A Consagração dos Sacerdotes

No capítulo 29 do livro de Êxodo, vemos as instruções do Senhor a Moisés quanto à consagração do sacerdócio Araônico, o que somente aconteceu após a conclusão do Tabernáculo, conforme está registrado em Êxodo 40:12 a 16.

Essa consagração se daria mediante a realização de um ritual que deveria ser executado nos seus mínimos detalhes, envolvendo vários elementos, como a lavagem com água; unção com azeite; imolação de animais, etc.

Lavagem com água. Era a primeira coisa a ser feita antes de Arão e seus filhos entrarem no santuário. Este rito seria feito a porta da tenda da congregação (Êxodo 29:4: 40:12).

Após a consagração, Arão e seus filhos deveriam lavar as mãos e os pés todas as vezes que fosse preciso entrar no santuário na pia de bronze que ali foi posta. Se não fizessem isso morreriam (Êxodo 30:18-21).

A água era considerada como elemento de purificação entre os judeus. Todo aquele que se contaminasse com alguma coisa, deveria se lavar com água, segundo a lei dada a Moisés (Levítico 14;8; 15;17); sendo usada para este fim até nos tempos de Jesus (João 2:6).

Jesus falou que Sua Palavra é que nos purifica (João 15:3) e Paulo completa dizendo que Jesus amou a igreja que se entregou por ela para a  santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra,  (Efésios 5; 26). 

Após o rito de lavagem os sacerdotes deveriam se vestir com as roupas que foram especialmente preparadas para depois receberem o azeite da unção (Êxodo 29:5-7). Da mesma forma, só receberemos poder do alto se estivermos devidamente lavados e vestidos com as vestes de louvor, de justiça e de salvação (Isaías 61:3-10).

Unção com azeite: Unção significa: transferência de poder. No ato da consagração dos sacerdotes, Deus os estava capacitando a exercerem responsabilidades específicas, ou seja, Deus estava lhes dando poder e autoridade para agirem em Seu nome.

Esta unção, ou transferência de poder seria simbolizada no derramar de azeite sobre a cabeça (Salmo 133:2). Na antiga Aliança apenas sacerdotes, profetas e reis recebiam a unção com azeite (1Samuel 16:12; 1Reis 19:15).

Esse azeite deveria ser preparado com o que de mais especial havia e pelas mãos de pessoas hábeis. Se alguém tentasse copiar a fórmula para uso próprio morreria (Êxodo 30:25-33). Deveria ser assim, pois esse azeite era uma representação do Espírito Santo que hoje habita em cada crente.

Hoje, todos os crentes em Cristo Jesus podem receber poder do alto (Atos 1:8) e a unção do santo. “E vós tendes a unção do Santo, e sabeis tudo.”  (1João 2:20). “E a unção que vós recebestes dele, fica em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a sua unção vos ensina todas as coisas, e é verdadeira, e não é mentira, como ela vos ensinou, assim nele permanecereis.”  (1João 2:2).

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Animais são imolados como sacrifício: Por ocasião da consagração, Arão e seus filhos deveriam levar alguns animais para serem imolados. No total foram três animais, sendo um novilho e dois carneiros.  “Isto é o que lhes hás de fazer, para os santificar, para que me administrem o sacerdócio: Toma um novilho e dois carneiros sem mácula” (Êxodo 29:1).

 

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O primeiro animal – um novilho (Êxodo 29:10-14): Este deveria ser levado a porta da tenda da congregação e ali, Arão e seus filhos imporiam as mãos sobre sua cabeça. Em seguida o animal era imolado e Moisés pegaria seu sangue e com o dedo molharia as quatro pontas do altar para fazer expiação diante de Deus; o restante do sangue derramaria na base do altar.

Depois as gorduras deste animal seriam queimadas no altar, mas a carne, a pele e o esterco eram levados para fora do arraial, onde seria totalmente queimada como sacrifício pelo pecado.

Uma Oferta de Holocausto é uma Oferta Queimada, e queimada totalmente para Deus. Embora traga a ideia de Expiação, a maior ênfase desta Oferta está no louvor, na adoração. Por meio dela é que somos ACEITOS; por meio do sacrifício perfeito de Jesus Cristo na cruz do Calvário.

A ideia aqui é de uma entrega total, sem reservas, algo totalmente consumido. Quanto ao Nosso Senhor Jesus Cristo isto fala de Sua entrega total em consagração ao Pai. Quanto a nós, esta Oferta fala do único meio através do qual somos aceitos por Deus; ou seja, por meio “DO AMADO”.

Este novilho era uma representação de Cristo que foi sacrificado por nós fora das portas de Jerusalém. “E por isso também Jesus, para santificar o povo pelo seu próprio sangue, padeceu fora da porta. Saiamos, pois, a ele fora do arraial, levando o seu vitupério” (Hebreus 13:12,13).

O segundo animal – o primeiro carneiro (Êxodo 29:15-18): Após o rito com o novilho, Arão e seus filhos repetiriam o mesmo ato, impondo as mãos sobre a cabeça do primeiro carneiro (Ver Resumo sobre “Imposição de Mãos”). O animal seria imolado e o sangue espalhado sobre o altar ao redor. Esse carneiro seria partido e após lavada as suas partes com água, seria posto sobre o altar do holocausto para ser totalmente queimado.

Este era o sacrifício de cheiro suave ao Senhor. Este primeiro carneiro também representava Cristo que se entregou como oferta de sacrifício e cheiro suave por nós. “E andai em amor, como também Cristo vos amou, e se entregou a si mesmo por nós, em oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave.”  (Efésios 5:2).

Neste caso, parece evidente que a simbologia, no que diz respeito a nós, aponta para a morte de nosso “eu”, ou “ego”, para que possamos alcançar a plena consagração a Deus que se dará quando da terceira Oferta apresentada na cerimônia de consagração, pois que nela vemos claramente que tudo aponta para o Sacrifício Pacífico; e isto é altamente significativo.

O terceiro animal – o segundo carneiro (Êxodo 29:19-28): Este era o carneiro das consagrações. Arão e seus filhos repetiriam o mesmo ritual de imposição de mãos. Em seguida o animal era imolado e do sangue deste, era posto um pouco sobre as pontas das orelhas direita de Arão e seus filhos, bem como nos polegares direito e nos dedões dos pés direito.

No serviço de consagração, Moisés tocou a orelha de Arão com o sangue, significando assim que ele devia dar ouvidos aos mandamentos de Deus e cerra-los a todo mal. “Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender melhor é do que a gordura de carneiros”. I Sm. 15:22. Cristo foi obediente até a morte. Fp. 2:8. Nossos ouvidos dever ser consagrados ao serviço de Deus.

Moisés tocou também o polegar da mão direita, significando que Arão devia fazer justiça. Como o ouvir se relaciona com a mente, assim a mão tem que ver com a atividade do corpo. Ela representa as energias vitais, o ato exterior, a prática da justiça.

De Cristo diz a Escritura: “Eis aqui venho… para fazer, ó Deus, a Tua vontade”. Heb. 10:7. Cristo veio a fazer a vontade de Deus. “A minha comida”, disse  Ele, “é fazer a vontade daquele que Me enviou, e realizar a Sua obra”. João 4:34. O tocar a mão com o sangue significa a consagração da vida e serviço a Deus – Inteira dedicação.

O tocar o polegar do pé direito com o sangue, tem idêntico sentido. Quer dizer andar no caminho direito, cumprir as ordens de Deus, estar ao lado da verdade e da retidão. Isto significa andar na vereda da obediência, tendo seus passos ordenados pelo Senhor. Toda faculdade do ser cumpre dedicar a Deus e consagrar ao Seu serviço.

O restante do sangue seria espalhado pelo altar, depois, Moisés pegaria do sangue espalhado, misturaria com o azeite da unção e os espargiria sobre Arão e seus filhos e suas vestes. Era um rito para santificação.

Em seguida este carneiro era partido e separada a gordura e o ombro direito. Juntar-se-ia a esta parte um pão, um bolo de pão azeitado e um coscorão do cesto dos pães ázimos. Arão e seus filhos pegariam essas partes e ofereceriam ao Senhor com movimento.

Claramente neste ponto temos uma correlação com as Primícias e, posteriormente, com o Pentecostes. Não é sem sentido que, na Festa de Pentecostes que ocorre após a Festa das Primícias, temos “dois pães” possivelmente correlatos aos dois carneiros da consagração, embora estejam a simbolizar também as Duas Casas de Israel.

Em seguida, Moisés pegaria das mãos deles e os queimaria no altar sobre o holocausto como oferta de cheiro suave ao Senhor. O peito e a coxa do carneiro das consagrações seriam oferecidos ao Senhor com movimentos (Oferta Movida). Estes pedaços do carneiro eram a oferta alçada do Senhor, que os deu a Arão e seus filhos por estatuto perpétuo como salário pelo serviço no santuário (Números 18:19).

“ E tomarás o peito do carneiro das consagrações, que é de Arão, e com movimento oferecerás perante o SENHOR; e isto será a tua porção.”

Tal como em outras Ofertas, excetuando-se o holocausto, o sacerdote recebia porções designadas como seu alimento.

O peito da comunhão (das Ofertas Pacíficas) deveria ser movido diante do Senhor, como Oferta Movida. Este movimento era extremamente simbólico. Era como se aquele alimento fosse simbolicamente dado a YHWH, porém retido de alguma forma, como se fosse um PRESENTE DEVOLVIDO. Em seguida, esta porção tornava-se parte da alimentação dos sacerdotes.

Em Nm 18:11-12 vemos que os familiares dos sacerdotes também participavam da refeição de comunhão, da qual o peito do animal era a porção preparada. O peito era tido como a SEDE DA SABEDORIA.

A coxa direita, que era tida como a SEDE DA FORÇA FÍSICA, era dada ao sacerdote oficiante (Lv 7:32-33).

As Ofertas Pacíficas eram, portanto, chamadas de Ofertas de Comunhão, e eram de três tipos, ou classes, a saber (Lv 7:12-16):

De agradecimento, com confissão e reconhecimento (o motivo da oferenda), que inclusive era o tipo mais comum (Lv 7:12-15; Lv 22:29, II Cr 29:31 e Jr 17:26).

Votivas (Lv 7:16). Um rito que incluía algum voto (Nm 6:17-20). Poderia ter a forma de uma oferenda queimada (Lv 22:17-20).

Voluntárias. Este tipo exprimia DEVOÇÃO, AGRADECIMENTO E DEDICAÇÃO. Também poderia ter a forma de uma Oferta Queimada (Lv 22:17-20). Vemos claramente a voluntariedade desta Oferta em Lv 7:16 e Lv 22:18-23).

Cristo em Seus Sacrifício, trouxe até nós paz e comunhão (Cl 1:20 e Ef 2:14-17). Nele reconciliam-se o pecador e Deus. E assim como as Ofertas Pacíficas forneciam alimentos para os sacerdotes (Lv 7:31-34), assim também, em Cristo, todas nossas necessidades são supridas (II Co 9:6-15).

As Ofertas Pacíficas eram largamente realizadas nos tempos antigos (Ex 24:11, Dt 12:7,18 e I Sm 9:11-14; 22-24) e representavam uma refeição relacionada a um PACTO, no qual o ofertante se declarava “misticamente” relacionado a YHWH, com a comunhão daí resultante.

Desta forma, nesta Oferta, temos algo a considerar, qual seja:

YHWH ficava com “Sua parte” (Na Verdade tudo é do Senhor), incluindo o Sangue e a Gordura.

Os Sacerdotes oficiantes ficariam com a parte deles; a coxa direita.

Os Sacerdotes em geral ficariam com a parte deles, o peito do animal.

Obs: Devemos observar que nesta Oferta, assim como em outras onde há as Ofertas de Cereais, temos a tipificação da Perfeita Humanidade de Cristo. O “comer” destas ofertas que também eram movidas diante do Senhor, implicava em comunhão e a algo “retido” para o nosso sustento. Jesus disse: “Quem de Mim se alimenta, por Mim viverá”.

Oferta Movida

O significado deste tipo de oferta é que é primeiro dado a DEUS, de maneira simbólica (sacudida ou abanada perante o altar), e depois recebida de volta pelo sacerdote, que faz uso dela.

O servo de DEUS deve fazer uso reverente dos bens deste mundo para se conservar em condições de servir cf. (LV 7:30).

“E santificarás o peito da oferta de movimento e o ombro da oferta alçada, que foi movido e alçado do carneiro das consagrações, que for de Arão e de seus filhos”.

Uma oferta de movimento e uma oferta alçada são termos gerais que representam diferentes tipos de sacrifícios. As expressões são usadas neste versículo como partes da oferta de comunhão (Lv 7.29-34).

Mas elas também são empregadas para se referir à oferta especial de grãos (Nm 15.19-21) e ao dízimo (Nm 18.24-29).

Ofertas de elevação, ou comunhão. (Ex 29:27; Lv 7;14,32; Nm 18:8; 31:29).

“E será para Arão e para seus filhos por estatuto perpétuo dos filhos de Israel, porque é oferta alçada; e a oferta alçada será dos filhos de Israel, dos seus sacrifícios pacíficos; a sua oferta alçada será para o SENHOR.”

A palavra traduzida como oferta alçada (hb. terúmâ) significa algo que se ergueu (diante do Senhor). Outro significado é contribuição. Aqui se vê claramente que esta oferta é para o benefício dos sacerdotes e que tem de ser custeada pelo povo em geral; é oferta de DEUS, que pelo próprio decreto de DEUS, volta às mãos dos SEUS servos dedicados.

A carne desse carneiro deveria ser cozida dentro do santuário e comida por Arão e seus filhos junto com os pães e o que sobrasse deveria ser queimado. Sete dias foi o tempo que durou a cerimônia de consagração dos sacerdotes (Êxodo 29:35).

Este carneiro que era o das consagrações também fez alusão Cristo que é o alimento de todo sacerdote da nova aliança. “Assim como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo pelo Pai, assim, quem de mim se alimenta, também viverá por mim” (João 6:57).

Sacrifícios diários: Após o cerimonial de consagração, o Senhor determinou que a cada dia fossem imolados dois cordeiros, um pela manhã e outro à tardinha que deveriam ser oferecidos ao Senhor com flor de farinha e azeite batido (Êxodo 29:38-40). Isto era necessário por duas razões:

a) O povo era pecador e precisava ser remido, pois segundo a lei, sem derramamento de sangue não há remissão (Hebreus 9:22). O sangue daqueles animais, não tiravam os pecados, mas apenas cobriam, livrando assim o povo da ira de Deus. Era um símbolo do sangue de Jesus, o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo e que nos purifica, nos fazendo aceitáveis a Deus (1João 1:7).

b) O sacerdote que ministrava sobre o altar precisava ter o seu sustento (1Corintios 9:13). Arão e seus filhos e os demais levitas foram proibidos de possuírem herdades, pois a chamada destes os responsabilizava a viverem no santuário. Não podiam se ausentar de lá, pois somente eles poderiam apresentar o pecador diante de Deus, oferecendo dons e sacrifícios (Hebreus 5:1).

Eles deveriam comer das ofertas que no altar eram levados diariamente e ninguém que não fosse sacerdote poderia comer deles, pois eram santos (Êxodo 29:33). Isso durou até Cristo que ofereceu-se a si mesmo como sacrifício e oferta agradável a Deus, se tornando sumo-sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque e nos fazendo seus sacerdotes (Hebreus 5:10; Apocalipse 1;6).

O altar do holocausto não mais existe, pois a lei que ordenou o sacerdócio Araônico foi mudado por Jesus (Hebreus 7:12). “Temos um altar, de que não têm direito de comer os que servem ao tabernáculo.”  (Hebreus13:10).

Considerações Importantes:

A Lavagem com Água

Arão e seus filhos representam Cristo e a Igreja, porém nos primeiros versículos deste capítulo é dado o primeiro lugar a Arão. “Então, farás chegar Arão e seus filhos à porta da tenda da congregação e os lavarás com água” (versículo 4). A lavagem da água tornava Arão simbolicamente aquilo que Cristo é intrinsecamente, isto é: santo. A Igreja é santa em virtude de estar ligada a Cristo na vida de ressurreição. Ele é a definição perfeita daquilo que ela é perante Deus. O ato cerimonial da lavagem da água representa a ação da palavra de Deus (veja-se Ef 5:26).

“E por eles me santifico a mim mesmo, para que também eles sejam santificados na verdade” (Jo 17:19), disse o Senhor Jesus. Separou-Se para Deus no poder de uma perfeita obediência, orientando-Se em todas as coisas, como homem, pela Palavra, mediante o Espírito eterno, a fim de que todos aqueles que são d’Ele pudessem ser inteiramente separados pelo poder moral da verdade.

A Unção

“E tomarás o azeite da unção e o derramarás sobre a sua cabeça ” (versículo 7). Nestas palavras temos o Espírito, mas é preciso notar que Arão foi ungido antes de o sangue ser derramado, porque nos é apresentado como figura de Cristo, que, em virtude daquilo que era em Sua Própria Pessoa, foi ungido com o Espírito Santo muito antes que fosse cumprida a obra da cruz.

Em contrapartida, os filhos de Arão não foram ungidos senão depois de ser espargido o sangue, “degolarás o carneiro, e tomarás do seu sangue, e o porás sobre a ponta da orelha direita de Arão, e sobre a ponta da orelha direita de seus filhos, como também sobre o dedo polegar da sua mão direita, e sobre o dedo polegar do seu pé direito: e o resto do sangue espalhará sobre o altar ao redor” (1). “Então, tomarás do sangue que estará sobre o altar e do azeite da unção e o espargirás sobre Arão e sobre as suas vestes e sobre seus filhos, e sobre os as vestes de seus filhos com ele” (versículos 20 e 21).

No que diz respeito à Igreja, o sangue da cruz é o fundamento de tudo. Ela não podia ser ungida com o Espírito Santo até que a sua Cabeça ressuscitada tivesse subido ao céu e depositado sobre o trono da Majestade divina o relato do sacrifício que havia oferecido.

“Deus ressuscitou a este Jesus, do que todos nós somos testemunhas. De sorte que, exaltado pela destra de Deus, e tendo recebido do Pai e promessa do Espírito Santo, derramou isto que vós agora vedes e ouvis” (At 2:32-33); comparem-se também Jo 7:39; At 19:1 – 6).

Desde os dias de Abel que haviam sido regeneradas almas pelo Espírito Santo e experimentado a Sua influência, sobre as quais operou e a quem qualificou para o serviço; porém a Igreja não podia ser ungida com o Espírito Santo até que o Seu Senhor tivesse entrado vitorioso no céu e recebesse para ela a promessa do Pai.

A verdade desta doutrina é ensinada, da forma mais direta e completa, em todo o Novo Testamento; e a sua integridade estreita é mantida, em figura, no símbolo que temos perante nós, pelo fato claro que, embora Arão fosse ungido antes de o sangue haver sido derramado (versículo 7), contudo os seus filhos não o foram, e não podiam ser ungidos senão depois (versículo 21).

A Preeminência de Cristo

Porém, aprendemos alguma coisa mais com a ordem da unção neste capítulo, além da verdade importante acerca da obra do Espírito, e a posição que a Igreja ocupa. A preeminência do Filho é-nos também apresentada. “Amaste a justiça e aborreceste a iniquidade; por isso Deus, o teu Deus, te ungiu com óleo de alegria, mais do que a teus companheiros” (SI 45:7; Hb 1:9).

É preciso que o povo de Deus mantenha sempre esta verdade nas suas convicções e experiências. Por certo, a graça infinita de Deus é manifestada no fato maravilhoso que pecadores culpados e dignos do inferno sejam chamados companheiros do Filho de Deus; mas nunca devemos esquecer, nem por um momento, o vocábulo “mais”.

Por mais íntima que seja a união—e é tão íntima quanto os desígnios eternos do amor divino a podiam fazer—, é, contudo, necessário que Cristo tenha em tudo a preeminência” (Cl 1:18). Não podia ser de outra maneira. Ele é Cabeça sobre todas as coisas — Cabeça da Igreja, Cabeça sobre a criação, Cabeça sobre os anjos, o Senhor do universo.

Não existe um só astro de todos os que se movem no espaço que não Lhe pertença e não se mova sob a Sua orientação. Não existe um verme sequer que se arrasta sobre a terra, que não esteja sob os Seus olhos incansáveis. Ele está acima de todas as coisas; é toda a criatura “o primogênito de entre os mortos” “o princípio da criação de Deus” (Cl 1:15-18;Ap 1:5).

“Toda a família nos céus e na terra” (Ef 3:15) deve alinhar, na classe divina, sob Cristo. Tudo isto será reconhecido com gratidão por todo o crente espiritual; sim, a sua própria articulação produz um estremecimento no coração do crente. Todos os que são guiados pelo Espírito regozijar-se-ão com cada nova manifestação das glórias pessoais do Filho; da mesma maneira que não poderão tolerar qualquer coisa que se levante contra elas.

Que a Igreja se eleve às mais altas regiões e glória, será seu gozo ajoelhar aos pés d’Aquele que se baixou para elevá-la, em virtude do Seu sacrifício, à união Consigo; o qual havendo plenamente correspondido a todas as exigências da justiça divina, pode satisfazer todos os afetos divinos, unindo-a em um Consigo Mesmo, em toda a aceitação infinita com o Pai, na Sua glória eterna: “Não se envergonha de lhes chamar irmãos” (Hb 2:11).