As 42 (Quarenta e duas) Estações no Deserto
Sumário
6- Os dias de Peregrinação e sua Significação
7- Etapas antes da Meta que é a Plenitude de Cristo
8- Os números e a tipologia do Ministério
9- O Número 12 (Doze) – Simbologia
10- O Número 70 (Setenta) – Simbologia
10.1- Os Descendentes de Noé: 70 famílias, 70 línguas, 70 nações
11- Mas o que o número 70 nos remete?
12- Homens Dons – Presentes para a Igreja
13- As Estações no Livro de Cantares
Estação 06: Elim
“Saíram de Mara e vieram a Elim, onde havia doze fontes de água e setenta palmeiras” Nm 33:9
“Saíram de Mara…”. Aleluia! Ou seja, é possível sair de Mara. Mara é amargura, é prova, é dificuldade, porém se pode sair de lá. Observe: “Saíram de Mara e vieram a Elim…”.
Interessante, a princípio, notar que o termo “ELIM” é um nome hebraico que tem dois significados:
- Um deles é tipificado como um lugar onde se pode inclinar, um lugar de Descanso, um lugar de Refrigério. Traz a ideia de abundância, satisfação, alegria, segurança.
- O outro significado de “Elim” é traduzido por “ramos”; mais especificamente como terebintos (árvore semelhante ao carvalho); local onde havia muitas palmeiras.
Neste local tinha 70 palmeiras e 12 fontes de água.
- As palmeiras falam, dentre outros como veremos em detalhes mais à frente, dos 70 (setenta) discípulos enviados pelo Senhor.
- E as fontes de água, analogamente, nos falam dos 12 (doze) apóstolos.
- Elim também nos fala que chega um determinado momento em nossa vida em que experimentamos muitas lutas e adversidades, mas que depois o Senhor nos coloca em um lugar de muitas bênçãos, vitórias e descanso.



2- Águas de Descanso
A característica das “águas” de Deus é que elas são águas de descanso.
Davi no salmo 23 escreveu: “Leva-me para junto das águas de descanso; refrigera-me a alma.”
Águas de descanso são águas que refrigeram a alma, que trazem paz nos momentos de aflição. São águas tranquilas, calmas.
Israel estava em meio a tribulação no deserto, e iria enfrentar seus inimigos e situações de stress total. Em Elim, Israel renovou sua força para continuar sua peregrinação rumo a promessa de Deus. Sem Elim, Israel não conseguiria chegar, todos morreriam de sede e cansaço.
Em meio as guerras e lutas, Deus nos conduz a um lugar de descanso, de renovo de forças. O Senhor quer refrigerar a nossa alma, restaurar o nosso vigor.
3- Águas Profundas
Outra característica que percebemos nas águas de Deus é que elas são profundas. Provérbios, diz que: “como águas profundas são o coração do homem”.
Isso dá um sentido de desconhecida, misteriosa. Que para ser conhecida é preciso que entremos nela.
Ezequiel tem uma visão em que Deus o orienta a entrar em seus rios totalmente, só assim ele poderia conhecer o rio. Vida de profundidade.
Águas profundas dão o sentido de que, se desejarmos conhecê-las precisamos nos entregar a ela. É preciso se lançar, não ter medo do desconhecido.
Israel precisava se entregar a Deus totalmente para alcançar Canaã.
Quando estamos no deserto não sabemos o que nos espera, não podemos prever o amanhã, não sabemos e não temos controle.
Nesses momentos o que nos mantém vivos é a nossa intimidade com Deus. Por isso precisamos de águas profundas. Lembre-se de Acsa (Jz 1:15).
4- Terebinto
- O terebinto é umas das árvores mais fascinantes sobre a qual nós podemos estudar. Ele é da mesma família do carvalho, mas possui alguns pontos diferentes.
- Assim como o carvalho, o terebinto é muito resistente ao inverno. Suas folhas não caem com o frio e só na primavera é que ele muda a folhagem. Porém, um terebinto não cresce tanto quanto o carvalho. Seu tamanho médio é de 10 metros aproximadamente
- O terebinto, porém, possui duas características que o carvalho não possui. O perfume do terebinto pode ser sentido a mais de um quilômetro de distância, porém, para que isso aconteça ele deve perder parte da sua casca. Quanto maior e mais profunda sua ferida, maior será o perfume exalado pelo terebinto.
- Ao perder sua casca ele libera uma seiva que também é medicinal. Serve como anticéptico anti-inflamatório e ajuda em doenças como ascite que é uma acumulação de fluidos na cavidade do peritônio. É comum devido à cirrose e doenças graves do fígado.
É interessante que quanto mais o terebinto é ferido, mais ele exala perfume e ajuda a curar. E Nós?
- Muitos dos cristãos das Igrejas hoje deveriam aprender com o carvalho e o terebinto. Porém, o que mais se encontra são pessoas com raízes superficiais, sem resistência às situações da vida em que quanto mais Deus os prova, mais causam mal aos outros.
Alguns podem dizer que os problemas da vida ou as provações são como castigos de Deus.
- Mas podemos entender as coisas difíceis que nos acontecem como instrumentos para nos moldar, ajustar e nos incentivar a sermos diferentes, com atitudes que seguem na contra mão da sociedade.
- Claro que não é simples! Algumas tempestades duram anos… Porém, o desejo de Deus é sermos assim, como o carvalho, com raízes profundas e resistência. E como o terebinto, que quanto mais sofre, mais perfuma e cura…
Algumas Passagens Bíblicas em que o Terebinto é mencionado.
1-“…todos os homens valentes se levantaram e, tomando o corpo de Saul e os corpos de seus filhos, trouxeram-nos: a Jabes; e sepultaram os seus ossos debaixo o terebinto em Jabes, e jejuaram sete dias.” 1 Crônicas 10:12
2-“Porque vos envergonhareis por causa dos terebintos de que vos agradastes, e sereis confundidos por causa dos jardins que escolhestes.” Isaías 1:29
3-“Mas se ainda ficar nela a décima parte, tornará a ser consumida, como o terebinto, e como o carvalho, dos quais, depois de derrubados, ainda fica o toco. A santa semente é o seu toco”. Isaías 6:13
4-“…que vos inflamais junto aos terebintos, debaixo de toda árvore verde, e sacrificais os filhos nos vales, debaixo das fendas dos penhascos?” Isaías 57:5
5-“Sacrificam sobre os cumes dos montes; e queimam incenso sobre os outeiros, debaixo do carvalho, do álamo, e do terebinto, porque é boa a sua sombra; por isso vossas filhas se prostituem, e as vossas noras adulteram.” Oséias 4:13
5- Palmeira
Salmos 92:12; “O justo florescerá como a palmeira, crescerá como o cedro no Líbano.”
Considerações iniciais sobre a Etimologia da Palavra no Hebraico
A palavra Palmeira em hebraico, também significa “COMPROMISSO”.
Mas, a palavra Tomer (Palmeira) acrescida do prefixo “Le” que forma o infinitivo do verbo, passa a significar “Ascender”, “Subir”.
Já a palavra composta pelas duas primeiras letras da palavra Palmeira, formam a palavra ingênuo, simples, infantil, inocente, puro.
Daí compreendemos quando o Senhor fala que o Reino dos Céus será dos Inocentes, Puros, Simples, Humildes.
5.1- Características
- A palmeira é uma das árvores mais difíceis de arrancar da terra, pois possui uma das raízes mais fortes. Enquanto outras árvores morrem com muito mais facilidade, a palmeira é forte e muito difícil de ser destruída por ventos e tempestades.
- Ela tem a habilidade de suportar tremendas tempestades, e tem uma raiz que vai bem profundo na terra. Em uma árvore normal a raiz fica a somente alguns metros abaixo da terra, já na palmeira, sua raiz chega a penetrar 3 ou 4 KM embaixo da terra.
- Dizem que a raiz da palmeira penetra na terra até encontrar água. Enquanto outras plantas estão secando, ela tem a capacidade de florescer mesmo no deserto por causa de suas raízes. O que a Bíblia está nos dizendo, é que nós temos que deixar nossas raízes estarem firmadas e seguirem profundamente.
Qual o maior problema de muita gente? É não estar firme, sem raízes firmadas… firmadas aonde? “Estão plantados na casa do Senhor, florescerão nos átrios do nosso Deus”
Deus quer que estejamos firmes, que estejamos plantados como a palmeira, estável; estáveis em nosso relacionamento com Ele, estáveis em nossas emoções, estáveis em nossa vida financeira e não cheios de altos e baixos.
- A maioria das árvores tem uma capa protetora chamada casca, se você quiser matá-la, basta tirar a casca de fora da árvore; mas não é assim com a palmeira. Você pode cortar a casca de fora e ela não morre. Por quê? Porque ela não pega os nutrientes de fora como as outras árvores, a palmeira adquiri os nutrientes que a mantêm com vida de dentro dela, a força e a vida não vêm de fora mais sim de dentro. Você pode cortar a palmeira por fora, você pode feri-la por fora, porém ela não irá morrer. E assim é o Justo, muitas vezes é ferido, atingido, mas morto pelas mãos de inimigos, jamais!
- Se vocês já tiveram a oportunidade de ver um vento forte soprando numa palmeira, você sabe que ela se curva muitas vezes até tocar a terra, mas não se quebra, e quando o vento passa, ela volta a sua posição normal e se torna mais forte do que era antes. Um vento de 50 km por hora pode quebrar e arrancar uma árvore do chão, porém a palmeira sobrevive a ventos de 150 km por hora.
O justo é como uma palmeira, quando a tempestade vem sobre ele, ela pode curvá-lo, mais não tem autorização nem poder para quebrar a sua vida! Nada pode te quebrar!!!
- Uma coisa que a palmeira não pode suportar é o frio. Ela somente floresce e cresce em meio ambientes quentes, em climas quentes. O justo é como a palmeira, Deus não te fez para sobreviver a temperaturas frias. Se você está esfriando no seu relacionamento com Deus, você está morrendo.
Você pode ter uma palmeira na Jamaica, Havaí, Bahamas, litoral…, mas você nunca terá uma palmeira no Alaska, porque o meio ambiente não é propício… se você está frio espiritualmente falando, você está morrendo espiritualmente.
Algumas Passagens Bíblicas em que a Palmeira é mencionada
1- “Então vieram a Elim, e havia ali doze fontes de água e setenta palmeiras; e ali se acamparam junto das águas.” Êxodo 15:27
2- “E no primeiro dia tomareis para vós ramos de formosas árvores, ramos de palmeiras, ramos de árvores frondosas, e salgueiros de ribeiras; e vos alegrareis perante o Senhor vosso Deus por sete dias.” Levítico 23:40
3- “E partiram de Mara, e vieram a Elim, e em Elim havia doze fontes de águas e setenta palmeiras, e acamparam-se ali.” Números 33:9
4-“Também os filhos do queneu, sogro de Moisés, subiram da cidade das palmeiras com os filhos de Judá ao deserto de Judá, que está ao sul de Arade, e foram, e habitaram com o povo.” Juízes 1:16
5-“E reuniu consigo os filhos de Amom e os amalequitas, e foi, e feriu a Israel, e tomaram a cidade das palmeiras”. Juízes 3:13
6- “Ela assentava-se debaixo das palmeiras de Débora, entre Ramá e Betel, nas montanhas de Efraim; e os filhos de Israel subiam a ela a juízo”. Juízes 4:5
7- “E as lavrou de querubins e de palmas (de palmeiras), e de flores abertas, e as revestiu de ouro acomodado ao lavor”. 1 Reis 6:35
8- “E o sul, e a campina do vale de Jericó, a cidade das palmeiras, até Zoar.” Deuteronômio 34:3
9- “E todas as paredes da casa, em redor, lavrou de esculturas e entalhes de querubins, e de palmas, e de flores abertas, por dentro e por fora.” 1 Reis 6:29
10- “Também as duas portas eram de madeira de oliveira; e lavrou nelas entalhes de querubins, e de palmas, e de flores abertas, os quais revestiu de ouro; também estendeu ouro sobre os querubins e sobre as palmas.” 1 Reis 6:32
11-“E os homens que foram apontados por seus nomes se levantaram, e tomaram os cativos, e vestiram do despojo a todos os que dentre eles estavam nus; e vestiram-nos, e calçaram-nos, e deram-lhes de comer e de beber, e os ungiram, e a todos os que estavam fracos levaram sobre jumentos, e conduziram-nos a Jericó, à cidade das palmeiras, a seus irmãos. Depois voltaram para Samaria.” 2 Crônicas 28:15
12-“Assim publicaram, e fizeram passar pregão por todas as suas cidades, e em Jerusalém, dizendo: Saí ao monte, e trazei ramos de oliveiras, e ramos de zambujeiros, e ramos de murtas, e ramos de palmeiras, e ramos de árvores espessas, para fazer cabanas, como está escrito.” Neemias 8:15
13- “O justo florescerá como a palmeira; crescerá como o cedro no Líbano.” Salmos 92:12
14- “A tua estatura é semelhante à palmeira; e os teus seios são semelhantes aos cachos de uvas.” Cânticos 7:7
15- “Dizia eu: Subirei à palmeira, pegarei em seus ramos; e então os teus seios serão como os cachos na vide, e o cheiro da tua respiração como o das maçãs.” Cânticos 7:8
16- “São como a palmeira, obra torneada, porém não podem falar; certamente são levados, porquanto não podem andar. Não tenhais receio deles, pois não podem fazer mal, nem tampouco têm poder de fazer bem.” Jeremias 10:5
17- “Havia também janelas estreitas nas câmaras, e nos seus pilares, dentro da porta ao redor, e da mesma sorte nos vestíbulos; e as janelas estavam ao redor, na parte de dentro, e nos pilares havia palmeiras.” Ezequiel 40:16
18- “E as suas janelas, e os seus arcos, e as suas palmeiras, eram da medida da porta que olhava para o caminho do oriente; e subia-se para ela por sete degraus, e os seus arcos estavam diante dela.” Ezequiel 40:22
19- “E de sete degraus eram as suas subidas, e os seus arcos estavam diante delas; e tinha palmeiras, uma de um lado e outra do outro, nos seus pilares.” Ezequiel 40:26
20-“E os seus arcos estavam na direção do átrio exterior, e havia palmeiras nos seus pilares; e de oito degraus eram as suas subidas” Ezequiel 40:31
21- “E os seus arcos estavam no átrio de fora; também havia palmeiras nos seus pilares de um e de outro lado; e eram as suas subidas de oito degraus.” Ezequiel 40:34
22- “E os seus pilares estavam no átrio exterior; também havia palmeiras nos seus pilares de um e de outro lado; e eram as suas subidas de oito degraus.” Ezequiel 40:37
23- “A saber: um rosto de homem olhava para a palmeira de um lado, e um rosto de leãozinho para a palmeira do outro lado; assim foi feito por toda a casa em redor.” Ezequiel 41:19
24-“Desde o chão até acima da entrada estavam feitos os querubins e as palmeiras, como também pela parede do templo” Ezequiel 41:20
25- “E nelas, isto é, nas portas do templo, foram feitos querubins e palmeiras, como estavam feitos nas paredes, e havia uma trave grossa de madeira na frente do vestíbulo por fora.” Ezequiel 41:25
26- “E havia janelas estreitas, e palmeiras, de um e de outro lado, pelos lados do vestíbulo, como também nas câmaras da casa e nas grossas traves.” Ezequiel 41:26
27- “A vide se secou, a figueira se murchou, a romeira também, e a palmeira e a macieira; todas as árvores do campo se secaram, e já não há alegria entre os filhos dos homens.” Joel 1:12
28- “Tomaram ramos de palmeiras, e saíram-lhe ao encontro, e clamavam: Hosana! Bendito o Rei de Israel que vem em nome do Senhor.” João 12:13
29-“Depois destas coisas olhei, e eis aqui uma multidão, a qual ninguém podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas, que estavam diante do trono, e perante o Cordeiro, trajando vestes brancas e com palmas (de palmeiras) nas suas mãos” Apocalipse 7:9
Obs: Verificar o detalhamento acerca da ornamentação do Lugar Santo e do Lugar Santíssimo no Resumo sobre “O Templo de Salomão”.
Retornando ao estudo da estação de Elim:
Observe que isto estava ali antes de o povo de Israel chegar. Logo, podemos imaginar que Deus já havia preparado este lugar antes da fundação do mundo, não acha?
Interessante observar que quando se tratava de falar de um local de provas, de dificuldade, a Bíblia utiliza de mais versículos. Esta foi Mara. Porém agora temos somente um versículo em Ex 15:27 para tratar de Elim. Antes havia uma prova, uma lição importante. Aqui temos mais um oásis, um local de descanso.
6- Os dias de Peregrinação e sua Significação
Se fizermos a contagem dos dias em que eles estiveram em peregrinação, desde a saída de Ramessés, chegamos ao seguinte:
- Sucote – 1 Dia
- Etam – 1 Dia
- Pi-Hairote – 1 Dia
Mais 03 dias caminhando no deserto buscando água. Foi neste sexto dia que chegaram a Mara cujas águas não puderam beber porque eram amargas. Total de dias desde a saída: 6 dias.
- Então chegamos ao 7º (sétimo dia). Este é o Dia de Descanso, Elim.
Agora eles estão em Elim, um oásis de descanso. Porém devemos ter em mente que Elim não é ainda a Terra Prometida, mas um oásis no processo de peregrinação, de transformação da alma.
Elim não é a Terra de Canaã, não é, todavia, a possessão completa da Terra, não é ainda o Reino, mas um oásis providencial de Deus para nós. Deus nos prepara estes oásis porque sabe que nos são necessários.
Agora observe:
- Seis dias caminhando, peregrinando no deserto
- E depois três semanas descansando em Elim.
Mas como sabemos disto? Porque em Ex 16:1 diz assim: “E partindo de Elim, toda a congregação dos filhos de Israel veio ao deserto de Sim, que está entre Elim e Sinai, aos quinze dias do mês segundo, depois de sua saída da terra do Egito.” Êxodo 16:1
Basta que façamos as contas. Eles saíram no dia 15 (quinze) do primeiro mês, caminharam seis dias, e chegaram a Elim no sétimo dia. E, então, saíram de Elim, no dia 15 do segundo mês. Ora, isto quer dizer que eles estiveram:
- 7 (sete) dias ou 1 (uma) semana peregrinando no deserto. Nestes dias duas coisas lhes sucederam: mudanças e provas.
- 21 (vinte e um) dias ou 3 (três) semanas descansando em Elim.
Será que vemos como Deus é bom! As vezes parece que a prova é dura, difícil e demorada. Mas Deus não permitirá que seja mais longa do que nos é necessário. Depois? Bem, depois Ele nos permite descansar por três longas semanas em Elim. Ele sabe que nos é necessário aquietar-nos, logo há um tempo determinado, tempo de descanso; esta é Elim. Agora devemos lembrar que Elim não é a Terra da Promessa, não é o objetivo final.
Deus é quem os dirigia por meio da nuvem. Havia tempo de aquietar-se debaixo da nuvem, havia tempo de mover-se, seguindo o mover da nuvem. Deus nos é bastante compreensível, bondoso. As vezes nos deixa por bastante tempo em situações agradáveis, situações fáceis.
As jornadas são muitas. Cada jornada representa uma experiência espiritual e há, em cada uma, uma lição que devemos aprender. Dentre estas jornadas está Elim, mas Elim é um oásis, não a Terra Prometida. Ocorre que, às vezes, nos sentimos tão bem, tão felizes e Deus nos mantêm nesta situação por longo período, mas Deus sabe que temos de prosseguir, temos de aprender outras lições.
7- Etapas antes da Meta que é a Plenitude de Cristo
Em Efésios 4:11-16 há um texto que se correlaciona bastante com esta estação.
“E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, Querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo;
até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo, para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente.
Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, do qual todo o corpo, bem ajustado, e ligado pelo auxílio de todas as juntas, segundo a justa operação de cada parte, faz o aumento do corpo, para sua edificação em amor.” Efésios 4:11-16
Observe, em especial, o versículo assinalado. Aqui vemos que há um processo de caminhada, de crescimento, de seguimento. Por isto é que o apóstolo Paulo diz “até que todos cheguemos à unidade da fé, à medida da Plenitude de Cristo”; Canaã, em tipologia, representa Cristo.
Porém, antes que haja a plenitude temos de passar por umas etapas. Por isto que se diz “até que todos cheguemos…”, quer dizer, até que todos cheguemos temos de passar por estas estações, por estas etapas, por estas lições.
E há algumas estações agradáveis e algumas estações difíceis. Os versículos 11 e 12 de Efésios 4 representa as estações agradáveis.
8- Os números e a tipologia do Ministério
Quando buscamos, desde o princípio até o final na tipologia, veremos o que estariam a significar estas 12 fontes e estas 70 palmeiras. Assim perceberemos o que o Senhor quer nos dizer nesta estação com tudo isto. Basta buscarmos uma chave bíblica e verificarmos todas as vezes em que aparece o número 12 e o número 70. Porque não aparecem em muitas situações, mas em todas as vezes em que aparecem, aparecem com o mesmo sentido.
9- O Número 12 (Doze) – Simbologia
O “12” (doze) é o número de permanência. Como o número “7” (sete) representa perfeição temporária ou dispensacional, o 12 (doze) fala de perfeição permanente.
Sete é feito do número básico “4” (homem) adicionado ao número básico “3” (Deus) e representa a união da criatura e do Criador. Doze é 4 multiplicado por 3; e, assim, é o criado sendo unido ao Criador.
Sete representa a aproximação do homem e Deus, enquanto que o 12, fala de como Deus dá graça ao homem para que o criado possa ser unido ao Criador.
O número anterior significa o contato da criatura com o Criador; é perfeito, mas é apenas temporário; mas o último número mostra a união do criado com o Criador, de forma que não é apenas perfeito, mas também permanente.
Entendamos que tanto o 7 quanto o 12 vem dos dois numerais 4 e 3; só que o “7” é a adição desses numerais, enquanto que o “12” é a multiplicação deles. Adicionar é aproximar, multiplicar é unir em um só.
Sendo assim, o significado da multiplicação é muito mais profundo do que o da adição. Aqui nos vemos a importância de estarmos unidos a Deus. Outros exemplos do uso bíblico do número 12 podem ser vistos a seguir.
- Aspecto temporal; tempos e estações. Um ano tem doze meses.
- A nação de Israel era composta de doze tribos.
- Montadas na placa peitoral do sumo sacerdote havia doze pedras preciosas (Ex. 28:21).
- Na mesa de ouro dos pães da proposição eram colocados doze pães (Lev. 24:5,6).
- Elim tinha doze fontes de água (Ex. 15:27).
- Foram enviados doze homens para espiar a terra (Num. 13).
- José pôs doze pedras no rio Jordão (Josué 4:9).
- Elias usou doze pedras para construir um altar (I Reis 18:31,32).
- O Senhor Jesus foi a Jerusalém aos doze anos de idade (Luc. 2:42).
- Ele escolheu doze apóstolos e lhes prometeu o direito de se assentarem em doze tronos, para julgarem as doze tribos de Israel (Mat. 19:28).
- Ele curou a mulher que tinha um fluxo de sangue havia doze anos (Lc. 8:43,44).
- Ele levantou da morte a filha de Jairo, que tinha doze anos de idade (Lc. 8:42,54,55).
- Depois de cinco mil pessoas terem se alimentado, as sobras dos cinco pães e dois peixes encheram doze cestos (Mt. 14:20).
- Se o Senhor quisesse, ele pediria ao Pai, e teria doze legiões de anjos para resgatá-lo (Mt. 26:53).
Na leitura do livro de Apocalipse, nós descobrimos que o número 12 é mais frequentemente usado nesse livro do que em qualquer outro.
- Haverá doze estrelas formando a coroa na cabeça da mulher (Rev. 12:1).
- A Nova Jerusalém terá doze portões feitos de doze perolas (21:21).
- Nesses portões haverá doze anjos (v.12)
- E os nomes escritos sobre os portões serão os nomes das doze tribos de Israel (v.12).
- O muro da cidade terá doze fundações, com os nomes dos doze apóstolos (v.14).
- A árvore da vida dará origem a doze diferentes frutos (22:2).
À luz de tudo isso, nós precisamos perceber que no Reino Eterno do Novo Céu e da Nova Terra, todos os números serão doze, nenhum será sete.
Na primeira metade do livro de Apocalipse, o 7 é frequentemente usado, pois fala das condições desta era temporária. Mas, para o Reino Eterno, 12 será o número usado. Assim, isso prova, além de qualquer dúvida, que o 7 representa a perfeição temporária, enquanto que o 12 representa a perfeição permanente.
Agora, neste sentido de edificação, já que estamos a considerar o processo de edificação de Cristo em Seu povo, temos de considerar o número 12 (doze) em seu aspecto apostólico e ministerial. Ou seja, além de considerarmos a revelação da atemporalidade e caráter eterno de tudo o que Deus faz, temos de ter em mente que Ele o faz no sentido de que “na dispensação da plenitude dos tempos Ele fará convergir em Cristo todas as coisas.”
Ou seja, o número 12 (doze) e o número 70 (setenta) não apontam somente para a questão apostólica no sentido de proclamação da boa nova de grande alegria com vistas a salvação dos perdidos, senão também que são necessários que estes sejam edificados, arraigados e alicerçados em Cristo.
Logo, há que haver não somente apóstolos (representado em tipologia pelo número 12), mas também profetas, evangelistas, pastores e mestres. Além dos doze, há que haver o serviço dos setenta. Por isto que na Bíblia vemos, via de regra, ambos números associados de alguma forma.
10- O Número 70 (Setenta) – Simbologia
10.1- Os Descendentes de Noé: 70 famílias, 70 línguas, 70 nações
Se contarmos os filhos de Sem, Cam e Jafé, chegaremos ao total de 70 herdeiros desses três homens. Mas o que isso tem de interessante?
Os versículos que seguem logo após detalhar os filhos de Jafé: “Por estes foram repartidas as ilhas dos gentios nas suas terras, cada qual segundo a sua língua, segundo as suas famílias, entre as suas nações.” Gênesis 10:5
Após listar os filhos de Cam: “Estes são os filhos de Cão segundo as suas famílias, segundo as suas línguas, em suas terras, em suas nações.” Gênesis 10:20
E, por último, após listar os filhos de Sem: “Estes são os filhos de Sem segundo as suas famílias, segundo as suas línguas, nas suas terras, segundo as suas nações. Estas são as famílias dos filhos de Noé segundo as suas gerações, nas suas nações; e destes foram divididas as nações na terra depois do dilúvio.” Gênesis 10:31,32
Por estes versículos podemos entender que, ao dividir as línguas dos povos, no episódio da Torre de Babel (Gênesis 11:1-9), Deus os dividiu em 70 nações.
É claro que hoje há umas 07 mil línguas pelo mundo, segundo pesquisas, porém muitas são variações de uma língua que existiu no passado, como, por exemplo, o Português, Espanhol, Italiano, Francês e outras vieram do Latim.
11- Mas o que o número 70 nos remete?
As Escrituras Sagradas nos afirmam que, ao espalhar os povos, Deus os dividiu segundo o número dos filhos de Israel: “Quando o Altíssimo distribuía as heranças às nações, quando dividia os filhos de Adão uns dos outros, estabeleceu os termos dos povos, conforme o número dos filhos de Israel.” Deuteronômio 32:8
E, se analisarmos, perceberemos que Israel entrou no Egito exatamente com 70 pessoas (Gênesis 46:27; Êxodo 1:5; Deuteronômio 10:22)
Vamos analisar o número 70 na Bíblia:
1- 70 nos remete a Liderança:
Além dos 70 descendentes de Noé que se multiplicaram e fundaram as famílias da Terra e dos 70 israelitas que entraram no Egito e multiplicaram-se formando o povo de Israel, temos:
1.1-70 autoridades foram constituídas dentre Israel (Êxodo 24:1,9; Números 11:16,24,25);
1.2-70 descendentes (filhos e netos) do juiz Abdom montavam 70 jumentas (Juízes 12:14);
2- 70 nos remete a Liderança e juízo:
2.1- 70 vezes 07 – Lameque considera como o juízo sobre quem o vingasse (Gênesis 4:24);
2.2- 70 reis perderam polegares das mãos e pés por Adoni-Bezeque, que foi vingado (Juízes 1:7);
2.3- 70 homens de Bete Semes são feridos por olharem dentro da arca da aliança (I Samuel 6:19);
2.4- 70 quilos de prata foi o indevido presente de Naamã a Geazi, recebendo juízo (II Reis 5:23);
2.5- 70 descendentes do rei Acabe foram mortos para cumprir-se o juízo de Deus (II Reis 10:1,6,7);
2.6- 70 anos, “o tempo de vida de um rei”, Tiro seria esquecida (Isaías 23:15,17);
2.7- 70 autoridades idólatras são contempladas pelo profeta e trazem juízo divino (Ezequiel 8:11);
2.8- 70 anos Judá ficou cativo na Babilônia (II Crônicas 36:21; Jeremias 25:11,12; 29:10; Daniel 9:2; Zacarias 1:12; 7:5);
3- 70 nos remete a Morte e o Preço para a Morte
3.1- 70 dias egípcios choraram a morte de Jacó, o pai do povo de Israel (Gênesis 50:3);
3.2- 70 filhos de Gideão que morreram a mando de Abimeleque (Juízes 8:30; 9:2,5,18,24,56);
3.3- 70 peças de prata foi o preço de Abimeleque para matarem seus irmãos (Juízes 9:4);
3.4- 70 anos o homem possui de vigor da vida (Salmos 90:10);
4- 70 nos remete ao Santuário que Deus instituiu para Oferecer Reconciliação:
4.1- 70 centímetros de largura e altura tinha a arca da aliança (Êxodo 25:10; 37:1);
4.2- 70 centímetros de largura tinha o propiciatório, acima da arca (Êxodo 25:17; 37:6);
4.3- 70 centímetros de altura tinha a mesa dos pães da proposição (Êxodo 25:23; 37:10);
4.4- 70 centímetros de altura tinham as tábuas do tabernáculo (Êxodo 26:16; 36:21);
4.5- 70 centímetros era a medida das bases do tanque de bronze do templo (I Reis 7:31);
4.6- 70 centímetros era a altura das rodas das bases do tanque de bronze do templo (I Reis 7:32);
4.7- 70 bois, além de outros animais, ofertaram na reabertura do templo (II Crônicas 29:32);
Encontramos também o número 70 entre os sacrifícios da Festa dos Tabernáculos:

*Como o oitavo dia é um dia a parte da festa, contabilizamos 70 sacrifícios de bezerros na primeira semana da festa.
· 5- 70 nos remete Escape, Alívio, Preço, Perdão, Salvação…
5.1- 70 palmeiras aliviaram o fardo do povo de Israel no deserto (Êxodo 15:27; Números 33:9);
5.2- 70 quilos de prata foi o preço da colina onde foi construída Samaria (I Reis 16:24);
5.3- 70 semanas de anos foram determinadas para que Israel se converta ao Senhor (Daniel 9:24);
5.4- 70 vezes 07 devemos perdoar nosso irmão (Mateus 18:22);
5.5- 70 cavaleiros fizeram a escolta de Paulo para que ele não caísse em emboscada (Atos 23:23).
Na Bíblia, “70” é o número para juízo e perdão. Assim, um resumo de tudo o que foi dito sobre o número 70 (setenta) na Bíblia seria que “Deus criou o planeta para o homem viver.
Uma de Suas vontades era que o homem se multiplicasse sobre a face da terra, mas que o temesse, o amasse, o reconhecesse como Criador e Senhor.
Infelizmente a humanidade deu as costas para Deus, foi escravizada pelo Inimigo e sofre as consequências de rejeitar aquele que a ama.
Um dia, quando Cristo reinar sobre o planeta, atrairá todos a Ele. Ensinará o mundo a amar a Deus e, as “70 nações espalhadas” voltarão a se render ao Senhor.
Isso porque o preço já foi pago. Jesus morreu na cruz do Calvário para trazer à humanidade o perdão e a salvação.”
12- Homens Dons – Presentes para a Igreja
O povo passa por Mara; situações delicadas, difíceis, amargas. Por certo tempo. O Senhor sabe qual o tempo necessário. Depois, bem, depois o Senhor lhes concede descanso, e a forma de Deus lhes dar descanso é dar-lhes “presentes”, e estes “presentes” são pessoas. E estas “pessoas” se tornam “presentes” na comunhão dos apóstolos e na comunhão do ministério.
Possivelmente uma só palmeira não lhes daria sombra e descanso. Somente uma palmeira não faz um oásis ser, de fato, um oásis. É necessário doze fontes e setenta palmeiras para que um povo de mais ou menos dois milhões de pessoas possa descansar por um tempo, descansar de suas provas, para estar habilitado e descansado para caminhar mais e aprender novas lições.
Sim, haverá de chegar um momento em que “Não ensinará ninguém a seu próximo, nem ninguém a seu irmão, dizendo: Conhece ao Senhor, porque todos me conhecerão, desde o menor até o maior, diz o Senhor”.
Pareceu bem ao Espírito Santo, em Nome do Senhor Jesus Cristo, presentear a Igreja com apóstolos para fazer alguns trabalhos como evangelizar, discipular, fundar Igrejas, ensinar às Igrejas, instruí-las, pôr ordem nas coisas que estavam desordenadas, corrigir o que está deficiente, nomear anciãos, se necessário reunir-se em Concílios para tratar questões importantes da Igreja e outras importantes funções.
E não somente apóstolos, mas profetas que proclamem o Kerigma (do grego: κήρυγμα, kérygma é uma palavra usada no Novo Testamento com o significado de mensagem, pregação, anúncio ou proclamação) do Espírito acerca do ministério de Cristo; e também os evangelistas para que usem do dom que receberam para levar pessoas a Cristo para que sejam salvas; os pastores para apascentar tantos filhos de Deus necessitados de cuidado, atenção, carinho e apoio. Necessitados de serem apascentados, necessitados de serem suportados em amor. Necessitados de que sejam auxiliados no sentido de resolver seus conflitos momentâneos, e, portanto, conduzidos à tranquilidade, ao descanso.
E, também, os mestres que contribuem com o ensino para que os fiéis sejam edificados, alicerçados e cresçam em intimidade e conhecimento do Senhor. Assim, o povo de Deus estará mais preparado e não serão levados por todo vento de doutrina, nem pela oscilação e vacilação momentâneas característicos da vida pela alma que, em função de situações interiores e/ou exteriores, eventualmente desfavoráveis, se tornam ansiosas, desesperadas ou inconstantes.
Assim, o número doze aparece alí em Elim; havia doze fontes que são representativos dos doze apóstolos e, os doze apóstolos, representam o ministério apostólico. Evidente que a fonte não é o manancial. O manancial é o Espírito. A fonte é onde está o manancial e é do manancial que brota, das “entranhas da terra” e flui em abundância de Vida, água para o povo de Deus.
Depois então destas provas, destes desassossegos, destras confusões, destas tristezas, destas amarguras, é que o povo de Deus pode ter clareza, pode beber da “fonte da água da vida”, pode alimentar-se, pode descansar, ou seja, pode ser apascentado. Para isto é que existem os oásis, os oásis são para apascentar.
É neste local onde os filhos de Deus são renovados, são fortalecidos e são habilitados para prosseguir viagem. Então Elim representa esta etapa, representa esta estação.
13- As Estações no Livro de Cantares
Nós sabemos que o livro de Cantares é representativo, na forma de um poema, do relacionamento de amor entre o esposo (Salomão, filho de Davi, em tipologia) e sua amada; uma mulher morena, de raça negra, assim também como foi com Moisés que se casou com uma mulher cuxita. Porque Deus não é racista, de modo que tanto Moisés quanto Salomão casaram com mulheres morenas; graças a Deus.
E é interessante notar que neste poema, neste desenrolar deste amor, há um processo em que ela vai “sofrendo”, vai “suportando” ou mesmo levando sobre si um processo neste relacionamento. E vemos claramente o desenrolar deste processo em correlação com as estações até aqui estudadas.
“Beije-me ele com os beijos da sua boca” Cânticos 1:2.
Isto é indicativo da necessidade dela de ter esta experiência direta, pessoal com o Senhor.
“…porque melhor é o teu amor do que o vinho.” Cânticos 1:2
Ela começa a perceber que nada se compara a Ele. Toda alegria, tipificada pelo vinho está contida nele.
“…Suave é o aroma dos teus unguentos; como o unguento derramado é o teu nome; por isso as virgens te amam.” Cânticos 1:3
Parênteses para explicação de Unguento
No passado, como na atualidade, usavam-se unguentos principalmente como cosméticos e preparados medicinais, e sua vantagem devia-se sobretudo ao óleo que continham.
A propriedade que as gorduras e os óleos têm de absorver e de reter odores tornava possível que o fabricante de unguentos produzisse preparados perfumados que eram altamente apreciados por sua fragrância. (CTG 1:3)
A eficácia do óleo em limpar e a característica de amaciar a pele, além da fragrância dos aditivos, tornavam tais unguentos muito úteis na prevenção de escoriações e de irritações da pele, e como “desodorante” para o corpo em países quentes, onde a água com frequência era muito escassa.
Oferecer aos convidados tal preparado, quando eles chegavam à casa de uma pessoa, era certamente um ato de hospitalidade, conforme se observa do que Jesus disse quando alguém untou-lhe os pés com óleo perfumado. — Lc 7:37-46.
Quando unguentos perfumados de fabricação especial eram usados na preparação dum cadáver para sepultamento, sem dúvida serviam primariamente como desinfetantes e desodorantes. (IICr 16:14; Lc 23:56)
Tendo presente tal uso, Jesus explicou que a unção que ele recebera na casa de Simão, o leproso, que consistira em caríssimo óleo perfumado, cuja fragrância enchera a casa toda, era, em sentido figurado, “em preparação para o meu enterro”. (Mt 26:6-12; Jo 12:3)
Perfumes preciosos, tais como o nardo (Sig. Na Raiz Hebraica: “Amizade”) usado nessa ocasião, eram geralmente guardados em lindos estojos ou frascos vedados de alabastro. — Mt 26:6-13
O primeiro unguento mencionado na Bíblia foi o óleo de santa unção usado para santificar os utensílios dedicados do tabernáculo e o sacerdócio. (Êx 30:25-30)
Proibia-se, sob pena de morte, o uso desse unguento especial para fins pessoais. Esta lei evidencia a sacralidade relacionada com o tabernáculo e aos que nele oficiavam. — Êx 30:31-33.
Jeová deu a Moisés a fórmula do óleo de santa unção. Somente “os mais seletos perfumes” deviam ser usados: mirra, canela fragrante, cálamo fragrante, cássia e o mais puro azeite de oliveira, e cada um em quantidades especificadas. (Êx 30:22-24)
Da mesma forma, Jeová deu a fórmula do incenso sagrado. Não se tratava apenas duma substância que arderia sem chama e fumegaria; era um incenso perfumado especial. (Êx 30:7; 40:27; Lv 16:12; IICr 2:4; 13:10, 11)
Para fabricá-lo, usavam-se quantidades específicas de gotas de estoraque, onicha, gálbano perfumado e olíbano puro, sendo que Deus o descreveu adicionalmente como “uma mistura aromática, trabalho de fabricante de unguento, salgado, puro, algo sagrado”.
Parte do incenso era reduzido a pó fino e provavelmente peneirado para se obter um produto uniforme, adequado para uso especial. Era crime capital usá-lo para fins pessoais. — Êx 30:34-38.
“Leva-me tu; correremos após ti. O rei me introduziu nas suas câmaras; em ti nos regozijaremos e nos alegraremos; do teu amor nos lembraremos, mais do que do vinho; os retos te amam.” Ct 1:4
Aqui está a saída do Egito; aqui está Sucote. Ela foi atraída pela beleza do Amado, ela reconheceu Sua Obra na cruz tipificada pelo unguento perfumado. Ela se anima a sair do Egito e a peregrinar seguindo seu Amado.
“…os filhos de minha mãe indignaram-se contra mim…” Cânticos 1:6
Aqui está Etam, os pequenos conflitos iniciais que se originam em casa, na parentela.
“Eu sou morena, porém formosa, ó filhas de Jerusalém, como as tendas de Quedar, como as cortinas de Salomão.” Ct 1:5
Aqui está Sucote, mas aqui também está Pi-Hairote. Porque é em Pi-Hairote que ela passa para o outro lado do mar, ela é batizada, reconhece seu pecado e é por esta causa que ela diz: “..não reparem nisto, no fato de eu ser morena”.
Neste ponto é que chegamos a Mara.
“…puseram-me por guarda das vinhas; a minha vinha, porém, não guardei.
Dize-me, ó tu, a quem ama a minha alma: Onde apascentas o teu rebanho, onde o fazes descansar ao meio-dia…” Ct 1:6-7
Ela não está em paz, ela está em conflito, ela está em dificuldade, ela está em amargura, ela está em problemas.
Então ela começa a clamar: “…Dize-me, ó tu, a quem ama a minha alma: Onde apascentas o teu rebanho, onde o fazes descansar ao meio-dia…” . Ou seja, onde Tú descansas? Como quem diz: “eu também quero descansar…eu quero descansar contigo”, ou seja, ela está cansada, ela parece estar vagando, e isto é Mara.
“…pois por que razão seria eu como a que anda errante junto aos rebanhos de teus companheiros?” Ct 1:7
Ela parece errante, ela parece solitária. Todavia isto é indicativo de que ela não conhecia os “homens-dons” que Deus deu à Igreja.
“…pois por que razão seria eu como a que anda errante junto aos rebanhos de teus companheiros?” Ct 1:7 Três dias se demoraram entre Pi-Hairote e Mara, buscando água e não se sentiam tão bem assim, na verdade não se sentiam bem. Às vezes, no processo da caminhada, Deus prepara estações em que necessitamos ser provados, ser aperfeiçoados e, nestes locais, muitas vezes não nos sentimos muito confortáveis. E, especialmente no início da caminhada, nos sentimos sozinhos, solitários. Mas o Senhor, em Sua Infinita Misericórdia, prepara locais para Seu povo ser apascentado. Prepara pessoas para cuidar de nós.
É como se Ele dissesse: “Sim, Eu sei que este lugar está desconfortável. Porém quero que você saiba, também, que não quero que você ande solitária, sozinha. E é por este motivo que logo vem a resposta: “…Se tu não o sabes, ó mais formosa entre as mulheres, sai-te pelas pisadas do rebanho, e apascenta as tuas cabras junto às moradas dos pastores.” Ct 1:8
Ele a trata com doçura, não a crítica, a chama de “…ó mais formosa entre as mulheres…” É certo que no início da caminhada nós somos muito rebeldes, individualistas, egocêntricos. Ele sabe disto. Mas Ele nos trata na medida daquilo que sabe que possamos suportar, na medida daquilo que possamos compreender e apreender. Ele sabe que se não nos der Elim, nós nunca haveremos de alcançar Canaã, e, muito menos, desalojar os gigantes que são tipificação da vida egocêntrica.
Ele responde: “…Se tu não o sabes, ó mais formosa entre as mulheres, sai-te pelas pisadas do rebanho, e apascenta as tuas cabras junto às moradas dos pastores.” Ct 1:8. Ou seja, não sejas individualista, não sejas soberba, não sejas presumida, não sejas jactanciosa, não sejas rebelde. Reúna-se com o povo de Deus, porque o apascentar de que tanto necessitas está alí. Siga a pegada dos rebanhos. Foi alí, em Elim, que Deus preparou 12 fontes de água e 70 palmeiras. Indicativo dos números apostólico e ministerial do Novo Pacto.
Importante observar que as palmeiras são representativas dentre outras coisas da esposa madura de Cristo, porque reúne algumas importantes características que veremos mais à frente no estudo sobre as Palmeiras (vide estudo completo sobre as “Árvores na Bíblia”).
E isto fica ainda mais evidenciado quando estudamos em detalhes, a ornamentação do Templo de Salomão (Verificar o Resumo sobre o Templo de Salomão) e verificamos a relação entre as árvores alí mencionadas e suas respectivas características. Mas também quando estudamos as Festas Fixas do Senhor, com ênfase em Tabernáculos (Verificar o Resumo das Festas do Senhor).
Retornando ao estudo…
Não é bom quando os filhos de Deus estão soltos, errantes daqui para alí. Deus deseja que estejam juntos, reunidos.
“E consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras, não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia.” Hebreus 10:24,25
“Aos presbíteros, que estão entre vós, admoesto eu, que sou também presbítero com eles, e testemunha das aflições de Cristo, e participante da glória que se há de revelar: apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto; nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho. E, quando aparecer o Sumo Pastor, alcançareis a incorruptível coroa da glória.” IPedro 5:1-4
14- Estação 06: Elim – Resumo
- Interessante, a princípio, notar que o termo “ELIM” é um nome hebraico que tem, pelo menos, dois significados: Lugar de Descanso e Terebinto, sendo este último uma árvore assemelhada ao carvalho cujo significado tem haver com:
1.1- Assim como o carvalho, o terebinto é muito resistente ao inverno. Suas folhas não caem com o frio e só na primavera é que ele muda a folhagem. Porém, um terebinto não cresce tanto quanto o carvalho. Seu tamanho médio é de 10 metros aproximadamente
1.2- O terebinto, porém, possui duas características que o carvalho não possui. O perfume do terebinto pode ser sentido a mais de um quilômetro de distância, porém, para que isso aconteça ele deve perder parte da sua casca. Quanto maior e mais profunda sua ferida, maior será o perfume exalado pelo terebinto.
1.3- Ao perder sua casca ele libera uma seiva que também é medicinal. Serve como anticéptico anti-inflamatório e ajuda em doenças como ascite que é uma acumulação de fluidos na cavidade do peritônio. É comum devido à cirrose e doenças graves do fígado.
- Neste local o povo de Deus encontrou 70 palmeiras. As palmeiras significam:
- A palavra Palmeira em hebraico, também significa “COMPROMISSO”.
- Mas, a palavra Tomer (Palmeira) acrescida do prefixo “Le” que forma o infinitivo do verbo, passa a significar “Ascender”, “Subir”.
- Já a palavra composta pelas duas primeiras letras da palavra Palmeira, formam a palavra ingênuo, simples, infantil, inocente, puro.
- Daí compreendemos quando o Senhor fala que o Reino dos Céus será dos Inocentes, Puros, Simples, Humildes.
- A palmeira é uma das árvores mais difíceis de arrancar da terra, pois possui uma das raízes mais fortes. Enquanto outras árvores morrem com muito mais facilidade, a palmeira é forte e muito difícil de ser destruída por ventos e tempestades.
- Ela tem a habilidade de suportar tremendas tempestades, e tem uma raiz que vai bem profundo na terra. Em uma árvore normal a raiz fica a somente alguns metros abaixo da terra, já na palmeira, sua raiz chega a penetrar 3 ou 4 KM embaixo da terra.
- Dizem que a raiz da palmeira penetra na terra até encontrar água. Enquanto outras plantas estão secando, ela tem a capacidade de florescer mesmo no deserto por causa de suas raízes.
- O número 70 (setenta) tem uma simbologia bastante interessante:
3.1- 70 nos remete a liderança
3.2- 70 nos remete a liderança e juízo
3.3- 70 nos remete a morte e o preço para a morte
3.4- 70 nos remete a reconciliação:
3.5- 70 nos remete escape, alívio, preço, perdão, salvação…
3.6- 70 nos remete à genealogia a partir de Noé e os filhos de Israel
- E as 12 fontes de água falam nos falam através da simbologia do número 12:
4.1- Aspecto temporal; tempos e estações. Um ano tem doze meses.
4.2- A nação de Israel era composta de doze tribos.
4.3- Montadas na placa peitoral do sumo sacerdote havia doze pedras preciosas (Ex. 28:21).
4.4- Na mesa de ouro dos pães da proposição eram colocados doze pães (Lev. 24:5,6).
4.5- Elim tinha doze fontes de água (Ex. 15:27).
4.6- Foram enviados doze homens para espiar a terra (Num. 13).
4.7- José pôs doze pedras no rio Jordão (Josué 4:9).
4.8- Elias usou doze pedras para construir um altar (I Reis 18:31,32).
4.9- O Senhor Jesus foi a Jerusalém aos doze anos de idade (Luc. 2:42).
4.10- Ele escolheu doze apóstolos e lhes prometeu o direito de se assentarem em doze tronos, para julgarem as doze tribos de Israel (Mat. 19:28).
4.11- Ele curou a mulher que tinha um fluxo de sangue havia doze anos (Lc. 8:43,44).
4.12- Ele levantou da morte a filha de Jairo, que tinha doze anos de idade (Lc. 8:42,54,55).
4.13- Depois de cinco mil pessoas terem se alimentado, as sobras dos cinco pães e dois peixes encheram doze cestos (Mt. 14:20).
4.14- Se o Senhor quisesse, ele pediria ao Pai, e teria doze legiões de anjos para resgatá-lo (Mt. 26:53).
4.15- Haverá doze estrelas formando a coroa na cabeça da mulher (Rev. 12:1).
4.16- A Nova Jerusalém terá doze portões feitos de doze perolas (21:21).
4.17- Nesses portões haverá doze anjos (v.12)
4.18- E os nomes escritos sobre os portões serão os nomes das doze tribos de Israel (v.12).
4.19- O muro da cidade terá doze fundações, com os nomes dos doze apóstolos (v.14).
4.20- A árvore da vida dará origem a doze diferentes frutos (22:2).
- Juntando estas revelações temos que 12 fontes de água simbolizam, dentre outras coisas, Aquele que pode nos dar Vida e nos dessedentar que é o Senhor pelo Seu Espírito, pois Ele é a fonte. Isto tem relação direta com Seu Eterno Propósito, na medida em que somos transformados e nos submetemos ao Seu Governo.
- Simboliza também o fato de que nesta dispensação Ele providenciou 12 apóstolos que, representativamente, servem a Deus, fazendo o anúncio da salvação, fundando Igrejas e apascentando Seu povo.
- Da mesma forma que as setenta palmeiras. Elas simbolizam o fato de que devemos nos arraigar em Cristo, resistir às tempestades, e todas demais implicações já mencionadas, relacionadas ao significado das palmeiras.
- Da mesma forma, Deus nos concede homens-dons, aos quais Ele capacita para servirem de suporte, descanso e apoio aos demais filhos de Deus. Os dons ministeriais são para sustentação, sendo tudo isto com vistas a formação de Cristo nos Seus filhos, através das peregrinações nesta dispensação, para fazer convergir em Cristo todas as coisas na plenitude dos tempos.
- Elim não é a Terra Prometida, mas um tempo de descanso para nos habilitar a prosseguir, a passar por novas estações, aprender novas lições e sermos transformados.
Deus tenha Misericórdia de todos nós!!!