguir-te; porque, aonde quer que fores, irei eu e, onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus.
Onde quer que morreres, morrerei eu e aí serei sepultada; faça-me o SENHOR o que bem lhe aprouver, se outra coisa que não seja a morte me separar de ti.
Vendo, pois, Noemi que de todo estava resolvida a acompanhá-la, deixou de insistir com ela. Então, ambas se foram, até que chegaram a Belém; sucedeu que, ao chegarem ali, toda a cidade se comoveu por causa delas, e as mulheres diziam: Não é esta Noemi?
Porém ela lhes dizia: Não me chameis Noemi; chamai-me Mara, porque grande amargura me tem dado o Todo-Poderoso. Ditosa eu parti, porém o SENHOR me fez voltar pobre; por que, pois, me chamareis Noemi, visto que o SENHOR se manifestou contra mim e o Todo-Poderoso me tem afligido?” Rt 1:1-21
Neste contexto Rute simboliza a esposa, aquela que haverá de se tornar esposa de Boaz, o resgatador. E ela vem de Moabe, não de Israel, sendo assim representativa dos gentios e por isto é uma figura da Igreja.
Porém devemos notar que Rute acompanha Noemi, que significa “agradável, ou, minha delícia” e continua a acompanhá-la quando ela não mais se chamaria assim, mas Mara. Observe que Orfa não. Orfa não seguiu em frente, e isto exatamente depois de Noemi citar sua amargura no versículo 13 e reiterado, depois, no versículo 20. Mas Rute não; ela permaneceu.
Observe que Noemi questiona Rute sobre o fato de deixá-la, DEPOIS que Orfa vai embora para “SEU POVO E OS SEUS DEUSES”(vs 15). É neste ponto que Rute dá uma declaração de fidelidade, de perseverança, de permanência.
Vamos entender melhor o que está se passando aqui utilizando para isto uma correlação de textos em conjunção com o significado dos nomes das personagens aqui relacionadas.
- Nos dias em que julgavam os juízes. Sabemos que esta citação é indicativa do fato de que, naquele tempo, cada um fazia o que melhor lhe parecia, o que lhe parecia ser mais reto, conforme assim nos ensina o livro de Juízes.
- Houve fome na terra. Desde os patriarcas, vemos episódios em que a Terra da Promessa experimentou momentos de sequidão e com isto sobreveio fome à terra. Já mencionamos em estudos anteriores os episódios de Abraão e de Isaque e de Jacó e seus significados. E mais, dissemos do significado de Neguebe, especialmente relacionado ao episódio de Abraão, neste aspecto, como um local de decisões maduras.
Parêntesis para explicação do Significado de Neguebe
6.1. A conquista do Neguebe e a Maturidade
A condição fundamental para que prosperemos em qualquer chamado divino, pode ser resumida em dois verbos: obedecer e depender do Senhor. Abrão recebeu do Senhor um chamado, que incluía uma ordem bem clara: seria pai de multidões, mas deveria sair de Harã, da casa paterna e de sua parentela, e ir para um lugar desconhecido, lugar da bênção, que Deus lhe mostraria, caso seguisse a direção do Senhor.
O mais importante, na questão dos chamados divinos, não é a idade, condição cultural, intelectual ou socioeconômica da pessoa, mas sua disposição de viver as novidades de Deus. Por exemplo, Abrão, aos 75 anos de idade, não se achou velho o bastante para experimentar mudanças e aventuras com Deus.
Nunca ponha obstáculos diante dos chamados de Deus; nenhum chamado de Deus chega tardiamente em sua vida, nem você será sempre encontrado na posição ideal para ser chamado. Deus sempre sabe quem somos e em que situação estamos e, apesar disto, quando Ele nos chama é porque decidiu que vai nos usar e estabelecer no Seu propósito eterno.
Aleluia! Jamais estaremos na condição ideal para sermos usados por Deus, mas Ele sempre poderá nos fazer vasos úteis em Suas mãos, caso decidamos obedecer e depender dEle em tudo! Isto é o que mais Deus quer encontrar em nós: disponibilidade para obedecer e depender dEle!
6.2. Deus age para nos avaliar em nossa Obediência e Confiança Nele
Diz o texto bíblico que o Senhor apareceu a Abrão, proclamou a bênção que lhe daria e, depois, levou-o até o Neguebe. Uma síntese disso é que no processo de nos treinar no chamado, primeiro Deus Se revela como o Deus que está conosco (“apareceu”), que tem planos de bênçãos a nosso respeito (‘darei”) e que também quer nos provar quanto a obedecê-Lo e depender dEle em qualquer situação. Inclusive, nessa última parte, a da provação, só poderemos mostrar bom resultado se estivermos em situação desconfortável ou crítica, pois é muito fácil obedecer e depender de Deus quando tudo está correndo às mil maravilhas. No caso de Abrão, um grande teste de obediência e dependência de Deus se processou no Neguebe.
6.3. Neguebe – Lugar de ser Provado por Deus
Para Abrão, Neguebe (Gn 12:9) foi um contexto para uma experiência muito especial com Deus. Originalmente, a palavra Neguebe traz o sentido de seco, árido e, geograficamente, Neguebe representava uma região árida a maior parte do ano, localizada ao sul do deserto de Zim. Era uma região sem vida, sem graça alguma a maior parte do ano. De repente, por um curto período, tornava-se linda e fértil, quando as águas desciam dos montes e inundavam a região, por ocasião das cheias. Logo depois secava, tornava-se árida, ate que novas águas voltassem.
Deus manda Abrão para o Neguebe, certamente para mostrar-lhe que assim como o árido e seco Neguebe só se tornava fértil quando as águas o inundavam, também sua estéril esposa Sarai só lhe daria filho quando o poder do Espírito a tornasse fértil. Por sua natureza, o Neguebe se tornaria o lugar especial para Abrão e Sarai terem experiências especiais com Deus. Aquele tempo ali seria uma oportunidade para Abrão expressar sua obediência e dependência no Senhor. Abrão precisava ser provado e aprovado para poder cumprir o propósito de Deus em sua vida.
6.4. Neguebe – Lugar de Decisões Maduras
O fato é que em algum momento de nossa caminhada com Deus, experimentaremos a secura de algum “neguebe”, quer seja por decisão direta de Deus ou por permissão dEle. Como ele chega até nós não importa tanto quanto o que fazemos quando ele chega.
Neguebe é lugar para onde Deus nos leva, ou permite que entremos, para que tomemos decisões estratégicas em nossas vidas. Decisões acertadas, maduras, ou erradas, imaturas, resultado de alguém com mente não transformada. Neguebe sempre será um tempo de teste para nós.
Por isso a caminhada com Deus inclui alguns períodos de Neguebe. É justamente nesses períodos de aridez e secura, que seremos testados no nosso nível de maturidade em Deus, pelo tipo de decisões que tomamos. Ser maduro na caminhada espiritual não é tomar decisões contraditórias e independentes de Deus, mas nos mantermos em obediência e na dependência dEle, independente do momento em que vivemos.
Uns, na iminência do “Neguebe”, tornam-se desistidos e paralisam na caminhada, inviabilizando os projetos de Deus a seu respeito. Outros, entram no Neguebe, como Abrão, mas se movem na direção do mundo (Egito) para buscarem a provisão necessária do seu jeito, segundo seus métodos mundanos, também contrariando o propósito de Deus para eles. Há outros, entretanto, que apesar das limitações pessoais e da aridez dos “neguebes”, permanecem na presença do Senhor, em obediência e na dependência dEle. Esses são aprovados, amadurecidos e saem dos “neguebes” da vida acrescentados e vitoriosos.
Decisão errada – Mente não Renovada
Sair para buscar provisão do nosso modo, no mundo, quando deveríamos permanecer em obediência e dependência no Senhor para a providência, é sinal de imaturidade espiritual, de mentalidade não renovada em Cristo. É não confiar em Deus e sim no mundo e nas nossas habilidades. Deus quer que seus filhos e filhas, chamados para andar com Ele, sejam aprovados na obediência, sinceridade e confiança nEle.
Por causa de uma mente não renovada, Abraão, como muitos, escolheu buscar solução no Egito (no mundo).
Abrão já havia recebido a promessa e a ordem de Deus, já estava andando na promessa, mas sua mente ainda não havia se renovado para agir na promessa! Por isso escolheu errado! Nossa vitória não depende só de termos promessas de Deus para nós, mas também de termos a mentalidade da promessa em nós! Nossos valores definem a nossa mentalidade. Nossa mentalidade determina as decisões que tomamos. Sem a mentalidade do Reino de Deus, não decidirei em linha com Deus e não conseguirei prosperar nas promessas de Deus!
Lembre-se que para estar no mundo, viver e prosperar nele, e gozar dos benefícios do seu senhor, Abraão teve que mentir e negociar valores e princípios fundamentais para a bênção. Pelo medo de morrer, ele negociou Sarai – aquela de cujo ventre a sua bênção da paternidade chegaria.
Talvez seja por isto que Abraão deu a Ló a condição de escolher, conforme Gn 13; ele havia aprendido a lição de Neguebe.
Às vezes, por causa de uma mente não renovada em Cristo, deixamos de permanecer nos propósitos de Deus e colocamos em risco exatamente aquilo que Deus usará para nos abençoar (família, ministério, fé, esperança, igreja, célula, sonhos etc). É terrível quando, por causa de uma mente não renovada, colocamos o mundo, seu senhor e suas coisas no lugar de Deus e suas promessas. É na crise, nos momentos dos “Neguebes”, quando mais precisamos do Senhor.
Volte-se para o Senhor, arrependa-se diante dEle pelos atalhos no “Neguebe. Ele sempre está disposto a nos perdoar e restabelecer, quando nos encontra arrependidos. Fortaleça-se na promessa e transforme sua mente pela Palavra de Deus, ajustando-se aos princípios do Reino de Deus. Mostre-se obediente e confiante no Senhor e o sobrenatural Ele fará em seu favor. O Deus que prometeu é Fiel para cumprir!
Retornando ao estudo…
- Este homem, Elimeleque veio habitar na terra de Moabe. Observe a genealogia abaixo. Sabemos, pela Palavra, como os Moabitas e os Amonitas foram inimigos e adversários do povo de Deus. Logo, esta citação do local é bastante significativa. Ou seja, Elimeleque fez o caminho inverso daquele que se espera de um filho de Deus; devemos “sair”, espiritualmente falando, de Moabe e ir a Belém (Casa do Pão), e nunca o contrário.

- Seus filhos se chamavam Malom (=doente) e Quiliom (Fraqueza, desfalecimento). Veja que mais à frente ambos filhos haveriam de morrer. Seus nomes são indicativos, possivelmente, de suas condições espirituais tendo em vista que cresceram na terra de Moabe.
- Estes filhos se casaram com duas mulheres. Orfa (=Obstinação) e Rute (=Amizade). Aqui um ponto fundamental. Porque? Porque em I Sm 15:22-23 que “o pecado de obstinação é como o pecado de idolatria e culto a ídolos do lar”. E sabemos pelo versículo 15 deste mesmo capítulo, que Orfa voltou ao seu povo e seus deuses.
Que paradoxo! A que permaneceu, que foi Rute, não poderia ser considerada obstinada, mas perseverante. Por quê? Porque há uma relação entre a obstinação e a idolatria.
Em Hb 12:14-15 temos o seguinte texto bíblico: “Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor, atentando, diligentemente, por que ninguém seja faltoso, separando-se da graça de Deus; nem haja alguma raiz de amargura que, brotando, vos perturbe, e, por meio dela, muitos sejam contaminados”.
Agora, em Dt 29:16-18 temos ainda o seguinte: “Porque vós sabeis como habitamos na terra do Egito e como passamos pelo meio das nações pelas quais viestes a passar; vistes as suas abominações e os seus ídolos, feitos de madeira e de pedra, bem como vistes a prata e o ouro que havia entre elas; para que, entre vós, não haja homem, nem mulher, nem família, nem tribo cujo coração, hoje, se desvie do SENHOR, nosso Deus, e vá servir aos deuses destas nações; para que não haja entre vós raiz que produza erva venenosa e amarga”.
Aqui precisamos diferenciar três aspectos manifestados em três personagens distintos, que são representativos de “estados de alma” relacionados a estas questões de:
- Idolatria
- Obstinação
- Amargura
- Perseverança
Estas três personagens são:
- Noemi
- Orfa
- Rute
Noemi : Questão em foco: A Raiz de Amargura, disfarçada de Amor ao próximo, que responsabiliza o Outro
“Porém Noemi disse: Voltai, minhas filhas! Por que iríeis comigo? Tenho eu ainda no ventre filhos, para que vos sejam por maridos? Tornai, filhas minhas! Ide-vos embora, porque sou velha demais para ter marido. Ainda quando eu dissesse: tenho esperança ou ainda que esta noite tivesse marido e houvesse filhos, esperá-los-íeis até que viessem a ser grandes? Abster-vos-íeis de tomardes marido? Não, filhas minhas! Porque, por vossa causa, a mim me amarga o ter o SENHOR descarregado contra mim a sua mão.” Rt 1:11-13
Observe que o marido de Noemi tomou, no início do livro a decisão de deixar Belém e ir para Moabe. Tendo falecido ele e seus dois filhos naquela terra, ocorre de Noemi tomar a decisão de voltar á Belém e com ela se vão suas duas noras.
Observe a frase do último versículo: “Porque, por vossa causa, a mim me amarga o ter o SENHOR descarregado contra mim a sua mão”. Noemi, parece não sentir a dor por si mesma, mas “por vossa causa”. Aqui não parece uma declaração de responsabilização das noras, mas de “altruísmo”, de disposição para sofrer pelo “próximo”. O contexto aponta para isto. Por detrás desta aparente abnegação, o que se vê é uma mulher amargurada que responsabiliza a Deus pelo que Lhe acontece.
Sabemos que Deus, sim, tem o controle de todas as coisas. Sabemos também que muito do que nos sucede tem haver com as nossas escolhas, muitas delas feitas à parte de Deus. Mas temos firme convicção que Deus usa tudo para o nosso bem, já que “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus e que são chamados segundo o Seu propósito”.
No versículo 20 ela reitera esta questão e reafirma, na sua visão, a responsabilidade de Deus por tudo o que lhe sucedia. Ela ainda não sabia o que Deus haveria de fazer e quais as implicações de tudo o que lhe sucedia dentro de um plano muito maior; que tem haver com a Vinda do Messias.
Isto, aliás, é bastante característico da natureza humana egocêntrica. Achamos que o mundo gira a nosso redor. Ainda mais em meio a experiências amargas. Nossa tendência é não ver o todo, mas somente aquilo que estamos passando. Poucos, pouquíssimos, tem uma visão mais ampla sobre os propósitos Divinos e, mais ainda, estão dispostos a se submeter a eles, quando isto representa uma abnegação de natureza pessoal.
Não que estejamos a desconsiderar o sofrimento de Noemi, pois cada um conhece suas próprias dores. Mas sem dúvida que, no aspecto individual, só somos de fato transformados, se acatamos a Palavra de Deus em meio ao sofrimento. E somente mudamos a nossa reação ao que nos acontece se temos a mente de Cristo, senão tudo nos parece sem sentido, vazio e sem esperança. Mas nosso Deus é Deus de Vida e Vida em abundância.
Noemi é, portanto, a personagem que representa a raiz de amargura da qual fala o escritor de Hebreus, pelo menos neste contexto, até este momento. E a advertência é clara: “cuidado para que nenhuma raiz de amargura, brotando, vos perturbe e, assim, contamine a muitos”. A raiz de amargura parece ter alto poder de contaminação.
Orfa: Questão em foco: A aparente fuga da Raiz de Amargura e a retroalimentação desta pelo retrocesso aos Ídolos
Observe a reação da nora de Noemi, Orfa, quando Noemi cita sua amargura no versículo 13 do primeiro capítulo do livro de Rute. Imediatamente temos: “Então, de novo, choraram em voz alta; Orfa, com um beijo, se despediu de sua sogra, porém Rute se apegou a ela. Disse Noemi: Eis que tua cunhada voltou ao seu povo e aos seus deuses; também tu, volta após a tua cunhada.” Rt 1:14-15
Bastou Noemi expor as dores de seu coração, expressando-as através da menção à amargura pela qual sua alma parecia sucumbir, que vemos uma atitude de evidente separação adotada por Orfa. Observe que não foi assim ATÉ ESTE MOMENTO, ATÉ ESTA CITAÇÃO.
Em Rt 1:8-10 a citação é clara: “disse-lhes Noemi: Ide, voltai cada uma à casa de sua mãe; e o SENHOR use convosco de benevolência, como vós usastes com os que morreram e comigo. O SENHOR vos dê que sejais felizes, cada uma em casa de seu marido. E beijou-as. Elas, porém, choraram em alta voz e lhe disseram: Não! Iremos contigo ao teu povo.”
E este texto é especialmente importante na compreensão desta segunda possibilidade de reação da alma humana ao sofrimento, porque ali é mencionada que Orfa “voltou ao seu povo e aos seus deuses”. Ou seja, uma coisa foi ter tomado a decisão de separação de Noemi de forma imediata quando esta externou sua amargura. A outra foi a citação que Noemi fez para justificar, em certo sentido, a decisão de Orfa e ao que ela retornava: “voltou para o seu povo e para os seus deuses”.
Aqui temos mais uma questão sutil e que devemos tomar cuidado. A Palavra nos exorta a seguir “a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor, atentando, diligentemente, por que ninguém seja faltoso, separando-se da graça de Deus; nem haja alguma raiz de amargura que, brotando, vos perturbe, e, por meio dela, muitos sejam contaminados”.
A princípio, parece que Orfa estaria a tomar um cuidado de não se permitir contaminar pela amargura de Noemi. Daí aparentemente parece que ela se afasta pelo eminente risco de contaminação. Mas seria isto mesmo? Veja, quando Noemi cita o retorno de Orfa, ela o menciona ligando à volta aos “seus deuses”.
Se verificarmos o significado de Orfa, veremos que ele quer dizer “obstinação”. Ora, em I Sm 15:23 temos a seguinte menção: “Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria, e a obstinação é como a idolatria e culto a ídolos do lar.”
Porque Orfa, que significa obstinação, estava retornando à sua terra onde haviam seus “deuses” (e esta citação é um detalhe extremamente importante no contexto), logo fica evidente que idolatria e obstinação estão ligadas.
Novamente precisamos verificar um outro texto, necessário na montagem de todo o cenário da revelação, que se encontra em Dt 29:16-18: “Porque vós sabeis como habitamos na terra do Egito e como passamos pelo meio das nações pelas quais viestes a passar; vistes as suas abominações e os seus ídolos, feitos de madeira e de pedra, bem como vistes a prata e o ouro que havia entre elas; para que, entre vós, não haja homem, nem mulher, nem família, nem tribo cujo coração, hoje, se desvie do SENHOR, nosso Deus, e vá servir aos deuses destas nações; para que não haja entre vós raiz que produza erva venenosa e amarga”.
Observe aqui a clara relação entre a idolatria e o nascimento de “raiz que produza erva VENENOSA e AMARGA”. Percebem agora o que está acontecendo com Orfa?
Ela estaria, aos olhos desapercebidos dos expectadores, fazendo um movimento de separação da raiz de amargura, pelo afastamento de Noemi. Mas não. Na verdade, o que está acontecendo é que ela TEMENDO A AMARGURA, sai da companhia de sua sogra Noemi e retorna a “seus deuses”.
Mas não somente isto, se aqueles que se deixassem envolver pela idolatria poderiam sucumbir frente a raiz de erva amarga, fica óbvio que a amargura está relacionada a ambas questões: idolatria e obstinação.
Traduzindo de forma parafraseada: a idolatria pode nos levar à obstinação e, a obstinação à raiz de amargura. Isto nos faz compreender melhor o texto de Hb 12:15, ou seja, como em tantas outras citações do Novo Testamento, o que está acontecendo é que o apóstolo Paulo está se referindo a todas estas questões, embora não as mencione diretamente.
Parênteses para explicação do significado de “deuses”
8.1. A idolatria – Os “deuses” e suas propostas enganosas
A expressão “deuses” citada tantas vezes no livro de Juízes, por exemplo, poderia ser mais claramente especificada da seguinte forma: “deuses” são TUDO aquilo o que nós erguemos em nossos corações com vistas a termos uma plena satisfação (fora de DEUS). Não importa o que seja.
Pode ser uma pessoa, uma situação e etc… Isto não significa que o cristão vive sem satisfação. Na verdade significa que o verdadeiro cristão tem em DEUS e, somente Nele, a sua plena satisfação. E sabe que aquilo que DEUS dá (trabalho, família, saúde, recursos financeiros e etc..) são coisas boas, mas ainda assim não satisfazem plenamente, porque não são Ele mesmo.
Nós adoramos a DEUS pelo que Ele é e, em consequência pelo que Ele nos concede. O grande problema é que nosso coração tem grande dificuldade de estabelecer esta diferença. O que ocorre? Muitos “perdem” a DEUS por meio das próprias bênçãos de DEUS.
Logo, o caminho da consagração não é alternativo, mas é inexorável para aqueles que tem suas faculdades espirituais desenvolvidas para ver, entender e terem em si mesmos formada esta consciência profundamente arraigada.
A reincidência do povo, conforme claramente evidenciado no livro de Juízes, se prostituindo após outros “deuses”, logo após experimentarem a misericórdia de DEUS, que os restabelecia por meio destes mesmos Juízes, os quais Ele mesmo levantava. Isto nos fala de que nossos melhores votos de fidelidade e força de vontade na busca de DEUS e obediência a Ele (naturalmente falando) são completamente inadequados para um relacionamento duradouro e fiel.
A maioria dos votos que fazemos para nós mesmos de que “agora vai ser diferente”, falam e nossa fraqueza pessoal humana. A vida cristã não é uma questão de fazer votos. Somente a Lei do Espírito da Vida é que nos capacita a vencer a Lei do pecado e da morte. Por isto é que a Palavra diz que “a fé atua pelo Amor”. Não há nenhum outro meio de vencermos esta Batalha se não for por uma vida de união motivada pelo Amor. A vida cristã é uma questão de relacionamento com DEUS, de proximidade com Ele. Não é uma questão de promessas.
Quanto mais estamos ao lado Dele, mais livrados somos. Quanto mais longe Dele, mais cativos.
Ocorre que, em função da desobediência do povo, do fato de eles terem levantados “deuses” nos seus corações, sabe o que DEUS faz? Ele não expulsa muitas dentre as nações e povos do meio do povo de Israel. A Palavra é clara. Estes povos se permanecessem no meio de Israel seriam laços para eles. Mas porque o Senhor assim o permite? Para PROVAR a Israel.
Mas provar o que se o Senhor sabe que nós somos fracos, inúteis com respeito a este assunto? Provar não significa testar nossa força. Seria um absurdo pensar assim. Afinal de contas estaria DEUS disputando queda de braço conosco? É obvio que não! Provar não significa testar força, mas provar significa MANIFESTAR CORAÇÃO. Isto é que é provar.
Então a pergunta é: porque que DEUS permite que ídolos estejam diariamente nos convidando a nos prostituir com eles; dizendo assim: “vem, vem cá, que eu vou matar a sua sede. Vamos venha e deite-se aqui e desfrute das delícias que eu tenho para te dar. Pode vir; eu vou satisfazer estes seus desejos mais íntimos.”
DEUS sabe que nós somos inúteis frente a estes ídolos, frágeis e incapazes diante deles. Não é para medir forças que DEUS permite tudo isto, mas para que os nossos corações sejam plenamente expostos.
Porque quanto mais o nosso coração for exposto no seu desamor, for exposto na sua fraqueza, na sua debilidade, na sua dificuldade de crescer na sua intimidade com DEUS, quanto mais formos sendo levados ao fundo do túnel (que foi o que o Pai fez com o filho pródigo), tanto mais somos rendidos em nós mesmos a Ele no sentido de ver nossa profunda necessidade Dele e nossa profunda consciência de que somos nada, de que somos corruptos e de que não há nada em nós que poderia despertar o Amor Dele.
E assim, recebendo o Amor e o perdão do Pai e, tendo aumentada a consciência deste Amor e perdão em nós, poderemos amá-Lo mais profundamente, vivendo a partir de então (e cada vez mais de forma crescente) uma vida de real união com Ele. Porque a união real, íntima profunda só se dá pelo Amor. Mas porque é assim? Afinal parece-nos tão doloroso? Sim, é doloroso sermos confrontados com o que somos. Mas devemos ver por outro lado: somente MUITO AMA quem se reconhece como MUITO PERDOADO!!
Retornando ao estudo…
Logo, pelos versículos anteriores, vemos uma relação clara entre a idolatria, a obstinação e a amargura. Logo, veja que interessante. Orfa, que nos parecia estar a se “blindar” da raiz de amargura de Noemi está, na verdade, fugindo do sofrimento das “águas amargas” e indo em busca de satisfação, indo atrás de “deuses” que lhes satisfizessem os desejos.
Porém como vimos pela Palavra, o final desta história será amargura. No início, busca de satisfação, no processo, obstinação, e ao final, amargura. Orfa é representativa das pessoas que pelo medo de sucumbirem à dor voltam aos ídolos.
E, observe, que este processo é sutil. Porque, no caso dela, teve aparência de separação da RAIZ DE AMARGURA. Embora, no cuidado do Espírito Santo no uso das palavras, a primeira menção em Rt 1:13 cita “a mim me amarga” dando impressão AINDA de experiência de “águas amargas” e não de amargura como RAIZ propriamente dita.
Mas, no versículo 20 do livro de Rute em seu capítulo 01, a questão se descortina quando ela diz “…porque grande AMARGURA tem me dado o Todo Poderoso”. A reincidência da fala é em si mesma a testificação disto. Raiz de amargura. E isto é indicativo de “mente não renovada”.
Mais interessante ainda é notar a experiência dela e seu nome. Ou seja, o seu nome é indicativo de que nela se realiza este “processo”. Ou, de outra forma, ela é a personificação “do processo”.
Rute: Questão em foco: A perseverança na consciência da necessidade do Processo de Libertação da Vontade Própria
Rute é representativa, enquanto personagem, do terceiro tipo de reação da alma a este processo consciente de transformação pela perseverança.
Seu nome significa “amizade”. Observe que quando o povo estava no deserto, em todas as vezes que eles se viam em dificuldades, eles responsabilizavam a Moisés. Não só ratificavam a questão da “transferência” da culpa, característica dos filhos de Adão, como pareciam se esquecer de tudo o que até então o Senhor havia feito em seu favor.
Os momentos de tensão, de dificuldades, de águas amargas, são acima de tudo, momentos de avaliação, de crescimento, de transformação. Ao invés de olharem para Deus mesmo, e buscarem Nele o “para quê” tais coisas sucediam, não. Eles se revoltavam, questionavam a Moisés e se insurgiam contra ele. Manifestavam nada mais do que uma “vontade rebelde”. São inúmeros os exemplos:
“E o povo murmurou contra Moisés, dizendo: Que havemos de beber?” Ex 15:24. Episódio em Mara.
“…disseram-lhes os filhos de Israel: Quem nos dera tivéssemos morrido pela mão do SENHOR, na terra do Egito, quando estávamos sentados junto às panelas de carne e comíamos pão a fartar! Pois nos trouxestes a este deserto, para matardes de fome toda esta multidão.” Ex 16:3 Deserto de Sim, após Elim.
“Tendo aí o povo sede de água, murmurou contra Moisés e disse: Por que nos fizeste subir do Egito, para nos matares de sede, a nós, a nossos filhos e aos nossos rebanhos?” Ex 17:3 Episódio em Refidim
E em inúmeras outras vezes, outras citações, até chegarmos numa declaração do povo acerca de Deus que é bastante significativa. Por quê? Porque contrasta com o significado do nome de Rute, sendo esta representativa daqueles que se “deixam trabalhar”.
“Levantou-se, pois, toda a congregação e gritou em voz alta; e o povo chorou aquela noite. Todos os filhos de Israel murmuraram contra Moisés e contra Arão; e toda a congregação lhes disse: Tomara tivéssemos morrido na terra do Egito ou mesmo neste deserto! E por que nos traz o SENHOR a esta terra, para cairmos à espada e para que nossas mulheres e nossas crianças sejam por presa? Não nos seria melhor voltarmos para o Egito? E diziam uns aos outros: Levantemos um capitão e voltemos para o Egito.” Nm 14:1-4
Observe aqui que a questão focal está relacionada a COMO ELES VIAM O SENHOR. Não é isto que sucede com Noemi ao externar seu desagrado diante do que “o Senhor lhe proporcionava”?
Em oposição a isto vemos uma coisa muito interessante. Moisés é chamado “amigo de Deus”. Rute significa “amizade”. Observe que interessante. Se pegarmos uma chave bíblica e procurarmos a palavra “amigo” vamos entender a extensão do significado de ser chamado AMIGO.
Mas, para não nos estendermos muito há uma, e talvez a principal menção que está em Jo 15:13-15, exatamente no capítulo que fala da Videira e dos Ramos, ou seja, o que sucede àqueles que permanecem ligados na Videira e o que significa isto.
“Vós sois meus amigos, se fazeis o que eu vos mando. Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho dado a conhecer.” Jo 15:13-15
Percebem como é uma questão de intimidade, de comunhão e, a partir disto, “VONTADE RENDIDA”, pois Ele diz: “Vós sois meus amigos se fazeis o que vos mando…”.
Logo, Rute é a testificação, como personagem, da terceira possibilidade de reação da alma ao agir do Senhor. Nesta experiência o que se experimenta é comunhão, intimidade e a plena execução em obediência da Vontade do Senhor. Tornamo-nos, de fato, AMIGOS de DEUS.
Mas é fundamental que para se chegar a este lugar, possamos cooperar com o Senhor com aquilo que Ele quer fazer EM NÓS e, posteriormente, através de nós. Quem experimenta a benção da Vontade Rendida, esta(s) pessoa(s) sim, pode(m) dizer que tem alcançado a verdadeira libertação.
Porque? Porque foi o próprio Senhor que disse: “Eu Sou o Caminho, a Verdade e a Vida” e por esta causa acrescentou: “Conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará”.
Somente podem ser usados pelo Senhor e serem participantes do Reino, aqueles que se deixaram trabalhar; aqueles que nos episódios de águas amargas responderam adequadamente porque desenvolveram, DE GLÓRIA EM GLÓRIA a MENTE DE CRISTO.
Agora, voltando à questão relacionada a estação de Mara, vemos que Deus mesmo, e não o diabo, é Quem os leva a Marta, não Mara. Ou seja, são situações nas quais Deus mesmo nos guia, nos conduz. Isto porque Ele sabe que algumas vezes o passar por situações que são representativas das águas amargas nos são necessárias para a formação de Cristo.
Mas Graças a Deus o livro de Êxodo, nem o livro de Números e nem o livro de Rute terminas em Mara, ao contrário. Até porque nossa forma de compreendê-las muda e, com isto, nós também somos transformados.
Em última instância o objetivo do Senhor é nos levar a uma terra que mana leite e mel. Ou seja, vencido o deserto e desalojados os povos cananeus, que são representativos das diversas formas da vida egocêntrica, podemos então tomar posse da Terra Prometida, que é Cristo, e assim cumprir-se-á em nós a Palavra que diz que “Os teus olhos verão o Rei na sua Formosura e verão a Terra que estende até longe” Is 33:17 e, por esta causa, “Tú me farás ver os caminhos da Vida, na Tua presença há plenitude de alegria, na Tua destra delícias perpetuamente” Sl 16:11.
Experiências espirituais Doces e Amargas
Há experiências espirituais impuras que nos deixam um sabor amargo. Quando a experiência é pura, ao contrário, deixa um sabor doce. Quando estamos em Espírito, o sabor é doce; porém, quando estamos na carne, quando estamos nos deixando dominar pela agitação da alma, é como algo seco, como que faltando algo, e assim o sabor é amargo.
E quando são as águas amargas que estão a permear nossas experiências o que sucede? “Afinal, chegaram a Mara; todavia, não puderam beber as águas de Mara, porque eram amargas; por isso, chamou-se-lhe Mara. E o povo murmurou contra Moisés, dizendo: Que havemos de beber?” Ex 15:24
A amargura produz murmuração, descontentamento. E então muitos nos questionam: “Mas vocês não são cristãos? Então porque vocês estão sempre a reclamar, a criticar e a manifestar sua insatisfação?”
Em grande medida, no princípio de nossa experiência espiritual, nós buscamos saciar somente a nós mesmos. No princípio, buscamos estar sempre felizes, estar em paz, ter satisfação. No princípio, muitos de nós, falam assim: “Eu gosto tanto de ir à reunião porque às vezes estou tão desgastado e isto me tira o stress, me acalma, me faz sentir melhor”.
Na verdade, não estamos inda à reunião buscar somente o Senhor. Não buscamos adorá-Lo, buscamos a emoção tão agradável quando estamos cantando hinos e tendo contato amigável com outras pessoas.
Porém é muito distinto buscar o Senhor e buscar as emoções quando cantamos ou compartilhamos algo junto à outras pessoas. Buscar o Senhor é adorá-Lo pelo que Ele é, pelo que Ele fez e pelo que Ele fará. Porque Ele é digno de toda honra, glória e louvor.
Não tem haver com o que sentimos ou experimentamos. Tem haver com a Sua Fidelidade, Santidade, Poder, Amor, Graça, Misericórdia, Perfeição e tantos outros inumeráveis atributos, os quais, ainda seriam poucos para descrevê-Lo.
Portanto, no começo nossa busca é impura, há mistura, buscamos sentimentos, buscamos emoções, somos egoístas, buscamos águas para saciar-nos, porém como há impurezas não nos saciamos.
Ocorre que, se deixarmos tudo nas Mãos de Deus, se nos humilharmos e o buscarmos pelo que Ele é, de fato, parece que tudo volta a se tornar doce. Sabe porquê? Porque negamos a nós mesmos. Ora, então qual é a solução para Mara?
9.1. A Cruz de Cristo torna o Amargo, Doce
“Então, Moisés clamou ao SENHOR, e o SENHOR lhe mostrou uma árvore; lançou-a Moisés nas águas, e as águas se tornaram doces. Deu-lhes ali estatutos e uma ordenação, e ali os provou, e disse: Se ouvires atento a voz do SENHOR, teu Deus, e fizeres o que é reto diante dos seus olhos, e deres ouvido aos seus mandamentos, e guardares todos os seus estatutos, nenhuma enfermidade virá sobre ti, das que enviei sobre os egípcios; pois eu sou o SENHOR, que te sara.” Ex 15:25-26
O que disse YHWH quando Moisés lhe clamou? Observe o que soluciona o problema da amargura. A árvore, a cruz, pois esta árvore é uma figura da cruz. Na verdade, Cristo foi Quem entrou nas águas da morte e as adoçou.
Veja que impressionante: se não houvesse este problema das águas amargas, da sequidão, nós não buscaríamos o Senhor. E, paralelamente, quando buscamos o Senhor nesta situação de dificuldade, de amargura, de sequidão, o Senhor nos mostra a Cruz.
É a cruz que vai adoçar as águas, porém mais à frente. Se a princípio não nos negamos a nós mesmos, temos amargura, temos lutas e aí vamos cair neste “estado de alma” até que lancemos a árvore sobre as águas.
9.2. Lagos Amargos: o Pequeno e o Grande

O que, naturalmente desejamos é que não haja mais amargura, porém como vemos no mapa acima a “amargura” representada pelos Lagos Amargos Pequeno e Grande existem até hoje. Mas o que o torna doce? A árvore, a cruz.
Então devemos aprender que no Caminho haverão estações amargas, e que elas não serão adoçadas senão lançarmos sobre ela a árvore. Somente pela operação da Obra da Cruz na própria amargura é que tornarão as águas doces.
Somente quando negamos a nós mesmos, quando nos humilhamos, então o problema está acabado. Por quê? Porque paramos de lutar contra nós mesmos, justificando-nos, revoltando-nos, pelejando, enfim vivendo um verdadeiro conflito interior; no coração.
O fato de lançar a árvore sobre as águas, de tomar a cruz, não significa que o problema deixa de existir. Mas é fato que a nossa reação diante do problema sim. E isto até que o Senhor nos liberte de toda justiça própria, de toda nossa murmuração, de toda nossa revolta, de toda nossa amargura.
Por quê? Porque o Senhor tem de nos ensinar a lição adequadamente. Ele precisa ensinar Seu povo a tomar a cruz, por isto Ele não faz as coisas fáceis. E nem as faz de forma necessariamente rápida, porque Ele é didático e sabe que o tempo da lição vai de encontro a nossa necessidade de ter experiências para que possamos, de fato, aprendê-la.
Se dependesse de nós, gostaríamos de ficar livre desta situação imediatamente. Mas nem sempre pode ser assim. Quase sempre não. Então, pacientemente, o Senhor nos aguarda até que possamos ser transformados, aprendamos a lição e possamos seguir em frente. Isto quer dizer que quando estamos em amargura, Deus está nos provando.
A Cruz e as Provas da parte de Deus
Até que nós não tomemos a firme decisão de tomar a cruz, de aceitar a cruz, segue a amargura e segue a prova pela qual estamos passando. Esta palavra “para que sejais provados…” aparece em muitas partes da Bíblia.
“Ao anjo da igreja em Esmirna escreve: Estas coisas diz o primeiro e o último, que esteve morto e tornou a viver: Conheço a tua tribulação, a tua pobreza (mas tu és rico) e a blasfêmia dos que a si mesmos se declaram judeus e não são, sendo, antes, sinagoga de Satanás.
Não temas as coisas que tens de sofrer. Eis que o diabo está para lançar em prisão alguns dentre vós, para serdes postos à prova, e tereis tribulação de dez dias. Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: O vencedor de nenhum modo sofrerá dano da segunda morte.” Ap 2:8-11
Estes versículos foram escritos para a Igreja de Esmirna. A palavra Esmirna vem de Mirna. E Mirna vem de Mirra que provêm de Mara e de amargura; é a mesma palavra. Agora aparece aqui em Apocalipse em seu sentido profético, dado que esta é uma profecia. Ou seja a Igreja de Esmirna em amargura, em prova.
“Então, Moisés clamou ao SENHOR, e o SENHOR lhe mostrou uma árvore; lançou-a Moisés nas águas, e as águas se tornaram doces. Deu-lhes ali estatutos e uma ordenação, e ali os provou, e disse: Se ouvires atento a voz do SENHOR, teu Deus, e fizeres o que é reto diante dos seus olhos, e deres ouvido aos seus mandamentos, e guardares todos os seus estatutos, nenhuma enfermidade virá sobre ti, das que enviei sobre os egípcios; pois eu sou o SENHOR, que te sara.” Ex 15:25-26
Toda vez que o Senhor, a exemplo de Apocalipse, se apresenta a uma Igreja, Ele se apresenta com as credenciais de que necessita aquela Igreja. No caso de Apocalipse, na Igreja de Esmirna, Ele se apresenta como “O primeiro e o último, o que esteve morto e tornou a viver…”.
Em outras palavras é como se Ele nos dissesse que depois que Ele passou pela morte, ou seja, depois de Ele mesmo ter se lançado como, figuradamente, aquela árvore nas águas amargas, Ele as adoçou, Ele as transformou. Porque? Porque Ele transforma morte em Vida.
Porque a morte não tem poder sobre Ele. E, quanto a seus discípulos ele disse: “Então, disse Jesus a seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me. Porquanto, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por minha causa achá-la-á.” Mt 16:24-25.
Agora observe no caso do povo em Mara. Se eles estão enfermos (e parecem estar), Ele se apresenta como Jeová-Rafah. Muitas vezes estamos lutando contra nossas emoções, e isto não é coisa fácil. As situações pelas quais passamos e, muitas vezes, nossas reações a elas, nos colocam doentes, adoecidos. Ou seja, aqui onde há enfermidade, onde há dor, onde há situações difíceis; é aqui que Ele se apresenta como o Senhor que cura, que te sara!
E esta é a primeira menção do Senhor como Aquele que É e que se transforma na nossa necessidade. Nesta etapa: cura da enfermidade. Graças ao Senhor, Ele é Jeová-Rafah, Deus que te sara.
Outro ponto importante a observar é que o Senhor já os adverte para que eles possam ouvir Sua voz e obedecer a Seus mandamentos. Os dez mandamentos viriam mais tarde, porém agora a obediência deles se restringia a seguir a nuvem e, no caso de Mara, lançar a árvore sobre as águas amargas.
Obs: Detalhar a relação entre PERSEVERANÇA e SOFRIMENTOS na construção da Vida de Cristo em nós. Verificar a correlação disto com os cristãos em Filadélfia.
Menções à palavra Perseverança e o Contexto Bíblico Correspondente
“E os seus discípulos o interrogaram, dizendo: Que parábola é esta? Respondeu-lhes Jesus: A vós outros é dado conhecer os mistérios do reino de Deus; aos demais, fala-se por parábolas, para que, vendo, não vejam; e, ouvindo, não entendam. Este é o sentido da parábola: a semente é a palavra de Deus. A que caiu à beira do caminho são os que a ouviram; vem, a seguir, o diabo e arrebata-lhes do coração a palavra, para não suceder que, crendo, sejam salvos. A que caiu sobre a pedra são os que, ouvindo a palavra, a recebem com alegria; estes não têm raiz, crêem apenas por algum tempo e, na hora da provação, se desviam. A que caiu entre espinhos são os que ouviram e, no decorrer dos dias, foram sufocados com os cuidados, riquezas e deleites da vida; os seus frutos não chegam a amadurecer. A que caiu na boa terra são os que, tendo ouvido de bom e reto coração, retêm a palavra; estes frutificam com perseverança”. Lc 8:9-15
“Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo; por intermédio de quem obtivemos igualmente acesso, pela fé, a esta graça na qual estamos firmes; e gloriamo-nos na esperança da glória de Deus. E não somente isto, mas também nos gloriamos nas próprias tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança; e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança. Ora, a esperança não confunde, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado.” Rm 5:1-5
“Quanto ao mais, sede fortalecidos no Senhor e na força do seu poder. Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo; porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes. Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis. Estai, pois, firmes, cingindo-vos com a verdade e vestindo-vos da couraça da justiça. Calçai os pés com a preparação do evangelho da paz; embraçando sempre o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do Maligno. Tomai também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus; com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito e para isto vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos.” Ef 6:10-18
“Por esta razão, também nós, desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar por vós e de pedir que transbordeis de pleno conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e entendimento espiritual; a fim de viverdes de modo digno do Senhor, para o seu inteiro agrado, frutificando em toda boa obra e crescendo no pleno conhecimento de Deus; sendo fortalecidos com todo o poder, segundo a força da sua glória, em toda a perseverança e longanimidade; com alegria, dando graças ao Pai, que vos fez idôneos à parte que vos cabe da herança dos santos na luz.” Cl 1:9-12
“Tu, porém, tens seguido, de perto, o meu ensino, procedimento, propósito, fé, longanimidade, amor, perseverança, as minhas perseguições e os meus sofrimentos, quais me aconteceram em Antioquia, Icônio e Listra, – que variadas perseguições tenho suportado! De todas, entretanto, me livrou o Senhor. Ora, todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos. Mas os homens perversos e impostores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados. Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o aprendeste e que, desde a infância, sabes as sagradas letras, que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus. Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra.” II Tm 3:10-17
“Não abandoneis, portanto, a vossa confiança; ela tem grande galardão. Com efeito, tendes necessidade de perseverança, para que, havendo feito a vontade de Deus, alcanceis a promessa. Porque, ainda dentro de pouco tempo, aquele que vem virá e não tardará; todavia, o meu justo viverá pela fé; e: Se retroceder, nele não se compraz a minha alma. Nós, porém, não somos dos que retrocedem para a perdição; somos, entretanto, da fé, para a conservação da alma.” Hb 10:35-39.
“Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta, olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus. Considerai, pois, atentamente, aquele que suportou tamanha oposição dos pecadores contra si mesmo, para que não vos fatigueis, desmaiando em vossa alma. Ora, na vossa luta contra o pecado, ainda não tendes resistido até ao sangue e estais esquecidos da exortação que, como a filhos, discorre convosco: Filho meu, não menosprezes a correção que vem do Senhor, nem desmaies quando por ele és reprovado; porque o Senhor corrige a quem ama e açoita a todo filho a quem recebe. É para disciplina que perseverais (Deus vos trata como filhos); pois que filho há que o pai não corrige? Mas, se estais sem correção, de que todos se têm tornado participantes, logo, sois bastardos e não filhos. Além disso, tínhamos os nossos pais segundo a carne, que nos corrigiam, e os respeitávamos; não havemos de estar em muito maior submissão ao Pai espiritual e, então, viveremos? Pois eles nos corrigiam por pouco tempo, segundo melhor lhes parecia; Deus, porém, nos disciplina para aproveitamento, a fim de sermos participantes da sua santidade. Toda disciplina, com efeito, no momento não parece ser motivo de alegria, mas de tristeza; ao depois, entretanto, produz fruto pacífico aos que têm sido por ela exercitados, fruto de justiça.” Hb 12:1-11
“Tiago, servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo, às doze tribos que se encontram na Dispersão, saudações. Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações, sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança. Ora, a perseverança deve ter ação completa, para que sejais perfeitos e íntegros, em nada deficientes.” Tg 1:1-4
“Bem-aventurado o homem que suporta, com perseverança, a provação; porque, depois de ter sido aprovado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor prometeu aos que o amam.” Tg 1:12
“Visto como, pelo seu divino poder, nos tem sido doadas todas as coisas que conduzem à vida e à piedade, pelo conhecimento completo daquele que nos chamou para a sua própria glória e virtude, pelas quais nos têm sido doadas as suas preciosas e mui grandes promessas, para que por elas vos torneis coparticipantes da natureza divina, livrando-vos da corrupção das paixões que há no mundo, por isso mesmo, vós, reunindo toda a vossa diligência, associai com a vossa fé a virtude; com a virtude, o conhecimento; com o conhecimento, o domínio próprio; com o domínio próprio, a perseverança; com a perseverança, a piedade; com a piedade, a fraternidade; com a fraternidade, o amor. Porque estas coisas, existindo em vós e em vós aumentando, fazem com que não sejais nem inativos, nem infrutuosos no pleno conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo.” II Pe 1:3-8
“Eu, João, irmão vosso e companheiro na tribulação, no reino e na perseverança, em Jesus, achei-me na ilha chamada Patmos, por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus. Achei-me em espírito, no dia do Senhor, e ouvi, por detrás de mim, grande voz, como de trombeta, dizendo: O que vês escreve em livro e manda às sete igrejas: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia. Voltei-me para ver quem falava comigo e, voltado, vi sete candeeiros de ouro e, no meio dos candeeiros, um semelhante a filho de homem, com vestes talares e cingido, à altura do peito, com uma cinta de ouro. A sua cabeça e cabelos eram brancos como alva lã, como neve; os olhos, como chama de fogo; os pés, semelhantes ao bronze polido, como que refinado numa fornalha; a voz, como voz de muitas águas. Tinha na mão direita sete estrelas, e da boca saía-lhe uma afiada espada de dois gumes. O seu rosto brilhava como o sol na sua força. Quando o vi, caí a seus pés como morto. Porém ele pôs sobre mim a mão direita, dizendo: Não temas; eu sou o primeiro e o último e aquele que vive; estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos e tenho as chaves da morte e do inferno.” Ap 1:9-18.
“Ao anjo da igreja em Éfeso escreve: Estas coisas diz aquele que conserva na mão direita as sete estrelas e que anda no meio dos sete candeeiros de ouro: Conheço as tuas obras, tanto o teu labor como a tua perseverança, e que não podes suportar homens maus, e que puseste à prova os que a si mesmos se declaram apóstolos e não são, e os achaste mentirosos; e tens perseverança, e suportaste provas por causa do meu nome, e não te deixaste esmorecer.” Ap 2:1-3
“Ao anjo da igreja em Filadélfia escreve: Estas coisas diz o santo, o verdadeiro, aquele que tem a chave de Davi, que abre, e ninguém fechará, e que fecha, e ninguém abrirá: Conheço as tuas obras – eis que tenho posto diante de ti uma porta aberta, a qual ninguém pode fechar – que tens pouca força, entretanto, guardaste a minha palavra e não negaste o meu nome. Eis farei que alguns dos que são da sinagoga de Satanás, desses que a si mesmos se declaram judeus e não são, mas mentem, eis que os farei vir e prostrar-se aos teus pés e conhecer que eu te amei. Porque guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para experimentar os que habitam sobre a terra. Venho sem demora. Conserva o que tens, para que ninguém tome a tua coroa.” Ap 3:7-11.
“Se alguém leva para cativeiro, para cativeiro vai. Se alguém matar à espada, necessário é que seja morto à espada. Aqui está a perseverança e a fidelidade dos santos.” Ap 13:10.
“Seguiu-se a estes outro anjo, o terceiro, dizendo, em grande voz: Se alguém adora a besta e a sua imagem e recebe a sua marca na fronte ou sobre a mão, também esse beberá do vinho da cólera de Deus, preparado, sem mistura, do cálice da sua ira, e será atormentado com fogo e enxofre, diante dos santos anjos e na presença do Cordeiro. A fumaça do seu tormento sobe pelos séculos dos séculos, e não têm descanso algum, nem de dia nem de noite, os adoradores da besta e da sua imagem e quem quer que receba a marca do seu nome. Aqui está a perseverança dos santos, os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus. Então, ouvi uma voz do céu, dizendo: Escreve: Bem-aventurados os mortos que, desde agora, morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que descansem das suas fadigas, pois as suas obras os acompanham.” Ap 14:9-13.
Águas Amargas – Aspectos Medicinais
O verso 23 diz: “Afinal, chegaram a Mara; todavia não puderam beber as águas de Mara, porque eram amargas; por isso, chamou-se-lhe Mara.”
As águas de Mara existem até hoje. Era um oásis no meio de muita areia quente. Ao ver esse oásis, o povo deve ter dito: “Glórias a Deus! Enfim água para beber! É coisa de Deus, porque a nuvem parou bem em cima das fontes!”
Muitos se abaixaram e provaram da água. E o que acontece? Eles cospem a água e dizem que isso é intragável. Dizem: “Onde nos trouxeste, Moisés?” Conforme diz no verso 24: “E o povo murmurou contra Moisés dizendo: O quem haveremos de beber?”
Os cientistas fizeram uma análise daquela água e constataram que ela é 100% potável. Ela é amarga porque está cheia de minerais que são medicinais. Por ex.: Um dos minerais que lá estão se chama Dolomita, que é muito bom para os batimentos cardíacos, e principalmente para quem vai fazer longas caminhadas por um terreno, como o que o povo hebreu estava viajando.
Outro mineral que tem em abundância naquela água é Magnésio. Ex.: quando estamos com problemas de estômago receita-se o quê? Geralmente, leite de magnésio!
Mas por que tudo isso? O povo hebreu havia sido escravo por 400 anos, e beberam das águas poluídas do Nilo e outras fontes, e por consequência sofriam de muitos problemas intestinais e estomacais, por terem adquirido muitos parasitas.
Agora podemos entender porque Deus os havia deixado com sede durante três dias? Para que eles bebessem aquelas águas mesmo que fossem amargas, pois cremos que era para curá-los dos parasitas e doenças que haviam adquirido do Egito. Deus tem que nos dar águas amargas para nos curar de parasitas adquiridos neste Egito de nossa época. Deus provocara sede em seu povo por isso.
Deus queria que seu povo humildemente dissesse assim: “A nuvem parou aqui, as águas são amargas, mas não importa. Vamos beber porque certamente esta é a vontade de Deus para as nossas vidas.”.
Deus sabe o que Faz. E povo? Entende?
Agora vejam o versículo 26, que diz: “Nenhuma enfermidade virá sobre ti das que enviei sobre os Egípcios”.
Viram o que Deus havia preparado para o seu povo? Cura. Mas quem disse que eles quiseram alegremente tomar das águas amargas? Correram, colocaram na boca os primeiros goles de água e “cuspiram, vomitaram” e depois murmuraram contra Moisés, o servo de Deus (V. 24).
Mas Moisés não era culpado de nada, pois a nuvem é que tinha parado lá; foi Deus que os tinha levado para lá. Deus os estava provando com o bem; o problema é que o “que Deus chama de peixe nós chamamos de pedra” (Mt 7:9-11).
O que estava acontecendo com o povo de Israel não era um ataque do maligno, mas era uma provação benéfica vinda de Deus para curá-los, para tratá-los. Era amargo, sim, mas era tratamento de Deus. Conforme é visto no Verso 25: “E ali os provou“
Sair do Egito é uma coisa! O Egito sair de mim…é outra!!
Muitas vezes pedimos que Deus nos trate, porém quando Deus começa a agir, gritamos, esperneamos, para não tomarmos “água amarga”. Aí Deus nos dá, em certo sentido, um “milagre paliativo”. Eles, neste sentido, trocam o milagre da cura por um simples analgésico, que só tira a dor, mas não cura a enfermidade.
E sabem qual era o mal daquele povo? Eles tinham saído do Egito, mas o Egito não havia saído deles e, para piorar, tinham trazido as doenças do Egito, no qual Deus os queria curar. Este é o mal de muitos crentes hoje. Eles saíram do mundo, mas o mundanismo não saiu deles.
Cuspir e vomitar é dizer: “Não quero este tratamento! Quero somente um milagre doce”. Nossa reação deveria ser: “A nuvem parou aqui nessas águas amargas, então eu vou bebê-las, pois eu sei que é para o meu bem, eu a bebo ainda que seja amarga, mas sei que Tu estás nesse negócio”. Obedecer a Palavra do Senhor é sempre a melhor opção.
Deus nos liberta do pecado através do sangue de Jesus, mas só tira o mundanismo de dentro de nós através dos tratamentos aos quais Ele nos submete. Agora Deus lhes dá os estatutos e o tratamento.
Eles passaram do teste? Não. O Egito não saiu de dentro deles, por isso morreram no deserto. Em vez de ficarem 40 dias no deserto como Jesus ficou (mas saiu), eles fizeram do deserto sua morada e lá morreram.
A questão não é se vamos ou não passar pelo deserto. Todo cristão passa um tempo pelo “deserto”. A pergunta é: quanto tempo você vai ficar no deserto, 40 dias ou 40 anos?
O plano de Deus é só alguns dias, mas quando a pessoa fica “cuspindo fora” os tratamentos de Deus, não se quebrantam, não recebem com alegria as correções que o Espírito Santo está trazendo. fica vivendo dentro da Vontade Permissiva, mas jamais dentro da Vontade Decretiva de Deus. Assim, dificilmente sai do deserto; acaba “morrendo” sem entrar na plenitude da verdadeira vida cristã vitoriosa sobre o pecado e a vida egocêntrica.
A Árvore da Vida que transforma as Águas Amargas em Doces
Sob outra ótica, há estudo que comprovam que já na antiguidade a moringa teria sido utilizada como alimento e remédio. Escritos sânscritos a mencionariam como planta medicinal e textos hindus fariam referência aos seus usos.
Romanos, gregos e egípcios a utilizariam pelas propriedades terapêuticas e também para proteger a pele e purificar a água de beber. Em Êxodo 15, 22-25 haveria referência a esta circunstância:
“Moisés fez partir os israelitas do mar Vermelho e os dirigiu para o deserto de Sur. Caminharam três dias no deserto, sem encontrar água. Chegaram a Mara, onde não puderam beber de sua água, porque era amarga, de onde o nome da Mara que deram a esse lugar. Então o povo murmurou contra Moisés: ‘Que havemos de beber?’ Moisés clamou ao Senhor, e o Senhor indicou-lhe um madeiro que ele jogou na água. E esta se tornou doce. Foi o lugar que o Senhor deu ao povo preceitos e leis, e ali o provou”.
Estudos acadêmicos mais recentes revelam grandes concentrações em suas folhas e sementes de vitamina C, cálcio, ferro e proteínas, além da presença de vitaminas A, B, E e sais minerais de cromo, cobre, magnésio, manganês, potássio, zinco, selênio e fósforo.
Ela é considerada uma riqueza da natureza e esperança de combate à desnutrição no mundo, e por isso chamada árvore da vida. Campanhas para o seu plantio e uso têm recebido apoio da ONU/Unicef.
No comércio existem cápsulas produzidas a partir de suas folhas, casca, raízes, sementes e também mel oriundo de suas flores. Existe ainda uma ampla culinária de doces e salgados que a utilização em suas composições.
Outra vertente de estudos está relacionada à utilização da moringa oleífera (grafia em português) na potabilidade de águas superficiais não adequadas ao consumo devido a causas naturais ou antrópicas e à possibilidade de tratamento de águas residuárias provenientes de atividades industriais, como laticínios e curtumes, com vistas ao seu reúso ou descarte, de forma a proteger a saúde humana e preservar o meio ambiente.
Na literatura a maioria dos estudos relata o uso da moringa oleífera para tratamento de águas superficiais e poucos trabalhos consideram o seu emprego para tratamento de águas residuárias, em que os resultados já obtidos se revelam auspiciosos para a remoção de sólidos suspensos, redução da turbidez e a retomada de seu aspecto incolor.
O melhor potencial de coagulação/floculação, em relação às várias partes da planta, é conseguido com a utilização de suas sementes descascadas. Esse efeito decorre da presença entre seus componentes ativos de uma proteína capaz de promover a coagulação.
Nada mais sugestivo do que se chegar à conclusão científica da real possibilidade de esta planta promover a coagulação e, por conseguinte, “apresentar auspiciosos resultados na remoção de sólidos suspensos, redução da turbidez e a retomada de seu aspecto incolor”. No aspecto espiritual a correlação disto nos fala muito sobre nossa extrema necessidade de cura.
É importante mencionar que foi nesta estação que o Senhor se apresentou como o “Deus que cura”. Evidentemente há duas significações neste aspecto: a física, como vimos, e a espiritual que carrega consigo a possibilidade de “curar nossas almas”.
Mara – Conclusões Finais
- Primeira experiência de sequidão na vida cristã, após a conversão.
- Não foi experiência proporcionada senão por Deus mesmo, que era Quem os Governava, mediante a Nuvem. Eles seguiam a Nuvem.
- Local que se chama originalmente Marta, e não Mara. Ou seja, como Marta tipifica o Senhor como “ama”, ou seja, Aquele que cuida. Como Mara, tipifica as águas amargas.
- As águas eram amargas na perspectiva do povo, embora encontremos naquela região dois grandes lagos chamados de “Lagos Amargos”; o pequeno e o grande.
- A resposta do povo àquela situação foi de perplexidade. Eles se insurgiram contra Moisés. Este é um indicativo do necessário preparo da liderança para ser instrumento do Senhor para conduzir o Seu povo.
- Há, pelo menos, três tipos de reações da alma, às experiências difíceis, às experiências amargas na caminhada até a Terra Prometida:
6.1- A formação de uma raiz de amargura tipificada na personagem bíblica Noemi. Devemos lembrar que a raiz de amargura contamina a muitos. O uso da palavra contaminação, por si só, já é indicativo de que a amargura gera mistura. E, sem santificação, ninguém verá o Senhor.
6.2- A fuga das experiências difíceis e amargas, pelo retrocesso aos ídolos como busca de afugentar o sofrimento. Conforme vimos, a busca de ídolos retroalimenta a amargura, ou a raiz venenosa e amarga conforme Dt 29:16-18.
6.3- A perseverança, que suporta as difíceis situações amargas com as quais nos deparamos e que, como resultado, produzem mais da Vida de Cristo em nós. Gera libertação da vontade própria; gera uma vontade rendida. Liberta-nos da escravidão da vida egocêntrica. Revela uma mente renovada, uma visão ampliada dos propósitos de Deus e uma firme disposição de quem sabe que necessita de mudanças, de transformações e, mais importante, de quem aprendeu que as provas são para nos transformar, para nos amadurecer.
- Vimos que somente a cruz pode transformar as experiências amargas em doces. Somente lançando a árvore nas águas é que elas se tornam doces. Não que não haverá sofrimento e nem que a experiência vai logo passar, mas seremos transformados se reagirmos adequadamente nas provas.
- Vimos que o Senhor se apresentou como Jeová-Rafah, o Deus que cura, porque neste caso Ele precisa nos libertar desta enfermidade. Até então Ele havia se manifestado, conforme Ex 3:14 como “Aquele que É e que Se transforma” (em função de nossa necessidade). Isto é bastante expressivo. No episódio de Mara o Senhor se revela como o Deus que cura!
Tremendas lições. A 5ª estação: Mara! O Senhor tenha misericórdia de nós!