As 42 (Quarenta e duas) Estações no Deserto

 

Sumário

1- Estação 10: Allus

2- Parênteses Histórico Sintetizado

2.1- Seder Olam Rabbá

2.2- Talmude

2.3- Mishná

2.4- Tanaítas

2.5- Guemará

3- Alvoroço e Desolação – O paradoxo do Esquecimento

4- Os Escândalos e os Tropeços – Responsabilidade Cristã

5- Os Tropeços – Algumas Menções Bíblicas

5.1- Novo Testamento:

5.2- Antigo Testamento:

6- As Provas Aprovam e Reprovam

7- As Provas são de Amor

8- A Vida Cristã e as Tentações

9- As respostas que os tentados deram as insinuações do diabo

10- Como vencer na hora da tentação.

11- A Vida Cristã e as Batalhas Espirituais

13- Parábola dos Talentos

14- Parábola das Minas

15- Os Anjos foram Provados

16- Estação 10: Allús – Resumo Sintético

Estação 10: Allus

“…partiram de Dofca e acamparam-se em Alus…” Nm 33:13

Alus se encontra entre Dofca e Refidim, como podemos observar em Nm 33:12-14.

“E partiram do deserto de Sim, e acamparam-se em Dofca. E partiram de Dofca, e acamparam-se em Alus. E partiram de Alus, e acamparam-se em Refidim; porém não havia ali água, para que o povo bebesse.”

Veja que aqui temos uma chave implícita. A Escritura menciona uma situação de dificuldade em Refidim; porém não há uma menção explícita do que as duas estações anteriores estariam a indicar em correlação com esta experiência.

Mas como sabemos que as jornadas e as estações eram designadas pelo Senhor, bem, então temos de entender o falar do Senhor através delas. Sabemos também que, aprendida a lição em uma estação, o próprio Senhor se move pela Nuvem e espera que Seu povo se mova também.

Já vimos que este mover implica em que o Senhor julga que a lição correspondente àquela estação está devidamente firmada em nós. Assim, algo deve ter acontecido em Allus. Allus está localizada entre Dofca e Refidim.

El Seder Olam Rabbá é um livro de rabinismo antigo, que é praticamente o livro da cronologia talmudista fundamentalista.

Parênteses Histórico Sintetizado

2.1- Seder Olam Rabbá

Seder Olam Rabbá (do hebraico, “A Longa Ordem do Mundo”) é uma cronologia, em trinta capítulos, percorrendo os anos desde Adão. O texto é completo até a época de Alexandre, o Grande, sendo muito resumido a partir de então; acredita-se que o texto original era mais completo, tendo sida perdida a parte final e recuperada por fragmentos.

Acredita-se que o objetivo do autor foi tentar definir um calendário, a partir da data da criação do mundo; o texto é baseado na Bíblia, mas algumas datas são extraídas de fontes externas.

2.2- Talmude

O Talmude (em hebraico, significa estudo) é uma coletânea de livros sagrados dos judeus, um registro das discussões rabínicas que pertencem à leiética, costumes e história do judaísmo. É um texto central para o judaísmo rabínico.

O Talmude tem dois componentes: a Mishná, o primeiro compêndio escrito da Lei Oral judaica; e o Guemará, uma discussão da Mishná e dos escritos tanaíticos que frequentemente abordam outros tópicos.

2.3- Mishná

O Mishná foi redigido pelos mestres tanaítas, termo que deriva da palavra hebraica que significa “ensinar” ou “transmitir uma tradição”. A Mishná, também conhecida como Mixná ou Mixna (em hebraico, “repetição”, do verbo ”shanah, “estudar e revisar”) é uma das principais obras do judaísmo rabínico, e a primeira grande redação na forma escrita da tradição oral judaica, chamada a Torá Oral.

2.4- Tanaítas

Tanaítas é um termo usado para designar os sábios rabínicos (c. 30-200) cujas interpretações estão registradas na Mishná.

2.5- Guemará

A Guemará (do aramaico gamar; literalmente, “estudar” ou “aprender por tradição”) é a parte do Talmude que contém os comentários e análises rabínicas da Mishná.

Hoje há os judeus talmúdicos, os judeus chamados ortodoxos. Eles tem uma cronologia, e eles contabilizam sua cronologia baseada principalmente nos cálculos que, da Bíblia, fez um Rabi, chamado Rabi Osaya. Ele escreveu o livro El Seder Olam Rabbá, que são palavras em hebreu que significam “a grande ordem do mundo, ou do universo; e é um livro fundamentalmente cronológico.

Neste livro de cronologia, o autor nos diz que a estação de Allús se localizava a 19 quilômetros depois de Dofca e, aproximadamente, 13 quilômetros antes de Refidim, no deserto. Estava localizada mais ao sul da Península do Sinai.

Detalhe: esta é a única vez que aparece este nome Allús, na Bíblia, no livro de Números. Em Êxodo esta estação não aparece mencionada nem o que nela teria sucedido.

B3 O Êxodo do Egito

Vamos observar o texto de Êxodo em conexão com o texto em Números.

“E partiram do deserto de Sim, e acamparam-se em Dofca. E partiram de Dofca, e acamparam-se em Alus. E partiram de Alus, e acamparam-se em Refidim; porém não havia ali água, para que o povo bebesse.” Números 33:12-14

“Depois toda a congregação dos filhos de Israel partiu do deserto de Sim pelas suas jornadas, segundo o mandamento do Senhor, e acampou em Refidim; não havia ali água para o povo beber.” Êxodo 17:1

Alvoroço e Desolação – O paradoxo do Esquecimento

Observe que em Êxodo não se faz alusão nem a Dofca e nem a Allús. Porém devemos compreender o que se passa em Allús, pois aprouve ao Espírito Santo registrar esta Jornada depois da experiência de Dofca e antes da experiência de Refidim. Ora, como tudo que está escrito é para nosso ensino, não podemos “passar batido” por esta estação; antes devemos buscar compreender o porquê ela foi registrada de forma tão superficial, quase que implícita; porém devidamente mencionada.

Como a única alusão a Allús se encontra em Nm 33:13, devemos então buscar primariamente luz através do significado de seu nome. Sim, porque os nomes na Bíblia carregam consigo uma significação de natureza espiritual. Vários são os exemplos bíblicos que comprovam este fato.

Hoje em dia, quando os arqueólogos vão a este lugar, não encontram nem sequer restos do que teria sido Allús. Na verdade, até hoje, há uma concordância acerca do fato de não se saber ao certo onde se localizava.

A única notícia que se tem provém daquele rabino, já antiga evidentemente, relativa aos primeiros séculos da era cristã. Ele escreveu o livro “El Seder Olam Rabbá” e, através deste livro nos deu a conhecer que teria existido este local (em concordância com a Bíblia) e que este local se localizava entre Dofca e Refidim; ambas menções coincidentes com a narrativa bíblica.

Ao verificarmos o significado do nome Allús é interessante observar que nada se encontre mesmo na arqueologia sobre Allús; e neste sentido, é de certa forma algo com o que temos de nos alegrar.

A palavra Allús, em hebraico, tem o significado de ALVOROÇO. E há também, no hebraico, uma palavra parecida cujo significado quer dizer DESOLAÇÃO. É como se nos dissesse que por causa do alvoroço teria havido desolação.

Veja que analisando o significado desta estação a partir de seu nome vemos algo no mínimo curioso: o nome é dado para que se possa recordar, mas parece que nesta estação era melhor recordar que não era para se recordar. Daí talvez o fato de a arqueologia nada encontrar, nenhum vestígio de Allús.

Porém, embora haja coisas das quais não devemos recordar, veja também que Deus não simplesmente deixou de mencionar que houve esta estação. E isto é também bastante interessante. Porque? Porque há coisas que devemos aprender que é melhor nem recordá-las, porém tais coisas devem ser sido de aprendizado para nós. Ou seja, se passarmos por situações semelhantes devemos ter uma resposta diferente, fazer uma escolha diferente, daquela situação que envolveu alvoroço e trouxe desolação.

Veja que agora Allús passa a fazer sentido de ter sido, no mínimo, mencionada de forma tão “superficial”. Allús parece que tinha mesmo que estar antes de Refidim, pois o que aconteceu em Refidim foi em grande medida uma consequência do que aconteceu em Allús.

Os Escândalos e os Tropeços – Responsabilidade Cristã

É interessante notar que o Senhor não nos ocultou que no caminho do povo de Deus, de vez em quando, pode acontecer um certo alvoroço, alguns problemas.

“Naquela hora, aproximaram-se de Jesus os discípulos, perguntando: Quem é, porventura, o maior no reino dos céus? E Jesus, chamando uma criança, colocou-a no meio deles.

E disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus. Portanto, aquele que se humilhar como esta criança, esse é o maior no reino dos céus.

E quem receber uma criança, tal como esta, em meu nome, a mim me recebe. Qualquer, porém, que fizer tropeçar a um destes pequeninos (Veja aqui a questão de caráter sob o ponto de vista da corresponsabilidade cristã para com o outro) que creem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma grande pedra de moinho, e fosse afogado na profundeza do mar.

Ai do mundo, por causa dos escândalos; porque é inevitável que venham escândalos, mas ai do homem pelo qual vem o escândalo! Portanto, se a tua mão ou o teu pé te faz tropeçar, corta-o e lança-o fora de ti; melhor é entrares na vida manco ou aleijado do que, tendo duas mãos ou dois pés, seres lançado no fogo eterno (Veja aqui a questão de caráter sob o ponto de vista da responsabilidade individual para “comigo mesmo”).

Se um dos teus olhos te faz tropeçar, arranca-o e lança-o fora de ti; melhor é entrares na vida com um só dos teus olhos do que, tendo dois, seres lançado no inferno de fogo (Veja aqui a questão de caráter sob o ponto de vista da responsabilidade individual para “comigo mesmo”).

Vede, não desprezeis a qualquer destes pequeninos; porque eu vos afirmo que os seus anjos nos céus veem incessantemente a face de meu Pai celeste. [Porque o Filho do Homem veio salvar o que estava perdido.]

Que vos parece? Se um homem tiver cem ovelhas, e uma delas se extraviar, não deixará ele nos montes as noventa e nove, indo procurar a que se extraviou?

E, se porventura a encontra, em verdade vos digo que maior prazer sentirá por causa desta do que pelas noventa e nove que não se extraviaram. Assim, pois, não é da vontade de vosso Pai celeste que pereça um só destes pequeninos.” Mt 18:1-14

Observe que Jesus mesmo deixou claro que haveriam tropeços, escândalos.

Observe que estes versículos correlacionam os escândalos aos tropeços. Ou melhor, tropeços que geram escândalos que retroalimentam o processo de tropeços, de desvios, de erros de alvo.

Agora, ao analisarmos os textos em que a Palavra cita a palavra “tropeço” observamos que a sua utilização tem contextos mais amplos, que não somente tropeços que geram escândalos. Logo, devemos atentar para suas citações e as implicações a elas relacionadas.

Os Tropeços – Algumas Menções Bíblicas

5.1- Novo Testamento:

“E que te sustenham nas mãos, para que nunca tropeces com o teu pé em alguma pedra.” Lucas 4:11 – Relação com o vencer os obstáculos em dependência de Deus.

“Jesus respondeu: Não há doze horas no dia? Se alguém andar de dia, não tropeça, porque vê a luz deste mundo;” João 11:9 – Relação com o “andar na luz” e trabalhar “enquanto é dia”.

“Mas, se andar de noite, tropeça, porque nele não há luz.” João 11:10 – Idem.

“Por quê? Porque não foi pela fé, mas como que pelas obras da lei; pois tropeçaram na pedra de tropeço;” Romanos 9:32 – Relação com o Camiho da Religião.

“Como está escrito: Eis que eu ponho em Sião uma pedra de tropeço, e uma rocha de escândalo; e todo aquele que crer nela não será confundido.” Romanos 9:33 – Relação do Caminho da Graça em contraposição ao Caminho da Religião.

“Assim que não nos julguemos mais uns aos outros; antes seja o vosso propósito não pôr tropeço ou escândalo ao irmão.” Romanos 14:13 – Relação entre o “julgarmo-nos a nós mesmos” e nos “abstermo-nos em favor do outro” em contraposição à atitude indutora de leviandade ou condenatória de julgamento para com o próximo; característica do mundo.

“Porque qualquer que guardar toda a lei, e tropeçar em um só ponto, tornou-se culpado de todos.” Tiago 2:10 – Relação com a consciência de que “é pela Graça”.

“E uma pedra de tropeço e rocha de escândalo, para aqueles que tropeçam na palavra, sendo desobedientes; para o que também foram destinados.” 1 Pedro 2:8 – Relação com a desobediência à Palavra e sua falta de realidade espiritual.

“Portanto, irmãos, procurai fazer cada vez mais firme a vossa vocação e eleição; porque, fazendo isto, nunca jamais tropeçareis.” 2 Pedro 1:10 – Relação com a santificação e às obras que “Ele de antemão preparou para que andássemos nelas”.

“Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeçar, e apresentar-vos irrepreensíveis, com alegria, perante a sua glória” Judas 1:24 – Relação com o Sumo Sacerdote que intercede continuamente por nós e com o Espírito Santo que nos foi outorgado para nos habilitar a correr toda carreira.

5.2- Antigo Testamento:

“O arco dos fortes foi quebrado, e os que tropeçavam foram cingidos de força.”

1 Samuel 2:4 – Relação entre a fraqueza natural e a habilitação espiritual. O princípio aqui é “importa que Ele cresça e eu diminua” e “quando sou fraco então é que sou forte”. Crítica explícita à arrogância e prepotência humana.

“As tuas palavras firmaram os que tropeçavam e os joelhos desfalecentes tens fortalecido.”Jó 4:4 – Relação com o Poder da Palavra em nos fortalecer na vida de comunhão e santidade com o Senhor.

“Quando os malvados, meus adversários e meus inimigos, se chegaram contra mim, para comerem as minhas carnes, tropeçaram e caíram.” Salmos 27:2 – Relação entre a proteção do Senhor sobre nossas vidas.

“Assim eles farão com que as suas línguas tropecem contra si mesmos; todos aqueles que os virem, fugirão.” Salmos 64:8 – Relação com o falar dos inimigos atestando e auto-proclamando sua própria condenação.

“Eles te sustentarão nas suas mãos, para que não tropeces com o teu pé em pedra.” Salmos 91:1 – Já mencionado acima.

“Então andarás confiante pelo teu caminho, e o teu pé não tropeçará.” Provérbios 3:23 – Relação com a observância e a prática da Palavra no caminhar neste mundo.

“Por elas andando, não se embaraçarão os teus passos; e se correres não tropeçarás.” Provérbios 4:12 – Idem.

“Pois não dormem, se não fizerem mal, e foge deles o sono se não fizerem alguém tropeçar.” Provérbios 4:16 – Relação com a atitude maliciosa e dolosa dos ímpios perversos.

“O caminho dos ímpios é como a escuridão; nem sabem em que tropeçam.”

Provérbios 4:19 – Relação com a inconsciência dos que estão em trevas.

“Porque sete vezes cairá o justo, e se levantará; mas os ímpios tropeçarão no mal.” Provérbios 24:16 – Relação com o quebrantamento e transformação para o justo, em contraposição à queda do ímpio. Tem haver com visão espiritual.

“Quando cair o teu inimigo, não te alegres, nem se regozije o teu coração quando ele tropeçar;” Provérbios 24:17 – Relação com a nossa atitude interior de coração para com a queda e tropeço do outro. Corresponsabilidade cristã.

“E muitos entre eles tropeçarão, e cairão, e serão quebrantados, e enlaçados, e presos.” Isaías 8:15 – Já mencionado.

“Porque os egípcios são homens, e não Deus; e os seus cavalos, carne, e não espírito; e quando o Senhor estender a sua mão, tanto tropeçará o auxiliador, como cairá o ajudado, e todos juntamente serão consumidos.” Isaías 31:3 – Relação com a confiança em Deus e não no homem; independente do quanto ele nos pareça forte e poderoso.

“Por isso o direito se tornou atrás, e a justiça se pôs de longe; porque a verdade anda tropeçando pelas ruas, e a equidade não pode entrar.” Isaías 59:14 – Relação com a mentira e com as meias-verdades.

“Aquele que os guiou pelos abismos, como o cavalo no deserto, de modo que nunca tropeçaram?” Isaías 63:13 – Relação com o cuidado de Deus para conosco.

“Virão com choro, e com súplicas os levarei; guiá-los-ei aos ribeiros de águas, por caminho direito, no qual não tropeçarão, porque sou um pai para Israel, e Efraim é o meu primogênito.” Jeremias 31:9 – Idem.

“As nações ouviram a tua vergonha, e a terra está cheia do teu clamor; porque o valente tropeçou com o valente e ambos caíram juntos.” Jeremias 46:12 – Já mencionado.

“Filho do homem, estes homens levantaram os seus ídolos nos seus corações, e o tropeço da sua maldade puseram diante da sua face; devo eu de alguma maneira ser interrogado por eles?” Ezequiel 14:3 – Relação dos tropeços com a idolatria ou, até mesmo, como consequência dela.

“Portanto, eu vos julgarei, cada um conforme os seus caminhos, ó casa de Israel, diz o Senhor DEUS. Tornai-vos, e convertei-vos de todas as vossas transgressões, e a iniqüidade não vos servirá de tropeço.” Ezequiel 18:30 – Relação evidente entre a iniquidade e os tropeços. A primeira leva a segunda.

“Virará então o seu rosto para as fortalezas da sua própria terra, mas tropeçará, e cairá, e não será achado.” Daniel 11:19 – Já mencionado.

“Por isso tropeçarás de dia, e o profeta contigo tropeçará de noite; e destruirei a tua mãe.” Oséias 4:5 – Relação entre a infidelidade a Deus e os tropeços.

“Mas vós vos desviastes do caminho; a muitos fizestes tropeçar na lei; corrompestes a aliança de Levi, diz o Senhor dos Exércitos.” Malaquias 2:8 – Relação entre a utilização da própria Palavra para fazer “tropeçar a muitos”. Responsabilidade dos que pregam a Palavra e do testemunho cristão.

Retornando ao estudo…

É muito interessante! Ao mencionar sobre os escândalos e os tropeços, o Senhor não entra muito em detalhes, nem se põe a aprofundar acerca dos tropeços. Neste caso parece que o Senhor deseja sim, que possamos aprender com os tropeços, mas não deseja que permaneçamos neste mesmo ponto como que “escavando” o mesmo buraco.

Às vezes nós somos aqueles que escavamos e escavamos sobre um mesmo ponto e o desejo do Senhor é que possamos avançar. Ele não deseja, em muitas das vezes, que estejamos sempre metidos a escavar sobre determinado ponto e talvez por esta razão nem os arqueólogos tenham encontrado nada nesta região do deserto.

Os arqueólogos vão e rebusacm e não há nada, somente há notícias vagas e é por esta razão que eles não chegam a um acordo onde estaria precisamente a cidade de Allús; somente sabemos que existiu.

Na vida cristã temos sempre de buscar o equilíbrio. A própria Palavra a isto nos instrui. Basta verificar que a mobília do Tabernáculo era transportada utilizando-se os varais presos nas argolas. Isto tem duas questões a ela relacionadas:

  1. Não “metermos” a mão de homem nas coisas de Deus.
  2. O equilíbrio que se tem de ter ao carregar as verdades espirituais representadas pela mobília do Tabernáculo (Princípio da Primeira Menção).

Assim sendo veja o que o apóstolo Paulo disse acerca de não ficarmos “escavando” em cima do passado, dos tropeços. E note a correlação disto com o processo que denota uma caminhada, assim como no deserto, mas neste caso de natureza espiritual; ascencional.

“Não que eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus. Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. Todos, pois, que somos perfeitos, tenhamos este sentimento; e, se, porventura, pensais doutro modo, também isto Deus vos esclarecerá. Todavia, andemos de acordo com o que já alcançamos.” Fp 3:12-16

Em nome do equilíbrio, podemos afirmar que ele não estava sendo leviano e ordenando que todos nós nos esqueçamos dos tropeços do passado no sentido de não aprender com eles, mas que, tendo aprendido a lição, que possamos prosseguir para o alvo. Aliás, já dizia o irmão Watchman Nee que, a introspecção não gera santidade.

Porém o foco em Cristo nos transforma na medida em que somos habilitados a que se opere em nós, subjetivamente pelo Espírito, aquilo que o Senhor Jesus fez por nós objetivamente na cruz do Calvário.

E não somente isto. O que o inimigo de Deus (e nosso) deseja é que possamos ficar paralisados, sem avançar, sem crescer na Graça e no Conhecimento de Deus. E a introspecção e o ficar “escavando” sobre um mesmo tema gera certa paralisia, certo embotamento; isto quando não suscita em nós uma autocomiseração, que é neste aspecto, em síntese, originária da justiça própria.

Ou seja, o inimigo deseja nos retirar da “ambiência” da Graça, o que o inimigo faz é desviar nossa atenção para a centralidade do nosso próprio eu, porque ele sabe que isto gera, ao final, a nossa queda. Veja a sutileza desta questão e a astúcia do inimigo.

Voltando a questão objeto do estudo vemos que o próprio Senhor disse que, no caminho, haveriam dificuldades. Vejamos o texto em I Co 11:17-19.

“Nisto, porém, que vos prescrevo, não vos louvo, porquanto vos ajuntais não para melhor, e sim para pior. Porque, antes de tudo, estou informado haver divisões entre vós quando vos reunis na igreja; e eu, em parte, o creio. Porque até mesmo importa que haja partidos entre vós, para que também os aprovados se tornem conhecidos em vosso meio.”

Veja que o desejo do Senhor é que possamos avançar, que juntos congregados possamos crescer e avançar. Aliás este é o propósito de nos reunirmos como Igreja, de estarmos orando uns pelos outros, de estarmos nos visitando, nos ajudando, “fazendo acampamentos” no sentido de avançar; porém há circunstâncias que vivenciamos em que aquilo que fazemos para o bem sucede em mal.

As vezes algo sucede em nossas reuniões; desejávamos que não houvesse nenhuma mancha, nenhuma mácula, nenhum problema. Porém o Senhor sabe que podem haver estas situações, estas manchas. E que, inclusive, podem suceder sem que possamos estar esperando. Quisera não acontecesse, mas as vezes acontece. Deus então possa nos ajudar para que possamos passar mais rapidamente sobre estas questões, sem desconsiderá-las, sem deixar de aprender com elas, mas que elas não nos sejam impeditivos para prosseguir.

Isto é algo a que ficamos sujeitos quando, em nosso meio, algo sucede. As vezes sucede uma debilidade humana qualquer e, um dentre nós, logo diz: “Vocês viram o que aconteceu? Vocês nem podem imaginar o que se passou…” e assim aumentamos as coisas.

Neste sentido precisamos aprender não só com os bons exemplos, mas com os maus também. No primeiro caso para servir de molde, de modelo a ser seguido. No segundo para não nos deixarmos contaminar por atitudes e comportamentos que desagradam a Deus e não promovem o nosso avanço e crescimento e nem o de toda congregação. O aspecto corporativo é extremamente importante pela corresponsabilidade que está posta sobre cada membro do Corpo de Cristo.

“Porque até mesmo importa que haja partidos entre vós, para que também os aprovados se tornem conhecidos em vosso meio.” I Co 11:19

Veja que aqui, neste versículo, aparece a palavra análoga àquela que o Senhor Jesus disse: “É preciso, ou até mesmo importa”. É necessário que venham escândalos, que venham tropeços. Nós não temos que provocá-los, nem devemos ser descuidados com eles, mas foi o próprio Senhor Jesus Cristo que disse que eles são necessários. São estes tropeços, ou a possibilidade deles, inclusive, que vão nos colocar à prova.

As Provas Aprovam e Reprovam

Fixem a atenção na prova que vem depois de Allús. Depois de Allús vem Refidim. Em Refidim, depois do alvoroço, depois do problema, aquele povo seguramente foi deixado disperso e houve uma rebelião na sequência. Em outras palavras, a base do que sucedeu em Refidim foi semeada em Allús; aquele alvoroço, aquele problema.

“Porque até mesmo importa que haja partidos entre vós, para que também os aprovados se tornem conhecidos em vosso meio.” I Co 11:19

Parece que se não sucede alguma coisa que dê ocasião a que se manifeste a realidade interior das pessoas, parece que os problemas não são tratados e permanecem latentes. Porém há problemas conosco; na verdade nós somos O problema. Temos muitas classes de problemas, temos problemas de personalidade, enfim, é por esta causa que há muitas jornadas na caminhada. Somente assim somos tratados. Tratados muitas vezes de forma individual, e tantas outras na comunhão do Corpo de Cristo.

No ambiente da Igreja se apresentam muitos problemas, se apresentam tensões, se apresentam divisões. Porque? Porque o Senhor permite que venham tropeços. E porquê? Para que nosso interior seja revelado, para que sejamos provados. E então, o Senhor manifesta em meio a Seu povo aqueles que são aprovados.

Importante lembrar que os juízes apareceram depois da prova de Allús e de Refidim; aqueles aprovados, aquelas pessoas que depois de passar pela prova foram aprovadas; porque a prova é para aprovar ou reprovar. Ou seja, os problemas, seja de natureza individual, seja de natureza corporativa, são provas.

Vejamos a Igreja em Esmirna: “Não temas as coisas que tens de sofrer. Eis que o diabo está para lançar em prisão alguns dentre vós, para serdes postos à prova, e tereis tribulação de dez dias. Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida.” Ap 2:10

Quantas vezes não dizemos assim: Porque o Senhor está permitindo isto? Que propósito tem esta estação? Porque tenho que passar por esta experiência? É porque se não passamos pelas experiências de provas, se não somos provados, não se manifesta o que há em nós e não somos tratados. Quando somos colocados em uma situação difícil, é quando Deus nos mostra a nós mesmos o que Ele vê, que nós mesmos não vemos. E quantos de nós não desejam simplesmente sair rapidamente desta situação, ou até mesmo não estar colocado nela. Graças ao Senhor, pela Sua Fidelidade e Propósito acerca de nossas vidas podemos dizer: “Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus.” Fp 1:6

Veja quão real é isto. As vezes vamos nos reunir num Domingo. Com que propósito? Ouvir a Palavra de Deus, adorar a Deus, cantar louvores e etc… No entanto o que acontece? Discussões, tensões, desentendimentos. E o Senhor as permite. Porque? Porque cada um de nós está sendo provado para ver como reage, para ver como se comporta na prova; se haveremos de sair do outro lado aprovados, ou se devemos retornar porque fomos reprovados.

As Provas são de Amor

Veja que séria esta questão. Se compararmos pela Bíblia o texto em que o Senhor vai ao deserto para ser provado vemos algo interessante:

“A seguir, foi Jesus levado pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo. E, depois de jejuar quarenta dias e quarenta noites, teve fome. Então, o tentador, aproximando-se, lhe disse: Se és Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães. Jesus, porém, respondeu: Está escrito: Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus.

Então, o diabo o levou à Cidade Santa, colocou-o sobre o pináculo do templo e lhe disse: Se és Filho de Deus, atira-te abaixo, porque está escrito: Aos seus anjos ordenará a teu respeito que te guardem; e: Eles te susterão nas suas mãos, para não tropeçares nalguma pedra. Respondeu-lhe Jesus: Também está escrito: Não tentarás o Senhor, teu Deus.

Levou-o ainda o diabo a um monte muito alto, mostrou-lhe todos os reinos do mundo e a glória deles e lhe disse: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares. Então, Jesus lhe ordenou: Retira-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a ele darás culto. Com isto, o deixou o diabo, e eis que vieram anjos e o serviram.” Mt 4:1-11

“cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão e foi guiado pelo mesmo Espírito, no deserto, durante quarenta dias, sendo tentado pelo diabo. Nada comeu naqueles dias, ao fim dos quais teve fome. Disse-lhe, então, o diabo: Se és o Filho de Deus, manda que esta pedra se transforme em pão. Mas Jesus lhe respondeu: Está escrito: Não só de pão viverá o homem.

E, elevando-o, mostrou-lhe, num momento, todos os reinos do mundo. Disse-lhe o diabo: Dar-te-ei toda esta autoridade e a glória destes reinos, porque ela me foi entregue, e a dou a quem eu quiser. Portanto, se prostrado me adorares, toda será tua. Mas Jesus lhe respondeu: Está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a ele darás culto.

Então, o levou a Jerusalém, e o colocou sobre o pináculo do templo, e disse: Se és o Filho de Deus, atira-te daqui abaixo; porque está escrito: Aos seus anjos ordenará a teu respeito que te guardem; e: Eles te susterão nas suas mãos, para não tropeçares nalguma pedra. Respondeu-lhe Jesus: Dito está: Não tentarás o Senhor, teu Deus. Passadas que foram as tentações de toda sorte, apartou-se dele o diabo, até momento oportuno.” Lc 4:1-13

“E logo o Espírito o impeliu para o deserto, onde permaneceu quarenta dias, sendo tentado por Satanás; estava com as feras, mas os anjos o serviam.” Mc 1:12-13

Veja que o próprio Senhor Jesus foi provado. O próprio Espírito o impeliu ao deserto com o objetivo de prová-Lo. Também encontramos o que aconteceu com Adão, que foi provado; e também o que aconteceu com os anjos. Assim devemos nos perguntar: a prova é, afinal, uma prova de quê? É uma prova de amor, para ver se, de fato, amamos o Senhor de todo nosso coração. Por isto que o Senhor permite tantas situações para que nós, não Ele, tomemos ciência do amor que temos por Ele; se é real ou é apenas sentimentalismo.

O próprio Senhor disse para que nós orássemos para não sermos metidos em tentações, quer dizer, o Senhor não nos quer metidos sempre nestas situações. Mas, de outro lado, Ele deseja que possamos tomar conhecimento de que em nosso caminho há provas e que, muitas delas, são permissões divinas para sermos conscientizados de nossa realidade espiritual no que concerne ao amor que professamos ter pelo Senhor; se é real ou se é meramente superficial.

Isto sucede na nossa relação com o Senhor e também em nossa relação de uns para com os outros. Se amamos de verdade ao Senhor e uns aos outros. Na verdade, o verdadeiro amor não vai se escandalizar ante a debilidade, diante das dificuldades. O verdadeiro amor se mostra nas provas, na perseverança, na persistência, no suportar, no perdoar. Nós sabemos o quanto nos ama o Senhor. O quanto nos perdoa, o quão longânimo Ele é para conosco. Vejamos alguns versículos sobre esta questão.

“Agora, me regozijo nos meus sofrimentos por vós; e preencho o que resta das aflições de Cristo, na minha carne, a favor do seu corpo, que é a igreja;” Cl 1:24

“Lembrai-vos, porém, dos dias anteriores, em que, depois de iluminados, sustentastes grande luta e sofrimentos; ora expostos como em espetáculo, tanto de opróbrio quanto de tribulações, ora tornando-vos co-participantes com aqueles que desse modo foram tratados. Porque não somente vos compadecestes dos encarcerados, como também aceitastes com alegria o espólio dos vossos bens, tendo ciência de possuirdes vós mesmos patrimônio superior e durável.” Hb 10:32-34

“Irmãos, tomai por modelo no sofrimento e na paciência os profetas, os quais falaram em nome do Senhor. Eis que temos por felizes os que perseveraram firmes. Tendes ouvido da paciência de Jó e vistes que fim o Senhor lhe deu; porque o Senhor é cheio de terna misericórdia e compassivo.” Tg 5:10-11

“Nisso exultais, embora, no presente, por breve tempo, se necessário, sejais contristados por várias provações, para que, uma vez confirmado o valor da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro perecível, mesmo apurado por fogo, redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo; a quem, não havendo visto, amais; no qual, não vendo agora, mas crendo, exultais com alegria indizível e cheia de glória, obtendo o fim da vossa fé: a salvação da vossa alma. Foi a respeito desta salvação que os profetas indagaram e inquiriram, os quais profetizaram acerca da graça a vós outros destinada,” I Pe 1:6-10

“Amados, não estranheis o fogo ardente que surge no meio de vós, destinado a provar-vos, como se alguma coisa extraordinária vos estivesse acontecendo; pelo contrário, alegrai-vos na medida em que sois co-participantes dos sofrimentos de Cristo, para que também, na revelação de sua glória, vos alegreis exultando. Se, pelo nome de Cristo, sois injuriados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória e de Deus.” I Pe 4:12-14

“Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que ele, em tempo oportuno, vos exalte, lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós. Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar; resisti-lhe firmes na fé, certos de que sofrimentos iguais aos vossos estão-se cumprindo na vossa irmandade espalhada pelo mundo. Ora, o Deus de toda a graça, que em Cristo vos chamou à sua eterna glória, depois de terdes sofrido por um pouco, ele mesmo vos há de aperfeiçoar, firmar, fortificar e fundamentar.” I Pe 5:6-10

“Irmãos, cumpre-nos dar sempre graças a Deus no tocante a vós outros, como é justo, pois a vossa fé cresce sobremaneira, e o vosso mútuo amor de uns para com os outros vai aumentando, a tal ponto que nós mesmos nos gloriamos de vós nas igrejas de Deus, à vista da vossa constância e fé, em todas as vossas perseguições e nas tribulações que suportais, sinal evidente do reto juízo de Deus, para que sejais considerados dignos do reino de Deus, pelo qual, com efeito, estais sofrendo;” II Ts 1:3-5

“fortalecendo a alma dos discípulos, exortando-os a permanecer firmes na fé; e mostrando que, através de muitas tribulações, nos importa entrar no reino de Deus.” At 14:22

Poderíamos citar outros tantos versículos tendo como chave bíblica as palavras: perseverança, tribulação, sofrimento e etc… Mas talvez o que temos já seja o suficiente para nos demonstrar o princípio estabelecido nesta estação quanto a questão das dificuldades, dos problemas como provas da parte do Senhor.

E, até mesmo as tentações pelas quais passamos, como instrumentos que Deus permite em nossas vidas (porque as tentações, obviamente não vem do Senhor), mas para expor aos nossos próprios olhos o nosso coração.

“Bem-aventurado o homem que suporta, com perseverança, a provação; porque, depois de ter sido aprovado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor prometeu aos que o amam. Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo a ninguém tenta. Ao contrário, cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz. Então, a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte.” Tg 1:12-15

A Vida Cristã e as Tentações

Martinho Lutero dizia que “as tentações são uma das três coisas necessárias ao desenvolvimento de um santo”. Esta afirmação traz consigo algo sobre o que devemos meditar: Porque Deus em Sua Infinita Sabedoria deixou que Seus filhos fossem tentados e tentáveis?

Muitos entendem que talvez aí, neste ponto, resida o fato de, no pensamento de Deus, um meio de Graça, uma oportunidade de provarmos a Ele (e principalmente a nós mesmos) se de fato O amamos acima de tudo e de todos.

Deus nos criou com vontade livre, com direito de escolha. Deseja que provemos e expressemos nossa fé e Amor por Ele, mesmo sendo criaturas tendentes a amar apenas a nós mesmos, e vivendo em um ambiente em que existem inúmeras oportunidades de servirmos somente a nossos próprios interesses. Deus não quer que sejamos autômatos, forçados a amá-Lo e a servi-Lo.

Porque o amor expressado forçosamente não é fruto de uma escolha e, assim, não é de fato Amor, na sua plena acepção e natureza, pois que este é livre e dependente de nossa escolha para manifestar-se como tal!

Logo, nosso Pai, mesmo depois de termos crido Nele, está continuamente fazendo tudo para ganhar o nosso amor. Então, as tentações são apenas amplas e ilimitadas oportunidades que temos de provar nosso amor para com Ele. Não é algo que esteja de espreita, a cada momento, para nos assaltar, mas algo a ser vencido e como parte inerente no processo de nosso autoconhecimento e necessário para a edificação de um Amor que não é circunstancial, mas visceral.

Na hora mais difícil, e a cada momento em que poderíamos escolher fazer justamente o oposto, Deus quer que alcancemos uma vitória positiva, preferindo escolher a Ele e à Sua Vontade.

É fato que, conforme Tiago, Deus a ninguém tenta e nem Ele mesmo pode ser tentado pelo mal, devido a Sua natureza intrínseca e absolutamente santa. Porém, ao citar as tentações e provações, Tiago as menciona paralelamente. De um lado, deixa claro que as tentações são fruto das concupiscências que nos habitam (mesmo após termos crido), de outro demonstra que a coroa da Vida é para aqueles que suportam as provações e que são por meio delas aprovados.

Saibamos de antemão que nosso esperto e ardiloso inimigo, conhece os nossos pontos vulneráveis, logo não devemos ignorar seus ardis. Precisamos, portanto, estudar em detalhes, a tentação de Adão e Eva sob três ângulos:

(1) o método de satânico de atacar Adão e Eva

(2) as respostas que os tentados deram as insinuações do diabo

(3) como vencer na hora da tentação.

(1) O método de satânico de atacar Adão e Eva

No jardim do Éden, nada faltava a Adão e Eva, nem quanto a seus dotes, nem quanto ao ambiente. Importante salientar que a ênfase dada por Deus foi a de que eles poderiam usufruir e experimentar de todas as árvores do jardim, à exceção da árvore do conhecimento do bem e do mal.

Há, evidentemente, uma correlação imediata disto com a passagem no evangelho de João com respeito a mulher samaritana. Embora todas as árvores do jardim, às quais que lhes fora permitido comer, pudessem ser agradáveis a vistas e boas para se comer, somente a árvore da Vida lhes daria plena satisfação.

E foi a isto que Jesus se referiu quanto à Ele mesmo em contraposição àquele poço que a mulher samaritana buscava dessendentar sua sede.

Obs: Para detalhamento desta questão verificar o Estudo sobre a Mulher Samaritana e a Idolatria.

Mas, voltando a questão do episódio no Éden, conquanto não tivessem natureza pecaminosa, na infinita sabedoria de Deus, foi-lhes permitido sofrer a intromissão de satanás e a tentação. Portanto, enganamo-nos se pensarmos que na alma purificada de pecado não existe nada para satanás tentar. Adão e Eva foram tentados ANTES da queda, muito embora não existisse neles pecado algum.

Não devemos confundir TENTAÇÃO com PECADO, nem devemos permitir que satanás, o acusador dos irmãos, nos prostre sob falsa condenação. O SER TENTADO NÃO É PECADO, porque nos diz a Palavra de Deus que Cristo foi tentado em todas as coisas, mas não pecou.

1 – Não nos é dito o porquê que Adão não ficou admirado de ver aquele animal (a serpente) a falar. Por certo a estranheza de ver um animal falante já deveria ser suficiente para colocá-lo de sobreaviso. Além disto, parece-nos bem claro que Deus certamente desejava que Adão o consultasse em todas as coisas, e jamais agisse independentemente Dele.

2 – Adão não era onisciente, embora possuía um grau muito superior de inteligência de qualquer criatura depois da queda. Não obstante seu conhecimento era limitado, haja visto que o próprio nome da árvore da qual ele comeu, a árvore do conhecimento do bem e do mal, já estava a indicar isto.

3 – Logo, quais foram os métodos de satanás, tanto no Éden quanto nos dias atuais, para atacar Adão e Eva (e os seres humanos de forma geral)? Inicialmente ele utiliza de duas mentiras: uma insinuada e outra declarada. Não é de se admirar, posto que ele é o pai da mentira.

4 – “É assim que Deus disse: Não comereis de toda a árvore do jardim?” Havia uma sutil insinuação nesta pergunta. O inimigo de nossas almas, na verdade, dizia: “Deus não os ama, Adão e Eva. Se Ele realmente amasse vocês não lhes faria restrições e nem lhes negaria o prazer de comer o fruto desta linda árvore. Será que Deus não está sendo mesquinho? Compreendem agora que Ele, de fato, não os ama?”

5 – O inimigo de nossas almas sabe perfeitamente que, se nos convencermos plenamente de que Deus nos Ama, e por nós se interessa, e está buscando o nosso bem, nós a tudo resistiremos. Mas se aceitarmos suas insinuações mentirosas, em nosso íntimo surgirão o DESÂNIMO, a DEPRESSÃO, a AUTOPIEDADE, o DESESPERO e tantos outros pecados. É POR CREREM NESTAS MENTIRAS DO DIABO QUE OS HOMENS CONTINUAM DERROTADOS, FRACOS, DOENTES E INCAPACITADOS DE SE APROPRIAREM DAS PROMESSAS DE DEUS.

6 – Parece que Adão e Eva desconsideraram que “Deus é Amor” (I Jo 4:16), embora possuíssem um certo relacionamento com Deus, expressado na comunhão diária que tinham ao entardecer de cada dia.

7 – Na mesma medida em que cremos de todo nosso coração que Deus nos ama, então experimentaremos a realidade do que significa: “Conhecereis a Verdade e a Verdade nos libertará” (Jo 8:32). Porque? Porque se percebermos que é o Amor de Deus que, em muitas circunstâncias nos impede de prosseguir neste ou naquele aspecto pelo qual passamos nesta existência, e agimos em obediência a Ele, mesmo sabendo que em muitas destas vezes não compreenderemos tudo perfeitamente, mas porque nos firmamos na certeza de Seu Amor e Seu cuidado por nós, então teremos dado um enorme passo para vencer os obstáculos e tentações que se nos interpõem para nos levar a cair e retroalimentar o processo de escravidão a que estamos sujeitos em tantas áreas de nossas vidas e que nos mantêm cativos de tantas e tantas formas.

8 – A segunda mentira de satanás para Adão e Eva foi uma afirmação direta: “É certo que não morrereis…” (Gn 3:4). Agora já não mais insinuava, mas ousava afirmar o que contrariava frontalmente aquilo que Deus dissera: “Certamente morrerás…” (Gn 2:17). Não ousara iniciar a tentação com uma mentira direta; mas agora que conseguira a atenção deles, e a questão tomara conta de sua mente, ousava contrariar frontalmente a afirmativa clara de Deus.

9 – Esta segunda mentira é mais profunda e mais perigosa do que a primeira. Aqui ele diz: “Vocês podem pecar e nada vai lhes acontecer. A desobediência não lhes trará a morte. Podem pecar que vocês não sofrerão as consequências”. Não é de se admirar que os homens hoje sejam ousados no pecar. E, da mesma forma, não é de se admirar a ausência de convicção de pecado. Portanto, o pai destas falsas esperanças é o diabo.

10 – Que outras coisas, senão as mentiras de satanás, podem causar a carnalidade, o egoísmo e o baixo nível da vida cristã atual? Corremos o risco de entender mal a Graça, a ponto de usá-la como permissão para pecar; e, de fato, alguns tem uma noção tão superficial do pecado, que acham que Deus quer que o pecado continue a existir na vida do crente a fim de conservá-lo humilde.

As respostas que os tentados deram as insinuações do diabo

1 – Se considerarmos agora a reação dos atacados veremos que ela é gradativa. “Vendo a mulher que a árvore ERA BOA PARA SE COMER, AGRADÁVEL AOS OLHOS, E ÁRVORE DESEJÁVEL PARA DAR ENTENDIMENTO, tomou-lhe do fruto, e comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu…” (Gn 3:6). Vemos aqui as áreas em que as criaturas humanas, a exemplo de Adão e Eva são tentadas:

1.1 – Árvore boa para se comer = Concupiscência da carne – Refere-se ao desejo natural de GOZAR AS COISAS. Aqui se expressa um desejo natural para com as coisas do corpo (alimento, sono, sexo e etc…)(I Jo 2:16)

1.2 – Agradável aos olhos = Concupiscência dos olhos – Refere-se ao desejo natural de POSSUIR COISAS. Aqui, a pessoa quer adquirir coisas para si, de uma ou outra forma. O desejo em si não é mau, desde que fique dentro dos limites estabelecidos por Deus. Senão pode conduzir a algo mau, descontrolado. (I Jo 2:16)

1.3 – Desejável para dar entendimento = Soberba da vida – Refere-se ao desejo natural de FAZER COISAS. Aqui se expressa o desejo de fazer coisas para si, para o mundo, ou até mesmo para Deus. Em limites que extrapolam os estabelecidos por Deus, pode conduzir ao orgulho, a soberba. (I Jo 2:16)

2 – Para ser tentado o homem não precisa ter uma natureza pecaminosa. Isto fica claro na experiência de Adão e Eva, pois foram tentados ANTES da entrada do pecado, antes da queda. O homem é tentado por meio de seus desejos naturais. Estes não são maus em si mesmos, já que foram dados por Deus e existem para o bem do homem. Mas, se usados erronêamente, os desejos do homem podem se tornar anormais, conspurcados, principalmente se o mau uso se torna habitual. Se, porém são controlados de modo próprio, tais desejos podem permanecer puros e bons.

3 – A tentação de Cristo pelo diabo, conforme Lucas 4:13, obedece ao mesmo padrão:

3.1 – “Se és Filho de Deus, manda que esta pedra se transforme em pão…” – GOZAR COISAS. Aqui a indução pecaminosa buscava que Cristo satisfizesse seus desejos de maneira imprópria e na ocasião errada. A tentação foi dirigida aos desejos de seu corpo.

3.2 – “E, elevando-O, mostrou-lhe num momento todos os reinos do mundo. Disse-lhe o diabo: Dar-te-ei toda esta autoridade e a glória destes reinos, porque ela me foi entregue, e a dou a quem eu quiser. Portanto, se prostrado me adorares, toda será tua…” – POSSUIR COISAS. Certamente, o Senhor Jesus Cristo viera para tomar os reinos deste mundo, e os tomará um dia, mas não do modo errado. Logo, a sugestão do diabo visava que Jesus se esquivasse do Calvário.

3.3 – “Então O levou a Jerusalém e O colocou sobre o pináculo do templo e disse: Se és Filho de Deus, atira-te daqui abaixo; porque está escrito: Aos seus anjos dará ordens a Teu respeito para que Te guardem; e eles te susterão nas suas mãos, para não tropeçares nalguma pedra…” – FAZER COISAS. A última tentação era para que Jesus se atirasse do pináculo do templo, e, assim, não só realizaria um milagre, mas por este feito levaria todos os judeus a recebê-Lo como o Messias. Além do mais, agindo assim, Ele utilizaria prerrogativas Divinas e, por consequência, não poderia expiar os nossos pecados, pois teria utilizado de atributos Divinos e não de sua natureza humana assemelhada a nossa. E fazendo isto, haveria o descredenciamento de sua prerrogativa de representante da raça humana em plena o total obediência (portanto isenta de pecado) para nos justificar, e consequentemente nos dar Vida.

4 – Hebreus 4:15 nos diz: “foi Ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado…”. Portanto, concluímos que esta tríplice tentação de Cristo foi uma tentação total que O atacou em todos os pontos da natureza humana. Ele não foi, necessariamente, tentado com cada pecado individual que o homem possa cometer, mas em cada área de sua natureza (espírito, alma e corpo). Foi, de fato, uma tentação total.

5 – A melhor definição de tentação, portanto, seja a do Dr. Kile: “TENTAÇÃO É UMA INSTIGAÇÃO DOS DESEJOS NATURAIS, A QUE ULTRAPASSEM OS LIMITES ESTABELECIDOS POR DEUS.”

6 – O diabo não tenta uma natureza pecaminosa porque não há razão de tentar o mal com o mal. Em nosso caso, a natureza humana é decaída, pois recebemos ao nascer neste mundo a natureza adâmica, caída e pecadora de Adão e Eva; nossos “pais”. No caso de Adão e Eva, não. Eles, antes da queda, não tinham pecado. Possuíam tão somente uma natureza humana tentável e, possuíam três desejos naturais e fundamentais que poderiam atender à sugestão da tentação.

7 – Deus permite a tentação, não com o propósito de nos levar à queda, e sim de nos fortalecer e nos dar uma oportunidade de provar uma devoção e um Amor absolutos a Cristo (muito embora sejamos perfeitamente livres para fazer o oposto). Não há que se falar em resistir à tentação, por estas razões, quando ainda não se conhece a Cristo. Neste estado, o homem natural peca e nem sequer se dá conta de que o que faz é contrário à Vontade e à Santidade de Deus.

Como vencer na hora da tentação.

1 – O homem é tentado quando arrastado “pela sua própria cobiça” e por ela engodado. Costumamos dar caráter pejorativo à palavra COBIÇA, embora, de modo exato, nada mais signifique do que UM DESEJO FORTE. O significado do vocábulo grego empregado dá o sentido “de se desejar de forma muito forte algo, de se colocar o coração em alguma coisa” (certa ou errada).

2 – É aí que se trava a batalha. É nos seus desejos que o homem é engodado.

3 – SOMENTE QUANDO A COBIÇA CONCEBE, É QUE O SURGE O PECADO. ENQUANTO A VONTADE NÃO SE “CASA” COM O MAU DESEJO, NÃO HÁ CONCEPÇÃO. SE A VONTADE NÃO CEDE AO INCITAMENTO, NÃO HÁ PECADO. SÓ QUANDO A VONTADE CEDE AO DESEJO É QUE HÁ CONCEPÇÃO E PECADO; E ENTÃO NASCE O FILHO DA COBIÇA.

4 – A TENTAÇÃO COMEÇA COM UM SIMPLES PENSAMENTO MAU; O PASSO SEGUINTE É UMA FORTE IMAGINAÇÃO; DEPOIS VEM O DELEITE E, FINALMENTE, O CONSENTIMENTO. SOMENTE QUANDO O PENSAMENTO CHEGA AO PONTO DE CONSENTIR É QUE HÁ PECADO.

**Obs: Estes quatro passos podem ocorrer na mente, sem um ato exterior. Portanto é preciso tratar com a sugestão logo de início, antes que se torne mais fácil ceder ou consentir!!

5 – “Não vos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é Fiel, e não permitirá que sejais tentados além de vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, vos proverá livramento, de sorte que a possais suportar.” (I Co 10:13). Esta promessa, entretanto, está colocada entre dois avisos importantes:

5.1 – “Aquele, pois, que pensa estar em pé, veja que não caia…” – A presunção já é um prenúncio de queda.

5.2 – “Portanto meus amados, fugi da idolatria.” – Idolatria significa colocar algo na posição que somente deve ser ocupada por Deus; a posição de preeminência!!

6 – Se, entretanto, acontecer de pecarmos, Deus em Sua Misericórdia, fez provisão, por meio da qual podemos voltar à Ele, e confessar os nossos pecados. “Se confessarmos os nossos pecados, Ele é Fiel e Justo, para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça…”. Ele é a nossa oferta pela transgressão, conforme relatado em Levítico.

7 – Além disto, sabemos que “Se, todavia, alguém pecar, temos advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo…” (I Jo 2:1). Ele é o nosso perfeito Sumo Sacerdote que “vive eternamente para interceder por eles…” (Hb 7:25).

8 – Louvado seja Deus por toda a provisão de Sua magnífica e perfeita Obra na Cruz. Graças a Deus por nossa tão grande salvação!!! Porque ela vem em nosso socorro nas três grandes necessidades básicas do homem:

8.1 – Primeiro, Deus perdoa os pecados de todos quantos se arrependem e creem no Senhor Jesus Cristo, o nosso substituto, que morreu em nosso lugar. Recebendo-O como Senhor e Salvador, temos Vida eterna e somos reconciliados com Deus.

8.2 – Segundo, pela Sua cruz e pelo Seu Sangue, Ele possibilitou a purificação e a modificação de nossa própria natureza. Assim, não precisamos mais continuar conspurcados; podemos ser limpos e purificados continuamente.

8.3 – Terceiro, pelo Seu Espírito habitando em nós e Seu poder para a vida diária, Ele nos liberta do pecado, do mundo, da carne e do diabo. Podemos agora viver por Sua Vida; não mais pela nossa. E é, também neste sentido, que Ele se tem tornado fiador de superior aliança. Cumprindo em nós aquilo que pelas nossas forças nos seria impossível viver. Porém, isto será dependente de nossa resposta à Graça imensurável que Ele derramou sobre nós. Afinal a Graça de Deus atua em conjunto com nossa responsabilidade.

11- A Vida Cristã e as Batalhas Espirituais

1 – Para entendermos a Batalha Espiritual de uma forma correta, nós devemos ter um entendimento claro quanto a RELACIONAMENTO de uma forma correta. Primeiro com DEUS e depois uns com os outros.

2 – Devemos inicialmente ter uma visão panorâmica acerca do Livro de Juízes e, a partir inclusive do Novo Testamento, colher alguns princípios espirituais acerca deste assunto.

3 – Especificamente quanto ao Livro de Juízes devemos então analisar a vida de cinco Juízes relatados neste Livro. Então, a partir da vida deles nós poderemos extrair princípios relacionados à Batalha Espiritual.

4 – Antes de mais nada, devemos abordar um lado, infelizmente negativo, acerca de Batalha Espiritual que deve ser tocado como forma de recuperarmos a visão bíblica correta acerca deste assunto. Batalha Espiritual é um dos assuntos sobre o qual mais tem havido distorção e confusão quer seja na compreensão, quer no ensino existente hoje na Igreja do Senhor Jesus Cristo. Pois ele tem sido reduzido a meramente um conjunto de técnicas, de normas e de formas para se empreender um combate espiritual. Assim, tem sido perdido a essência do ensino bíblico acerca de Batalha Espiritual; e isto vai ficando tanto mais claro quanto mais nós formos examinando o livro de Juízes.

4.1 – A questão de batalha espiritual tem sido reduzida a uma questão que envolve um CONFLITO DE PODER, quando na realidade a questão envolvida é refere-se a um CONFLITO DE AMOR. Não é uma questão de conflito externo, em essência, mas constitui-se de fato em um conflito interno; em essência! Logo, na batalha espiritual ficará evidentemente exposto O QUE ou A QUEM AMAMOS.

4.2 – Quando Deus nos coloca em prova (Jz 2:22), Ele não está testando a nossa “força”, porque na nossa condição caída e pecaminosa, Deus sabe que não temos nenhuma capacidade de resistir a estas questões que, como vimos, são em essência, interiores. Logo, o que Deus faz ao permitir esta prova é mostrar a Israel o que estava no coração deles. É o mesmo princípio JÁ aplicado por Deus quando o povo de Deus foi provado no deserto (Dt 8:2).

4.3 – É neste ambiente de deserto que experimentamos um conflito de AMOR, de RELACIONAMENTO, de DEVOÇÃO. Assim, a batalha espiritual expõe tudo que está DENTRO DE NÓS. É Deus expondo os nossos corações a nós mesmos diante destes inimigos espirituais. Diante daqueles “deuses”, daqueles ídolos que nós mesmos erguemos em nossos corações. E que buscamos através deles “matar” a sede de satisfação de nossa alma insaciável.

4.4 – Por outro lado, as hostes espirituais da maldade nas regiões celestiais procuram estimular TUDO o que há em nós que não é coerente com Deus, para que nós nos desviemos do nosso amor a Deus, de nossa devoção a Deus. E assim, muitos de nós vão de ídolos em ídolos, procurando atender a nossa própria satisfação, procurando matar a nossa sede.

4.5 – Outra grande questão é a reafirmação, por parte de Deus, do princípio de exposição ao povo, diante de seus próprios olhos, da sua pecaminosidade intrínseca, assim como Ele o fez quando aquela geração ANTERIOR esteve no deserto (Jz 3:2). Porque esta geração, assim como é dito em Jz 2:10, “”não conhecia o Senhor, nem tampouco as obras que fizera a Israel”. E a razão disto, em nos expor aos nossos próprios olhos é a de nos equipar via discernimento para entendermos quais são os nossos inimigos espirituais: o mundo, a carne, as nossas paixões e cobiças, o nosso eu. Agora, o mero discernimento não nos livra destes inimigos. A ÚNICA forma de vencermos esta batalha é através de uma vida de UNIÃO com Cristo. Amor, Relacionamento.

4.6 – Ainda há, porém, uma coisa de extrema relevância. Todo “deus” que se levanta exteriormente é somente um reflexo daquilo que já se levantou interiormente; no coração. E a batalha espiritual se trava, em grande medida de forma inicial, em nossa mente (II Co 10:4-5). Muitas das vezes, para não dizer todas, o nosso coração deseja, a nossa mente consente e o pecado se consuma. Daí vemos nossa fragilidade exposta por Jesus no sermão no monte quando tratou, por exemplo, da questão do adultério.

4.7 – Por isto que, por exemplo, na mitologia grega, vemos tantos “deuses” se levantando exteriormente. Isto nada mais é que o reflexo da manifestação do eu depravado. Quando o apóstolo Paulo esteve em Atenas isto ficou muito claro. A idolatria é sempre uma questão INTERIOR, porque sempre os nossos descaminhos são interiores.

4.8 – Então em resumo, de forma suscinta, a batalha espiritual visa:

4.8.1 – Revelar os nossos corações a nós mesmos, porque Deus deseja nos levar a arrependimento por causa de Sua Bondade e então fazer-nos render a Ele de forma TOTAL e INTEGRAL.

4.8.2 – Nos revelar e identificar, via conhecimento e discernimento, daqueles que são, de fato, os nossos inimigos espirituais. Somente assim, e vendo que a questão é antes de mais nada INTERIOR, podemos então nos render a Ele e vencer esta batalha não pelo discernimento, mas pela Vida de União e DEPENDÊNCIA Dele. Sem este conhecimento, discernimento e experiência, não teríamos como crescer em direção a Ele mesmo.

4.9 – E é importante frisar que esta batalha é ininterrupta e continuada. Nós nunca poderemos dizer nesta experiência terrena, que esta questão de batalha espiritual é superada e vencida definitivamente. Embora nós possamos sim, afinar o nosso coração com o do Senhor, ainda assim, em maior ou menor medida, estaremos necessitando de mais e mais Graça para vencermos estes terríveis inimigos espirituais.

4.10 – Agora, profeticamente, a entrada do povo na Terra Prometida em Josué nos fala de duas coisas que acontecem simultaneamente. De um lado o povo de Deus vai tomar posse da Terra que, tipologicamente, significa entrar na plenitude de Cristo e de tudo o que Ele representa; Terra que mana leite e mel. Mas, tomando como referência Gn 15:16, vemos que a iniquidade dos cananeus (aqui representando este mundo pervertido e corrupto) estará sendo julgado. Porque não antes? Porque Deus havia dito nesta passagem que a “medida da iniquidade deles não havia ainda sido completada”. Logo, a questão envolvida era a longanimidade de Deus, desejando ainda que muitos viessem a se arrepender. E assim é conosco nestes últimos, dos últimos dias.

4.11 – E Deus disse ao povo que ao entrar na Terra os cananeus deveriam ser TOTALMENTE ANIQUILADOS. No entanto, o povo de Deus ao invés de exterminar aquele povo o que eles fazem? Aliança com este povo depravado. E isto só viria a manifestar a perversão do próprio coração deles. Eles não julgaram os cananeus, eles amaram os cananeus. Isto se aplica a nós hoje. Nós deveríamos entrar na Terra e julgar o mundo, deveríamos resplandecer como luzeiros neste mundo, mas nós, ao invés disto, amamos o mundo e somos julgados, porque absorvemos muitos dos valores, conceitos e preceitos do mundo. Que vergonha para nós, povo de Deus.

4.12 – Hoje o mundo está julgando a Igreja. Um povo que deveria julgar está sendo julgado. Que absurdo! Nós, como povo de Deus temos feito aliança com o mundo e isto certamente tem desagradado a Deus. Veja que inversão. Pelo trabalhar de Deus em nossas vidas, nós deveríamos ter os “deuses” do nosso coração expostos, para sermos transformados por Deus, para amarmos unicamente a Ele. No entanto, muitos de nós estamos amando o mundo.

4.13 – Deus é extremamente paciente. Ele aguarda o mundo crescendo em iniquidade e Ele aguarda Sua Igreja crescendo em santidade. Daí devemos nos perguntar: até quando vamos protelar este trabalhar de Deus? Até quando nossas alianças com o mundo vão permanecer? Nossas alianças com o nosso próprio eu obstinado? Nossas alianças com a nossa própria carne? Nossas alianças com as nossas cobiças e paixões?

4.14 – Como os planos de Deus não podem ser frustrados a questão é que se perdermos a linha do trabalhar de Deus, Ele certamente levantará a outros. Logo a questão é: desejamos fazer parte disto? Participaremos ou seremos excluídos por desprezar e não considerar o falar e o trabalhar de Deus. Somente se estivermos respondendo a este falar e trabalhar de Deus é que poderemos ser considerados este remanescente fiel.

4.15 – Será que vemos agora como a questão da batalha espiritual é antes de mais nada uma questão de ordem interior? Será que compreendemos a imensa necessidade de termos todos estes “deuses” em nós julgados, para expressar somente a Glória Daquele que nos chamou, para sermos participantes de Sua Santidade?

4.16 – E o Senhor está fazendo este trabalho de nos conformar a Sua imagem. De uma forma persistente, amorosa e constrangedora. Daí Ele irá tomar para Si mesmo estes que tem se deixado trabalhar por Deus. De uma forma não visível ao mundo num primeiro momento. O arrebatamento. Porém depois virá, de forma visível COM os seus santos, de forma visível ao mundo, para reinar COM os seus santos.

4.17 – E a história de Israel nos deixa claro que muitos dos instrumentos de Deus, muitos dentre os do Seu povo falharam. Mas a mesma história nos diz que os propósitos de Deus de forma alguma foram frustrados. Deus levantou alguns dentre Seu povo e levou adiante aquilo que Ele pretendia fazer; e fez! Logo a questão retorna novamente a nós: queremos fazer parte disto? O remanescente fiel é, antes de mais nada, formado por aqueles que tiveram a coragem de julgar os seus próprios erros. Aqueles que renderam o seu coração sem temor. Aqueles que pediram “sonda-me ó Deus, conhece o meu coração, prova-me e conhece os mês pensamentos, vê se há em mim algum caminho mal e guia-me pelo caminho eterno.”

4.18 – Temos de entender, antes de mais nada, que o povo cananeu era um povo absolutamente perverso. Adoravam a baal e astarote, deuses da fertilidade. Sacrificavam seus filhos pequenos, pois supunham que o sangue destas crianças, absolutamente inocentes, aplacariam a “ira dos deuses” lhes provendo proteção. E, como se não bastasse, faziam o sacrifício dos filhos primogênitos, numa cerimônia de “dedicação dos alicerces” das suas casas, pois também supunham que isto lhes proveria longevidade e paz. Ou seja, os cananeus eram um povo ABSOLUTAMENTE PERVERSO.

4.19 – Logo, entendemos o porquê do Senhor ter dito que o Seu povo ao entrar na Terra, deveria exterminar totalmente os cananeus. No entanto o povo entra e faz aliança com os cananeus. E eles fizeram aliança com os cananeus, porque no seus corações eles não tinham entronizado o VERDADEIRO DEUS.

5 – Portanto abordando pelo lado negativo, não só o que se tem em vista é demonstrar o erro no ensino bíblico, como também trazer à luz o ensino correto, haja visto que os erros quanto a este assunto tem sido extremamente difundidos no meio da cristandade hoje em dia.

6 – Existem hoje duas porta vozes deste ensino incorreto. São duas mulheres: uma é conhecida como Neuza Itioka ( Ministério Cepal ) e a outra ministra de forma mais “livre” pois que não está ligada a nenhum ministério e se chama Vanilce Milhomens. Ambas mulheres tem disseminado um ensino “estranho” e “confuso” no que concerne à Palavra de DEUS no tocante a Batalha Espiritual.

7 – Elas, na verdade, não foram as originadoras deste ensino, pois as distorções deste ensino vieram dos Estados Unidos. A pessoa que deu origem a este ensino distorcido se chama Peter Wagner nos Estados Unidos. Ele começou a difundir técnicas de combate no tocante a Batalha Espiritual.

8 – Em sua maneira de ver, existiam hostes espirituais que precisavam ser discernidas; seriam grupos específicos de demônios que agiriam especificamente sobre grupos específicos, sobre microrregiões, e que, portanto, eles deveriam ser identificados e combatidos separadamente. E isto deveria ser feito com técnicas apropriadas, até mesmo com técnicas de oração, coisas que chegam às vezes ao ponto do ridículo, como por exemplo dizer que nestas orações de Batalha Espiritual nós não poderíamos ter nenhum membro de nosso corpo cruzado. A razão segundo eles? É que a existência de qualquer membro cruzado (braços, pernas ou dedos) anularia o efeito da oração na esfera espiritual. Assim como esta existem diversas outras distorções que não vem ao caso falar sobre elas, porque são muitas e que, obviamente não nos edificaria.

9 – Nós embora, pela Graça de DEUS, não estejamos sendo influenciados por este ensino incorreto, não podemos deixar de sentir a dor de nossos irmãos (porque isto gera uma dor muito séria e leva a conseqüências muito sérias) que recebendo um ensino errado, adquirem uma visão errada, e consequentemente adotam uma atitude errada e por fim acabam manifestando uma condição interior toda distorcida. Fatalmente nesta visão e conduta distorcida o próprio caráter de DEUS será distorcido na visão e manifestação Dele em e através destas pessoas.

10 – Outro ensino derivado deste ensino incorreto de Batalha Espiritual e que tem sido difundido erradamente no meio do povo de DEUS de forma danosa é o ensino da necessidade de quebra de cadeias de maldição hereditária. Este não é um ensino em si, mas é derivado deste ensino incorreto sobre Batalha Espiritual. Eles creem que existem hostes espirituais do mal que acompanham de uma forma específica uma família. Então existe o espírito do vício, o espírito do adultério, e etc… E este ensino defende que este espírito acompanha aquela família e todos fatalmente entrarão naquela linha. E isto não é bíblico.

11 – É inegável que as hostes espirituais do mal são um fato e que a Batalha Espiritual é um fato, mas nunca a Batalha Espiritual poderia ser abordada desta forma “negativa” e nem ser reduzida a técnicas para combatê-los (como a maneira de orar). Neste sentido, estas pessoas orientam os filhos de DEUS a procurar descobrir o “problema” e aí existem, até mesmo, “líderes” especializados para isto, o que leva muitas pessoas a um caminho de soberba, pois existiriam “líderes” dentre eles que teriam a capacidade de discernir quais castas de demônios que existem neste e neste lugar (ou nesta pessoa). E mais, segundo eles, estes demônios devem ser conhecidos pelos nomes, porque conhecer o nome do demônio daria autoridade sobre ele. Logo eles costumam se relacionar com pessoas endemoninhadas e fazendo assim, procuram descobrir qual é o nome daquele demônio que toma posse daquela pessoa e em qual região ele age. Isto é, de fato, um absurdo!! Porque? Porque eles estariam colhendo informações do demônio, que é alguém absolutamente mentiroso, enganador e falso, e usando isto como um substrato para sua atuação no tocante a discerni-lo, confiando nas informações do demônio. Isto não tem o MENOR sentido. Veja a gravidade disto!!

12 – E um dos maiores problemas no tocante a isto é, sem dúvida a questão de quebra de cadeias de maldição hereditária. Porque ela tira toda a nossa responsabilidade pessoal e, de forma mais grave, ela afronta a cruz de Cristo, Porque este ensino diz que pessoas que já se converteram, já conheceram o Senhor e já o receberam, ainda assim estas pessoas podem de alguma forma, estarem “presas, amarradas” a certas influencias demoníacas, que tem de ser especificamente reconhecidas, e especificamente “quebradas”, normalmente por pessoas específicas, devidamente preparadas para isto, nestes movimentos de Batalha Espiritual. Isto também não tem fundamento bíblico, Porque a Palavra de DEUS afirma que na vida de um convertido, aquele que já passou da morte para a vida, que já conheceu o Senhor como seu Salvador, ele não está absolutamente sujeito a nenhum tipo de maldição hereditária, porque a cruz do Calvário é a finalização de TODA a maldição (Gl 3:13).

13 – Veja então que a nossa deficiência em ver a Glória da cruz é que nos permite acolher estes ensinos HERÉTICOS. Exatamente por causa do que se passou na cruz é que os filhos de DEUS são livres. A cruz não foi uma “historinha”. Foi um momento de trevas reais em que o Filho de DEUS expiou nossos pecados fazendo-se, Ele mesmo, maldição em nosso lugar. O ensino bíblico é claro!! E é exatamente por causa do triunfo na cruz que os filhos de DEUS são livres.

14 – Neste sentido a falha na visão da Glória da cruz leva a outra heresia extremamente difundida no meio dito cristão hoje em dia. A visão e ensino ministrados pela Igreja Católica que ensina que a nossa salvação é por meio das obras e não mediante a Graça de DEUS por meio da fé na Obra expiatória do Filho de DEUS. Veja: se tivéssemos a condição, por nós mesmos, de nos salvar, quem sabe fazendo obras e obras, então porque o Filho de DEUS se encarnou; porque Ele morreu na cruz?

15 – Hoje se cometemos pecado isto não nos retira o valor da salvação que foi conquistada por Cristo na cruz a nosso favor, nem nos tira a vida eterna. Porque? Porque esta obra foi feita fora de nós (objetiva) a nosso favor. É claro que isto nos retira o gozo da comunhão, da intimidade com Nosso Senhor. Mas de maneira nenhuma anula nem o valor do dom de DEUS, nem o valor da Obra da cruz e nem a vida eterna.

16 – Portanto devemos tomar muito cuidado com estes ensinos. No tocante a Batalha Espiritual e, mais especificamente no tocante a maldição hereditária, devemos entender que são ensinos heréticos, que ofuscam a Glória da obra da cruz e de forma perversa retiram nossa responsabilidade quanto aos nossos atos. Porque? Porque (falando como um louco) se eu fico irado é porque o demônio do ódio se “apossou” de mim; se cometo adultério é porque o “espírito de adultério” está me manipulando e outras heresias absurdas como estas.

17 – Quer existissem o diabo e seus anjos, quer não existissem, o fato é que em nós existe a carne e em função disto existiria a Batalha Espiritual. A existência das hostes espirituais da maldade, apenas acentuam este combate espiritual, mas não são a fonte originadora dele. As hostes espirituais do mal apenas acentuam a seriedade da Batalha, mas não a geram, porque a Batalha Espiritual está dentro de nós. Nós temos uma mente que naturalmente falando, é inimiga de DEUS. Nós temos emoções que não condizem com as emoções de DEUS. Nós amamos tanto o que Ele não ama. E nós consideramos de tão pouco valor aquilo que Ele considera de tanto valor. E nós temos uma vontade, naturalmente falando, rebelada, nós somos resistentes aos princípios de DEUS, a Palavra de DEUS; ao falar de DEUS. Nós nascemos assim quer existisse o diabo, quer não existisse o diabo.

18 – Mas a existência de um ser pessoal em inimizade contra DEUS a quem a Bíblia chama de “o vosso adversário”, que anda em derredor rugindo procurando alguém para devorar, isto então acentua o nosso combate espiritual. E isto é de tal forma grave e sério que o apóstolo Paulo chega a dizer em Efésios assim: “Irai-vos e não pequeis, não se ponha o sol sobre a vossa ira e NEM DEIS LUGAR AO DIABO”. E ele está escrevendo a crentes, mostrando que crentes podem dar lugar ao diabo. Ele não está dizendo que crentes podem ficar endemoninhados, porque isto é impossível.

19 – Sabe quando damos lugar ao diabo? Quando não estivermos andando em arrependimento, em confissão de pecados, andando na luz, praticando a verdade e expressando um amor genuíno para com DEUS e nossos irmãos; mas ao contrário, se estivermos em desobediência voluntária, contrariamente aos princípios e a Palavra de DEUS e, de tal forma isto pode suceder que a nossa carne, a nossa mente, as nossas emoções e a nossa vontade podem estar totalmente energizadas pelo próprio diabo. Isto fará com que a nossa luta espiritual se acentue e muito. Isto fará com que o “estrago” da nossa carne seja muito maior. Na verdade, devemos tomar muito cuidado para não “abrirmos” portas para que tudo aquilo que existe em nós que é contra DEUS seja insuflado pelas hostes espirituais do mal.

20 – Satanás é astuto. Toda vez que Satanás vê que não consegue retirar alguma gloriosa verdade de DEUS que foi concedida à Sua Igreja, sabe o que ele faz? Ele procura distorcer o entendimento desta verdade porque ele sabe que se assim ele o fizer, ele retirará a grandeza do valor dela. E, neste sentido, a questão da Batalha Espiritual é algo que está ligado a este fato.

21 – Mas, não devemos também ir ao outro extremo, tão somente enfatizando o aspecto da carne e de nossa responsabilidade, ou mesmo enfatizar a Gloriosa obra da cruz e assim deixar de considerar a existência de um inimigo real a quem a Bíblia chama de “o vosso adversário”. É importante considerar que, de alguma forma, estas hostes espirituais do mal nos “acompanham” e que são capazes ATRAVÉS DA NOSSA CARNE, de operarem, tornando ferrenha esta Batalha Espiritual. Veja o substrato de ação do inimigo. O exemplo mais claro do Novo Testamento quanto a isto é o de Pedro quando chamando o Senhor à parte disse (com respeito a fala de Jesus de que iria a cruz): “Senhor, tenha piedade de ti, isto de modo algum te acontecerá!”. Foi quando o próprio Senhor fez a leitura de quem estava insuflando aquela mente carnal e, por causa deste discernimento retrucou: “Arreda-te de mim Satanás! Tú és para Mim pedra de tropeço, porque não cogitas (ou pensas) das coisas de DEUS e, sim das dos homens”.

22 – Veja que incrível! O mesmo homem que foi o porta voz de uma tão grande confissão resultante de uma grandiosa REVELAÇÃO, foi aquele que teve sua mente impregnada pelo próprio Satanás quando repreendeu o Senhor naquele episódio. O interessante neste texto é que o Senhor disse que aquela mente se alinhava não com a mente de Satanás, mas com as dos homens. Agora veja: se o diabo fez isto com Pedro, porventura não poderia fazer o mesmo com tantos líderes no meio do povo de DEUS para disseminar mentiras, ou melhor, verdades distorcidas; nesta e em tantas outras questões.

23 – Logo temos de ter muito cuidado com todos os ensinos bíblicos e, mais especificamente, nesta área da Batalha Espiritual. O fato de nossa carne ser “aproveitada e energizada” por estas hostes espirituais do mal é um FATO. Agora, quanto ao nosso caminhar individual ou coletivo, devemos ter em mente nossa infinita necessidade de Íntima comunhão com o Senhor para, sensibilizados pelo Espírito Santo de DEUS em nós, percebermos as vezes em que estamos andando contrariamente aos ensinos e princípios da Palavra de DEUS, porque podemos estar certos que estas são BRECHAS que o inimigo de DEUS utilizará para estabelecer heresia, confusão, e toda sorte de maldades com vistas aos seus intentos malignos. E tudo isto “usando” a nossa carne como substrato.

24 – Por isto devemos estar continuamente julgando nosso caminhos porque o final destas coisas poderá levar a atitudes drásticas à parte da vontade de DEUS. “Examine-se o homem a si mesmo”. Veja nossa necessidade de considerarmos nossos caminhos, de estarmos em contínuo processo de arrependimento diante de DEUS. Esta não é de forma alguma uma pequena questão!! Devemos ser muito cautelosos. Precisamos aprender a amar a DEUS e a Seus princípios. Amar a DEUS a e Vontade de DEUS. Amar a DEUS e os caminhos de DEUS. Porque qualquer foco de rebelião ou de resistência em nossas vidas é energizado e utilizado pelas hostes espirituais da maldade. Assim como foi com Pedro, assim pode suceder conosco; devemos tomar muito cuidado. Nós podemos ser, mesmo como cristãos, expressão da mente de Satanás em muitas questões.

25 – Existe um versículo bíblico contido no Novo Testamento que é uma chave para esta questão de Batalha Espiritual. Ele está em Tiago cap.04 vs07. Talvez este versículo contenha o princípio relacionado a questão da Batalha Espiritual. Ele “rasga” para nós toda questão da Batalha Espiritual em uma única palavra. Podemos, para ficar mais claro, contrastar este versículo com o que lemos em Juízes. A primeira palavra é SUJEITAI-VOS e a segunda é RESISTI. A ordem é esta e NUNCA pode ser invertida. Sujeitai-vos a DEUS, mas resisti ao diabo.

26 – O que este versículo fala em primeiro lugar é que nós, em nós mesmos, não temos nenhum poder na questão da Batalha Espiritual. Neste assunto de Batalha Espiritual nós somos seres, naturalmente falando, ANIQUILADOS. Nós não temos ABSOLUTAMENTE nenhum poder. Só existe Um que tem poder e é Aquele que venceu o diabo pessoalmente. E é por isto que o ensino Bíblico do Novo Testamento deixa claro que a conversão não é somente uma mudança de vida, mas a conversão é antes de mais nada uma mudança de POSIÇÃO. Nós estávamos em Adão e nós hoje estamos em Cristo, unidos com Cristo. Daí o fato de nossa vitória. Porque estamos Nele.

27 – E este versículo deixa-nos claro nossa extrema necessidade de estarmos nos julgando à luz do Espírito, mediante a Sua Palavra, sujeitando-nos aos Seus princípios e Sua Vontade. Mas em contrapartida, caso contrário, se estivermos andando em obstinação, em desobediência, sem arrependimento, sem estarmos andando sensíveis ao Seu falar, então nós NUNCA poderemos resistir ao diabo. E pior; nós seremos expressão dele em muitas áreas de nossas vidas. Porque ele então poderá se utilizar do terreno que ele ainda tem em nós. Jesus, entretanto, nos últimos ditos no final de Seu discurso no cenáculo disse: “Já não falarei muito convosco, porque aí vem o príncipe deste mundo; e ele nada tem em Mim”. O que o Senhor dizia é que, no que concerne a Sua vida humana absolutamente pura e perfeita, Satanás tinha que passar fome. A questão na nossa vida no tocante a Batalha Espiritual é que as hostes espirituais do mal, elas se alimentam de nós. Interessante, não é? DEUS nos criou do pó da terra e então agora, por causa do pecado, nos tornamos uma carne pecaminosa. E, somos mergulhados numa esfera coletiva de inimizade contra DEUS que a Bíblia chama de mundo.

28 – Nós deixamos de ser santos para DEUS por causa do pecado. Agora então, entendemos o porquê de quando o povo de DEUS no contexto da Antiga Aliança ia sair a Batalha eles eram instruídos por DEUS a se santificarem. A vitória mediante a santificação vem, em certo sentido, primeiro no aspecto subjetivo e então depois no aspecto objetivo.

29 – Na vida de Jesus, as tentações foram profundas porque era necessário que Ele fosse experimentado em todas as áreas em que nós somos tentados. Porém com Ele foi de uma forma muito mais intensa. E vemos que Satanás não enviou nenhum “servo” seu, mas ele mesmo se apresentou para a tarefa de tentar Jesus. E devemos notar que nestas questões espirituais existem certas ordens de hierarquias. Mas em Jesus não havia NADA que ele pudesse encontrar como substrato para sua operação. Jesus no deserto confrontou o diabo em pessoa e não um demônio qualquer. E Jesus disse: “Aí vem o príncipe deste mundo e ele nada tem EM MIM”.

30 – Infelizmente isto não é verdadeiro conosco. Porque as hostes espirituais do mal se alimentam EM NÓS de tudo o que é carnal. Tudo em nós que é carne, que é pecado, que é rebelião, que é obstinação. Tudo isto é alimento para estas hostes espirituais do mal. Porquê isto é do pecado, é do inferno.

31 – Mas na medida em que a nossa vida caminha com o Senhor de forma mais próxima, julgada, examinada na Luz de DEUS (“Sonda-me ó DEUS, Prova-me e Conhece os meus pensamentos, vê se há EM MIM algum caminho mal e Guia-me pelo caminho eterno”.), mais manifestamos Sua Vida e mais de Cristo é formado em nós. E na mesma medida em que Cristo vai sendo formado em nós, menos nos tornamos “presas fáceis” para estas hostes espirituais do mal. Isto é algo que precisamos entender e compreender. Que embora sendo filhos ainda temos a carne operando em nós. Daí o conflito que percebemos em nosso interior. É que de um lado temos o Santo Espírito de DEUS habitando em nós, mas de outro, a carne nos incita a nos rebelarmos contra DEUS de diversas formas.

32 – Logo, o fato de sermos filhos de DEUS não elimina nem anula o fato de sermos incitados pelas hostes espirituais do mal em nossa carne. Veja que a grande questão está em mantermos uma vida de união com Ele. E isto veremos mais acentuadamente quanto mais caminharmos na compreensão da Batalha Espiritual. Não é o discernimento dos inimigos ou dos cativeiros que nos dá o poder de vencê-los, mas uma vida de união com Ele. Assim, a presença do Espírito Santo em nós não diminui o poder de atuação das hostes espirituais do mal sobre nós. Isto vai ser dependente de nossa RELAÇÃO de intimidade, comunhão e santificação em resposta a visão e revelação que temos Dele; Sua Pessoa, Obra e Eterno Propósito quanto a nós. Portanto, a presença do Espírito Santo de DEUS em nós nos capacita a vitória por meio da Sua Vida que Ele fez habitar em nós.

33 – Por isto aquele que PENSA estar em pé cuida para que não caia. Pois o inimigo de DEUS tem grande capacidade de seduzir, enganar, iludir, de nos apresentar coisas como atraentes quando na verdade são caminhos malignos, de seduzir o nosso coração à rebelião, à obstinação, ao endurecimento, portanto é uma luta muito real que nós, dia a dia, estamos vivendo e que nós precisamos discernir de forma mais profunda.

34 – Ao longo do Livro de Juízes nós vamos ver que através daqueles Juízes, DEUS demonstra algo relacionado a Batalha Espiritual com respeito a vida interior. É um estudo muito interessante.

  1. Otniel tipifica um conflito espiritual com o mundo (MUNDANISMO)
  2. Eúde tipifica o nosso conflito com a carne (CARNALIDADE)
  3. Jabim tipifica o conflito com as nossas cobiças e paixões (PAIXÕES E COBIÇAS)
  4. Gideão, na época dos midianitas tipifica aquilo que embora lícito nos “saqueia” Cristo e aborda a questão do MEDO.
  5. Sansão tipifica o nosso conflito com o nosso próprio eu. (EU).

35 – Assim poderemos ver como este combate se processa na esfera espiritual. E veja que o mero discernimento não nos garante vitória, mas em contrapartida, na medida em que tivermos clareza que as nossas vidas não estão em acordo com os princípios da Palavra de DEUS e que não estamos andando verdadeiramente com Ele nesta ou naquela esfera de nossas vidas, então nós poderemos ter certeza de que estaremos abrindo BRECHAS para a operação das hostes espirituais do mal e que nós estaremos então propensos a servir de alimento para estas mesmas hostes da maldade. E não somente isto, certamente teremos a Batalha Espiritual intensificada e, até mesmo, poderemos dar lugar ao diabo. Veja quão sério é este assunto.

36 – Se voltarmos a expressão-chave citada em Tiago veremos que ela tem o seu correspondente no tocante ao texto lido em Juízes.

  1. Vs12 do Cap02 de Juízes – “Deixaram o Senhor, DEUS de seus pais…”
  2. Vs14 do Cap02 de Juízes – “…e não puderam mais resistir a eles.”
  3. Vs 07 do Cap04 de Tiago – “Sujeitai-vos pois a DEUS e resisti ao diabo e ele fugirá de vós…”

Veja que o não sujeitar-se a DEUS envolve o deixar ao Senhor. Como consequência vem a derrota diante dos inimigos. Porque? Por causa dos princípios até então colocados. Na medida da obstinação daqueles corações, de sua desobediência, do não andar em comunhão e intimidade com o Senhor, eles experimentaram derrota. A visão da derrota pelo “lado de fora” era mera manifestação de uma derrota, anterior, acontecida pelo “lado de dentro”.

É por isto que, tipologicamente falando, os judeus aguardavam um Messias que fosse um libertador político. Mas DEUS, em Cristo, estava provendo um libertador espiritual com vistas ao estabelecimento de um Reino, mais interior, que obviamente tinha o seu correspondente no aspecto exterior visível. E foi a isto que Jesus se referiu quando disse que o Reino de DEUS não viria com exterior aparência, porque “o Reino de DEUS está dentro de vós…”(Lc 17:21). Assim vemos a resultante da vitória de DEUS, no aspecto subjetivo quanto a nós, no que concerne a Batalha Espiritual. Ou seja, muito antes de ser uma vitória contra o Seu inimigo, é uma vitória obtida por Ele em nós, da qual somos participantes por meio da resposta que damos em nossas atitudes e da qual nos tornamos participantes, na mesma medida em que permitimos que Cristo seja TUDO EM NÓS.

37 – Aqui então encontramos uma outra questão que parte do povo de DEUS não tem se apercebido como princípio da Palavra de DEUS. Em grande medida, a opressão que o povo de DEUS sofria na época de Jesus, estando sob a dominação dos Romanos, era fruto de um afastamento espiritual do Seu Senhor, do Seu Senhorio. Portanto antes que venha a libertação política deve haver a libertação espiritual. Mas então qual é o erro nos dias atuais? É a falsa compreensão de que a participação dos filhos de DEUS na política deste mundo poderia então fazer mudar este estado de coisas, quem sabe até mesmo fazendo com que o Reino de DEUS seja manifestado sobre esta terra. Impossível se processar desta forma. Porque, fazendo assim, se estaria invertendo a forma de DEUS estabelecer o Seu Reino. Nunca parte do exterior para o interior, mas sempre se dá da forma oposta. Não que devamos ficar impassíveis às injustiças desta presente era, mas é que devemos, num processo de íntima comunhão e obediência a Sua voz, “andar nas obras que Ele de antemão preparou para que andássemos nelas”. E tão somente nelas.

38 – Paralelamente a isto, é interessante ver o apóstolo Paulo dizendo que aquele que foi chamado por Cristo sendo escravo é liberto do Senhor, mas aquele que foi chamado sendo livre é escravo de Cristo. Veja a íntima correlação entre o Reino de DEUS, a Batalha Espiritual e a medida de Consagração de nossas vidas a Ele.

39 – A Palavra de DEUS diz claramente que este mundo experimentará o Senhor Jesus governando politicamente. Ele vai descer no Monte das Oliveiras, Ele vai julgar o anticristo. Ele vai reinar aqui nesta terra por mil anos. Ele há de destronar o anticristo, Ele há de reinar e as nações andarão mediante a Sua Luz. É isto o que a Palavra de DEUS nos diz. Ele se manifestará como um governante político, mas MUITO ANTES DISTO, Ele é o Cabeça Espiritual.

40 – A infidelidade gera a quebra de comunhão. No contexto de Juízes, eles deixaram o Senhor, se desviaram. Quebra de submissão. Sujeitai-vos a DEUS. Porque eles deixaram aquela posição de estar debaixo do encabeçamento de DEUS, haja visto que Israel muito antes de ser uma nação política era uma nação Teocrática, era uma nação governada pelo próprio DEUS. Foi DEUS quem deu as leis ao povo, foi DEUS quem os guiou pelo deserto, foi DEUS quem afastou deles seus inimigos e os deu vitória. Eles eram governados pelo próprio Senhor. Eles eram uma nação Teocrática.

41 – Quando eles deixaram o Senhor DEUS, eles romperam aquela comunhão e foram após outros deuses. Assim eles provocaram o Senhor à ira. E a ira do Senhor se acendeu com respeito a eles. Esta palavra ira no original hebraico se refere a zelo, ela se refere a um ciúme ardente. Logo o quadro que vemos é que o povo de DEUS era uma esposa infiel. Quando eles abandonaram o “seu marido” por infidelidade, o coração do Seu Senhor ardia por eles. E este ardor do coração de DEUS fazia com que DEUS mesmo os julgasse. Veja o coração de DEUS. Ele não se comportou como um marido que diz assim: ela que se vá, que escolha o seu caminho e vá para onde quiser. Porque vemos isto? Porque a Palavra diz que a IRA Dele se acendeu. A esposa Dele, para Ele, não era descartável.

42 – E como um marido fiel que visa recuperar esta esposa infiel, Ele vai discipliná-los. Como? A maneira de DEUS é muito interessante. Ele vai deixá-los andar nos caminhos que eles mesmos escolheram. Assim como sucedeu com aquele filho pródigo. Afinal, o filho não teve a capacidade de VER o Amor e o Caráter do Pai. Ao contrário, ele somente viu os bens e aquilo que o Pai possuía que o poderia satisfazer, na visão dele. Então ele pede ao Pai que dê a ele o que lhe era de direito, distribuindo a herança do Pai mesmo antes de sua morte. O filho pródigo fala de uma vida OBSTINADA. De uma vida insubmissa. De uma vida que entende que tem um caminho melhor do que o caminho do Pai. Mas o que faz o Pai? Ele não diz: filho não faça isto! Fica comigo. Você vai sofrer e vai me fazer sofrer agindo assim. O que há em você que está clamando por satisfação que você não tenha aqui comigo? Não me deixe meu filho! Ao contrário: o Pai simplesmente entrega tudo o que é de direito do filho e permite que ele se vá.

43 – Quando depois de o filho gastar tudo vivendo uma vida dissoluta, quando ele cai em si e vê que na casa do Pai ele desfrutava de tantas coisas, e que, até mesmo os empregados do Pai se alimentavam melhor do que ele, nesta situação deplorável em que ele agora se encontra, então ele resolve voltar. Ele resolve confessar seus pecados, confessar a besteira que fez, resolve se julgar diante do Seu Pai, para “quem sabe” ser novamente aceito pelo Pai, ser restabelecido à comunhão com Ele.

44 – E, de uma forma maravilhosa, vemos na parábola que o Pai já o estava esperando, pois que a parábola deixa claro que o Pai o avistou de longe. A ideia é a de que desde que o filho partiu, o zelo de ciúme do Pai com respeito a Seu filho, o Seu zelo de Amor estava ardendo pelo filho. Em Juízes o que vemos é a mesma coisa, porém com respeito a todo um povo. Nos versículos 14 e 20 de Juízes cap. 02 a expressão “a ira do Senhor” se acendeu contra eles indica não que DEUS estivesse com raiva deles, mas que DEUS ardia de ciúmes, de Amor por eles. Na verdade, é manifestação de misericórdia e não de juízo. E talvez em nenhum outro sentido, senão neste mesmo, e de forma GLORIOSA, vemos que em DEUS “A MISERICÓRDIA TRIUNFA SOBRE O JUÍZO.

45 – O que acontece em Juízes é o que acontece na vida de muitos de nós. Nós olhamos para as cisternas rotas e dizemos assim: “Mata minha sede. Porque “este DEUS” não mata minha sede”. Este DEUS não me atende. Eu não consigo manipulá-Lo. Eu não consigo trazê-Lo para fazer as minhas vontades. Então eu vou mergulhar nesta cisterna, porque ela de alguma forma me consola. É assim que muitos de nós fazemos. Então DEUS permite que nós sejamos disciplinados através dos “deuses” que nós escolhemos. Esta é a maneira de DEUS.

46 – Ele não é um DEUS que esconde “deuses” de nós. Porque? Porque no Amor há liberdade. Assim foi no jardim do Éden e assim é ainda hoje. Porque Ele é o mesmo ontem, hoje e eternamente. Se DEUS tivesse por propósito manter aquele casal “preso”, Ele teria colocado somente uma árvore, mas Ele colocou duas, para que Ele fosse buscado voluntariamente e amado pelo que Ele é. E, interessante, continua sendo esta, a mesma questão no nosso coração hoje. Se nós queremos os “deuses” nós podemos ir aos “deuses”. Nós iremos retardar o processo disciplinar de DEUS em nossas vidas, mas de alguma forma este coração Amoroso de DEUS irá nos acompanhar (não nos incentivar, nem nos estimular) até mesmo nos nossos caminhos pecaminosos.

47 – E é isto todas as vezes que bebemos da água suja das cisternas rotas que este mundo nos oferece. Ainda que Ele não nos estimule, nem nos incentive (é claro!), mas Ele nos acompanha tendo em vista Seu Amor e Seu propósito restaurador com respeito a nossas vidas. Se Ele não fizesse isto, o nosso coração nunca retornaria. Ou será que algum dentre nós ainda tem ilusão de que quando voltamos ao Senhor foi motivado pela existência de algo bom em nós? É evidente que não! Porque quando nós retornamos a Ele é Ele Quem nos busca. É Ele Quem de novo constrange nosso coração com Seu Amor. É Ele Quem deixa claro, lá no nosso íntimo, que nós não temos lugar fora Dele mesmo. É Ele Quem está do nosso lado quando nós estamos lambendo as cisternas rotas.

48 – Esta é a maneira de DEUS de manifestar a Sua disciplina. Nenhum filho, naturalmente falando, teria coragem de lamber as cisternas rotas na frente de seu pai. Mas nós fazemos isto na frente Dele. E nós sabemos que Ele está vendo e em nenhum minuto Ele está nos retaliando. Ele não nos recrimina, mas simplesmente fica quieto, nos observando, aguardando que nossa consciência fique mais aguçada e que retornemos a Ele pelo constrangimento de Amor com que Ele nos acolhe, corrige e disciplina. Ele, através deste processo, calma e tranquilamente vai demonstrando nossos vazios, nossa ilusão e vai nos restaurando para Ele mesmo, porque Ele sabe que ninguém nem nada pode nos satisfazer senão Ele mesmo. Agora talvez compreendamos melhor quando a Palavra fala que “a ira do Senhor se acendeu contra Israel”.

49 – Se nós não virmos o caráter de DEUS nós não vimos NADA! Se nós não virmos isto nós faremos como falou o filósofo Blaise Pascal: “DEUS fez o homem a Sua imagem e semelhança, mas o homem fez DEUS à sua imagem”. Tantas vezes os filhos de DEUS O veem e fazem Dele como eles mesmos são: rudes, legalistas, vingativos, não perdoadores e tantas outras coisas que caracterizam a NATUREZA HUMANA.

50 – Quando a Bíblia fala da ira de DEUS, a primeira ideia que temos a da ira humana e não de zelo, de ciúme e de Amor. Mas pensamos numa ira humana que rejeita, que fere, que tem o objetivo de promover vingança e dor contra quem ela é desferida. É por isto que devemos, pela Palavra de DEUS, ter nossas mentes transformadas para compreendermos Quem verdadeiramente Ele é e quem verdadeiramente nós somos.

51 – A ideia humana que fazemos quando a Palavra fala que DEUS os deu aos seus espoliadores é a de que Ele nos rejeitou, quem sabe até mesmo num momento de “ira irrefletida”. Isto NUNCA poderia ser o nosso DEUS. Ao contrário, o que a Palavra diz é que o nosso DEUS ardendo em ciúmes, entregou os Seus amados para os seus espoliadores. A palavra espoliadores é muito expressiva. Porque? Porque significa que eles iriam gastar e gastar e gastar a vida e a alma daqueles judeus para, no final, deixá-los abandonados, largados e completamente subjugados. De alguma forma o Senhor permitia que estes povos, estes “deuses” eram levantados para dominar sobre Israel. A dominação se dava por períodos de 20 e, em alguns casos até 40 anos. Ao final aqueles judeus estavam “gastos” e se viam oprimidos, vencidos, sôfregos, angustiados, completamente pobre, arrasado. Sem comida, sem mantimento, sem nada, sem condição de sobrevivência. Eles eram levados ao limite. Experimentavam um profundo aperto. Que paradoxo não? Afinal eles se submeteram aqueles “deuses” buscando alguma satisfação. Este é o ENGANO DO PECADO.

52 – Então, neste contexto, e somente assim, é que DEUS podia encontrar um caminho para recuperar de novo o coração daquele povo para Ele mesmo. E DEUS o fazia por meio de Juízes que o Senhor mesmo levantava para promover este retorno. É como se o Senhor dissesse: viram? Vocês entenderam? Perceberam agora que Eu, somente EU, sou a fonte de Águas Vivas. Somente EU SOU o MANANCIAL.

53 – Não há nenhum livro em toda a Bíblia que expresse de forma mais clara a questão dos conflitos interiores e a questão da Batalha Espiritual. Porque esta podridão aqui revelada vem, na verdade, de dentro de nós. Certo irmão chamado T. Austin Sparks chegou a dizer certa vez que toda as vezes que lia o Livro de Juízes sua vontade era a de sair correndo e se lavar; tal a sujeira que impregnava seu ser pela sensível consciência da mensagem deste livro como expressão do que é a natureza humana.

54 – A expressão “deuses” citada tantas vezes neste livro poderia ser mais claramente especificada da seguinte forma: “deuses” são TUDO aquilo o que nós erguemos em nossos corações com vistas a termos uma plena satisfação (fora de DEUS). Não importa o que seja. Pode ser uma pessoa, uma situação e etc… Isto não significa que o cristão vive sem satisfação. Na verdade significa que o verdadeiro cristão tem em DEUS e, somente Nele, a sua plena satisfação. E sabe que aquilo que DEUS dá (trabalho, família, saúde, recursos financeiros e etc..) são coisas boas, mas ainda assim não satisfazem plenamente, porque não são Ele mesmo. Nós adoramos a DEUS pelo que Ele é e, em consequência pelo que Ele nos concede. O grande problema é que nosso coração tem grande dificuldade de estabelecer esta diferença. O que ocorre? Muitos “perdem” a DEUS por meio das próprias bênçãos de DEUS. Logo, o caminho da consagração não é alternativo, mas é inexorável para aqueles que tem suas faculdades espirituais desenvolvidas para ver, entender e terem em si mesmos formada esta consciência profundamente arraigada.

55 – Nosso DEUS não é ora “bonzinho”, ora “bravo, irado”. Ele é permanentemente “irado”, com um zelo Amoroso “incontrolável”. Será que agora entendemos que Sua fidelidade, como atributo, se manifesta em maior grau, de intensidade e qualidade, exatamente neste ponto. Porque? Porque nós podemos ser infiéis, mas Ele permanece Fiel; porque NÃO pode negar-Se a Si mesmo!! Portanto a ira de DEUS tem tanto peso quanto o Seu Amor. A Sua ira é o Seu zelo com respeito a Seu povo e Sua Santidade contra o pecado.

56 – A reincidência do povo, se prostituindo após outros “deuses”, logo após experimentarem a misericórdia de DEUS, que os restabelecia por meio de Juízes, os quais Ele mesmo levantava, fala de que nossos melhores votos de fidelidade e força de vontade na busca de DEUS e obediência a Ele (naturalmente falando) são completamente inadequados para um relacionamento duradouro e fiel. A maioria dos votos que fazemos para nós mesmos de que “agora vai ser diferente”, falam e nossa fraqueza pessoal humana. A vida cristã não é uma questão de fazer votos. Somente a Lei do Espírito da Vida é que nos capacita a vencer a Lei do pecado e da morte. Por isto é que a Palavra diz que “a fé atua pelo Amor”. Não há nenhum outro meio de vencermos esta Batalha se não for por uma vida de união motivada pelo Amor. A vida cristã é uma questão de relacionamento com DEUS, de proximidade com Ele. Não é uma questão de promessas.

57 – Quanto mais estamos ao lado Dele, mais livrados somos. Quanto mais longe Dele, mais cativos.

58 – Ocorre que, em função da desobediência do povo, do fato de eles terem levantados “deuses” nos seus corações, sabe o que DEUS faz? Ele não expulsa muitas dentre as nações e povos do meio do povo de Israel. A Palavra é clara. Estes povos se permanecessem no meio de Israel seriam laços para eles. Mas porque o Senhor assim o permite? Para PROVAR a Israel. Mas provar o que se o Senhor sabe que nós somos fracos, inúteis com respeito a este assunto? Provar não significa testar nossa força. Seria um absurdo pensar assim. Afinal de contas estaria DEUS disputando queda de braço conosco? É obvio que não! Provar não significa testar força, mas provar significa MANIFESTAR CORAÇÃO. Isto é que é provar.

59 – Então a pergunta é: porque que DEUS permite que ídolos estejam diariamente nos convidando a nos prostituir com eles; dizendo assim: vem, vem cá, que eu vou matar a sua sede. Vamos venha e deite-se aqui e desfrute das delícias que eu tenho para te dar. Pode vir; eu vou satisfazer estes seus desejos mais íntimos.

60 – DEUS sabe que nós somos inúteis frente a estes ídolos, frágeis e incapazes diante deles. Não é para medir forças que DEUS permite tudo isto, mas para que os nossos corações sejam plenamente expostos. Porque quanto mais o nosso coração for exposto no seu desamor, for exposto na sua fraqueza, na sua debilidade, na sua dificuldade de crescer na sua intimidade com DEUS, quanto mais formos sendo levados ao fundo do túnel (que foi o que o Pai fez com o filho pródigo), tanto mais somos rendidos em nós mesmos a Ele no sentido de ver nossa profunda necessidade Dele e nossa profunda consciência de que somos nada, de que somos corruptos e de que não há nada em nós que poderia despertar o Amor Dele. E assim, recebendo o Amor e o perdão do Pai e, tendo aumentada a consciência deste Amor e perdão em nós, poderemos amá-Lo mais profundamente, vivendo a partir de então (e cada vez mais de forma crescente) uma vida de real união com Ele. Porque a união real, íntima e profunda só se dá pelo Amor. Mas porque é assim? Afinal parece-nos tão doloroso? Sim, é doloroso sermos confrontados com o que somos. Mas devemos ver por outro lado: somente MUITO AMA quem se reconhece como MUITO PERDOADO!!

Obs: Maiores detalhes acerca deste assunto temos de considerar em detalhes:

  1. O resumo sobre o livro “A Cruz – A Vida que nasce da Morte”.
  2. O resumo do livro de Juízes com ênfase em nossos “inimigos espirituais”.

Retornando ao estudo…

Uma situação difícil mostra se nosso coração verdadeiramente ama o Senhor e ama os irmãos, ou se está buscando a primeira oportunidade para manifestar sua falta de amor.

“Estas, pois, são as nações que o SENHOR deixou ficar, para por elas provar a Israel, a saber, a todos os que não sabiam de todas as guerras de Canaã.” Jz 3:1

Nós temos de ser provados. Por isto Nosso Senhor permite tropeços, por isto Nosso Senhor permite situações complexas, difíceis; para ver como reagimos a elas. As vezes somos muito drásticos, as vezes somos muito levianos; nem sempre representamos com fidelidade o Senhor.

As vezes falamos demais enquanto deveríamos ficar mais calados; as vezes não somos misericordiosos quando deveríamos ser; somos, neste sentido, “desequilibrados” tendendo para um lado ou para outro.

E há algo maravilhoso nisto. Sabe o quê? O fato de o Senhor permitir isto para nos treinar. Para que? Para nos habilitar a resolver problemas cada vez mais difíceis. Portanto nossa reação deveria ser diferente. Não deveríamos pedir para “não estar nisto”. E deveríamos atentar com muito cuidado com respeito às nossas reações nestes momentos. Tanto quanto a nós mesmos, quanto àquilo que nossas reações podem causar em outros.

Se formos fiéis no pouco o Senhor nos colocará sobre o muito. E aqui é importante frisar que a visão de Deus é diferente da nossa no sentido de entender o que é este “muito”. Assim, porque somos provados? Para que possamos ser aprovados e o Senhor, assim, possa nos confiar mais e mais de Seus interesses.

“Mas, como fomos aprovados por Deus para que o evangelho nos fosse confiado, assim falamos, não como para agradar aos homens, mas a Deus, que prova os nossos corações.” 1 Tessalonicenses 2:4

Quando comparamos a parábola dos talentos com a parábola das minas observamos algo interessante.

13- Parábola dos Talentos

“Porque isto é também como um homem que, partindo para fora da terra, chamou os seus servos, e entregou-lhes os seus bens. E a um deu cinco talentos, e a outro dois, e a outro um, a cada um segundo a sua capacidade, e ausentou-se logo para longe.

E, tendo ele partido, o que recebera cinco talentos negociou com eles, e granjeou outros cinco talentos. Da mesma sorte, o que recebera dois, granjeou também outros dois. Mas o que recebera um, foi e cavou na terra e escondeu o dinheiro do seu senhor.

E muito tempo depois veio o senhor daqueles servos, e fez contas com eles.
Então aproximou-se o que recebera cinco talentos, e trouxe-lhe outros cinco talentos, dizendo: Senhor, entregaste-me cinco talentos; eis aqui outros cinco talentos que granjeei com eles. E o seu senhor lhe disse: Bem está, servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.

E, chegando também o que tinha recebido dois talentos, disse: Senhor, entregaste-me dois talentos; eis que com eles granjeei outros dois talentos.
Disse-lhe o seu senhor: Bem está, bom e fiel servo. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.

Mas, chegando também o que recebera um talento, disse: Senhor, eu conhecia-te, que és um homem duro, que ceifas onde não semeaste e ajuntas onde não espalhaste; E, atemorizado, escondi na terra o teu talento; aqui tens o que é teu.
Respondendo, porém, o seu senhor, disse-lhe: Mau e negligente servo; sabias que ceifo onde não semeei e ajunto onde não espalhei?

Devias então ter dado o meu dinheiro aos banqueiros e, quando eu viesse, receberia o meu com os juros. Tirai-lhe pois o talento, e dai-o ao que tem os dez talentos. Porque a qualquer que tiver será dado, e terá em abundância; mas ao que não tiver até o que tem ser-lhe-á tirado.” Mateus 25:14-29

14- Parábola das Minas

“E, ouvindo eles estas coisas, ele prosseguiu, e contou uma parábola; porquanto estava perto de Jerusalém, e cuidavam que logo se havia de manifestar o reino de Deus. Disse pois: Certo homem nobre partiu para uma terra remota, a fim de tomar para si um reino e voltar depois.

E, chamando dez servos seus, deu-lhes dez minas, e disse-lhes: Negociai até que eu venha. Mas os seus concidadãos odiavam-no, e mandaram após ele embaixadores, dizendo: Não queremos que este reine sobre nós. E aconteceu que, voltando ele, depois de ter tomado o reino, disse que lhe chamassem aqueles servos, a quem tinha dado o dinheiro, para saber o que cada um tinha ganhado, negociando.

E veio o primeiro, dizendo: Senhor, a tua mina rendeu dez minas.
E ele lhe disse: Bem está, servo bom, porque no mínimo foste fiel, sobre dez cidades terás autoridade. E veio o segundo, dizendo: Senhor, a tua mina rendeu cinco minas. E a este disse também: Sê tu também sobre cinco cidades.
E veio outro, dizendo: Senhor, aqui está a tua mina, que guardei num lenço;
Porque tive medo de ti, que és homem rigoroso, que tomas o que não puseste, e segas o que não semeaste.

Porém, ele lhe disse: Mau servo, pela tua boca te julgarei. Sabias que eu sou homem rigoroso, que tomo o que não pus, e sego o que não semeei;
Por que não puseste, pois, o meu dinheiro no banco, para que eu, vindo, o exigisse com os juros? E disse aos que estavam com ele: Tirai-lhe a mina, e dai-a ao que tem dez minas. (E disseram-lhe eles: Senhor, ele tem dez minas.)
Pois eu vos digo que a qualquer que tiver ser-lhe-á dado, mas ao que não tiver, até o que tem lhe será tirado.” Lucas 19:11-26

Neste contexto das provas para nos habilitarmos ao serviço na Casa de Deus, temos estas duas parábolas que nos demonstram que:

  1. Na parábola dos talentos vemos uma ênfase em que dons diferentes quando usados com a mesma finalidade serão igual e proporcionalmente recompensados.
  2. Na parábola das minas vemos uma ênfase em que dons iguais quando usados com diligência desigual implica em recompensa desigual.

Mas tanto em um como em outro caso, veja que o servo mau não se julga habilitado e, ao contrário, parece desconhecer seu Senhor. A menção que ele faz é:

  1. “Senhor, sabendo que és homem severo ou seja, ele não compreendeu o operar da Graça nas dificuldades, nas provas, nos desertos da caminhada. A visão espiritual deste “servo” estava embaçada. Ele, acima de tudo, não percebeu O QUE o Senhor fazia e PORQUE o Senhor assim o fazia.
  2. “Senhor, sabendo que ceifas onde não semeaste…” ou seja, ele faz uma declaração de estarrecer. É como se ele dissesse: “Senhor, eu não recebi esta Vida…”, como posso frutificar? Para compreensão disto temos de analisar o contexto das parábolas em Mt 13 em conexão com as Festas Fixas do Senhor.
  3. “Senhor, sabendo que ajuntas onde não espalhaste…” ou seja, ele faz outra declaração relevante. Esta menção “ajuntas onde não espalhaste” aponta para o operar de Deus visando aplicar a Obra da Cruz em nós, subjetivamente, para formação do caráter de Cristo. Para esta compreensão, basta que se analise Gn 1, mais especificamente nos dias da criação, em conexão com todos textos bíblicos que citam a eira. Porque? Porque neste lugar é que o grão é separado da casca, da palha.

Em resumo, todas estas coisas estão ligadas. Basta que nos dediquemos a meditar nelas para que o Senhor possa falar aos nossos corações.

“Estas, pois, são as nações que o SENHOR deixou ficar, para por elas provar a Israel, a saber, a todos os que não sabiam de todas as guerras de Canaã.
Tão somente para que as gerações dos filhos de Israel delas soubessem (para lhes ensinar a guerra), pelo menos os que dantes não sabiam delas.
Cinco príncipes dos filisteus, e todos os cananeus, e sidônios, e heveus que habitavam nas montanhas do Líbano desde o monte de Baal-Hermom, até à entrada de Hamate. Estes, pois, ficaram, para por eles provar a Israel, para saber se dariam ouvido aos mandamentos do Senhor, que ele tinha ordenado a seus pais, pelo ministério de Moisés.” Juízes 3:1-4

O interessante aqui é que, obviamente, Deus não precisa nos provar para então vir a saber o que está em nosso coração, quais são as nossas prioridades, qual a nossa realidade interior e em que nível o nosso amor se manifesta, de fato, não somente por palavras. A questão é que Ele deseja nos revelar o nosso real estado, a nossa real condição.

Às vezes estas provas ocorrem até mesmo em questões de natureza “espiritual”. Sucedem coisas sobrenaturais e às vezes discussões e confusões acerca de coisas espirituais, quem sabe até mesmo relacionadas a sonhos e experiências místicas, subjetivismos e coisas relacionadas. O que está acontecendo? Exatamente um alvoroço, uma provação.

“Quando profeta ou sonhador de sonhos se levantar no meio de ti, e te der um sinal ou prodígio, e suceder o tal sinal ou prodígio, de que te houver falado, dizendo: Vamos após outros deuses, que não conheceste, e sirvamo-los; Não ouvirás as palavras daquele profeta ou sonhador de sonhos; porquanto o Senhor vosso Deus vos prova, para saber se amais o Senhor vosso Deus com todo o vosso coração, e com toda a vossa alma.” Deuteronômio 13:1-3

15- Os Anjos foram Provados

Não devemos pensar que a palavra tentação se coloca somente no contexto da sexualidade; às vezes pode ser dinheiro, possesso, poder, orgulho, enfim, qualquer coisa. Somos tentados onde menos imaginávamos, ou seja, somos provados de todos os lados.

Os próprios seres angelicais foram provados. Como? Bem, no início parece não ter havido nada para os provar, porém o Senhor os deixou livres e então Lúcifer desejou ser igual a Deus. Esta foi a prova dos seres angelicais e Lúcifer então caiu. E, agora, para eles, não há redenção porque os homens herdaram uma condição caída, uma situação difícil e andamos por fé e não por vista.

Porém Lúcifer não. Lúcifer conhecia a Glória, os anjos conheceram a Glória, por tanto para eles não há perdão. Este é um assunto muito sério. O Senhor tenha misericórdia de nós.

Se Não houve perdão para os anjos caídos, nos diz o apóstolo Pedro, que isto é para temer a Deus; isto é para não sermos levianos quando somos provados.

Ás vezes nos tomamos a liberdade de falar, porque Deus nos perdoará; sim, por certo que a Graça nos alcança porque o Senhor é misericordioso. Mas será que estamos alegrando o coração de nosso Pai? Será que estamos honrando o Nome Dele que está posto sobre nossas vidas?

Os anjos foram provados e um terço foi reprovado. E muitas pessoas dizem: “Mas se Deus é tão Bom e tão Justo, porque nos traz a este mundo? Porque sofremos tanto? Porque acontecem estas coisas todas? Porque Deus está nos provando.

Ao sermos provados demonstramos O QUE ou A QUEM amamos. Demonstramos o que está em nosso interior, no nosso coração. Demonstramos se somos fiéis ou infiéis. Cremos que esta jornada de Allús é muito reveladora e lança muita luz sobre nós e nos ajuda a nos mantermos alertas.

Sim, Deus permite situações em que há alvoroços, escândalos, tropeços, situações confusas, dificuldades, não é porque não nos ama; ao contrário, porque nos ama é que permite estas coisas em nossas vidas. Possamos ser aprovados e não reprovados.

16- Estação 10: Allús – Resumo Sintético

  1. Allús é uma estação que não é explicitamente detalhada na Bíblia.
  2. Existe aqui uma lição a ser aprendida, pois todas as jornadas tem o propósito de nos ensinar algo, de nos transformar.
  3. Precisamos entender o que Allús tem a nos ensinar.
  4. Allús significa alvoroço, desolação.
  5. Nesta estação vemos situações difíceis, confusas, tropeços, escândalos, enfim, uma série de situações complexas nas quais seremos provados.
  6. As provas de Deus visam nos dar a conhecer a verdadeira condição de nosso coração.
  7. O propósito de Deus é que nós possamos nos conhecer melhor. O propósito de Deus é que possamos checar nossas prioridades, nossos interesses, nossa postura, nosso comportamento, nossas reações.
  8. As provas e, até mesmo as tentações (sendo que estas, não vem de Deus), visam manifestar o quanto amamos o Senhor.
  9. Deus não deseja que fiquemos muito tempo em Allús; porém a lição aqui deve ser aprendida. Ou seja, não devemos ficar remoendo situações adversas, mas devemos guardar os ensinos de Deus a elas relacionado.
  10. Por esta causa é que em Allús não há vestígios de nada; nem mesmo os arqueólogos encontram nada sobre Allús. Isto é, no mínimo, sintomático.
  11. Espiritualmente isto fica manifesto na pouca, ou quase nenhuma, menção de Allús, e de suas experiências no processo da caminhada.
  12. Como já vimos, devemos observar com muito cuidado o falar de Deus, explícito e detalhado, o falar de Deus implícito e teoricamente “superficial”, e devemos observar o silêncio de Deus; pois nele o Senhor está a falar de uma forma especialmente importante.

Deus tenha misericórdia de Nós.