As 42 (Quarenta e duas) Estações no Deserto
Sumário
1- Estação 12: Deserto do Sinai
2- O Pentecostes, a Festa de Pentecostes e o Monte Sinai
2.1- A Contagem do tempo conforme as Escrituras
4- Visão Panorâmica do ocorrido no Sinai
5- Deus revela o Seu testemunho
6- Moisés e as 11(onze) subidas ao Monte de Deus
6.1- Um povo Separado – Êxodo 19:3-8a
6.2- Preparação e Limites – Êxodo 19:8b-19
6.3- Santificação Sacerdotal – Êxodo 19:20-24
6.4- Decálogo e o Pacto – Êxodo 19:24 até Êxodo 20:20
6.5- Decálogo e o Livro do Pacto – Êxodo 20:20 até Êxodo 24:9
6.6.1- Temas da Sexta Subida de Moisés ao Monte Horebe
6.7- A Sétima Subida: A Justiça e a Misericórdia de Deus – Ex 33:1-23
6.8- A Oitava Subida: A Glória de Deus e a Renovação do Pacto – Êxodo 34:1 até Lv 24:23
6.8.1- A Renovação do Pacto – Êxodo 34:1 até Êxodo 34:17
6.8.2- A visão de Deus (34.5-9).
6.8.3- As Festas Fixas do Senhor – Êxodo 34:18 até Êxodo 34:35
6.8.4- O Brilho do Rosto de Moisés (34.29-35)
6.8.5- O Sábado – Êxodo 35:1-3
6.8.6- Tabernáculo – Novas Instruções – Êxodo 35:4 até Êxodo 38:31
6.8.7- As Vestes Sacerdotais – Êxodo 39:1-31
6.8.8- A conclusão do Tabernáculo – Êxodo 39:32 até Êxodo 40:38
6.8.9- As Ofertas e as Leis das Ofertas Levíticas – Lv 1:1 até Lv 7:38
6.8.10- Ofício e Consagração Sacerdotais – Lv 8:1 até Lv 10:20
6.8.11- As Leis – Correlação entre o Terreno e do Celestial – Lv 11:01 até Lv 22:33
6.8.12- As Festas Fixas do Senhor – Lv 23:1-44
6.8.13- Instruções acerca do Azeite, do Pão e outras advertências – Lv 24:1-23
6.8.14- O Azeite para a Luminária, para Acender as Lâmpadas Continuamente
6.8.15- A Unidade do Povo de Israel
6.8.16- O Nome Santo – Lv 24.10-23
6.9- A Nona Subida: A Vida Prática do Reino – Levítico 25:1 até Levítico 26:46
6.9.1- O Ano Sabático e o Ano Jubileu
6.10- A Décima Subida: As Coisas Consagradas a Deus – Levítico 27:1 até Nm 2:34
6.10.1- O Número e o Ofício dos Levitas
6.10.2- Os Levitas não foram Contados
6.10.3- O Resgate dos Primogênitos
6.11- A Décima Primeira Subida: Os Deveres dos Levitas – Nm 3:1 até Nm 10:36.
6.11.1- As Tarefas dos Levitas devidamente designadas
6.11.2- A Posição diante do Tabernáculo
6.11.3- A Genealogia dos Filhos de Levi
6.11.4- Considerações importantes acerca de Nm 4 em conexão com Números 7: 1 a 9
Estação 12: Deserto do Sinai
“Partiram de Refidim e acamparam-se no deserto do Sinai…” Nm 33:15
Esta estação é, sem dúvida, aquela que poderíamos citar como sendo o núcleo da revelação do Antigo Pacto e da tipologia. O que se passa no Deserto do Sinai é realmente algo muito profundo.
Se observarmos as palavras do apóstolo Paulo em Gálatas, poderemos entender sua visão e compreensão do que o Sinai significa e simboliza.
“Dizei-me vós, os que quereis estar sob a Lei: acaso, não ouvis a Lei? Pois está escrito que Abraão teve dois filhos, um da mulher escrava e outro da livre. Mas o da escrava nasceu segundo a carne; o da livre, mediante a promessa.” Gl 4:21-23
O filho que nasceu a Abraão proveniente “da livre” refere-se à Isaque, que nasceu de Sarah, sua legítima esposa. Isaque nasceu depois, nasceu segundo a promessa de Deus, mas antes que nascesse, Abraão fez um esforço para tratar as coisas por seus próprios meios e esforços.
“Estas coisas são alegóricas; porque estas mulheres são duas Alianças; uma, na verdade, se refere ao Monte Sinai, que gera para escravidão; esta é Agar.” Gl 4:24
Esta alegoria não é somente uma história de Abraão, de Sarah, de Hagar, de Ismael e de Isaque; não, esta história “esconde” consigo uma alegoria. Deus estava alegorizando, estava nos ensinando algo através desta história.
Estas duas mulheres, Sarah e Hagar, são representativas de Dois Pactos:
- Antigo Pacto que foi dado a Moisés no Monte Sinai
- Novo Pacto estabelecido pelo Senhor Jesus Cristo na Cruz do Calvário.
“Porque a Lei foi dada por intermédio de Moisés; a Graça e a Verdade vieram por meio de Jesus Cristo.” Jo 1:17
Na análise literal da Jornada pelo Deserto do Sinai, estaremos vendo o primeiro Pacto, o Antigo Pacto, aquele que corresponde na alegoria a Hagar.
“Ora, Agar é o monte Sinai, na Arábia, e corresponde à Jerusalém Atual, que está em escravidão com seus filhos.” Gl 4:25
Agora o texto que se refere a Sarah, à esposa do Cordeiro é o seguinte:
“Mas a Jerusalém lá de cima é livre, a qual é nossa mãe…” Gl 4:26
A primeira esposa é a Lei, a segunda esposa é a esposa do Cordeiro. Tendo isto em mente, devemos perceber que chegar ao Sinai significa chegar a um ponto chave.
Porém, vejamos numericamente em que estação nos encontramos:
- Ramessés
- Sucote
- Etam
- Pi-Hairote
- Mara
- Elim
- Mar Vermelho
- Deserto de Sim
- Dofca
- Allús
- Refidim
- Deserto do Sinai
Observe que o número 12 (doze) na Bíblia tem um significado muito especial. Estas Jornadas, até aqui, duraram de dois a três meses, dependendo da forma como interpretamos esta contagem.
Mas, independentemente se foram dois ou três meses, o fato é que o povo levou 60 ou talvez 90 dias para percorrer as estações anteriores. Mas quando chegam ao Sinai, então eles se detêm neste local por pouco mais de 11 (onze) meses.
Logo, o fato de a Nuvem de Deus ter permanecido todo este tempo no Sinai, implica que neste local, o Senhor haveria de ensinar profundas lições ao Seu povo. E, realmente, o Sinai concentra muita revelação.
Podemos dizer que, dentre tantos montes significativos na Bíblia, dois em especial nos chamam a atenção por sua relevância em termos de sua simbologia e significado: O Monte Sinai, como símbolo do Antigo Testamento, e o Monte Sião, como símbolo do Novo Testamento.
“No terceiro mês da saída dos filhos de Israel da terra do Egito, no primeiro dia desse mês, vieram ao deserto do Sinai.” Ex 19:1
O Pentecostes, a Festa de Pentecostes e o Monte Sinai
2.1- A Contagem do tempo conforme as Escrituras
Ex 12:1-7 “Disse o SENHOR a Moisés e a Arão na terra do Egito: Este mês vos será o principal dos meses; será o primeiro mês do ano. Falai a toda a congregação de Israel, dizendo: Aos dez deste mês, cada um tomará para si um cordeiro, segundo a casa dos pais, um cordeiro para cada família. Mas, se a família for pequena para um cordeiro, então, convidará ele o seu vizinho mais próximo, conforme o número das almas; conforme o que cada um puder comer, por aí calculareis quantos bastem para o cordeiro. O cordeiro será sem defeito, macho de um ano; podereis tomar um cordeiro ou um cabrito; e o guardareis até ao décimo quarto dia deste mês, e todo o ajuntamento da congregação de Israel o imolará no crepúsculo da tarde. Tomarão do sangue e o porão em ambas as ombreiras e na verga da porta, nas casas em que o comerem…”
Ex 19:1-11 “No terceiro mês da saída dos filhos de Israel da terra do Egito, no primeiro dia desse mês, vieram ao deserto do Sinai. Tendo partido de Refidim, vieram ao deserto do Sinai, no qual se acamparam; ali, pois, se acampou Israel em frente do monte. Subiu Moisés a Deus, e do monte o SENHOR o chamou e lhe disse: Assim falarás à casa de Jacó e anunciarás aos filhos de Israel: Tendes visto o que fiz aos egípcios, como vos levei sobre asas de águia e vos cheguei a mim. Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança, então, sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos; porque toda a terra é minha; vós me sereis reino de sacerdotes e nação santa. São estas as palavras que falarás aos filhos de Israel. Veio Moisés, chamou os anciãos do povo e expôs diante deles todas estas palavras que o SENHOR lhe havia ordenado. Então, o povo respondeu à uma: Tudo o que o SENHOR falou faremos. E Moisés relatou ao SENHOR as palavras do povo. Disse o SENHOR a Moisés: Eis que virei a ti numa nuvem escura, para que o povo ouça quando eu falar contigo e para que também creiam sempre em ti. Porque Moisés tinha anunciado as palavras do seu povo ao SENHOR. Disse também o SENHOR a Moisés: Vai ao povo e purifica-o hoje e amanhã. Lavem eles as suas vestes e estejam prontos para o terceiro dia; porque no terceiro dia o SENHOR, à vista de todo o povo, descerá sobre o monte Sinai.”
Ex 40:17 “E tudo fez Moisés segundo o SENHOR lhe havia ordenado; assim o fez. No primeiro mês do segundo ano, no primeiro dia do mês, se levantou o tabernáculo.”
Nm 1:1 “No segundo ano após a saída dos filhos de Israel do Egito, no primeiro dia do segundo mês, falou o SENHOR a Moisés, no deserto do Sinai, na tenda da congregação, dizendo…”
Nm 10:11-12 “Aconteceu, no ano segundo, no segundo mês, aos vinte do mês, que a nuvem se ergueu de sobre o tabernáculo da congregação. Os filhos de Israel puseram-se em marcha do deserto do Sinai, jornada após jornada…”

- Possivelmente a chegada ao Deserto do Sinai ocorreu em 50 dias de caminhada (63-14+1=50 dias) O que ocorre em Ex 19 seria, portanto, o Pentecostes, em tipologia.
- O Tabernáculo representando a Jesus, conforme Hebreus, implica que sua construção teria ocorrido de 01/03/01 a 01/01/02, simbolizando os 09 meses no ventre de Maria. E isto teria se iniciado, portanto, na chegada do Sinai.
Obs: A possibilidade 01 não exclui a 02, pois não nos é dito quando foi efetivamente iniciada a construção do Tabernáculo. É interessante e importante diferenciar a contagem de prazo da contagem cronológica dos meses conforme “nomenclatura” utilizada pela Bíblia.
3- O Pentecostes
“Pentecostes” é um vocábulo grego e significa “quinquagésimo”. Nós cristãos normalmente, com essa palavra, recordamos o evento contado por Atos dos Apóstolos, capítulo 2: depois que Cristo subiu aos céus, os discípulos, reunidos, receberam o Espírito Santo.
Foi um acontecimento importante para o cristianismo. Nesse momento os primeiros cristãos receberam a força que encheu os seus corações e fez com que criassem coragem e pregassem a mensagem de Jesus. Todo ano essa recorrência é recordada, 50 dias depois da celebração da páscoa.
Apesar dessa ligação que nós cristãos fazemos entre Pentecostes e vinda do Espírito Santo, a Festa em si vem da tradição hebraica, onde é chamada de Shavuoth (“Semanas”).
Durava 07 semanas, desde o dia seguinte à Páscoa até o cinquentíssimo dia. À base dessa festa existe uma tradição agrícola, que coincide com o início da colheita, seja de trigo, de frutas e de vegetais.
Os agricultores agradeciam a Deus esse dom com ofertas das primícias. As 07 semanas, como dissemos, começavam a partir da Festa da Páscoa (Pessach, festa da libertação do Egito).
No cinquentíssimo dia, cada família oferecia os seus dons derivados da colheita. Em Levíticos 23,34-44 são indicados os detalhes desta Festa, celebrada até hoje pelos judeus.
Retornando ao estudo…
Nm 10:11-12 “Aconteceu, no ano segundo, no segundo mês, aos vinte do mês, que a nuvem se ergueu de sobre o Tabernáculo da congregação. Os filhos de Israel puseram-se em marcha do deserto do Sinai, jornada após jornada…”
Assim, depois de aproximadamente um ano, o povo já havia aprendido muitas coisas. Devemos notar a expressão “puseram-se em marcha…”. Então podemos compreender que entre Êxodo 19 e Números 10:10, ou seja, todos estes capítulos da Bíblia, nestes livros que são cronológicos, correspondem à Jornada do Deserto do Sinai. Portanto, muitas coisas sucederam ali.
Desta forma eles ficaram aproximadamente 12 meses debaixo da Nuvem no Deserto do Sinai, na Cordilheira de Horebe, no Monte específico do Sinai. Neste local receberam uma revelação especialíssima que se constitui no núcleo do Antigo Pacto.
4- Visão Panorâmica do ocorrido no Sinai
Para termos uma ideia de tudo o que se passa no Deserto do Sinai necessitamos de ter uma visão, no mínimo, panorâmica de mais da metade do livro de Êxodo, todo o livro de Levítico e uma terça parte do livro de Números. Portanto é algo grandiosíssimo!!!
5- Deus revela o Seu testemunho
Precisamos notar em primeiro lugar como o local escolhido por Deus é, em certo sentido, estratégico. Primeiro está no ponto central da terra, pois neste local temos a confluência de três continentes: Europa, Àsia e Africa.
Temos a saída pelo Atlântico através do Mar Mediterrâneo, a saída pelo Indico através do Mar Vermelho; temos também a península com o Mar Vermelho a esquerda e o Golfo de Aqaba à direita.
Até aqui os povos eram normalmente idólatras; adoravam a natureza, adoravam os astros, adoravam o sol, adoravam os animais, eram animistas; estavam debaixo da pressão de muitos espíritos e então Deus separou no meio deste mundo caótico e politeísta, um povo para que Ele se Auto-revelasse, para um povo em que Ele começa a ensinar acerca do Reino de Deus; e Ele o faz inicialmente de forma tipológica.
Obs: Animismo, vem do latim alma, animus, vida, e corresponde à visão de mundo em que entidades não humanas como animais, plantas e objetos inanimados ou fenômenos possuem uma essência espiritual.
Ele dá ao povo Suas Leis, Sua revelação, ou melhor, a revelação de Sua natureza, porque as Suas Leis se chamam Seu testemunho. Em outras palavras, para nós e para o povo, são Suas Leis, porém quanto a Ele, são um testemunho do que Ele é: absolutamente Santo, Perfeito e Todo Poderoso.
Até este momento todos os demais povos tinham conceitos politeístas acerca de Deus, projetavam sobre Deus uma série de assuntos; e aqui Deus começa a chamar a Si mesmo um povo separado, escolhido entre os demais, pois tinha em mente uma Obra a favor de toda a humanidade, mas teria que começar por meio de um patriarca, Abraão (pai da fé).
6- Moisés e as 11(onze) subidas ao Monte de Deus
No Deserto do Sinai estava o Monte Sinai. Moisés às vezes subia, às vezes descia; às vezes permanecia lá por muito tempo, outras vezes descia rápido. Em cada uma destas subidas algo lhe era revelado pelo Senhor. Que tremenda experiência teve este homem de Deus. Vejamos a relação entre os versículos bíblicos que falam destas subidas e aquilo que o Senhor tinha a lhe revelar:
- Um povo Separado – Êxodo 19:3-8a
- Preparação e Limites – Êxodo 19:8b-19
- Santificação Sacerdotal – Êxodo 19:20-24
- Decálogo e o Livro do Pacto – Êxodo 19:24 até Êxodo 20:20
- Decálogo e o Livro do Pacto – Êxodo 20:20 até Êxodo 24:9
- Grupo 01: Leis contra a Idolatria e a questão dos Altares
- Grupo 02: Leis acerca dos Servos
- Grupo 03: Leis acerca da Violência
- Grupo 04: Leis acerca de Danos causados por Animais
- Grupo 05: Leis acerca de Propriedades e dos Furtos
- Grupo 06: Leis Morais, Civis, Religiosas e Humanitárias.
- Grupo 07: Leis acerca das Festas Fixas do Senhor
- O Santuário – Êxodo 24:9 até Êxodo 32:30
1- Tabernáculo, Sacerdócio e Sacrifícios – Êxodo 25:1 até 30:11
2- Siclo do Santuário como Preço de Resgate – Êxodo 30:11-16
3- A Bacia de Bronze – Êxodo 30:17-21
4- O Azeite da Unção – Êxodo 30:22-33
5- O Incenso – Êxodo 30:34-38
6- O Chamamento de Sábios Edificadores – Êxodo 31:1-11
7- O Sábado – Êxodo 31:12-18
- A Justiça e a Misericórdia de Deus – Êxodo 32:30 até 33:23
- A Glória de Deus e a Renovação do Pacto – Êxodo 34:1 até Lv 24:23
- A Renovação do Pacto – Êxodo 34:1 até Êxodo 34:17
- As Festas Fixas do Senhor – Êxodo 34:18 até Êxodo 34:35
- O Sábado – Êxodo 35:1-3
- Tabernáculo – Novas Instruções – Êxodo 35:4 até Êxodo 38:31
- As Vestes Sacerdotais – Êxodo 39:1-31
- A conclusão do Tabernáculo – Êxodo 39:32 até Êxodo 40:38
- As Ofertas e as Leis das Ofertas Levíticas – Lv 1:1 até Lv 7:38
- Ofício e Consagração Sacerdotais – Lv 8:1 até Lv 10:20
- As Leis – Correlação entre o Terreno e do Celestial – Lv 11:01 até Lv 22:33
- As Festas Fixas do Senhor – Lv 23:1-44
- Instruções acerca do Azeite, do Pão e outras advertências – Lv 24:1-23
- A Vida Prática do Reino – Levítico 25:1 até Levítico 26:46
10- As Coisas Consagradas a Deus – Levítico 27:1 até Nm 2:34
11- Os Deveres dos Levitas – Nm 3:1 até Nm 10:36.
6.1- Um povo Separado – Êxodo 19:3-8a
A revelação contida nesta porção tinha haver com o fato de:
- Deus deixar claro a Seu povo que Ele os tinha livrado da escravidão e opressão do Egito,
- Ao mesmo tempo em que Deus enfatiza que eles deveriam deixar todos os outros “deuses”, senão que deveriam somente ter a YHWH como o Único Deus!
- Que o Senhor os havia atraído para Si mesmo, para os constituir, a todo o povo, um Reino de Sacerdotes.
Veja que este foi o primeiro ponto que Deus deixa claro ao falar com Moisés no Monte. Veja que não foi nem o Decálogo, Não!
O primeiro ponto foi deixar claro ao Seu povo de ONDE Ele os havia tirado; da opressão do Egito e dos “deuses” do Egito e para que Ele os havia atraído a Si mesmo, ou seja, para que todos se constituíssem em um Reino de Sacerdotes.
Obs: Veja que o Senhor diz: “Tendes visto o que fiz aos egípcios, como vos levei sobre asas de águia e vos acheguei a Mim…” Ex 19:4. Isto está bem tipificado através da figura da águia conforme demonstrado em Dt 32:8-11. Esta última passagem dá a dimensão do cuidado e do Amor do Senhor por Seu povo!
Obs: Interessante detalhar através de uma Chave Bíblica a expressão “Asas de Águia” e seus contextos correlatos.
6.2- Preparação e Limites – Êxodo 19:8b-19
Nesta porção há alguns elementos muito importantes:
- Em primeiro lugar vemos que é Deus mesmo Quem traz o Seu povo. Ele diz: “Os tenho atraído a Mim…”. Ele não diz que os havia atraído a um Monte. Deus inicia revelando que os atraía a Si mesmo, que Ele quer ter comunhão com este povo. O povo estava oprimido, explorado, enganado e vivia debaixo de uma idolatria terrível. É nesta perspectiva que temos de entender o falar de Deus a eles: “Eu os tenho atraído a Mim…” Que maravilha; eles foram libertados para se relacionarem com Deus mesmo, não existe outro sentido que não este para esta libertação. Agora não se trata de ídolos, mas do Deus Vivo!
- Deus diz a eles: “Vocês Me serão um Reino de Sacerdotes…”. Veja que esta palavra Sacerdote não estava restringida somente à família de Arão e aos levitas. Isto Deus teve de fazer depois, porque o povo que Ele trouxe a Si mesmo não foi fiel, não O seguiu. Por causa disto Ele teve de separar uma tribo que foi fiel para fazer com ela o que Ele havia projetado em fazer com todo o povo: torna-los um Reino de Sacerdotes.
- Fazer deles um Reino de Sacerdotes significa ter um povo que tenha acesso à Sua Presença, ter um povo que O represente, que manifeste o Seu Caráter na terra. Isto é o que o apóstolo Pedro diz em sua primeira carta: “Nos chamou das trevas para a Sua maravilhosa Luz…”.
- Observe que eles estavam acostumados a ter uma enorme quantidade de ídolos no Egito. Mas não; agora eles estavam tratando com o Deus verdadeiro e Único. E é Deus mesmo Quem os estava trazendo à Sua Presença e Ele haveria então de ensinar-lhes de que maneira eles poderiam conhecê-Lo, estar com Ele e recebê-Lo.
- Devemos observar também que, no início, Deus começa a falar com eles a partir do Monte Sinai, mas depois Ele decide descer ao Tabernáculo e falar com eles desde o Tabernáculo.
- Outro ponto extremamente significativo é que Deus decide inicialmente falar por meio de Moisés, e depois por meio dos profetas, porém o Senhor lhes determina mais à frente que Lhe façam um Santuário. Ele queria estar em meio ao Seu povo, Ele haveria de se revelar mais a partir do interior deste Santuário, mas àquela época isto era algo demasiado para o homem.
- Nós precisamos entender o que sucedia nesta época; era uma época de muita idolatria, uma época de muita barbárie; uma época em que muitas vezes uma mulher valia menos que um cavalo; coisas terríveis!
- Por este motivo, às vezes, ao lermos estas Leis de Deus, dizemos: “Que Leis terríveis”. Isto é porque não nos damos conta de que estamos lendo estas Leis em pleno século XXI, depois da influência cristã. Mas imaginemos naquela época e de que como Deus está tratando de frear a barbárie que existia nesta época (Inevitável perguntar: e hoje então?).
- Então, na segunda subida ao Monte, o principal que se revela é como o povo deve preparar-se dentro de seus limites. Pois se eles vão se encontrar com Deus, não podem comparecer de uma forma leviana, de uma forma irresponsável. É por este motivo que Moisés diz que eles devem se preparar para encontrar com Deus, porque Deus vai “descer ali”; e que eles prestem atenção para que ninguém ultrapasse os limites.
- Portanto a última advertência nesta segunda subida é: “não ultrapassem os limites”, porque senão vocês podem morrer. Deus não quer que vocês morram, porém isto pode acontecer, vocês podem morrer; por este motivo também preparem-se.
Temos de notar alguns elementos importantes nesta porção:
- O Senhor lhes apareceria numa NUVEM ESCURA, numa ESPESSA NUVEM (vs 09 e 16).
- Ao aparecer-lhes a nuvem viria acompanhada de TROVÕES, RELÂMPAGOS e um FORTE CLANGOR DE TROMBETA (vs 16 e 19).
- Observe que o objetivo de tudo isto é para que o povo temesse. Eles estavam acostumados a “deuses” que, de fato, não eram “deuses”. Porém agora eles teriam uma experiência pessoal com o Único Deus Vivo. Esta visão deveria ficar impregnada em suas mentes e corações.
- Há uma clara menção a “lavar as vestes” tipificando a questão de conduta, de santidade utilizada evidentemente de forma figurada.
- Observe a menção ao TERCEIRO DIA. Isto fala de MORTE E RESSURREIÇÃO. Mas, como vimos, isto faz com que se completem os 50 dias desde a saída do Egito e, portanto, há uma menção implícita ao Pentecostes e ao seu significado (veremos mais adiante em detalhes).
- O Monte tremia e fumegava.
- Moisés falava e o Senhor lhe respondia no trovão. Certamente esta deve ter sido uma visão extremamente forte a que foram submetidos, pela Graça de Deus, todo o povo que saíra do Egito.
Obs: Importante entender a significação das penalidades relativas ao “traspassar os limites” mencionada em Ex 19:13, ou seja, quem ultrapassasse os limites seria “APEDREJADO ou FLECHADO”.
Para o entendimento destas duas expressões em seu sentido mais amplo verificar o “Resumo sobre Apedrejamento, Flechado, Flecheiros e Flechas – Documento Auxiliar”.
Da mesma forma é interessante analisar com mais detalhes a questão relativa ao “FORTE CLANGOR DE TROMBETA” e seu significado. Analogamente, é aconselhável verificar o “Resumos – 01 e 02 – Acerca do Toque de Trombetas – Análise Detalhada.”
6.3- Santificação Sacerdotal – Êxodo 19:20-24
Agora o tema desta terceira subida é a SANTIFICAÇÃO SACERDOTAL, porém os sacerdotes que aparecem aqui ainda não são, todavia, os sacerdotes aarônicos da tribo de Levi.
Até este ponto Deus havia dito que todo o povo era sacerdote e, até esta época, todos os patriarcas oferecia sacrifícios, e as pessoas procuravam de acercar-se de Deus. Logo, estes sacerdotes aqui mencionados eram pessoas que por um instinto “religioso” e/ou pela própria tradição proveniente dos patriarcas ofereciam sacrifícios. Na verdade, isto vem desde Adão, Abel e etc…
Sendo assim, eles eram sacerdotes, digamos assim, de fato, todavia não eram sacerdotes “oficiais”, porque este ainda não havia sido constituído. E isto porque a Vontade de Deus era que todo o povo, indistintamente, fosse um Reino de Sacerdotes. Mas, vemos por esta porção do texto bíblico que nem todos tinham este encargo sacerdotal; somente alguns dentre o povo é que se interessavam pelas coisas de Deus.
Observe que são três subidas somente para prepararem-se, são três subidas para Deus revelar-lhes a PREPARAÇÃO.
Outro ponto: quando eles iam cruzar o Jordão, Deus disse-lhes: “Preparem-se para cruzar o Jordão ao terceiro dia…”
O Senhor Jesus Cristo ressuscitou ao terceiro dia.
Às vezes nós queremos fazer as coisas muito rapidamente, mas o Senhor nos diz: Não; assim você não terá consciência da REALIDADE.
Ou seja, Deus está ensinando o povo a ter consciência de Quem Deus É, a ter consciência de que Deus estaria no meio deles.
Mas o homem é tão bárbaro, tão baixo, tão pecador, tão animalizado, que necessita aprender a ser respeitoso, necessita aprender a ter reverência, a ter temor a Deus.
6.4- Decálogo e o Pacto – Êxodo 19:24 até Êxodo 20:20
A quarta e quinta subidas constituem o conteúdo do livro do Pacto. Foi aqui que começou a escrever os Dez Mandamentos e outras Leis que se constituem no que se chama o Livro do Pacto.
Na quarta subida, já não sobe somente Moisés; nesta quarta subida Deus introduz Aarão com ele: “Replicou-lhe o Senhor: Vai, desce; depois, subirás tú, e Arão contigo…”. (vs 24).
Veja que Deus vai introduzindo; depois já sobem 70 anciãos (Ex 24:9). Porém, primeiro somente Moisés, preparando o povo; depois sobem Moisés e Arão.
Observe ainda que na quarta subida é que Deus revela o Decálogo, ou seja, os Dez Mandamentos. E eles foram revelados, neste ponto, de forma falada, não escrita. Somente em outra oportunidade é que Deus haveria de escrever as Leis, os Dez Mandamentos em tábuas de pedra (Ex 34:28). Isto é significativo, pois o número quatro está associado aos quatro pontos cardeais, ou seja, há uma mensagem implícita de universalidade no falar de Deus acerca de Sua Lei.
Na quarta subida de Moisés, ele tem a companhia de Arão e Deus mesmo desce numa Nuvem com trovões e o povo fica então aterrorizado. Então o Senhor começa a proclamar os 10 Mandamentos.
“Então, falou Deus todas estas palavras: Eu sou o SENHOR, teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão.
- Não terás outros deuses diante de mim.
(Verificar o Resumo sobre A Torre de Babel para investigar as origens e consequências). Importante mencionar que os “deuses” são, na realidade, tudo aquilo que se coloca na centralidade, na preeminência de nossa vida, que não o próprio Senhor.
1.1- Este tema é abordado em detalhes no livro de Juízes. Mas, resumidamente, a origem destas questões ligadas a Babel tem haver com:
-
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- Exarcebação da vida egocêntrica, alienada de Deus
- Busca frenética por Glória Pessoal, Posição e Poder.
- Contato com o mundo espiritual fora da Palavra de Deus
- Desobediência explícita ao Governo e Mandamentos do Senhor
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- Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não as adorarás, nem lhes darás culto; porque eu sou o SENHOR, teu Deus, Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem e faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos.
3.1- Aqui é abordada a questão da necessidade humana de projetar de forma materializada seus “deuses”, ainda que isto seja uma total loucura e falta de senso.
3.2- Verificar Is 44:9-20; Sl 115:3-8; dentre outros.
- Não tomarás o nome do SENHOR, teu Deus, em vão, porque o SENHOR não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão.
3.1- Aqui neste ponto é importante mencionar que o verbo “tomar” (“nasa” no hebraico” significa “ser levado embora”). E a palavra “vão” (“shav” no hebraico significa “vacuidade, falsidade, nulidade, mentira”). Ou seja, o que o Senhor está dizendo é que não podemos tornar Seu Nome nulidade, vacuidade e/ou mentira. Como Ele nos fez participantes de Seu Nome, de Sua Natureza, isto implica na advertência relacionada à seriedade com respeito ao Testemunho do Senhor.
3.2- Ou seja, tomar o nome do SENHOR, teu Deus, em vão e não somente “recorrer ao irrealismo, ou seja, servir-se do nome de Deus para apelar ao que não é expressão do caráter divino”, mas expressar uma vida em não conformidade com Seu Nome, Seu testemunho. A proibição é contra o falso juramento, os juramentos levianos, a blasfêmia tão comum em nossos dias, bem como expressar um “contratestemunho”, como que desconsiderando a Santidade e Pureza Daquele que nos chamou!
3.3- A primeira menção de “sede santos porque Eu Sou Santo” está em Lv 11:44-45, no contexto do “comer” como apropriação de realidades interiores relacionadas evidentemente ao Caráter de Cristo.
- Lembra-te do dia de sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR, teu Deus; não farás nenhum trabalho, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o forasteiro das tuas portas para dentro; porque, em seis dias, fez o SENHOR os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há e, ao sétimo dia, descansou; por isso, o SENHOR abençoou o dia de sábado e o santificou.
4.1- Para detalhamento verificar o “Resumo sobre o Sábado”. Veremos este tema em detalhes quando estudarmos sobre as Festas Fixas do Senhor.
- Honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o SENHOR, teu Deus, te dá.
5.1- Provérbios nos dá uma série de advertências quanto a este mandamento. O princípio de autoridade e de unidade familiar são absolutamente presentes em toda a Escritura. Tanto no aspecto natural quanto espiritual.
5.2- Não é à toa que em Efésios e Colossenses há, quanto à estrutura dos livros, vemos uma unidade quanto a demonstração de realidades espirituais nos capítulos iniciais e, depois, as respectivas aplicações em termos naturais nos capítulos finais; incluindo princípios de autoridade e também questões relacionadas a nuclearidade familiar.
- Não assassinarás.
6.1- (Respeito à vida) – Ex 22:2, Dt 19:4-13.
6.2- Importante diferenciar a palavra “matar” de “assassinar”. Isto guarda relação com o dolo, pois as menções diferem o dolo dos pecados de ignorância, involuntariedade e ocultos.
6.3- Neste sentido é relevante verificar, na nossa relação com o Senhor, o significado espiritual das Cidades de Refúgio apresentadas em tipologia (Nm 35:9-34, Dt 4:41-43, Dt 19:1-3, Js 20:1-9, Mt 5:21-26, I Jo 3:11-16).
6.4- Vimos, inclusive, que paradoxalmente ao entendimento comum, a “Lei do olho por olho e dente por dente” foi uma restrição à impiedade humana tipificada pela “Geração Lameque” (Gn 4:23-24).
- Não adulterarás.
7.1- (Aspecto natural e espiritual) – Detalhamento acerca do adultério natural e espiritual no “Resumo do Livro de Juízes – A Batalha Espiritual”. Observe que voltamos a questão relacionada à idolatria mencionada no item 01.
7.1- A Oséias foi determinado casar-se com uma prostituta, como tipologia da relação entre o Senhor e Israel – Os 2:1-17.
7.2- A Jeremias foi determinado que não se casasse – Jr 3:1-13; Jr 16:1-2.
7.3- Os maridos da mulher samaritana são tipificações de manifestações da Idolatria – Jo 4:16-18.
7.4- Jesus mencionou a realidade espiritual relacionada ao adultério nas instâncias mais íntimas do coração (Mt 5:27-32).
- Não furtarás.
8.1- No sentido de roubar, sequestrar. Indicando o respeito devido à propriedade e aos bens do próximo. Também um tema exaustivamente mencionado nas Escrituras.
8.1.1- Em Mt 5:38-42 o Senhor nos orienta a que não devemos sequer resistir ao perverso, ainda que este tenha por objetivo “tirar-nos a túnica”.
8.1.2 – Já em Hb 10:32-34 o texto correlaciona a reação a este fato com o nível de consciência que temos de nossa Pátria Celestial.
8.1.3 – Interessante ainda notar que em Ef 4:28 dá a real tônica deste mandamento, pois o complementa. Não é só não furtar, mas trabalhar com vistas a atender a necessidade do próximo.
- Não dirás falso (Heb: Vacuidade, Falsidade) testemunho contra o teu próximo.
9.1- Há uma estreita ligação entre Vaidade e Vacuidade, Vazio, Algo amorfo, sem forma. Os 4:12-18. Bete-Áven, antiga Betel. Veja que voltamos a questão da Vacuidade abordada no item 03. Parece evidente!
9.2- A necessidade de um real compromisso com a Verdade. Observe o caráter interior desta Realidade diante de Deus – Ex 23:1-3; Lv 19:11-12; Dt 5:20; Jo 8:43-45; III Jo 4)
9.3- Passagem que explicita bem os mandamentos 3 e 9 às avessas: Sl 4:2
9.4- Neste sentido a Verdade é muito mais do que um conceito, é uma Pessoa. “Eu Sou o Caminho, a VERDADE, e a Vida”; “Conhecereis a VERDADE e a VERDADE vos libertará”.
- Não cobiçarás a casa do teu próximo. Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma que pertença ao teu próximo.
10.1- Importante mencionar que a palavra COBIÇA, no grego, traz a ideia de um desejo muito forte, não necessariamente com viés negativo. Isto podemos confirmar na passagem de I Co 10:6, em que o apóstolo Paulo nos diz que não devemos COBIÇAR AS COISAS MÁS, logo abre-se um precedente de termos um anelo muito forte (Cobiça) pelos bons exemplos. A questão é: o que temos cobiçado?
10.2- Somos seres relacionais e os bons exemplos devem ser seguidos. Paulo mencionou isto acerca de si mesmo: I Co 4:6, I Co 10:6, II Ts 3:9, dentre outros.
10.3- Porém, devemos respeitar o processo a que chamamos simplificadamente de “INDIVIDUAÇÃO em Deus”, para que possamos “SER” Nele aquilo para o que Ele nos criou. Ou seja, a “mão não deve desejar ser pé, nem o pé deve desejar ser boca” (Parafraseando I Co 12:18-26). Evidentemente que isto é muito mais profundo do que a mera questão do exercício do DOM concedido por Deus. Esta questão da INDIVIDUAÇÃO deve ser vista em conexão com a questão da COMPLEMENTARIEDADE, notadamente no Corpo de Cristo. Este tema será abordado mais detalhadamente quando virmos o “Resumo sobre as Pedras Preciosas – A Complementariedade no Corpo de Cristo”. Para análise gráfica consultar os Documentos Auxiliares – Tabela de Pedras Preciosas e o Diagrama – Pedras Preciosas – 12 Tribos de Israel.
10.4- Da mesma forma, devemos nos contentar com o “TER”, uma vez que o Senhor utiliza de tudo para formar Cristo em nós. Já vimos que Cristo é o Verdadeiro Tesouro (Vide “Resumo do Templo de Salomão – Câmaras do Tesouro”). Logo, a INDIVIDUAÇÃO quanto ao SER muitas vezes é construída inclusive nas questões relacionadas ao TER, desde que estejamos numa correta relação com o Senhor e possuímos a mente de Cristo. Fp 4:10-17.
Todo o povo presenciou os trovões, e os relâmpagos, e o clangor da trombeta, e o monte fumegante; e o povo, observando, se estremeceu e ficou de longe.” Ex 20:1-18.
Ou seja, Deus começa a revelar como Ele É, porque Deus deseja estar em comunhão com Seu povo, para que o homem seja a Sua casa, Seu templo. Mas nós homens temos feito (e somos) um “desastre” de tal modo que o Senhor para “entrar nesta selva” tem de fazer um trabalho tremendo.
Assim temos que na quarta subida de Moisés, Deus proclamou de forma FALADA os Dez Mandamentos, e o fez de forma extremamente forte; com voz de TROVÃO, com relâmpagos, com sonido de trombeta, com tremenda obscuridade de nuvens. E assim o povo ficou aterrorizado.
Mas porque Deus fez desta forma? Eles estavam acostumados a “deuses” que não eram “deuses”, assim o Senhor que é o Único Deus Verdadeiro se revela em Sua natureza REAL, de Santidade, de Poder.
Isto certamente faria com que os “deuses” a que eles estavam acostumados que, diga-se de passagem, nada mais eram do que suas próprias projeções, ou da projeção de sua natureza pecaminosa, se “encontrassem com o Deus Verdadeiro e Santo.
Em virtude de tão forte e celestial experiência o povo disse: “Disseram a Moisés: Fala-nos tu, e te ouviremos; porém não fale Deus conosco, para que não morramos. Respondeu Moisés ao povo: Não temais; Deus veio para vos provar e para que o seu temor esteja diante de vós, a fim de que não pequeis.” Ex 20:19-20.
6.5- Decálogo e o Livro do Pacto – Êxodo 20:20 até Êxodo 24:9
Na quinta subida de Moisés, ele sobe só e Arão permanece embaixo com o povo, como representante. Nesta subida Moisés recebe outro conjunto de Leis propostas por Deus. Ou seja, depois dos 10 mandamentos que, posteriormente o Senhor escreveria com o Seu próprio dedo em tábuas de pedra, Deus dá então a eles este novo conjunto de Leis.
Estas Leis propostas por Deus estavam subdivididas em 7 (sete) grupos de Leis. Mas observe como o Senhor inicia antes mesmo na quarta subida:
- Leis contra a Idolatria. E observe que primeiro vem a revelação de Deus e o fato de Deus mesmo estar trazendo o povo à Sua Presença, e estar preparando-os para estar com Ele e para recebe-Lo.
- Os Dez Mandamentos. Aqui temos os mandamentos em relação a Deus e ao próximo. Por isto que se diz que estes mandamentos se resumem em amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo com a si mesmo. Observando tudo isto vemos como Deus vai pouco a pouco centralizando todas as coisas em Si mesmo. No amor a Ele e ao próximo. Assim como os 10 mandamentos possuem uma sequência relacionada primeiro a Deus e depois ao próximo, assim também as Leis que vem a seguir.
Assim podemos agora, analisar este 7(sete) grupos de Leis dadas ao povo através de Moisés na quinta subida:
Grupo 01: Leis contra a Idolatria e a questão dos Altares
Grupo 02: Leis acerca dos Servos
Grupo 03: Leis acerca da Violência
Grupo 04: Leis acerca de Danos causados por Animais
Grupo 05: Leis acerca de Propriedades e dos Furtos
Grupo 06: Leis Morais, Civis, Religiosas e Humanitárias.
Grupo 07: Leis acerca das Festas Fixas do Senhor
6.5.1- Grupo 01: Leis contra a Idolatria e a questão dos Altares
Leis relacionadas a uma correta relação para com Deus. Isto parece indicar que sem uma correta relação com Deus não há como se ter uma correta relação com os homens. Ou seja, temos aqui uma “repetição” da mesma estrutura de revelação anteriormente mencionada nos 10 mandamentos.
Neste Grupo devemos atentar para três elementos importantes:
- Fazer um altar de terra e nele sacrificar ao Senhor. O conjunto de sacrifícios eram o holocausto, ofertas pacíficas e ofertas voluntárias. Altar na Bíblia significa Comunhão, intimidade.
Sempre que o povo queria renovar a sua aliança com Deus, ele fazia duas coisas: levantava um altar e sacrificava uma oferta. Levantar altar é estar na presença de Deus, é aquele momento de Comunhão com Deus, de oração, de adoração e de leitura da Palavra.
Altar também tem o sentido de memorial, de pacto, e algo que será lembrado, de mudança de vida. Todo altar que era levantado tinha um objetivo, algo teria que ser sacrificado.
A primeira vez que altar é mencionado na Bíblia encontra-se em Gên 8:20 “Edificou Noé um altar ao Senhor; e tomou de todo animal limpo e de toda ave limpa, e ofereceu holocaustos sobre o altar”.
Altar em hebraico é Mizbeach, vem da raiz de sacrifício. Era um altar erigido para sacrificar. Normalmente se levantava para fazer aliança. Qatar (heb.) Uma raiz primitiva que traz a ideia de fumegar em um lugar próximo e talvez dirigindo aos ocupantes, ou seja, transformar-se em fragrância pelo fogo (especialmente como um ato de adoração); queimar (incenso, sacrifício).
- Não podia ser de pedras lavradas, ou seja, não poderia ter o manejo humano; significando que não há nada do homem, por si mesmo, que seja aceitável a Deus.
- Não se podia subir por degraus o altar. Isto parece ser indicativo de que o sacrifício relacionado ao altar (que é uma figura da cruz no N. T.) é algo que somente o Senhor Jesus poderia fazer para expiação dos pecados humanos. Isto desconstrói a noção de justificação pelas obras.
Porém, uma vez justificados, vemos claramente uma realidade subjetiva da aplicação da cruz quanto a “rampa” de acesso ao Altar de Bronze no Templo construído por Salomão. Evidente que não se trata de justificação, mas parece conectar o Altar de Bronze com as Câmaras dos Tesouros; logo fala da formação da Vida de Cristo em nós. Para detalhamento verificar o “Resumo do Templo de Salomão”.
6.5.2- Grupo 02: Leis acerca dos Servos
A plena realidade da “Lei acerca dos servos” está contida no N.T. Aqui, vemos Leis, que nos parecem muito fortes, mas é porque naquela época ainda não havia sido, evidentemente, sido abolida a escravidão.
Assim, temos de ter em conta que neste e em pontos subsequentes haveremos de nos deparar com Leis fortes, como a Lei do Talião, porque havia uma urgência em pôr ordem a todo o tipo de barbárie que se cometiam. Deus estava limitando a barbárie.
Como sabemos que a questão exterior é proveniente do interior, vemos que as Leis exteriores tinham o firme propósito de barrar a loucura e perversão do coração humano.
Por isto que a Obra de Cristo não é de reforma ou de um Manual de bons costumes; temos a necessidade de nascer de novo e viver pela Vida de Cristo. Logo, não é à toa que estas Leis acerca de servos, venham exatamente depois das Leis acerca dos altares, bem assim as Leis que se identificam como as Leis do Talião, como veremos.
Neste Grupo devemos atentar para um elemento que se sobressai:
- O Servo de Orelha Furada: O servo era inteiramente livre quanto a tudo que lhe dizia respeito. Havia cumprido todas as exigências da lei e poderia, portanto, partir com absoluta liberdade; mas, por causa do amor à sua mulher, ao seu amo e aos seus filhos submetia-se à servidão perpétua; e não somente isto, queria levar também no seu corpo as marcas dessa servidão.
O Verdadeiro Servo. O leitor inteligente reconhecerá facilmente como tudo isto tem aplicação ao Senhor Jesus Cristo. N’Ele vemos Aquele que estava no seio do Pai antes que existissem todos os mundos—o objeto das Suas delícias eternas — e que podia ter ocupado este lugar por toda a eternidade, sendo o Seu lugar pessoal e inteiramente peculiar, tanto mais que nada o obrigava a abandoná-lo, salvo esta obrigação que o amor inefável criara e inspirara.
Mas era tal o Seu amor para com o Pai, cujos desígnios buscavam incluir a Igreja coletivamente e cada membro dela individualmente, cuja salvação estava em causa, que veio ao mundo, voluntariamente, humilhando-Se a Si Mesmo, tomando a forma de servo e as marcas de serviço perpétuo sobre Si.
No Salmo 40 faz-se provavelmente uma alusão a estas marcas: “…as minhas orelhas furaste”. Este Salmo é a expressão do afeto de Cristo por Deus. “Então disse: Eis aqui venho; no rolo do livro está escrito de mim: Deleito-me em fazer a tua vontade, ó meus Deus; sim a tua lei está dentro do meu coração” (versículos 7 e 8).
Desta forma temos no servo hebraico uma figura de Cristo em Seu afeto ao Pai. Porém há alguma coisa mais do que isto: “Eu amo a minha mulher e a meus filhos. “”Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, para a santificar, purificando-a com lavagem da água, para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível” (Ef 5:25 -27).
Existem outras passagens das Escrituras que nos apresentam Cristo como antítipo do servo hebraico, tanto no Seu amor pela Igreja, como corpo, como para com todos os crentes, individualmente. O leitor encontrará ensino sobre este ponto nos capítulos 13 de Mateus, 10 e 13 de João e 2 de Hebreus.
No antigo Israel, os escravos hebreus, pagavam suas dívidas através do trabalho. A força, os sonhos, toda a vida eram dedicados ao seu senhor. Em Êxodo, vemos uma determinação divina para que os escravos fossem libertos no sétimo ano de serviço: “Quando você adquirir um escravo hebreu, ele servirá seis anos; no sétimo ano ele sairá livre, sem pagamento.” (Êxodo 21:2). O regime de escravidão no mundo hebreu, existia por dois principais motivos: pobreza extrema e dívidas.
Alguns escravos se apegavam tanto a seus senhores que poderiam optar por voluntariamente se entregarem como escravos daqueles senhores até o final de suas vidas, sem volta para a liberdade. Como um sinal da entrega, esses escravos furavam a orelha.” Então, o seu senhor o levará aos juízes, e o fará chegar à porta ou à ombreira, e o seu senhor lhe furará a orelha com uma sovela; e ele o servirá para sempre”, Êxodo 21:6. Escravos de orelha furada simbolizavam uma união de serviço e amor.
Um detalhe, é que escravos hebreus nunca eram chamados de escravos, mas servos. Escravos, sem direito a liberdade eram os não-judeus, especialmente os cananeus. Não se sabe ao certo porque as leis de escravidão eram mais rígidas para estrangeiros, o certo é que tanto judeus, como não judeus, falharam gravemente no modo de tratar seus servos e escravos. No livro do profeta Jeremias (Capitulo 34) Deus adverte: “Vós resistis em libertar seus servos”.
O mundo físico e espiritual também forma seus escravos e resiste em libertá-los e Deus nos convida através de Seu Filho Jesus a sermos servos. Esta servidão é o oposto da escravidão que exaure as forças humanas em causa alheia. Nós nos entregamos a Jesus, como Senhor porque Ele pagou nossas dívidas, nos tornando livres do opressor. Este é o que oprime em carga de culpa e infelicidade, aprisionando a alma em serviço de delito a liberdade. Jesus é a nossa liberdade.
Podemos imaginar os servos israelitas andando no meio do seu povo, com orelhas furadas? Sem emitir som, ou gesto, sem alarde, todos identificavam: “Eis um escravo, quem é teu senhor?” Assim se faz ao cristão, suas obras o denunciam: “Já estou crucificado com Cristo; e vivo não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne; vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou e se entregou a si mesmo por mim” Gl 2:20. Devemos nos lembrar do profeta Eliseu. A sunamita o recebia em sua casa para alimentar-lhe, seu comportamento chamou-lhe à atenção: “E ela disse a seu marido: Eis que tenho observado que este que sempre passa por nós é um santo homem de Deus” II Rs 4:9. O servo de Cristo, deixa sua marca por onde passa.
6.5.3- Grupo 03: Leis acerca da Violência; A Lei do Talião
6.5.3.1- Origem da lei
Na verdade, esse princípio não nasce com o texto bíblico, pois o encontramos fora da Bíblia, antes que ela fosse escrita. De fato, no Código de Hamurabi (lista de leis elaboradas por Hamurabi cerca de 1700 anos antes de Cristo) já aparece escrito que a pena para um crime é, normalmente, idêntica ao dano provocado. A pena, por exemplo, para um homicídio é a morte: se a vítima, porém, é o filho de um outro homem, será dado à morte o filho do assassino; se é um escravo, o homicida pagará uma multa, correspondente ao preço do escravo assassinado.
6.5.3.2- O nome “talião”
O termo “lei do talião” não aparece nem na Bíblia e nem no Código de Hamurabi. Deriva da expressão latina lex talionis (Lei do Talião). O termo “talião” vem do latim “talis” (tal) que significa “idêntico” ou “semelhante”.
Portanto a pena para os crimes aos quais se aplica essa lei não é uma pena equivalente, mas idêntica, semelhante. Trata-se da primeira tentativa de controlar a vingança, estabelecendo uma proporção entre o dano recebido num crime e o dano produzido com o castigo.
6.5.3.3- Jesus e a lei do talião
A lei do talião é transformada por Jesus. Ele diz em Mateus 5,38-42:
“Ouviste o que foi dito: olho por olho e dente por dente. Eu, porém, vos digo: não resistais ao homem mau; antes, àquele que te fere na face direita oferece-lhe também a esquerda; e àquele que quer pleitear contigo, para tomar-te a túnica, deixa-lhe também o mando; e se alguém te obriga a andar uma milha, caminha com ele duas. Dá ao que te pede e não voltes as costas ao que te pede emprestado.”
Neste Grupo devemos atentar para alguns elementos importantes:
- No versículo 13 já vemos a designação do que seria depois instituído formalmente: as Cidades de Refúgio. Vejamos alguns dos textos bíblicos a elas relacionado:
“Porém, se não lhe armou ciladas, mas Deus lhe permitiu caísse em suas mãos, então, te designarei um lugar para onde ele fugirá.” Ex 21:13
“Disse mais o SENHOR a Moisés: Fala aos filhos de Israel e dize-lhes: Quando passardes o Jordão para a terra de Canaã, escolhei para vós outras cidades que vos sirvam de refúgio, para que, nelas, se acolha o homicida que matar alguém involuntariamente.
Estas cidades vos serão para refúgio do vingador do sangue, para que o homicida não morra antes de ser apresentado perante a congregação para julgamento. As cidades que derdes serão seis cidades de refúgio para vós outros.
Três destas cidades dareis deste lado do Jordão e três dareis na terra de Canaã; cidades de refúgio serão. Serão de refúgio estas seis cidades para os filhos de Israel, e para o estrangeiro, e para o que se hospedar no meio deles, para que, nelas, se acolha aquele que matar alguém involuntariamente.
Todavia, se alguém ferir a outrem com instrumento de ferro, e este morrer, é homicida; o homicida será morto. Ou se alguém ferir a outrem, com pedra na mão, que possa causar a morte, e este morrer, é homicida; o homicida será morto.
Ou se alguém ferir a outrem com instrumento de pau que tiver na mão, que possa causar a morte, e este morrer, é homicida; o homicida será morto. O vingador do sangue, ao encontrar o homicida, matá-lo-á. Se alguém empurrar a outrem com ódio ou com mau intento lançar contra ele alguma coisa, e ele morrer, ou, por inimizade, o ferir com a mão, e este morrer, será morto aquele que o feriu; é homicida; o vingador do sangue, ao encontrar o homicida, matá-lo-á.
Porém, se o empurrar subitamente, sem inimizade, ou contra ele lançar algum instrumento, sem mau intento, ou, não o vendo, deixar cair sobre ele alguma pedra que possa causar-lhe a morte, e ele morrer, não sendo ele seu inimigo, nem o tendo procurado para o mal, então, a congregação julgará entre o matador e o vingador do sangue, segundo estas leis, e livrará o homicida da mão do vingador do sangue, e o fará voltar à sua cidade de refúgio, onde se tinha acolhido; ali, ficará até à morte do sumo sacerdote, que foi ungido com o santo óleo. Porém, se, de alguma sorte, o homicida sair dos limites da sua cidade de refúgio, onde se tinha acolhido, e o vingador do sangue o achar fora dos limites dela, se o vingador do sangue matar o homicida, não será culpado do sangue. Pois deve ficar na sua cidade de refúgio até à morte do sumo sacerdote; porém, depois da morte deste, o homicida voltará à terra da sua possessão.
Estas coisas vos serão por estatuto de direito a vossas gerações, em todas as vossas moradas. Todo aquele que matar a outrem será morto conforme o depoimento das testemunhas; mas uma só testemunha não deporá contra alguém para que morra.
Não aceitareis resgate pela vida do homicida que é culpado de morte; antes, será ele morto. Também não aceitareis resgate por aquele que se acolher à sua cidade de refúgio, para tornar a habitar na sua terra, antes da morte do sumo sacerdote.
Assim, não profanareis a terra em que estais; porque o sangue profana a terra; nenhuma expiação se fará pela terra por causa do sangue que nela for derramado, senão com o sangue daquele que o derramou. Não contaminareis, pois, a terra na qual vós habitais, no meio da qual eu habito; pois eu, o SENHOR, habito no meio dos filhos de Israel.” Nm 35:10-34
“Disse mais o SENHOR a Josué: Fala aos filhos de Israel: Apartai para vós outros as cidades de refúgio de que vos falei por intermédio de Moisés; para que fuja para ali o homicida que, por engano, matar alguma pessoa sem o querer; para que vos sirvam de refúgio contra o vingador do sangue.
E, fugindo para alguma dessas cidades, pôr-se-á à porta dela e exporá o seu caso perante os ouvidos dos anciãos da tal cidade; então, o tomarão consigo na cidade e lhe darão lugar, para que habite com eles. Se o vingador do sangue o perseguir, não lhe entregarão nas mãos o homicida, porquanto feriu a seu próximo sem querer e não o aborrecia dantes.
Habitará, pois, na mesma cidade até que compareça em juízo perante a congregação, até que morra o sumo sacerdote que for naqueles dias; então, tornará o homicida e voltará à sua cidade e à sua casa, à cidade de onde fugiu.
Designaram, pois, solenemente, Quedes, na Galileia, na região montanhosa de Naftali, e Siquém, na região montanhosa de Efraim, e Quiriate-Arba, ou seja, Hebrom, na região montanhosa de Judá.
Dalém do Jordão, na altura de Jericó, para o oriente, designaram Bezer, no deserto, no planalto da tribo de Rúben; e Ramote, em Gileade, da tribo de Gade; e Golã, em Basã, da tribo de Manassés.
São estas as cidades que foram designadas para todos os filhos de Israel e para o estrangeiro que habitava entre eles; para que se refugiasse nelas todo aquele que, por engano, matasse alguma pessoa, para que não morresse às mãos do vingador do sangue, até comparecer perante a congregação.” Js 20:1-9
6.5.3.4- Cidades de Refúgio
Este tema deve ser estudado de forma mais ampla quando analisamos o resumo sobre “As Cidades dos Levitas”, uma vez que as Cidades de Refúgio eram parte das Cidades a eles designadas por Deus.
Em primeiro lugar devemos analisar a conhecida Lei do talião; uma das mais antigas leis existentes, que consiste na justa reciprocidade do crime e da pena. Esta lei é frequentemente simbolizada pela expressão olho por olho, dente por dente. Seu nome se deriva do latim Lex Talionis, que poderia ser traduzido com “Lei do tal qual”.
Os primeiros indícios extra bíblicos da Lei do talião foram encontrados no Código de Hamurabi, em 1730 a.C., no reino da Babilônia. Essa lei permite evitar que as pessoas façam justiça elas mesmas, introduzindo, assim, um início de ordem na sociedade com relação ao tratamento de crimes e delitos.
Apesar de muitos acreditarem que tal lei incentivava a vingança, a verdade é que ela objetivava impor limites à vingança. Ninguém poderia causar ao seu ofensor um dano maior do que havia sofrido. Se perdera um olho, não poderia requerer dois olhos, e assim por diante.
Encerra a ideia de correspondência de correlação e semelhança entre o mal causado a alguém e o castigo imposto a quem o causou: para tal crime, tal e qual pena.
E quando o dano não era premeditado? Por exemplo, quando se tirava a vida de alguém acidentalmente. Como deveria ser o procedimento?
A distinção entre crime culposo e crime doloso pode ser encontrada nas páginas das Escrituras. O crime doloso é aquele em que a pessoa tinha o firme propósito de matar (assassinato). Houve premeditação, planejamento. Já no crime culposo não há a intenção, porém, permanece a culpa.
14.1- Como a Lei Mosaica lidava com esta distinção?
Em Números 35 lemos que Deus ordenou a Moisés que separasse seis cidades para que se tornassem refúgio para pessoas que houvessem cometido um crime acidental.
De acordo com a Lei, se uma pessoa fosse assassinada, sua família constituía um dos seus membros como “vingador do sangue”, a quem cabia encontrar o homicida, e requerer o sangue da vítima.
Mas se o homicídio fosse sem dolo, o homicida podia buscar asilo em uma dessas cidades refúgio. Enquanto estivesse ali, o vingador do sangue não poderia matá-lo. Ele estava protegido, à espera de um julgamento imparcial.
Era uma espécie de habeas corpus. Em vez de ser preso ou morto, o homicida acidental era mantido em liberdade, porém, restrito aos limites da cidade refúgio. Se ele saísse, já não teria qualquer proteção contra o vingador do sangue.
A Lei previa que se o Sumo Sacerdote morresse, o réu estaria livre para deixar a cidade refúgio e voltar para o seio de sua família, pois seu crime teria prescrevido.
O cargo de Sumo Sacerdote era vitalício, e, portanto, geralmente demorava anos até que ele morresse, e assim, o réu pudesse ser liberado sem qualquer pena a cumprir. Era o tempo necessário para que o crime prescrevesse.
Ora, sabemos que a Lei Mosaica continha sombras e tipos de uma realidade que só se manifestaria com a chegada de Cristo ao Mundo.
Esta lei, em particular, é rica em analogias à obra realizada por Cristo. Todos somos igualmente réus perante o tribunal de Deus. E mais: somos considerados homicidas. Aos olhos de Deus, homicida não é apenas aquele que tira a vida de seu semelhante, mas também aquele que nutre ódio em seu coração (1 Jo.3:15).
Assim como Paulo, que antes de tornar-se apóstolo, era “blasfemo e perseguidor e injuriador” (1 Tm.1:13), nós também alcançamos misericórdia, porque tudo o que fizemos e todo sentimento maligno que nutrimos anteriormente, foi “ignorantemente, na incredulidade” (v.14).
Quando Cristo, ao ser crucificado suplicou, dizendo: “Pai, perdoa-os, porque não sabem o que fazem”, estava pensando em cada um de nós. Estávamos todos “separados da vida de Deus pela ignorância” (Ef.4:18). Nesse estado, aonde poderíamos nos refugiar? O que poderia representar as “cidades refúgio”?
O apóstolo Paulo afirma que antes que Cristo viesse, “estávamos guardados debaixo da lei” (Gl.3:23). A mesma lei que nos acusava, também nos protegia. Quantas vezes a mesma polícia que prende o autor de um crime, o defende para que não seja linchado pela turba revoltada?
A Lei Mosaica com seus rituais, cerimônias, festas, tinha como objetivo nos dar refúgio, enquanto ainda pesasse qualquer acusação contra nós perante o Juiz Divino. Porém, há que se observar um detalhe determinante para entendermos melhor a alegoria proposta nesta lei: A morte do Sumo Sacerdote liberava o réu de todas as acusações. Quem é o nosso Sumo Sacerdote?
“Convinha-nos tal sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores, e feito mais sublime do que os céus. ” Hebreus 7:26
Quem seria o tal sumo sacerdote “mais sublime que os céus?” O mesmo autor responde: “Visto que temos um grande sumo sacerdote, Jesus, o Filho de Deus” (Hb.4:14).
Ao morrer naquela cruz, Cristo, nosso Sumo Sacerdote, nos libertou de todas as acusações que pesavam contra nós. Estamos, finalmente, livres!
“Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam debaixo da lei.” Gálatas 4:4-5
6.5.3.5 – Diante disso, por que permaneceríamos refugiados?
O texto em Números diz que Moisés foi orientado por Deus a separar seis cidades para refúgio, sendo três aquém do Jordão, e as outras três do outro lado, já na terra prometida.
Observe ainda que Hebreus 07 estabelece a Jesus como Aquele que é o Verdadeiro Sumo Sacerdote que foi estabelecido segundo “o poder de uma Vida indissolúvel”, ou seja, Ele não morre, porque Ele É!
A Lei previa que se o Sumo Sacerdote morresse, o réu estaria livre para deixar a cidade refúgio e voltar para o seio de sua família, pois seu crime teria prescrevido.
O cargo de Sumo Sacerdote era vitalício, e, portanto, geralmente demorava anos até que ele morresse, e assim, o réu pudesse ser liberado sem qualquer pena a cumprir. Era o tempo necessário para que o crime prescrevesse.
Ora, se Nosso Sumo Sacerdote não morre, pois tem o Poder de uma Vida indissolúvel isto significa que devemos ficar na Cidade de Refúgio. Daí três coisas se depreendem:
- Ele é o nosso refúgio. A penalidade está PAGA!
2- Qual seria o significado em permanecer nestas Cidades de Refúgio?
3- E quanto ao “vingador de sangue”? Uma vez que já não resta acusação contra nós, estamos definitivamente livres; livres para viver naquilo que significam os nomes das Cidades-Refúgio.
6.5.3.6- O SENTIDO FIGURADO DAS CIDADES DE REFÚGIO (Js 20.7,8)
Deus muito se utilizou de linguagem figurada para ensinar ao seu povo. Nas cidades de refúgio encontramos diversas figuras que são aplicadas a Cristo e à vida cristã.
1. Cades ou Quedes: santificação para o impuro (Js 20.7). No original, o termo “Quedes” significa “santo” ou “santuário”. O nome desta cidade ilustra perfeitamente o que Cristo é para nós: nosso santo refúgio. Jesus é santo e santificador dos que dEle se achegam (At 3.14; 4.27; 1 Co 1.30; Hb 13.12). Ele é o “cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29; Hb 1.3). É a sua santidade que nos assegura a salvação eterna (Hb 2.17,18; 4.14-16).
2. Siquém: lugar para o cansado (Js 20.7). Siquém no original significa “ombro” ou “costas”. O ombro é a parte superior do braço (Jó 31.22) que tem força para suportar peso (Js 4.5; Is 10.27). Assim como Siquém, Jesus é o refúgio para o cansado e oprimido (Mt 11.28). Ele é o bom pastor que carrega a ovelha ferida sobre os seus ombros (Lc 15.5). Devemos lembrar que o Sumo Sacerdote carregava os filhos de Israel nos ombros através da inscrição de seus nomes na pedra de ônix, sendo seis nomes em cada um dos ombros.
3. Hebrom: lugar de comunhão (Js 20.7). O termo Hebrom significa “comunhão” ou “associação”. Esta cidade foi designada para ser um refúgio para o desamparado e solitário. Jesus é o refúgio seguro para o desamparado. Seu sangue nos aproximou de Deus, garantindo-nos todas as beatitudes salvíficas (Ef 2.11-19; Cl 1.21-23; 1 Jo 1.3). Ele nos reconciliou com Deus (2 Co 5.18), com o Espírito Santo (2 Co 13.13), e uns com os outros (1 Jo 1.7). Já não somos mais solitários, desamparados, pois habitamos em família (Ef 2.19). Glória a Deus!
4. Bezer: lugar de refúgio para o fraco (Js 20.8). De acordo com o original, Bezer significa “fortaleza”. Essa cidade era uma fortaleza para o homicida involuntário. Semelhantemente, Cristo é o nosso abrigo (Sl 91.9), fortaleza (Sl 91.2) e proteção (Sl 119.14). Nele temos segurança e força para enfrentar todas as adversidades da vida (Sl 9.9; Ef 6.13).
5. Ramote: lugar de refúgio para os humilhados (Js 20.8). Ramote no original quer dizer “exaltação”, “elevação”. Assim como Ramote, Jesus é o nosso lugar de elevação. Ele foi humilhado até a morte (Fp 2.7,8; Hb 2.7), mas, Deus o exaltou soberanamente (Fp 2.9-11; Hb 2.8,9). A Bíblia afirma que, excetuando o pecado, em tudo o Mestre amado foi semelhante aos “irmãos”, por isso “pode socorrer aos que são tentados”, e exaltá-los. Ele é o nosso sumo sacerdote fiel e misericordioso (Hb 2.17,18). Nele encontramos paz, esperança e segurança. Portanto, não temas! O Senhor exalta os abatidos (Is 57.15; 66.2; Mt 23.12; Lc 14.11; 18.14).
6. Golã: lugar de refúgio para os tristes (Js 20.8). A pessoa que fugia para uma cidade de refúgio estava aflita e triste. O significado da palavra no original tem haver com exílio ou círculo. Isto fala de refúgio através da Aliança. Evidente que isto reporta a circuncisão, a marca distintiva daqueles que são de Cristo. O termo “tristeza” tanto no Antigo quanto em o Novo Testamento tem o sentido de “labor”, “dor”, ou “lamento por algo negativo” (Gn 3.16; Sl 127.2; Mt 14.9). Cristo é o nosso refúgio contra a tristeza (Rm 14.17; Gl 5.22).
Retornando a Êxodo…
- No versículo 22 a 25 temos a tão conhecida expressão da assim chamada Lei do Talião: “olho por olho, dente por dente…”. Porém é necessário observar que aqui o que se define não é a permissão de matar ou ferir na mesma proporção (somente), mas o fato preponderante é que o Senhor está estabelecendo uma justiça retributiva, pois o contexto é de indenização, de restituição.
Isto é significativo, pois sabemos que nós éramos, por natureza, inimigos de Deus”. Logo, a justa retribuição a que tínhamos direito era a penalidade de morte. Mas “Ele se fez pecado no nosso lugar para que Nele fossemos feitos Justiça de Deus”. Daí a explicação de que o Sermão na Montanha não trata de outra coisa senão a não retribuir o mal sofrido, ou a penalidade sofrida nem na mesma proporção, nem mesmo buscando restituição.
“Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem…” Não é a falta de perdão uma maneira de mantermos “presa” a pessoa que cometeu o delito contra nós mesmos? É, na verdade, uma forma de penalidade indireta, que traz o “espírito da lei do talião”, sem no entanto, se manifestar de forma tão evidente como proporção de vingança manifesta pelo mesmo.
Cabe ressaltar que em Gn 4:23-24 temos o que poderíamos chamar de forma parafraseada a “Geração Lameque” que praticava atos absurdos de violência, sem absolutamente nenhuma correspondência com a eventual penalidade sofrida, ou seja, havia uma desproporção total entre o dano sofrido e o dano causado em retribuição a este.
6.5.4- Grupo 04: Leis acerca dos Danos causados por Animais
Interessante notar neste ponto que os reinos deste mundo são comparados à animais; isto ocorre tanto em Daniel capítulo 02 quanto no capítulo 09. É significativo notar que o Senhor tenha se preocupado com coisas tão minuciosas, não fosse o fato de possivelmente elas trazerem consigo algum ensino espiritual correlacionado ao item acima mencionado.
- No versículo 32 temos a menção do preço de um escravo. As 30 (trinta) moedas de prata foram o preço que estabeleceram aqueles que condenaram e traíram Jesus. É interessante notar as passagens a ela correlacionadas e anteriormente profetizada.
“Assim diz o SENHOR, meu Deus: Apascenta as ovelhas destinadas para a matança. Aqueles que as compram matam-nas e não são punidos; os que as vendem dizem: Louvado seja o SENHOR, porque me tornei rico; e os seus pastores não se compadecem delas.
Certamente, já não terei piedade dos moradores desta terra, diz o SENHOR; eis, porém, que entregarei os homens, cada um nas mãos do seu próximo e nas mãos do seu rei; eles ferirão a terra, e eu não os livrarei das mãos deles.
Apascentai, pois, as ovelhas destinadas para a matança, as pobres ovelhas do rebanho. Tomei para mim duas varas: a uma chamei Graça, e à outra, União; e apascentei as ovelhas. Dei cabo dos três pastores num mês. Então, perdi a paciência com as ovelhas, e também elas estavam cansadas de mim.
Então, disse eu: não vos apascentarei; o que quer morrer, morra, o que quer ser destruído, seja, e os que restarem, coma cada um a carne do seu próximo.
Tomei a vara chamada Graça e a quebrei, para anular a minha aliança, que eu fizera com todos os povos.
Foi, pois, anulada naquele dia; e as pobres do rebanho, que fizeram caso de mim, reconheceram que isto era palavra do SENHOR. Eu lhes disse: se vos parece bem, dai-me o meu salário; e, se não, deixai-o. Pesaram, pois, por meu salário trinta moedas de prata.
Então, o SENHOR me disse: Arroja isso ao oleiro, esse magnífico preço em que fui avaliado por eles. Tomei as trinta moedas de prata e as arrojei ao oleiro, na Casa do SENHOR.” Zc 11:4-13.
“Ao romper o dia, todos os principais sacerdotes e os anciãos do povo entraram em conselho contra Jesus, para o matarem; e, amarrando-o, levaram-no e o entregaram ao governador Pilatos. Então, Judas, o que o traiu, vendo que Jesus fora condenado, tocado de remorso, devolveu as trinta moedas de prata aos principais sacerdotes e aos anciãos, dizendo:
Pequei, traindo sangue inocente. Eles, porém, responderam: Que nos importa? Isso é contigo. Então, Judas, atirando para o santuário as moedas de prata, retirou-se e foi enforcar-se. E os principais sacerdotes, tomando as moedas, disseram: Não é lícito deitá-las no cofre das ofertas, porque é preço de sangue.
E, tendo deliberado, compraram com elas o campo do oleiro, para cemitério de forasteiros.
Por isso, aquele campo tem sido chamado, até ao dia de hoje, Campo de Sangue. Então, se cumpriu o que foi dito por intermédio do profeta Jeremias: Tomaram as trinta moedas de prata, preço em que foi estimado aquele a quem alguns dos filhos de Israel avaliaram; e as deram pelo campo do oleiro, assim como me ordenou o Senhor.” Mt 27:1-10.
6.5.5- Grupo 05: Leis acerca da Propriedades, acerca dos Furtos
Neste grupo Deus está tratando de ensinar a não roubar, a ser honesto, como se deve tratar as coisas: se te confiam algo, se se encontra algo, se te emprestam algo; não roubar, ser honesto em todas as coisas e com todas as pessoas.
Neste Grupo devemos atentar para alguns elementos importantes:
- Em Ex 22:2 vemos um episódio em que o arrombador da casa foi ferido e morreu. No entanto, diferente do que parece em Ex 20:6, aquele que o feriu não seria declarado culpado. Evidentemente que, no contexto do ensino bíblico do N.T., não se trata de se ter permissão para matar. Na verdade, a expressão no hebraico para Ex 20:6 é “assassinar”, que denota algo premeditado e feito de forma voluntária e não involuntária. De outro lado, no N. T. somos instruídos a não pagar “mal com mal, mas vencer o mal com o bem…”. Mas, nota-se neste ponto, assim como em todo o Sermão da Montanha, que Deus vê a intenção do coração, a motivação. Só Ele sabe o interior do coração dos homens.
- A restituição do que se roubava se dava em 100%, ou seja, a restituição era feita em dobro daquilo que se havia subtraído de outrem. Aqui temos a história de Zaqueu que, sendo publicano e rico, restituiu quatro vezes àqueles a quem porventura houvesse defraudado.
6.5.6- Grupo 06: Leis Morais, Civis, Religiosas e Humanitárias
Este grupo de Leis se encontram no livro de Êxodo 22:16 a 23:13. São Leis que, dentre outras coisas abordam questões ligadas a:
- Contato com o mundo espiritual fora da Palavra de Deus – Ex 22:18
- Perversão sexual manifesta por meio de relacionamento sexual com animais – Ex 22:19
- Idolatria e sacrifício a ídolos/demônios – Ex 22:20
- Cuidado com órfãos, viúvas e estrangeiros – Ex 22:21-24
- Oposição a emprestar a juros para pobres e para o povo de Deus – Ex 22:25
- Restituição de penhor – Ex 22:26-27
- Pecados de blasfêmia contra Deus – Ex 22:28
- Ordenações com respeito a ofertas ao Senhor – Ex 22:29-30
- Regras alimentares – Ex 22:31
- Leis acerca do falso testemunho e a injúria – Ex 23:1-3
- Leis acerca da responsabilidade dos juízes – Ex 23:6-9
- Leis acerca do Ano de Descanso – Ex 23:10-11
- Leis acerca do Sábado – Ex 23:12-13
Explicação Detalhada:
O roubo (22.1-4). Bois e ovelhas são usados como exemplos de roubo, porque eram animais muito comuns. O texto não indica a razão de pagar cinco bois por um boi e quatro ovelhas por uma ovelha (1). Talvez a perda de bois fosse mais grave, porque eram animais utilizados no trabalho, ao passo que as ovelhas eram criadas para o fornecimento de lã e carne.
Minar (2) era a ação de cavar uma parede de barro em propriedade alheia. Se o intruso fosse pego no ato e morto, não haveria culpa a quem o matasse. Tratava-se de homicídio justificável. Se houvesse decorrido tempo, como dão a entender as palavras se o sol houver saído sobre ele (3), então matar o ladrão não seria justificável e tal assassinato estaria sujeito à pena.”
É possível que o significado desta cláusula seja que não havia culpa matar o ladrão à noite, mas que constituía delito fazê-lo durante o dia. Em todo caso, se o ladrão vivesse, teria de fazer restituição total ou, se não pudesse pagar, seria vendido como escravo (3).
Se o ladrão não tinha matado ou vendido o animal que roubara, ele poderia fazer restituição pagando em dobro (4) em vez de quatro ou cinco vezes mais (1). Neste caso, ele devolveria o animal roubado e acrescentaria mais um.
A violação dos direitos de propriedade (22.5). Embora pareça que em certas áreas os animais tinham liberdade de andar a esmo (21.33-36), também havia campos ou vinhedos particulares onde era proibido entrar. Os hebreus reconheciam terras particulares e propriedades privadas. Se alguém propositalmente deixasse o gado pastar na vinha ou campo de outra pessoa, ele teria de reembolsar com o melhor produto do seu campo e vinha.
O fogo (22.6). Em certos períodos do ano, as pessoas juntavam mato seco nos campos para queimar. Se por descuido, o fogo se espalhasse e queimasse os grãos estocados ou empilhados nos campos, o indivíduo que acendeu o fogo tinha de pagar por completo o que fora queimado. Estas normas ensinavam o cuidado e promoviam o respeito pelos direitos de propriedade dos outros.
Os bens sob custódia (22.7-13). Nas sociedades primitivas, onde não se conheciam transações bancárias, era costume deixar bens nas mãos de outras pessoas. Em tais casos, havia necessidade de leis protetoras. Se dinheiro ou bens entregues aos cuidados de outrem fossem roubados por um ladrão, o culpado, depois de capturado, teria de pagar o dobro (7).
Se o ladrão não fosse encontrado, o depositário dos valores ou objetos teria de comparecer perante os juízes para que o caso fosse resolvido (8). A palavra traduzida por juízes poderia ter sido vertida por “Deus”, embora o contexto indique o sentido de juízes que agem como representantes ou agentes de Deus.
O versículo 9 explica o que acontecia quando duas partes afirmavam ter direito ao mesmo objeto. A questão, que também poderia surgir nas circunstâncias descritas no versículo 8, quando o dono acusava o depositário de desonestidade, seria resolvida perante Deus pelos juízes. Qualquer que fosse a decisão tomada, a pessoa condenada teria de pagar o dobro à outra.
Além de bens e dinheiro, também se entregava gado aos cuidados de outra pessoa (10). Se durante o período da guarda o animal morresse ou fosse ferido ou desaparecesse, era necessário haver “um juramento diante do SENHOR” entre as partes para provar a inocência do depositário. Quando o dono aceitava esse juramento, não havia restituição.
Se durante a guarda o animal fosse furtado, teria de haver restituição (12). Esta regra era diferente da lei relativa à questão do dinheiro ou bens descritos no versículo 7. Havia o pressuposto de que os pastores, quando responsáveis, poderiam evitar o roubo de animais, ao passo que dinheiro era tomado com mais facilidade.
Se o animal fosse morto por outro, a pessoa incumbida de guardar o animal estaria livre da culpa se pudesse mostrar o animal morto como evidência (13). O pastor alerta talvez não evitasse o ataque de um animal selvagem, mas poderia recuperar parte da carcaça como prova. Neste caso, não haveria necessidade de restituição.
O empréstimo (22.14,15). A pessoa era responsável pelo que pedira emprestado. Se o animal emprestado fosse ferido ou morresse e o dono não estivesse presente, o tomador do empréstimo teria de fazer plena restituição (14). Se o dono estivesse presente quando o animal fosse ferido ou morresse, não haveria restituição (15). Estar presente o tornava responsável mesmo quando outra pessoa estivesse usando o animal.
A questão era diferente quando se tratava de algo alugado. “O contratante não deveria compensar pelo dano da coisa alugada, visto que o risco de dano poderia ter sido levado em conta no cálculo da quantia do aluguel.” As palavras serão pelo seu aluguel podem ser traduzidas por: “O dano está incluso no aluguel”.
A sedução de uma virgem (22.16,17). A sedução de uma virgem era uma forma de roubo. O pai esperava que o casamento da filha lhe trouxesse um dote. Se um homem a seduzisse (com o consentimento dela) e tivesse relações sexuais, ele teria de pagar o dote e a tomar por esposa (16).
Se o pai lhe recusasse a permissão de ser esposa do sedutor, como pena o culpado teria de dar dinheiro conforme ao dote das virgens (17). O registro bíblico não diz qual era a quantia. Supomos que era maior que o dote de esposa.’ Este ato não era considerado transgressão do mandamento de não cometer adultério, mas do mandamento de não roubar.
6.5.6.1- Outros Crimes Puníveis com a Morte (22.18-20)
Feiticeira (18) era a mulher que praticava feitiçaria, ação de confiar em espíritos malignos.’ Esta norma não validava a realidade de comunicação genuína com espíritos malignos, mas condenava a provocação que a feitiçaria representava à fé no verdadeiro Deus. Esta prática causava ferimentos físicos e perdas na vida das pessoas. A feiticeira preparava medicamentos com mistura de ervas e, assim, tornava-se preparadora de compostos venenosos.” Se tal pessoa persistisse nestas práticas profanas e perigosas deveria ser morta.
Relações sexuais com animais (19) eram prática frequente nas religiões pagãs. Israel não poderia tolerar semelhante perversidade, por isso o ofensor teria de ser morto.
O código mosaico (Dt 13.1-16) condenava cabalmente o reconhecimento de falsos deuses (20). Deus não teria rivais; os israelitas tinham de abandonar toda semelhança de falsa adoração. Em Israel, quem incentivasse ou perpetuasse objetos da religião pagã teria de ser totalmente destruído.
6.5.6.2- Vários (22.21-31)
Contra a opressão (22.21-24). O povo de Deus não deveria oprimir ou atormentar o estrangeiro (21). Os israelitas não podiam esquecer que foram estrangeiros na terra do Egito. O Pai Celestial sempre considera odioso maltratar os estrangeiros.
Deus tinha compaixão especial pela viúva e pelo órfão (22). Os ouvidos divinos estavam perfeitamente afinados ao clamor aflito dessas pessoas (23). Quem afligisse esses desafortunados sofreria sob a ira de Deus (24). Este homem malvado seria morto e sua esposa e filhos, abandonados.
A história da punição de Israel às mãos dos babilônios reflete o cumprimento deste malefício. É interessante reparar que estas transgressões de Israel foram castigadas mais diretamente por Deus mediante nações inimigas do que pelas pessoas em Israel investidas de poder. Não há que duvidar que transgressões como estas eram cometidas com mais frequência pelas próprias pessoas em Israel que detinham o poder de administrar justiça.
O empréstimo (22.25-27). Deus tinha consideração pelos pobres e proibia os ricos de tirar vantagem deles. Quando o pobre tivesse de obter um empréstimo (um adiantamento salarial para comprar comida), não deveria ser cobrado usura (25, juros).
Aqui não é tratada a ideia de juros nos empréstimos comerciais, pois esta prática foi uma evolução posterior. Se o credor levasse uma peça de roupa como penhor, teria de devolvê-la ao anoitecer (26). Esta roupa era uma capa exterior, larga e esvoaçante, desnecessária durante o dia, mas usada especialmente pelos nômades para dormir nas noites frias (27). Reter tal penhor e causar sofrimento ao pobre que não podia pagar traria o desfavor de Deus. Ele é misericordioso (compassivo) e espera que seu povo tenha espírito semelhante.
As obrigações para com Deus (22.28-31). A palavra juízes (28) neste contexto também pode ser traduzida por “Deus”. “Os israelitas deviam desprezar os deuses estrangeiros (Is 41.29; 44.9-20). Ninguém deveria insultar Deus ou os juízes devidamente escolhidos, nem deveria maldizer o príncipe dentre o povo. O príncipe era a pessoa mais importante de cada tribo, sendo considerada representante de Deus.
Era falta comum demorar dar a Deus a parte que lhe cabia das primícias ou primeiros frutos (29). Esta ordem exigia levar imediatamente a Deus em sacrifício o que Ele afirmara lhe pertencer. Licores é mais bem traduzido por “o que sai pelo escoadouro das vossas prensas”.
Em 13.12, registra-se que os primogênitos pertencem ao Senhor. Tinham de ser resgatados pelo pagamento de uma soma estipulada. Os primogênitos dos bois e das ovelhas deviam ser dados em sacrifício. O prazo de espera permitido para sacrificar esses animais era os primeiros sete dias para ficarem com a mãe (30). Tratava-se de ato misericordioso à mãe do animal, que durante este período de tempo precisava do recém-nascido para ser reconfortada e recuperar a saúde. O animalzinho tinha de ser entregue ao oitavo dia.
Deus ordenou ao povo: Ser-me-eis homens santos (31). Significava essencialmente tornar-se santo de coração e espírito. Mas esta santidade interior era prognosticada pelos sinais externos da pureza de Deus. Estes homens santos não deviam comer animais despedaçados por animais selvagens no campo.
Estes animais se tornavam cerimonialmente impuros pelos animais impuros que os dilaceravam e também pelo sangue que ficava na carne. Homens santos de coração querem agir como Deus. Por essa razão, acham fácil seguir as leis claramente definidas por Deus.
Os versículos 18 a 31 mostram “A Natureza de Deus”.
1) Severa na punição do mal, 18-20;
2) Compassiva com os necessitados, 21-27;
3) Digna de respeito e obediência, 2830;
4) Expectante da santidade no seu povo, 31.
6.5.7- Grupo 07: As Leis acerca das Festas Fixas do Senhor
Exatamente no último grupo, o número sete, é sobre as Festas Fixas do Senhor. As Leis começam com Deus e terminam com Deus mesmo. Por isto, o Senhor estabelece as Leis das Festas.
Os detalhes correlacionados às Festas são analisados em detalhes no Resumo específico sobre “As Festas Fixas do Senhor” no livro de Levítico.
Deus não quer que Seu povo viva como se não existisse Deus. Por isto Ele diz:
“Três vezes no ano me celebrareis festa. Guardarás a Festa dos Pães Asmos; sete dias comerás pães asmos, como te ordenei, ao tempo apontado no mês de abibe, porque nele saíste do Egito; ninguém apareça de mãos vazias perante mim. Guardarás a Festa da Sega, dos primeiros frutos do teu trabalho, que houveres semeado no campo, e a Festa da Colheita, à saída do ano, quando recolheres do campo o fruto do teu trabalho. Três vezes no ano, todo homem aparecerá diante do SENHOR Deus.” Ex 23:14-17.
Deus desejava que Seu povo começasse a viver uma vida comunitária ao redor Dele e, portanto, Ele estabeleceu que o povo se reunisse ao Seu redor por três vezes no ano; sete Festas que se celebram em três ocasiões distintas.
O apóstolo Paulo na epístola aos Colossenses, capítulo 02, diz que aquelas eram figuras de Cristo, ou seja, Deus não podia começar a falar-lhes de Cristo diretamente, então Ele os apresenta figuras de Cristo, através destes ritos e destas festas. Todos estes ritos, todas estas festas, todo o Tabernáculo, o sacerdócio, enfim, tudo apontava para Cristo.
Ao final desta quinta subida temos um epílogo onde Deus promete a posse da Terra Prometida (Ex 23:20-33). O Anjo de Deus, que era Cristo mesmo, lhes aparece e diz que haveria de estar ao lado deles ajudando-os a alcançar a Terra Prometida. Aqui temos, em tipologia, aspectos relacionados à posse da Terra como desconstrução da vida egocêntrica, tipificada pelos povos cananeus que lá habitavam.
Este tema e estas questões estão, especificamente abordados, no Resumo sobre o livro de Juízes onde se trata de “Os nossos Inimigos Espirituais”.
6.6- O Santuário
Chegamos agora a sexta subida de Moisés. Esta sexta subida se deu em três partes. Observe como Deus vai se acercando e incorporando as pessoas, seus filhos. Assim a sexta subida de Moisés se subdivide em:
6.1- Moisés e 70 dos anciãos de Israel – Êxodo 24:9 até Êxodo 24:12
6.2- Moisés com Josué – Êxodo 24:12 até Êxodo 24:14
6.3- Moisés sobe sozinho – Êxodo 24:14 em diante.
Na primeira subida desta etapa só poderiam subir Moisés, Arão e seus filhos e 70 dos anciãos de Israel e, mesmo assim, até certo ponto, ou seja, 74 pessoas. Interessante, porque antes não podia nem um animal se aproximar, tocar o monte porque senão morreria.
Isto é altamente significativo porque é indicativo que Deus deseja se relacionar com o homem, não somente de forma individual, mas de forma coletiva.
Na segunda subida desta etapa Moisés toma a Josué que era quem o iria suceder e avança um pouquinho mais. É relevante notar que o Senhor Jesus tomou primeiro setenta, depois doze, depois somente três. Ou seja, Ele ia se revelando segundo era possível para eles compreenderem.
Na terceira subida desta etapa Moisés está só. Agora devemos notar que nesta sexta subida, dividida nestas três partes, o Senhor vai falar sete vezes a Moisés, ou seja, foram tratados sete temas por Deus nesta sexta subida.
É interessante notar que há, da parte de Deus, um desejo de revelar-Se mais, aprofundar o Seu falar, revelar Seus mistérios. São eles:
6.6.1- Temas da Sexta Subida de Moisés ao Monte Horebe
- Tabernáculo, Sacerdócio e Sacrifícios – Êxodo 25:1 até 30:11
2- O Siclo do Santuário como Preço de Resgate – Êxodo 30:11-16
3- A Bacia de Bronze – Êxodo 30:17-21
4- O Azeite da Unção – Êxodo 30:22-33
5- O Incenso – Êxodo 30:34-38
6- O Chamamento de Sábios Edificadores – Êxodo 31:1-11
7- O Sábado – Êxodo 31:12-18
6.6.1.1- Sexta Subida – Tema 01 – Tabernáculo, Sacerdócio e Sacrifícios – Ex 25:1 – 30:11.
O primeiro tema sobre o qual fala Deus nesta sexta subida é, NESTA ORDEM, a Casa, o Sacerdócio, e os Sacrifícios. Isto é extremamente relevante.
Observe o que disse o apóstolo Pedro em I Pe 2:4-5: “Chegando-vos para ele, a pedra que vive, rejeitada, sim, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa, também vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo.”. Veja a ordem segundo a qual Pedro nos instrui. É a mesma ordem do falar de Deus no tocante ao primeiro tema escolhido por Deus no Seu falar a Moisés na sexta subida ao Monte Sinai.
6.6.1.1.1- O Tabernáculo, a Casa de Deus
Deus então começa a falar, neste primeiro dos sete temas. E então, O Senhor começa a falar acerca de sete elementos que o Seu povo deveria fazer no tocante a construção do Tabernáculo. Observe que isto veio depois de o Senhor ter dado os 10 mandamentos. Parece que o Senhor começa a descortinar mais detalhadamente realidades espirituais que se encontravam condensadas nos 10 mandamentos. Mas não somente isto; parece que o Senhor traz mais detalhes acerca de Seu projeto de habitar com o homem redimido que Ele criou. Veja a presença tão proeminente do número sete. Mas quais seriam estes sete elementos?
- A Arca do Testemunho com seu Propiciatório
- A Mesa com os Pães da Proposição
- O Candelabro de Ouro
- A Estrutura do Tabernáculo
- O Altar de Bronze do Holocausto
- O Átrio do Tabernáculo
- O Azeite para as Lâmpadas
É interessante notar que depois de ter tratado destes sete elementos, o Senhor se volta a falar, porém agora, acerca do Sacerdócio. Isto é notável tendo em vista que o Senhor retornará a falar acerca dos elementos faltantes do Tabernáculo. Isto parece indicar uma precedência de importância no sentido de embasar a manifestação da realidade espiritual para a qual apontam os elementos subsequentes.
6.6.1.1.2- O Sacerdócio
Assim, depois de estabelecer elementos fundamentais à edificação da Casa do Senhor, Deus se preocupa em estabelecer os elementos essenciais a serem observados por aqueles que viriam a servir nesta Casa. Assim implícita ou explicitamente o Senhor estabelece:
- Para servir nesta Casa há que ser sacerdote
- Como devem viver os sacerdotes em relação à Deus e em relação ao povo
- Como devem ter uma íntima relação para com Deus
O Senhor está preparando o povo para conhecê-Lo, então revela o sacerdócio e suas vestiduras. De novo, sete elementos nas suas vestiduras:
- O Peitoral do Juízo
- Um Éfode ou Estola Sacerdotal
- Um Manto ou Sobrepeliz
- Uma Túnica Bordada
- A Mitra
- O Cinto da estola sacerdotal
- Os Calções de Linho
6.6.1.1.3- As Ofertas, os Sacrifícios
Estas sete vestiduras revelam a Cobertura de Cristo, refletem o Novo Homem em Cristo, vestidos de Cristo, como ser sacerdote, como viver uma vida santa diante de Deus. Esta Cobertura simboliza aquilo com que Cristo vai nos vestir, aquilo com o que Ele quer nos constituir.
Portanto observe: o que disse Pedro? Casa, Sacerdócio e Sacrifícios. Observe que os dois primeiros são mencionados em conexão com sete elementos cada um deles. Mas, e com respeito aos sacrifícios?
No tocante aos sacrifícios o Senhor pede 12 classes de ofertas; estas 12 classes de ofertas são figuras de 12 aspectos de Cristo; todas as ofertas se referem a Cristo, porque o Único que Deus recebe é o Seu próprio Filho. Por este motivo, Deus vai nos dar Cristo para que Cristo se constitua em nós, e assim, uma múltipla, mas neste sentido, Única Oferta, seja dada a Deus.
- A Oferta de um Bezerro pelo Pecado
- A Oferta de um Carneiro para o Holocausto
- A Oferta de um Carneiro para a Consagração
- Um Pão sem levedura em uma cesta (*)
- A Torta sem levedura amassada com azeite (*)
- A Massa Folhada (*)
(*) Neste ponto devemos observar que na cesta havia três classes de pães sem levedura, mas as três classes estavam dentro de um mesmo cesto, mostrando os diferentes aspectos da Obra de Cristo, porém Deus os coloca aqui de forma simbólica: além do pão sem levedura, a torta sem levedura e a massa folhada.
- A Oferta de um Cordeiro pela manhã
- A Oferta de um Cordeiro à tarde
- Um Efa de Flor de Farinha
- Um Him de Azeite
- Um Him de Vinho para libação
- O Incenso Aromático
Observe que são 12 Ofertas, todas revelando distintos aspectos da Obra de Cristo; cada uma destas Ofertas revela um aspecto da Obra de Cristo, porque a Obra de Cristo é tão profunda que não há outro meio de fazê-lo sem se utilizar de diversas figuras
6.6.1.2- Sexta Subida: Tema 02 – Siclo do Santuário como Preço de Resgate – Ex 30:11-16
O segundo tema é o siclo do Santuário como preço de resgate, ou seja, a medida Divina para sermos resgatados; isto porque nós temos nossas próprias medidas. Assim, Deus tem de revelar a Sua própria medida, a medida é o siclo do Santuário, que é o preço do resgate.
Este preço o homem não pode pagar; somente Cristo pode pagar este preço do resgate; somente Cristo pode fazer pelo homem aquilo que Deus pede. A medida é divina.
6.6.1.3- Sexta Subida: Tema 03 – A Bacia de Bronze – Ex 30:17-21
Veja que interessante. Embora a Bacia de Bronze seja uma mobília do Tabernáculo, ela só é apresentada DEPOIS do Senhor falar do Siclo do Santuário como Preço de Resgate. Isto é extremante relevante. Quando não há medidas com que nos medirmos não temos como julgar a nós mesmos. Porém, o Senhor primeiro apresenta o Siclo do Santuário, ou seja, apresenta a Si mesmo como o ÚNICO capaz de prover Redenção, para então falar de nossa extrema necessidade de estar sendo continuamente limpos através da água da Bacia de Bronze.
Agora, depois de ter entendido acerca do PREÇO DO RESGATE, podemos ver que não somos nada! E, por este motivo, enxergamos nossa necessidade de purificação, de limpeza.
Agora, há um outro elemento bastante interessante na questão da Bacia de Bronze: somente esta mobília e o Candelabro não possuem medidas definidas especificamente no Tabernáculo.
E isto é também maravilhoso. Porque? Porque não podemos medir o poder purificador da Palavra tipificada pela Bacia de Bronze, e nem podemos medir a Luz do Candelabro tipificando a manifestação da Vida de Cristo em nós, por meio da unção do Azeite que em nós foi derramado. E detalhe: esta era a única luz no Tabernáculo; Tabernáculo este que possui em suas medidas uma tipificação escatológica da dispensação da Igreja (ver resumo sobre “As Medidas Proféticas do Tabernáculo”)
6.6.1.4- Sexta Subida: Tema 04 – O Óleo da Unção – Ex 30:22-33
“Respondeu-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo.” At 2:38.
É de fundamental importância observarmos a sequência do falar de Deus, pois parece indicar uma precedência a ser alcançada para posterior manifestação da realidade espiritual manifestada pela verdade subsequente.
6.6.1.4.1- Os Elementos da Unção – As Ervas
1.Mirra – A Mirra significa: libertação, cura, purificação, mudança de vida, assim como também era usada pela realeza para ungir as vestes de casamento. Também era usado como perfume sedutor.
Foi usada para preparar Ester por seis meses, após os quais vieram mais seis meses com outros unguentos e perfumarias para levá-la ao rei Assuero (Et 2: 12-13).
A mirra é um arbusto que cresce nas regiões desérticas, especialmente na África (nativa da Somália e partes orientais da Etiópia) e no Oriente Médio. É também o nome dado à resina oleosa de coloração marrom-avermelhada obtida da seiva seca dessa árvore (Commiphora myrrha ou Balsamodendron myrrha).
A palavra origina-se do hebraico, maror ou murr, que significa “amargo”, por isso é amarga e, muitas vezes, usada na bíblia como sinônimo de fel. Tem poder de anestesiar e tirar as dores, por isso foi oferecida a Jesus na cruz (Mt 27: 34; Mc 15: 23).
Em Pv 31: 6-7 está escrito: “Dai bebida forte (shekhãr) aos que perecem e vinho aos amargurados de espírito; para que bebam, e se esqueçam da sua pobreza, e de suas fadigas não se lembrem mais”.
A bebida forte (shekhãr) a que se refere era o vinho de alto teor alcoólico misturado com a mirra dado pelas mulheres judias aos condenados à cruz para que pudessem suportar a punição e o sofrimento.
No Sl 69: 21 (salmo profético de Davi) há outra referência à mirra: “Por alimento me deram fel (Mt 27: 34; Mc 15: 23) e na minha sede me deram a beber vinagre (Jo 19: 28-30)”.
Quanto à mirra em relação aos presentes que Jesus recebeu dos magos após Seu nascimento, nós podemos dizer que eles lhe trouxeram presentes que confirmavam ser Ele o Messias; em outras palavras, Sua natureza divina e Sua missão salvadora e redentora: o ouro, simbolizando um tributo ao Rei dos reis, o precioso da humanidade dado ao Senhor.
Quanto ao incenso, vem confirmar a posição de Jesus como sumo sacerdote e como nosso intercessor, já que, para nós, o incenso simboliza as orações dos santos. Em terceiro lugar, os magos lhe deram a mirra, como um ato profético do Seu sofrimento pela humanidade.
“Quem é esta que sobe do deserto, como colunas de fumaça, perfumada de mirra, e de incenso, e de toda sorte de pós aromáticos do mercador?” – (Ct 3:6)
6.6.1.4.2- O Segredo da Rainha Ester
- A história da Rainha Ester (Hadassa); preparada para encontrar-se com o rei. – Antes das núpcias, seis meses se perfumando com mirra.
Em chegando o prazo de cada moça vir ao rei Assuero, depois de tratada segundo as prescrições para as mulheres, por doze meses (porque assim se cumpriam os dias de seu embelezamento, seis meses com óleo de mirra e seis meses com especiarias e com os perfumes e unguentos em uso entre as mulheres) – (Et 2:12)
- A mirra está quase sempre relacionada com a preparação da noiva para se encontrar com o noivo.
Levantei-me para me entregar ao meu amado; as minhas mãos destilavam mirra, e os meus dedos gotejavam mirra preciosa. – (Ct. 5:5)
Todas as tuas vestes recendem a mirra, aloés e cássia; de palácios de marfim ressoam instrumentos de cordas que te alegram. – (Sl. 45:8)
6.6.1.4.3- A Mirra, Como Símbolo do Espírito Santo
- O momento mais esperado, era quando a noiva ia ser apresentada ao noivo. – Naquele dia, era usada uma grande quantidade de mirra. – O perfume era sentido de longe.
- Ester é um símbolo da Igreja do Senhor Jesus. – Ela está sendo preparada e perfumada para ser levada a presença do noivo.
2. Cinamomo – O cinamomo é a casca de um tronco que se restaura a cada estação. É a mesma família do louro, da cássia e da canela.
Significa: temor de Deus, resgate, restauração das coisas pessoais, não voltar a cometer os mesmos erros do passado. A canela é semelhante a um arbusto, oriunda do extremo Oriente.
Como ela é macerada (a casca e a sementes) até se tornar pó, é uma figura profética da aceitação de Jesus Cristo em Sua morte e cruz. Representa nossa aproximação de Jesus em humildade, despindo-nos da nossa carne, tornando-nos mais como Ele é, assim como também pode significar paz e amor no lar.
3.Cálamo – O cálamo (gr. Kalamos) significa: cana, caniço, junco. É uma raiz conhecida como Cana Doce. Só exala perfume quando a raiz é quebrada.
Era de cálamo (junco) a cesta de Moisés, quando foi colocado, ainda bebê, no rio Nilo. Representa o preço que Jesus pagou pela nossa redenção, reverência ao Senhor, voltar às raízes, renovação de alianças, humildade.
Significa que devemos ser dependentes do Senhor como crianças que necessitam crescer e ser ensinadas; que, de tempos em tempos, precisamos renovar nossa aliança de fidelidade e compromisso com Ele.
Pode ser de várias maneiras; a ceia de que participamos na igreja é uma forma. A unção do cálamo também significa que precisamos ser “partidos” por Deus, trabalhados por Ele no nosso interior para que Sua essência possa ser exalada através de nós.
4. Cássia – A cássia, junto com o aloés e a mirra (Sl 45: 7-8), compõe o óleo da alegria. O aloés deve ter pelo menos trinta anos de idade para produzir óleo e, para ser extraído, o seu tronco precisa ser machucado ou dilacerado.
Significa: ferir-se, assim como alegria e posição de glória. Portanto, para conquistar a unção de alegria é preciso, primeiro, nos despir do “eu” e “ser ferido” pelas mãos do Senhor para remover de nós o que não serve, extraindo, então, seu óleo precioso do nosso interior, ou seja, o que temos de melhor. Cássia significa: potencial, nobreza.
A essência de cássia, que também faz parte do óleo da santa unção dos sacerdotes, é preparada com a casca de uma árvore chamada Cinnamomum cassia, da mesma família da canela.
A cássia para mercadoria é a casca da árvore (Ez 27:19 fala dessa especiaria como parte do comércio de Tiro, onde está escrito em Hebraico a palavra ‘qiddah’ – Strong #6916, significando, a casca de cássia, como em rolos secos ou enrugados). A especiaria é obtida a partir da remoção da casca da árvore, sendo que a casca interna é raspada, seca e moída. Os botões também são usados como especiaria.
A mirra, o cálamo, a cássia, o cinamomo (ou canela) e o azeite de oliva (= unção e provisão de Deus para um propósito), fazem parte do óleo da santa unção, com o qual se ungia apenas os sacerdotes (Êx 30: 22-33 e 2 Co 2: 14-16).
Isto quer dizer que o Senhor nos ungiu com alegria, amor, nobreza, propósito, aliança e humildade, temor e resgate, libertação e cura para que possamos ser bálsamo e suavizar as dores dos aflitos e desesperançados e elevá-los para um novo patamar.
5. Oliva – Óleo da oliveira – Simboliza prosperidade – Considerada uma árvore valiosa por causa do óleo. Juntamente com a vinha era a maior fonte de riqueza da nação de Israel.
A oliveira é uma das árvores mais importantes citadas nas Escrituras por sua conexão direta com o povo de Israel e também pela riqueza de figuras por ela representada.
Seu uso era muito variado no Oriente Médio, pois ela era famosa por seu fruto, seu óleo e sua madeira. Era reputada como símbolo de beleza, força, da bênção divina, da unção do Espírito e da prosperidade.
Obs: Para maior detalhamento deste tema e ampliação desta compreensão e realidade espiritual associada consultar o “Resumo sobre os aspectos Histórico-culturais e a Guematria Judaica – O Azeite – O óleo da Unção”
6.6.1.5- Sexta Subida: Tema 05 – O Incenso Sagrado – Ex 30:34-38
O sexto tema abordado por Deus nesta sexta subida foi o Incenso Sagrado que são representativos das orações dos santos.
“Quando o Cordeiro abriu o sétimo selo, houve silêncio no céu cerca de meia hora. Então, vi os sete anjos que se acham em pé diante de Deus, e lhes foram dadas sete trombetas. Veio outro anjo e ficou de pé junto ao altar, com um incensário de ouro, e foi-lhe dado muito incenso para oferecê-lo com as orações de todos os santos sobre o altar de ouro que se acha diante do trono; e da mão do anjo subiu à presença de Deus a fumaça do incenso, com as orações dos santos. E o anjo tomou o incensário, encheu-o do fogo do altar e o atirou à terra. E houve trovões, vozes, relâmpagos e terremoto.” Ap 8:1-5
Deus ordenou a Moisés que o incenso que seria queimado no altar que ficava no lugar santo do tabernáculo deveria, entre outros, ter como ingredientes principais o estoraque, a ônica e o gálbano; estes ingredientes tem um significado profundo dentro da simbologia bíblica, senão vejamos:
-
-
- Estoraque
-
Este primeiro ingrediente tipifica a espontaneidade, visto que o estoraque era uma leve resina que era liberada voluntariamente de uma árvore.
Isto faz no entender que uma verdadeira adoração deve ser espontânea e não forçada, deve partir de um coração grato e não murmurador, deve ser pelo Espírito e não de forma religiosa, deve partir do interior humano e não apenas dos lábios.
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-
- Ônica
-
Um tipo de molusco encontrado no fundo do mar vermelho, aqui temos o segundo elemento; a busca profunda, isto é muito importante para uma verdadeira adoração; assim como a ônica não era obtida na superfície e sim lá no fundo do mar, assim deve ser nossa adoração, do mais profundo do nosso ser.
C-Gálbano:
O gálbano era uma planta que ao cortar e esmagar seus galhos liberava uma resina odorífera.
Aqui está o terceiro elemento para uma verdadeira adoração, adorar a Deus em meio as lutas e provas, como assim? O perfume somente se conseguia com o esmagamento das folhas e caules da planta, assim é o louvor do cristão, existem situações que nos machuca e nos faz sentir abatidos e quase destruídos, porém é daqui que vem o profundo e mais puro louvor, quando o crente neste momento consegue adorar o perfume se manifesta. Jó passou por este, digamos “processo gálbano”, e, mesmo moído em sua alma e carne, ainda pôde adorar (Jó 1.20,21)
A oração que agrada ao Senhor precisa ter então os seguintes elementos:
-
- Estoraque (ESPONTANEIDADE),
- Onicha (PROFUNDIDADE) e
- Gálbano (QUEBRANTAMENTO).
É importante observar que a mobília de maior altura no Tabernáculo era o Altar de Ouro do Incenso. E não somente isto, mas que era a mobília considerada por muitos estudiosos como a que ficava exatamente no centro da cruz formada pela disposição do mobiliário no Tabernáculo.
Juntando estas duas figuras parece claro que o ministério mais elevado aos olhos de Deus e que parece estar no centro de seu coração tem a ver com a intercessão. Isto explica o exercício do ministério de Sumo Sacerdote de Nosso Senhor Jesus Cristo a nosso favor no Santuário Celestial.
6.6.1.6- Sexta Subida: Tema 06 – O Chamamento de Sábios Edificadores – Êxodo 31:1-11
Depois de todos estes grandiosos temas, Deus então revela Seu chamamento a sábios edificadores. São homens cheios de sabedoria que fazem a Vontade de Deus de forma espontânea em resposta a tão grande chamamento.
Inicialmente dois homens estavam envolvidos nesta construção, Bezalel e Aoliabe. Sempre que DEUS chama uma pessoa pelo nome está expressando uma verdade espiritual.
Nomes Divinamente dados são expressões da natureza e do propósito de um indivíduo. Este princípio é demonstrado em Hb 7:2. A interpretação do significado de um nome revela o caráter e a mensagem ocultos no nome.
Bezalel era um homem cheio do Espírito de DEUS e com uma visão do plano de DEUS em seu coração (Ex 35:34). Era cheio de habilidade, inteligência, conhecimento e capacidade.
DEUS disse: “EU escolhi Bezalel, filho de Uri, filho de Hur, da tribo de Judá” (Ex 31:2).
- Bezalel significa “à sombra de DEUS” ou “DEUS é a minha proteção”.
- O nome Uri significa “luz” ou “resplendor” (Hb 1:3)
- E o nome “Hur” significa “nobre, puro ou livre”.
Tudo isto aponta para o Nosso Senhor!!
Aoliabe era um homem cheio de habilidade e sabedoria. Aoliabe era “filho de Aisamaque, da tribo de Dã”.
- Aoliabe significa “Tabernáculo ou Tenda de meu Pai”. Jesus é o Tabernáculo ou Templo do Pai.
- Aisamaque significa “aquele que apoia ou auxilia” apontando para o ministério do Espírito Santo.
- Aoliabe era da tribo de Dã que significa juiz.
O Senhor é um Justo Juiz que sentado no Trono de Sua Glória há de julgar todo o mundo.
6.6.1.7– Sexta Subida: Tema 07 – O Sábado – Êxodo 31:12-18
O sétimo tema que aprouve a Deus mencionar foi acerca do Sábado; quer dizer, que o sinal entre o povo de Deus e Deus mesmo, é que Seu povo tem Descanso. Que coisa tremenda! Mas para que tenha Descanso é necessário ter toda esta base anterior.
Não se pode ter descanso com pecado, com egoísmo, com pelejas; tem de haver arrependimento, tem de haver humilhação, tem de haver perdão, tem de amar a Deus, tem de amar o próximo; tem de saber qual é a base, tem de saber qual é a medida. Somente assim há Descanso. O Senhor termina esta fala da sexta subida com este grande e maravilhoso SINAL: O SÁBADO!
Ele disse: Este será o Meu sinal entre Mim e o Meu povo. Guardareis o Meu Sábado, ou seja, vocês devem viver no Meu Descanso. Este é o Sinal! Quem está em Deus, está no Descanso; porém este Descanso não se alcança de um dia para o outro.
Deus quer nos dar Descanso e Ele mesmo quer Descansar em nós. Porém isto é um processo; estamos sempre tão agitados, tão “loucos”, correndo daqui para ali, e Deus deseja que nós possamos Descansar Nele.
Então Moisés desce do Monte com as DUAS TÁBUAS DO TESTEMUNHO, tábuas de pedra, escritas pelo DEDO DE DEUS!
6.6.1.8- O Intervalo entre a Sexta e a Sétima Subida: O Bezerro de Ouro – Ex 32:1-29
Este capítulo 32 de Êxodo é especialmente interessante de ser analisado. Algumas questões nos sobrevêm como questionamentos dos motivos que teriam levado Arão e todo o povo a agir daquela maneira.
- Vs 01: Teria sido a demora de Moisés o estopim para a idolatria? Certamente que não, mas ela acelerou o processo. Isto fala muito de nossa impaciência em não aguardar o TEMPO DE DEUS.
- Vs 01: “Faze-nos deuses…”. Como assim? Veja como isto manifesta uma visão incorreta de Quem Deus é. E veja que isto sucede depois de todas as manifestações de Poder e Misericórdia de Deus a favor deles. Ademais, fica claro que este povo não O conhecia como Senhor, pois ao pedir “faze-nos deuses…” eles deixam claro que o centro são eles mesmos, não Deus. “Depressa” se desviaram do caminho que Deus lhes tinha ordenado, para cometerem um erro tão grosseiro e espantoso! E Arão, o irmão e companheiro de Moisés no seu cargo, conduziu-os neste extravio; e pôde dizer diante de um bezerro: “Amanhã será festa ao SENHOR”! Como isto é triste! Quão humilhante! Deus destituído por um ídolo! Um objeto “esculpido por artifício e imaginação dos homens” foi posto em lugar do “Senhor de toda a terra”!
- Vs 01: “Este Moisés…”; “…o homem que nos tirou do Egito…”. Que coisa! Eles passam a tratar Moisés na terceira pessoa; parece não haver mais intimidade, conhecimento, relacionamento. Como podem tratar desta forma um homem que, escolhido por Deus, foi um tremendo instrumento utilizado por Deus para prover-lhes libertação da escravidão e angústia do Egito. E, novamente, o foco deles ainda concentrava-se em Moisés, não no Senhor.
- Vs 02: “Tirai as argolas…”. Este tema tem tudo a ver com a relação entre o Noivo e a Nova manifestada em Gn 24 (Isaque e Rebeca), Jz 01 (Otniel e Acsa), Pv 31:10 e I Pe 3:3-4 (Mulher Virtuosa), dentre outras diversas citações nos profetas, como por exemplo em Isaías capítulo 02, acerca da clara oposição entre a Noiva e a mulher que “se entrega a muitos amores”. Neste episódio temos somente a ratificação da idolatria como medida de prostituição, basta que se considere todos estes textos.
- Vs 03-05: Mas, por que um bezerro? De onde terá vindo a inspiração de Arão? Várias antigas civilizações tinham o touro, a vaca e possivelmente também o boi, na sua teologia, desde a Grécia, Índia, China etc. Mas são civilizações distantes e não consegui saber se o culto do touro foi da mesma época da história. O mais provável é que Arão tenha tentado copiar o Touro Ápis, símbolo da força e da fecundidade, que era cultuado no Egipto, nomeadamente em Mênfis, desde a primeira dinastia e que certamente era do conhecimento de Arão. É intrigante ver como Arão que esteve com Moisés no Monte, que viu todos os sinais e maravilhas operados pelo Senhor em tantos episódios, diga palavras como estas. É de causar perplexidade!
- Vs 07-10: Aqui um texto bastante interessante. Porque?
1-Primeiro porque Deus parece tratar o povo como o povo tratava Moisés; na terceira pessoa.
2-Porque o Senhor que é Todo Poderoso pede autorização a Moisés para consumir o povo. Isto é, no mínimo, de se questionar.
Mas veja, isto parece não corresponder à realidade. Porque? Porque, através de tudo aquilo que ocorria, Deus estava a provar Moisés, pois:
1- Deus é Aquele que conhece o fim desde o começo.
2- O agir de Deus vai muito além de atitudes de conotação irrefletida ou intempestiva; ao contrário, Ele é longânimo, não querendo que ninguém se perca. Mesmo em situações extremas como esta. Não que o Senhor não trate com o pecado, mas Ele ainda aguarda para ter Misericórdia. Não foi assim na época de Ninrode, de Noé e em tantas outras vezes?
3- O Senhor já tinha profetizado pela boca de Jacó, em Gn 49:8-10, que faria daquele um povo separado e abençoado. Caso Ele realmente levasse a termo o que havia dito nesta passagem sobre consumir o povo, não haveria como se cumprir aquela profecia, uma vez que Moisés era da Tribo de Levi.
- Vs 11-13: Aqui vemos o caráter NÃO EGOCÊNTRICO de Moisés. Ele poderia ter salvado a si mesmo, mas ele prefere interceder a favor do povo, mesmo quando o povo o trata como “aquele Moisés…”.
- Vs 14: A isto os estudiosos chamam de “antropopatismo”, ou seja, a atribuição de sentimentos humanos a Deus, como raiva, arrependimento e etc… Por evidente, trata-se de uma figura de linguagem adotada para nossa compreensão. O Ser de Deus é muito além de nossa compreensão.
- Vs 17: Outro versículo bastante interessante. Veja que a sexta subida de Moisés se dá em três etapas. Arão participa da primeira etapa (Ex 24:9); Josué participa da segunda etapa (Ex 24:13); no entanto, quem faz o bezerro de ouro é Arão e quem pergunta sobre que alarido era aquele é Josué. Isto deixa claro que ele não se misturava com aqueles que davam vazão às suas manifestações egocêntricas de idolatria. Isto o diferenciava e o credenciava a ser, como de fato foi, posteriormente, aquele a quem Deus escolheu para suceder a Moisés na missão de conduzir o povo à Terra Prometida.
- Vs 20: O reduzir o bezerro de ouro a pó é significativo. Agindo assim, Moisés não só mostrava a identificação do povo com o ídolo, já que “viestes do pó e ao pó tornarás…”, como demonstrava a vacuidade da idolatria ao reduzir o bezerro a pó. Não bastasse isto, ao fazê-los beber da água contaminada com um metal como o ouro, ele tornava nauseante o processo de dessedentar do povo; figura da consequência do dessedentar a alma pelos elementos da idolatria. Assim, neste episódio, o Senhor demonstra por um elemento natural, a água, a realidade espiritual correspondente: Tanto mais idolatria tanto mais sede sentirão àqueles que a ela se entregam.
6.6.1.9- O processo de Deus de cura para a Idolatria
6.6.1.9.1- Mara – Ex 15:22-26
“Afinal, chegaram a Mara; todavia não puderam beber as águas de Mara, porque eram amargas; por isso, chamou-se-lhe Mara.”
As águas de Mara existem até hoje. Era um oásis no meio de muita areia quente. Ao ver esse oásis, o povo deve ter dito: “Glórias a Deus! Enfim água para beber! É coisa de Deus, porque a nuvem parou bem em cima das fontes!”
Muitos se abaixaram e provaram da água. E o que acontece? Eles cospem a água e dizem que isso é intragável. Dizem: “Onde nos trouxeste, Moisés?” “E o povo murmurou contra Moisés dizendo: O quem haveremos de beber?”
E diante desta situação. o que Moisés faz? O verso 25 nos mostra que Deus fez um tremendo milagre: Deus mostra um galho de árvore caído no chão e pede a Moisés que o jogue naquela água, e ela ficou doce. Mas depois ela voltou a ficar amarga, e até hoje, essa água continua amarga.
Os cientistas fizeram uma análise daquela água e constataram que ela é 100% potável. Ela é amarga porque está cheia de minerais que são medicinais. Por exemplo:
1-Um dos minerais que lá estão se chama Dolomita, que é muito bom para os batimentos cardíacos, e principalmente para quem vai fazer longas caminhadas por um terreno, como o que o povo hebreu estava viajando.
2-Outro mineral que tem em abundância naquela água é Magnésio. Ex.: quando estamos com problemas de estômago receita-se geralmente, leite de magnésio!
Mas por que tudo isso? O povo hebreu havia sido escravo por 400 anos, e beberam das águas poluídas do Nilo e outras fontes, e por consequência sofriam de muitos problemas intestinais e estomacais, por terem adquirido muitos parasitas.
Agora podemos entender porque Deus os havia deixado com sede durante três dias? Para que eles bebessem aquelas águas mesmo que fossem amargas, pois cremos que era para curá-los dos parasitas e doenças que haviam adquirido do Egito.
Deus tem que nos dar águas amargas para nos curar de parasitas adquiridos neste Egito de nossa época. Deus provocara sede em seu povo por isso. Deus queria que seu povo humildemente dissesse assim: “A nuvem parou aqui, as águas são amargas, mas não importa. Vamos beber porque certamente esta é a vontade de Deus para as nossas vidas.”
Devemos observar que foi em Mara que o Senhor se revelou a eles como “Eu Sou o Senhor que te sara”. Aqui agora entendemos que esta menção tinha dupla referência: de um lado a questão física, de outra a espiritual.
6.6.1.10- O Adultério e a Água Amarga da maldição – Nm 5:11-31
Moisés cantou ao ser liberto do Egito, na sua saída entoou um lindo cântico, reconhecido como o “Cântico de Moisés”. Tão lindo e impactante este cântico que sua irmã não se conteve: dançou tocando tamborins na presença do Senhor (v.20)!
Quanta alegria, quanta emoção – liberdade para servir ao Senhor …a razão da nossa libertação! Mas o que aconteceu logo depois? Águas amargas. Interessante que as águas amargas estão relacionadas com impureza, mistura, adultério. Como assim?
Em Números 5:11-24 vemos o que o sacerdote haveria de fazer em caso de suspeita de adultério: a esposa acusada era encaminhada à presença do sacerdote, juntamente com uma oferta de ciúme.
O sacerdote então, misturava a água santa contida em um vaso de barro com o pó retirado do chão do Tabernáculo. Desta forma, a água passaria a ficar “amarga”, imprópria para beber. Esta água era então oferecida à mulher suspeita de adultério e ela, após receber a palavra do sacerdote sobre a água deveria concordar através do seu amém e bebê-la.
Estávamos recém-comprometidos com o Senhor, nosso Noivo, imagina só a cena – O Noivo assume o compromisso com a noiva: “Agora, se diligentemente ouvirdes a minha voz, e guardardes a minha aliança, sereis minha propriedade peculiar entre todos os povos. Embora toda a terra seja minha, vós me sereis reino sacerdotal e nação santa.”
Êxodo19:5-6 – e a noiva aceita o compromisso: “Então todo o povo respondeu a uma só voz: Tudo o que o Senhor falou, faremos. E relatou Moisés ao Senhor as palavras do povo” Êxodo19:8.
O Ketubah, o compromisso de casamento estava declarado, e depois a grande celebração incluindo até mesmo o toque do shofar diretamente da boca de Elohim: “Ao amanhecer do terceiro dia houve trovões e relâmpagos e uma espessa nuvem sobre o monte, e um sonido de buzina muito forte…Todo o monte Sinai fumegava, por que o Senhor descera sobre ele em fogo. A sua fumaça subia como a fumaça de uma fornalha, todo o monte tremia grandemente, e o clangor da buzina ia aumentando cada vez mais. Então Moisés falava, e Elohim lhe respondia por uma voz.” Êxodo19:16-19.
Este casamento, perceba, é lembrado também em Jeremias 31:32. Estava tudo muito bonito, até que em seguida, mas logo em seguida, o povo resolve experimentar um adultério: Bezerro de ouro – não se contiveram e voltaram a se misturar. Terrível e cruel realidade, limpos pela mão do Senhor, sujos por opção deles mesmos.
“Então (Moisés) tomou o bezerro que tinham feito, e o queimou no fogo, moendo-o até que se tornou em pó, e o aspergiu sobre a água, e deu-o a beber aos filhos de Israel”. Êxodo32:20. Moisés deu águas amargas ao povo de Israel e depois que beberam qual foi o resultado?
É importante observar o real significado bíblico do “descair a coxa” da mulher adúltera. Para tanto ver o Resumo de Gênesis – Capítulo 24.
Muitos morreram à espada (adúlteros-maldição para morte), mas um remanescente (adoradores obedientes – bênção para vida) permaneceu de pé diante do Senhor.
Podemos ser este remanescente, uma geração disposta a amar a vontade do Senhor e buscar cumpri-la em amor, não legalismo. Uma geração disposta a ser santificada, amar o ensino da Palavra no coração, e ser assim separada realmente ao Senhor.
6.6.1.11- Retornando a Êxodo 32:27
- Vs 27: Evidentemente este versículo não está em desacordo com o mandamento de “não assassinarás”. O que se passa aqui é, sim, um julgamento de Deus com respeito ao pecado. No contexto geral do ensino bíblico vemos que o propósito de Deus é salvar as almas não destrui-las. Para tal, paradoxalmente, necessitamos aplicar a espada a nós mesmos, evidentemente em figura. Foi a isto que Jesus se referiu quando disse: “Se alguém quiser vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e Me siga. Pois aquele que quiser preservar sua vida (da alma) a perderá, mas aquele que perder a sua vida por amor de Mim, este a salvará”. Sabemos que a espada é a Palavra de Deus, Viva e Eficaz transformando-nos de Glória em Glória.
Isto é especialmente significativo se considerarmos que o chamado sacerdotal era para toda a nação. No entanto, como somente os levitas atenderam ao chamado de Deus, somente a Tribo de Levi exerceria o privilégio do Ministério Sacerdotal. Se trouxermos isto para a linguagem do Novo Testamento, podemos inferir que o desejo de Deus é ter uma Nação Sacerdotal, mas que para este exercício o “negar-se a si mesmo e Me seguir…” é condição fundamental. Veja que analisando sob esta perspectiva a questão não deveria ser abordada somente pelo que, simplificadamente, se costuma chamar de “ministério integral”; mas a integralidade do Serviço, seja em que posição, local ou esfera for, desde que feito no princípio de “negar a si mesmo”.
- Vs 32-34: Com um Israel penitente esperando o veredicto de Deus, Moisés lembrou o povo do grande pecado cometido. Depois, prometeu subir ao SENHOR para ver se haveria um meio de fazer propiciação pelo pecado.
Moisés, na presença de Deus, confessou o pecado de Israel fazer deuses de ouro. Seu desejo era que o povo fosse restaurado ao favor de Deus pelo perdão divino: “Agora, pois, perdoa o seu pecado.”
Se Deus não perdoasse o seu povo, Moisés pediu que ele fosse riscado do teu livro, que tens escrito. Neste versículo, riscar significa “cortar da comunhão com o Deus vivo, ou do reino daqueles que vivem na presença de Deus e entregar para a morte”. Este livro pode dar margem a dupla interpretação: ou referir-se a um suposto livro de registro dos que saíram do Egito, ou ao Livro da Vida mencionado em Ap 20:12-15. Portanto, a hipótese mais plausível é a de que a primeira interpretação tem conotação histórica e temporal, enquanto a segunda teria a conotação espiritual com consequências eternas.
” O amor de Moisés pelos israelitas era tão grande que ele não se importava em viver, a menos que Deus os perdoasse. A expiação pelo pecado era o processo mais precioso que Moisés conhecia. Só Deus poderia realizar esse evento, e a base para o perdão universal estaria somente no dom de Deus manifestado em seu Filho Jesus. Mas no coração de Moisés havia o amor que promove tal expiação, como também havia em Paulo (Rm 9.2,3).
A resposta de Deus a Moisés foi que o indivíduo que pecar terá o nome riscado do livro. Moisés não poderia fazer expiação por Israel, mas o perdão está implícito no fato de Deus aprovar a permanência de Moisés na liderança do povo rumo à Terra Prometida.
Deus fez a Moisés a mesma promessa de que o Anjo do Senhor iria diante do povo (23.20,23), com a diferença revelada em 33.2,3 de que o próprio Deus não os acompanharia. A pena pela quebra da lei não foi totalmente indultada, embora tenha sido modificada para Israel continuar existindo.
Identificamos nos versículos 31 a 34 “O Verdadeiro Intercessor”:
1) Confessa os pecados do povo;
2) Busca perdão para o povo;
3) Oferece-se a favor do povo
4) Recebe a resposta de Deus em prol do povo (33,34).
Embora Israel fosse perdoado e tivesse a permissão de permanecer como povo de Deus, certas penas permaneceram. A presença de Deus com eles seria mediada pelo Anjo, mesmo que houvesse um dia final de ajuste de contas.
Quando feriu o SENHOR o povo, alguns sofreram imediatamente pelos pecados cometidos, talvez com calamidades entre eles. Quando pecamos, Deus nos perdoa por Cristo e nos restaura ao seu favor, mas certas consequências advêm como lembranças da lei quebrada.
6.7- A Sétima Subida: A Justiça e a Misericórdia de Deus – Ex 33:1-23
6.7.1- A Tenda da Congregação
- Vs 01: Observe a expressão utilizada por Deus: “…o povo que tiraste…”. Deus já não mais os chama como o Seu povo. Que coisa terrível! Como as ações humanas de traição ao Amor de Deus ferem tanto o Seu coração. Falando assim parece que Deus, figurativamente, não os via mais como filhos, pois seus atos divergiam da Natureza do agir de Deus, especialmente na essência das motivações.
- Vs 02-03: O Senhor recusa acompanhar o seu povo à terra prometida: “eu não subirei no meio de ti, porquanto és povo obstinado, para que não te consuma eu no caminho” (versículo 3). No princípio deste livro, o Senhor pôde dizer: “Tenho visto atentamente a aflição do meu povo, que está no Egito, e tenho ouvido o seu clamor por causa dos seus exatores, porque conheci as suas dores”.
Em Êxodo 23:20-33 o Senhor fala a mesma coisa, porém dizendo que iria com eles. Agora não. Depois desta atitude traidora em resposta ao Amor Redentor de Deus, o Senhor já passa a tratar a questão de conduzir o povo à Terra Prometida, pelo menos momentaneamente, de forma pessoal e individual: com Moisés.
Porém, agora tem que dizer: “Tenho visto a este povo, e eis que é povo obstinado”. Um povo afligido é objetivo da graça, mas um povo obstinado é necessário que seja humilhado. O clamor de Israel oprimido havia obtido resposta por meio da manifestação da graça; mas o cântico idólatra de Israel deve ser atendido pela voz de severa admoestação.
“Povo obstinado és; se um momento subir no meio de ti, de consumirei; porém agora tira de ti os teus atavios, para que eu saiba o que te hei-de fazer”(versículo 5). É só quando somos despojados dos atavios da nossa natureza que Deus pode tratar conosco. Os atavios, espiritualmente falando, tipificam tudo o que com o buril, pode virar um “bezerro de ouro”. Um pecador despido pode ser revestido; porém um pecador coberto de ornamentos deve ser despido. É necessário que sejamos despojados de tudo que pertence ao ego, antes de podermos ser revestidos daquilo que pertence a Deus.
- Vs 04-05: “Então, os filhos de Israel se despojaram dos seus atavios, ao pé do monte Horebe”. Ali estavam, ao pé deste memorável monte, a sua festa e os seus cânticos haviam sido trocados por amargas lamentações, os seus atavios postos de parte, as tábuas da lei em pedaços.
Tal era a sua condição quando Moisés se dispôs a agir imediatamente de acordo com o seu estado. Agora já não podia reconhecer o povo no seu caráter corpóreo. A assembleia havia-se contaminado inteiramente levantando um ídolo de sua própria fabricação em lugar de Deus — um bezerro em lugar do Senhor.
- Vs 07: “E tomou Moisés a tenda, e a estendeu para si fora do arraial, desviada longe do arraial, e chamou-lhe a tenda da congregação.” Assim o campo foi rejeitado como o lugar da presença divina.
Deus já não estava ali, nem podia estar por mais tempo, porque havia sido deposto por uma invenção humana. Um novo centro de reunião foi, pois, estabelecido. “E aconteceu que todo aquele que buscava o SENHOR, saiu à tenda da congregação que estava fora do arraial.
Aqui temos dois temas, assinalados acima em cores distintas, de extrema relevância a serem considerados para não perdermos a beleza do que está em foco:
Observe a expressão “…a estendeu PARA SI…”. E não somente isto, mas “…e lhe chamava a Tenda da Congregação…”. Esta é uma afirmação extremamente relevante. A relação de Deus com o povo se dava, mais do que nunca, de forma pessoal através de Moisés, tendo em vista todos os recentes acontecimentos.
Moisés ao invés de se sobrepor a seus irmãos em virtude de sua posição de separação e proeminência, ele, ao contrário, adota uma postura de humilde intercessão. A Tenda não somente era montada fora do arraial (veja explicação abaixo), mas Moisés o fazia solitariamente, ainda que a chamasse de “A Tenda da Congregação”, ou seja ele a nominava corporativamente.
Esta, mais do que todas as demais três intercessões, é uma manifestação velada, mas extremamente profunda, de uma intercessão que parte de um coração enternecido pelos seus. Veja que este tema volta à tona nos versículos 15 e 17 deste capítulo.
Nestes versículos Moisés, ora usa a primeira pessoa do singular, ora usa a terceira pessoa do plural. E, no versículo 17, vemos a resposta de Deus a Moisés. E a resposta vem, como negação do que o próprio Senhor dissera no versículo 03; ou seja, agora o Senhor se dispõe, por causa da atitude de Moisés, a acompanhar o povo neste caminho.
E Moisés, ainda que desejando conhecer a Graça de Deus ATRAVÉS DO PRÉVIO CONHECIMENTO DO CAMINHO, começa a perceber que é NO CAMINHO que se conhece a Graça de Deus (vs 13-16).
Especialmente a afirmação do versículo 16, deixa claro sua percepção acerca do falar de Deus, tendo em vista a mudança de sua fala em resposta a Deus sobre este tema. Ele parece ter compreendido mais sobre a Graça de Deus e isto tanto mais, quanto mais nos aproximamos da resposta de Deus a ele no versículo 17. E assim, através deste diálogo maravilhoso, Moisés passa a conhecer melhor “o Deus da Graça” e “a Graça de Deus”.
Eis aqui um princípio precioso da verdade que a mente espiritual facilmente compreenderá. O lugar que Cristo ocupa agora é “fora do arraial” (Hb 13:13), e nós somos convidados a ir ao Seu encontro, “fora do arraial”.
É necessária muita sujeição à Palavra de Deus para se poder saber exatamente o que significa realmente o arraial, e muito poder espiritual para se poder sair dele; e muito mais ainda para se poder, quando se está “longe”, atuar a favor dos que estão dentro do arraial no poder combinado da santidade e da graça — a santidade que nos separa da contaminação do arraial e a graça que nos habita a atuar a favor daqueles que estão dentro dele.
- “E falava o SENHOR a Moisés face a face, como qualquer fala com o seu amigo; depois, tornava ao arraial, mas o moço Josué, filho de Num, seu servidor, nunca se apartava do meio da tenda”. Moisés manifesta maior energia espiritual que o seu servo Josué. E muito mais fácil tomar uma posição de separação do campo do que proceder acertadamente par com aqueles que estão dentro dele.
- “E disse Moisés ao SENHOR: Eis que tu me dizes: Faze subir a este povo, porém não me fazes saber a quem hás de enviar comigo; e tu disseste: Conheço-te por teu nome; também achaste graça aos meus olhos”.
Moisés solicita a companhia do Senhor como prova de o povo haver achado graça aos Seus olhos. Se fosse apenas uma questão de justiça, o Senhor só podia consumir o povo, estando no seu meio, porque era um “povo obstinado”.
Porém, fala de graça em relação com o Mediador e a própria obstinação do povo torna-se um argumento para pedir a Sua presença: “Senhor, se agora tenho achado graça aos teus olhos, vá agora o Senhor no meio de nós, porque este povo é obstinado; porém, perdoa a nossa iniquidade e o nosso pecado, e toma-nos pela tua herança” (capítulo 34:9).
Eis uma oração não apenas bela mas tocante. O “povo obstinado” pedia a graça ilimitada e a paciência inexaurível de Deus. Só Ele podia suportá-lo. “Disse, pois: Irá a minha presença contigo para te fazer descansar”.
- Vs 23: Observe que o Senhor disse: “…tú me verás pelas costas…”. Moisés havia pedido para ver a Glória de Deus. Deus disse a ele que faria passar diante dele toda Sua Bondade, proclamaria o Nome do Senhor, que teria Misericórdia e se compadeceria a favor de quem o Senhor julgasse adequado. E acrescentou: “…não poderás ver a minha face, porquanto homem nenhum verá a minha face e viverá…”.
É interessante notar que quando Moisés “…saía para a tenda, fora, todo o povo de erguia, cada um em pé à porta da sua tenda e olhavam pelas costas, até entrar ele na tenda…”. Não parece haver certa similaridade nesta questão “do olhar pelas costas…”? Observe a questão posicional.
Ora, se esta atitude de Moisés era, em primeiro plano, intercessora, que dirá a ação de Deus. Parece haver uma atitude de Deus para com Moisés, representativamente, não só de preservação de sua integridade, face a Santidade de Deus, mas implicitamente de intercessão a favor de Moisés. E não somente dele, mas de todos os que diante de Deus tem conhecido mais de Sua Graça, Misericórdia e Bondade. Observe que isto se deu estando Moisés “na fenda da Rocha”. Esta é outra grande e importante lição deste capítulo.
6.8- A Oitava Subida: A Glória de Deus e a Renovação do Pacto – Êxodo 34:1 até Lv 24:23
-
- A Renovação do Pacto – Êxodo 34:1 até Êxodo 34:17
- As Festas Fixas do Senhor – Êxodo 34:18 até Êxodo 34:35
- O Sábado – Êxodo 35:1-3
- Tabernáculo – Novas Instruções – Êxodo 35:4 até Êxodo 38:31
- As Vestes Sacerdotais – Êxodo 39:1-31
- A conclusão do Tabernáculo – Êxodo 39:32 até Êxodo 40:38
- As Ofertas e as Leis das Ofertas Levíticas – Lv 1:1 até Lv 7:38
- Ofício e Consagração Sacerdotais – Lv 8:1 até Lv 10:20
- As Leis – Correlação entre o Terreno e do Celestial – Lv 11:01 até Lv 22:33
- As Festas Fixas do Senhor – Lv 23:1-44
- Instruções acerca do Azeite, do Pão e outras advertências – Lv 24:1-23
6.8.1- A Renovação do Pacto – Êxodo 34:1 até Êxodo 34:17
Observe que interessante: nesta subida Deus além de escrever segunda vez nas Tábuas da Lei, Ele se revela mais a Moisés através da proclamação de Seu Nome. As tábuas da Lei foram colocadas numa arca de madeira de acácia conforme instruções de Deus a Moisés (Dt 10:1-5).
Yhwh Forte, Clemente, tardio para irar-Se, Grande em Misericórdia, ou seja, Deus está revelando; Quem Ele É. O Senhor começa a revelar a Sua natureza. Observe ainda que o próprio Senhor havia dito a Moisés em Ex 33:17 que Ele conhecia Moisés pelo nome. Isto é magnífico.
O nome é indicativo do ser. A Bíblia está repleta de exemplos neste sentido. Deus manifesta algo que tem haver com o que Ele é e conforme tudo o que Ele havia falado em Sua primeira aparição a Moisés: EU SOU O SENHOR! YHWH!!! Veja como é desejo de Deus revelar-Se, dar-Se a conhecer ao homem, com quem deseja ter comunhão.
Observe ainda a pertinência desta ocasião: esta é a oitava subida de Moisés. O número 8 na Bíblia é o número da ressurreição. Depois de sete dias, o oitavo dia é outra vez o primeiro dia: o domingo, ressurreição; justamente quando Deus renova o Pacto. Era como se, em figura, Deus estivesse pré-anunciando UM NOVO PACTO; a renovação do Pacto foi então nesta oitava subida.
E, nesta renovação do Pacto, Deus volta a falar em três coisas:
- Contra a idolatria, confirmando este assunto. Eles não deviam ter outro “deus”. Deus é um Deus zeloso. O mal de formar alianças com os povos da Terra Prometida era uma possibilidade real. Os israelitas tinham de se guardar (12) e não fazer concerto com os moradores, porque este procedimento seria um laço para eles.
Para se proteger, Israel tinha de derrubar os altares, quebrar as estátuas e cortar os bosques (13). Não deviam permitir que continuassem existindo. As estátuas (“colunas”, ARA) e os bosques (“postes-ídolos”, ARA) eram objetos de culto erigidos para a adoração de deuses e deusas da mitologia cananéia.
Estavam ligados com o culto a Baal, e foram “introduzidos em Israel pela fenícia Jezabel (I Reis 18.19)”.’ “Ritos grotescamente imorais eram praticados com relação às colunas e bosques, e estas foram fonte contínua de tentação para os israelitas até o exílio.”
- Deus volta a estabelecer as Festas Anuais, quer dizer, vocês devem viver conforme o que Eu estou a lhes ensinar. Deus os ensina acerca das sete festas que são figuras de Cristo. Para detalhamento das Festas consultar o resumo de “Exodo – As Festas Fixas do Senhor”.
- Deus volta a enfatizar os 10 (dez) mandamentos. As segundas tábuas de pedra (34.1-4). Com a restauração dos filhos de Israel ao favor divino, Deus os aceitou como tendo renovado a parte que lhes cabia no concerto.”
Ainda restava Deus renovar sua parte escrevendo novamente a lei em outras tábuas de pedra. A lei quebrada tinha de ser restaurada. Moisés precisava subir outra vez o monte, receber a lei e voltar ao povo. Quando pecamos contra Deus, é necessário que as primeiras obras sejam feitas de novo (Ap 2.5). Temos de dedicar tempo para restabelecer os que se desviaram. É desastroso que ocorram transgressões na igreja que perturbam a paz e o testemunho Mas quando ocorrem, faz-se necessária a restauração antes que se deem outras melhorias.
Moisés tinha de fazer as pedras, mas Deus faria a escritura. Na primeira ocasião, Deus fizera as pedras e a escritura (32.16), mas agora Ele exigiu que Moisés fizesse uma parte. Não se tratava de castigo por Moisés ter quebrado as pedras; mas indica que o caminho de volta a Deus, depois da transgressão, requer mais para o crente que peca do que para o pecador inconverso.
6.8.2- A visão de Deus (34.5-9).
Deus cumpre sua promessa de se revelar: O SENHOR desceu numa nuvem (5). Os homens dos dias de hoje depreciam a linguagem bíblica de um Deus que “sobe”, “desce” ou “sobe numa nuvem”; mas estas frases antropomorfas retêm um conceito de Deus que é mais seguro e mais significativo que reduzi-lo a uma abstração.
Embora esteja óbvio nesta aparição a Moisés que a realidade de Deus foi um tanto quanto evasiva, contudo, a experiência foi dramática e real. O nome do SENHOR foi proclamado de maneira inédita (5); este nome era Yahweh, Yahweh Elohim (JEOVÁ, o SENHOR, Deus). O nome do SENHOR era indicação de sua natureza.
Ele se revelou como misericordioso e piedoso, tardio em iras e grande em beneficência e verdade (6). Deus acabara de mostrar que guarda a beneficência (misericórdia, ARA) em milhares de Israel, que perdoa a iniquidade, e a transgressão, e o pecado (7).
Iniquidade transmite a ideia de “pecados cometidos por disposição perversa”; transgressão é “rebelião contra Deus”. A palavra original para aludir a pecado significa “errar o alvo”; e “no Antigo Testamento, [é] a palavra mais geral para se referir a pecado”.’
A beneficência (7; “misericórdia”, ARA) de Deus é vasta, abrangendo todo o mal da raça humana. É interessante assinalar que aqui a misericórdia é proclamada em primeiro lugar e, em seguida, ocorre um aviso para ninguém presumir que Deus tolera a iniquidade (cf. 20.5,6).
Deus não pode e não perdoará os impenitentes que persistem no pecado. Embora o Senhor seja grande em misericórdia, os ímpios serão destruídos, mesmo que tenham experimentado uma vez a graça de Deus (cf. Hb 6.4-6).
É importante observar que Moisés reitera sua intercessão a favor de todo o povo no versículo 09. Ele diz: “…perdoa a NOSSA iniquidade e o NOSSO pecado…”.
No versículo 10 Deus reitera a expressão “…teu povo…”, enquanto que nos versículos subsequentes o Senhor volta a tratar da questão da conquista da Terra, da expulsão dos povos cananeus e do processo por meio do qual isto poderia ser feito. Este tema foi bastante abordado em Êxodo 23:20-33.
6.8.3- As Festas Fixas do Senhor – Êxodo 34:18 até Êxodo 34:35
O Senhor reitera o calendário anual das Festas Fixas do Senhor. Mas a nota a ser destacada é o fato de o Senhor reiterar o Novo Pacto (vs 27) com “Moisés e com todo o povo”, após sucessivas intercessões de Moisés.
Moisés esteve “ali” durante 40 dias e 40 noites; não comeu pão e nem bebeu água. Aqui vemos Moisés como figura de Cristo. Note, porém que Moisés estava na Presença do Senhor, enquanto Jesus estava no deserto sendo tentado.
6.8.4- O Brilho do Rosto de Moisés (34.29-35)
Os israelitas constataram um fato incomum quando Moisés desceu do monte. Ele não sabia, mas a pele do seu rosto resplandecia (29), “pois ele havia falado com Deus”. Seu semblante irradiava um brilho divino em resultado do encontro face a face com Deus.
Quando Arão e os filhos de Israel olharam para Moisés, temeram de chegar-se a ele (30); mas Moisés os incentivou, chamando-os. Diante disso, Arão e os príncipes da congregação se aproximaram para ouvi-lo (31). Depois (32), todos os filhos de Israel também se aproximaram para ouvir o relato completo de Moisés.
Enquanto falava, a face de Moisés brilhava diante do povo. Após ter acabado de falar, ele colocou um véu sobre o seu rosto. O original em hebraico indica que o véu foi colocado depois de Moisés falar (cf. ARA; NTLH; NVI; o texto da RC insinua que ele ocultou a face enquanto falava).
Pelo visto, Moisés tirava o véu quando entrava perante o SENHOR (34), depois saía e falava a mensagem ao povo com a face descoberta, cobrindo-a em seguida (para inteirar-se dos motivos, cf. comentários em IICo 3.13).
Esta evidência visual convenceu Israel que a mensagem de Moisés era de Deus. Há quem considere que o brilho era a semelhança do homem a Deus, a qual foi perdida na queda (Gn 1.27) e será nossa na ressurreição.’ A glória na face de Moisés era similar ao brilho de Cristo no monte da transfiguração (Lc 9.29-31), compartilhado também por Moisés e Elias.
Pode ser que Estêvão experimentou um brilho deste tipo quando compareceu diante do Sinédrio (At 6.15). Em II, Paulo afirma que está glória pertence aos crentes em Cristo que veem as realidades de Deus “com o rosto descoberto”. Este brilho interior do crente irromperá no dia da segunda vinda de Cristo e na ressurreição (cf. 1 Jo 3.1,2).
Os versículos 29 a 35 descrevem “A Face Brilhante”.
1) É recebida num encontro com Deus, 29;
2) É descoberta por quem está pronto a ouvir, 30-32,35a;
3) É oculta a quem está endurecido para ouvir 33,35b;
4) É renovada na volta da presença de Deus, 34.
As Festas estão detalhadamente abordadas no resumo “Exodo – As Festas Fixas do Senhor”.
6.8.5- O Sábado – Êxodo 35:1-3
Ver Resumo completo sobre o Sábado – A.T. Pentateuco – 02.19.04.
6.8.6- Tabernáculo – Novas Instruções – Êxodo 35:4 até Êxodo 38:31
Ver Resumo Completo sobre o Tabernáculo – A.T. – Pentateuco – 02 – Êxodo
6.8.7- As Vestes Sacerdotais – Êxodo 39:1-31
Este tema é mais abrangente que meramente o que se possa depreender acerca de vestes ou vestimentas. As vestimentas carregam uma mensagem mais profunda. Para seu melhor e mais completo entendimento devemos considerar este tema em correlação com a questão da Consagração:
- A.T. – Pentateuco – 02.19.01.1 – Sacerdotes e Levitas – Histórico e Funções
- A.T. – Pentateuco – 02.19.01.2 – Vestes Sacerdotais
- A.T. – Pentateuco – 02.19.01.3 – Consagração dos Sacerdotes
- A.T. – Pentateuco – 02.19.01.4 – O Voto de Nazireu
- A.T. – Pentateuco – 02.19.01.5 – Consagração dos Levitas
6.8.8- A conclusão do Tabernáculo – Êxodo 39:32 até Êxodo 40:38
Ver Resumo Completo sobre o Tabernáculo – A.T. – Pentateuco – 02 – Êxodo
6.8.9- As Ofertas e as Leis das Ofertas Levíticas – Lv 1:1 até Lv 7:38
Ver Resumo completo sobre:
- A.T. – Pentateuco – 03.01 – As Cinco Ofertas Levíticas e as Leis das Ofertas
- A.T. – Pentateuco – 03.01 –Ofertas – Aspectos Complementares
6.8.10- Ofício e Consagração Sacerdotais – Lv 8:1 até Lv 10:20
Este tema é bastante profundo e rico em detalhes. Para seu melhor e mais completo entendimento devemos considerar este tema em correlação com a questão das vestimentas:
- A.T. – Pentateuco – 02.19.01.1 – Sacerdotes e Levitas – Histórico e Funções
- A.T. – Pentateuco – 02.19.01.2 – Vestes Sacerdotais
- A.T. – Pentateuco – 02.19.01.3 – Consagração dos Sacerdotes
- A.T. – Pentateuco – 02.19.01.4 – O Voto de Nazireu
- A.T. – Pentateuco – 02.19.01.5 – Consagração dos Levitas
6.8.11- As Leis – Correlação entre o Terreno e do Celestial – Lv 11:01 até Lv 22:33
Ver Resumo Completo de A.T. – Pentateuco – 03.00 – Levítico, na parte específica relacionada aos capítulos mencionados.
6.8.12- As Festas Fixas do Senhor – Lv 23:1-44
Ver Resumo Completo de A.T. – Pentateuco – 02 – Êxodo, na parte específica sobre “As Festas Fixas do Senhor”.
6.8.13- Instruções acerca do Azeite, do Pão e outras advertências – Lv 24:1-23
Há neste breve capitulo muitas coisas que devem interessar a mente espiritual. No capítulo 23 temos visto a história do procedimento de Deus para com Israel, desde a oferta do verdadeiro Cordeiro pascal até ao repouso e glória do reino milenial.
No capítulo que temos agora perante nós temos duas grandes ideias: primeiro, o testemunho e o memorial das doze tribos (mantidos continuamente diante de Deus pelo poder do Espirito Santo e pela eficácia do sacerdócio de Cristo); e, segundo a apostasia de Israel segundo a carne e o consequente juízo divino. E preciso compreender bem a primeira para poder compreender a segunda.
6.8.14- O Azeite para a Luminária, para Acender as Lâmpadas Continuamente
“E falou o SENHOR a Moisés, dizendo: Ordena aos filhos de Israel que te tragam azeite de oliveira, puro, batido, para a luminária, para acender as lâmpadas continuamente. Arão as porá em ordem perante o SENHOR, continuamente, desde a tarde até à manhã, fora do véu do testemunho, na tenda da congregação; estatuto perpétuo é, pelas vossas gerações. Sobre o castiçal puro porá em ordem as lâmpadas, perante o SENHOR continuamente” (versículos 1-4).
0 “azeite puro” representa a graça do Espirito Santo, baseada na obra de Cristo, representada por sua vez pelo castiçal de “ouro batido”. A “azeitona” era moída para dar o “azeite”, e o outro era “batido” para formar o castiçal. Por outras palavras, a graça e luz do Espirito estão baseadas na morte de Cristo e mantidas, com clareza e poder, pelo sacerdócio de Cristo.
A lâmpada de ouro espalhava a sua luz em todo o recinto do santuário, durante as tristes horas da noite, quando as trevas cobriam toda a nação e todos estavam envolvidos no sono. Em tudo isto temos uma intensa representação da fidelidade de Deus para com o Seu povo, qualquer que pudesse ser a sua condição exterior.
As trevas e a sonolência podiam estender-se sobre eles, mas a lâmpada devia arder “continuamente”. 0 sumo sacerdote tinha a responsabilidade de velar para que a luz do testemunho ardesse durante as horas enfadonhas da noite, “Aarão as porá em ordem, perante o Senhor, continuamente, desde a tarde até à manhã, fora do véu do testemunho, na tenda da congregação”. A conservação desta luz não dependia de Israel. Deus havia ordenado alguém cujo dever era velar por ela e pô-la em ordem continuamente.
6.8.15- A Unidade do Povo de Israel
Mais adiante lemos: “Também tomaras da flor de farinha e dela cozerás doze bolos; cada bolo será de duas dizimas. E os porás em duas fileiras, seis em cada fileira, sobre a mesa pura, perante o SENHOR. E sobre cada fileira porás incenso puro, que será, para o pão, por oferta memorial; oferta queimada é, ao SENHOR. Em cada dia de sábado, isto se porá em ordem perante o SENHOR, continuamente, pelos filhos de Israel, por concerto perpétuo. E será de Arão e de seus filhos, os quais o comerão no lugar santo, porque uma coisa santíssima é para eles, das ofertas queimadas ao SENHOR, por estatuto perpétuo” (versículos 5-9).
Não se menciona o fermento nestes pães. Não há dúvidas de que representam Cristo em imediata relação com “as doze tribos de Israel”. Estavam expostos no santuário perante o Senhor, sobre a mesa pura, durante sete dias, depois dos quais eram alimento para Arão e seus filhos, oferecendo outra figura notável da condição de Israel aos olhos do Senhor, qualquer que fosse o seu aspecto exterior.
As doze tribos estão continuamente diante d’Ele. os memoriais jamais podem perecer. Estão colocadas em ordem divina no santuário, cobertas com o incenso fragrante de Cristo, e refletem desde a mesa pura os raios resplandecentes da lâmpada de ouro, que brilha, com inalterável brilho, durante as horas mais sombrias da noite moral da nação.
Que significava o altar de Elias formado por “doze pedras”, no monte Carmelo? Não era nada menos que a expressão da sua fé na verdade que os “doze pães” eram “figuras” ou “sombras”.
Elias cria na unidade indissolúvel da nação mantida perante Deus na estabilidade eterna da promessa feita a Abraão, Isaque e Jacó, qualquer que fosse a condição externa da nação. 0 homem podia procurar em vão a unidade visível das doze tribos; mas a fé podia sempre ver no recinto sagrado do santuário os doze pães cobertos com o incenso puro e exposto em ordem perfeita sobre a mesa pura; e ainda que tudo fora estivesse envolto em densas trevas, a fé discernia, à luz das sete lâmpadas de ouro, a mesma verdade fundamental prefigurada; isto é, a unidade indissolúvel das doze tribos de Israel.
6.8.16- O Nome Santo – Lv 24.10-23
Esta inserção conta a história de um homem que blasfemou o nome do SENHOR e informa a pena resultante. O Decálogo não estabeleceu a pena específica por profanação do nome divino.
Por conseguinte, Moisés buscou orientação do SENHOR sobre o que fazer com o culpado. À prisão (12) seria “sob custódia” (ATA). Em N, é intercalada história semelhante sobre violação da lei sabática. Neste caso de blasfêmia, o envolvido era só meio-israelita, pois seu pai era egípcio (10).
Este indivíduo representaria a “mistura de gente” mencionada em Ê. A resposta para ambas as situações mostra que, nesta questão, não há diferença entre o israelita e o não-israelita: Qualquer que amaldiçoar o seu Deus levará sobre si o seu pecado (15).
Este fato é ilustração de que não havia provisão de sacrifício para quem violasse o próprio Decálogo. Os sacrifícios eram apenas para quem estava em concerto, e a violação do Decálogo significava o repúdio ao concerto. É difícil para as pessoas de hoje entenderem tamanha severidade pelo que se chama mero pecado verbal. Mas os antigos consideravam que os pecados verbais tinham uma realidade genuína. E vale perguntar: O que demonstra a atitude da pessoa para com o sagrado e o Deus santíssimo mais que o modo pelo qual usa as palavras santas?
“Nada é mais perigoso ou mais prejudicial para uma comunidade ou nação do que a irreverência às coisas sagradas. A profanação e a blasfêmia são pecados que acarretam culpa invulgar. A reverência a Deus é o fundamento da religião e da moralidade. Há uma mensagem para os nossos dias neste episódio trágico que enfatiza a necessidade de reverenciarmos o Nome Santo.”
Esta história de blasfêmia é usada para trazer à baila uma série (17-22) de exemplos da Lei de Talião — o princípio de olho por olho, dente por dente (20). Todas estas informações já foram mencionadas no Pentateuco, mas aqui são repetidas para mostrar que este princípio se estende a israelita e não-israelita (22).
Muitos argumentam que Jesus repudiou este princípio no Sermão da Montanha; o fato é verdadeiro no que tange à vingança pessoal. Allis tem razão ao asseverar que o propósito deste incidente é firmar uma lei de justiça pública, não de vingança particular, e que a indenização por danos provavelmente toma a forma de multa.’ Esta posição é apoiada pelos seguintes fatos:
1) Só o assassinato (Nm 35.31,32) é excluído de crimes para os quais há resgate; e
2) a lei mosaica se opunha à mutilação. Não nos esqueçamos de que o princípio de “olho por olho” é bastante básico a todas as leis civilizadas.
Os procedimentos interpessoais são outra questão. Mas mesmo nesta área, o amor que oferece a outra face diz pouco à parte ofendida, a menos que está e o ofensor saibam a diferença entre a justiça e a injustiça.
6.9- A Nona Subida: A Vida Prática do Reino – Levítico 25:1 até Levítico 26:46
Até este ponto Deus já os havia ensinado acerca de amar a Deus, amar ao próximo, o Mistério de Cristo, a maneira de viver em Comunhão no Corpo de Cristo e a Renovação do Pacto. Agora, porém, o Senhor começa a ensinar-lhes acerca da Vida Prática do Reino.
Assim como em Zorobabel se restaura a Casa e, em Neemias se restaura a Cidade, é a aplicação do Reino, a vida prática; é aqui que se começa a revelar o Ano Sabático, o do Jubileu, o da Remissão, ou seja, os princípios da vida cidadã debaixo dos parâmetros da revelação Divina. Tudo aponta para Cristo!
6.9.1- O Ano Sabático e o Ano Jubileu
Nós sabemos da escravidão que houve no Egito. Sabemos que Deus viu a aflição do Seu povo e desceu para livrá-lo das mãos dos seus opressores, através de Moisés, para levá-lo para a terra prometida (Ex 3.7-8). Contudo, com o passar dos tempos, os próprios componentes do povo de Deus passaram a escravizar aos seus irmãos.
Para resolver este grave ato contra o próximo, foi instituído o “ano sabático” (Ex 23.10-12; Ex 21:2-6). Era o ano do perdão, da restituição. Ao fim de cada sete anos, o credor restituiria o que havia emprestado ao próximo (Dt 15.1-2), para que não houvesse pobres (Dt 15.4). Ainda por cima, emprestaria a seu irmão hebreu o quanto bastasse para a sua necessidade (Dt 15.7-8).
O “ano sabático” instituía ainda que no sétimo ano fosse libertado o hebreu ou hebreia que havia sido comprado (Dt 15.12), fornecendo-lhe do rebanho, eira e lagar (Dt 15.14).
Ninguém deveria oprimir ao jornaleiro pobre e necessitado (Dt 24.14). Os direitos do estrangeiro, do órfão e da viúva deveriam ser respeitados (Dt 24.17).
Todas estas leis deveriam ser ouvidas pelo povo de sete em sete anos, no ano da restituição, na Festa dos Tabernáculos, para que todos aprendessem e temessem a Deus (Dt 31.10-13).
O “ano sabático” tinha como princípio que, assim como Deus havia libertado o povo no Egito, o povo de Deus também deveria libertar os escravos (Dt 15.15; Dt 24.18).
Era uma forma de eliminar a opressão e escravidão que os senhores faziam com aqueles que haviam se tornado escravos, devido a alguma dívida (cf. II Rs 4.1). Era uma forma de eliminar a pobreza em Israel (Lv 23.22; Dt 14.28-29; Ex 22.24).
O livro de Levítico amplia esta ideia social, com a finalidade de restituir os direitos e fazer justiça aos oprimidos. É instituído que de cinquenta em cinquenta anos se celebre o “ano jubilar”, ou seja, no 50° ano seria proclamada liberdade na terra a todos os seus moradores. Cada um voltaria a ter a sua casa e terra de volta (Lv 25.10).
O “ano do jubileu” determinava ainda que não se vendesse a terra eternamente, pois a terra é de Deus (Lv 25.23). Se alguém ficasse pobre, este não se tornaria escravo e sim seria tratado como um jornaleiro e peregrino até o jubileu (Lv 25.39-40).
Este ideal, porém, jamais foi cumprido plenamente. O povo, então, lançou a sua esperança para um enviado de Deus, a fim de que ele trouxesse um Reino onde todos tivessem liberdade e terra para morar e cultivar. Um Reino onde vivessem em dignidade, justiça, paz.
JUBILEU para o mundo cristão não significa apenas compor cinquenta anos de existência, mas também relembra outros aspectos relatados na Bíblia como instrução ou mandamento de Deus para seu povo.
Uma contagem do tempo que ao se completar trazia novidade de vida e libertação, Levítico, Capítulo 25. Jubileu, no hebraico quer dizer “Sonido de trombeta”, um instrumento feito do chifre do carneiro; instrumento através do qual se extraia uma nota musical longa e aguda.
Usado para anunciar o ano do Jubileu. O ano do Jubileu correspondia ao primeiro ano depois de sete vezes o ano sabático judaico. Este ano sabático compreendia, por sua vez, o total de sete anos, dentre eles, seis anos se trabalhava a terra e ao completá-los, no sétimo, deviam fazer descansar; descansando tanto a terra como também os trabalhadores.
O ano do Jubileu, por sua vez, era o primeiro ano depois de sete anos sabáticos, ou seja: sete vezes sete anos que é igual a quarenta e nove. No ano seguinte, o quinquagésimo ano, celebrava-se então, em comemoração solene, o ano do Jubileu, que tinha início no dia 10 do mês Tisri, que corresponde, no nosso calendário, ao mês de setembro; era um ano tão importante que o povo comemorava-o com solenidades marcantes, porque no que se diz, trazia o Jubileu que em muito tem haver com JÚBILO.
Júbilo que é alegria. Jubileu tempo de celebrar, tempo de festa na alegria do Senhor. Era considerado um ano de resgate. Nele eram observados preceitos tais como: repouso da terra e descanso dos trabalhadores, liberdade de escravos, instituição de normas que regularizassem a negociação de propriedades; resgate de propriedades das famílias; dívidas anuladas e outras mais.
O ano do Jubileu convidava e interessava a todos e levava também em conta duas grandes premissas da ótica divina;
- Primeiro, o reconhecimento por parte de todo o povo de que as desigualdades não provêm de Deus, mas sim do pecado, principalmente, a usura, o poder temporal e o egoísmo;
- Segundo, para reconhecerem ainda que uma vez contritos por esses pecados podiam receber o perdão, concedido por Deus que a todos ama.
O Jubileu lembrava libertação e como tal, sua mensagem já trazia na simbologia a tipificação da chegada do reino de Deus por Cristo Jesus, o libertador. O Senhor Jesus nos deixou um legado grandioso do seu reino e como mensagem escrita disse que veio para cumprir a Lei e não anulá-la, portanto, Ele cumpriu em si mesmo também o Jubileu do Antigo Testamento.
Isaías profetizou o “ano aceitável do Senhor” Is. 61-2; e “o ano dos meus redimidos é chegado” Is.63-4. Se lermos atentamente a profecia que fala de Jesus, em Isaias 61:1-3 vê-se claramente, que os benefícios concedidos pelo ano do Jubileu, o Senhor os confirmou e os ampliou ainda mais.
Oferecendo “boas novas aos mansos, restauração aos contritos de coração, liberdade aos cativos, abertura das portas das prisões aos presos e consolação a todos os tristes” Isto é Jubileu hoje.
Portanto todas estas questões de ordem natural, apontavam para a Grande libertação da Escravidão ao pecado e a restituição daquilo que nos foi usurpado em Adão. E não somente isto, mas apontavam para a questão do verdadeiro sentido e significado do Sábado.
Ou seja, a questão de “pano de fundo” de tudo isto, que parece meramente de ordem social para se fazer justiça, apontavam para Aquele que, tendo cumprido toda Justiça, veio para nos libertar desta escravidão, veio para restaurar todas as coisas e nos levar de volta à Arvore da Vida, nos conduzir à Terra Prometida, que é Cristo mesmo e Sua Plenitude.
Obs: É aconselhável analisar com maior nível de detalhes esta questão através do Resumo do Livro “O Futuro Glorioso do Planeta Terra “de Arthur Blomfield.
6.10- A Décima Subida: As Coisas Consagradas a Deus – Levítico 27:1 até Nm 2:34
Observe como o Senhor vai conduzindo o povo a estabelecer o Reino de Deus na terra. Primeiro Ele ensina o que devem fazer, como devem tratar a terra, como não devem vende-la, fazer Jubileu, fazer resgate, fazer remissão; porém aqui o Senhor passa a falar de coisas consagradas a Deus.
Se alguém quer consagrar a Deus a sua terra, se alguém quer consagrar a Deus a sua casa, quer dizer, Deus vai tomando o Reino; começa no Monte e vai descendo até chegar a nossa casa, nossa terra, como devemos consagrar a Deus. E não somente isto, mas trata de que maneira há que se atuar com respeito àquilo que se consagra a Deus.
Ou seja, o Reino de Deus vai desde a Arca da Aliança, desde o Lugar Santíssimo, e chega a nossa terra, nossa casa, nosso trabalho, nossas coisas.
Tanto o último versículo do capítulo precedente quanto o deste 27º capítulo de Levítico, indicam que os mandamentos deste livro foram dados por Deus quando o povo de Israel se encontrava acampado junto ao monte Sinai.
Neste último capítulo são descritos os procedimentos para os votos voluntários relativos a pessoas (v.2-8), a animais (v.7-13), a casas (v.14-15) ou a campos (v.16-25).
Nenhum voto era de caráter impositivo, mas uma vez sendo feito pela iniciativa do próprio votante, deveria ser cumprido, conforme prescrito pela lei.
A consagração de pessoas ao Senhor seria feita com base na idade e no sexo, sendo que os valores a serem pagos ao sacerdote para ser usado na administração do tabernáculo, foram fixados da seguinte forma, em siclos de prata:
· Sexo masculino – de 1 mês a 5 anos – 5 siclos (v.6);
de 5 anos a 20 anos – 20 siclos (v 5);
de 20 anos a 60 anos – 50 siclos (v.3).
acima de 60 anos – 15 siclos (v.7)
· Sexo feminino – de 1 mês a 5 anos – 3 siclos (v.6);
de 5 anos a 20 anos – 10 siclos (v 5);
de 20 anos a 60 anos – 30 siclos (v.4).
acima de 60 anos – 10 siclos (v.7).
Em II Reis 12 nós vemos que estes recursos foram usados, naqueles dias, para se fazer reparos no templo.
O princípio espiritual que podemos retirar como ensino deste preceito da Lei relativo a votos de pessoas, é que há um preço a ser pago por aqueles que desejam se consagrar a Deus.
Este preço é tanto mais alto quanto maior for a capacidade desta consagração, em termos de realização de um maior serviço.
Aprendemos também que esta consagração, apesar do preço que exige de nós, é inteiramente voluntária.
É certo que há uma chamada de Deus para cada ministério, mas todos eles devem ser exercidos de modo voluntário, livre, espontâneo, de coração, estando os que se consagram, muito mais dispostos em dar do que receber.
Os animais, casas e campos que fossem consagrados a Deus poderiam ser resgatados posteriormente, por meio de troca por outro de igual valor, ou se efetuando o pagamento conforme a justa avaliação do bem que deveria ser feita pelo sacerdote, com acréscimo da quinta parte do valor da avaliação feita (v. 13, 15, v 19).
No caso de campo deveria ser observado o procedimento relativo ao ano do jubileu (v .17-24).
Entretanto, os bens que houvessem sido consagrados de modo irremissível ao Senhor não poderiam ser resgatados (v.28,29).
Finalmente, nos versos 30 a 33 é fixada a lei do dízimo sobre tudo o que produz a terra como sendo pertencente ao Senhor. Caso se pretendesse resgatar algum bem, isto somente poderia ser feito se fosse acrescentado ao seu valor uma quinta parte.
Há muitos princípios espirituais para serem aprendidos pela igreja na Lei de Moisés, mas devemos dar graças a Deus por termos sido libertados por Cristo do jugo cerimonial da Lei, ao qual os apóstolos chamavam de jugo pesado, que nem os próprios israelitas conseguiram suportar (Atos 15.10). Graças a Deus pelo jugo de Jesus Cristo, que agora carregamos, que é leve e não pesado, como era o jugo da lei.
6.10.1- O Número e o Ofício dos Levitas


6.10.2- Os Levitas não foram Contados
A tribo dos levitas não foi contada entre as outras tribos, porque eles foram escolhidos por Deus no lugar dos primogênitos de Israel que foram salvos do exterminador conforme Nm 3:12-13 e, assim também os animais dos levitas foram tomados no lugar dos animais dos filhos de Israel conforme Nm 3:43-45.
Assim, figuradamente eles estavam mortos, e por esta razão não poderiam possuir nenhuma herança entre os filhos de Israel a herança deles era o Senhor Deus.
Como para se achegar a Deus temos que morrer conforme Romanos 6:1-5, logo os levitas estavam mortos figuradamente e o Senhor Deus os escolheu para servi-lo nas coisas sagradas referentes altar e todo os ritos cerimoniais em relação ao Tabernáculo e mais tarde do templo, e para ensinarem o povo as coisas referentes a Deus.
O significado de tudo isto era figura e símbolo das coisas que haveriam de vir, hoje representadas em todos cristãos que aceitam a Jesus Cristo como seu Único e suficiente Salvador. Se estamos mortos em Cristo logo também não temos herança nenhuma aqui na terra, mas esperamos uma nova Pátria nos Céus Filipenses 3:20, Colossenses 3:1-4.
6.10.3- O Resgate dos Primogênitos
O Primogênito é o primeiro filho e o primeiro entre os irmãos. Jesus foi o primogênito de Maria (Mt. 1:24-25). Jesus teve quatro irmãos, fora as irmãs (Mt. 13:55-56).
O primogênito do pai é o primeiro filho. Depois de nascido o primogênito do pai, cada mulher tinha o seu primogênito. Batseba teve quatro filhos para Davi. Siméia foi o primogênito, depois Sobate, Natã e Salomão, o caçula, mas o primogênito de Davi foi Amnon, filho de Ainoã (I Cr. 3:15).
Se a esposa que gerou o primogênito, não gerasse mais filhos, esse filho seria unigênito, ainda que o pai tivesse muitas esposas com muitos filhos. Foi o caso de Abraão. Sara só teve um filho, que é chamado de unigênito, apesar de Abraão ter mais sete filhos de outras duas mulheres (Gn. 16:1-4; 25:1-2; Hb. 11:17).
A linhagem de um homem era contada pelo primogênito, por isso que a força de um homem estava no primogênito (Dt. 21:15-17). Se morria o primogênito, estava cortada a linhagem e a força do tal homem.
A última praga que Jeová descarregou sobre o Egito foi a morte de todos os primogênitos, tanto de homens como de animais: “E aconteceu, à meia noite, que Jeová feriu a todos os primogênitos na terra do Egito, desde o primogênito de Faraó, que se assentava em seu trono, até o primogênito do cativo que estava no cárcere, e todos os primogênitos dos animais” (Ex. 12:29). Diz a Escritura que o pranto e o clamor do Egito foi mui grande (Ex. 12:30).
O valor dos primogênitos vinha de Jeová. O povo de Israel foi chamado por Jeová de filho primogênito (Ex. 4:22). Assim sendo, podemos entender que para salvar o seu primogênito, Jeová matou a todos os primogênitos do Egito.
Mas por que somente os primogênitos do Egito foram mortos? Devemos ter em mente que Faraó estabeleceu um decreto para matar todos os meninos até 2 anos no início do livro do Êxodo. Vemos ainda que este princípio se estende por toda a Bíblia, até os dias de Nosso Senhor Jesus Cristo. Logo, a questão tem por detrás um pano de fundo mais complexo e sério: a busca pelo impedimento da Vinda do Messias que esmagaria a cabeça da serpente.
Isto parece indicar também, neste contexto de julgamento da idolatria, um juízo de Deus acerca do ritual macabro dos povos antecessores dos hebreus que sacrificavam seus filhos a “deuses” como Amom para aplacar a ira destes “deuses” ao mesmo tempo em que entendiam que assim o fazendo trariam fertilidade à terra.
13.12 — Apartarás para o Senhor tudo o que abrir a madre […] os machos serão do Senhor. O verbo utilizado aqui, apartarás, ajuda a explicar o significado de consagrar no versículo 2. A ideia é tratar com distinção, distinguir como especial. O termo machos qualifica todos os primogênitos.
13.13,14 — O primogênito macho do jumento era resgatado com um cordeiro. Não era permitido que um jumento fosse oferecido em sacrifício ao Senhor. Similarmente, os israelitas deveriam resgatar seus primeiros filhos. Eles não poderiam nunca matá-los em sacrifício humano. Desta forma, os israelitas eram dramaticamente relembrados das coisas que o Senhor fez para que eles pudessem ser libertos da escravidão. O Senhor poupou os primogênitos dos israelitas, mas matou os primogênitos egípcios — humanos e animais — para dar a Seu povo a libertação. Mais tarde, o Senhor ordenaria que os levitas fossem separados para Ele no lugar dos primogênitos dos israelitas (Nm 3.40-51).
13.15 — Esta era uma dura lembrança a Israel do custo de sua redenção. Mais tarde, a estratégia foi mudada pelo Senhor ao tomar os levitas para si em lugar dos primogênitos (Nm 3.40-51).
13.16 — Esse sinal era uma lembrança, um memorial, um símbolo da grande libertação operada pelo Senhor em favor de Seu povo (veja Êx 13.9; compare com Dt 6.8).
Veja que o Senhor disse dos filhos primogênitos de Seu povo que eles seriam obrigatoriamente resgatados conforme o texto de Ex 13:13. E isto deveria implicar, da parte do povo de Deus, em consciência de real pertencimento ao Senhor, pois o resgate era na verdade o preço de redenção. O Real pertencimento implica em entrega de si mesmo a Deus.
Neste sentido devemos também ter atenção aos seguintes textos para melhor compreensão da questão da consagração dos primogênitos (dos filhos de Israel e dos Levitas):
- Sl 49:7-8
- Ex 4:22
- II Rs 23:10
- I Rs 11:7
- Lv 18:21
- Ex 13:1-16
- Ex 30:11-16
- Lv 27:1-15
- Nm 3:11
- Nm 3:43-45
- Rm 14:7-8
- II Co 5:14-15
- I Pe 1:17-21
Analisando todos estes textos com cuidado podemos perceber:
- Que o ferir os primogênitos do Egito implicava em julgar a idolatria reinante do povo egípcio pela qual eles sacrificavam seus filhos com vistas a aplacar a ira dos “deuses” e supostamente dar fertilidade à terra.
- Logo, os egípcios associaram a morte dos primogênitos com o julgamento de Deus; portanto isto julgava a falácia deste raciocínio e desta crença pagã.
- Ao dizer que os primogênitos dos filhos de Israel deveriam ser obrigatoriamente resgatados implicava em demonstrar que o povo de Deus não deveria curvar-se a crenças idólatras pagas. Deus é Deus de Vida, não de morte. Isto demonstra o Amor de Deus na Oferta do Cordeiro na cruz do Calvário.
- Ao dizer que eles deveriam consagrar os primogênitos ao Senhor, o Senhor correlacionava a consagração com a remissão; isto tem haver com senso de PERTENCIMENTO: “Eles são Meus…disse o Senhor”.
- Mais tarde, em Ex 30:11-16, o Senhor estabelece o valor do resgate da alma. Observe que não havia distinção no preço entre o rico e o pobre. O valor seria de 0,50X o Siclo do Santuário. E ainda diz que o DINHEIRO DA EXPIAÇÃO seria para mantimento do Santuário. ISTO É MARAVILHOSO POIS APONTA QUE O QUE SUSTENTA A OBRA DE DEUS NÃO É O DINHEIRO, MAS AS VIDAS CONSAGRADAS.
- Depois, em Ex 32:25-29, vemos os filhos de Levi “cortando na própria carne” por um único motivo: Consagrar-se ao Senhor, tendo em vista o que ocorrera no episódio do bezerro de ouro.
- Depois o Senhor toma os levitas em lugar dos primogênitos dos israelitas como que estabelecendo e reafirmando o reconhecimento de sua consagração ao Senhor.
- Mas devemos observar que em Lv 27:1-15 há os votos de consagração; isto é indicativo que a consagração tem um preço. Isto é relevante porque quando o Senhor for, mais à frente, fazer o resgate dos primogênitos excedentes aos levitas em Nm 3:40-51, Ele levará em conta não 0,5 X o Siclo do Santuário, mas 5,0 X o Siclo do Santuário.
- Ou seja, o preço de resgate dos primogênitos dos filhos de Israel tomado em referência aos levitas consagrados correspondia a 10x o valor do preço do resgate dos filhos de Israel, porque a referência já não era Ex 30:11-16, mas tudo parece indicar que tratava-se de Lv 27:1-15.
- Já na contagem de Nm 1:47-54 os levitas não foram contados porque figuradamente entenderam (e aplicaram às suas vidas) a realidade de terem sido resgatados pelo Senhor, e não somente isto, mas consagrados ao Senhor, conforme Ex 32:25-29.
- Tendo senso de real pertencimento ao Senhor, morrendo para si mesmos e consagrando-se ao Senhor verdadeiramente, eles demonstraram o porquê de terem sido tomados por Deus para serviço na Sua casa. E, por este motivo, observamos uma precificação diferenciada entre O REMIDO E O CONSAGRADO.
Obs: Há um elemento interessante aqui. Quando observamos os versículos 22, 28 e 34 do capítulo 03 de Números achamos um total de 22.300 levitas e não somente 22.000 como descrito em Nm 3:39. Então nos perguntamos: o que isto quer nos dizer? Aqui há pelo menos três possibilidades a serem consideradas:
- Os 300 “excedentes” seriam primogênitos dos Levitas; isto a princípio não faz sentido uma vez que tratar-se-ia da “troca” de primogênito por primogênito.
- Houve uma contagem incorreta de uma ou mais das famílias dos Levitas.
- Ou poderia haver alguma mensagem implícita nestes 300 excedentes não terem sido contados. Porque? Porque o número 300 na Bíblia fala do remanescente, senão vejamos:
3.1- 300 côvados era o comprimento da Arca de Noé, instrumento usado por Deus para salvar os que “andavam com Ele” e que “acharam Graça diante Dele” – Gn 6:15.
3.2- 300 anos foi o tempo que andou Enoque com Deus depois de ter nascido seu filho; e foi arrebatado para o Senhor, pois alcançou testemunho de ter agradado a Deus– Gn 5:22.
3.3- 300 é o número de homens que acompanharam a Gideão na batalha contra os Midianitas no episódio bastante significativo da separação ocorrida na Fonte de Harode; tipificação clara de como o Medo/Terror podem ser impeditivos da colheita que Deus quer fazer (relação com vidas transformadas) – Jz 7:1-7.
3.4- 300 foi o número de raposas tomadas por Sansão, para com elas, incendiar a seara dos filisteus. Devemos lembrar que os filisteus simbolizam na tipologia a luta contra nosso ego e que Jesus mesmo chamou a Pilatos de “aquela raposa” – Jz 15:1-8.
3.5- 300 é o número de colocíntidas gravadas na circunferência do Mar de Fundição no Templo de Salomão. Como o Mar de Fundição é o equivalente da Bacia de Bronze do Tabernáculo, isto fala do profundo julgamento do eu, uma vez que as dimensões do Mar de Fundição, como o próprio nome indica, são extremamente maiores do que a Bacia. Ou seja, um nível de consciência e julgamento do eu muito maior e mais elevado.
3.6- 300 foi o valor precificado por Judas no tocante ao vaso de alabastro quebrado diante do Senhor por aquela mulher pecadora. Ele menciona este valor e utiliza este argumento para critica-la, tendo em vista que na visão dele a oferta aos pobres teria sido mais adequada (embora fosse mera dissimulação). Isto fala de vida consagrada com senso de propósito existencial, pois “rivaliza” com a questão da botija quebrada e posteriormente lançada no Vale de Hinom conforme relato de Jr 19:1-6; esta sim desperdiçado, tendo sido inclusive posteriormente queimada.
3.7- 300 Foi o número de ESCUDOS DE OURO que o Rei Salomão mandou fazer quando desfrutava de pujança e Glória em seu Reino. Observe que cada ESCUDO pesava o equivalente a 300 siclos de ouro. Isto está relatado em II Cr 9:15-16. Esta parece ser uma clara menção à FÉ do remanescente, dado que na armadura do cristão mencionada em Efésios há uma clara menção à necessidade de “embraçar o ESCUDO da fé” por meio do qual teremos como apagar os dados inflamados do maligno.
Ademais, devemos nos lembrar que os Levitas não foram contados exatamente porque se houveram de forma evidentemente consagrada, no aspecto relacionado à luta demonstrada, de forma figurada, contra nossa carne, após o episódio do bezerro de ouro (Ex 32:25-29). Ora, parece claro que isto foi determinante, inclusive, para que eles:
- Fossem tomados em lugar dos primogênitos dos filhos de Israel _ Ex 3:11-15.
- Não fossem contados quando da saída do povo da Estação do Monte Sinai, quando ali se procedeu a contagem de todo o povo – Ex 1:47-54.
- Não recebessem possessões em herança em Canaã, pois o Senhor lhes era a sua herança.
Observe ainda que, exatamente em Nm 3:1-51, vemos dentre outras coisas, a menção dos príncipes dentre os filhos de Levi (Coatitas – vs 30, Meratitas – vs 35 e Gersonitas – vs 24). E, dentre eles, o príncipe dos príncipes que seria Eleazar (vs 32). Não seria isto uma correlação implícita de um remanescente dentre dos consagrados?
Ou seja, reconstruindo a visão desde a saída dos filhos de Israel do Egito, temos:
- Os Remidos
- Os Consagrados
- O(s) Remanescente(s)
Logo, parece mais coerente pensar no terceiro aspecto como mais plausível por todas estas correlações que nos dão algum embasamento, do que nas duas primeiras hipóteses que seria meras conjecturas. Mas, mesmo assim não podemos ser dogmáticos. Possa o Senhor revelar ao nosso espírito!!
No entanto, vemos que 273 é o número de levitas de 01 (hum) mês para cima que tiveram o resgate efetuado, conforme relato de Nm 3:46-47. Ou seja, os levitas excedentes são, de fato, 300 levitas.
Porém, como na Lei, a redenção deveria ser feita somente para os de um ano para cima, a contagem relativa a expiação não confere com o número de levitas obtido pela soma das famílias de Coatitas, Meratitas e Gersonitas. Assim, nesta passagem, um dentre os aspectos que ressaltamos é a menção implícita do remanescente. Tremendo!!
6.11- A Décima Primeira Subida: Os Deveres dos Levitas – Nm 3:1 até Nm 10:36.
6.11.1- As Tarefas dos Levitas devidamente designadas

6.11.2- A Posição diante do Tabernáculo


6.11.3- A Genealogia dos Filhos de Levi

6.11.4- Considerações importantes acerca de Nm 4 em conexão com Números 7: 1 a 9
A tribo de Levi tinha sido entregue a Arão e a Moisés (descendentes de Levi) para o serviço do tabernáculo. Todo primogênito dos filhos de Israel, que pertenciam ao senhor desde a primeira páscoa, no Egito, foram resgatados pela dedicação de todo homem levita ao serviço do Senhor. Isso aconteceu em Nm 3: 40 a 51.
A tribo de Levi era formada por três principais famílias:
- Os coatitas,
- Os gersonitas,
- Os Meraritas.
Cada uma dessas famílias recebeu um ofício específico em relação ao tabernáculo, especialmente em caso de necessidade de se desmontar o templo para levantar acampamento. É aí que entra a grande honra dos coatitas.
Os filhos de Gérson e os filhos de Merari, ambos sob a direção de Itamar, filho de Arão, levariam as cortinas do templo, suas estruturas pesadas, a porta, os demais utensílios e etc…
Mas os filhos de Coate, sob a direção de Eleazar, filho de Arão, levariam a mesa da proposição, o candelabro, o altar do incenso e, principalmente a arca do testemunho.
Quando nos deparamos com essa divisão do trabalho, percebemos claramente a honra, o privilégio e a responsabilidade concedida aos filhos de Coate. Eles carregariam os utensílios feitos de ouro, aqueles que ficam no santuário.
Esses utensílios estariam cobertos com um pano, de forma que ninguém os veria, mas todos sabiam o que estavam carregando e era a parte mais sagrada e mais preciosa do santuário de Deus.
No entanto, quando chegamos ao capítulo 7, nos deparamos com 6 carros e 12 cavalos doados pelos príncipes dos filhos de Israel. Sabe quem ganhou carros? Os filhos de Gérson (2 carros e 4 cavalos) e os filhos de Merari (4 carros e 8 cavalos).
Mas, os filhos de Coate deveriam carregar nos ombros os utensílios mais preciosos do santuário. Isto denota pelo menos duas coisas de extrema relevância:
- Que a responsabilidade dos Coatitas era maior, pois eles mesmos deveriam carregar as coisas santas do Senhor. Evidentemente sabemos que cada peça da mobília corresponde a algo relacionado ao Nosso Senhor Jesus Cristo primeiramente, e a algo que Ele deseja formar em Sua Igreja, para que ela seja mesmo “ossos dos Meus ossos”.
- Analisando o Sl 20:6-7 em conexão com Dt 17:16, e diversas outras passagens, vemos que os carros e os cavalos eram representativos de força natural humana. Ora, se eles deveriam transportar esta mobília nos próprios ombros, então são eles os que se sentem “fracos em si mesmos, mas fortes no Senhor”. São aqueles que verdadeiramente (não da boca pra fora) que sabem que não podem por eles mesmos. Sua força e sua dependência está única e exclusivamente NO SENHOR!
Observações adicionais:
- Devemos ainda ter especial atenção à tarefa sublime exercida por Eleazar através dos elementos que a ele foram determinados por Deus (Nm 4:16).
- Devemos observar a sequência de movimentação de todo o povo, feita agora de forma ordenada por Deus mesmo.
- Devemos atentar para a sequência e o significado de cada coberta que era colocada sobre cada peça da mobília do Tabernáculo antes da partida dos arraiais. (Ver Resumo sobre o Tabernáculo)
- O tema dos capítulos 5, 6 e 8 são tratados em detalhes, respectivamente, quando analisamos o livro de Levítico (conexão com Nm 5) e quando estudamos sobre o Nazireado (Nm 6) dentro de um contexto mais amplo relacionado à Consagração de Sacerdotes e Levitas. (Ver Resumo sobre Sacerdotes e Levitas – Histórico, Ofício, Vestes e Consagração).
- Esta última subida de Moisés ao Monte Sinai antes da partida para Quibrote-Hataavá, finaliza com as palavras do Senhor acerca da Páscoa e sobre o mover da Nuvem sobre o Tabernáculo. Agora instruídos acerca de tantas Verdades Celestiais, parece que o Senhor quer firmar na mente deles a necessidade da lembrança sempre presente da libertação do Egito em conexão com a obediência ao mover da Nuvem, representativa do Governo do Senhor.
Mais do que nunca, nesta Estação, devemos dizer: Senhor tenha Misericórdia de nós!