As 42 (Quarenta e duas) Estações no Deserto
Sumário
2- A lição do descanso pelo deserto (Parênteses)
3- Aspectos Importantes relacionados à esta Estação
4- O Deserto e a Frutificação – Causa ou Consequência?
5- Esaú x Jacó – O Direito de Primogenitura
6- Ismael x Isaque – A Aliança da Graça e a frutificação
7- Ismael foi lançado errante no Deserto
8- Esaú foi lançado longe dos lugares férteis da Terra
9- O Pleno Descanso: As Festas Fixas e os 144.000 Selados – Características
10- A queda anunciada ANTES da formação de Adão
11- A Redenção anunciada ANTES da colocação de Adão no Jardim.
14- O Descanso e os 144.000 selados
15- Ciclo das Festas Fixas do Senhor
16- Páscoa/Pães Ázimos – Festas do Primeiro Mês
17- Primícias/Pentecostes – Festas do Terceiro Mês
19- Os 144.000 Selados – Características
20- Diagrama Explicativo sobre as Duas Casas de Israel
24- A Criação de Deus, os 144.000 selados e o Sétimo Dia
25- A correlação entre Ap 12 e Ex 19 apontam para o Ano do Jubileu
27- A correlação entre Gn 01 e Jo 01 testificam o Ano do Jubileu
28- A Redenção e o Ano do Jubileu
29- A Redenção da Possessão Adquirida e o Pleno Descanso
30- Trombetas/Expiação/Tabernáculos – Festas do Sétimo Mês
31- Casa de Judá e Casa de Israel – A Plenitude dos Tempos
35- Linha Cronológica da História do Povo de Israel
36- A Divisão da Casa de Israel: Considerações Bíblicas Importantes
38- Diagrama explicativo do Calendário Agrícola de Israel
45- Gênesis 48: A Bênção de Jacó a Efraim como sendo o Primogênito
46- Ele nos faz chover “Pão do Céu”
47- Nosso Deus está sempre nos “cercando”
48- Confiança em Deus e não em mamom
50- Estação 06: Deserto de Sim – Conclusões
Estação 08: Deserto de Sim
“E partiram do Mar Vermelho, e acamparam-se no deserto de Sim.” Nm 33:11
“E partiram…”, ou “e saíram…”. Esta palavra é sempre bem-aventurada. Sempre, “o sair” significa por um fim, superar algo; isto é o que quer dizer sair de uma estação à outra, de uma jornada à outra.
Isto significa superar algo que, quando chegamos ou nos deparamos com ele, achávamos que não poderíamos superar. Porém, Graças ao Senhor, saímos, partimos.
A Palavra nos assegura que as saídas implicavam no fato de que a Nuvem considerava que já era tempo de levantar-se e prosseguir conduzindo o Povo de Deus. Observe, no entanto, a palavra seguinte: “…e acamparam no Deserto de Sim”. A palavra deserto é uma palavra muito significativa.
É o Senhor mesmo quem vai conduzindo Seu povo, para que aprendam lições nem sempre fáceis. Interessante notar que o verso 11 do capítulo 33 de Números corresponde a todo o capítulo 16 de Êxodo. Que contraste em relação a estação anterior. Nesta, o Senhor vai nos falar e muito. Em extensão e em conteúdo. Às vezes Deus nos diz muito silenciando, às vezes falando e falando bastante.
Devemos recordar que o povo não ia para onde eles queriam, senão que a Nuvem os conduzia. Se tivéssemos total controle acerca das experiências pelas quais gostaríamos de passar em nossa vida, certamente escolheríamos experiências fáceis e prazerosas.
Somente depois que se tem amadurecido um pouco é que se pede ao Senhor a Graça de poder escolher as experiências do caminho estreito, porém isto não é algo que se aprenda de um dia para o outro. O caminho estreito não é uma teologia muito popular.
“E partindo de Elim, toda a congregação dos filhos de Israel veio ao deserto de Sim, que está entre Elim e Sinai, aos quinze dias do mês segundo, depois de sua saída da terra do Egito. E toda a congregação dos filhos de Israel murmurou contra Moisés e contra Arão no deserto. E os filhos de Israel disseram-lhes: Quem dera tivéssemos morrido por mão do Senhor na terra do Egito, quando estávamos sentados junto às panelas de carne, quando comíamos pão até fartar! Porque nos tendes trazido a este deserto, para matardes de fome a toda esta multidão.” Êx 16:1-3
Aqui nos encontramos com um verbo desagradável: murmurar. E, parece que não houve exceção, ou seja, parece que em certas etapas se murmura. Agora devemos atentar que tipo de murmuração era. Eram murmurações do tipo financeiras, do tipo “modo de vida”, era acerca de comida e coisas parecidas.
Claro que estas murmurações estavam no coração, porque “a boca fala do que está cheio o coração…”. E, como consequência da queda em Adão, há que se buscar um culpado.
“E Deus disse: Quem te mostrou que estavas nu? Comeste tu da árvore de que te ordenei que não comesses? Então disse Adão: A mulher que me deste por companheira, ela me deu da árvore, e comi. E disse o Senhor Deus à mulher: Por que fizeste isto? E disse a mulher: A serpente me enganou, e eu comi.” Gênesis 3:11-13
E eles não se davam conta de que estavam murmurando contra Deus. Eles, na verdade, murmuravam contra aquilo que Deus lhes concedia como experiências. O caminho que seguiam era determinado pela Nuvem, não por Moisés.
A murmuração era por questões econômicas, questões de provisão, de comida; eles não criam que Deus pudesse prover aquilo que eles necessitariam. O foco deles não era o Senhor, mas o que haveriam de comer: “você nos trouxe aqui para que nós morramos de fome; você vai nos matar de fome, o que tem de comer aqui neste deserto?”
Às vezes, quando ainda não estávamos a caminhar com o Senhor, e esta é a experiência de muitos, os “nossos” negócios iam muito bem, nos entrava bastante dinheiro, e então começamos a caminhar com o Senhor. Puxa! Agora os negócios parecem não ir tão bem assim, as coisas começam a ficar difíceis, apertadas; é aqui que se encontra a prova.
Evidente que não é que Deus não se importe que venhamos a morrer de fome; claro que não! O que se passa é que Deus nos quer ensinar a confiar Nele, a descansar Nele. Toda lição que se tem de aprender neste capítulo é uma lição de descanso.
Então é aqui que vamos compreender onde Deus quer nos conduzir por meio dos apertos financeiros: aprendermos a descansar Nele. O problema é que estávamos acostumados a descansar naquilo que tínhamos no bolso ou na conta corrente, estávamos acostumados a descansar naquilo que víamos naturalmente. Porém agora, no deserto parece que não conseguimos ver nada. Que carne pode haver no deserto? Que pão poderia haver no deserto? Que água pode haver no deserto?
Interessante notar que, na travessia do Mar Vermelho nos foi dito que:
“E o anjo de Deus, que ia diante do exército de Israel, se retirou, e ia atrás deles; também a coluna de nuvem se retirou de diante deles, e se pôs atrás deles.
E ia entre o campo dos egípcios e o campo de Israel; e a nuvem era trevas para aqueles, e para estes clareava a noite; de maneira que em toda a noite não se aproximou um do outro.” Ex 14:19,20
Que paradoxo! A nuvem era trevas ou, em algumas traduções, escurecia a noite para aqueles (egípcios), mas para estes (o povo de Deus), clareava a noite, ou, melhor, esclarecia a noite. Isto fala de visão espiritual que nos é concedida nesta travessia.
Gênesis deixa claro como os Patriarcas foram transformados entre uma “tarde e manhã”. Porque? Porque é o mesmo princípio se aplicando a eles, ao povo de Deus no Êxodo, e a nós. Entre uma tarde e uma manhã, há uma noite. E “na noite” é que somos transformados. No início da criação foi assim, com os patriarcas foi assim e conosco não é diferente.
“Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito. O caminho dos ímpios é como a escuridão; nem sabem em que tropeçam.” Pv 4:18,19
Quando as coisas se tornam difíceis, então começam as preocupações do tipo econômico: que comeremos? Que beberemos? Que vestiremos? Que interessante. Era o Senhor mesmo quem os dirigia. Era a Nuvem Quem os guiava, foi o Senhor mesmo quem os levou ao deserto para alimentá-los e, para ensiná-los que Ele é o Deus Todo Poderoso que, desde o início já havia se apresentado como YHWH (e sabemos as implicações deste Nome). Deus os guiava neste caminho para ensinar-lhes a confiar e, então, descansar Nele.
Porém a murmuração era um sinal de que eles não aceitavam este “Governo”. Porque a murmuração é, em última instância, uma declaração de que “se o controle estivesse em nossas mãos” faríamos melhor, faríamos diferente. É uma declaração de que aquilo que nos acontece é, de alguma forma, injusto. E a ansiedade e angústia que acompanham estes surtos de desconfiança são manifestações típicas dos gentios.
“Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom.
Por isso vos digo: Não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo mais do que o vestuário?
Olhai para as aves do céu, que nem semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas?
E qual de vós poderá, com todos os seus cuidados, acrescentar um côvado à sua estatura? E, quanto ao vestuário, por que andais solícitos? Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham nem fiam; E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles.
Pois, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe, e amanhã é lançada no forno, não vos vestirá muito mais a vós, homens de pouca fé?
Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos vestiremos? Porque todas estas coisas os gentios procuram. Decerto vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas estas coisas;
Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.” Mt 6:24-33
A lição do descanso pelo deserto (Parênteses)
A ansiedade é uma das piores que existem. Foi por esta razão que Jesus dedicou tanta atenção a ela. Mateus 6 expressa bem a preocupação de Jesus com o poder adoecedor da ansiedade.
A ansiedade essencial é fruto da desconfiança básica de todo homem.
O que se crê é que ele, o homem, é o responsável pela sua própria vida e saúde, enquanto é ameaçado de todos os lados, tanto pela competição horizontal, como também pelo sentimento de abandono em relação a Deus. Daqui nascem todos os males!
Então, entra em campo o time da ansiedade, com todos os seus infindos craques de angustia e surtos de insegurança e carência; e, paradoxalmente, tomado de ambição e desejos fantasiosos de segurança e poder.
Ansiedade gera neurose assim como também produz uma mente paranoica.
A pessoa cai no “responsabilismo neurótico”; ou, então, entra no estado de desconfiança essencial (paranoia), amedrontado em relação ao que possui, e que pode lhe ser tirado, tanto por homens, como por doenças ou pragas invisíveis. Ora, essas coisas nascem da ansiedade assim como a retroalimentam.
Então a ansiedade-neurótico-paranoica gera a Síndrome do Pânico, a Hipocondria, a Depressão e os surtos de perseguição ou de angustia e medo de morrer.
Na base de quase todas as enfermidades da mente está a desconfiança essencial. Ora, a desconfiança essencial é a primeira filha da ansiedade do mesmo modo em que é a sua mãe.
Sim! Pois o ansioso cai na desconfiança essencial, e a insegurança essencial é o que gera ansiedade. É o ciclo da morte… A cura para esse mal é a fé.
Por isso Jesus apenas mandou confiar no amor do Pai. E mostrou como é idiota pensar diferente. Afinal, pergunta Ele, quem pode o quê?
E mais do que confiar, Jesus disse que a cura total dessa ansiedade essencial vem de se buscar em primeiro lugar o reino de Deus em nós.
O reino de Deus em nós é construído do material da confiança que o coração possua quanto ao amor de Deus por nós.
O reino cresce com amor! Ele só se dilata em nós pelo amor e pela confiança no amor de Deus! Quem crê que é amado pelo Amado, esse anda sem ansiedades.
Ora, isto muda até mesmo a configuração de nosso cérebro de suas produções químicas. Muda tudo!
Retornando ao estudo…
“Então disse o Senhor a Moisés: Eis que vos farei chover pão dos céus, e o povo sairá, e colherá diariamente a porção para cada dia, para que eu o prove se anda em minha lei ou não.” Êxodo 16:4
Importante observarmos o falar de Deus. Por este motivo esta Palavra aqui: “Pão do Céu”. Ela quer nos dizer algo. Devemos fixar atenção como o Senhor conduz este assunto aqui neste capítulo.
Note o que Deus fala: “…Farei chover pão do céu…”. Será que conseguimos notar a abundância de provisão que Deus se compromete a dar naquela situação de dificuldade.
Mas o Senhor não para por aí. Ele diz mais: “…e o povo sairá, e colherá diariamente a porção para cada dia, para que eu o prove se anda em minha lei ou não.” Aqui fica mais nítida a intenção de Deus. Porque Deus permitiu que Seu povo passasse por aquela situação? Porque Ele queria que eles, assim como nós, caminhemos junto com Ele.
Devemos prestar atenção, sob esta perspectiva a oração do Pai Nosso:
“E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios, que pensam que por muito falarem serão ouvidos. Não vos assemelheis, pois, a eles; porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes de vós-lho pedirdes. Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu; O pão nosso de cada dia nos dá hoje…” Mateus 6:7-11
Será que nos damos conta do que muitas vezes estamos a orar?
“Pai Nosso que estás no céu”, etc…, “o pão nosso de cada dia nos dá hoje”, quer dizer, Jesus ao ensinar os seus discípulos tinha a certeza de que haveria um pão preparado por Deus para nós a cada dia.
Interessante notar que Jesus pedia a seu Pai desta forma. E nós?
Não, nós não queremos somente o pão de hoje. Queremos nos sentir seguros e assim desejamos ter, hoje mesmo, o pão de amanhã, o pão do próximo mês, do próximo ano.
É interessante notar que o pão é alimento para o corpo, mas no contexto do A.T., vemos pela Palavra que é, em tipologia, alimento para nosso espírito. E, de forma muito clara, o próprio Senhor Jesus que disse que Ele é o Pão Vivo que desceu do céu. Ele é a Palavra, Ele é o Pão, Ele é o Alimento.
Obs: Ver estudo sobre “Tenho Sede”, mencionado na estação de Mara, pois o princípio espiritual relacionado à saciedade é análogo.
Assim percebemos que o Senhor quer nos conduzir a outra coisa. Ele deseja que possamos colocar nele toda a nossa confiança e, ao contrário, que não coloquemos nossa confiança na transitoriedade das riquezas terrenas.
“Manda aos ricos deste mundo que não sejam altivos, nem ponham a esperança na incerteza das riquezas, mas em Deus, que abundantemente nos dá todas as coisas para delas gozarmos; Que façam bem, enriqueçam em boas obras, repartam de boa mente, e sejam comunicáveis; Que entesourem para si mesmos um bom fundamento para o futuro, para que possam se apoderar da vida eterna.” 1 Timóteo 6:17-19
Observe ainda que o que o Senhor determina é que saiam ao deserto para recolher o pão. Esta é uma atitude de fé. Sair no deserto para recolher pão. O Senhor os estava treinando a confiar nele, muito embora já tivesse dado de tantas formas, inúmeras provas de Seu Amor Redentor e Seu cuidado para com eles.
“Então disse o Senhor a Moisés: Eis que vos farei chover pão dos céus, e o povo sairá, e colherá diariamente a porção para cada dia, para que eu o prove se anda em minha lei ou não.” Êxodo 16:4
Observe a última parte desta frese. Aqui estão as “razões de Deus”: “para que Eu os prove se anda na minha Lei ou não”. Que misericórdia! Sendo Deus e Todo Poderoso haveria a necessidade de Deus se explicar? Caro que não! Mas Ele o faz.
Agora observe: quando Deus diz “…se anda na Minha Lei ou não…”, o que, de fato Ele queria dizer? Porque? Porque Ele ainda não havia dado Sua Lei, seus mandamentos, coisa que viria a fazer somente depois, no Monte Sinai.
Logo, Ele não está falando dos dez mandamentos. Até este ponto, o que Deus lhes havia dado era um único mandamento. E qual era afinal? Descansar. Este é o único mandamento até aqui. Descansar em Deus, confiar em Deus, crer em Deus; este era o mandamento.
Sim, depois haveriam de receber a Lei no Monte Sinai para ver a condição humana e sua necessidade de Cristo. Isto porque sabemos que “a lei nos serviu de aio para nos conduzir a Cristo”, dado que sem ela não teríamos como “nos enxergar”, tendo em vista o imenso estrago feito pelo pecado e, como uma dentre tantas consequências, a nossa profunda alienação em relação a Deus.
Aqui então temos exposto diante de nossos olhos o propósito pelo qual a Nuvem nos guiava. Ele quer que tenhamos um relacionamento pessoal com Ele. Ele quer que possamos depender Dele. Ele deseja que confiemos nele, assim como uma criança confia em seu pai.
“Em verdade vos digo que, qualquer que não receber o reino de Deus como uma criança, de maneira nenhuma entrará nele.” Lucas 18:17
“Seja a vossa vida sem avareza, contentando-vos com o que tendes; porque Ele disse: Não te deixarei, nem te desampararei.” Hebreus 13:5
Esta última é uma menção bastante interessante. Porque? Porque o Senhor contrapõe COISAS com ELE mesmo. Percebe?
Agora veja uma coisa: “…e o povo sairá, e colherá diariamente a porção para cada dia, para que eu o prove se anda em minha lei ou não….” Aqui está a menção ao primeiro mandamento, aqui está a “lei” até então.
Aspectos Importantes relacionados à esta Estação
3.1- O Deserto e a Frutificação
Esaú x Jacó – A Grandeza do Direito de Primogenitura
Isaque x Ismael – A Crucificação da Carne e a Frutificação
A Relação disto com as características dos Valentes de Davi
3.2- O Pleno Descanso
As Características dos 144.000 selados.
O Ciclo das Festas Fixas do Senhor e os 144.000 selados
- As Duas Casas de Israel – Judeus e Gentios
Frutificação e Descanso
A Relação com as Duas Testemunhas de Apocalipse
- A Redenção e o Ano Jubileu
A realidade espiritual do 7º (Sétimo) Dia.
4- O Deserto e a Frutificação – Causa ou Consequência?
“E acontecerá, no sexto dia, que prepararão o que colherem; e será o dobro do que colhem cada dia.” Aqui está o indicativo do que o Senhor estava a lhes ensinar. O descanso. Sabemos que a porção dobrada é uma ordenação relacionada ao direito de primogenitura. Portanto aqui, o que o Senhor está a fazer, é unir pelo menos três importantes questões que eles não perceberam:
- Demonstrar-lhes que Ele é Pai e eles, filhos. Porque? Porque está a citar implicitamente a primogenitura pela porção do sexto dia; que é o dia em que o homem foi criado.
- Demonstrar que esta filiação como primogênitos e esta provisão do sétimo dia deveriam, ambas, levá-los a compreender o que o sexto dia estava a apontar: o sétimo, o descanso. Aqui precisamos aprender uma lição tipificada pela história de Esaú x Jacó.
- Demonstrar que o descanso se compreende e se apreende na mesma medida da compreensão da Graça e da vivência pela Graça. Aqui precisamos entender a correlação entre o descanso, a Graça e a frutificação; tipificados pela história de Ismael x Isaque.

Este assunto tem implicações muito profundas com respeito ao Eterno Propósito de Deus e, neste sentido, é necessária a compreensão deste tema em correlação com a frutificação das duas casas de Israel denominadas da seguinte forma:
- Casa de Israel – Reino do Norte – Tipificada por Efraim (frutífero) – Representação dos Gentios
- Casa de Judá – Reino do Sul – Tipificada por Judá – Representação dos Judeus (neste contexto tipificados efetivamente por Judá, Benjamim e Levitas sacerdotes).
Obs: Sobre este tema ver estudo “As Duas Casas de Israel”
5- Esaú x Jacó – O Direito de Primogenitura
Isto é significativo, porque o direito de primogenitura citado nas Escrituras a primeira vez fala da “contradição” entre a busca do terreno e a busca do celestial. Esaú, que desprezou seu direito de primogenitura e Isaque, ao contrário, o desejou fortemente.
“Disse Jacó: Vende-me primeiro o teu direito de primogenitura. Ele respondeu: Estou a ponto de morrer; de que me aproveitará o direito de primogenitura? Então, disse Jacó: Jura-me primeiro. Ele jurou e vendeu o seu direito de primogenitura a Jacó. Deu, pois, Jacó a Esaú pão e o cozinhado de lentilhas; ele comeu e bebeu, levantou-se e saiu. Assim, desprezou Esaú o seu direito de primogenitura.” Gn 25:31-34
“Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor, atentando, diligentemente, por que ninguém seja faltoso, separando-se da graça de Deus; nem haja alguma raiz de amargura que, brotando, vos perturbe, e, por meio dela, muitos sejam contaminados;
nem haja algum impuro ou profano, como foi Esaú, o qual, por um repasto, vendeu o seu direito de primogenitura. Pois sabeis também que, posteriormente, querendo herdar a bênção, foi rejeitado, pois não achou lugar de arrependimento, embora, com lágrimas, o tivesse buscado.” Hb 12:14-17
6- Ismael x Isaque – A Aliança da Graça e a frutificação
Mas também fala da contradição de duas alianças: a da Lei e a da Graça. Porque? Porque aqui há uma ironia muito interessante que deveria ser vir para meditarmos em nossas reações nas “situações de deserto” neste tempo de peregrinação terrena. Veja que implica nesta consciência: estamos em um tempo de peregrinação terrena.
E sabe qual a ironia desta história toda: é que quando olhamos a genealogia, podemos observar que tanto Ismael (que é figura das obras da carne) quanto Esaú (que desprezou seu direito de primogenitura por causa de um prato de lentilhas) ambos habitaram em lugares desérticos. Observe nas passagens bíblicas:
7- Ismael foi lançado errante no Deserto
“E cresceu o menino, e foi desmamado; então Abraão fez um grande banquete no dia em que Isaque foi desmamado. E viu Sara que o filho de Agar, a egípcia, o qual tinha dado a Abraão, zombava.
E disse a Abraão: Ponha fora esta serva e o seu filho; porque o filho desta serva não herdará com Isaque, meu filho. E pareceu esta palavra muito má aos olhos de Abraão, por causa de seu filho.
Porém Deus disse a Abraão: Não te pareça mal aos teus olhos acerca do moço e acerca da tua serva; em tudo o que Sara te diz, ouve a sua voz; porque em Isaque será chamada a tua descendência.
Mas também do filho desta serva farei uma nação, porquanto é tua descendência. Então se levantou Abraão pela manhã de madrugada, e tomou pão e um odre de água e os deu a Agar, pondo-os sobre o seu ombro; também lhe deu o menino e despediu-a; e ela partiu, andando errante no deserto de Berseba.” Gênesis 21:8-14
“Deus estava com o rapaz (Ismael), que cresceu, habitou no deserto e se tornou flecheiro; habitou no deserto de Parã, e sua mãe o casou com uma mulher da terra do Egito.” Gn 21:20-21.
“Dizei-me vós, os que quereis estar sob a lei: acaso, não ouvis a lei? Pois está escrito que Abraão teve dois filhos, um da mulher escrava e outro da livre. Mas o da escrava nasceu segundo a carne; o da livre, mediante a promessa.
Estas coisas são alegóricas; porque estas mulheres são duas alianças; uma, na verdade, se refere ao monte Sinai, que gera para escravidão; esta é Agar.
Ora, Agar é o monte Sinai, na Arábia, e corresponde à Jerusalém atual, que está em escravidão com seus filhos.
Mas a Jerusalém lá de cima é livre, a qual é nossa mãe; porque está escrito: Alegra-te, ó estéril, que não dás à luz, exulta e clama, tu que não estás de parto; porque são mais numerosos os filhos da abandonada que os da que tem marido.
Vós, porém, irmãos, sois filhos da promessa, como Isaque. Como, porém, outrora, o que nascera segundo a carne perseguia ao que nasceu segundo o Espírito, assim também agora.
Contudo, que diz a Escritura? Lança fora a escrava e seu filho, porque de modo algum o filho da escrava será herdeiro com o filho da livre. E, assim, irmãos, somos filhos não da escrava, e sim da livre.” Gl 4:21-31
Que interessante! Aqui há uma conexão entre o ser lançado “no deserto de Berseba” com a implicação da aliança da Lei que gera para a escravidão. Afinal foi isto o que aconteceu para com Ismael. Devemos nos lembrar que ele é fruto da “Aliança da Lei” tipificada por sua mãe como nos diz o livro de Gálatas.
“Estas coisas são alegóricas; porque estas mulheres são duas alianças; uma, na verdade, se refere ao monte Sinai, que gera para escravidão; esta é Agar. Ora, Agar é o monte Sinai, na Arábia, e corresponde à Jerusalém atual, que está em escravidão com seus filhos.”
Observe então a forma pela qual Deus age para formar Cristo e, neste propósito, nos levar ao descanso. Porque, mesmo Deus, não descansa enquanto nós não descansarmos. Estamos falando do processo do deserto para nos conduzir a Cristo e, por Cristo, ao descanso. Estamos falando do processo do deserto para gerar fé e dependência de Deus. Confiança em Deus.
Ou seja, o deserto deve nos conduzir ao DESCANSO pelo conhecimento de Deus e de Sua Graça. Ele é o Descanso! Porém, quando agimos “na carne” com base em nossos próprios esforços, buscando satisfazer nossas almas fora do tempo e da vontade de Deus, à despeito das promessas já feitas por Deus, ao contrário, somos levados ao deserto como CONSEQUÊNCIA e não como MEIO de transformação.
E foi exatamente pelo fato de “agir na carne”, embora tivesse as promessas, que Abraão sucumbiu e gerou Ismael. E este mesmo Ismael veio a morar no deserto.
8- Esaú foi lançado longe dos lugares férteis da Terra
“E disse Isaque a Jacó: Chega-te agora, para que te apalpe, meu filho, se és meu filho Esaú mesmo, ou não. Então se chegou Jacó a Isaque seu pai, que o apalpou, e disse: A voz é a voz de Jacó, porém as mãos são as mãos de Esaú.
E não o conheceu, porquanto as suas mãos estavam cabeludas, como as mãos de Esaú seu irmão; e abençoou-o. E disse: És tu meu filho Esaú mesmo? E ele disse: Eu sou.
Então disse: Faze chegar isso perto de mim, para que coma da caça de meu filho; para que a minha alma te abençoe. E chegou-lhe, e comeu; trouxe-lhe também vinho, e bebeu.
E disse-lhe Isaque seu pai: Ora chega-te, e beija-me, filho meu.
E chegou-se, e beijou-o; então sentindo o cheiro das suas vestes, abençoou-o, e disse: Eis que o cheiro do meu filho é como o cheiro do campo, que o Senhor abençoou;
Assim, pois, te (a Jacó) dê Deus do orvalho dos céus, e das gorduras da terra, e abundância de trigo e de mosto. Sirvam-te povos, e nações se encurvem a ti; sê senhor de teus irmãos, e os filhos da tua mãe se encurvem a ti; malditos sejam os que te amaldiçoarem, e benditos sejam os que te abençoarem.
E aconteceu que, acabando Isaque de abençoar a Jacó, apenas Jacó acabava de sair da presença de Isaque seu pai, veio Esaú, seu irmão, da sua caça;
E fez também ele um guisado saboroso, e trouxe-o a seu pai; e disse a seu pai: Levanta-te, meu pai, e come da caça de teu filho, para que me abençoe a tua alma.
E disse-lhe Isaque seu pai: Quem és tu? E ele disse: Eu sou teu filho, o teu primogênito Esaú. Então estremeceu Isaque de um estremecimento muito grande, e disse: Quem, pois, é aquele que apanhou a caça, e ma trouxe? E comi de tudo, antes que tu viesses, e abençoei-o, e ele será bendito.
Esaú, ouvindo as palavras de seu pai, bradou com grande e mui amargo brado, e disse a seu pai: Abençoa-me também a mim, meu pai. E ele disse: Veio teu irmão com sutileza, e tomou a tua bênção. Então disse ele: Não é o seu nome justamente Jacó, tanto que já duas vezes me enganou?
A minha primogenitura me tomou, e eis que agora me tomou a minha bênção. E perguntou: Não reservaste, pois, para mim nenhuma bênção?
Então respondeu Isaque a Esaú dizendo: Eis que o tenho posto por senhor sobre ti, e todos os seus irmãos lhe tenho dado por servos; e de trigo e de mosto o tenho fortalecido; que te farei, pois, agora, meu filho?
E disse Esaú a seu pai: Tens uma só bênção, meu pai? Abençoa-me também a mim, meu pai. E levantou Esaú a sua voz, e chorou. Então, lhe respondeu Isaque, seu pai: Longe dos lugares férteis da terra será a tua habitação, e sem orvalho que cai do alto. E pela tua espada viverás, e ao teu irmão servirás. Acontecerá, porém, que quando te assenhoreares, então sacudirás o seu jugo do teu pescoço.” Gênesis 27:21-40
Portanto, observe que, tanto Ismael quanto Esaú e os povos descendentes deles, são indicativos naturais (em figura) de realidades espirituais:
1- O fato de Esaú ter desprezado o direito de Primogenitura, ainda que ele, momentaneamente, estivesse a manifestar grande “fome”, teve sérias consequências futuras: foi lançado para longe dos lugares férteis da terra.
2- Da mesma maneira, o fato de Abraão ter buscado “ajudar” a Deus, agindo “na carne”, também trouxe a seu filho (seu “fruto”) Ismael sérias consequências: ele teve de “habitar” no deserto.
Logo, fica claro que priorizar o satisfazer as “necessidades imediatas” neste mundo, à parte de Deus; bem como o “agir independente” de Deus, desconsiderando Suas promessas, traz sem dúvida alguma, sérias consequências.
Isto aplicado às realidades espirituais para as quais estas figuras apontam é algo que deve ser considerado com muita seriedade.
9- O Pleno Descanso: As Festas Fixas e os 144.000 Selados – Características
9.1- A Imutabilidade dos Propósitos Divinos e Seus Caminhos Inescrutáveis
Aqui não podemos deixar de mencionar algo que demonstra a pré-ciência de Deus, assim como Seus planos muito mais elevados que os nossos, Seus propósitos Eternos cujo único fundamento chama-se Amor! Através destes pequenos parênteses, podemos meditar em todo o processo da Jornada no sentido de que:
- Já havia sido arquitetado e planejado por Deus, afinal, Ele “…não precisava de que alguém lhe desse testemunho a respeito do homem, porque ele mesmo sabia o que era a natureza humana.” Jo 2:25.
- A formação de Cristo em nós, o descanso, a verdadeira consagração é dependente da resposta que damos, como filhos, aos arranjos providenciais de Deus nesta peregrinação. “…Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e Me siga…”.
O item 01 manifesta o desejo de Deus de nos salvar, transformar e edificar.
O item 02 revela até que ponto, pela escolha do caminho da cruz, vamos dar lugar a este trabalhar de Deus em nós e, posteriormente, através de nós.
Neste sentido é bastante instrutivo analisarmos a Grandeza do Seu Amor e de Sua busca determinada pelos homens perdidos. É importante observar o Plano Redentor de Deus, com respeito à natureza humana, verificando como:
- A queda estava anunciada ANTES da formação Adão (Ele já sabia)
- A Redenção estava anunciada ANTES da colocação de Adão no Jardim (Ele já fazia e indicava o Caminho)
E porque isto é importante? Porque nos retira de nossa incredulidade e nos coloca prostrados diante de um (o Único) Deus que é tremendamente sábio e misericordioso. Se compreendermos a MENTE e o CORAÇÃO de Deus no Seu agir, então nós nos entregaríamos totalmente a Ele.
Nossa inquietação básica, como vimos, decorre de nossa desconfiança basal. Saber que ELE SABE TUDO ANTES e que ELE FAZ TUDO ANTES deveria nos assombrar; Ele é Deus!!
Muitos tomam isto como justificativa para tentar apaziguar suas angústias, ansiedades e preocupações; mas falam sem ter real consciência do que isto significa. Esta parte do estudo aqui é para mostrar isto e firmar isto na mente e coração dos irmãos. Em decorrência disto mudar nossas reações e respostas às circunstâncias e a Deus mesmo!!
Se então virmos e tivermos plena consciência que o Seu agir é para nos salvar, para nos curar, nos libertar, então porque toda esta desconfiança? Se isto é assim, fica a pergunta: Então porque, tantas vezes e em tantas circunstâncias, repetimos na caminhada, na peregrinação nesta terra, o que sucedeu aqueles israelitas no deserto?
10- A queda anunciada ANTES da formação de Adão
“E toda a planta do campo que ainda não estava na terra, e toda a erva do campo que ainda não brotava; porque ainda o Senhor Deus não tinha feito chover sobre a terra, e não havia homem para lavrar a terra.” Gênesis 2:5
Aqui temos de considerar três palavras-chave para a compreensão do item 01 acima mencionado. As palavras são:
- Cardos e Abrolhos
- Erva do Campo
- Lavrar a terra
Porque? Porque ambas as palavras são indicativas da pré-ciência de Deus acerca da queda do homem, mesmo ANTES de colocá-lo no jardim do Edén. Para tal basta que possamos verificar a sequência do texto em Gênesis e observar:
- Em Gn 2:2:6-9 é que Deus cria Adão e o coloca no Jardim do Éden.
- Em Gn 2:10-14 Deus, como que num parênteses, começa a dissertar sobre os Rios que saíam do Éden, aparentemente sem um motivo aparente de interrupção do tema em curso que era a formação do homem e a colocação do mesmo no Jardim.
- Em Gn 2:15-17 vemos Deus dando a Adão as instruções de “cultivar e guardar” o Jardim. E a instrução para não comer da árvore do conhecimento do bem e do mal.
Agora observe: em Gn 3:17-19 vemos Deus dando a Adão como penalidade pela sua desobediência, portanto após a queda:
- O fato de a terra produzir cardos e abrolhos. Esta é uma menção significativa, pois os homens são comparados a árvores em toda a Bíblia. Os cardos e abrolhos são da mesma raiz dos espinheiros. (ver “Estudo sobre as Árvores).
- “E tú, comerás a erva do campo…”. Ora, a erva do campo só viria a aparecer quando houvesse chuva na terra. E isto só se deu depois da queda, mais especificamente, no Dilúvio. Compare com Gn 2:5.
- E em Gn 3:23 vemos a menção de que o Senhor lançou o homem fora do Jardim “…a fim de lavrar a terra…”. Lavrar a terra é muito diferente do que cultivar e guardar. Basta que se consulte um dicionário para verificar ambas expressões.
Agora, se percebemos que Deus sabia da queda ANTES de criar o homem, devemos entender que Ele preparou a redenção ANTES de que o homem viesse a transgredir. Como sabemos? Para isto devemos analisar os Rios do Éden.
11- A Redenção anunciada ANTES da colocação de Adão no Jardim.
11.1- O Amor restaurador de Deus e os Rios do Éden
Características do Rio de Deus e seus quatro braços que saia do Éden.
“No capitulo 2 de Gênesis há a árvore da vida e o rio que saia do Éden. Ali essa árvore é explicitamente chamada de árvore da vida, mas o rio não foi chamado de rio da vida. Todavia nós sabemos que a árvore da vida nasce na margem do rio da vida, como está em Apocalipse. Se a árvore está relacionada com a vida, é plausível dizer o mesmo a respeito do rio”.
Apocalipse 22:1-2 “E mostrou-me o rio puro da água da vida, claro como cristal, que procedia do trono de Deus e do Cordeiro. No meio da sua praça, e de um e de outro lado do rio, estava a árvore da vida, que produz doze frutos, dando seu fruto de mês em mês; e as folhas da árvore são para a saúde das nações.”
A Árvore da vida aponta para o Senhor Jesus, pois Ele disse que é a Vida (Jo 14:6), a própria Vida que é a luz dos homens (Jo 1:4). Assim a árvore da vida simboliza o Senhor Jesus, mas a Bíblia diz que a árvore da Vida está na margem do rio, e esse rio aponta para o Espírito Santo.
O Conceito de rio é vital em toda a Palavra de Deus.
“E saía um rio do Éden para regar o jardim e dali se dividia, repartindo-se em quatro braços.
- O primeiro chama-se Pisom; é o que rodeia a terra de Havilá, onde há ouro. O ouro dessa terra é bom; também se encontram lá o bdélio e a pedra de ônix.
- O segundo rio chama-se Giom; é o que circunda a terra de Cuxe.
- O nome do terceiro rio é Tigre; é o que corre pelo oriente da Assíria.
- E o quarto é o Eufrates.” Gn 2:10-14
Esse rio que saia do Éden se dividia em quatro braços, ou seja, possui quatro extensões. Nós sabemos que o rio aponta para a obra do Espírito de Deus que flui com um rio do nosso interior. O número quatro na Bíblia, via de regra, fala do aspecto universal, ou seja, algo que se deseja ainda que implicitamente manifestar como algo que alcance a todos!
“No último dia, o grande dia da festa, levantou-se Jesus e exclamou: Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva. Isto ele disse com respeito ao Espírito que haviam de receber os que nele cressem; pois o Espírito até aquele momento não fora dado, porque Jesus não havia sido ainda glorificado.” Jo 7:37-39
O Rio é um só mais tem quatro braços e esses braços nos fala da obra completa do Espírito Santo. São eles:
- Pisom
- Giom
- Tigre
- Eufrates
11.2- Primeiro Braço – Pisom
Pisom significa “fluindo gratuitamente” (Is. 55:1).
Segundo a concordância Strong também pode ter o significado de “crescimento ou aumento” . Isto nos fala do Espírito Santo de Deus, que nos foi dado gratuitamente. Isaías nos diz:.
1- “Ó vós, todos os que tendes sede (Estação de Mara), vinde às águas, e os que não tendes dinheiro, vinde, comprai, e comei (Estação do Deserto de Sim); sim, vinde, comprai, sem dinheiro e sem preço, vinho e leite…”.
__É sem dinheiro e sem preço porque ninguém pode pagar, é a graça de Deus estendida a nós. Esse rio está correndo hoje no meio do povo de Deus, fluindo do nosso interior pela graça.
__Na margem do rio Pisom havia OURO. O Rio da vida tem poder de trazer o ouro. O ouro simboliza a natureza e a glória de Deus. Isto nos mostra que o fluir deste rio tem o poder de manifestar em nós a natureza divina.
Na margem do rio Pisom também o BDÉLIO. O bdélio é uma fragrante goma resinosa parecida à mirra em aspecto, e às vezes usada para adulterá-la. É obtida de uma árvore (Commiphora africana) encontrada no NO da África e na Arábia, e também de um tipo relacionado no NO da Índia.
Trata-se dum gênero de pequenas árvores ou arbustos de aspecto mirrado, e espinhoso, e com pouca folhagem, que cresce em lugares quentes e ensolarados.
Quando se corta a casca, podemos obter uma seiva ou goma fragrante, resinosa. Depois de a goma ser removida da árvore, ela logo endurece, torna-se cerácea e transparente, e tem aparência similar a uma pérola.
Na descrição da terra de Havilá, circundada pelo rio Písom (um dos quatro defluentes do rio que saía do Éden), faz-se menção das suas coisas valiosas: ouro, bdélio e pedra de ônix. (Gn2:11, 12).
Em Números 11:7, diz-se que o maná que os israelitas recolhiam durante a peregrinação no ermo tinha “aspecto de bdélio”. O maná fora anteriormente comparado à “geada sobre a terra”. (Êx16:14). Isto corresponde à cor esbranquiçada do bdélio.
Ou seja, observe este item em conexão com o fato de Deus ter dado a eles o maná no deserto. Isto é extremamente significativo. Medite nisto, mas especialmente sob esta perspectiva no tocante a esta Estação.
Na margem do rio Pisom também a PEDRA DE ÔNIX. A característica mais marcante nesta pedra, sob o ponto de vista espiritual, é sua capacidade de se deixar moldar. O apóstolo a ela relacionado é Felipe.
A “terra de Havilá” era uma fonte destacada de ônix nos primitivos tempos bíblicos. (Gn2:11, 12). As pedras de ônix se achavam entre os objetos de valor contribuídos para a fabricação das coisas relacionadas com o tabernáculo de Israel. (Êx 25:1-3, 7).
Os “nomes dos filhos de Israel… pela ordem dos seus nascimentos” foram gravados em duas pedras de ônix (seis nomes em cada pedra), colocadas sobre as ombreiras do éfode do sumo sacerdote “como pedras memoriais para os filhos de Israel” (Ex 28:9-12).
Outra pedra de ônix foi gravada com o nome de uma das 12 tribos de Israel, e foi colocada no centro da quarta fileira de pedras (Ex 28:20) no “peitoral do julgamento” do sumo sacerdote. — Êx 28:9-12; 15-21; 35:5, 9, 27; 39:6-14.
Mais tarde, Davi preparou pessoalmente muitas coisas valiosas, inclusive pedras de ônix, para a construção do prospectivo templo em Jerusalém. (ICr 29:2)
O ônix também se achava entre as pedras preciosas que serviam como “cobertura” figurada do “rei de Tiro” no texto registrado em Ezequiel. (Ez 28:12, 13)
Jó, reconhecendo o valor da sabedoria, declarou que a pessoa não poderia comprar a sabedoria inestimável e piedosa com “a rara pedra de ônix” e outras coisas preciosas. — Jó 28:12, 16.
11.3- Observação acerca de “Havilá”
Havilá é um personagem bíblico do Antigo Testamento, mencionado no livro de Gênesis como um dos filhos de Joctã da descendência de Sem (Gênesis 10.29) associado ao Haik armênio.
Na descrição do Jardim do Éden, o nome Havilá é mencionado como um dos locais rodeados pelo rio Pisom onde haveria ouro e pedra preciosa.
E saía um rio do Éden para regar o jardim; e dali se dividia e se tornava em quatro braços, O nome do primeiro é Pisom; este é o que rodeia a terra de Havilá, onde há ouro. E o ouro dessa terra é bom; ali há o bdélio e a pedra sardônica. (Gênesis 2:10-12)
De acordo com Gênesis, há um outro personagem bíblico da linhagem camita com o mesmo nome de Havilá, o qual seria o segundo filho de Cuxe.
Entretanto, acredita-se que a terra de Havilá que consta na descrição do Éden deveria referir-se ao Havilá descendente de Sem.
Isto porque enquanto Cam teria sido o pai dos cananeus, egípcios, filisteus, hititas e amoritas, Sem teria dado origem aos hebreus, caldeus, assírios, persas e sírios já que Havilá localizava-se na Armênia ou na Mesopotâmia
11.4- Segundo Braço- Giom
Giom significa “correnteza forte”. Segundo a concordância Strong, significa “uma correnteza que arrebenta as margens”, ou “o grande romper das águas”.
Isso nos mostra que o rio da vida é um rio de correnteza violenta. Essa correnteza quebra aquilo que está oprimindo e prendendo. Esse rio tem poder de quebrar cadeias, porque a unção quebra o julgo que está sobre as costas.
Diz a palavra de Deus que esse rio vai para Cuxe, que hoje é a Etiópia. O Fato de ir para Cuxe mostra o poder do rio para mudar aquilo que não podemos por nós mesmos.
Jeremias 13:23
“Porventura pode o etíope mudar a sua pele, ou o leopardo as suas manchas? Então podereis vós fazer o bem, sendo ensinados a fazer o mal”.
__Embora não possamos mudar a cor de nossa pele, ou seja, mudar a nossa natureza humana, a forte correnteza do rio de DEUS nos transformar até nos glorificar.
__O Rio de Deus tem o poder de nos transformar. Não importa o que você era, nem que você é, se esse rio fluir do seu interior, ele tem o poder de transformá-lo.
12- Terceiro Braço – Tigre
O Terceiro braço do rio é chamado de Tigre. A palavra tigre é Hidéquelem hebraico, e significa “rápido”.
Isso aponta para a obra do Espírito Santo em nós pode ser forte e relativamente rápida. Se permitirmos ao rio de Deus mover em nós, veremos a mudança rapidamente.
Esse braço do rio flui da Assíria. A palavra Assíria conforme o Strong significa “ir em frente, progredir (no sentido de ser bem sucedido)”. Geograficamente representa uma terra plana onde o rio tem a capacidade de promover uma inundação. Isto mostra que esse rio tipifica a fonte de vida abundante no Senhor.
“O ladrão não vem senão a roubar, a matar, e a destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância.”(Jo 10:10).
Deus quer dar a nós uma vida de Inundação, como diz o Salmo 84; quando passar pelo vale árido, você fará desse vale um manancial de vida.
Aquele que é cheio do Espírito, aonde chega não tem sequidão e nem aridez. O ambiente pode estar pesado mais quando chega fica Livre, ainda que esteja tudo seco, por causa do fluir do rio de dentro dele, logo começa a aparecer os brotinhos verdes de vida. Aquele que é cheio de Deus tem vida para si e tem em abundância para abençoar os que estão ao derredor dele também..
13- Quarto Braço – Eufrates
Eufrates em hebraico significa “doce e fértil”. Segundo a concordância Strong, significa também “frutífero”.
Gloria a Deus porque o último braço do rio nos faz doces e frutíferos diante de Deus. Somente podemos dar frutos se o rio da vida estiver fluindo do nosso interior..
“Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. Contra estas coisas não há lei.”(Gl. 5:22-23)
O Rio da vida tem fluido e tem sido assim desde o princípio, em Gênesis, era o rio com os quatro braços que banhava o Éden e que possuía ouro em suas margens (Gn 2:10-14).
Gloria a Deus por esse rio que nos torna frutíferos que nos dá a capacidade de Gerar, que cura toda esterilidade.
Que esses rios possam Fluir do Seu interior gratuitamente, com correntezas fortes levando toda sujeira e te purificando, que possa ser rápido e possa trazer fertilidade do Senhor pra cada um de nós.
14- O Descanso e os 144.000 selados
Neste ponto temos de abordar, ainda que panoramicamente para não nos desviarmos tanto dos temas relacionados a esta estação, a questão da relação entre o descanso e os 144.000 selados citados em Apocalipse. Para tanto, temos de entender dois assuntos muito importantes na Palavra:
- O Ciclo das Festas Fixas do Senhor, em especial, a partir da Festa das Primícias. Isto nos permitirá entender a relação destes 144.000 selados com o Descanso. E, posteriormente, veremos a relação do Descanso com o Ano do Jubileu.
- As duas Casas: a Casa de Israel (Efraim-Gentios) e a Casa de Judá (Judá, Benjamim e Levitas Sacerdotes-Judeus) e a relação destes com os 144.000 (cento e quarenta e quatro mil) selados.
15- Ciclo das Festas Fixas do Senhor
Importante salientar que já fizemos um resumo detalhado das Festas Fixas do Senhor, estudo este que integra o Resumo do livro de Levítico e que pretendemos abordar quando estivermos na Estação do Monte Sinai. Porém aqui, vamos abordá-las mais panoramicamente, pois o foco é a relação destas e os 144.000 selados. Precisamos verificar:
- Que relação há entre o Descanso e os 144.000 selados.
- Onde podemos ver os 144.000 selados nas Festas Fixas do Senhor.

Obs: Interessante notar que ao mencionar as Festas Fixas do Senhor, a primeira coisa que é mencionada é o sábado. Porque? O que isto significa?
16- Páscoa/Pães Ázimos – Festas do Primeiro Mês
16.1- Páscoa
Ex 12:1-36 Instituição da Páscoa
Lv 23:4-8 Festa da Páscoa
Jo 1:29-31 João chama Jesus de “o Cordeiro de Deus”
Is 53:1-12 O Cordeiro é um homem e entrega a Sua Vida.
I Co 5:7-8 Jesus é o Cordeiro Pascal
Jo 6:47-55 Carne do Cordeiro Comer a Minha Carne
O Pão que desce do céu – Maná Minha Carne
Ap 5:1-14 O Cordeiro é o Leão da Tribo de Judá
Rm 5:6-9 Paulo tem em mente o dia da saída do povo de Deus do Egito
Para sair do Egito temos de ser justificados
Na lei vemos que o povo e os sacerdotes entregavam o Cordeiro
O Cordeiro era sacrificado no no Altar de Holocausto.
Era o prenúncio de que eles O entregariam (Povo/Sacerdotes)
para ser crucificado. E assim o foi, para nos dar Vida.
Ex 12:43-50 Só podiam comer da Páscoa os circuncidados.
Gl 5:1-12 Quem se circuncidar deve “guardar toda a Lei”
No contexto do A.T. implicava, em “cumprir a Lei”.
Isto implicava em percorrer todas as Festas Fixas do Senhor.
Se alguém não o fizesse morreria. O ciclo das Festas era anual.
Lv 23:1-3 Atenção para a expressão “Festas Fixas”.
A palavra no hebraico é “Moed”.
Ela significa “Tempos Determinados”, “Reunião Determinada”.
O sufixo “ed” significa “Testemunho”.
A raiz hebraica aponta para “prometer em casamento”.
Obs: Esta é uma chave bíblica muito importante, pois está a apontar para a palavra “estações” ou “tempos determinados” mencionada em diversos texto, mas em especial, em Gênesis.
Gn 1:14 Estações Tempos Determinados.
- Os luzeiros nos céus apontavam para as Festas, para Tempos Determinados.
- Todas as Festas eram regidas pelo Ciclo da Lua.
- O calendário hebreu é lunissolar.
Um calendário lunissolar é um calendário baseado nos movimentos da lua e do sol. Neste tipo de calendário, procura-se harmonizar a duração do ano solar com os ciclos mensais da lua através de ajustamentos periódicos. Assim os doze meses têm ao todo 354 dias e os dias que faltam para corresponder ao ciclo solar obtêm-se através da introdução periódica de um mês extra, o chamado 13o mês lunar.
- A ordem de Deus a Israel era que, em cada Lua Nova, que marcava o início dos meses lunares do calendário judaico, se tocassem trombetas sobre as suas Ofertas Queimadas.
Nm 10:10 No princípio dos meses se tocavam trombetas
Eles tocavam trombetas:
- No dia da vossa alegria
- Nas vossas solenidades
- No princípio dos meses
Nm 28:11-15 A relação do princípio dos meses com a Lua Nova
Obs: A lua foi dada como “Tempos Determinados”, estações, conforme Gênesis, e sabemos que as Festas correspondem a “Tempos Determinados” de Deus (Gn 1:14-18)
16.2- Pães Ázimos
Lv 23:4-8 Festa dos Pães Ázimos
1º Dia Santa Convocação Nenhuma Obra servil fareis Descanso.
7º Dia Idem
Obs: É importante entender que em cada Festa existiam pelo menos dois sábados: o sábado da Festa e o sábado da semana. Em ambos a instrução-chave para esta compreensão era: “nenhuma obra servil fareis”. O detalhamento do significado desta Festa está no contido no resumo do Livro de Levítico e será oportunamente abordado na Estação do Monte Sinai
Primícias/Pentecostes – Festas do Terceiro Mês
17.1- Primícias
Lv 23:9-14 Era comemorada quando da entrada na Terra
Colheita dos primeiros frutos Primícias
Js 3:2 A entrada na Terra se deu ao terceiro Dia (Morte/Ressurreição)
Obs: Dia imediato ao sábado Domingo (Primeiro Dia da Semana)As primícias eram movidas para que eles fossem aceitos. Relação direta com a Oferta Queimada, de Holocausto.
I Co 15:12-23 O 1º Dia da semana, neste contexto de I Co, aponta para ressurreição
Por este motivo Paulo entendeu que Cristo é as Primícias.
Cristo é, então, a as Primícias citadas na Lei. Fica bastante claro!!
Obs: Assim como todo o povo era aceito no 1º dia da Festa das Primícias pelo fato de que aquele molho de trigo ter sido movido perante o Senhor, assim também Deus está apresentando Cristo como Primícias para que o povo seja aceito!
Jo 12:24 Cristo foi plantado e Ele foi colhido como Primícias desta colheita.
O fato de “mover o molho” é representativo de algo que é ofertado a Deus e, depois, devolvido como bênção retida em favor do povo.
Pentecostes
18.1- Pentecostes – Diagrama Explicativo
| Sábado | Domingo | Segunda | Terça | Quarta | Quinta | Sexta | Sábado | Domingo |
| 7 | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | |
| 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | ||
| 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | ||
| 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | ||
| 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | ||
| 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | ||
| 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 1 |
- 1- Domingo 144.000 – Primícias 50 (Pentecostes – Primícias)
- 2 Ungidos 2 Casas – Israel e Judá.
Lv 23:17 Há uma ordem estabelecida por Deus:
- Neste ponto o povo tinha de entregar ao sacerdote DOIS PÃES feitos desta Primícia.
- O povo seria aceito por meio destes dois pães (nova Oferta) e, observe a Misericórdia de Deus, LEVEDADOS.
- Os pães apontavam para as 12 tribos do Israel (de Deus). Muito provavelmente tipificando AS DUAS CASAS DE ISRAEL.
3.1 – Ex 25:23-30 Perpetuamente na Presença do Senhor
3.2 – Lv 24:5-9 12 Pães, 12 Tribos, 2 fileiras de 6 pães/cada
Obs: O Israel de Deus é representado pelos 2 pães e já apontavam para as duas Casas de Israel (Judeus e Gentios). Precisamos entender o que isto significa. Tanto o significado do nome ISRAEL quanto a realidade espiritual das duas Casas.
- Cristo é as Primícias. Estes dois pães foram feitos destas Primícias, ou seja, de Cristo.
- Eram dois pães UNGIDOS Importante Ex 29:1-3
- A palavra “untadas” vem da raiz hebraica “UNGIR”.
- São dois ungidos diante de Deus apresentados como Primícias.
- A unção significa Poder Pentecostes (Revestimento de Poder)
- Observe que quem é movido agora são estes dois pães, ou seja, são eles que são consagrados ao Senhor e “retidos” em favor do povo. (Lv 23:20).
- Em Apocalipse 11:-13 vemos DUAS TESTEMUNHAS ungidas profetizando. Possivelmente são representativos das DUAS CASAS DE ISRAEL, tipificadas em Moisés (Lei) e Elias (Profetas) – Lc 24:27.
Os 144.000 Selados – Características
“Olhei, e eis o Cordeiro em pé sobre o monte Sião, e com ele cento e quarenta e quatro mil, tendo na fronte escrito o seu nome e o nome de seu Pai. Ouvi uma voz do céu como voz de muitas águas, como voz de grande trovão; também a voz que ouvi era como de harpistas quando tangem a sua harpa.
Entoavam novo cântico diante do trono, diante dos quatro seres viventes e dos anciãos. E ninguém pôde aprender o cântico, senão os cento e quarenta e quatro mil que foram comprados da terra.
São estes os que não se macularam com mulheres, porque são castos. São eles os seguidores do Cordeiro por onde quer que vá. São os que foram redimidos dentre os homens, primícias para Deus e para o Cordeiro” Ap 14:1-4.
19-1 Aspectos relacionados à correta interpretação:
- Ap 19:6 Voz de muitas águas Falar para todas as nações
- I Cr 15:16 Tocavam harpas/Louvor Eram levitas sacerdotes.
- “Comprados da terra” Sentido de comprado de escravidão, ser redimido, isto fala de REDENÇÃO.
- Na Páscoa, o Senhor compra e redime Seu povo.
- Nas Primícias, eles são aceitos.
- Da farinha da Primícia, os pães untados, são feitas primícias.
- O objetivo dos 2 pães é:
7.1- Lincar com as 12 tribos do Israel (de Deus)
7.2- Lincar com as Duas Casas de Israel (Judeus e Gentios)
7.3- Lincar com as duas Testemunhas (Possivelmente simbolizando as Duas Casas de Israel).
Por isto, possivelmente, os 144.000 não seriam (nesta visão) literais.
| 12 | x | 12 | x | 1000 | = | 144.000 |
| Discípulos | Tribos | Milênio | Primícias | |||
| Gentios | Judeus | para Deus | ||||
19.2- Características destes 144.000 selados:
- São um Reino de Sacerdotes Vão tocar trombeta
- Povo santo e santificado que é Primícias para Deus
- São castos e não se entregaram a “outros amores”, ou seja, não se entregaram aos ídolos
- Seguem o Cordeiro por onde quer que Ele vá. Visão e obediência. Relação clara com a Nuvem, no caso do deserto. Se deixam trabalhar pelo Senhor.
- Foram libertos da escravidão no Egito. Foram comprados da terra.
- Descansam no Senhor, negam-se a si mesmos, são consagrados e quebram o vasinho de alabastro para liberar o perfume de Cristo, pois não consideram suas vidas preciosas para si mesmos (At 20:24).
Mais à frente, veremos detalhadamente o que foi aqui mencionado, ou seja, que os 2 (dois) pães simbolizam as duas casas de Israel profetizadas por toda a Escritura e plenamente revelada na dispensação da Nova Aliança.
Diagrama Explicativo sobre as Duas Casas de Israel

Profeta Oséias
“Todavia, o número dos filhos de Israel será como a areia do mar, que se não pode medir, nem contar; e acontecerá que, no lugar onde se lhes dizia: Vós não sois meu povo, se lhes dirá: Vós sois filhos do Deus vivo. Os filhos de Judá e os filhos de Israel se congregarão, e constituirão sobre si uma só cabeça, e subirão da terra, porque grande será o dia de Jezreel.” Os 1:10-11
Observações para correta interpretação:
- Congregarão Estabelecer uma única assembleia.
- Subirão da terra florescerão, significa brotar.
- Jezreel Nome que significa “Deus semeia” dando a ideia de plantio. Aqui há uma ligação direta com Jo 12:24, sendo Cristo a semente.
Profeta Ezequiel
“Tu, pois, ó filho do homem, toma um pedaço de madeira e escreve nele: Para Judá e para os filhos de Israel, seus companheiros; depois, toma outro pedaço de madeira e escreve nele: Para José, pedaço de madeira de Efraim, e para toda a casa de Israel, seus companheiros.
Ajunta-os um ao outro, faze deles um só pedaço, para que se tornem apenas um na tua mão. Quando te falarem os filhos do teu povo, dizendo: Não nos revelarás o que significam estas coisas? Tu lhes dirás: Assim diz o SENHOR Deus: Eis que tomarei o pedaço de madeira de José, que esteve na mão de Efraim, e das tribos de Israel, suas companheiras, e o ajuntarei ao pedaço de Judá, e farei deles um só pedaço, e se tornarão apenas um na minha mão.
Os pedaços de madeira em que houveres escrito estarão na tua mão, perante eles. Dize-lhes, pois: Assim diz o SENHOR Deus: Eis que eu tomarei os filhos de Israel de entre as nações para onde eles foram, e os congregarei de todas as partes, e os levarei para a sua própria terra.
Farei deles uma só nação na terra, nos montes de Israel, e um só rei será rei de todos eles. Nunca mais serão duas nações; nunca mais para o futuro se dividirão em dois reinos. Nunca mais se contaminarão com os seus ídolos, nem com as suas abominações, nem com qualquer das suas transgressões; livrá-los-ei de todas as suas apostasias em que pecaram e os purificarei. Assim, eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus.
O meu servo Davi reinará sobre eles; todos eles terão um só pastor, andarão nos meus juízos, guardarão os meus estatutos e os observarão. Habitarão na terra que dei a meu servo Jacó, na qual vossos pais habitaram; habitarão nela, eles e seus filhos e os filhos de seus filhos, para sempre; e Davi, meu servo, será seu príncipe eternamente.
Farei com eles aliança de paz; será aliança perpétua. Estabelecê-los-ei, e os multiplicarei, e porei o meu santuário no meio deles, para sempre. O meu tabernáculo estará com eles; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. As nações saberão que eu sou o SENHOR que santifico a Israel, quando o meu santuário estiver para sempre no meio deles.” Ez 37:16-28
Profeta Jeremias
“Naquele tempo, diz o SENHOR, serei o Deus de todas as tribos de Israel, e elas serão o meu povo. Assim diz o SENHOR: O povo que se livrou da espada logrou graça no deserto. Eu irei e darei descanso a Israel.
De longe se me deixou ver o SENHOR, dizendo: Com amor eterno eu te amei; por isso, com benignidade te atraí. Ainda te edificarei, e serás edificada, ó virgem de Israel! Ainda serás adornada com os teus adufes e sairás com o coro dos que dançam.
Ainda plantarás vinhas nos montes de Samaria; plantarão os plantadores e gozarão dos frutos. Porque haverá um dia em que gritarão as atalaias na região montanhosa de Efraim: Levantai-vos, e subamos a Sião, ao SENHOR, nosso Deus!
Porque assim diz o SENHOR: Cantai com alegria a Jacó, exultai por causa da cabeça das nações; proclamai, cantai louvores e dizei: Salva, SENHOR, o teu povo, o restante de Israel.
Eis que os trarei da terra do Norte e os congregarei das extremidades da terra; e, entre eles, também os cegos e aleijados, as mulheres grávidas e as de parto; em grande congregação, voltarão para aqui.
Virão com choro, e com súplicas os levarei; guiá-los-ei aos ribeiros de águas, por caminho reto em que não tropeçarão; porque sou pai para Israel, e Efraim é o meu primogênito.
Ouvi a palavra do SENHOR, ó nações, e anunciai nas terras longínquas do mar, e dizei: Aquele que espalhou a Israel o congregará e o guardará, como o pastor, ao seu rebanho.
Porque o SENHOR redimiu a Jacó e o livrou da mão do que era mais forte do que ele. Hão de vir e exultar na altura de Sião, radiantes de alegria por causa dos bens do SENHOR, do cereal, do vinho, do azeite, dos cordeiros e dos bezerros; a sua alma será como um jardim regado, e nunca mais desfalecerão.
Então, a virgem se alegrará na dança, e também os jovens e os velhos; tornarei o seu pranto em júbilo e os consolarei; transformarei em regozijo a sua tristeza. Saciarei de gordura a alma dos sacerdotes, e o meu povo se fartará com a minha bondade, diz o SENHOR.
Assim diz o SENHOR: Ouviu-se um clamor em Ramá, pranto e grande lamento; era Raquel chorando por seus filhos e inconsolável por causa deles, porque já não existem.
Assim diz o SENHOR: Reprime a tua voz de choro e as lágrimas de teus olhos; porque há recompensa para as tuas obras, diz o SENHOR, pois os teus filhos voltarão da terra do inimigo.
Há esperança para o teu futuro, diz o SENHOR, porque teus filhos voltarão para os seus territórios. Bem ouvi que Efraim se queixava, dizendo: Castigaste-me, e fui castigado como novilho ainda não domado; converte-me, e serei convertido, porque tu és o SENHOR, meu Deus.
Na verdade, depois que me converti, arrependi-me; depois que fui instruído, bati no peito; fiquei envergonhado, confuso, porque levei o opróbrio da minha mocidade.
Não é Efraim meu precioso filho, filho das minhas delícias? Pois tantas vezes quantas falo contra ele, tantas vezes ternamente me lembro dele; comove-se por ele o meu coração, deveras me compadecerei dele, diz o SENHOR.
Põe-te marcos, finca postes que te guiem, presta atenção na vereda, no caminho por onde passaste; regressa, ó virgem de Israel, regressa às tuas cidades.
Até quando andarás errante, ó filha rebelde? Porque o SENHOR criou coisa nova na terra: a mulher infiel virá a requestar um homem. Assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: Ainda dirão esta palavra na terra de Judá e nas suas cidades, quando eu lhe restaurar a sorte: O SENHOR te abençoe, ó morada de justiça, ó santo monte!
Nela, habitarão Judá e todas as suas cidades juntamente, como também os lavradores e os que pastoreiam os rebanhos. Porque satisfiz à alma cansada, e saciei a toda alma desfalecida.
Nisto, despertei e olhei; e o meu sono fora doce para mim. Eis que vêm dias, diz o SENHOR, em que semearei a casa de Israel e a casa de Judá com a semente de homens e de animais.
Como velei sobre eles, para arrancar, para derribar, para subverter, para destruir e para afligir, assim velarei sobre eles para edificar e para plantar, diz o SENHOR.
Naqueles dias, já não dirão: Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos é que se embotaram. Cada um, porém, será morto pela sua iniquidade; de todo homem que comer uvas verdes os dentes se embotarão.
Eis aí vêm dias, diz o SENHOR, em que firmarei nova aliança com a casa de Israel e com a casa de Judá. Não conforme a aliança que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito; porquanto eles anularam a minha aliança, não obstante eu os haver desposado, diz o SENHOR.
Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o SENHOR: Na mente, lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas inscreverei; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo.
Não ensinará jamais cada um ao seu próximo, nem cada um ao seu irmão, dizendo: Conhece ao SENHOR, porque todos me conhecerão, desde o menor até ao maior deles, diz o SENHOR. Pois perdoarei as suas iniqüidades e dos seus pecados jamais me lembrarei.
Assim diz o SENHOR, que dá o sol para a luz do dia e as leis fixas à lua e às estrelas para a luz da noite, que agita o mar e faz bramir as suas ondas; SENHOR dos Exércitos é o seu nome.
Se falharem estas leis fixas diante de mim, diz o SENHOR, deixará também a descendência de Israel de ser uma nação diante de mim para sempre. Assim diz o SENHOR: Se puderem ser medidos os céus lá em cima e sondados os fundamentos da terra cá embaixo, também eu rejeitarei toda a descendência de Israel, por tudo quanto fizeram, diz o SENHOR.” Jr 31:1-37
Observações para correta interpretação:
- Observe que neste texto, ao final, se estabelece uma correlação entre o restabelecimento das duas casas e a imutabilidade de Deus manifestada pelas Leis fixas estabelecidas nos luminares que foram dados para “tempos determinados”.
- Assim, Deus planta por meio de Cristo e colhe o que semeou através das duas casas unificadas (respondendo a um só Cabeça), apontando, portanto, para o Corpo de Cristo.
Obs: O estudo detalhado sobre as Duas Casas de Israel será apresentado mais à frente para a devida compreensão da importância de seu significado neste contexto do Descanso apontando para o Milênio.
A Criação de Deus, os 144.000 selados e o Sétimo Dia
- Deus criou o mundo em 6 (seis) dias e descansou no 7º (sétimo). Mas Is 40:28 diz que Deus não se cansa, nem se fatiga. Logo a questão tem conotação espiritual e traz em si mesma uma revelação escondida.
- Ao criar, Deus pré-anunciava coisas grandiosas que haveriam de acontecer:
2.1- A Vinda de Seu Filho quando disse HAJA LUZ
2.2- A Separação de Reinos quando fez a separação entre Luz e Trevas. Observe que foi, neste ponto, que os luminares foram criados e, consequentemente, estabelecido os TEMPOS DETERMINADOS.
Ora, a palavra hebraica para FESTAS FIXAS do Senhor é MOED, que significa TEMPOS DETERMINADOS. Logo, há aqui a junção dos aspectos espirituais entre A CRIAÇÃO e o CALENDÁRIO DAS FESTAS, notadamente apontando para o CALENDÁRIO AGRÍCOLA DE ISRAEL.
Obs: Deus nos deu uma parábola através de números ligados à Criação:
A- 144.000 = 400 Anos x 360 Dias/Ano Escravidão Egito
B- 144 = 6 Dias x 24 Horas/Dia Trabalho de Deus na Criação
C- 144 côvados Medida da muralha da Nova Jerusalém.
Obs: Tudo parece apontar para o fato de que na Nova Jerusalém uma nítida separação entre os dias de ESCRAVIDÃO (ao Pecado, ao Mundo, ao Ego e etc…) e o DESCANSO. Paulo parecia compreender isto muito bem. II Co 5:1-10 e Rm 8:18-25.
D- Depois vem o 7º (sétimo) Dia que fala do Descanso.
A correlação entre Ap 12 e Ex 19 apontam para o Ano do Jubileu
Obs: Veremos mais à frente com maior detalhes o que significa O JUBILEU.
- Em Apocalipse, no capítulo 12, temos um texto bastante interessante:
1º Sinal:
A- Mulher vestida de sol
B- Com a lua debaixo dos pés
C- E uma coroa de 12 estrelas na cabeça
D- Grávida, com dores de parto
E- Sofrendo tormentos para dar à luz
2º Sinal
- Dragão grande e vermelho
- 7 (sete) cabeças, 7 (sete) diademas e 10 (dez) chifres.
- A cauda arrasta a 3ª (terceira) parte das estrelas do céu.
Então:
- Nasce o filho varão e é arrebatado para o Trono de Deus
- A mulher foge para o deserto onde vai ser sustentada por 1260 dias
- Estes eventos acima guardam relação e similaridade com Êxodo 19:
2.1- Mulher (esposa) tipificando Igreja e Israel (*) vai para o deserto.
2.2- É guardada por um período de 3,5 anos em (Ap) e 40 anos em (Ex)
2.3- É levada com asas de águia – Ap 12:14 e Ex 19:4
2.4- Este Dia simbolizava um casamento Ez 20.
2.5- Era o Dia de Pentecostes (60+3-13) = 50 Isto pré-anuncia o Pentecostes/Jubileu
2.6- Faraó soltou um exército para “pegar” Israel Ex 14:4
2.7- O dragão vai perseguir a mulher no deserto Ap 12:13-14
2.8- A terra abriu a boca e engoliu o rio que o dragão tinha arrojado de sua boca – Ap 12:16
2.9- O mar engoliu Faraó e seu exército – Ex 14:28
2.10- O dragão é assemelhado ao monstro do mar – Is 27:1.
Conclusões importantes
- Vemos que há um evidente paralelismo entre Ap 12 e Ex 19.
- Na verdade, há um evidente paralelismo entre as pragas do Êxodo e as pragas de Apocalipse.
- Deus estava levando sua esposa para o deserto tanto em Êxodo quanto em Apocalipse e ao terceiro Dia haverá um casamento. Observe como a figura do deserto é sempre reiterada nas Escrituras. O deserto cumpre uma função nos propósitos de Deus acerca de nossas vidas.
- Porque? Porque no ano 50, do Jubileu, era decretada a libertação dos escravos e o perdão das dívidas. Lv 25:8-28.
- Observe que desde a saída dos filhos de Israel do Egito temos 50 dias que aponta para o Jubileu e onde a trombeta era tocada.
- Ocorre que a palavra exata não é Jubileu e sim Chifre de Carneiro, exatamente como aconteceu em Ex 19:19.
- Como para Deus 1 Dia = 1.000 anos, então este 3º (terceiro) Dia de Êxodo é bastante significativo quando olhamos para a Obra do Senhor na cruz em conexão com Apocalipse.
- Isto estaria a indicar que o Senhor teria vindo no 4º (quarto) milênio, executou a Obra da expiação, ascendeu aos céus onde permanece até o final do 6º (sexto) milênio e então retorna, ressurreto o Cristo Corporativo (Cabeça + Corpo) ao 7º (sétimo) Dia, o Dia do descanso.
- 400 anos x 360 dias/ano = 144.000 dias Tempo de escravidão no Egito
10- Ou seja, para cada dia de escravidão, o Senhor estabelece previamente que haveria, em tipologia, 01 (hum) eleito no Senhor para celebrar Festa ao Senhor (Ex 5:1).
A correlação entre Gn 01 e Jo 01 testificam o Ano do Jubileu
- Evidentemente há uma clara correlação entre Gn 01 e Jo 01.
- Basta correlacionar os itens mencionados em ambas passagens.
- Observe o que acontece em Gn 01 no quarto dia: “ Disse também Deus: Haja luzeiros no firmamento dos céus, para fazerem separação entre o dia e a noite; e sejam eles para sinais, para estações, para dias e anos. E sejam para luzeiros no firmamento dos céus, para alumiar a terra. E assim se fez. Fez Deus os dois grandes luzeiros: o maior para governar o dia, e o menor para governar a noite; e fez também as estrelas. E os colocou no firmamento dos céus para alumiarem a terra, para governarem o dia e a noite e fazerem separação entre a luz e as trevas. E viu Deus que isso era bom. Houve tarde e manhã, o quarto dia.” Gn 1:14-19
- Observe que a palavra “ESTAÇÕES”, neste sentido, aponta para os “TEMPOS DETERMINADOS”, como vimos anteriormente. Marca claramente a questão temporal no sentido cronológico. Aqui parece indicar que o tempo CRONOS E KAIRÓS se unem com respeito à entrada do Messias na Criação, estabelecendo o “Tempo Determinado” a partir do qual toda a Criação, incluindo a natureza humana, seria redimida e restaurada como indica o significado espiritual do Jubileu.
- Se tomarmos a correlação entre Gn 01 e Jo 01 chegamos a algo impressionante:
5.1- Jo 1:29 “No dia seguinte…” 2º Dia
5.2- Jo 1:35 “No dia seguinte…” 3º Dia
5.3- Jo 1:43 “No dia seguinte…” 4º Dia Encarnação do Verbo
5.4- Jo 2:1 “Ao terceiro dia…” 7º Dia Casamento em Caná da Galiléia. O noivo vem para o casamento. Observe que em Jo 1:51, Jesus faz uma menção implícita a escada mencionada no sonho de Jacó.
- Logo, como Mediador de uma Nova Aliança, Jesus veio no 4º Dia, ou no 4º Milênio, e estabeleceu a ligação entre o céu e a terra.
- Tudo isto aponta para o Ano do Jubileu, para a plena redenção, para o descanso do Sétimo Dia, para o Milênio.
A Redenção e o Ano do Jubileu
A palavra “redenção” chega até nós baseada em um costume do A.T. Quando os filhos de Israel tomaram posse da Terra Prometida, certas provisões foram feitas para que a terra ficasse distribuída equitativamente entre o povo.
As propriedades poderiam ser vendidas ou o dono poderia dispor delas de outras maneiras, mas o documento de venda seria mais um papel de arrendamento, que expiraria automaticamente no ANO DO JUBILEU, quando então as propriedades retornariam aos seus proprietários de origem.
Se um homem perdia sua propriedade ou a vendia, prejudicando seus próprios filhos, qualquer parente poderia readquirir, a qualquer tempo, as terras, ao pagar o preço da compra; então as terras seriam devolvidas aos seus legítimos proprietários.
Este processo era conhecido como redenção, e o homem que a comprava de volta era chamado de redentor. Posteriormente, as terras passavam realmente às mãos dos legítimos herdeiros, e eles a ocupavam. Isto era denominado “redenção da possessão adquirida”.
Quando um parente redimia uma propriedade qualquer desta forma, era passado um documento comprobatório. Pelo lado de dentro eram escritas as especificações, as condições de venda, etc… E, pelo lado de fora eram apostas as assinaturas do vendedor e do comprador e as das testemunhas. Este documento era enrolado e selado.
O rolo selado era entregue ao proprietário de origem ou aos herdeiros. O herdeiro, quando bem achasse conveniente, poderia quebrar os selos; e então, munido do rolo aberto que provava seus direitos, tomava posse da terra até mesmo à força, se necessário. Há uma transação assim mencionada em Jr 32:6-44 em conexão com Jr 33:1-26.
A terra já foi redimida no sentido de que o preço da redenção já foi pago. O documento de posse, portanto, está na mão direita daquele que está assentado no Trono.
O diabo, porém, sendo o “iníquo”, não reconhece lei alguma. Não somente recusa-se a desocupar a propriedade, mas cada vez se fortalece mais e se prepara para resistir à expulsão. Portanto, será necessário partir os selos e fazer valer a autoridade conferida pelo rolo aberto.
A Redenção da Possessão Adquirida e o Pleno Descanso
“em quem também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa; o qual é o penhor da nossa herança, até ao resgate da sua propriedade, em louvor da sua glória.” Ef 1:13-14
Uma herança é propriedade de alguém; uma possessão adquirida também o é. Entretanto, há certa diferença entre uma possessão herdada e uma possessão comprada. Talvez se trate da mesma propriedade; a diferença se encontra na forma em que o proprietário veio entrar na posse da mesma. Esta forma de linguagem se encontra baseada no A.T. e dizia respeito às leis concernentes às terras.
“Também a terra não se venderá em perpetuidade, porque a terra é minha; pois vós sois para mim estrangeiros e peregrinos. Portanto, em toda a terra da vossa possessão dareis resgate à terra. Se teu irmão empobrecer e vender alguma parte das suas possessões, então, virá o seu resgatador, seu parente, e resgatará o que seu irmão vendeu.” Lv 25:23-25.
Redimir é comprar de volta algo que o legítimo herdeiro perdeu. Uma possessão adquirida, portanto, não era uma possessão permanente, mas estava sempre sujeita à redenção. Aquele que adquirisse uma possessão não poderia ficar tranquilo de que provera um lar para si mesmo e para sua família.
Nunca se sabia em que momento algum parente do proprietário anterior se apresentaria com o preço da redenção; o que equivalia ao aluguel que ainda restava até as terras serem devolvidas, NO ANO DO JUBILEU, quando então, automaticamente, retornariam ao herdeiro original.
As possessões adquiridas eram, portanto, meramente temporárias e jamais perpétuas. Somente a possessão herdada era segura. O processo de restauração das terras aos seus legítimos herdeiros era chamado de redenção; e o parente que as restaurava mediante o pagamento do preço era chamado redentor. Tudo isto tipificava a grande redenção de todo o planeta.
A terra é atualmente uma possessão adquirida. Nos cartórios há registros dos nomes dos proprietários temporários, e não de proprietários permanentes das terras. Parte destas terras talvez tenha sido recebida em herança, de outros parentes, mas continua sendo possessão adquirida, porquanto “ao Senhor pertence a terra e tudo que nela se encontra”.
Ora, os santos são herdeiros, co-herdeiros juntamente com Cristo. Todavia não recebemos a nossa herança quando somos salvos. A terra ainda não foi redimida; mas já recebemos o Espírito Santo, a certeza do cumprimento da Promessa de Deus relativa à nossa herança, até que se realize a redenção da possessão adquirida.
A redenção da possessão adquirida tem um lado legal; a redenção, é, na verdade, um processo legal. O parente próximo, ou redentor, que podia e estava disposto a pagar o preço da redenção, após pagar o preço, tomava o rolo selado na mão direita do legítimo proprietário e abria os selos do mesmo. E o rolo assim aberto era o documento legal que lhe conferia o poder de expulsar o usurpador e dar posse novamente ao legítimo dono. Assim sendo, o abrir dos selos equivalia a queimar a hipoteca.
Devemos notar que REDENÇÃO e REGENERAÇÃO são duas fases distintas de um único processo. Cada um dos selos que são abertos no livro do Apocalipse não se trata de outra coisa senão uma tremenda tarefa de regeneração da parte de Deus. Todos os resultados maléficos do pecado precisam ser destruídos, pois eles se arraigaram profundamente na terra e na natureza humana.
Obs: Ver Diagrama de Apocalipse – Selos, Trombetas e Taças.
Somente Deus sabe até onde o pecado penetrou na criação original e perfeita. Tudo deve ser expurgado. Cada uma destas sete últimas pragas tem um alvo bem definido; cada uma delas tem um propósito específico. Se qualquer das pragas fosse omitida, então haveria uma porção não purificada.
Nos tempos do fim podemos ponderar que, nunca, em toda a história da terra, desde o livro de Gênesis, Satanás terá estado em possessão mais completa da terra do que então. Jesus chamou-o de príncipe deste mundo, e ele realmente se tornará um monarca.
O milênio será a nova formação de um mundo perfeito. O expurgo virá primeiro, depois a restauração. Desta forma, fica evidente que o DESCANSO, em seu sentido mais pleno e bíblico, não se trata de ter momentos de oásis nos desertos deste mundo, como ocorreu em Elim, mas desfrutar PAZ, ALEGRIA E JUSTIÇA no Espírito Santo, em uma nova terra totalmente purificada e pacificada.
E, evidentemente implica em sermos libertos do cativeiro da corrupção, manifestada interiormente em nós mesmos e que tende a levar-nos a transgredir os mandamentos de Deus. O descanso, neste aspecto, implica também em sermos libertos desta luta interior tão violenta contra nós mesmos. Logo, não são questões só de natureza exterior, mas fundamentalmente questões ligadas à natureza interior.
Retornando ao estudo sequencial das Festas neste Contexto…
Trombetas/Expiação/Tabernáculos – Festas do Sétimo Mês
Trombetas
- A Festa de Trombetas em seu aspecto espiritual iniciou, de fato, no Pentecostes, com a Igreja e vai até a 7ª e última trombeta. Ver detalhes no Estudo detalhado contido em Levítico.
Expiação
- Aqui temos de mencionar que aponta para Cristo entrando no Santo dos Santos.
- Sl 110:1 Cristo no Santuário Celestial
- Dn 7:13-14 Fizeram chegar o Filho do Homem ao Ancião de Dias.
- Dn 9:22-24 Consumação definitiva de todas as coisas.
- Hb 8:1-13 A entrada figurada do sacerdote no Tabernáculo como figura das realidades celestiais.
- Assim como o Sumo Sacerdote entrava no Santo dos Santos para fazer expiação pelo povo, assim ao sair, Ele se dirigia para conduzir o povo a Festa de Tabernáculos.
- Logo isto tem haver com o Sábado, o Ano Sabático e, especialmente, o Jubileu.
- Na expiação conforme Levítico 16 vemos 2 (dois) bodes
8.1- O bode oferecido como Oferta pelo Pecado
8.2- O bode emissário que aponta para Ismael e Esaú (citados anteriormente, pois foram lançados aos lugares desérticos da terra)
8.3- Ismael foi lançado ao deserto (Gn 21:8-14).
8.4- Esaú foi lançado longe dos lugares férteis da terra (Gn 27:38-40).
Obs: Ambos não teriam como frutificar, pois nada se colhe no deserto.
- Jacó iria ficar com as partes férteis da terra e é por esta causa que o profeta Daniel cita, no capítulo 08, o bode e o carneiro. Ambos são animais mencionados no Dia da Expiação.
Obs: Note como é importante o entendimento do Ciclo das Festas paralelamente ao deserto como instrumento de Deus para nos transformar com vistas a algo muito maior, segundo Seu Eterno Propósito.
Tabernáculos/Festa das Colheitas
- Festa que aponta para a Justiça Eterna.
- O povo saiu do Egito, onde eles experimentavam:
2.1- Era uma fornalha de ferro – Dt 4:20
2.2- Lá se ouvia o gemido do povo – Ex 2:23
2.3- Eles experimentavam vida de escravos, falta de paz, falta de alegria e eram escravos do pecado.
2.4- Local de aflição e clamor por libertação – Ex 3:7
- É por esta causa que o apóstolo Paulo ao citar o Reino de Deus, ele “rivaliza” com o que o Egito simbolizava para o povo. O Reino de Deus é Paz, Alegria e Justiça. Exatamente o que eles não experimentavam no Egito.
Deuteronômio
“Lembrar-te-ás de que foste servo no Egito, e guardarás estes estatutos, e os cumprirás. A Festa dos Tabernáculos, celebrá-la-ás por sete dias, quando houveres recolhido da tua eira e do teu lagar. Alegrar-te-ás, na tua festa, tu, e o teu filho, e a tua filha, e o teu servo, e a tua serva, e o levita, e o estrangeiro, e o órfão, e a viúva que estão dentro das tuas cidades. Sete dias celebrarás a festa ao SENHOR, teu Deus, no lugar que o SENHOR escolher, porque o SENHOR, teu Deus, há de abençoar-te em toda a tua colheita e em toda obra das tuas mãos, pelo que de todo te alegrarás.” Dt 16:12-15
Observações para correta interpretação:
- Eira Cereal (Relação com o frutificar das Duas Casas de Israel)
- Lagar Uvas (Simbolizando a alegria do Reino)
Apocalipse
“Aqui está a perseverança dos santos, os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus. Então, ouvi uma voz do céu, dizendo: Escreve: Bem-aventurados os mortos que, desde agora, morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que descansem das suas fadigas, pois as suas obras os acompanham.
Olhei, e eis uma nuvem branca, e sentado sobre a nuvem um semelhante a filho de homem, tendo na cabeça uma coroa de ouro e na mão uma foice afiada. Outro anjo saiu do santuário, gritando em grande voz para aquele que se achava sentado sobre a nuvem: Toma a tua foice e ceifa, pois chegou a hora de ceifar, visto que a seara da terra já amadureceu!
E aquele que estava sentado sobre a nuvem passou a sua foice sobre a terra, e a terra foi ceifada. Então, saiu do santuário, que se encontra no céu, outro anjo, tendo ele mesmo também uma foice afiada. Saiu ainda do altar outro anjo, aquele que tem autoridade sobre o fogo, e falou em grande voz ao que tinha a foice afiada, dizendo: Toma a tua foice afiada e ajunta os cachos da videira da terra, porquanto as suas uvas estão amadurecidas!” Ap 14:12-18.
Observações para correta interpretação:
- O cereal vai ser colhido e vai para o celeiro de Deus
- Os cachos da videira serão vindimados para juízo.
- Este é o ponto da última colheita do ciclo.
Levítico
“São estas as festas fixas do SENHOR, que proclamareis para santas convocações, para oferecer ao SENHOR oferta queimada, holocausto e oferta de manjares, sacrifício e libações, cada qual em seu dia próprio,
além dos sábados do SENHOR, e das vossas dádivas, e de todos os vossos votos, e de todas as vossas ofertas voluntárias que dareis ao SENHOR. Porém, aos quinze dias do mês sétimo, quando tiverdes recolhido os produtos da terra, celebrareis a festa do SENHOR, por sete dias; ao primeiro dia e também ao oitavo, haverá descanso solene.
No primeiro dia, tomareis para vós outros frutos de árvores formosas, ramos de palmeiras, ramos de árvores frondosas e salgueiros de ribeiras; e, por sete dias, vos alegrareis perante o SENHOR, vosso Deus. Celebrareis esta como festa ao SENHOR, por sete dias cada ano; é estatuto perpétuo pelas vossas gerações; no mês sétimo, a celebrareis.
Sete dias habitareis em tendas de ramos; todos os naturais de Israel habitarão em tendas, para que saibam as vossas gerações que eu fiz habitar os filhos de Israel em tendas, quando os tirei da terra do Egito. Eu sou o SENHOR, vosso Deus. Assim, declarou Moisés as festas fixas do SENHOR aos filhos de Israel.” Lv 23:37-44
Observações para correta interpretação:
- Produtos da terra: trigo e uvas, exatamente como acima.
Apocalipse
“Depois destas coisas, vi, e eis grande multidão que ninguém podia enumerar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do trono e diante do Cordeiro, vestidos de vestiduras brancas, com palmas nas mãos;
e clamavam em grande voz, dizendo: Ao nosso Deus, que se assenta no trono, e ao Cordeiro, pertence a salvação. Todos os anjos estavam de pé rodeando o trono, os anciãos e os quatro seres viventes, e ante o trono se prostraram sobre o seu rosto, e adoraram a Deus, dizendo: Amém! O louvor, e a glória, e a sabedoria, e as ações de graças, e a honra, e o poder, e a força sejam ao nosso Deus, pelos séculos dos séculos. Amém! Um dos anciãos tomou a palavra, dizendo: Estes, que se vestem de vestiduras brancas, quem são e donde vieram?
Respondi-lhe: meu Senhor, tu o sabes. Ele, então, me disse: São estes os que vêm da grande tribulação, lavaram suas vestiduras e as alvejaram no sangue do Cordeiro, razão por que se acham diante do trono de Deus e o servem de dia e de noite no seu santuário; e aquele que se assenta no trono estenderá sobre eles o seu tabernáculo.
Jamais terão fome, nunca mais terão sede, não cairá sobre eles o sol, nem ardor algum, pois o Cordeiro que se encontra no meio do trono os apascentará e os guiará para as fontes da água da vida. E Deus lhes enxugará dos olhos toda lágrima.” Ap 7:9-17
Observações para correta interpretação:
- Este povo estava indo para a Festa das Cabanas.
- Palmas nas mãos, de palmeiras.
- Lavaram as suas vestes e as alvejaram no Sangue do Cordeiro. Isto tipifica os redimidos por causa do trabalho do Sumo Sacerdote no Santo dos Santos.
- Tudo isto acontecia, em especial, no Ano Sabático e no Ano Jubileu.
- O Ano Jubileu relaciona-se ao Ano Aceitável do Senhor.
Casa de Judá e Casa de Israel – A Plenitude dos Tempos
Para o correto e pleno entendimento desta Verdade Bíblica é necessário juntar três questões importantes. São elas:
- As Promessas de Deus a Abraão, Isaque e Jacó.
- O entendimento da verdadeira causa da divisão da Casa de Israel
- Gênesis 48: a bênção de Jacó a Efraim na frente de Manassés
“Em Ti serão benditas todas as famílias da Terra”
Abraão
“Ora, disse o SENHOR a Abrão: Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai e vai para a terra que te mostrarei; de ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome. Sê tu uma bênção! Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas todas as famílias da terra.” Gn 12:1-3
Ênfase Em Ti serão benditas todas as famílias da terra
“Disse o SENHOR a Abrão, depois que Ló se separou dele: Ergue os olhos e olha desde onde estás para o norte, para o sul, para o oriente e para o ocidente; porque toda essa terra que vês, eu te darei, a ti e à tua descendência, para sempre. Farei a tua descendência como o pó da terra; de maneira que, se alguém puder contar o pó da terra, então se contará também a tua descendência.” Gn 13:14-16
Ênfase Descendência como o pó da terra Aspecto terreno.
“Quando atingiu Abrão a idade de noventa e nove anos, apareceu-lhe o SENHOR e disse-lhe: Eu sou o Deus Todo-Poderoso; anda na minha presença e sê perfeito. Farei uma aliança entre mim e ti e te multiplicarei extraordinariamente. Prostrou-se Abrão, rosto em terra, e Deus lhe falou: Quanto a mim, será contigo a minha aliança; serás pai de numerosas nações. Abrão já não será o teu nome, e sim Abraão; porque por pai de numerosas nações te constituí.” Gn 17:1-5
Ênfase Pai de numerosas nações, multidão de nações
“E pôs Abraão por nome àquele lugar – O SENHOR Proverá. Daí dizer-se até ao dia de hoje: No monte do SENHOR se proverá. Então, do céu bradou pela segunda vez o Anjo do SENHOR a Abraão e disse: Jurei, por mim mesmo, diz o SENHOR, porquanto fizeste isso e não me negaste o teu único filho, que deveras te abençoarei e certamente multiplicarei a tua descendência como as estrelas dos céus e como a areia na praia do mar; a tua descendência possuirá a cidade dos seus inimigos, nela serão benditas todas as nações da terra, porquanto obedeceste à minha voz.” Gn 22:14-18
Ênfase Descendência como as estrelas dos céus Aspecto celestial.
Descendência como a areia da praia do mar Aspecto terreno
Isaque
“Sobrevindo fome à terra, além da primeira havida nos dias de Abraão, foi Isaque a Gerar, avistar-se com Abimeleque, rei dos filisteus. Apareceu-lhe o SENHOR e disse: Não desças ao Egito. Fica na terra que eu te disser; habita nela, e serei contigo e te abençoarei; porque a ti e a tua descendência darei todas estas terras e confirmarei o juramento que fiz a Abraão, teu pai. Multiplicarei a tua descendência como as estrelas dos céus e lhe darei todas estas terras. Na tua descendência serão abençoadas todas as nações da terra; porque Abraão obedeceu à minha palavra e guardou os meus mandados, os meus preceitos, os meus estatutos e as minhas leis.” Gn 26:1-4
Ênfase: Repetição das promessas feitas a Abraão
Jacó
“Partiu Jacó de Berseba e seguiu para Harã. Tendo chegado a certo lugar, ali passou a noite, pois já era sol-posto; tomou uma das pedras do lugar, fê-la seu travesseiro e se deitou ali mesmo para dormir. E sonhou: Eis posta na terra uma escada cujo topo atingia o céu; e os anjos de Deus subiam e desciam por ela. Perto dele estava o SENHOR e lhe disse: Eu sou o SENHOR, Deus de Abraão, teu pai, e Deus de Isaque. A terra em que agora estás deitado, eu te darei, a ti e à tua descendência. A tua descendência será como o pó da terra; estender-te-ás para o Ocidente e para o Oriente, para o Norte e para o Sul. Em ti e na tua descendência serão abençoadas todas as famílias da terra.” Gn 28:10-14
Ênfase Descendência com o pó da terra e todas famílias abençoadas.
“Vindo Jacó de Padã-Arã, outra vez lhe apareceu Deus e o abençoou. Disse-lhe Deus: O teu nome é Jacó. Já não te chamarás Jacó, porém Israel será o teu nome. E lhe chamou Israel. Disse-lhe mais: Eu sou o Deus Todo-Poderoso; sê fecundo e multiplica-te; uma nação e multidão de nações sairão de ti, e reis procederão de ti. A terra que dei a Abraão e a Isaque dar-te-ei a ti e, depois de ti, à tua descendência.” Gn 35:9-12
Ênfase Uma nação (Judeus-Judá) e uma multidão de nações (Gentios-Efraim)
Linha Cronológica da História do Povo de Israel
| Peregrinação no | Conquista de | Opressão, sofrimento e instabilidade pelo afastamento do | ||
| Deserto | Canaã | Senhor e de Sua Palavra. Vida guiada pelas cobiças da alma | ||
| 40 Anos no Deserto | Josué – Canaã | Instabilidade da Alma : 450 anos dos Juízes | ||
| 120 anos –> Reino Unificado: Saul, Davi e Salomão | Reino Dividido | ||||||||
| 2 Tribos- Roboão | 10 Tribos- Jeroboão | ||||||||
| 40 anos de Saul | 40 anos de Davi | 40 anos de Salomão | Casa de Judá | Casa de Israel | |||||
A Divisão da Casa de Israel: Considerações Bíblicas Importantes
- A Casa de Israel vai ser espalhada entre as nações com o propósito de salvar os gentios.
- E o motivo disto está descrito em Os 1:10. Israel vai deixar de ser povo, porém depois os chamará de volta.
- Ao final, a Casa de Judá e a Casa de Israel vão se tornar um só povo e um só reino. Isto está descrito em:
3.1- Ez 37:16 em diante
3.2- Jr 31:31 em diante
3.3- Os 1:10 em diante.
- A causa da divisão do reino está contida em I Rs 11:1-13
- A 2ª (segunda) tribo que vai compor a Casa de Judá é Benjamim I Rs 12:21.
- Temos que entender que esta separação foi determinada por Deus mesmo, segundo Seus desígnios e Seus planos mais elevados, conforme podemos observar em I Rs 12:24.
- Jeroboão era efraimita e foi, portanto, propositadamente colocado sobre a Casa de Israel conforme I Rs 11:26 para cumprir a promessa feita a Abraão, Isaque e Jacó Multidão de Nações. Efraim = Frutífero.
- Importante observar a fé de Abraão. Ele creu que Deus era poderoso para ressuscitar Isaque dentre os mortos ao 3º (terceiro) dia Gn 22:4 e Hb 11:19.
- Nós também cremos que Deus ressuscitou Cristo ao 3º (terceiro) dia.
- O ponto de inflexão nesta promessa encontra-se em Gn 35:10-11. Neste ponto Deus troca o nome de Jacó para Israel e associa este fato ao fato de que dele sairão NAÇÃO (JUDEUS) E MULTIDÃO DE NAÇÕES (GENTIOS).
- Em Os 1:1-11, vemos menções a nomes que tem um significado extremamente importante:
11.1- Jezreel Deus semeia
11.2- Lo Ruama Desfavorecida
11.3- Lo Ami Não Meu Povo
Obs: Neste ponto vemos claramente que Deus menciona que a Casa de Israel já não é mais povo.
- A Casa de Judá permaneceu, embora os atos contrários à Palavra, embora em menor grau que Israel, porque de Judá viria o Messias.
- Portanto, Judeus em essência, não são as 12 (doze) tribos, mas somente Judá e Benjamim.
- E é por este motivo que Paulo cita que é da tribo de Benjamim em Fp 3:5 quando fala da verdadeira circuncisão.
- Judeu, hoje, em essência, são os de Judá, os de Benjamim e alguns levitas sacerdotes que vivem em Judá.
- A Casa de Israel, ao ser dispersa, teve sua configuração traçada nos samaritanos, em Samaria. Foram completamente misturados. Basta analisar II Rs 17:1-41.
- Não sem motivo, Oséias significa YHWH é Salvação.
- Em Os 1:11 temos a chave para este entendimento, pois nos mostra que as duas Casas de Judá e Efraim vão constituir um único Cabeça, que é Cristo.
- “…e subirão da terra…” SUBIR, BROTAR, ASCENDER, CRESCER.
- “…grande é o Dia de Jezreel…” grande é o Dia que Deus semeia.
- Aqui há uma clara correlação com as Festas, com foco na Festas das Primícias e Pentecostes:
- Os dois pães, conforme Lv 23:17, como já mencionado, simbolizam a Casa de Judá (Judeus) e a Casa de Israel (Gentios).
- Só entende a parábola da figueira quem entende o que estava profetizado a respeito da Casa de Israel.
- Só entende Jo 15 quem entende Os 14.
Oséias
“Curarei a sua infidelidade, eu de mim mesmo os amarei, porque a minha ira se apartou deles. Serei para Israel como orvalho, ele florescerá como o lírio e lançará as suas raízes como o cedro do Líbano. Estender-se-ão os seus ramos, o seu esplendor será como o da oliveira, e sua fragrância, como a do Líbano. Os que se assentam de novo à sua sombra voltarão; serão vivificados como o cereal e florescerão como a vide; a sua fama será como a do vinho do Líbano. Ó Efraim, que tenho eu com os ídolos? Eu te ouvirei e cuidarei de ti; sou como o cipreste verde; de mim procede o teu fruto. Quem é sábio, que entenda estas coisas; quem é prudente, que as saiba, porque os caminhos do SENHOR são retos, e os justos andarão neles, mas os transgressores neles cairão.” Os 14:4-9
- “Estenderão os seus ramos…”. A palavra utilizada para “ramos” é a mesma utilizada em Jo 15.
- “Serão vivificados como o cereal…”. Ligação com a Festa das Primícias e Pentecostes.
- “O Senhor é como o cipreste verde, de Mim procede o seu fruto…”. Menção análoga a Jo 15.
- A Festa das Primícias fala de Cristo, mas fala também de nós.
- Envolve as primeiras e as últimas chuvas. A temporã e a serôdia.
- Isto significa que a Casa de Israel e a Casa de Judá vão subir, vão brotar, por causa das chuvas, sem o que a plantação não tem como florescer. Eles vão subir, vão florescer, porque grande é o Dia de Jezreel.
- Eles, juntos, vão constituir a Videira. Porque isto vai apontar para Tabernáculos que é uma celebração onde temos o trigo e a uva.
- Quando se fala de Primícias, se fala de chuvas, pois sem chuvas não tem como recolher os frutos.
- Por isto, a colheita final, no final dos tempos, e de acordo com o próprio calendário agrícola de Israel, implica no derramamento de Poder que se dá em Pentecostes. E Pentecostes é a época da chuva serôdia.
- Isto guarda relação com Apocalipse e as Primícias para Deus; os 144.000 selados.
- É na base das Primícias que o povo era aceito diante de Deus.
Diagrama explicativo do Calendário Agrícola de Israel
Obs: Veja a relação das colheitas com as chuvas e com as Festas Fixas
Efésios
“Portanto, lembrai-vos de que, outrora, vós, gentios na carne, chamados incircuncisão por aqueles que se intitulam circuncisos, na carne, por mãos humanas, naquele tempo, estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança e sem Deus no mundo. Mas, agora, em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, fostes aproximados pelo sangue de Cristo. Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos fez um; e, tendo derribado a parede da separação que estava no meio, a inimizade, aboliu, na sua carne, a lei dos mandamentos na forma de ordenanças, para que dos dois criasse, em si mesmo, um novo homem, fazendo a paz, e reconciliasse ambos em um só corpo com Deus, por intermédio da cruz, destruindo por ela a inimizade. E, vindo, evangelizou paz a vós outros que estáveis longe e paz também aos que estavam perto; porque, por ele, ambos temos acesso ao Pai em um Espírito. Assim, já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos, e sois da família de Deus, edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular; no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para santuário dedicado ao Senhor, no qual também vós juntamente estais sendo edificados para habitação de Deus no Espírito.” Ef 2:11-22.
Oséias
“Vinde, e tornemos para o SENHOR, porque ele nos despedaçou e nos sarará; fez a ferida e a ligará. Depois de dois dias, nos revigorará; ao terceiro dia, nos levantará, e viveremos diante dele. Conheçamos e prossigamos em conhecer ao SENHOR; como a alva, a sua vinda é certa; e ele descerá sobre nós como a chuva, como chuva serôdia que rega a terra. Que te farei, ó Efraim? Que te farei, ó Judá? Porque o vosso amor é como a nuvem da manhã e como o orvalho da madrugada, que cedo passa.” Os 6:1-4
Considerações importantes sobre esta passagem:
- A expressão despedaçar é equivalente a expressão rasgar.
- Ocorre que esta expressão liga I Rs 11:31 com Os 6:1-4.
- A mesma questão é abordada em Os 5:1-15.
- Portanto, ao final, Ele nos pergunta: “afinal, quem é sábio para entender estas coisas?”
Jeremias
“Eis aí vêm dias, diz o SENHOR, em que firmarei nova aliança com a casa de Israel e com a casa de Judá. Não conforme a aliança que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito; porquanto eles anularam a minha aliança, não obstante eu os haver desposado, diz o SENHOR.
Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o SENHOR: Na mente, lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas inscreverei; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. Não ensinará jamais cada um ao seu próximo, nem cada um ao seu irmão, dizendo: Conhece ao SENHOR, porque todos me conhecerão, desde o menor até ao maior deles, diz o SENHOR. Pois perdoarei as suas iniquidades e dos seus pecados jamais me lembrarei.
Assim diz o SENHOR, que dá o sol para a luz do dia e as leis fixas à lua e às estrelas para a luz da noite, que agita o mar e faz bramir as suas ondas; SENHOR dos Exércitos é o seu nome. Se falharem estas leis fixas diante de mim, diz o SENHOR, deixará também a descendência de Israel de ser uma nação diante de mim para sempre.
Assim diz o SENHOR: Se puderem ser medidos os céus lá em cima e sondados os fundamentos da terra cá embaixo, também eu rejeitarei toda a descendência de Israel, por tudo quanto fizeram, diz o SENHOR.” Jr 31:31-37.
Considerações Importantes:
- Muito interessante esta passagem. Porque ela não somente liga a Casa de Judá com a Casa de Israel, como O Senhor se utiliza das Leis Fixas relacionada aos luminares (sol e lua) que foram criados no 4º Dia de onde se iniciam as estações ou Tempos Determinados. Ou seja, liga tudo o que vimos até então.
- Esta é a menção de uma Nova Aliança para aqueles que haviam sido rejeitados.
- Neste ponto fica claro o fato de o Senhor citar a Imutabilidade de Seus Propósitos associando com as Leis Fixas, os Tempos Determinados.
Ezequiel
“Tu, pois, ó filho do homem, toma um pedaço de madeira e escreve nele: Para Judá e para os filhos de Israel, seus companheiros; depois, toma outro pedaço de madeira e escreve nele: Para José, pedaço de madeira de Efraim, e para toda a casa de Israel, seus companheiros.
Ajunta-os um ao outro, faze deles um só pedaço, para que se tornem apenas um na tua mão. Quando te falarem os filhos do teu povo, dizendo: Não nos revelarás o que significam estas coisas?
Tu lhes dirás: Assim diz o SENHOR Deus: Eis que tomarei o pedaço de madeira de José, que esteve na mão de Efraim, e das tribos de Israel, suas companheiras, e o ajuntarei ao pedaço de Judá, e farei deles um só pedaço, e se tornarão apenas um na minha mão.
Os pedaços de madeira em que houveres escrito estarão na tua mão, perante eles. Dize-lhes, pois: Assim diz o SENHOR Deus: Eis que eu tomarei os filhos de Israel de entre as nações para onde eles foram, e os congregarei de todas as partes, e os levarei para a sua própria terra.
Farei deles uma só nação na terra, nos montes de Israel, e um só rei será rei de todos eles. Nunca mais serão duas nações; nunca mais para o futuro se dividirão em dois reinos.
Nunca mais se contaminarão com os seus ídolos, nem com as suas abominações, nem com qualquer das suas transgressões; livrá-los-ei de todas as suas apostasias em que pecaram e os purificarei. Assim, eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus.
O meu servo Davi reinará sobre eles; todos eles terão um só pastor, andarão nos meus juízos, guardarão os meus estatutos e os observarão. Habitarão na terra que dei a meu servo Jacó, na qual vossos pais habitaram; habitarão nela, eles e seus filhos e os filhos de seus filhos, para sempre; e Davi, meu servo, será seu príncipe eternamente.
Farei com eles aliança de paz; será aliança perpétua. Estabelecê-los-ei, e os multiplicarei, e porei o meu santuário no meio deles, para sempre. O meu tabernáculo estará com eles; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. As nações saberão que eu sou o SENHOR que santifico a Israel, quando o meu santuário estiver para sempre no meio deles.” Ez 37:16-28
Jeremias
“Convertei-vos, ó filhos rebeldes, diz o SENHOR; porque eu sou o vosso esposo e vos tomarei, um de cada cidade e dois de cada família, e vos levarei a Sião.
Dar-vos-ei pastores segundo o meu coração, que vos apascentem com conhecimento e com inteligência. Sucederá que, quando vos multiplicardes e vos tornardes fecundos na terra, então, diz o SENHOR, nunca mais se exclamará: A arca da Aliança do SENHOR! Ela não lhes virá à mente, não se lembrarão dela nem dela sentirão falta; e não se fará outra.
Naquele tempo, chamarão a Jerusalém de Trono do SENHOR; nela se reunirão todas as nações em nome do SENHOR e já não andarão segundo a dureza do seu coração maligno. Naqueles dias, andará a casa de Judá com a casa de Israel, e virão juntas da terra do Norte para a terra que dei em herança a vossos pais.” Jr 3:14-18
Isaías
“Naquele dia, recorrerão as nações à raiz de Jessé que está posta por estandarte dos povos; a glória lhe será a morada. Naquele dia, o Senhor tornará a estender a mão para resgatar o restante do seu povo, que for deixado, da Assíria, do Egito, de Patros, da Etiópia, de Elão, de Sinar, de Hamate e das terras do mar.
Levantará um estandarte para as nações, ajuntará os desterrados de Israel e os dispersos de Judá recolherá desde os quatro confins da terra. Afastar-se-á a inveja de Efraim, e os adversários de Judá serão eliminados; Efraim não invejará a Judá, e Judá não oprimirá a Efraim.Antes, voarão para sobre os ombros dos filisteus ao Ocidente; juntos, despojarão os filhos do Oriente; contra Edom e Moabe lançarão as mãos, e os filhos de Amom lhes serão sujeitos.
O SENHOR destruirá totalmente o braço do mar do Egito, e com a força do seu vento moverá a mão contra o Eufrates, e, ferindo-o, dividi-lo-á em sete canais, de sorte que qualquer o atravessará de sandálias. Haverá caminho plano para o restante do seu povo, que for deixado, da Assíria, como o houve para Israel no dia em que subiu da terra do Egito.” Is 11:10-16
Observação: É interessante agora, já nesta perspectiva, ler os capítulos de 09 a 11 do livro de Romanos, em especial, levando-se em conta o profeta Oséias.
Gênesis 48: A Bênção de Jacó a Efraim como sendo o Primogênito
“Passadas estas coisas, disseram a José: Teu pai está enfermo. Então, José tomou consigo a seus dois filhos, Manassés e Efraim. E avisaram a Jacó: Eis que José, teu filho, vem ter contigo. Esforçou-se Israel e se assentou no leito.
Disse Jacó a José: O Deus Todo-Poderoso me apareceu em Luz, na terra de Canaã, e me abençoou, e me disse: Eis que te farei fecundo, e te multiplicarei, e te tornarei multidão de povos, e à tua descendência darei esta terra em possessão perpétua.
Agora, pois, os teus dois filhos, que te nasceram na terra do Egito, antes que eu viesse a ti no Egito, são meus; Efraim e Manassés serão meus, como Rúben e Simeão. Mas a tua descendência, que gerarás depois deles, será tua; segundo o nome de um de seus irmãos serão chamados na sua herança.
Vindo, pois, eu de Padã, me morreu, com pesar meu, Raquel na terra de Canaã, no caminho, havendo ainda pequena distância para chegar a Efrata; sepultei-a ali no caminho de Efrata, que é Belém. Tendo Israel visto os filhos de José, disse: Quem são estes? Respondeu José a seu pai: São meus filhos, que Deus me deu aqui. Faze-os chegar a mim, disse ele, para que eu os abençoe.
Os olhos de Israel já se tinham escurecido por causa da velhice, de modo que não podia ver bem. José, pois, fê-los chegar a ele; e ele os beijou e os abraçou. Então, disse Israel a José: Eu não cuidara ver o teu rosto; e eis que Deus me fez ver os teus filhos também. E José, tirando-os dentre os joelhos de seu pai, inclinou-se à terra diante da sua face.
Depois, tomou José a ambos, a Efraim na sua mão direita, à esquerda de Israel, e a Manassés na sua esquerda, à direita de Israel, e fê-los chegar a ele.
Mas Israel estendeu a mão direita e a pôs sobre a cabeça de Efraim, que era o mais novo, e a sua esquerda sobre a cabeça de Manassés, cruzando assim as mãos, não obstante ser Manassés o primogênito.
E abençoou a José, dizendo: O Deus em cuja presença andaram meus pais Abraão e Isaque, o Deus que me sustentou durante a minha vida até este dia, o Anjo que me tem livrado de todo mal, abençoe estes rapazes; seja neles chamado o meu nome e o nome de meus pais Abraão e Isaque; e cresçam em multidão no meio da terra.
Vendo José que seu pai pusera a mão direita sobre a cabeça de Efraim, foi-lhe isto desagradável, e tomou a mão de seu pai para mudar da cabeça de Efraim para a cabeça de Manassés. E disse José a seu pai: Não assim, meu pai, pois o primogênito é este; põe a mão direita sobre a cabeça dele.
Mas seu pai o recusou e disse: Eu sei, meu filho, eu o sei; ele também será um povo, também ele será grande; contudo, o seu irmão menor será maior do que ele, e a sua descendência será uma multidão de nações. Assim, os abençoou naquele dia, declarando: Por vós Israel abençoará, dizendo: Deus te faça como a Efraim e como a Manassés. E pôs o nome de Efraim adiante do de Manassés.” Gn 48:1-20
Considerações Importantes:
- No versículo 04 a palavra FECUNDO possui no hebraico a mesma raiz de EFRAIM, que significa FRUTÍFERO.
- Jacó era um homem atento ao falar de Deus. Sua atitude na questão da bênção dos filhos de José, deixa claro que ele tinha em mente o falar de Deus em Gn 28 e em Gn 35. Analise e compare os textos e o falar dele nesta porção.
- No versículo 05 Jacó claramente “toma para si” os filhos de José. Fica evidente que tal fato tem como pano de fundo a preocupação de Jacó, mesmo já velho, em dar seguimento às promessas de Deus feitas a ele. Observe como ele já tinha em conta os interesses de Deus acima dos seus. Jacó era um homem mudado.
- No versículo 10, assim como em outros textos bíblicos, vemos claramente que a visão tem caráter espiritual, profético. É algo mais profundo.
- Não podemos nos esquecer que os filhos de José foram fruto de relacionamento dele com mulheres egípcias. E o Egito tipifica o mundo, as nações.
- O final do versículo 16 do capítulo 48 de Gênesis seria melhor traduzido da seguinte forma: “…e multipliquem-se como peixes em multidão, no meio da terra”.
- Ora, isto é, no mínimo estranho. Porque peixes não se multiplicam na terra. Logo o que está acontecendo aqui é que Jacó, inspirado pelo Espírito Santo está profetizando da parte de Deus para aqueles que seriam transformados em “pescadores de homens”. Logo, profetizava acerca da salvação dos gentios.
- Basta compararmos com Lc 5:1-11 para vermos claramente as correlações:
8.1- Peixes = Homens
8.2- Mar = Nações/Terra Multidão de Nações
8.3- Rede = Evangelho
- No versículo 19 deste capítulo, a palavra “MULTIDÃO da nações” é exatamente a mesma que “PLENITUDE dos gentios”
- Logo, em Romanos 11:26 temos a união de Judeus e Gentios, ou melhor, Casa de Judá e Casa de Israel.
- O apóstolo Pedro cita o profeta Oséias falando da Casa espiritual que é formada pelas “pedras que vivem”.
- E Oséias tem no seu amplo contexto a relação entre Judá e Efraim, ou melhor, a Casa de Judá e a Casa de Israel.
Retornando a Estação do Deserto de Sim…
Ele nos faz chover “Pão do Céu”
“Então, disse Moisés e Arão a todos os filhos de Israel: à tarde, sabereis que foi o SENHOR quem vos tirou da terra do Egito, e, pela manhã, vereis a glória do SENHOR, porquanto ouviu as vossas murmurações; pois quem somos nós, para que murmureis contra nós?” Ex 16:6-7
Não foi Moisés e nem Aarão quem os tirou do Egito. Foi Deus mesmo. E isto porque ouviu o clamor oriundo do sofrimento do povo no Egito. Da mesma forma não era Moisés e nem Aarão quem conduzia o povo na caminhada. Porém eles não viam a Deus, viam só o natural. Não tinham a capacidade de ver o que estava por detrás de tudo, muito embora tantas experiências que já lhes sobreviera.
Por isto que Moisés e Aarão lhes disseram: “pois quem somos nós, para que murmureis contra nós?”. Ou seja, vocês não estão murmurando contra nós, mas contra Deus. E isto, como se Deus não fosse suficientemente Poderoso para guarda-los e provê-los. Olhem o que está acontecendo:
- De um lado, o povo murmurava e dizia que melhor lhes teria sido morrer, pela mão do Senhor, no Egito, quando ainda tinham panelas de carne a fartar.
- De outro lado, o Senhor lhes dizia que lhes faria chover pão do céu. Quanta diferença!
“Prosseguiu Moisés: Será isso quando o SENHOR, à tarde, vos der carne para comer e, pela manhã, pão que vos farte, porquanto o SENHOR ouviu as vossas murmurações, com que vos queixais contra ele; pois quem somos nós? As vossas murmurações não são contra nós, e sim contra o SENHOR.” Ex 16:8
Este é um ponto muito interessante e mostra o quanto Deus é Misericordioso, até mesmo honrando a palavra de Seus servos. Deus não havia dito a Moisés que haveria carne; porém pão do céu. No entanto, na pressão que sofria Moisés fez uma afirmação para além daquilo que Deus havia dito. E Deus, em Sua infinita Misericórdia, respaldou a fala de Moisés. Que coisa tremenda!
Às vezes murmuramos contra o Estado, contra o Presidente. O Senhor nos perdoe; às vezes nos esquecemos que as autoridades foram estabelecidas por Deus mesmo. Não estamos com isto a justificar nenhum político, porém temos que ter consciência que foi Deus quem permitiu que eles estivessem nesta posição. Portanto devemos confiar em Deus, não importa quem esteja como Presidente, que medidas venha a tomar. O importante mesmo, são que medidas Deus tem tomado, em favor de Seu povo. E certamente são muitas!
“Disse Moisés a Arão: Dize a toda a congregação dos filhos de Israel: Chegai-vos à presença do SENHOR, pois ouviu as vossas murmurações.” Ex 16:9
Esta fala é tremenda! Moisés os orienta a que cheguem a Presença do Senhor. Isto é bastante instrutivo. Porque? Porque significa que as murmurações são típicas daqueles que não está em Sua Presença. Os murmuradores estão, na verdade, manifestando que NÃO estão na Presença do Senhor. Quando se está em Sua Presença o que se pode fazer é louvar, dar graças, agradecer, exultar, porém nunca murmurar.
Devemos lembrar que esta história não é nova. Quando, em Gênesis 04, Caim sai da Presença de Deus, então alí se inicia o desenvolvimento de seus próprios planos. Conhecemos a história e sabemos o que sucedeu.
“Quando Arão falava a toda a congregação dos filhos de Israel, olharam para o deserto, e eis que a glória do SENHOR apareceu na nuvem.” Ex 16:10
Mais uma vez o Senhor manifesta Sua Misericórdia. Possivelmente eles estavam de tal maneira “acostumados” à Presença da Nuvem, que já não discerniam que era a Presença do Senhor e a manifestação de Seu Governo. Então, para demonstrar-lhes que Ele estava alí, que Ele via e ouvia tudo que se passava, e para lembrar-lhes disto, é que a Glória do Senhor lhes apareceu na Nuvem.
Veja quantas vezes isto não sucede a nós irmãos! Quantas vezes não nos damos conta do que Deus está fazendo, e então, Deus tem de manifestar-se de uma forma ainda mais evidente, para que isto nos cause um pouco de TEMOR e então voltamos a nos dar conta de que Deus não só está Presente como nos tem preservado, cuidado e ensinado.
A Nuvem estava presente, porém as murmurações ocorriam como se assim não o fosse. É como se Deus não estivesse fazendo nada, na verdade, não viam o que Deus estava fazendo, nem entendiam o que Deus queria que aprendessem.
Nosso Deus está sempre nos “cercando”
Havia a Nuvem no deserto. Nuvem para cobri-los, Nuvem para guia-los. E isto já ocorria acerca de um mês. No entanto, eles pareciam ter se acostumado, lhes parecia algo natural. E tão natural, de que não se deram conta da Presença e Governo de Deus que começaram a murmurar.
Todos os dias almoçamos, jantamos, descansamos, vamos aqui, acolá, enfim fazemos tantas coisas que nos parecem naturais, que não nos damos conta de que há uma Nuvem, a Nuvem do Senhor a nos guiar, a nos dar sombra, a nos aquecer, a cuidar de nós.
“E o SENHOR disse a Moisés: Tenho ouvido as murmurações dos filhos de Israel; dize-lhes: Ao crepúsculo da tarde, comereis carne, e, pela manhã, vos fartareis de pão, e sabereis que eu sou o SENHOR, vosso Deus.” Ex 16:11-12
Aqui vemos como Deus nos trata tantas vezes. Veja que Ele já tinha prometido Pão do céu. Eles murmuraram. Deus mesmo que diz: “Sim, Eu tenho ouvido suas murmurações”. E mais: Moisés, talvez pressionado, foi além do falar de Deus. Então o que Deus faz?
Aqui podemos contemplar o caráter e o Amor paciente e benigno de Deus para conosco. Nós murmuramos continuadamente, agimos como se Ele não estivesse Presente, ignoramos Seu cuidado até então e ainda assim Ele nos dá comida, bebida, roupa, e tudo o que necessitamos, embora estejamos todos os dias a protestar, a nos queixar, e mesmo assim, Ele continua nos suprindo de tudo!
“À tarde, subiram codornizes e cobriram o arraial; pela manhã, jazia o orvalho ao redor do arraial. E, quando se evaporou o orvalho que caíra, na superfície do deserto restava uma coisa fina e semelhante a escamas, fina como a geada sobre a terra. Vendo-a os filhos de Israel, disseram uns aos outros: Que é isto? Pois não sabiam o que era. Disse-lhes Moisés: Isto é o pão que o SENHOR vos dá para vosso alimento.” Ex 16:13-15.
Obs: Ver Mapa do Êxodo – Rota das Codornizes
É muito interessante notar que o maná caía sobre o orvalho. A mesma questão é mencionada em Nm 11:9. Isto parece indicar o caráter santo daquilo que lhes estava vindo diretamente do céu. É como se não pudesse tocar a terra diretamente. O orvalho nos passa instintivamente a ideia de algo que nos traz frescor, traz a ideia de vida. E era isto mesmo. Entre esta terra maculada pelo pecado e o maná, representativo da Palavra de Deus, do Pão Vivo que desceu do céu, havia o orvalho.
Observe que o maná era percebido pela manhã, após o orvalho evaporar. Isto nos faz indagar o que, espiritualmente, estaria o orvalho a simbolizar. De outro lado, é bastante significativo o fato da hora do dia que o alimento lhes era concedido, principalmente se considerarmos o que nos diz o Salmista:
“Se o SENHOR não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o SENHOR não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela. Inútil vos será levantar de madrugada, repousar tarde, comer o pão que penosamente granjeastes; aos seus amados ele o dá enquanto dormem. Herança do SENHOR são os filhos; o fruto do ventre, seu galardão.” Sl 127:1-3
Aos Seus amados, Ele dá alimento enquanto dormem. Porém, estes “amados” estavam ininterruptamente a reclamar, a murmurar, a questionar. Que terrível!
Porém algo interessante está a acontecer aqui. Deus ainda não havia lhes dado Seus 10 mandamentos, porém, a exemplo de Mara, aqui Ele lhes prova a obediência por meio de um único ordenamento.
“Eis o que o SENHOR vos ordenou: Colhei disso cada um segundo o que pode comer, um gômer por cabeça, segundo o número de vossas pessoas; cada um tomará para os que se acharem na sua tenda. Assim o fizeram os filhos de Israel; e colheram, uns, mais, outros, menos. Porém, medindo-o com o gômer, não sobejava ao que colhera muito, nem faltava ao que colhera pouco, pois colheram cada um quanto podia comer.” Ex 16:16-18
Devemos notar que a ênfase é “cada dia”, ou seja, tem-se que colher a cada dia. Jesus dizia a mesma coisa, no mesmo espírito:
“Por isso, vos digo: não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo, mais do que as vestes?
Observai as aves do céu: não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros; contudo, vosso Pai celeste as sustenta. Porventura, não valeis vós muito mais do que as aves?
Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida? E por que andais ansiosos quanto ao vestuário? Considerai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham, nem fiam.
Eu, contudo, vos afirmo que nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles. Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós outros, homens de pequena fé?
Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: Com que nos vestiremos? Porque os gentios é que procuram todas estas coisas; pois vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas;
buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal.” Mt 6:25-34
Um gômer é mais ou menos a décima parte do efa que são 37 litros. Ou seja, são 3,7 litros. Esta é a medida que Deus considerou suficiente para vivermos um dia. Este princípio embasa aquilo que o apóstolo Paulo cita em sua segunda Carta aos Coríntios. Veja o correlação:
“Assim o fizeram os filhos de Israel; e colheram, uns, mais, outros, menos. Porém, medindo-o com o gômer, não sobejava ao que colhera muito, nem faltava ao que colhera pouco, pois colheram cada um quanto podia comer.” Ex 16:18
“Completai, agora, a obra começada, para que, assim como revelastes prontidão no querer, assim a leveis a termo, segundo as vossas posses. Porque, se há boa vontade, será aceita conforme o que o homem tem e não segundo o que ele não tem.
Porque não é para que os outros tenham alívio, e vós, sobrecarga; mas para que haja igualdade, suprindo a vossa abundância, no presente, a falta daqueles, de modo que a abundância daqueles venha a suprir a vossa falta, e, assim, haja igualdade, como está escrito: O que muito colheu não teve demais; e o que pouco, não teve falta.” II Co 8:11-15.
Ou seja, veja que interessante: em meio aquele ambiente de manifestação egocêntrica pelas murmurações, Deus começa a falar não só para mostrar-lhes Sua Fidelidade e Caráter, como também para ensinar-lhes o exercício da generosidade. E veja que este mandamento foi dado não em Canaã, ou para ser cumprido somente no Milênio, mas desde já. Em outras palavras, Deus distribui com fartura para todo aquele que necessita, porém deseja que seja repartido com generosidade.
48- Confiança em Deus e não em mamom
Porque será que parece que a alguns Deus lhes deu muito? Porque tinham muitas responsabilidades a cumprir. “Disse-lhes Moisés: Ninguém deixe dele para a manhã seguinte.” Ex 16:19
Esta é, sem dúvida, uma política de seguridade social bem distinta da que estamos acostumados. Nós vivemos, via de regra, a pensar no dia de amanhã, porém Deus deseja nos conduzir pela fé Nele. Então o que acontece?
“Eles, porém, não deram ouvidos a Moisés, e alguns deixaram do maná para a manhã seguinte; porém deu bichos e cheirava mal. E Moisés se indignou contra eles.” Ex 16:20
Muitos dentre nós, na verdade, estamos a confiar no saldo de nossas contas bancárias e não no Senhor. Lembram-se do congelamento das contas bancárias no governo de Fernando Collor de Melo? Muitos se suicidaram, porque toda sua confiança estava depositada nos recursos bancários. Quantas pessoas perderam tudo, em tantas diferentes épocas na história humana, nos mais diversos países e por inúmeras razões.
A nossa confiança não deve estar em mamom, senão em Deus mesmo. E é por este motivo que Ele nos leva ao deserto para ensinar-nos a viver diariamente em comunhão e em confiança Nele. Não devemos consentir, neste sentido, com o DESPERDÍCIO. Da mesma forma não devemos viver de forma ansiosa, e por meio da ansiedade buscar acumular tesouros na terra.
Obs: Ver Texto, Diagrama e Imagens da correlação entre o Altar de Bronze e as Câmaras do Tesouro, ambos localizados no Templo – Resumo sobre “O Templo de Salomão”.
Porém, é importante que se verifique com cuidado o tema DESPERDÍCIO. Ele contêm importantes lições de natureza espiritual e, neste aspecto, é interessante observar os textos abaixo para compreender de forma mais ampla seu significado:
1- Mt 26:6-13; Mc 14:3-9; Jo 12:1-8 – O Vaso de Alabastro
2- Jr 18:1-6 – O Vaso do Oleiro
3- Jr 19:1-12 – Vale de Hinom/Tofete.
49- Parênteses Explicativo
Geena vem do vocábulo hebraico Ge Hinom ou Gé Ben Hinom – “Vale de Hinom” ou “Vale do filho de Hinom”. Nesse vale havia uma elevação denominada Tofete, onde ímpios queimavam seus próprios filhos. Este vale se situava a sudoeste de Jerusalém; neste local, antes da conquista de Canaã pelos filhos de Israel, canaanitas ofereciam sacrifícios humanos ao deus Moloque. Terminados os sacrifícios humanos, este local ficou reservado para depósito do lixo proveniente da cidade de Jerusalém. Juntamente com o lixo vinham cadáveres de mendigos encontrados mortos na rua ou de criminosos e ladrões mortos quando cometiam delito.
Estes corpos, às vezes, eram atirados onde não havia fogo, aparecendo os vermes que lhes devoravam as entranhas num espetáculo dantesco e aterrador. É a este quadro que Isaías se refere no Capítulo 66 vs 24.
Por estas circunstâncias, este vale se tornou desprezível e amaldiçoado pelos judeus e símbolo de terror, da abominação e do asco e mencionado por Jesus com estas características. Ser atirado á Geena era sinônimo de desprezo ao morto, não merecendo ao menos uma cova rasa, estando condenado à destruição eterna do fogo.
O vale de Hinom era um crematório do lixo de Jerusalém. O fogo ardia constantemente neste sítio e com o objetivo de avivar as chamas e tornar mais eficaz a sua força lançavam ali enxofre. Devido a estas circunstâncias, Jesus com muita propriedade usou este vale para ilustrar o que seria no fim do mundo.
Retornando ao estudo do Deserto de Sim:
“Eles, porém, não deram ouvidos a Moisés, e alguns deixaram do maná para a manhã seguinte; porém deu bichos e cheirava mal. E Moisés se indignou contra eles. Colhiam-no, pois, manhã após manhã, cada um quanto podia comer; porque, em vindo o calor, se derretia.” Ex 16:20-21.
O fato de o maná estragar e cheirar mal para aqueles que guardavam o para o dia seguinte é indicativo de, pelo menos, dois ensinamentos:
- Ele tem tudo sob controle; e tudo o que recebemos vem da Mão Dele. Porque, foi Ele mesmo Quem disse que haveria de estragar para o dia seguinte. Claro que Deus poderia ter feito o maná para durar mais, como de fato ocorria no sexto dia, mas isto continuadamente implicaria em enfatizar na natureza humana o egocentrismo e fazer ressaltar o aspecto da suposta “independência” de Deus. E se há algo que Deus deseja ter com Seu povo é relacionamento.
- Ele deseja, então, que desde cedo, possamos confiar e depender Dele. Isto implica em submissão, entrega e, portanto, fé. Não que não devemos ser prudentes, mas ocorre que, em muitas das vezes, o que se manifesta com aparência de prudência é incredulidade.
“Ao sexto dia, colheram pão em dobro, dois gômeres para cada um; e os principais da congregação vieram e contaram-no a Moisés. Respondeu-lhes ele: Isto é o que disse o SENHOR: Amanhã é repouso, o santo sábado do SENHOR; o que quiserdes cozer no forno, cozei-o, e o que quiserdes cozer em água, cozei-o em água; e tudo o que sobrar separai, guardando para a manhã seguinte.” Ex 16:22-23
Deus primeiro os guiava no sentido de ensinar-lhes a confiar Nele, a descansar em Deus. Eles ainda não haviam chegado ao Sinai, ainda não haviam recebido os 10 (dez) mandamentos, mas Deus já estava a ensinar-lhes a descansar em Deus, a confiar em Deus. Note, entretanto, que não se trata de um repouso com sinais de irresponsabilidade, porém um repouso consagrado a YHWH.
“E guardaram-no até pela manhã seguinte, como Moisés ordenara; e não cheirou mal, nem deu bichos. Então, disse Moisés: Comei-o hoje, porquanto o sábado é do SENHOR; hoje, não o achareis no campo.” Ex 16:24-25
Quer dizer, Deus quer que descansemos de nossas obras, de nossos afazeres para que estejamos diante Dele. Ele sabe que muito do nos impede são as ansiedades deste século. Em grande medida, temos aqui, a exemplificação, pelo A.T., da Parábola do Semeador.
“Atendei vós, pois, à parábola do semeador. A todos os que ouvem a palavra do reino e não a compreendem, vem o maligno e arrebata o que lhes foi semeado no coração. Este é o que foi semeado à beira do caminho.
O que foi semeado em solo rochoso, esse é o que ouve a palavra e a recebe logo, com alegria; mas não tem raiz em si mesmo, sendo, antes, de pouca duração; em lhe chegando a angústia ou a perseguição por causa da palavra, logo se escandaliza.
O que foi semeado entre os espinhos é o que ouve a palavra, porém os cuidados do mundo e a fascinação das riquezas sufocam a palavra, e fica infrutífera. Mas o que foi semeado em boa terra é o que ouve a palavra e a compreende; este frutifica e produz a cem, a sessenta e a trinta por um.” Mt 13:18-23
Para detalhamento deste ponto veja relação (com aspecto negativo) entre a árvore ESPINHEIRO, a questão da FRUTIFICAÇÃO e as figuras da PERSEVERANÇA e do REMANESCENTE. Para tanto veja Resumo de “Eu te guardarei da hora da Provação”.
Assim devemos compreender que descanso consagrado a YHWH não é ociosidade, não são férias compulsórias e, de forma alguma, representa uma atitude irresponsável; antes é estar disponível para Deus. Não somos escravos fazedores de ladrilhos para Faraó. Não; somos acima de tudo, sacerdotes do Deus Altíssimo. E mesmo o trabalho chamado de “secular” é, na verdade, algo que se deve consagrar ao Senhor. Mas tudo debaixo do Governo e direção do Senhor.
“Seis dias o colhereis, mas o sétimo dia é o sábado; nele, não haverá. Ao sétimo dia, saíram alguns do povo para o colher, porém não o acharam. Então, disse o SENHOR a Moisés: Até quando recusareis guardar os meus mandamentos e as minhas leis?” Ex 16:26-28.
Quantas vezes nós dizemos assim: “Não irmão, não posso me ocupar das coisas do Senhor, porque tenho de fazer isto aqui primeiro…”. Deixamos tudo que se refere ao Senhor de lado para ocupar-nos em coisas que consideramos muito importantes. Ao contrário, se damos ouvidos ao chamado de Deus, e de fato colocamos as coisas do Senhor em primeiro plano, as demais coisas nos são adicionadas. Mas há sempre que se buscar direção específica da parte do Senhor.
Como dissemos, o importante é servir ao Senhor onde Ele nos posiciona e deixar que o Seu Espírito nos capacite a “andar nas obras que Ele de antemão preparou para que andássemos nelas”.
“Considerai que o SENHOR vos deu o sábado; por isso, ele, no sexto dia, vos dá pão para dois dias; cada um fique onde está, ninguém saia do seu lugar no sétimo dia. Assim, descansou o povo no sétimo dia. Deu-lhe a casa de Israel o nome de maná; era como semente de coentro, branco e de sabor como bolos de mel.” Ex 16:29-31
O maná é um presente de Deus. O maná é a prova de que Deus pensa e se preocupa conosco. Nós não fomos criados para o dia do repouso, mas ao contrário, o Dia do Repouso, o Sábado, foi feito para o homem. Deus deseja que possamos descansar na Sua Fidelidade, no Seu Amor, no Seu cuidado para conosco. Ele não deseja para nós uma vida cheia de ansiedades e angústias, por causa da incredulidade.
E é interessante a maneira de Deus de nos ensinar acerca do Descanso. Eles saíam a buscar pelo maná, porém não o encontravam. Quando não queremos (ou não conseguimos aprender) a lição do Descanso em Deus, tentamos nos empenhar para “fazer as coisas” para que deem certo, para que “fiquem bem”.
O resultado? As coisas não saem bem da forma como imaginávamos, às vezes até mesmo nos frustramos porque elas simplesmente não se movem. Isto é um indicativo, em consonância com a Sua Palavra revelada nos guiando, de que necessitamos aprender a Descansar em Deus e para Deus.
“Disse Moisés: Esta é a palavra que o SENHOR ordenou: Dele encherás um gômer e o guardarás para as vossas gerações, para que vejam o pão com que vos sustentei no deserto, quando vos tirei do Egito.” Ex 16:32
Este mandamento é bastante importante. A intenção de Deus é que se faça um registro, para nossos descendentes, de Sua Fidelidade e de como Ele cumpre Suas grandiosas promessas.
“Disse também Moisés a Arão: Toma um vaso, mete nele um gômer cheio de maná e coloca-o diante do SENHOR, para guardar-se às vossas gerações.” Ex 16:33
Este é uma figura de Cristo representativamente como o Pão Vivo que nos dá Vida. Incorruptível, é o maná escondido, o verdadeiro maná; é uma figura de Cristo.
“Eu sou o pão da vida. Vossos pais comeram o maná no deserto e morreram. Este é o pão que desce do céu, para que todo o que dele comer não pereça. Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém dele comer, viverá eternamente; e o pão que eu darei pela vida do mundo é a minha carne.” Jo 6:48-51
“Como o SENHOR ordenara a Moisés, assim Arão o colocou diante do Testemunho para o guardar. E comeram os filhos de Israel maná quarenta anos, até que entraram em terra habitada; comeram maná até que chegaram aos limites da terra de Canaã. Gômer é a décima parte do efa.” Ex 16:34-36
50- Estação 06: Deserto de Sim – Conclusões
- O deserto é local de aprendizagem. Aqui conhecemos mais a Deus, Sua Fidelidade, Seu Amor, Sua Bondade, Seu cuidado conosco. E, paralelamente a isto passamos a conhecer mais a nós mesmos, na medida da Luz que Ele lança sobre nós. “Na Tua Luz, vemos a luz”.
- O deserto é local de aprender a confiar e a descansar em Deus e para Deus.
- No deserto somos chamados a aprender a recolher o maná diariamente. Isto implica em ter um relacionamento pessoal com o Senhor. Implica em dependência.
- Na medida em que recolhemos o maná, somos instruídos a repartir com aqueles que colheram menos. Mesmo antes dos 10 mandamentos, Deus deseja que possamos ser generosos. Ele já nos mostra que uma das transformações a produzir em nós é nos libertar do egoísmo.
- As lições acerca da pré-ciência de Deus acerca da queda do homem e da Redenção, ambas anunciadas na Palavra antes que acontecessem é uma medida de revelação de que necessitamos para entender que o Senhor sabe tudo antes e que já proveu o que nos é necessário; ainda que estejamos apenas entrando no deserto.
- As lições nas vidas de Esaú x Jacó e de Ismael x Isaque são fundamentais para compreendermos porque tanto Esaú quanto Ismael foram lançados no deserto e nos locais desérticos da terra.
- Paradoxalmente, o frutificar para Deus implica em aprender as lições do Deserto, senão o deserto se torna um local de sequidão continuada.
- “Bem-aventurado o homem cuja força está em ti, em cujo coração se encontram os caminhos aplanados, o qual, passando pelo vale árido, faz dele um manancial; de bênçãos o cobre a primeira chuva. Vão indo de força em força; cada um deles aparece diante de Deus em Sião. O SENHOR, Deus dos Exércitos, escuta-me a oração; presta ouvidos, ó Deus de Jacó! Olha, ó Deus, escudo nosso, e contempla o rosto do teu ungido. Pois um dia nos teus átrios vale mais que mil; prefiro estar à porta da casa do meu Deus, a permanecer nas tendas da perversidade. Porque o SENHOR Deus é sol e escudo; o SENHOR dá graça e glória; nenhum bem sonega aos que andam retamente. Ó SENHOR dos Exércitos, feliz o homem que em ti confia.” Sl 84:5-12
- Vimos como através do assunto de Descanso temos a aprender sobre:
9.1- O Ciclo das Festas do Senhor e o Calendário Agrícola de Israel
9.2- A relação disto com os 144.000 selados de Apocalipse
9.3- O significado dos 144.000 selados e sua composição
9.4- As duas Casas: de Judá (Judeus) e de Israel (Gentios)
9.5- O Jubileu e o Milênio – O Pleno Descanso (Interior e exterior).
Deus tenha Misericórdia de nós!
