As 42 (Quarenta e duas) Estações no Deserto
Sumário
2- Rocha em Horebe – Figura Ilustrativa
4- O Senhor foi tentado no Deserto
6- As Mãos levantadas e a Imposição de Mãos
7- As Batalhas Espirituais – Breve Relato
7.2- Fazemos concessões à carne quando a luta nos parece “difícil demais”
7.3- Um Exemplo Positivo decorrente de um coração não dividido
8- Princípios Espirituais Associados
8.1- Princípio 01 – Jz 01:22-26
8.2- Princípio 02 – Jz 01:27-28
8.3- Princípio 03 – Juízes cap 02 vs 12 e Juízes cap 03 vs 07.
9- A Eleição de Juízes e a Delegação de Autoridade
11- O Primeiro filho de Abrãao : Gérson
12- O Significado de ser Peregrino: Implicações
13- Resumo Sintético do Significado de “Ser Peregrino”
14- O Segundo filho de Abraão: Eliézer
15- Os 318 Homens do exército de Abraão – Guematria
19- Análise destes princípios em passagens no Novo Testamento
20- I Tm 6:3-16: Aspectos Conclusivos
21- Estação 11: Refidim – Resumo Sintético
Estação 11:Refidim
“E partiram de Alus, e acamparam-se em Refidim; porém não havia ali água, para que o povo bebesse.” Números 33:14
É muito interessante que o Espírito Santo tenha desejado assinalar especificamente nesta Jornada em Refidim com a frase que sintetiza muitos outros versos em sua descrição mais ampliada conforme podemos ler em Êxodo. É importante notar que o Espírito Santo tomou uma frase para descrever qual era a situação chave em Refidim: “porém não havia ali água, para que o povo bebesse.”
Aparentemente o nome desta estação traz consigo algo que nos parece um paradoxo. Sim, porque, em geral, os nomes na Bíblia carregam consigo uma simbologia. Refidim significa no hebraico “lugar de descanso”, “lugar de refrigério” e possui, na raiz desta palavra no hebraico, o significado de lugar de sustento, de suporte, de apoio. No entanto há o registro: “porém não havia ali água, para que o povo bebesse.”
Devemos ainda ter em mente que nenhuma das estações pelas quais o povo passava era de sua livre orientação ou iniciativa. E nem mesmo era segundo a orientação pessoal de Moisés. Não; a Nuvem era Quem os guiava. A Nuvem se detinha onde queria, a Nuvem se levantava no momento que julgava oportuno e era a Nuvem Quem dava a sequência da caminhada e orientava a direção sequencial da mesma.
Entre Dofca e Allús havia 19 Kms; entre Allús e Refidim havia 13 Kms, portanto a Nuvem de Glória se levantou de Allús e andou cerca de 13 Kms pelo deserto e chegou a parte bem ao sul da Península do Sinai, a Refidim, onde aparece a rocha de Horebe no Monte Sinai, na parte mais meridional ao sul da Península do Sinai.
Rocha em Horebe – Figura Ilustrativa

Agora, é bastante interessante que este mesmo lugar foi chamado de Massá, que significa prova; e Meribá, que significa contenda. Ou seja, são nomes distintos. Houve contenda porque o povo foi provado.
É justamente aqui nesta situação difícil onde o povo não tinha água para beber que o povo vai ser provado. A Jornada de Refidim é uma Jornada cristológica por excelência; e é por este motivo que o Senhor, propositadamente coloca Seu povo sem nada para beber.
Ou seja, se fossem deixados sozinhos, o povo não teria nada para beber e morreria no deserto, porém Quem os conduzia a este lugar aparentemente “misterioso”, Quem os levava a este local onde haveriam de tomar ciência de que se não fossem ajudados pela Rocha ferida, simbolizando a cruz, não poderiam sobreviver, foi Deus mesmo.
E é isto o que significa Refidim e que dá total sentido ao significado do nome: sustento, suporte, apoio, refrigério em meio a uma situação difícil; e é isto que Deus quer nos ensinar.
Em Êxodo capítulos 17 e 18 temos o relato bíblico detalhado do que sucedeu nesta estação. Neste caso o Senhor fala com muita clareza e de forma exaustiva. E esta Jornada está dividida em três seções:
- A Rocha em Horebe
- A Guerra contra Amaleque e o levantamento do altar a YHWH-Nissi
- A nomeação de juízes em Israel feita por Moisés
Cristo – A Rocha Ferida
“Depois toda a congregação dos filhos de Israel partiu do deserto de Sim pelas suas jornadas (Dofca e Allús), segundo o mandamento do Senhor, e acampou em Refidim; não havia ali água para o povo beber.” Êxodo 17:1
Devemos observar que é Deus mesmo Quem conduz a Seu povo a uma situação onde eles descobrem que necessitam de um Salvador; e é isto o que a Lei nos diz. Deus então está, na verdade, conduzindo Seu povo, pouco a pouco, a estar debaixo da Lei. Aliás, a próxima estação o povo estará chegando no Sinai, onde a Lei foi dada.
“Logo, para que é a lei? Foi ordenada por causa das transgressões, até que viesse a posteridade a quem a promessa tinha sido feita” Gálatas 3:19
“Veio, porém, a lei para que a ofensa abundasse; mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça;” Romanos 5:20
“Logo, a lei é contra as promessas de Deus? De nenhuma sorte; porque, se fosse dada uma lei que pudesse vivificar, a justiça, na verdade, teria sido pela lei. Mas a Escritura encerrou tudo debaixo do pecado, para que a promessa pela fé em Jesus Cristo fosse dada aos crentes.
Mas, antes que a fé viesse, estávamos guardados debaixo da lei, e encerrados para aquela fé que se havia de manifestar. De maneira que a lei nos serviu de aio, para nos conduzir a Cristo, para que pela fé fôssemos justificados.
Mas, depois que veio a fé, já não estamos debaixo de aio. Porque todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus.” Gálatas 3:21-26
Logo, vemos que a Lei não veio para justificar o homem, pela impossibilidade deste em cumprí-la, senão que a Lei foi dada para demonstrar ao homem sua pecaminosidade intrínseca. Isto, pela total escravidão e perversão da natureza humana (ver Estudo sobre “As Consequências da Queda) e a inconsciência do homem acerca de seu real estado diante de Deus. Desta forma, vemos que a Lei foi dada para demonstrar a condição de absoluta necessidade de Cristo. Refidim surge neste contexto com o propósito de nos demonstrar isto. Nossa extrema necessidade de Cristo!!
Portanto, Deus conduziu o Seu povo a uma situação em que o povo haveria de se dar conta de sua extrema necessidade de Deus, da Graça de Deus, da intervenção Salvadora de Deus.
Isto não somente importante no momento relativo à nossa conversão e fé em Cristo para salvação; embora este seja O momento em nossas vidas obviamente. Mas, às vezes Deus ainda haverá de nos levar a situações em que nós não podemos fazer nada, simplesmente tomamos consciência que se não for a intervenção de Deus, estaremos “mortos”.
Mas os caminhos de Deus são insondáveis, são inescrutáveis. E o propósito de Deus através de Refidim não é outro senão o de demonstrar a Seu povo algo mais de Sua Graça, algo mais das insondáveis riquezas que estão em Cristo!
Porém para compreender isto devemos tomar ciência de nossa total impossibilidade diante da Lei, em virtude de nossa natureza pecadora. Este é o jugo da Lei. É notável verificar que o apóstolo Paulo diz que a Lei é boa, que o mandamento é santo, justo e bom. Logo, nós somos o problema. Então diz a Escritura: “…acamparam-se em Refidim; e não havia água para o povo beber…”
Ou seja, Deus os conduziu para onde não havia água, eles estavam a mercê da morte. Na verdade, Graças ao Senhor, eles estavam a mercê de Deus mesmo. Ou é Deus ou não é mais nada. Não tem saída. Impressionante o que Deus tem de fazer para que possamos conhecê-Lo; especialmente quando julgamos ter as coisas “sob controle”, as coisas “seguras”.
Nestes momentos, via de regra, manifestamos uma fé (exterior) que parece remover montanhas. Porque? Porque no fundo ainda estamos confiados em coisas. E até mesmo podemos entender que estas coisas possam ter vindo de Deus. E até podem ter vindo mesmo.
Mas o fato é que ainda não conhecemos plenamente a dependência única de Deus mesmo, e ainda não experimentamos, nos desertos desta vida, somente a provisão que vem Dele. Somente nestes momentos é que temos uma fé provada e uma consciência plena de dependência. E, somente este caminho é que Ele pode pavimentar em nossas vidas um conhecimento mais real e profundo sobre Quem Ele é; Seu caráter, Sua bondade. Sua fidelidade. Somente este caminho nos leva à plena consagração, descanso e nos conduz a vivência de que, como filhos, devemos buscar em primeiro lugar a Ele, e a Seu Reino e a Sua Justiça.
Na tipologia bíblica, este lugar onde Ele é o nosso Tudo, chama-se Refidim.
Mas observe que naquele local não havia água para beber, e isto desencadeou uma contenda muito grande; o povo estava cego. O povo não percebia que era Deus Quem queria, através daquela circunstância, se revelar a eles. Eles só viam o problema, e então se levantaram e foram contra Moisés.
“Então contendeu o povo com Moisés, e disse: Dá-nos água para beber. E Moisés lhes disse: Por que contendeis comigo? Por que tentais ao Senhor?” Êxodo 17:2
Claro que eles não podiam ver (naturalmente falando) a Deus, ainda que Deus estivesse ali. Afinal, Deus sempre estava acompanhando Seu povo, mas eles duvidavam da Presença de Deus. Por isto que veremos que, ao final, eles perguntam: “Está, pois, YHWH entre nós, ou não?”.
E, de fato, esta foi a pergunta que fizeram. Por quê? Porque, aos olhos do povo, parecia que não. Porque não havia água para beber, eles estavam “morrendo”, então vemos que eles foram provados, porque ali se diz na Palavra que eles foram provados em Massá, pois Massá quer dizer prova, e foram provados nas águas de Meribá (que significa contenda), como diz o Salmo 81:7.
“Clamaste na angústia, e te livrei; respondi-te no lugar oculto dos trovões; provei-te nas águas de Meribá. (Selá.)” Salmos 81:7
Interessante, não é? Em Massá e Meribá havia água sim; e abundante. Mas eles só viram depois que a Rocha foi ferida para dessedentá-los. A princípio, pensamos que Massá e Meribá é um local de secura, um deserto. Sim, de fato, naturalmente falando foi lá que eles não encontraram água para beber, num primeiro momento. Mas depois, perceberam um fluir tremendo que saía da Rocha. O Senhor se revelava a eles como o Único que pode dessedentar a sede humana. Ao fazê-Lo, o Senhor se dava mais a conhecer; e no aspecto mais essencial da necessidade humana: VIDA!
O Senhor foi tentado no Deserto
Vejamos o que sucedeu com Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele também foi conduzido pelo Espírito ao deserto e lá, Ele teve fome e sede. E o diabo lhe disse:
“Então foi conduzido Jesus pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo. E, tendo jejuado quarenta dias e quarenta noites, depois teve fome;
e, chegando-se a ele o tentador, disse: Se tu és o Filho de Deus, manda que estas pedras se tornem em pães. Ele, porém, respondendo, disse: Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus. Então, o diabo o levou à Cidade Santa, colocou-o sobre o pináculo do templo e lhe disse: Se és Filho de Deus, atira-te abaixo, porque está escrito: Aos seus anjos ordenará a teu respeito que te guardem; e: Eles te susterão nas suas mãos, para não tropeçares nalguma pedra. Respondeu-lhe Jesus: Também está escrito: Não tentarás o Senhor, teu Deus.” Mateus 4:1-7
Agora observe: onde o Senhor Jesus aprendeu esta resposta? Em Dt 6:16.
“Não tentareis o Senhor vosso Deus, como o tentastes em Massá;” Dt 6:16
O Senhor estava no deserto, não tinha o que comer, porém Ele não fez nada por Si mesmo, muito menos protestou contra Deus. Mas Satanás aproveitou daquela suposta “fragilidade” para tentar ao Senhor. Mas o Senhor respondeu: “Está escrito: não tentarás ao Senhor teu Deus.”
Assim, o que se passa com o Senhor no deserto guarda relação com aquilo que o povo passou em Massá e Meribá. E, mais interessante ainda, é que o Senhor foi tentado, sob o ponto de vista de Satanás (porque Deus a ninguém tenta), mas aos olhos de Deus, Ele foi provado, na medida de sua rendição à Vontade de Deus, ainda que numa situação de fragilidade.
Ele estava no deserto, estava com fome e possivelmente muita sede, mas disse: “Nem só de pão viverá o homem, mas de toda Palavra que sai da boca de Deus” – Mt 4:4. Ao contrário, o povo de Israel em Massá e Meribá disse: “Esta YHWH entre nós, ou não?” Que tremendo irmãos! O Senhor é a resposta a esta condição de deserto em Refidim.
“Por que contendeis comigo? Por que tentais ao Senhor ?” Devemos notar que contender é tentar a Deus, é trata-Lo como ausente, trata-Lo como descuidado, trata-Lo como infiel, é trata-Lo de uma forma como se Ele não soubesse o que está fazendo; isto é tentar a Deus. E muitos de nós não se dão conta de que quando estão protestando, estão contendendo com Deus, na verdade estão tentando a Deus, estão provocando a ira de Deus.
“Clamaste na angústia, e te livrei; respondi-te no lugar oculto dos trovões; provei-te nas águas de Meribá. Ouve-me, povo meu, e eu te atestarei: Ah, Israel, se me ouvires!
Não haverá entre ti deus alheio nem te prostrarás ante um deus estranho.
Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito; abre bem a tua boca, e ta encherei (OBSERVE O PORQUÊ DE CITAR NESTE PONTO O “ABRE TUA BOCA E A ENCHEREI…”). Mas o meu povo não quis ouvir a minha voz, e Israel não me quis (OUTRO PONTO ESSENCIAL; AO NÃO OUVIR A VOZ DO SENHOR O POVO ESTAVA REJEITANDO A ELE MESMO).
Portanto eu os entreguei aos desejos dos seus corações, e andaram nos seus próprios conselhos. Oh! se o meu povo me tivesse ouvido! se Israel andasse nos meus caminhos! (O CONTEXTO DESTE SALMO FALA, JÁ DESDE A ESTAÇÃO DE REFIDIM, COMO O POVO NÃO ESTAVA A SEGUIR, DE FATO, OS CAMINHOS DO SENHOR, A ROTA POR ELE ESTABELECIDA. ISTO NADA MAIS É QUE A MANIFESTAÇÃO DE VIDA EGOCÊNTRICA, INDEPENDENTE, QUE DESEJA TER “O CONTROLE” DA SITUAÇÃO).
Em breve abateria os seus inimigos, e viraria a minha mão contra os seus adversários (VEREMOS MAIS ADIANTE EM CORRELAÇÃO COM O LIVRO DE JOSUÉ QUE O MAIOR INIMIGO É O PRÓPRIO EU, TIPIFICADO PELOS POVOS CANANEUS. A SIMBOLOGIA DOS NOMES DOS REIS E DE SUAS RESPECTIVAS CIDADES SÃO ITENS-CHAVE NESTA COMPREENSÃO). Os que odeiam ao Senhor ter-se-lhe-iam sujeitado, e o seu tempo seria eterno. E o sustentaria com o trigo mais fino, e o fartaria com o mel saído da rocha (OBSERVE QUE O SENHOR FALA DE SUSTENTÁ-LOS NÃO COM O TRIGO, MAS COM O “MAIS FINO TRIGO” E NÃO FALA DE MEL, MAS DO “MEL SAÍDO DA ROCHA”).” Salmos 81:7-16
“Tendo pois ali o povo sede de água, o povo murmurou contra Moisés, e disse: Por que nos fizeste subir do Egito, para nos matares de sede, a nós e aos nossos filhos, e ao nosso gado?” Êxodo 17:3.
Em outras palavras é como se estivessem a dizer: “estava melhor no mundo, quando estava no mundo não tinha estes problemas, porém agora que virei cristão, agora as coisas estão complicadas, estão difíceis! Será que Deus está mesmo comigo? A resposta é: sim está!! E está porque tem um propósito grandioso!!!
“E clamou Moisés ao Senhor, dizendo: Que farei a este povo? Daqui a pouco me apedrejará. Então disse o Senhor a Moisés: Passa diante do povo, e toma contigo alguns dos anciãos de Israel; e toma na tua mão a tua vara, com que feriste o rio, e vai. Eis que eu estarei ali diante de ti sobre a rocha, em Horebe, e tu ferirás a rocha, e dela sairão águas e o povo beberá. E Moisés assim o fez, diante dos olhos dos anciãos de Israel.” Êxodo 17:4-6
Em I Co 10 temos a explicação da realidade espiritual relacionada a este episódio, em especial:
“Ora, irmãos, não quero que ignoreis que nossos pais estiveram todos debaixo da nuvem, e todos passaram pelo mar. E todos foram batizados em Moisés, na nuvem e no mar, e todos comeram de uma mesma comida espiritual, e beberam todos de uma mesma bebida espiritual, porque bebiam da pedra espiritual que os seguia; e a pedra era Cristo.” 1 Coríntios 10:1-4
Então esta Rocha aparece no momento mais difícil, num momento de possível morte, um momento em que não havia salvação, se não fosse por Deus mesmo. Agora qual foi, neste episódio a salvação de Deus? Como Deus demonstra que está presente? Através de uma Rocha ferida; e esta Rocha é Cristo, que foi crucificado por nossos pecados.
“Mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna.”
João 4:14
Desta forma vemos o propósito maior neste episódio todo. Deus estava levando o povo, através daquela situação tão difícil, a conhecer o mais Glorioso de Deus, que é Seu próprio Filho. Seu próprio Filho é esta Rocha. Por isto Ele nos diz: “Eu estarei diante de ti, ali, sobre a Rocha em Horebe”.
“Eis que eu estarei ali diante de ti sobre a rocha, em Horebe, e tu ferirás a rocha, e dela sairão águas e o povo beberá.” Êxodo 17:6
Que impressionante irmãos! Será que conseguimos ver quem feriu a Rocha? Esta é a manifestação da Graça e Misericórdia de Deus. Deixar-Se ferir, por meio de Moisés, como representante daquele povo murmurante, contradizente e contencioso para satisfazer-lhes com a Água da Vida. Neste sentido, Refidim representa ter a Cristo (porque Ele voluntariamente se deu) quando não se tem mais nada, somente a morte diante de nossos olhos.
“E chamou aquele lugar Massá e Meribá, por causa da contenda dos filhos de Israel, e porque tentaram ao Senhor, dizendo: Está o Senhor no meio de nós, ou não?” Êxodo 17:7
Isto é tentar a Deus. É duvidar de Sua Presença na hora da morte, na hora da prova mais difícil. Que impressionante, irmãos! Sabe porque? Porque foi o próprio Senhor Jesus Quem disse quando esteve entre nós:
“e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém.” Mateus 28:20
Então temos de ter atenção nestas coisas. Muitas vezes nós estamos sendo provados. E, na provação, podemos tentar a Deus, podemos duvidar de Deus, podemos questionar se Ele está, de fato, em nosso meio. Deus quer nos aprovar, Ele deseja que possamos passar na prova. Duvidar é, em última instância, tentar a Deus. Que povo haveria de entrar no descanso de Deus?
“Portanto, como diz o Espírito Santo: Se ouvirdes hoje a sua voz, não endureçais os vossos corações, como na provocação, no dia da tentação no deserto. Onde vossos pais me tentaram, me provaram, e viram por quarenta anos as minhas obras. Por isso me indignei contra esta geração, e disse: Estes sempre erram em seu coração, E não conheceram os meus caminhos. Assim jurei na minha ira que não entrarão no meu repouso. Vede, irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um perverso coração de incredulidade, para se apartar do Deus vivo.” Hebreus 3:7-12
Isto significa algo bastante prático: QUEM NÃO CONFIA NÃO PODE DESCANSAR. Só descansa quem confia. O descanso começa com a confiança em Deus.
“Tende cuidado, irmãos, jamais aconteça haver em qualquer de vós perverso coração de incredulidade que vos afaste do Deus vivo; pelo contrário, exortai-vos mutuamente cada dia, durante o tempo que se chama Hoje, a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado.
Porque nos temos tornado participantes de Cristo, se, de fato, guardarmos firme, até ao fim, a confiança que, desde o princípio, tivemos. Enquanto se diz: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração, como foi na provocação. Ora, quais os que, tendo ouvido, se rebelaram? Não foram, de fato, todos os que saíram do Egito por intermédio de Moisés?
E contra quem se indignou por quarenta anos? Não foi contra os que pecaram, cujos cadáveres caíram no deserto? E contra quem jurou que não entrariam no seu descanso, senão contra os que foram desobedientes? Vemos, pois, que não puderam entrar por causa da incredulidade.” Hb 3:12-19.
Muito importante entender isto. Quando é que temos nos tornado participantes de Cristo, assim como Moisés? Quando retemos a nossa confiança que manifestamos desde o princípio. Não deve haver em nós um perverso coração de incredulidade, quer dizer, um coração que não confia em Deus, que duvida, que questiona, que só percebe as coisas visíveis. Veja o exemplo de Moisés:
“Pela fé, Moisés, quando já homem feito, recusou ser chamado filho da filha de Faraó, preferindo ser maltratado junto com o povo de Deus a usufruir prazeres transitórios do pecado; porquanto considerou o opróbrio de Cristo por maiores riquezas do que os tesouros do Egito, porque contemplava o galardão. Pela fé, ele abandonou o Egito, não ficando amedrontado com a cólera do rei; antes, permaneceu firme como quem vê aquele que é invisível.” Hb 11:24-27.
A Guerra contra Amaleque
Vamos voltar ao capítulo 17 de Êxodo. Observe em que momento é aproveitado por Satanás para se manifestar: ele aparece no momento quando havia a provocação, a tentação, a situação difícil, quando parecia que Deus não estava presente; só parecia, claro! Porque Ele estava lá!
“E chamou o nome daquele lugar Massá e Meribá, por causa da contenda dos filhos de Israel e porque tentaram ao SENHOR, dizendo: Está o SENHOR no meio de nós ou não? Então, veio Amaleque e pelejou contra Israel em Refidim.” Ex 17:7-8
Devemos atentar à palavra ENTÃO. Ou seja, como resultante daquele estado de coisas, surge Amaleque, figura da carne. Sabemos pelo livro de Juízes que a carne pode ser insuflada por Satanás. Veja onde o inimigo surge e que situação ele escolhe para pelejar contra o povo de Deus.
E sabe como ele faz? Em outra passagem na Bíblia vemos que ele vem para agarrar os mais débeis, os que estavam ficando para trás, os mais fracos e os mais velhos. Ele busca alcança-los pela retaguarda, sorrateiramente.
“Com isso, ordenou Moisés a Josué: Escolhe-nos homens, e sai, e peleja contra Amaleque; amanhã, estarei eu no cimo do outeiro, e o bordão de Deus estará na minha mão. Fez Josué como Moisés lhe dissera e pelejou contra Amaleque; Moisés, porém, Arão e Hur subiram ao cimo do outeiro.
Quando Moisés levantava a mão, Israel prevalecia; quando, porém, ele abaixava a mão, prevalecia Amaleque. Ora, as mãos de Moisés eram pesadas; por isso, tomaram uma pedra e a puseram por baixo dele, e ele nela se assentou;
Arão e Hur sustentavam-lhe as mãos, um, de um lado, e o outro, do outro; assim lhe ficaram as mãos firmes até ao pôr-do-sol. E Josué desbaratou a Amaleque e a seu povo a fio de espada.” Ex 17:9-13
Observe a figura da cruz de Cristo sendo tipificada de forma tão tremenda! Enquanto esteve Moisés com as mãos estendidas, assim como o Senhor na cruz, Israel prevalecia. Logo que baixava as mãos, prevalecia Amaleque.
Ou seja, se não estamos em Cristo, se não estamos olhando para a cruz, se não fosse a Cruz de Cristo seríamos derrotados. Porém, ao mantermos nosso olhar fixo no Autor e Consumador da nossa fé, ao mantermos nosso olhar fixo na Cruz de Cristo, na Pessoa e Obra do Senhor, prevalecemos contra Amaleque.
Evidente que há um aspecto individual de aplicação deste princípio acima mencionado, mas não devemos nos esquecer que o Senhor, em certo sentido, faz isto por nós, no aspecto relacionado à sua intercessão como Sumo Sacerdote.
E nós, devemos fazê-lo a favor de nossos irmãos, e nossos irmãos a nosso favor, nos momentos em que estamos fracos, debilitados. A intercessão tipificada imposição de mãos, pelas mãos levantadas tem, dentre outros significados:
- Identificação e Comunhão – tipificada neste episódio
- Bênçãos
- Cura
- Dentre outros.
As Mãos levantadas e a Imposição de Mãos
A imposição de mãos apresenta diferentes significados, dependendo de sua ocorrência nos vários contextos bíblicos.
1. Em relação a procedimentos sacrificiais. As prescrições da lei mosaica requeriam que adoradores, que levassem ofertas queimadas e de pecado, para sacrifício a Deus, colocassem suas mãos sobre o animal da oferta, antes que este fosse morto (Êx. 29.10; Lv 1.4; 4.4,24,29,33; 8.14; Nm 8.10,12).
Não se deve supor que este ato simbólico significasse uma transferência geral de culpa do adorador às vítimas, visto que isso apenas ocorria com a imposição das mãos sobre o bode expiatório no dia da Expiação (Lv 16.21). Ao invés, parece provável que o ato da imposição consagrava a vítima para sua tarefa especial.
2. Em relação à punição. As mãos das testemunhas eram postas sobre o blasfemador antes dele ser apedrejado (Lv 24.14).
3. Em associação com benção. Jacó abençoou os filhos de José dessa forma (Gn 48.14), assim Cristo também abençoou as crianças (Mt 19.15; Mc 10.13,16). A invocação de uma benção sobre um grupo era feita com braços estendidos, tais como as bênçãos sacerdotais (Lv 9.22) ou a ocasião da ascensão de Cristo (Lc 24.50).
4. Em relação à cura. No NT, o conceito, por trás da prática, parece ter sido o da transferência de vitalidade espiritual, para gerar, na pessoa, uma inteireza de ser, manifesta em cura física ou mental. Tais exemplos incluíam a cura da filha de Jairo (Mc 5.23), onde Cristo “tomou-a pela mão” (5.41); a comissão aos discípulos, que incluía cura (16.18); as curas que ocorreram em Cafamaum (Lc 4.40) e a restauração da mulher paralítica (13.13).
Da mesma forma, Ananias pousou as mãos sobre Saulo para capacitá-lo a recuperar sua visão (At 9.12,17) e Paulo, por sua vez, curou o pai de Públio, em Malta (28.8), que parecia estar sofrendo de disenteria e talvez também malária. Curas de natureza geral são descritas (5.12), ocorrendo por intermédio das “mãos” dos apóstolos, i.e., por meio da função apostólica.
5. Dom do Espírito. A imposição das mãos também transmitia o dom do Santo Espírito (At 8.18,19; 19.6). As manifestações resultantes da vitalidade espiritual eram muitas vezes externas, tais como glossolalia. Fica claro que as denominações que justificam seus ritos de confirmação pós-batismais, mediante referência a tais passagens (Hb 6.2), compreendem mal o significado da prática na época apostólica primitiva.
6. Ritos de ordenação. Na ordenação de Josué, como sucessor de Moisés, o que tinha em vista era uma bênção especial (Nm 27.18,23; Dt 34.9). Na cerimônia, o que Josué recebeu foi a comissão de sua nova tarefa, e não os dons de liderança e sabedoria, os quais ele já possuía.
Com efeito, sua ordenação atestou suas qualidades especiais de espírito, dando-lhe autoridade formal para exercer as funções de liderança entre os israelitas. O mesmo princípio foi aplicado aos sete (At 6.6) e ao comissionamento de Paulo e Barnabé (13.3). A concessão de um dom espiritual é sugerida por Paulo (lTm 4.14; 2Tm 1.6). O conselho de Paulo a Timóteo envolvia a restauração dos arrependidos à liderança (lTm 5.22).
Retornando ao estudo…
“Então, disse o SENHOR a Moisés: Escreve isto para memória num livro e repete-o a Josué; porque eu hei de riscar totalmente a memória de Amaleque de debaixo do céu. E Moisés edificou um altar e lhe chamou: O SENHOR É Minha Bandeira. E disse: Porquanto o SENHOR jurou, haverá guerra do SENHOR contra Amaleque de geração em geração.” Ex 17:14-16
Note que Deus mesmo está interessado em que este incidente em Refidim seja escrito em um livro para memória, ou seja, Deus deseja que tenhamos este episódio bem presente, ESPECIALMENTE NOS MOMENTOS DE DIFICULDADE, NOS MOMENTOS DE LUTA.
É como se Deus nos dissesse: “Meu povo deve compreender e recordar que nos momentos de deserto, de lutas, Eu estou Presente. Quando parece que não há nada, quando parece que o inimigo ataca no momento de maior dificuldade, de maior debilidade, o Meu povo deve olhar para Mim, para a Minha Obra na Cruz, para Meu Amor derramado no Calvário.
Interessante notar que Moisés então levanta um altar (e sabemos que o altar na Bíblia é uma figura da consagração) e ele chama aquele altar de Jeová-Nissi, ou seja, o Senhor é a Nossa Bandeira, Nosso Estandarte. Veja que magnífico: o Senhor quer nos ensinar nesta estação que Ele é Quem nos sustenta, Quem nos protege, Quem nos acompanha, Quem cuida de nós, Quem luta por nós; Ele é Nosso estandarte, Nossa Bandeira, Nossa Vanguarda. Ele é Quem vai à frente. Esta experiência foi proposital da parte do Senhor e deve ficar impregnada, registrada em nossos corações.
Observe o que a Palavra nos diz acerca deste episódio em Deuteronômio:
“Lembra-te do que te fez Amaleque no caminho, quando saías do Egito; como te veio ao encontro no caminho e te atacou na retaguarda todos os desfalecidos que iam após ti, quando estavas abatido e afadigado; e não temeu a Deus. Quando, pois, o SENHOR, teu Deus, te houver dado sossego de todos os teus inimigos em redor, na terra que o SENHOR, teu Deus, te dá por herança, para a possuíres, apagarás a memória de Amaleque de debaixo do céu; não te esqueças.” Dt 25:17-19.
Agora observe este mesmo Amaleque no episódio citado em I Samuel:
“Disse Samuel a Saul: Enviou-me o SENHOR a ungir-te rei sobre o seu povo, sobre Israel; atenta, pois, agora, às palavras do SENHOR. Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Castigarei Amaleque pelo que fez a Israel: ter-se oposto a Israel no caminho, quando este subia do Egito.
Vai, pois, agora, e fere a Amaleque, e destrói totalmente a tudo o que tiver, e nada lhe poupes; porém matarás homem e mulher, meninos e crianças de peito, bois e ovelhas, camelos e jumentos. Saul convocou o povo e os contou em Telaim: duzentos mil homens de pé e dez mil homens de Judá.
Chegando, pois, Saul à cidade de Amaleque, pôs emboscadas no vale. E disse aos queneus: Ide-vos, retirai-vos e saí do meio dos amalequitas, para que eu vos não destrua juntamente com eles, porque usastes de misericórdia para com todos os filhos de Israel, quando subiram do Egito. Assim, os queneus se retiraram do meio dos amalequitas.
Então, feriu Saul os amalequitas, desde Havilá até chegar a Sur, que está defronte do Egito. Tomou vivo a Agague, rei dos amalequitas; porém a todo o povo destruiu a fio de espada. E Saul e o povo pouparam Agague, e o melhor das ovelhas e dos bois, e os animais gordos, e os cordeiros, e o melhor que havia e não os quiseram destruir totalmente; porém toda coisa vil e desprezível destruíram.” I Sm 15:1-9.
Muito se fala acerca de Agague; da preservação do melhor de Amaleque, como que simbolizando a parte “boa” da carne, ou a parte que parece boa, educada, refinada ou algo similar. E, de fato, esta pode ser uma possibilidade de interpretação, sem dúvida.
Mas há também que considerar que este Agague, este “melhor de Amaleque”, pode representar algo de que gostamos, um “pecadinho” que não queremos julgar, ou seja, isto pode ser também representativo das coisas que nos apegamos e para as quais ainda não aplicamos a espada do juízo de Deus, algo que toleramos, algo que é representativo de coisas nas nossas vidas que ainda não se renderam ao Senhor. E isto pode nos trazer sérios problemas futuros.
Por outro lado, isto pode representar também as coisas que nos parecem inofensivas, aquelas para as quais nem nos damos conta de que possam não agradar a Deus, mas que são, na verdade inadequadas; daí muitas vezes “coamos o mosquito e engolimos o camelo”. Devemos ter em mente que a carne se reveste de muitas formas para se manifestar; por esta causa que já dizia certo irmão quando relacionava as marcas de um genuíno avivamento pelo resplandecer de Deus sobre nós:
- Visão renovada da Pessoa e Obra de Cristo
- Estado permanente, e em níveis mais profundos, de arrependimento
- A revelação da maravilhosa Palavra de Deus; Viva e Eficaz.
- A Presença Viva de Deus recuperada no meio de Seu povo.
- Uma renovada separação para Deus; santidade.
“Então, veio a palavra do SENHOR a Samuel, dizendo: Arrependo-me de haver constituído Saul rei, porquanto deixou de me seguir e não executou as minhas palavras. Então, Samuel se contristou e toda a noite clamou ao SENHOR.
Madrugou Samuel para encontrar a Saul pela manhã; e anunciou-se àquele: Já chegou Saul ao Carmelo, e eis que levantou para si um monumento; e, dando volta, passou e desceu a Gilgal. Veio, pois, Samuel a Saul, e este lhe disse: Bendito sejas tu do SENHOR; executei as palavras do SENHOR.
Então, disse Samuel: Que balido, pois, de ovelhas é este nos meus ouvidos e o mugido de bois que ouço? Respondeu Saul: De Amaleque os trouxeram; porque o povo poupou o melhor das ovelhas e dos bois, para os sacrificar ao SENHOR, teu Deus; o resto, porém, destruímos totalmente.” I Sm 15:10-15
O interessante neste contexto é que se diz: “porque o povo poupou o melhor das ovelhas e dos bois, para os sacrificar ao SENHOR, teu Deus; o resto, porém, destruímos totalmente”. Porque?
- Porque Saul estava “culpando” o povo pelo que se fizera; ou seja, estava transferindo a responsabilidade, como que se esquivando do que havia feito. Repetia tão somente a atitude carnal e egocêntrica de Adão, evidentemente pós queda, com respeito a Eva e isto diante de Deus: “foi a mulher que o Senhor me deu”
- Estava em certo sentido:
- Ou manifestando sua inconsciência acerca da inadequação daquela oferta, o que reitera a possibilidade de sua (e nossa tantas vezes) falta de visão;
- Ou estava a dissimular como que querendo demonstrar certa ingenuidade porque o teria permitido com propósitos santos (sacrificar ao Senhor).
“Então, disse Samuel a Saul: Espera, e te declararei o que o SENHOR me disse esta noite. Respondeu-lhe Saul: Fala. Prosseguiu Samuel: Porventura, sendo tu pequeno aos teus olhos, não foste por cabeça das tribos de Israel, e não te ungiu o SENHOR rei sobre ele?
Enviou-te o SENHOR a este caminho e disse: Vai, e destrói totalmente estes pecadores, os amalequitas, e peleja contra eles, até exterminá-los. Por que, pois, não atentaste à voz do SENHOR, mas te lançaste ao despojo e fizeste o que era mau aos olhos do SENHOR?
Então, disse Saul a Samuel: Pelo contrário, dei ouvidos à voz do SENHOR e segui o caminho pelo qual o SENHOR me enviou; e trouxe a Agague, rei de Amaleque, e os amalequitas, os destruí totalmente; mas o povo tomou do despojo ovelhas e bois, o melhor do designado à destruição para oferecer ao SENHOR, teu Deus, em Gilgal.
Porém Samuel disse: Tem, porventura, o SENHOR tanto prazer em holocaustos e sacrifícios quanto em que se obedeça à sua palavra? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar, e o atender, melhor do que a gordura de carneiros. Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria, e a obstinação é como a idolatria e culto a ídolos do lar. Visto que rejeitaste a palavra do SENHOR, ele também te rejeitou a ti, para que não sejas rei.
Então, disse Saul a Samuel: Pequei, pois transgredi o mandamento do SENHOR e as tuas palavras; porque temi o povo e dei ouvidos à sua voz. Agora, pois, te rogo, perdoa-me o meu pecado e volta comigo, para que adore o SENHOR. Porém Samuel disse a Saul: Não tornarei contigo; visto que rejeitaste a palavra do SENHOR, já ele te rejeitou a ti, para que não sejas rei sobre Israel.
Virando-se Samuel para se ir, Saul o segurou pela orla do manto, e este se rasgou. Então, Samuel lhe disse: O SENHOR rasgou, hoje, de ti o reino de Israel e o deu ao teu próximo, que é melhor do que tu. Também a Glória de Israel não mente, nem se arrepende, porquanto não é homem, para que se arrependa.
Então, disse Saul: Pequei; honra-me, porém, agora, diante dos anciãos do meu povo e diante de Israel; e volta comigo, para que adore o SENHOR, teu Deus. Então, Samuel seguiu a Saul, e este adorou o SENHOR. Disse Samuel: Traze-me aqui Agague, rei dos amalequitas. Agague veio a ele, confiante; e disse: Certamente, já se foi a amargura da morte.
Disse, porém, Samuel: Assim como a tua espada desfilhou mulheres, assim desfilhada ficará tua mãe entre as mulheres. E Samuel despedaçou a Agague perante o SENHOR, em Gilgal. Então, Samuel se foi a Ramá; e Saul subiu à sua casa, a Gibeá de Saul. Nunca mais viu Samuel a Saul até ao dia da sua morte; porém tinha pena de Saul. O SENHOR se arrependeu de haver constituído Saul rei sobre Israel.” I Sm 15:16-35
Este texto é um texto muito sério. Aqui vemos a seriedade de representar o juízo de Deus. Em Jeremias capítulo 48:10 vemos algo relacionado a isto:
“Maldito aquele que fizer a obra do SENHOR relaxadamente! Maldito aquele que retém a sua espada do sangue!” Jr 48:10
Isto significa que quando temos de aplicar o juízo de Deus, de chamar as coisas pelos seus nomes, de pôr um ponto nos is, é necessário resolver o que está mau, não podemos perdoar o “gordo”, não podemos fazer “vista grossa”. Não, porque se assim o fizermos, deixamos de representar o sentir de Deus, a justiça de Deus, o juízo de Deus sobre o mal. E o primeiro a quem devemos julgar somos a nós mesmos.
As Batalhas Espirituais – Breve Relato
Este tema está exaustivamente tratado no “Resumo do Livro de Juízes”, mas vamos mencionar aqui apenas alguns princípios que julgamos importantes para termos uma melhor compreensão da seriedade que devemos empregar no trato com tudo aquilo que impede o crescimento da Vida do Senhor em nós.
7.1- Juízes 1:16-36
Neste contexto, os cananeus que habitavam em Zefate (torre de vigia), foram totalmente destruídos pelo povo de Deus (a família da tribo de Simeão com a ajuda de Judá). Por isto aquele lugar passou a chamar-se Horma (lugar devastado).
O Eu monta “Torres de Vigia” – Ele não quer ser destronado
Vs 17: É significativo pensar que os cananeus são representantes das diversas formas de manifestação da vida egocêntrica e que “o eu” tenha montado, conforme o texto bíblico, portanto, uma torre de vigia . Se nós não tivéssemos o livro de Juízes nós não teríamos como conhecer o grande adversário que temos que é o nosso eu.
Afinal quantos são os mecanismos que desenvolvemos no eu, até mesmo de forma inconsciente, de defesa, de proteção, de transferência, de justificação. Como identificar as manhas e descaminhos do nosso eu?
O mal tem de ser cada vez mais profundamente julgado em nosso coração, porque uma pequena raiz hostil não julgada pode representar uma porta para a edificação de uma cidade hostil. Aquilo que acalentamos e não julgamos pode matar a nossa vida espiritual naquela área não julgada.
7.2- Fazemos concessões à carne quando a luta nos parece “difícil demais”
Vs 19: Não bastasse o que vimos acima, vemos em Jz 1:19 que Judá não expulsou os moradores do vale, “PORQUE ELES TINHAM CARROS DE FERRO”. Observe esta mesma menção em Jz 4:3, tipificada através de Jabim (Sig. No Hebraico: “Aquele a quem Deus serve”), rei de Canaã – Figura das “partes baixas da carne” ou as “paixões e cobiças”.
A expressão moradores do VALE designa, espiritualmente, as chamadas “partes baixas”, na tipologia representada por Canaã. Os “carros de ferro” são figura da aspereza da luta. Os carros na Bíblia estão, via de regra, associados à força, enquanto o ferro fala desta dureza, desta aspereza. Ou seja, eles consentiram, eles se acostumaram à presença dos “moradores do vale”; eles “foram levando”… Não trataram, de fato, aquilo que deveria ser tratado. A luta talvez lhes parecia “difícil demais”!
7.3- Um Exemplo Positivo decorrente de um coração não dividido
Vs 20: Aqui temos a citação de um exemplo positivo representado por Calebe (Sig. No Hebraico: “De todo o coração”) que desejou Hebrom (Figura da Comunhão). Logo, o relato nos exemplifica como Calebe não teve dificuldades em expulsar os gigantes filhos de Anaque.
Princípios Espirituais Associados
8.1- Princípio 01 – Jz 01:22-26
Ou seja, a preservação daquela família dos cananeus em Luz, conforme o relato do capítulo 01 vs de 22 a 26 do livro de Juízes, foi o suficiente para que ela viesse a ser reedificada em outro lugar; até ao dia de hoje como a Palavra menciona. Fica evidente que o ensino aqui é que uma única família, uma pequena raiz não julgada, é capaz de gerar uma cidade edificada.
8.2- Princípio 02 – Jz 01:27-28
Além disto, outro grande princípio espiritual está declarado nos vs 27 e 28 deste mesmo capítulo. Sujeitar os cananeus (figura da carne) a trabalhos forçados significa servir a Deus com base em algo que se origina de nós mesmos. Além disto, o relato bíblico faz menção que isto assim o foi a partir do momento que Israel se tornou mais forte.
A lição aqui é que podemos cair naquilo que julgamos ser a nossa maior “força” com o foi com Moisés (sua mansidão) e que o impediu de entrar na Terra Prometida. Além disto, a permanência daqueles povos no meio do povo de Deus conforme o relato dos versículos de 29 a 36 é indicativo de que:
NÓS NÃO PODEMOS PRESERVAR UMA RAIZ HOSTIL, QUE NÃO TEM SIDO JULGADA EM NOSSO CORAÇÃO. A SALVAÇÃO DA ALMA PRESSUPÕE QUE TUDO EM NÓS DEVA SER PLENAMENTE JULGADO. SIGNIFICA DAR AO SENHOR PERMISSÃO DE TER ACESSO A TODAS AS CHAVES DE CADA CÔMODO DO NOSSO CORAÇÃO.
Se nós queremos crescer com o Senhor nós devemos tratar estas questões. E o Espírito Santo deixou isto claro; e claramente registrado através destes 8 versículos no livro de Juízes. Oito vezes, o Espírito Santo registra esta lista de conquistas incompletas.
E isto tem haver com aquilo que damos guarida em nossa vida interior que ainda não foi julgado. Muitas vezes nós pensamos assim: o que é isto senão algo tão pequenininho? Ainda mais diante de tantas coisas tão grosseiras que às vezes vemos na vida de outros… e assim, o mal em nós só vai mudando de lugar. Julgamos os outros e não julgamos a nós mesmos.
Em seguida, a casa de José subiu contra Betel e desbaratou a todos a fio de espada, à exceção de um homem e sua família, que, a exemplo de Raabe foi poupado.
1 – Benjamim não expulsou os cananeus que habitavam em Jerusalém.
2 – Manassés não expulsou os cananeus que habitavam em Bete Seã, Taanaque, Dor, Ibleão e Megido. Estes cananeus, entretanto, foram sujeitos a trabalhos forçados, quando Israel se tornou mais forte.
3 – Efraim não expulsou os cananeus de Gezer.
4 – Zebulom não expulsou os cananeus de Quitrom e Naalol. Estes, no entanto, ficaram sujeitos a trabalhos forçados.
5 – Aser não expulsaram os cananeus que habitavam em Aco, Sidom, Alabe, Aczibe, Helba, Afeca e Reobe.
6 – Naftali não expulsou os cananeus de Bete-Semes e Bete Anate. Estes, no entanto, ficaram sujeitos a trabalhos forçados.
7 – Os filhos de Dã não puderam descer aos vales pois os amorreus “os arredaram até as montanhas”. Os amorreus lograram chegar até mesmo ás montanhas, mas a mão da casa de José prevaleceu e estes ficaram-lhes sujeitos a trabalhos forçados.
Então inicia-se o capítulo 2 de Juízes. E o seu relato diz que o Anjo do Senhor subiu de Gilgal a Boquim. Por causa da desobediência do povo de Deus em expulsar todas aquelas nacos de seu meio, o Senhor diz que “não os expulsarei de diante de vós; antes, vos serão por adversários, e os seus deuses vos serão laço! (Jz 2:3). Assim, nada restou ao povo senão prantear; daí chamarem aquele lugar de Boquim (pranteadores).
8.3- Princípio 03 – Juízes cap 02 vs 12 e Juízes cap 03 vs 07.
Na conjunção destes dois versículos em contraste com Dt 31:16- 18. Fica claro em Juízes que eles primeiro “deixaram o Senhor” e por isto “levantaram ídolos” em seus corações. Porém em Deuteronômio o princípio ocorre de forma inversa. Primeiro eles se levantaram, se prostituiram e então deixaram o Senhor anulando a aliança que o Senhor havia feito com eles.
Através deste comparativo podemos verificar que o princípio da idolatria tem dois lados. Que nós podemos entrar em descaminhos espirituais de duas maneiras. A primeira maneira é quando nos esquecemos do Senhor deixando a vida de altar, a vida de intimidade, a vida de comunhão: e a consequência é LEVANTAMOS ÍDOLOS. Agora pode também funcionar de forma inversa: primeiro levantamos ídolos e então ESQUECEMOS do Senhor.
Este é um grande desafio para nós. Não tolerar o que Deus não tolera e tolerar o que Deus tolera. Do contrário não poderemos representar Sua autoridade. E porque é um desafio para nós? Porque muitas vezes somos condescendentes quando devemos ser mais duros, e em tantas outras vezes somos extremamente duros e inflexíveis quando deveríamos ser mais misericordiosos.
Um ponto importante é que Deus nos chama não a julgar pessoas, mas seus atos, suas atitudes em coerência e obediência à Sua Palavra. O objetivo de Deus é restauração, não morte. É perdão via arrependimento e conversão pela Palavra, e não o exercício de juízo condenatório sobre a pessoa.
“E Moisés edificou um altar e lhe chamou: O SENHOR É Minha Bandeira. E disse: Porquanto o SENHOR jurou, haverá guerra do SENHOR contra Amaleque de geração em geração.” Ex 17:15
Contra quem pelejou Amaleque? Contra os débeis, os fracos, as ovelhinhas que procuravam seguir a Deus, mas que estavam cansados, fatigados. Foi a estes que veio Amaleque e os atacou. Veja que há uma dupla oposição: de um lado nossa carne não querendo se sujeitar a Deus e, de outro lado, o inimigo de Deus que via de regra procura se interpor nestas situações para impedir as ovelhinhas de seguir a Deus.
Por este motivo Deus deseja que não andemos desta forma: perdoando o “gordo” e perdoando a Agague, porque isto nos acarreta anátema e maldição.
“Maldito aquele que fizer a obra do SENHOR relaxadamente! Maldito aquele que retém a sua espada do sangue”. Jr 48:10
“Visto como se não executa logo a sentença sobre a má obra, o coração dos filhos dos homens está inteiramente disposto a praticar o mal.” Ec 8:11
A Tentativa do inimigo de destruir a chegada do Messias através do extermínio da Sua descendência por meio de Amaleque

“Então disse o Senhor a Moisés: Escreve isto para memória num livro, e relata-o aos ouvidos de Josué; que eu totalmente hei de riscar a memória de Amaleque de debaixo dos céus. E Moisés edificou um altar, ao qual chamou: O SENHOR É MINHA BANDEIRA. E disse: Porquanto jurou o Senhor, haverá guerra do Senhor contra Amaleque de geração em geração.” Êxodo 17:14-16
“E vendo os amalequitas, proferiu a sua parábola, e disse: Amaleque é a primeira das nações; porém o seu fim será a destruição.” Números 24:20
“Lembra-te do que te fez Amaleque no caminho, quando saías do Egito;
Como te saiu ao encontro no caminho, e feriu na tua retaguarda todos os fracos que iam atrás de ti, estando tu cansado e afadigado; e não temeu a Deus. Será, pois, que, quando o Senhor teu Deus te tiver dado repouso de todos os teus inimigos em redor, na terra que o Senhor teu Deus te dá por herança, para possuí-la, então apagarás a memória de Amaleque de debaixo do céu; não te esqueças.” Deuteronômio 25:17-19
“Assim diz o Senhor dos Exércitos: Eu me recordei do que fez Amaleque a Israel; como se lhe opôs no caminho, quando subia do Egito. Vai, pois, agora e fere a Amaleque; e destrói totalmente a tudo o que tiver, e não lhe perdoes; porém matarás desde o homem até à mulher, desde os meninos até aos de peito, desde os bois até às ovelhas, e desde os camelos até aos jumentos.
O que Saul convocou ao povo, e os contou em Telaim, duzentos mil homens de pé, e dez mil homens de Judá. Chegando, pois, Saul à cidade de Amaleque, pôs emboscada no vale. E disse Saul aos queneus: Ide-vos, retirai-vos e saí do meio dos amalequitas, para que não vos destrua juntamente com eles, porque vós usastes de misericórdia com todos os filhos de Israel, quando subiram do Egito. Assim os queneus se retiraram do meio dos amalequitas.
Então feriu Saul aos amalequitas desde Havilá até chegar a Sur, que está defronte do Egito. E tomou vivo a Agague, rei dos amalequitas; porém a todo o povo destruiu ao fio da espada. E Saul e o povo pouparam a Agague, e ao melhor das ovelhas e das vacas, e as da segunda ordem, e aos cordeiros e ao melhor que havia, e não os quiseram destruir totalmente; porém a toda a coisa vil e desprezível destruíram totalmente.
Então veio a palavra do Senhor a Samuel, dizendo: Arrependo-me de haver posto a Saul como rei; porquanto deixou de me seguir, e não cumpriu as minhas palavras. Então Samuel se contristou, e toda a noite clamou ao Senhor. E madrugou Samuel para encontrar a Saul pela manhã: e anunciou-se a Samuel, dizendo: Já chegou Saul ao Carmelo, e eis que levantou para si uma coluna. Então voltando, passou e desceu a Gilgal.
Veio, pois, Samuel a Saul; e Saul lhe disse: Bendito sejas tu do Senhor; cumpri a palavra do Senhor. Então disse Samuel: Que balido, pois, de ovelhas é este aos meus ouvidos, e o mugido de vacas que ouço? E disse Saul: De Amaleque as trouxeram; porque o povo poupou ao melhor das ovelhas, e das vacas, para as oferecer ao Senhor teu Deus; o resto, porém, temos destruído totalmente.
Então disse Samuel a Saul: Espera, e te declararei o que o Senhor me disse esta noite. E ele disse-lhe: Fala. E disse Samuel: Porventura, sendo tu pequeno aos teus olhos, não foste por cabeça das tribos de Israel? E o Senhor te ungiu rei sobre Israel. E enviou-te o Senhor a este caminho, e disse: Vai, e destrói totalmente a estes pecadores, os amalequitas, e peleja contra eles, até que os aniquiles.
Por que, pois, não deste ouvidos à voz do Senhor, antes te lançaste ao despojo, e fizeste o que parecia mau aos olhos do Senhor? Então disse Saul a Samuel: Antes dei ouvidos à voz do Senhor, e caminhei no caminho pelo qual o Senhor me enviou; e trouxe a Agague, rei de Amaleque, e os amalequitas destruí totalmente;
Mas o povo tomou do despojo ovelhas e vacas, o melhor do interdito, para oferecer ao Senhor teu Deus em Gilgal. Porém Samuel disse: Tem porventura o Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrifícios, como em que se obedeça à palavra do Senhor? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender melhor é do que a gordura de carneiros. Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria, e o porfiar é como iniqüidade e idolatria” 1 Samuel 15:2-23
“Depois destas coisas o rei Assuero engrandeceu a Hamã, filho de Hamedata, agagita (OBSERVE QUE HAMÃ ERA DESCENDENTE DE AGAGUE, E PORTANTO, AMALEQUITA), e o exaltou, e pôs o seu assento acima de todos os príncipes que estavam com ele. E todos os servos do rei, que estavam à porta do rei, se inclinavam e se prostravam perante Hamã; porque assim tinha ordenado o rei acerca dele; porém Mardoqueu não se inclinava nem se prostrava.
Então os servos do rei, que estavam à porta do rei, disseram a Mardoqueu: Por que transgrides o mandado do rei? Sucedeu, pois, que, dizendo-lhe eles isto, dia após dia, e não lhes dando ele ouvidos, o fizeram saber a Hamã, para verem se as palavras de Mardoqueu se sustentariam, porque ele lhes tinha declarado que era judeu.
Vendo, pois, Hamã que Mardoqueu não se inclinava nem se prostrava diante dele, Hamã se encheu de furor. Porém teve como pouco, nos seus propósitos, o pôr as mãos só em Mardoqueu (porque lhe haviam declarado de que povo era Mardoqueu); Hamã, pois, procurou destruir a todos os judeus, o povo de Mardoqueu, que havia em todo o reino de Assuero.” Ester 3:1-6
Bem, sabemos a história. Esther se interpõe a favor de seu povo e Deus, através da vida dela salva os hebreus. Ou seja, o inimigo de Deus buscou exterminar os hebreus na época de Esther, porque fazendo isto ele poderia impedir, até mesmo, o futuro nascimento do Messias, já que o Senhor veio da linhagem dos hebreus.
A Eleição de Juízes e a Delegação de Autoridade
Depois destas experiências com respeito à penha de Horebe, a vitória sobre Amaleque, graças a Cruz tipificada nos braços estendidos de Moisés sustentados por Arão e Hur em Refidim (e isto significa o que Refidim é: sustento, apoio, mostrando que a cruz é nosso suporte), então vem a questão de delegação de autoridade da parte do Senhor.
“Ora, Jetro, sacerdote de Midiã, sogro de Moisés, ouviu todas as coisas que Deus tinha feito a Moisés e a Israel, seu povo; como o SENHOR trouxera a Israel do Egito.”
Interessante notar como Deus se utiliza de todas as coisas e pessoas para abençoar, ensinar e cuidar de Seu povo. Senão vejamos:
10- Jetro, Sacerdote de Midiã
Jetro significa no hebraico “Abundância” e tem na raiz da palavra o significado de remanescente. Porém, vemos em Ex 2:18 que há outra designação para ele: Reuel. Ora, Reuel significa no hebraico “Amigo de Deus” e a raiz da palavra aponta para apascentar, cuidar, alimentar.
Logo, ele era alguém que tipificava o remanescente, tipificando estar pleno/abundante/transbordante, a ponto de ser chamado “amigo de Deus” e que tinha na raiz de seu nome provavelmente o sentido existencial de seu ofício: cuidar, alimentar, apascentar. Para detalhamento ver Jo 13:1-3.
Ocorre que ele era sacerdote de Midiã. Midiã significa no hebraico “conflito, contenda”. Que interessante, porque o povo estava vivenciando uma situação de tentação, de prova, que os levou a experimentar um conflito, uma contenda: esta é “Massá e Meribá”.
Jetro, sogro de Moisés, tomou a Zípora, mulher de Moisés, depois que este lha enviara, com os dois filhos dela, dos quais um se chamava Gérson, pois disse Moisés: Fui peregrino em terra estrangeira; e o outro, Eliézer, pois disse: O Deus de meu pai foi a minha ajuda e me livrou da espada de Faraó.
11- O Primeiro filho de Abrãao : Gérson
Aqui outro elemento bastante instrutivo para todos nós. O princípio da primeira menção estabelece um princípio muito importante. O primeiro filho, em tipologia, aponta para o fato de que Moisés (Seu nome significa “Tirado das águas” – uma clara alusão de nossa Salvação por meio da Obra redentora do Senhor Jesus Cristo) era peregrino em Midiã.
Assim o somos nós. Estamos neste mundo, mas não somos deste mundo, deste sistema; não somos um com o mundo. Ao contrário, aguardamos ansiosamente nossa pátria celestial.
12- O Significado de ser Peregrino: Implicações
- Fp 3:7-21 : Prosseguir para o alvo, desenvolver a mente de Cristo e ter uma grande expectativa com respeito a redenção do corpo
“Mas o que, para mim, era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo. Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo e ser achado nele, não tendo justiça própria, que procede de lei, senão a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé; para o conhecer, e o poder da sua ressurreição, e a comunhão dos seus sofrimentos, conformando-me com ele na sua morte; para, de algum modo, alcançar a ressurreição dentre os mortos. Não que eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus. Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. Todos, pois, que somos perfeitos, tenhamos este sentimento; e, se, porventura, pensais doutro modo, também isto Deus vos esclarecerá. Todavia, andemos de acordo com o que já alcançamos. Irmãos, sede imitadores meus e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós. Pois muitos andam entre nós, dos quais, repetidas vezes, eu vos dizia e, agora, vos digo, até chorando, que são inimigos da cruz de Cristo. O destino deles é a perdição, o deus deles é o ventre, e a glória deles está na sua infâmia, visto que só se preocupam com as coisas terrenas. Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, o qual transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória, segundo a eficácia do poder que ele tem de até subordinar a si todas as coisas.” Fp 3:7-21.
- Hb 10:32-39 : Suportar lutas e sofrimentos, manifestar cuidado com os que sofrem, não colocar a confiança em mamom, mas em Deus e naquilo que Ele chama de riqueza. Viver em CONFIANÇA, PERSEVERANÇA e pela FÉ!
“Lembrai-vos, porém, dos dias anteriores, em que, depois de iluminados, sustentastes grande luta e sofrimentos; ora expostos como em espetáculo, tanto de opróbrio quanto de tribulações, ora tornando-vos co-participantes com aqueles que desse modo foram tratados. Porque não somente vos compadecestes dos encarcerados, como também aceitastes com alegria o espólio dos vossos bens, tendo ciência de possuirdes vós mesmos patrimônio superior e durável. Não abandoneis, portanto, a vossa CONFIANÇA (Claramente aponta para o que a experiência de Refidim deveria produzir no povo de Deus); ela tem grande galardão. Com efeito, tendes necessidade de perseverança, para que, havendo feito a vontade de Deus, alcanceis a promessa. Porque, ainda dentro de pouco tempo, aquele que vem virá e não tardará; todavia, o meu justo viverá pela fé; e: Se retroceder, nele não se compraz a minha alma. Nós, porém, não somos dos que retrocedem para a perdição; somos, entretanto, da fé, para a conservação da alma.” Hb 10:32-39
- Hb 11.8-16 : Seguir o Senhor por onde for que Ele vá (característica dos 144.000 mencionados em Ap 14), viver como tendo consciência de que está em “terra alheia” e aspirar por uma Pátria Superior, Celestial.
“ Pela fé, Abraão, quando chamado, obedeceu, a fim de ir para um lugar que devia receber por herança; e partiu sem saber aonde ia. Pela fé, peregrinou na terra da promessa como em terra alheia, habitando em tendas com Isaque e Jacó, herdeiros com ele da mesma promessa; porque aguardava a cidade que tem fundamentos, da qual Deus é o arquiteto e edificador. Pela fé, também, a própria Sara recebeu poder para ser mãe, não obstante o avançado de sua idade, pois teve por fiel aquele que lhe havia feito a promessa. Por isso, também de um, aliás já amortecido, saiu uma posteridade tão numerosa como as estrelas do céu e inumerável como a areia que está na praia do mar. Todos estes morreram na fé, sem ter obtido as promessas; vendo-as, porém, de longe, e saudando-as, e confessando que eram estrangeiros e peregrinos sobre a terra. Porque os que falam desse modo manifestam estar procurando uma pátria. E, se, na verdade, se lembrassem daquela de onde saíram, teriam oportunidade de voltar. Mas, agora, aspiram a uma pátria superior, isto é, celestial. Por isso, Deus não se envergonha deles, de ser chamado o seu Deus, porquanto lhes preparou uma cidade.” Hb 11:8-16.
13- Resumo Sintético do Significado de “Ser Peregrino”
- Ter uma mente que busca O Alvo e prossegue sem se desviar para direita ou para a esquerda, mas que mantêm os olhos fixos no Senhor.
- Possuir uma mente renovada e habilitada a viver discernindo o processo pelo qual se necessita passar para ser transformado para a entrada no Reino que envolve, muitas vezes, lutas e sofrimentos.
- Possuir um desejo ardente por Santidade e, neste aspecto, ansiar pela redenção do corpo para livrar-se das consequências nefastas do pecado, inclusive e principalmente, para ser, de fato, Um com o Senhor, mais plenamente!
- Manifestar uma fé operosa no tocante a se importar e cuidar do próximo, em especial, os que mais sofrem.
- Não se deixar corromper por mamom, nem a este se submeter através de surtos de ansiedade e/ou desespero, mas dar valor ao que Deus valoriza e entender e procurar vivenciar o que significa “acumular tesouros no céu”.
- Desenvolver a cada dia mais CONFIANÇA, PERSEVERANÇA e FÉ no Senhor e em Sua Palavra.
- Seguir o Senhor por onde quer que Ele vá. Implica em não murmurar, não contender e nem dar coices na Providência Divina que visa nos transformar à Sua imagem e semelhança.
- Sentir-se como que em “terra alheia” e não se conformar a este mundo, amoldando-se com tantas coisas que guerreiam contra a salvação de nossa alma. Andar em santidade e pureza, em oposição a perversão do mundo e, assim, contribuir para expressar o testemunho do Senhor, não colocando a esperança em coisas desta vida.
14- O Segundo filho de Abraão: Eliézer
Bem, dando continuidade, vemos que o segundo filho mencionado é Eliézer.
Onde vemos o personagem que leva o nome de Eliézer aparecer na Bíblia pela primeira vez? Em Gn 14:12-24. A situação alí é de conflito, de contenda, de guerra (de quatro reis contra cinco). O fato é que nos é dito que Abrão vai socorrer seu sobrinho Ló com “trezentos e dezoito homens”.
15- Os 318 Homens do exército de Abraão – Guematria
No Génesis 14 narra-se a invasão da Palestina por quatro poderosos exércitos do Oriente, que levaram Ló, o sobrinho de Abraão, como prisioneiro. Quando o patriarca o vem a saber, reúne 318 pessoas, e vai em perseguição daqueles, consegue derrotá-los e liberta Ló.
Terá Abraão, só com 318 pessoas, vencido os quatro exércitos mais poderosos da Mesopotâmia? Esse número teria outro significado. Sabemos que Abraão tinha um servo, herdeiro de todos os seus bens, chamado Eliezer (Gn 15,2)
Se somarmos os números correspondentes às letras hebraicas deste nome temos: E (=1) + L (=30) + I (=10) + E (=70) + Z (=7) +R (=200) = 318. Os valores indicados correspondem ao alfabeto hebraico.
Eliézer: Significa “Deus é socorro”, ou “Deus é meu auxílio”. Com origem no hebraico Eliézer, composto pelos elementos El que significa “Deus, poderoso” e “Ézer”, auxílio”.
Com isto podemos inferir que a significação é tal que simboliza o fato de que Abraão saiu a combater no “Poder do Senhor” e, neste sentido, a descendência de Abraão será sempre superior aos seus inimigos.
É SIGNIFICATICO LEMBRAR QUE ESTA É A PRIMEIRA MENÇÃO EXPLÍCITA DE GUERRA. E TODA PRIMEIRA MENÇÃO ESTABELECE UM PRINCÍPIO. LOGO, NÃO INTERESSA QUANTOS HOMENS ESTEJAM EM NOSSO EXÉRCITO, A QUESTÃO É SE O SENHOR ESTÁ NA BATALHA!!!
Este mesmo princípio é testificado por toda a Escritura. Quando o povo confiava em si mesmo, era derrotado nas batalhas. Se confiava somente em Deus, a despeito de estar em defasagem numérica quando comparado ao exército inimigo, vencia as batalhas.
Esta passagem vai tratar claramente da relação entre o sacerdócio e as batalhas.
Observe ainda que é neste contexto que se faz menção ao dízimo, mas cuidado: devemos analisar o significado do “PARA O QUE ISTO APONTA”!
E porque isto é importante? Porque na escolha dos homens encarregados de ajudar Abrão veremos claramente uma alusão ao fato de “NÃO SEREM AVARENTOS” (vs 21). Mas não basta não serem “AVARENTOS”; veremos como deverão primeiramente fazer a entrega “de si mesmos a Deus”. Este mesmo princípio é reenfatizado na qualificação daqueles que querem servir ao Senhor. Neste sentido, vemos a relação disto com os TESOUROS DA CASA DO SENHOR.
16- Melquisedeque
Melquisedeque aparece 02 vezes no Antigo Testamento:
- Gênesis 14,17-20: Quando Abrão voltou, depois de ter derrotado Quedorlaomer e os reis aliados, o rei de Sodoma foi ao seu encontro no vale de Save, que é o vale do rei. Melquisedeque, rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo, levou pão e vinho, e abençoou Abrão, dizendo: «Bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo, que criou o céu e a terra; e bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os inimigos a você». E Abrão lhe deu a décima parte de tudo.
- Salmos 110,4: Javé jurou e jamais desmentirá: «Você é sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque».
17- Aner, Escol e Manre
Importante salientar que a menção de três pessoas é extremamente simbólica no tocante a tomar dos depojos, conforme Gn 14:24:
Aner Rapaz ou jovem (Ligação com força, fruto da permanência na Palavra e vitória sobre o Maligno) – I Jo 2:12-14.
Escol Cacho de uva (Ligação com alegria, transbordamento de Vida) – Mc 2:22.
Manre Força (Citação bíblica associada aos carvalhais fornteiros à Hebrom que tipifica comunhão) – Gn 13:18.
18- Os despojos
Após ouvir o diálogo de Abraão e Melquisedeque, o rei de Sodoma apresentou um pedido de libertação de seus súditos a Abraão.
Abrão, fique com os despojos, mas por favor, me devolva somente as pessoas.
Na realidade, segundo os costumes da época, registrados no código de Hamurabi, Abrão como resgatador, tinha direito a tudo! Era uma grande tentação para Abrão.
Mas aqui há uma contraposição muito interessante. De um lado Abrão tinha aprendido a lição de que tudo o que possuía lhe havia sido dado por Deus mesmo; e isto em um episódio muito doloroso para ele e sua esposa (Gn 12).
Mas é interessante notar que, apesar de haver uma questão cultural e histórica representada pelo código de Hamurabi, no sentido de que Abrão teria por direito de ficar com todo o despojo, temos de notar que o Rei de Sodoma em certo sentido tipifica o “príncipe deste mundo”.
E qual foi o seu pedido? Não quero COISAS, quero PESSOAS, ALMAS.
E qual seria então a contraposição? O inimigo de Deus não tem interesse em coisas e se dispõe a dar tudo para ficar com as pessoas.
Se tomarmos Abrão como nosso representante neste episódio, deveríamos nos perguntar: damos o dízimo? Ou tudo, conforme vemos claramente no contexto do Novo Testamento? Ou nem o dízimo? Ou esperamos em Deus somente para esta vida? Percebem?
É claro que Deus não precisa de nada nosso. É claro que tudo o que temos vem de Deus. Nada intrinsecamente falando é nosso. No entanto, embora o dízimo pareça ser uma grande oferta, neste contexto fica em muito diminuído pela “oferta” que o Rei de Sodoma faz pelas almas.
E nós, nos oferecemos a Deus? Vivemos na perspectiva de que fomos comprados por preço? Damos a Ele tudo o que é “nosso”? Somos de fato mordomos do Rei? Nossa consagração é realmente de tudo o que somos e não somente do que “temos”?
Mas Abrão respondeu:
Eu levanto a mão diante do SENHOR, o Deus Altíssimo, criador do céu e da terra…
Ao fazer isto, invocou ao mesmo “Deus Altíssimo” em cujo nome Melquisedeque o tinha abençoado, indicando assim que o Deus de Melquisedeque, dono do céu e da terra, era também seu Deus.
E juro que não ficarei com nada do que é seu, nem um fio de linha ou uma tira de sandália.
Vocês se lembram que o ALTAR foi o elemento mais marcante na vida de Abraão? O passo sequencial de Abrão na sua caminhada com Deus seria ele oferecer-se a si mesmo no altar. Porque? Porque não oferecemos a Deus o que somos nem nada que é nosso. Somente podemos oferecer o que vem Dele mesmo.
Qualquer coisa que provêm de nós não seria aceito por Deus. Deus só aceita o que vem dele. Logo, quando Abrão oferecia Isaque, ele oferecia o que de mais valioso Deus o dera, e portanto, algo que viera de Deus mesmo. Isto é consagração.
Obs: Para maiores detalhamentos consultar o Resumo do Pentateuco – Gênesis – Capítulo 14 – “Guerra de Quatro Reis contra Cinco”.
“Veio Jetro, sogro de Moisés, com os filhos e a mulher deste, a Moisés no deserto onde se achava acampado, junto ao monte de Deus, e mandou dizer a Moisés: Eu, teu sogro Jetro, venho a ti, com a tua mulher e seus dois filhos. Então, saiu Moisés ao encontro do seu sogro, inclinou-se e o beijou; e, indagando pelo bem-estar um do outro, entraram na tenda.
Contou Moisés a seu sogro tudo o que o SENHOR havia feito a Faraó e aos egípcios por amor de Israel, e todo o trabalho que passaram no Egito, e como o SENHOR os livrara. Alegrou-se Jetro de todo o bem que o SENHOR fizera a Israel, livrando-o da mão dos egípcios, e disse: Bendito seja o SENHOR, que vos livrou da mão dos egípcios e da mão de Faraó;
Agora, sei que o SENHOR é maior que todos os deuses, porque livrou este povo de debaixo da mão dos egípcios, quando agiram arrogantemente contra o povo.
Então, Jetro, sogro de Moisés, tomou holocausto e sacrifícios para Deus; e veio Arão e todos os anciãos de Israel para comerem pão com o sogro de Moisés, diante de Deus.
No dia seguinte, assentou-se Moisés para JULGAR O POVO; e o povo estava em pé diante de Moisés desde a manhã até ao pôr-do-sol. Vendo, pois, o sogro de Moisés tudo o que ele fazia ao povo, disse: Que é isto que fazes ao povo? Por que te assentas só, e todo o povo está em pé diante de ti, desde a manhã até ao pôr-do-sol?
Observe a relação, neste contexto, entre o “JULGAR O POVO” e o episódio relatado no evangelho de João 8:1-20.
Respondeu Moisés a seu sogro: É porque o povo me vem a mim para consultar a Deus; quando tem alguma questão, vem a mim, para que eu julgue entre um e outro e lhes declare os estatutos de Deus e as suas leis.
O sogro de Moisés, porém, lhe disse: Não é bom o que fazes. Sem dúvida, desfalecerás, tanto tu como este povo que está contigo; pois isto é pesado demais para ti; tu só não o podes fazer.
OBSERVE COMO REFIDIM SIGNIFICA SUPORTE, APOIO. ISTO NOS MOSTRA O SUSTENTO DE DEUS, EM CERTO SENTIDO POR CRISTO MESMO, E EM SENTIDO ANÁLOGO POR MEIO DO FUNCIONAMENTO DO CORPO DE CRISTO; ISTO TEM HAVER COM O DELEGAR TRABALHOS AOS DEMAIS; POR ISTO REFIDIM TAMBÉM NESTA QUESTÃO SIMBOLIZA APOIO, SUSTENTO)
“Ouve, pois, as minhas palavras; eu te aconselharei, e Deus seja contigo; representa o povo perante Deus, leva as suas causas a Deus, ENSINA-LHES OS ESTATUTOS E AS LEIS E FAZE-LHES SABER O CAMINHO EM QUE DEVEM ANDAR E A OBRA QUE DEVEM FAZER.”
Ou seja, são três os principais papéis daqueles que Deus levanta no tocante ao exercício da liderança no meio de Seu povo, conforme mencionado nesta porção. Observe que isto estabelece um princípio por ser a primeira menção, sem prejuízo dos elementos que constituem as qualificações inerentes aos mesmos, conforme detalhadamente abordado nas Cartas Pastorais. São eles:
- Ensina-lhes os estatutos e as leis
- Faze-lhes saber o caminho em que devem andar
- Faze-lhes saber a obra que devem saber.
Isto é tremendo! Em síntese o papel primordial daqueles que Deus escolheu para conduzirem o rebanho é o de habilitá-los através do conhecimento da Palavra de Deus e do exercício de um relacionamento com Deus para que exerçam plenamente os dons que Deus lhes concedeu utilizando-os em benefício de todo o Corpo de Cristo para que funcione adequadamente.
Não pense que Moisés deveria somente tratar dos “casos difíceis”; NÃO! Ele deveria se preocupar em FORMAR seus colaboradores ( E ISTO EM OBEDIÊNCIA A DEUS!), em ajudá-los na compreensão das “Leis de Deus”e, na mesma medida, deveria ajudá-los a que se posicionassem adequadamente NO CAMINHO QUE DEVERIAM SEGUIR para exercerem a obra para a qual o Senhor os havia DESIGNADO.
Procura dentre o povo homens capazes, tementes a Deus, homens de verdade, que aborreçam a avareza; põe-nos sobre eles por chefes de mil, chefes de cem, chefes de cinquenta e chefes de dez; para que julguem este povo em todo tempo. Toda causa grave trarão a ti, mas toda causa pequena eles mesmos julgarão; será assim mais fácil para ti, e eles levarão a carga contigo.
AQUI, COMO NAS CARTAS ÀS IGREJAS, EM ESPECIAL NAS CARTAS PASTORAIS, APARECEM ALGUNS DENTRE OS PRINCIPAIS REQUISITOS NECESSÁRIOS PARA A ESCOLHA DOS ANCIÃOS NAS IGREJAS.
19- Análise destes princípios em passagens no Novo Testamento
At 20:17-38 : Advertências do apóstolo Paulo quanto aos Presbíteros:
“De Mileto, mandou a Éfeso chamar os presbíteros da igreja. E, quando se encontraram com ele, disse-lhes: Vós bem sabeis como foi que me conduzi entre vós em todo o tempo, desde o primeiro dia em que entrei na Ásia, servindo ao Senhor com toda a humildade, lágrimas e provações que, pelas ciladas dos judeus, me sobrevieram, jamais deixando de vos anunciar coisa alguma proveitosa e de vo-la ensinar publicamente e também de casa em casa, testificando tanto a judeus como a gregos o arrependimento para com Deus e a fé em nosso Senhor Jesus [Cristo]. E, agora, constrangido em meu espírito, vou para Jerusalém, não sabendo o que ali me acontecerá, senão que o Espírito Santo, de cidade em cidade, me assegura que me esperam cadeias e tribulações. Porém em nada considero a vida preciosa para mim mesmo, contanto que complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus para testemunhar o evangelho da graça de Deus. Agora, eu sei que todos vós, em cujo meio passei pregando o reino, não vereis mais o meu rosto. Portanto, eu vos protesto, no dia de hoje, que estou limpo do sangue de todos; porque jamais deixei de vos anunciar todo o desígnio de Deus. Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue. Eu sei que, depois da minha partida, entre vós penetrarão lobos vorazes, que não pouparão o rebanho. E que, dentre vós mesmos, se levantarão homens falando coisas pervertidas para arrastar os discípulos atrás deles. Portanto, vigiai, lembrando-vos de que, por três anos, noite e dia, não cessei de admoestar, com lágrimas, a cada um. Agora, pois, encomendo-vos ao Senhor e à palavra da sua graça, que tem poder para vos edificar e dar herança entre todos os que são santificados. De ninguém cobicei prata, nem ouro, nem vestes; vós mesmos sabeis que estas mãos serviram para o que me era necessário a mim e aos que estavam comigo. Tenho-vos mostrado em tudo que, trabalhando assim, é mister socorrer os necessitados e recordar as palavras do próprio Senhor Jesus: Mais bem-aventurado é dar que receber. Tendo dito estas coisas, ajoelhando-se, orou com todos eles. Então, houve grande pranto entre todos, e, abraçando afetuosamente a Paulo, o beijavam, entristecidos especialmente pela palavra que ele dissera: que não mais veriam o seu rosto. E acompanharam-no até ao navio.” At 20:17-38.
I Tm 3:1-16: Qualificações necessárias dos Presbíteros que o Senhor levanta nas Congregações:
“Fiel é a palavra: se alguém aspira ao episcopado, excelente obra almeja. É necessário, portanto, que o bispo seja irrepreensível, esposo de uma só mulher, temperante, sóbrio, modesto, hospitaleiro, apto para ensinar; não dado ao vinho, não violento, porém cordato, inimigo de contendas, não avarento; e que governe bem a própria casa, criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito (pois, se alguém não sabe governar a própria casa, como cuidará da igreja de Deus?); não seja neófito, para não suceder que se ensoberbeça e incorra na condenação do diabo. Pelo contrário, é necessário que ele tenha bom testemunho dos de fora, a fim de não cair no opróbrio e no laço do diabo. Semelhantemente, quanto a diáconos, é necessário que sejam respeitáveis, de uma só palavra, não inclinados a muito vinho, não cobiçosos de sórdida ganância, conservando o mistério da fé com a consciência limpa. Também sejam estes primeiramente experimentados; e, se mostrarem irrepreensíveis, exerçam o diaconato. Da mesma sorte, quanto a mulheres, é necessário que sejam elas respeitáveis, não maldizentes, temperantes e fiéis em tudo. O diácono seja marido de uma só mulher e governe bem seus filhos e a própria casa. Pois os que desempenharem bem o diaconato alcançam para si mesmos justa preeminência e muita intrepidez na fé em Cristo Jesus. Escrevo-te estas coisas, esperando ir ver-te em breve; para que, se eu tardar, fiques ciente de como se deve proceder na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, coluna e baluarte da verdade. Evidentemente, grande é o mistério da piedade: Aquele que foi manifestado na carne foi justificado em espírito, contemplado por anjos, pregado entre os gentios, crido no mundo, recebido na glória.” I Tm 3:1-16
“Se isto fizeres, e assim Deus to mandar” Observe o cuidado da fala de Jetro. Veja como o falar em temor a Deus é FUNDAMENTAL! VEMOS ATRAVÉS DE OUTROS VERSÍCULOS QUE DEUS ANUIU AO CONSELHO DO SOGRO DE MOISÉS), “poderás, então, suportar” (NOVAMENTE O SENTIDO DA PALAVRA REFIDIM. VEJA O QUÃO REALISTA É DEUS. DE UM LADO DEUS É O SUSTENTO, DE OUTRO LADO, DEUS QUER QUE SEU POVO APOIE E SUSTENTE); e assim também todo este povo tornará em paz ao seu lugar. Moisés atendeu às palavras de seu sogro e fez tudo quanto este lhe dissera.
Escolheu Moisés homens capazes, de todo o Israel, e os constituiu por cabeças sobre o povo: chefes de mil, chefes de cem, chefes de cinquenta e chefes de dez.
Estes julgaram o povo em todo tempo; a causa grave trouxeram a Moisés e toda causa simples julgaram eles. Então, se despediu Moisés de seu sogro, e este se foi para a sua terra.” Ex 18:1-27
“E o que de minha parte ouviste através de muitas testemunhas, isso mesmo transmite a homens fiéis e também idôneos para instruir a outros.” II Tm 2:2
Para a Obra do Senhor poder avançar temos de ter em resumo:
- A Penha de Horebe, fluindo abundantemente.
- A Cruz manifestada em seu aspecto intercessório
- O Altar, Jeová-Nissi, Nosso Estandarte
- O apoio do povo, homens santos e responsáveis.
Observe que em cada um destes quatro aspectos temos manifestada a simbologia do significado de Refidim: sustento, suporte, apoio.
20- I Tm 6:3-16: Aspectos Conclusivos
“Se alguém ensina outra doutrina e não concorda com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo e com o ensino segundo a piedade, é enfatuado, nada entende, mas tem mania por questões e contendas de palavras, de que nascem inveja, provocação, difamações, suspeitas malignas, altercações sem fim, por homens cuja mente é pervertida e privados da verdade, supondo que a piedade é fonte de lucro.
De fato, grande fonte de lucro é a piedade com o contentamento. Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele. Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes. Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores.
Tu, porém, ó homem de Deus, foge destas coisas; antes, segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão. Combate o bom combate da fé. Toma posse da vida eterna, para a qual também foste chamado e de que fizeste a boa confissão perante muitas testemunhas. Exorto-te, perante Deus, que preserva a vida de todas as coisas, e perante Cristo Jesus, que, diante de Pôncio Pilatos, fez a boa confissão, que guardes o mandato imaculado, irrepreensível, até à manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo; a qual, em suas épocas determinadas, há de ser revelada pelo bendito e único Soberano, o Rei dos reis e Senhor dos senhores; o único que possui imortalidade, que habita em luz inacessível, a quem homem algum jamais viu, nem é capaz de ver. A ele honra e poder eterno. Amém!
Exorta aos ricos do presente século que não sejam orgulhosos, nem depositem a sua esperança na instabilidade da riqueza, mas em Deus, que tudo nos proporciona ricamente para nosso aprazimento; que pratiquem o bem, sejam ricos de boas obras, generosos em dar e prontos a repartir; que acumulem para si mesmos tesouros, sólido fundamento para o futuro, a fim de se apoderarem da verdadeira vida. E tu, ó Timóteo, guarda o que te foi confiado, evitando os falatórios inúteis e profanos e as contradições do saber, como falsamente lhe chamam, pois alguns, professando-o, se desviaram da fé. A graça seja convosco.” I Tm 6:3-16
21- Estação 11: Refidim – Resumo Sintético
- Refidim significa sustento, apoio. É local de descanso, de refrigério. No entanto foi neste local que o povo não encontrou água para beber.
- Quem conduzia o povo era a Nuvem, representativa do Governo do Senhor. Logo a experiência tinha um propósito definido. Era uma prova.
- O povo não se deu conta de que Quem os guiava era o Senhor, talvez por isto murmurou e contendeu contra Moisés. Eles só viam o problema, eles não viam a Mão de Deus.
- Massá significa prova. Meribá significa contenda. Lá eles foram provados e lá eles contenderam.
- Refidim é local onde somos levados para ver que não temos mais nenhum recurso humano que possa nos sustentar. Ou é a provisão e o sustento de Deus, ou é morte.
- Assim é a Lei. Ela nos conduz como bebês à Cristo, pela nossa total incapacidade de cumprí-la. Logo, a Nuvem é também uma figura da Lei, neste sentido. Ela nos conduz a uma situação em que só temos a Cristo mesmo.
- O objetivo de Refidim não é outro senão mostrar a gloriosa Pessoa do Nosso Salvador Jesus Cristo. Quando estamos morrendo de sede, quando não temos recursos humanos capazes de nos dar vida, então o Senhor se revela como Aquele que nos dessedenta.
- Água é Vida. A sede, na Bíblia, como vimos, tem dois significados: o natural e o espiritual. A Rocha ferida é uma figura da cruz de Cristo que foi “traspassado pelas nossas transgressões”. Mas é também uma manifestação do propósito de Deus de restaurar todas as coisas, porque envolve Sua autoridade manifestada pela vara de Moisés. Ou seja, a vara ferindo a Rocha não só haveria de dessedentar a sede do povo, como deveria trazer à ordem toda aquela situação de murmuração e contenda. Isto fala de uma redenção para além da raça humana, mas de toda a criação.
- Jesus também foi provado. No deserto, depois de 40 dias e 40 noites sem beber nem comer, ao ser tentado para agir como Deus, Ele simplesmente disse: “Não tentarás o Senhor teu Deus.” O povo, ao contrário, na situação de dificuldade, de sede, disse: “Está o Senhor entre nós mesmo?”. Que interessante: o diabo tentou a Jesus, mas Ele não sucumbiu. O povo tentou a Deus, porque fez esta terrível pergunta.
- Tentamos a Deus quando duvidamos, quando achamos que Ele não vê ou que Ele não está presente. Tentamos a Deus quando queremos fazer com que Ele venha a agir para satisfazer nossas necessidades do nosso jeito, no nosso tempo.
- Através daquela situação, Deus queria que Seu povo conhecesse mais da tremenda Pessoa e Obra de Nosso Senhor Jesus. Queria que eles conhecessem toda a provisão que há em Cristo Jesus. Queria que eles vissem que Ele mesmo, deve ser sempre o nosso tudo!
- Este episódio é anterior aos mandamentos dados ao povo no Sinai, mas sinalizam o desejo de Deus de conduzi-los Cristo, pela Lei.
- Vimos que a Cruz também é tipificada e manifestada, em provisão de sustento, ou seja, Refidim, através das mãos levantadas de Moisés, por meio da ajuda de Arão e Hur. Isto fala das provisões da Cruz tanto no aspecto vertical (objetivo), quanto no horizontal (subjetivo). Em ambos temos a ação intercessória.
- Amaleque, figura da carne, sempre aparece onde há contenda, murmuração e desobediência. Amaleque sempre age nestes momentos de dificuldade, de lutas de provas.
- Amaleque é cruel; ele foi contra o povo na caminhada pelo deserto até a Terra Prometida, atacando os mais fracos, os mais velhos, as crianças pela retaguarda, ou seja, sorrateiramente.
- Vimos a relação da manifestação carnal e a possibilidade disto servir de substrato para atuação do inimigo de Deus visando impedir o povo de prosseguir, de continuar em comunhão e sob a proteção de Deus.
- E, por fim, vimos que a eleição de juízes, feita por Moisés, sob orientação e conselho de seu sogro, foi aprovada por Deus. Isto nos fala da eleição de homens fiéis e idôneos para servir no Corpo de Cristo. Também isto é provisão, ou seja, Refidim, apoio e sustento da parte de Deus em favor de Seu povo.
- Só estarão em condições de exercer este ministério aqueles que não são condescendentes com seus próprios pecados, que se julgam a si mesmos e que não julgam a outros, como pessoas, mas julgam a todos, inclusive a si mesmos, de acordo com as atitudes em acordo ou em desacordo com a Palavra de Deus. Estes devem buscar o equilíbrio de Deus e a direção e o falar de Deus para todas as questões, logo envolve muita comunhão com Deus mesmo. Esta é, portanto, uma questão extremamente séria.
Deus tenha misericórdia de nós!