Sacerdócio Aarônico – Vestes e Funções
Sumário
2- A Descendência Sacerdotal – Os Filhos de Arão
7- A Sobrepeliz da Estola Sacerdotal
7.3- Aplicações destas Verdades quanto a nós, cristãos:
10- A Mitra e a Lâmina de Ouro
Referências Bíblicas Diretas: Êxodo 28:1-43 e Êxodo 39:1-31
Obs: Há, neste contexto, diversas outras passagens correlacionadas que serão oportunamente mencionadas ao longo deste resumo.
Breve Histórico
Ex 28:1-1 “Faze também vir para junto de ti Arão, teu irmão, e seus filhos com ele, dentre os filhos de Israel, para me oficiarem como sacerdotes, a saber, Arão e seus filhos Nadabe, Abiú, Eleazar e Itamar.”
Ao Sumo-Sacerdote cabiam funções específicas, bem como ser “… responsável pelo Tabernáculo, suas ofertas e funções diárias, e também suas Festas regulares, três vezes por ano: a Páscoa, o Pentecostes e o Yom Kippur, o Dia da Expiação (a qual era seguida pela semana de júbilo na Festa dos Tabernáculos), como pode ser visto em Levítico capítulo 23”.
Porém a sua função principal, era o oferecimento do sacrifício anual pelos seus próprios pecados, e pelos pecados do povo, o que acontecia no Dia da Expiação (Yon Kippur), quando deveria ele levar o sangue de um bode sacrificado no Lugar Santíssimo, tendo em vista o perdão oferecido pelo Senhor.
Para a realização do ofício sacerdotal, era exigido do Sumo-Sacerdote santidade, e uma indumentária toda especial – “vestes santas”. Devemos observar que a expressão “vestes santas” tem a ver com vestes diferenciadas do vestuário de uso comum. Seriam roupas utilizadas somente no ofício do ministério sacerdotal, exclusivamente separadas para o serviço no Santuário.
Arão e seus filhos se tornaram uma classe sacerdotal. Todos os sacerdotes eram levitas, mas nem todos os levitas eram sacerdotes.
O Sumo-Sacerdote com toda a sua indumentária, representa Cristo, o Sumo-Sacerdote por excelência. O Escritor da carta aos Hebreus, nos exorta a “considerar” Jesus nesse ofício sagrado, “Pelo que, santos irmãos, participantes da vocação celestial, considerai o Apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa confissão, Jesus”, Hb 3.1.
Assim como o sacerdote representava o povo diante de Deus, quando adentrava o Santo dos Santos para oferecer o sacrifício anual, pelos seus próprios pecados e pelos pecados do povo, Jesus também nos representa diante do Pai, e pelo seu sacrifício abriu o caminho de acesso direto a Deus, Hb 10.19-22:
“Tendo pois, irmãos, ousadia para entrarmos no santíssimo lugar, pelo sangue de Jesus, pelo caminho que ele nos inaugurou, caminho novo e vivo, através do véu, isto é, da sua carne, e tendo um grande sacerdote sobre a casa de Deus, cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé; tendo o coração purificado da má consciência, e o corpo lavado com água limpa”. Hoje, graças ao Grande Sacerdote de nossa confissão, não precisamos de qualquer intermediário que nos represente diante do Todo-Poderoso. O acesso é livre através do sangue de Cristo! Temos hoje “… um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem”, 1 Tm 2.5.
A Descendência Sacerdotal – Os Filhos de Arão
Nadabe Seu nome significa “liberal” ou “bem-disposto”. Era o filho mais velho de Arão. Juntamente com seu irmão Abiú perdeu a vida por oferecer fogo estranho perante o Senhor. O fogo estranho pode ter sido gerado por:
- Não retirarem o figo daquelas chamas que queimavam perpetuamente diante do Altar, conforme Lv 6:13.
- Por eventualmente estarem embriagados ao oficiar diante do Senhor (Lv 10:9-10).
- Oficiarem fora dos horários prescritos, embriagados e apresentando uma conduta não compatível com a santidade requerida pela função. Cabe esclarecer que o incenso deveria ser oferecido somente pela manhã e à tarde (Ex 30:7-8).
Abiú Seu nome significa “De quem Deus é Pai”. Era o segundo filho de Arão que, como o Pai e seus irmãos havia sido separado para o serviço sacerdotal. Morreu no episódio acima mencionado juntamente com seu irmão Nadabe. Foram sepultados ambos com as vestes que traziam no momento, fora do acampamento (Lv 10:1-11). O fato de sido proibida a utilização do vinho pelos sacerdotes após este incidente, sugere que ambos, de fato, estariam embriagados. Ou seja, ministravam não no poder do Espírito, mas pela “força” do vinho. Os nazireus, mencionados em detalhes em Nm 06, tipificam bem esta questão no aspecto positivo, obviamente.
Obs: Nem Abiú e nem Nadabe tiveram filhos. A linhagem sacerdotal veio dos demais irmãos, Eleazar e Itamar, filhos de Arão.
Eleazar Seu nome significa “Deus é ajudador”. O filho sobrevivente mais filho de Arão. Foi o chefe da Tribo de Levi durante o período de vida de seu pai (Nm 3:32). Sucedeu a seu pai na função de Sumo Sacerdote (Nm 20:25-26 e Dt 10:6). Ele era encarregado como levita de:
- Supervisionar os coatitas que transportavam a Arca e os utensílios sagrados sobre os ombros durante a marcha pelo deserto (Nm 3:30-32).
- Ele também estava encarregado do Tabernáculo, suas cortinas, suas tábuas e etc… (Nm 4:28-33).


Itamar Seu nome significa “Ilha das Palmeiras”. Sabemos que a propriedade do Tabernáculo foi deixada aos seus cuidados (Ex 38:21) e que ele supervisionava a atuações dos Gersonitas e Meratitas (Nm 4:28). Seus descendentes ocuparam posição de sacerdócio comum até que o Sumo Sacerdócio passou para sua família na pessoa de Eli. As causas desta transferência são desconhecidas. Abiatar, deposto por Salomão, foi o último Sumo Sacerdote desta linhagem, quando então o ofício reverteu à linhagem de Eleazar na pessoa de Zadoque (I Rs 2:34).
Obs. Importante: O ofício sacerdotal, na verdade, estava circunscrito às famílias de Eleazar e Itamar. Eleazar tornou-se Sumo Sacerdote em razão da morte de Arão (Nm 20:28). Ele foi sucedido por seu filho Finéias, que era Sumo Sacerdote no tempo de Josué (Js 22:13) e mais tarde em Juízes 20:28. Em data posterior, mas sob circunstâncias desconhecidas, o Sumo Sacerdócio passou para a linhagem de Itamar, à qual Eli pertencia.
Os Sumos Sacerdotes anteriores ao tempo do Rei Davi foram em número de sete. São eles:
- Arão
- Eleazar
- Finéias
- Elí
- Aitube (I Cr 9:11, Ne 11:11 e I Sm 14:3)
- Aías
- Abisua
Nos dias de Davi, estranhamente, havia dois Sumos Sacerdotes, Zadoque e Abiatar, procedimento este que se verificou também nos tempos de Jesus. A lista e o histórico completo dos Sumo Sacerdotes deve ser visto em detalhes oportunamente para melhor entendimento e para a sua devida contextualização no tempo.
As Vestes Sacerdotais


Vídeo Explicativo: https://www.youtube.com/watch?v=MvhdJIDYlLQ
As vestes sacerdotais só eram utilizadas quando os sacerdotes cumpriam suas funções sacerdotais (Ex 35:19). Eram confeccionadas com a maior arte e excelência possível (Ex 28:3). Eram feitas com os mesmos materiais do véu do interior do Tabernáculo. Erma seis as peças distintivas do Sumo Sacerdote mencionadas neste capítulo 28 do livro de Êxodo. No contexto do N.T. vemos os elementos que devem constituir as vestes (ou armaduras) dos crentes para enfrentar o conflito espiritual em que estão envolvidos (Ef 6:10).
- Éfode ou Estola Sacerdotal
- O Cinto de Obra Esmerada
- O Peitoral do Juízo com o Urim e Tumim
- A Sobrepeliz da Estola Sacerdotal
- A Túnica de linho fino bordada
- A Mitra e a Lâmina sobre a Cabeça
A Estola Sacerdotal ou Éfode
No hebraico, ephod, é uma palavra que significa “cobertura”
Era uma peça ajustada ao corpo, sem mangas, de variados comprimentos, embora geralmente se estendiam até pouco acima dos joelhos. Consistia em duas partes, uma cobrindo as costas e outra cobrindo o peito. Estas duas partes eram unidas uma à outra, por duas grandes pedras de ônix, sobre as quais estavam gravados os nomes das doze tribos de Israel, com seis nomes em cada pedra.
Os sacerdotes usavam estolas de linho, mas os sumos sacerdotes tinham estolas bordadas em ouro, azul, púrpura e escarlate. Vejamos o significado disto:
1 – O linho fino trançado representa o Senhor Jesus como “Aquele que é a Nossa Justiça” (Jr 23:6)
2 – Azul é a cor do céu e revela o Senhor como o “Homem Celestial” revelado em João (I Co 15:47)
3 – Roxo é a cor da Realeza e frequentemente associada a Majestade e Nobreza. Ele é o Herdeiro legítimo do Trono de Davi (Lc 1:30-33). A mistura de azul (celestial) com vermelho (sacrifício terreno) produz o roxo (Realeza) .
4 – Vermelho é a cor do sangue do sacrifício. Jesus é o Cordeiro de DEUS, Nosso sacrifício (Jo 1:29). Ele veio para servir e dar a Sua Vida em resgate por muitos. O Evangelho de Marcos demonstra isto claramente.
Obs: A estola sacerdotal parece ficava guardada no interior do Templo (I Sm 21:9).
É estranho notar como, ao longo do tempo, houve certa “veneração” vinculada à estola sacerdotal. Isto demonstra como o “aparato exterior” é tão valorizado pelos homens, ao ponto de perderem de vista a realidade espiritual para a qual eles apontam. E pior, isto cria em muitos ambientes ditos cristãos, um simbolismo ascético desprovido de Vida e, portanto, de realidade espiritual.
- No época dos Juízes de Israel (Jz 8:27), Gideão tinha uma réplica da estola sacerdotal, feita com ouro e pedras preciosas, pilhadas das tropas midianitas que haviam sido derrotadas.
- O efraimita Mica mandou fazer uma estola sacerdotal para ser usada na “adoração” de seu ídolo de ouro (Jz 17:1). A estola e suas imagens, uma de fundição e outra de escultura, vieram a fazer parte do culto que ele instituiu em sua própria casa, tendo um de seus filhos como sacerdote.
- Nos dias do reino dividido, o profeta Oséias predisse que chegaria o tempo em que os filhos de Israel ficariam destituídos destes aparatos simbólicos por longo tempo (Os 3:4-5).
A estola dispunha de duas peças para os ombros, as ombreiras. Havia laços que prendiam as peças uma à outra, formando uma única peça com frente e costas. Era uma espécie de malha sem mangas (Ex 39:4), as peças eram unidas por duas pedras, que atuavam como se fossem botões (vs12).
Observe que a Estola Sacerdotal era confeccionada em quatro cores: azul, púrpura, carmesim e o branco de linho fino retorcido. Estas cores “… são as mesmas cores que podem ser vistas na Porta do Pátio externo, na Porta do Santuário e no Véu; elas referem a Cristo quando Ele é revelado nos quatro evangelhos.
Mas também há uma outra importante característica no Éfode: os fios de ouro (cortados de uma barra de ouro) eram entrelaçados com as outras cores (Êxodo 39:3). Ouro não somente é precioso, como implica ser divino e celestial.
Não é por acaso que João viu o Jesus ressuscitado à direita do Pai com vestes pujantes, “E voltei-me para ver quem falava comigo. E, ao voltar-me, vi sete candeeiros de ouro, e no meio dos candeeiros um semelhante a filho de homem, vestido de uma roupa talar, e cingido à altura do peito com um cinto de ouro”, Ap 1.12-13.
Na visão de Daniel temos uma descrição semelhante: “levantei os meus olhos, e olhei, e eis um homem vestido de linho e os seus lombos cingidos com ouro fino de Ufaz”, Dn 10.5. Este “homem vestido de linho”, é uma figura de Cristo, o Rei dos reis, o Senhor dos senhores.
O Cinto de Obra esmerada
Há cinco palavras hebraicas e uma palavra grega envolvidas neste verbete.
- Abnet, “faixa”, “cinto”. Palavra hebraica utilizada por 9 vezes como em:
- Ex 28:4,39,40.
- Lv 8:7,13
- Is 22:21.
- Ezor, “cinto”. Palavra hebraica utilizada 14 vezes como em:
2.1- II Rs 1:8, Is 5:27, Is 11:5, Jr 13:1,2,4,6,10,11.
- Chagor, “cinto”. Termo hebraico utilizada 4 vezes como em:
3.1- I Sm 18:4
3.2- II Sm 20:8
Pv 31:24
Ez 23:15
- Chagorah, “cinto”. Palavra hebraica utilizada 3 vezes como em:
4.1- II Sm 18:11
4.2- I Rs 2:5
4.3- Is 3:24
- Mezach, “cinto”, “faixa”. Palavra hebraica que ocorre uma vez com este sentido em Sl 109:19.
- Zone, “cinto”. Palavra grega que aparece por oito vezes:
6.1- Mt 3:4
6.2- Mt 10:9
6.3- Mc 1:6; 6:8
6.4- At 21:11
6.5- Ap 1:13; 15:6.
Os cintos eram utilizados para ajustar à cintura a roupa de baixo e a túnica. Alguns cinturões eram feitos de:
- Couro (II Rs 1:8; Mt 3:4)
- Tecido (Lv 16:4; Jr 13:1)
- Ouro (Dn 10:5; Ap 1:13.
O cinto do Sumo Sacerdote era altamente decorativo e repleto de bordados (Ex 28:39; Ex 39:29).
Além de deixar no lugar as peças de roupa, em torno do corpo, um cinto também era lugar conveniente para segurar uma espada ou outro instrumento.
Usos e simbologias figurados dos cintos na Bíblia:
- Cingir os lombos significando preparar-se para o serviço (Lc 12:35; I Pe 1:13).
- Cintos de pano grosso simbolizavam humildade ou tristeza (Is 3:24; Is 22:12).
Os cintos também eram figuras de força, atividade ou poder. O cinto do Messias refere-se a Sua Retidão e Fidelidade (Is 11:5). Na metáfora da armadura em Ef 6, o cinto simboliza a Verdade.
Nenhuma outra peça do vestuário do Sumo Sacerdote era confeccionada com maior arte e esmero do que o cinto da estola sacerdotal. Além de deixar no lugar peças de roupa, em torno do corpo, o cinto trazia verdades implícitas através dos materiais a ele correlacionados. O linho do cinto era da mesma cor e do mesmo estilo do véu do Santuário, servindo de indício de que as vestes do Sumo Sacerdote demonstravam ser ele o administrador do Santuário, em suas diversas funções sacerdotais.
O cinto fazia parte inseparável da estola sacerdotal e era feito do mesmo material que esta. É no campo das metáforas que a palavra cinto ganha significado. Por exemplo, na profecia de Jeremias (13.1-11) contra Israel:
“Assim me disse o SENHOR: Vai, e compra um cinto de linho, e põe-no sobre os teus lombos, mas não o metas na água. E comprei o cinto, conforme a palavra do SENHOR, e o pus sobre os meus lombos. Então, veio a palavra do SENHOR a mim, segunda vez, dizendo: Toma o cinto que compraste, e trazes sobre os teus lombos, e levanta-te; vai ao Eufrates e esconde-o ali na fenda de uma rocha.
E fui e escondi-o junto ao Eufrates, como o SENHOR me havia ordenado. Sucedeu, pois, ao cabo de muitos dias, que me disse o SENHOR: Levanta-te, vai ao Eufrates e toma dali o cinto que te ordenei que escondesses ali. E fui ao Eufrates, e cavei, e tomei o cinto do lugar onde o havia escondido; e eis que o cinto tinha apodrecido e para nada prestava.
Então, veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: Assim diz o SENHOR: Do mesmo modo farei apodrecer a soberba de Judá e a muita soberba de Jerusalém. Este povo maligno, que se recusa a ouvir as minhas palavras, que caminha segundo o propósito do seu coração e anda após deuses alheios, para servi-los e inclinar-se diante deles, será tal como este cinto, que para nada presta. Porque, como o cinto está ligado aos lombos do homem, assim eu liguei a mim toda a casa de Israel e toda a casa de Judá, diz o SENHOR, para me serem por povo, e por nome, e por louvor, e por glória;”
Aqui, temos a figura do cinto quebrado não serve para nada. Quebrado por apodreceu-se. E de inesperadamente ele se rompe. Na hora em que há necessidade dele, ele se quebra.
Quando Isaías (11.5) fala do rebento de Jessé, ele diz:
“E a justiça será o cinto dos seus lombos, e a verdade, o cinto dos seus rins.”
Mais uma metáfora para o termo cinto. Cinto da justiça nos lombos, ou no rins. Nesse período cria-se o pensamento originava-se nos rins, assim como a sede das emoções seria o coração.
Então ter lombos cingidos com justiça, seria o mesmo que dizer que os nossos pensamentos devem ser palpados na justiça. Mas quando o cinto se rompe ou quebra, ele deixa de ter a sua função.
O Peitoral do Juízo
Trata-se de uma placa de ouro, engastada com jóias presas. O peitoral era de forma quadrada, e também bordado com fios de ouro. Fixados em ouro no peitoral estavam doze pedras preciosas, uma para cada uma das doze tribos de Israel.
Cada uma tinha o nome da respectiva tribo gravado sobre ela”. É bom lembrar que Arão levava os nomes das doze tribos, para a presença do Senhor, todas as vezes que adentrava o Tabernáculo. Era uma forma de identificar-se com o povo.
A palavra utilizada no hebraico é Chosen e é utilizada por 25 vezes, por exemplo em Ex 25:7; 28; Ex 30:16-21 e Lv 8:8. Este vocábulo hebraico deriva-se de um termo que aponta para a beleza.
O peitoral do Sumo Sacerdote era feito laboriosa e artisticamente, com materiais como fio de ouro, azul, púrpura e escarlate, sobre linho fino retorcido (Ex 28:15).
Sua forma era quadrada, porque era dobrada ao meio, e quando aberto, tinha o dobro do comprimento em relação à largura (Ex 28:16).
Havia argolas de ouro nas quatro pontas (Ex 28:23,26). As argolas inferiores eram atadas, por meio de laços azuis, a argolas existentes na estola sacerdotal.
No peitoral havia doze pedras preciosas gravadas, cada qual, com o nome de uma das tribos de Israel, segundo a ordem de seu nascimento (Ex 28:17-21).
Cordões de ouro ligavam as argolas superiores do peitoral às duas pedras preciosas gravadas que havia nos ombros da estola sacerdotal (Ex 28:9-12; 22-25).
É importante mencionar que as pedras preciosas falam da Obra de transformação do Espírito Santo. Detalhes específicos sobre cada uma das pedras e suas correlações com os filhos de Israel e com os apóstolos de Cristo serão oportunamente abordados em resumo específico (Ver resumo sobre “As Pedras Preciosas”).
As doze diferentes pedras preciosas eram engastadas com garras de ouro.
Os nomes das tribos de Israel foram gravados ali, um nome para cada pedra. Assim, os nomes das tribos de Israel estavam sobre as duas pedras de ônix (seis nomes em cada pedra) e os nomes destas mesmas tribos estavam gravados (uma em cada pedra) no peitoral do juízo.
Ambos formavam um DUPLO LEMBRETE diante de Deus, acerca do povo de Israel, a favor de quem o Sumo Sacerdote oficiava.
As fitas azuis prendiam o peitoral de encontro ao peito do Sumo Sacerdote, das extremidades inferiores para baixo, mediante argolas de ouro, de tal modo que O PEITORAL NUNCA SE SEPARAVA DA ESTOLA, quando o Sumo Sacerdote oficiava.
Devermos lembrar que o peitoral era quadrado e duplo, porque sendo um retângulo de 46×23 cm, era dobrado ao meio, para formar uma espécie de bolsa, onde provavelmente se guardava o Urim e o Tumim.
O fato de ser quadrado e duplo poderia ser proposital para indicar firmeza, força, beleza, simetria e perfeição. Além destas características podemos inferir que disponha também sobre o desejo de Deus quanto ao propósito de salvação universal sempre associado ao número quatro, correspondente aos quatro lados deste quadrado.
No peitoral do juízo havia quatro ordens de pedras. São elas:
- Sárdio, Topázio e Carbúnculo
- Esmeralda, Safira e Diamante
- Jacinto, Ágata e Ametista
- Berilo, Ônix e Jaspe
A gravação dos nomes das doze tribos de Israel seguiria o mesmo procedimento efetuado no caso das duas pedras de ônix (Ex 28:10-11).
O peitoral do Sumo Sacerdote tinha pelo menos os seguintes sentidos simbólicos:
- A Obra do Sumo Sacerdote em favor do povo de Israel. Ele levava os filhos de Israel sobre os ombros e sobre o peito (coração) quando exercia todas suas funções Sacerdotais no Santíssimo Lugar.
- Ele exercia Sua Obra intercessória em favor do povo de Israel, uma vez que buscava inclusive, através do Urim e Tumim, conhecer qual a Vontade do Senhor para o Seu povo.
O peitoral do juízo ficava fixado em seu lugar mediante a ajuda de duas correntes de ouro, presas a duas argolas fixadas às ombreiras, e também mediante a ajuda de dois laços azuis, de sua extremidade inferior.
Não eram correntes formadas por elos e sim, fios retorcidos de ouro, como se faz com cordas ou fios. O trançar de um fio confere ao mesmo maior resistência.
Havia duas argolas de ouro nas duas extremidades inferiores do peitoral pelo lado de dentro. Então um laço azul, prendia o peitoral à estola sacerdotal, puxando-a para baixo.
Arão deveria exercer um serviço eminentemente espiritual. Ele deveria, portanto, levar os nomes dos filhos de Israel sobre o seu coração. As palavras “em seu coração” aparecem por três vezes, não meramente para fornecer-nos uma indicação de local, mas para expressar um sentimento.
Urim e Tumim
Temos aqui uma representação da orientação divina ao seu povo em situações difíceis, onde decisões importantes precisavam ser tomadas. Lembre-se que era através das pedras “Urim” e “Tumim” que a sorte era lançada e a questão era resolvida.
“Seus nomes significam ‘luzes e perfeição’, que se tomados literalmente, podem ser uma referência à natureza do Deus cuja vontade elas revelavam. Podem, entretanto, ter sido usadas no sentido de ‘alfa e ômega’, princípio e fim (Ap 1.8), já que os dois nomes começam respectivamente com a primeira e a última letras do alfabeto hebraico.
Estas ‘sortes’ sagradas eram usadas para discernir a orientação divina, normalmente com respostas do tipo ‘sim’ e ‘não’: o exemplo mais claro é o caso da indagação de Saul (1 Sm 14.41).
Sua natureza é bem incerta: a sugestão mais provável é a de duas pedras preciosas, mas a maneira em que eram usadas não é clara. A julgar de analogias mais recentes, uma das pedras era retirada (ou lançada fora) do peitoral, e a resposta sim ou ‘não’ dependeria de qual pedra aparecesse”.
O Peitoral do Juízo, mais especificamente na relação com o Urim e Tumim tem, portanto, haver com a direção de Deus! E, neste sentido, podemos afirmar que a Palavra é bastante precisa, clara e orientadora. Precisamos ser guiados pelo Senhor, e pela sua Palavra, para trilharmos o caminho seguro. É o Senhor, o Supremo Pastor de nossas almas, que nos guia a “águas tranquilas”, e também nos guia “nas veredas da justiça por amor de seu nome”, Sl 23.2, 3.
Como nos diz Isaías: “…com alegria saireis, e em paz sereis guiados; os montes e os outeiros romperão em cânticos diante de vós, e todas as árvores de campo baterão palmas”. Quem anda na direção do Senhor, trilhará o caminho da paz. Será uma pessoa bem-aventurada que esbanjará alegria, felicidade!
Quantos filhos de Deus sucumbem em sua vida cristã por não buscarem em Deus o Guia para seus caminhos. Precisamos fazer da Palavra de Deus nossa direção! Devemos dizer como o salmista: “Lâmpada para os meus pés é a tua palavra, e luz para o meu caminho”, Sl 119.105.
A Sobrepeliz da Estola Sacerdotal
Esta é uma peça distintiva do vestuário do sumo sacerdote, que não deve ser confundida com a estola. Era uma peça diferente, era uma roupa “inferior”, no sentido de estar “debaixo de”, e sobre a qual eram vestidas a estola sacerdotal e o peitoral. Somente o Sumo Sacerdote usava uma sobrepeliz.
A sobrepeliz era uma espécie de camisola ou túnica que descia do pescoço até abaixo dos joelhos. Era vestida como se veste uma roupa de malha. Tinha uma abertura para a cabeça que permitia esta forma de vestir.
Vejamos algumas características e elementos citados acerca da sobrepeliz:
“Farás também a sobrepeliz da estola sacerdotal toda de estofo azul. No meio dela, haverá uma abertura para a cabeça; será debruada essa abertura, como a abertura de uma saia de malha, para que não se rompa. Em toda a orla da sobrepeliz, farás romãs de estofo azul, e púrpura, e carmesim; e campainhas de ouro no meio delas. Haverá em toda a orla da sobrepeliz uma campainha de ouro e uma romã, outra campainha de ouro e outra romã. Esta sobrepeliz estará sobre Arão quando ministrar, para que se ouça o seu sonido, quando entrar no santuário diante do SENHOR e quando sair; e isso para que não morra.” Ex 28:31-35
“ E fez chegar a Arão e a seus filhos e os lavou com água. Vestiu a Arão da túnica, cingiu-o com o cinto e pôs sobre ele a sobrepeliz; também pôs sobre ele a estola sacerdotal, e o cingiu com o cinto de obra esmerada da estola sacerdotal, e o ajustou com ele. Depois, lhe colocou o peitoral, pondo no peitoral o Urim e o Tumim;” Lv 8:6-8
“E a graça foi concedida a cada um de nós segundo a proporção do dom de Cristo. Por isso, diz: Quando ele subiu às alturas, levou cativo o cativeiro e concedeu dons aos homens. Ora, que quer dizer subiu, senão que também havia descido até às regiões inferiores da terra? Aquele que desceu é também o mesmo que subiu acima de todos os céus, para encher todas as coisas.” Ef 4:7-10
“Por isso, Deus, quando quis mostrar mais firmemente aos herdeiros da promessa a imutabilidade do seu propósito, se interpôs com juramento, para que, mediante duas coisas imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta, forte alento tenhamos nós que já corremos para o refúgio, a fim de lançar mão da esperança proposta; a qual temos por âncora da alma, segura e firme e que penetra além do véu, onde Jesus, como precursor, entrou por nós, tendo-se tornado sumo sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque.” Hb 6:17-20
“Ora, aqueles são feitos sacerdotes em maior número, porque são impedidos pela morte de continuar; este, no entanto, porque continua para sempre, tem o seu sacerdócio imutável. Por isso, também pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles.” Hb 7:23-25
Estofo Azul Aponta para o caráter Celestial de Cristo
Indica sua Posição como Homem Exaltado à direita do Pai
A palavra Arão significa “elevado”
Isto aponta para o Eterno Sumo Sacerdote: Cristo.
Cristo em Sua primeira Vinda foi humilhado (Lc 23:11 e Jo 19:2)
Ele foi despido de Suas vestes e foi escarnecido pelos homens
Ef 4:10 Mas Ele está exaltado.
Fp 2:5-11 Mas hoje Ele tem um Nome acima de todo nome
Hb 7:20 Ele foi feito mais alto que os céus
Ap 19:13 Virá em Glória 2ª vez com manto tinto de Sangue
A sobrepeliz nos ensina da Glória de Sua exaltação no céu.
A abertura da sobrepeliz era reforçada na região da cabeça para não romper. Isto nos fala acerca de:
- Incorruptibilidade de Cristo. Ele não se desfaz, Ele permanece para sempre. Ele não se deteriora.
- Ele é o mesmo ontem, hoje e eternamente. Isto fala de Sua eternidade e imutabilidade.
A orla das vestes sempre representam uma importante área da vestimenta. É a parte final do acabamento da mesma. Isto nos fala da Obra completa e acabada de Cristo na Cruz: ESTÁ CONSUMADO!
Os judeus acham que haviam 72 romãs e 72 campainhas na orla das vestes do Sumo Sacerdote. O número exato não é mencionado nas Escrituras.
7.1- Campainhas
- Eram de Ouro que representa a Divindade de Cristo Hb 1:8
- Quando Arão morreu foi necessário colocar outro Sumo Sacerdote em seu lugar. Mas com o Nosso Senhor Jesus não, porque Ele é Sacerdote para sempre segundo a ordem de Melquisedeque. Ele, Vive para todo o Sempre. Ele é Auto existente, Eterno, Imutável! (Hb 6:20).
- As campainhas tocando era um sinal de que o Sumo Sacerdote permanecia Vivo. Isto é um atestado, quanto a Cristo, de Sua Santidade, de Seu sacrifício perfeito.
- A segurança de Arão residia no fato de somente adentrar no Santuário usando a sobrepeliz, senão poderia morrer. A nossa segurança reside no fato de que Sua vestimenta é atestada pela Sua Obra perfeita.
- O sonido das campainhas (Ex 29:29) do Nosso Sumo Sacerdote nunca vai parar de soar, porque Ele está Vivo para Sempre. Isto indica que Ele está exercendo Seu Ministério Celestial de Sumo Sacerdote, de Intercessor. Isto é algo glorioso para nós e que nos enche de esperança.
As campainhas são extremamente representativas e nos falam :
- Da Glória de Cristo,
- Da Divindade de Cristo Nosso Sumo Sacerdote
- Da Eternidade de Cristo.
7.2- Romãs
- As romãs são descritas com as mesmas cores que a estola sacerdotal e as mesmas cores do cinto de linho fino de obra esmerada.
- Isto fala de Suas Glórias presentes elevado no céu.
- As romãs falam de fruto. Ele é Aquele grão que caindo na terra produziu muito fruto. (Jo 12:24; Is 53:11).
7.3- Aplicações destas Verdades quanto a nós, cristãos:
- Sobrepeliz Azul Somos peregrinos e forasteiros. Devemos pensar nas coisas do alto e viver desta forma. (Cl 3:1)
- Campainhas Temos um Sumo Sacerdote no céu que está Vivo e intercede por nós. (Hb 4:14-16). Além disto, Ele é o nosso precursor; um Dia haveremos de vê-Lo como Ele é, pois estaremos para sempre com Ele (Hb 6:18-20).
- Romãs Ele está procurando frutos em nós. Devemos permanecer em Cristo (Jo 15). Sem Ele nada podemos fazer. Ele busca em nós:
3.1- O caráter de Cristo (Gl 5:22-23)
3.2- Que possamos frutificar ganhando almas para Cristo.
Obs: Importante correlacionar depois as romãs com as citações das mesmas nas colunas do Templo e demais menções na Palavra. (Ver Resumo do Templo de Salomão).
A Túnica bordada
Esta era uma longa peça do vestuário do sumo sacerdote, que era usada por baixo da estola sacerdotal. Os israelitas comuns também usavam túnicas, mas no vestuário do sumo sacerdote a túnica de linho tinha um desenho e um significado especiais. Ela era feita de linho fino e era tecida formando um padrão quadriculado (Ex 39:27).
Este versículo indica que os filhos de Arão, que também eram sacerdotes, também usavam este tipo de túnica. As túnicas tinham mangas justas e chegavam quase aos pés da pessoa. Sem dúvida apareciam por baixo da estola sacerdotal.
Na realidade este tema está incluído em um tema muito maior que trata das vestimentas masculinas e femininas e que, obviamente, não ficam restritos somente à túnica. Teríamos, para fazer uma análise mais detalhada, que avaliar:
- Porque vestimos roupas? A relação com a queda e a historicidade deste tema ao longo da história bíblica.
- Os materiais empregados nas roupas e seus significados espirituais.
- Os diversos tipos de vestimentas e sua utilização e significados.
- Os termos hebraicos e gregos que são biblicamente utilizados para designar a túnica, a túnica externa, o manto, a capa real, os calções ou cuecas, o turbante, a estola, os calçados, dentre outros.
- O significado de rasgar as vestes, suas origens e citações bíblicas.
Obs: Vamos, neste ponto, nos restringir aos aspectos considerados acerca da túnica, abrindo a futura perspectiva de, com a ajuda do Senhor, considerar este tema mais detidamente.
A túnica bordada (ketonet) era a túnica usada pelo Sumo Sacerdote de Israel e pelos sacerdotes, quando serviam no Tabernáculo e no Templo em Jerusalém.
Era feito de linho puro, cobrindo todo o corpo desde o pescoço até os pés, com mangas alcançando os pulsos. A do Sumo Sacerdote era bordada,(Êxodo 28:40) e as dos sacerdotes eram planas (Êxodo 28:40)
(Êxodo 28:4: “Estas pois são as vestes que farão: um peitoral, um éfode, um manto, uma túnica bordada, uma mitra e um cinto; farão, pois, as vestes sagradas para Arão, teu irmão, e para seus filhos, a fim de me administrarem o ofício sacerdotal”)
No Dia da Expiação, o Sumo Sacerdote mudaria para uma ketonet especial feita de linho fino, que não seria bordada quando ele entrasse no Santo dos Santos. A túnica bordada só poderia ser usado uma vez, com um novo jogo feito para cada ano.
Os Calções de Linho
As calças de linho (mikhnesei bahd) eram roupas usadas pelos sacerdotes e pelo Sumo Sacerdote de Israel. Elas alcançavam desde a cintura até os joelhos e, portanto, não eram visíveis, sendo totalmente escondidas pela túnica.
O mandamento bíblico instituindo o seu uso é encontrada no livro do Êxodo 28:42 “Faze-lhes também calções de linho, para cobrirem a carne nua; irão dos lombos até as coxas.”
O versículo seguinte (Êxodo 28:43) se aplica a todas as vestes sacerdotais: “E estarão sobre Arão e sobre seus filhos, quando entrarem na tenda da congregação, ou quando chegarem ao altar para ministrar no santuário, para que não levem iniqüidade e morram; isto será estatuto perpétuo para ele e para a sua descendência depois dele.”
Como já vimos os calções de linho tinham a propriedade de não permitir a nudez do Sumo-Sacerdote quando estava oficiando diante do Senhor. Isto os distinguia dos sacerdotes idólatras de outros povos.
“Como em Êx 20.26 (a proibição de altares com degraus), trata-se aqui de uma reação contra a nudez ritual em outras religiões”. Como filhos de Deus, nós hoje desempenhamos a função de “sacerdotes” do Altíssimo, Ap 1.6, “… e nos fez reino, sacerdotes para Deus, seu Pai, a ele seja glória e domínio pelos séculos dos séculos. Amém”.
Não queremos ser legalistas, mas a Palavra de Deus fala da decência em nossos trajes como filhos do Altíssimo: “Quero, do mesmo modo, que as mulheres se ataviem com traje decoroso, com modéstia e sobriedade, não com tranças, ou com ouro, ou pérolas, ou vestidos custosos”, 1 Tm 2.9.
Lembre-se que o Sumo-Sacerdote poderia até mesmo morrer, caso não se trajasse adequadamente para ministrar perante o Senhor. Muitas vidas também estão morrendo espiritualmente por abusar de trajes indecorosos, e a prática de nudez na presença de Deus. Deus exige santidade de seu povo!
Obs: Importante mencionar neste ponto a relação das vestimentas com o Caráter de Cristo formado em Sua Igreja. Para detalhes deste aspecto é importante ressaltar as histórias de Rebeca, Acsa, da mulher virtuosa de Pv 31:10 e correlação disto com as realidades para as quais o apóstolo Pedro cita em sua Primeira Carta (I Pe 3:3).
A Mitra e a Lâmina de Ouro
A mitra era uma cobertura para a cabeça do Sumo-Sacerdote, um tipo de turbante. Amarrada à mitra havia uma lâmina de ouro gravada com frase “Santidade ao Senhor”. “Assim como o éfode servia principalmente para levar as jóias, igualmente, o principal propósito da mitra era levar a lâmina de ouro sobre a testa de Arão (vs. 36, 37)”.
A Mitra e a Lâmina de Ouro: Já vimos que o principal propósito da mitra era levar a lâmina de ouro sobre a testa do Sumo-Sacerdote. “Coroando todas as outras peças do vestuário do sumo sacerdote, ela proclamava que a santidade é a essência da natureza de Deus e que é o fim e o objetivo de toda adoração do sacerdote e do povo”.
Isto nos mostra que a santidade de Deus precisa ser lembrada e proclamada pelo seu povo. Deus é Santo em toda essência de seu ser. Os serafins, na visão de Isaías proclamavam : “… Santo, santo, santo é o Senhor dos exércitos; a terra toda está cheia da sua glória”, Is 6.3.
Não somente Deus é Santo, mas exige também a santidade de seu povo, “mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em todo o vosso procedimento; porquanto está escrito: Sereis santos, porque eu sou santo”, 1 Pe 1.15-16.
Sabemos que o conceito de santidade (vdq – qodesh) é o de “separação”. Assim como Deus “separava”, “santificava” instrumentos para serem usados exclusivamente no serviço do tabernáculo, assim também, ao sermos salvos pela graça de Deus mediante o sangue de Cristo, fomos “separados”, “santificados”, para servirmos a Deus.
É por esta razão que frequentemente Paulo usa a palavra “santos”, para se referir aos filhos de Deus, quando envia suas cartas às igrejas, Rm 1.7, “… a todos os que estais em Roma, amados de Deus, chamados para serdes santos: Graça a vós, e paz da parte de Deus nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo”. Ver ainda I Co 1.2; II Co 1.1; Ef 1.1; Fp 1.1, dentre outros.
Obs: Importante entender que as vestimentas do Sumo Sacerdote vem antes de sua consagração, explicitada no capítulo posterior no livro de Êxodo. Isto, no que concerne a nós, filhos de Deus, é bastante significativo; especialmente se tratando daquilo que o Senhor deseja nos falar e ensinar. Devemos meditar nisto; e é por este motivo que, sem o entendimento do significado das vestes, ficaríamos sem uma compreensão mais profunda das realidades mencionadas na cerimônia de CONSAGRAÇÃO.