As 42 (Quarenta e duas) Estações no Deserto
Sumário
1- Estação 15: Ritma – Nm 12:16 a Nm 14:39 e Dt 1:19-40
2- O falar de Deus e o “bom senso” dos homens
3- Como os Nomes nos dizem muito das Pessoas: Os Espias
5- Contexto Geográfico – Ênfase Saída de Hazerote
6- Contexto Geográfico – Ênfase dos Desertos em Israel
7- Contexto Geográfico – Ênfase Cades, Cades-Barnéia, Reobe e Hebrom
8- Strong de Cades, Cades-Barnéia
9- Contexto Geográfico – Ênfase no Vale de Escol
10- Contexto Geográfico – Ênfase em Hamate
11- Strong de Hamate e de Reobe
12- Contexto Geográfico – Ênfase no Trajeto Cades-Barnéia até Reobe
13- Contexto Geográfico – Ênfase no Trajeto Cades-Barnéia até Hamate
14- Neguebe: Uma análise mais cuidadosa
15- A conquista do Neguebe e a Maturidade
16- Neguebe – Lugar de ser Provado por Deus
17- Neguebe – Lugar de Decisões Maduras
18- Decisão Errada – Mente não Renovada
19- Hebrom: O processo de Construção da Comunhão
20- Hebrom e a simbologia dos Reis Cananeus
21- A Conquista de Hebrom – Comunhão e Dias contados na Presença do Senhor
22- Aimã, Sesai e Talmai, filhos de Anaque – A realidade Espiritual
23- Contextualização e análise do porquê destas Citações
27- Análise Combinada das Três Expressões e o Objetivo: A Terra Prometida
28- O Vale de Escol: Uvas, Romãs e Figos
29- Aner, Escol e Manre – Gn 14:13-24
33- Ritma – Os Homens e as Árvores
34- A Giesta-das-Vassouras – O Zimbro
35- Árvores – Aspectos Espirituais (Parênteses Explicativo)
35.1- Abraão e o Carvalho de Moré:
36- As Árvores, a Idolatria e os “estados de alma”
40- As Manifestações da Vida Egocêntrica
41- 1º Grupo da Batalha em Josué
42- A Agitação, a Incredulidade e a Ansiedade
43- Motivos do Apedrejamento Conforme a “Lei de Moisés”
44- As Pedras que Vivem e os que apedrejam
45- Passagens Bíblicas e o Apedrejamento – Novo Testamento
45.1- Mt 21:33-45 – Parábola dos Lavradores Maus da Vinha e a Pedra Angular
45.2- Jo 11:5-10 – Episódio da Ressurreição de Lázaro
45.3- At 7:48-60 – Episódio da Morte por apedrejamento de Estevão
45.4- At 14:8-22 – O apedrejamento de Paulo em Icônico – 1ª Viagem Missionária
46- O aspecto subjetivo da fé: Esperança, Confiança, Obediência e Descanso
47- Intercedendo no espírito do Sumo Sacerdote
48- A Glória do Senhor e o Bom Perfume de Cristo
49- A Perseverança necessária na Conquista da Terra Prometida
50- A Luta real da carne contra o Espírito
51- O lugar da ira – Robert Young
51.1- Casa da Caverna ou Casa do Vazio – Strong
52- Azeca simboliza Cercar ao Redor – Robert Young
52.1- Azeca significa ESCAVAR ou CAVAR AO REDOR – Strong
53- Os reis na caverna – Js 10:17-22
54- 2º Grupo: A Batalha Continua – Js 10.28-43
54.1- 1° Princípio – Câmara do Tesouro
54.2- 2° Princípio – Câmara dos Sacerdotes
55- Batalhas da Vida Cristã e a Vida Ascensional
56- A batalha prossegue – Js 10.28-43
57- Ênfase da carne – Significa “lugar dos pastores” – Strong
58- As câmaras superiores ou do Tesouro
60- Compreendendo as Batalhas em seu Aspecto Ascensional
61- Item Batalha em Curso Batalha/Rei Anterior Vitória Correspondente Risco Associado
61.1- 1° Princípio – Câmara do Tesouro
61.2- 2° Princípio – Câmara dos Sacerdotes
62- Análise do avanço sequencial nesta caminhada de conquistas
63- 3º Grupo: A Contínua Batalha pela Vida Abundante – Caps 11 e 12
64- Lv 11:36 A Fonte de Água Viva – O Espírito da Vida
65- Os Amalequitas e os Cananeus
66- O Castigo dado por Deus: “Eu disciplino a todos quanto Amo”
67- A Fé e o Poder das Palavras
Estação 15: Ritma – Nm 12:16 a Nm 14:39 e Dt 1:19-40
“Partiram de Hazerote e acamparam-se em Ritma; ” Nm 33:18
Esta jornada a encontramos descrita tanto no livro de Números quanto em Deuteronômio. É significativo notar que o Espírito Santo desejou contar-nos esta história duas vezes. As outras jornadas, Ele nos contou uma única vez; esta não. Quando comparamos as histórias em ambos os livros vemos claramente tratar-se da mesma jornada, embora não sejam absolutamente iguais as narrativas, porém longe de serem contraditórias, o que se tem é uma história mais bem detalhada. Deuteronômio vai complementar o que nos foi dito em Números. Ou seja, o Espírito Santo certamente deseja que possamos aprender em detalhes sobre esta estação.
Devemos entender que o Espírito Santo nunca faz “coisas de sobra” sob este ponto de vista de narrativa. Tudo é milimetricamente pontuado, detalhadamente registrado e tem um significado complementar sempre importante e não raras vezes até mesmo surpreendente. Neste caso, esta estação nos é relatada em Nm 12:16 a Nm 14:39 e também em Dt 1:19-40.
O falar de Deus e o “bom senso” dos homens
Ao analisarmos o texto de Nm 13:2 temos a impressão que Deus ordenou a Moisés que enviasse homens a espiar a Terra Prometida.
“Disse o SENHOR a Moisés: Envia homens que espiem a terra de Canaã, que eu hei de dar aos filhos de Israel; de cada tribo de seus pais enviareis um homem, sendo cada qual príncipe entre eles. ” Nm 13:1-2.
Porém quando analisamos o mesmo texto no hebraico vemos algo diferente:

A expressão transliterada “SHELACH LEKHA” significa “ENVIA POR TUA CONTA, POR TUA RESPONSABILIDAE, POR TEU RISCO”. Veja que é uma mudança significativa na compreensão do texto. Uma coisa é Moisés fazer que espias fossem a Terra para, de forma prudente, fazer um relatório para todo o povo.
Outra coisa é imaginarmos que, se Deus JÁ HAVIA DETERMINADO que eles subissem e conquistassem a Terra Prometida, não faria sentido se enviar espias uma vez que a ORDEM DE DEUS JÁ HAVIA SIDO DADA. Seria isto uma desobediência, ou falta de fé?
Há nas Escrituras alguma outra menção a que pudéssemos recorrer para avaliar de ONDE E DE QUEM partiu esta ideia? Teria o Senhor DETERMINADO que eles fizessem ou CONSENTIDO com a decisão tomada por eles?
“Então, partimos de Horebe e caminhamos por todo aquele grande e terrível deserto que vistes, pelo caminho da região montanhosa dos amorreus, como o SENHOR, nosso Deus, nos ordenara; e chegamos a Cades-Barnéia. Então, eu vos disse: tendes chegado à região montanhosa dos amorreus, que o SENHOR, nosso Deus, nos dá. Eis que o SENHOR, teu Deus, te colocou esta terra diante de ti. Sobe, possui-a, como te falou o SENHOR, Deus de teus pais: Não temas e não te assustes. Então, todos vós vos chegastes a mim e dissestes: Mandemos homens adiante de nós, para que nos espiem a terra e nos digam por que caminho devemos subir e a que cidades devemos ir. Isto me pareceu bem; de maneira que tomei, dentre vós, doze homens, de cada tribo um homem. E foram-se, e subiram à região montanhosa, e, espiando a terra, vieram até o vale de Escol, e tomaram do fruto da terra nas mãos, e no-lo trouxeram, e nos informaram, dizendo: É terra boa que nos dá o SENHOR, nosso Deus. ” Dt 1:19-25
Observe então: “ Eis que o SENHOR, teu Deus, te colocou esta terra diante de ti. Sobe, possui-a, como te falou o SENHOR, Deus de teus pais: Não temas e não te assustes. ” Dt 1:21. Ou seja, esta frase é EXTREMAMENTE necessária para compreender o que aconteceu em Ritma. Deus não está falando de uma POSSIBILIDADE, como algo que carrega consigo algum elemento de INSEGURANÇA, algo CONDICIONAL. Não! Deus está ORDENANDO que subam, pois, a Terra JÁ LHES FOI DADA! A Terra é, para eles, UM DOM DE DEUS, UM PRESENTE, UMA DÁDIVA!
É, parece bem claro, não? A ideia de que fossem enviados espias antecipadamente partiu daqueles homens e teve o CONSENTIMENTO DE MOISÉS E DO SENHOR. Neste aspecto é interessante notar a longanimidade de Deus. Porque? Porque, estando fora do tempo, Ele já sabia o que haveria de acontecer.
E não somente isto, mas sua atitude de respeitar o livre arbítrio humano e, até em certos casos, consentir com ele dada sua forma amorosa e didática de tratar com a natureza humana. Sabemos o que sucederia depois!
Como os Nomes nos dizem muito das Pessoas: Os Espias
Porque será que o Espírito Santo desejou que soubéssemos os nomes dos varões-espias? Vamos analisar o significado dos nomes, de cada uma dos espias, que foram a terra de Canaã conforme Nm 13.1-16. Estes nomes são citados em Ritma, a 15a Estação da peregrinação do povo de Israel pelo deserto.
Samua – Fama ou Renomado – Não é o que muitas pessoas buscam? Fama? Querem sempre ter proeminência, ser reconhecidas, renomadas. Irmãos, que Cristo cresça, que Ele seja visto, que o testemunho da sua vitória seja visto em nós e não o nosso nome. Nosso nome não significa nada. O que importa é o nome de Cristo, se realmente estamos nEle.
Safate – Aquele que Julga, que Critica – Quantas pessoas são possuídas pelo espírito da crítica! Pessoas negativas, que sempre veem um motivo para poder ridicularizar, criticar, desdenhar, julgar os demais.
Jigeal – Aquele que redime, sentido negativo de Vingança. Tipificam também aqueles que deveriam exercer o direito de remissão, mas como tipificam o aspecto negativo do termo, parece que não o fazem. Neste aspecto manifestam omissão e, em casos extremos, podem até não fazê-lo, por vingança – e aqui seu outro possível sentido, tipificando aquelas pessoas vingativas, amarguradas que não perdoam.
Palti – Escapar, Livrar, Escapulir – Esse é o tipo de pessoa que sempre está disposta a desprezar, a abandonar as coisas boas que recebem. Tipificam aqueles que nunca estão dispostos a seguir até ao fim, mas sempre procuram abrir mão das coisas boas. Imaginem quantas coisas maravilhosas e boas Deus havia dado a este povo. Vocês podem imaginar? Quantas coisas preciosas Deus havia dado, mas eles abandonaram, rejeitaram.
Gadiel – Fortuna – Quantas pessoas vivem somente em função do dinheiro. São escravas do materialismo e pela compulsão de ter mais. Fortuna virou uma obsessão no coração dessas pessoas. Tudo gira em torno da busca pelo poder ou pelo ter. Tipificam os homens poderosos, fortes segundo os padrões do mundo. A palavra no hebraico possui dupla referência e aponta para “homens poderosos” e “atacar”; algo bastante similar aos princípios de Ninrode.
Gadi – Afortunado – Esse é outro significado que também não tem sentido positivo aqui, mas negativo. Pessoas que se julgam melhores do que as outras, que se consideram acima das outras, são aquelas que julgam possuírem mais que outras. Elas não sabem o que “considerar os outros superiores a si mesmas”. Implica em arrogância, falta de humildade. Estes não avançam porque julgam que já possuem, acham que não precisam de mais nada. Desconsideram aqueles que julgam serem “menores do que eles”, portanto demonstram insensatez pois “se comparam a outros…”
Amiel – Povo forte, proeminente – Também não tem sentido positivo, mas negativo, assim como eram aquelas fortalezas que eles viram em Canaã. Isto significa estar enraizado aos “nossos costumes”, “nossa práticas”, “nossas coisas”, “nossos entendimentos”. São pessoas que, via de regra, não se sujeitam a passar por situações difíceis de serem vivenciadas, pois gostam do cômodo, rejeitam em grande medida o “viver pela fé”. Este termo possui também dupla referência: “obscurecer” e “proeminência”. Parece sinalizar a relação entre a falta de visão e entendimento associada aos mecanismos de força mundanos (vide os “reinos deste mundo”) e os anseios por poder e destaque. Vemos esta realidade bem retratada no livro de Josué através do Pirão – Rei de Jarmute (veja abaixo).
Pirão – Rei de Jarmute
O nome deste rei vem da palavra hebraica PERE, e significa jumento selvagem.
Jarmute significa ESTAR ALTO, SER ELEVADO, SER EXALTADO.
Segundo Jó: “o homem vão é falto de entendimento; sim, o homem nasce como a cria do jumento montês” (Jó 11.12). Versão Almeida Versão Corrigida e Revisada Fiel.
Que lição podemos tirar destes dois nomes: Pirão e Jarmute?
O jumento selvagem rejeita qualquer jugo ou restrição. Ele “é” livre, independente e falto de entendimento. O homem natural é como ele.
Jarmute (elevação) – tipifica o orgulho, a posição, a fama e a arrogância. Portanto, como trata-se de uma cidade, indica a cidade onde habitam os faltos de entendimento, ou seja, aqueles que agem por seus impulsos naturais.
Veja o que aconteceu com Nabucodonosor conforme o registro de Daniel 5.20-21.
Setur – Ocultar, Esconder – Aqui há pelo menos duas possíveis interpretações que se ajustam ao todo da revelação Escriturística. De um lado temos as pessoas que estão enterrando ou mesmo escondendo os valores espirituais que Deus tem depositado em suas vidas; aqueles que sempre procuram viver por detrás das outras, que não estão dispostas arriscar suas almas em favor do Evangelho. De outro, temos aquelas pessoas que ocultam seus pecados, que não se julgam a si mesmos e nem reparam os danos causados a outros. Assim como vimos em Levítico, quando analisamos em detalhes os capítulos de 11 a 16, podemos dizer que “estes nunca prosperarão”.
Nabi – Covardia – Termo correlato a ocultar, esconder. Neste contexto estaria a apontar para a covardia. Covarde é uma pessoa na qual você nunca pode confiar. Alguém que nunca vai até ao fim, que sempre está à disposição para negar ao Senhor. Ela sempre nega porque é possuída por esse espírito de covardia.
Geuel – Semelhante a Deus – Esta a palavra aplicada neste contexto está a indicar o desejo por ser “semelhante a Deus, manifestando a Soberba, a autoconfiança e a busca pela auto exaltação.
Por um lado, sob o aspecto negativo, poderíamos dizer, de forma parafraseada, que NÃO ALCANÇAM A TERRA PROMETIDA, MAS MORREM NO DESERTO:
- A Fama
- A Crítica
- A Vingança
- O Medo
- A Idolatria – Mamom
- A Arrogância – O Senso de Superioridade
- O Desejo por Proeminência que manifesta a Falta de Visão
- A Hipocrisia
- A Covardia
- A Soberba
Estes nomes trazem a luz, por um lado, a incontestável revelação da natureza do fracasso. Daqueles que jamais poderão combater o bom combate e terminar a carreira.
O que está evidente, não é apenas as características dos que fracassam, mas por outro lado, as características daqueles que não herdarão Canaã. Canaã nos fala das profundezas de Cristo; das insondáveis riquezas que há em Cristo. Essa é a nossa herança em Deus!!
Em contrapartida, temos os dois espias que trouxeram um relatório adequado, um relatório condizente com o Poder e Fidelidade De Deus a quem serviam:
Oséias – Salvação – O termo no hebraico aponta para a palavra “Hosana”, ou seja, “Sê propício”. Este termo é bastante esclarecedor, pois traz consigo o caráter de impossibilidade humana, do reconhecimento de fraqueza, da necessidade de Um Salvador. Foi assim que Jesus foi aclamado ao entrar em Jerusalém montado em um jumentinho. Logo, neste contexto indica a confiança de Oséias em seu Senhor, apesar de sua fraqueza pessoal, de sua impossibilidade humana de pôr suas próprias forças se apoderar da Terra Prometida.
Calebe – De todo o Coração – Vem da palavra Kalev que no hebraico, é uma palavra composta – algo muito comum do hebraico antigo. Assim, a sua origem pode ser decomposta em dois termos: “Kol”, que significa “tudo” ou “todo”; e “Lev”, que significa “coração”. Daqui extrai-se que “Kalev”, no seu sentido mais remoto e profundo, significa “de todo o coração”. Ou seja, tipificam aqueles que tomam posse da Terra Prometida porque a Terra Prometida “está” manifesta em seus corações.
Por outro lado, no aspecto positivo, como sabemos que estes dois espias entraram na Terra Prometida, poderíamos dizer, de forma parafraseada, que ALCANÇAM A TERRA PROMETIDA:
- Os que tem profunda consciência de pecado, de fraqueza pessoal e clamam “Hosana” (que significa “Sê propício a Mim”) por Um Salvador
- Os que confiam e se entregam de todo o coração a Seu Senhor e Salvador.
Contexto Geográfico – Ênfase Saída de Hazerote

Acima o Mapa de uma dentre as possíveis rotas do Êxodo dos Israelitas. Atenção às possibilidades de terem cruzado o “Mar Vermelho” em:
- Mar de Juncos (Yam Sûf)
- Lago de Timsah (Lago dos Crocodilos)
- Lagos Amargos (Região de Mara)
- Mar Vermelho (Mais ao Norte)
- Mar Vermelho (Mais ao Sul)
- Mar Vermelho (Na parte Oriental do Mar Vermelho – Rota Alternativa)
Contexto Geográfico – Ênfase dos Desertos em Israel


Contexto Geográfico Importante:
Em Cades, ou Cades-Barnéia vamos encontrar um fenômeno e é necessário entendê-lo desde o princípio para depois não nos confundirmos na leitura. Existe, como vimos, uma cidade chamada Cades-Barnéia e O NOME DESTA CIDADE SE ESTENDE TAMBÉM AO DESERTO, OU SEJA, QUE EXISTE UM DESERTO CHAMADO DE DESERTO DE CADES, que é aquele que se encontra ao redor da cidade de Cades-Barnéia.
Então há uma etapa que se dá na cidade de Cades-Barnéia; mas mais adiante há outras etapas que se dão no DESERTO DE CADES, que são na verdade a parte norte do DESERTO DE PARÃ, ou também a parte sul do DESERTO DE ZIM.
Por este motivo, às vezes, veremos nas Escrituras menções ao DESERTO DE ZIM, outras ao DESERTO DE PARÃ, e outras ao DESERTO DE CADES; e ficamos a pensar que tratam-se de coisas distintas, até que estudamos mais detalhadamente e nos damos conta de que é a mesma coisa. Vamos tentar comprovar o que estamos dizendo através de alguns versículos bíblicos.
“Ao cabo de quarenta dias, voltaram de espiar a terra, caminharam e vieram a Moisés, e a Arão, e a toda a congregação dos filhos de Israel no deserto de Parã, a Cades; deram-lhes conta, a eles e a toda a congregação, e mostraram-lhes o fruto da terra. ” Nm 13:25-26.
Não sei se lhes pareceu clara a menção, mas o texto diz “no Deserto de Parã, em Cades…”, ou seja, não está falando da cidade de Cades, mas do Deserto.
“Enviou Moisés, de Cades, mensageiros ao rei de Edom, a dizer-lhe: Assim diz teu irmão Israel: Bem sabes todo o trabalho que nos tem sobrevindo; como nossos pais desceram ao Egito, e nós no Egito habitamos muito tempo, e como os egípcios nos maltrataram, a nós e a nossos pais; e clamamos ao SENHOR, e ele ouviu a nossa voz, e mandou o Anjo, e nos tirou do Egito. E eis que estamos em Cades, cidade nos confins do teu país. ” Nm 20:14-16
Aqui a menção é claramente indicativa da cidade de Cades. Portanto devemos tomar cuidado ao analisar os textos para verificar estas “diferenças” e, principalmente, o fato de que às vezes se chama o Deserto de Parã, às vezes Deserto de Zim e às vezes Deserto de Cades. É importante localizar geograficamente isto, especialmente no contexto em que são mencionados.
Reiterando estas advertências vejamos mais algumas citações:
“Partiram de Eziom-Geber e acamparam-se no deserto de Zim, que é Cades; ” Nm 33:36
Observem mais um detalhe: temos o Deserto de Sim e o Deserto de Zim, com Z. O Deserto de Zim é, em alguns contextos, intercambiado pelo Deserto de Cades.
Em resumo:
- O Deserto de Zim é Cades, em alguns contextos citados nas Escrituras
- O Deserto de Parã também é Cades, analogamente.
- Cades é também mencionada nas Escrituras como a Cidade.
“A voz do SENHOR faz tremer o deserto; o SENHOR faz tremer o deserto de Cades” Sl 29:8
Em estações posteriores, haverá uma etapa que se chama com nome próprio: Cades, porém se referindo a cidade de Cades-Barnéia, na fronteira. Agora, nesta etapa, estamos em Cades, porém não na cidade; estamos apenas começando a chegar a Cades, quer dizer, à parte norte do Deserto de Parã.
Vejamos isto de uma forma ainda mais clara correlacionando o que inclusive já vimos, mas em um contexto “cronológico”:
“Porém, depois, o povo partiu de Hazerote e acampou-se no deserto de Parã” Nm 12:16
Mas veja o que já havíamos visto anteriormente:
“Os filhos de Israel puseram-se em marcha do deserto do Sinai, jornada após jornada; e a nuvem repousou no deserto de Parã. ”Nm 10:12
Ou seja, de Quibrote-Hataavá também era chamado de Deserto de Parã. Ou seja, no Deserto de Parã, há várias etapas:
- A primeira etapa saindo do Sinai foi Quibrote-Hataavá – Nm 10:12
- A segunda etapa foi Hazerote, porém ainda no Deserto de Parã – Nm 11:35 e Nm 12:16
- E agora, saem terceira vez, agora de Hazerote, mas chegam outra vez ao Deserto de Parã. E esta etapa, neste deserto, é a que estamos. Eles chegam a Ritma – Nm 13:3
Ritma está no Deserto de Parã, porém às vezes se chama como se fosse Cades por causa destes desertos, uma vez que suas fronteiras não estão tão bem definidas e, desta forma, seu nome pode se estender mais “para cá” ou “para lá”, geograficamente falando. Portanto, é necessário ter isto em conta.
Assim vejamos agora o texto em Dt 1:19:
“Então, partimos de Horebe e caminhamos por todo aquele grande e terrível deserto que vistes, pelo caminho da região montanhosa dos amorreus, como o SENHOR, nosso Deus, nos ordenara; e chegamos a Cades-Barnéia. Então, eu vos disse: tendes chegado à região montanhosa dos amorreus, que o SENHOR, nosso Deus, nos dá. Eis que o SENHOR, teu Deus, te colocou esta terra diante de ti. Sobe, possui-a, como te falou o SENHOR, Deus de teus pais: Não temas e não te assustes. ” Dt 1:19-21.
Esta menção a Cades-Barnéia refere-se ao Deserto, todavia é o norte do Deserto de Parã. Veja o que sucede. Aqui se diz Cades-Barnéia, porém ali se diz Deserto de Parã, que é exatamente o mesmo Deserto, variando somente a sua designação, seu nome,
Contexto Geográfico – Ênfase Cades, Cades-Barnéia, Reobe e Hebrom


Strong de Cades, Cades-Barnéia





Resumindo, podemos transliterar Cades-Barnéia como “o Santuário da Depuração das Vacilações”. Isto “fecha” com o todo contexto, em especial, na questão de Yam Sûf, ou o Mar de Juncos, ou ainda as vacilações dos começos.
Contexto Geográfico – Ênfase no Vale de Escol

Obs: Figura representativa dos vales da terra de Israel. Por evidente, cada um destes vales tem sua significação espiritual correlacionada. Para entendermos melhor os contextos espirituais devemos analisar os episódios a eles correlacionados.
Contexto Geográfico – Ênfase em Hamate

Obs: A cidade de Hamate no contexto de sua localização geográfica próximo à Síria.

Obs: A cidade de Hamate no contexto de sua localização junto ao Mar da Galileia
11- Strong de Hamate e de Reobe
Hamate: “Fortaleza; raiz hebraica: “Muro””

Reobe: “Lugar Amplo, espaçoso; raiz hebraica: Ser ou ficar amplo””

Aqui temos uma mensagem subliminar bastante interessante. Reobe possui a mesma raiz hebraica de Reobote. Reobote foi o terceiro poço pelo qual Isaque NÃO CONTENDEU no episódio de Gn 26:12-33. Neste contexto vemos claramente a questão da subjugação da vida egocêntrica que “não contende” e assim, ainda que por figura, permite que os “poços possam jorrar”; figura do Espírito Santo. Não é à toa que na “noite seguinte” o Senhor lhe aparece (Gn 26:24).
Daí o porquê de, após não ter contendido por este poço, Isaque foi contemplado com um quarto poço, que não sem sentido, muito pelo contrário, foi chamado de Berseba (Poço dos Sete Juramentos; tipificando a Aliança).
De outro lado, contraditoriamente a um “lugar espaçoso” como Reobe, vemos Hamate que significa “fortaleza” e cuja raiz hebraica da apalavra aponta para muro. Ora, utilizando o princípio da primeira menção, vemos que esta citação encontra-se em Gn 16:1-14.
Ali o que se encontra em tema é a questão da discussão sobre as “obras da carne” tipificada pelas duas mulheres, ou melhor, duas alianças (Hagar-Lei; Sara – Graça) sendo que o relato se passa “junto à fonte de água no deserto, junto à fonte no caminho de Sur” (Gn 16:7). Não se esqueça de que a palavra Sur, como vimos em outros resumos, significa muro.
O aparente aspecto antagônico da citação de ambas cidades, Reobe e Hamate, cujos significados nos parecem tão diametralmente opostos entre si, não está sem sentido. Veja, o texto em Números nos diz assim “…Assim, subiram e espiaram a terra desde o Deserto de Zim até Reobe, à entrada de Hamate” (Nm 13:21).
Interessante. O “lugar amplo, espaçoso” fica à entrada da “fortaleza, do muro”. O muro na Bíblia, por vezes, está associado a separação, e por evidente aponta para santidade. E aqui a mensagem que, ao leitor descuidado, passaria despercebida: a verdadeira liberdade se encontra na subjugação do eu (REOBE) e isto se dá através da restrição a que devemos impor nossa carne (HAMATE) por meio da escolha do caminho da cruz. “E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne com suas paixões e concupiscências” (Gl 5:24). Eles não entenderam isto!!
12- Contexto Geográfico – Ênfase no Trajeto Cades-Barnéia até Reobe

13- Contexto Geográfico – Ênfase no Trajeto Cades-Barnéia até Hamate

14- Neguebe: Uma análise mais cuidadosa
“Enviou-os, pois, Moisés a espiar a terra de Canaã; e disse-lhes: Subi ao Neguebe e penetrai nas montanhas. Vede a terra, que tal é, e o povo que nela habita, se é forte ou fraco, se poucos ou muitos. E qual é a terra em que habita, se boa ou má; e que tais são as cidades em que habita, se em arraiais, se em fortalezas. Também qual é a terra, se fértil ou estéril, se nela há matas ou não. Tende ânimo e trazei do fruto da terra. ” Nm 13:17-20.
15- A conquista do Neguebe e a Maturidade
Em Josué vemos os filhos de Israel passaram a pelejar contra os cananeus que habitavam em Neguebe e suas planícies, conforme Js 1:9.
A condição fundamental para que prosperemos em qualquer chamado divino, pode ser resumida em dois verbos: obedecer e depender do Senhor. Abrão recebeu do Senhor um chamado, que incluía uma ordem bem clara: seria pai de multidões, mas deveria sair de Harã, da casa paterna e de sua parentela, e ir para um lugar desconhecido, lugar da bênção, que Deus lhe mostraria, caso seguisse a direção do Senhor.
O mais importante, na questão dos chamados divinos, não é a idade, condição cultural, intelectual ou socioeconômica da pessoa, mas sua disposição de viver as novidades de Deus. Por exemplo, Abrão, aos 75 anos de idade, não se achou velho o bastante para experimentar mudanças e aventuras com Deus.
Nunca ponha obstáculos diante dos chamados de Deus; nenhum chamado de Deus chega tardiamente em sua vida, nem você será sempre encontrado na posição ideal para ser chamado. Deus sempre sabe quem somos e em que situação estamos e, apesar disto, quando Ele nos chama é porque decidiu que vai nos usar e estabelecer no Seu propósito eterno.
Aleluia! Jamais estaremos na condição ideal para sermos usados por Deus, mas Ele sempre poderá nos fazer vasos úteis em Suas mãos, caso decidamos obedecer e depender dEle em tudo! Isto é o que mais Deus quer encontrar em nós: disponibilidade para obedecer e depender dEle!
Deus age para nos avaliar com respeito à nossa Obediência e Confiança Nele.
Diz o texto bíblico que o Senhor apareceu a Abrão, proclamou a bênção que lhe daria e, depois, levou-o até o Neguebe. Uma síntese disso é que no processo de nos treinar no chamado, primeiro Deus Se revela como o Deus que está conosco (“apareceu”), que tem planos de bênçãos a nosso respeito (‘darei”) e que também quer nos provar quanto a obedecê-lo e depender dEle em qualquer situação.
Inclusive, nessa última parte, a da provação, só poderemos mostrar bom resultado se estivermos em situação desconfortável ou crítica, pois é muito fácil obedecer e depender de Deus quando tudo está correndo às mil maravilhas. No caso de Abrão, um grande teste de obediência e dependência de Deus se processou no Neguebe.
16- Neguebe – Lugar de ser Provado por Deus
Para Abrão, Neguebe (Gn 12:9) foi um contexto para uma experiência muito especial com Deus. Originalmente, a palavra Neguebe traz o sentido de seco, árido e, geograficamente, Neguebe representava uma região árida a maior parte do ano, localizada ao sul do deserto de Zim.
Era uma região sem vida, sem graça alguma a maior parte do ano. De repente, por um curto período, tornava-se linda e fértil, quando as águas desciam dos montes e inundavam a região, por ocasião das cheias. Logo depois secava, tornava-se árida, até que novas águas voltassem.
Deus manda Abrão para o Neguebe, certamente para mostrar-lhe que assim como o árido e seco Neguebe só se tornava fértil quando as águas o inundavam, também sua estéril esposa Sarai só lhe daria filho quando o poder do Espírito a tornasse fértil.
Por sua natureza, o Neguebe se tornaria o lugar especial para Abrão e Sarai terem experiências especiais com Deus. Aquele tempo ali seria uma oportunidade para Abrão expressar sua obediência e dependência no Senhor. Abrão precisava ser provado e aprovado para poder cumprir o propósito de Deus em sua vida.
17- Neguebe – Lugar de Decisões Maduras
O fato é que em algum momento de nossa caminhada com Deus, experimentaremos a secura de algum “Neguebe”, quer seja por decisão direta de Deus ou por permissão dEle. Como ele chega até nós, não importa tanto, quanto o que fazemos quando ele chega.
Neguebe é lugar para onde Deus nos leva, ou permite que entremos, para que tomemos decisões estratégicas em nossas vidas. Decisões acertadas, maduras, ou erradas, imaturas, resultado de alguém com mente não transformada. Neguebe sempre será um tempo de teste para nós.
Por isso a caminhada com Deus inclui alguns períodos de Neguebe. É justamente nesses períodos de aridez e secura, que seremos testados no nosso nível de maturidade em Deus, pelo tipo de decisões que tomamos. Ser maduro na caminhada espiritual não é tomar decisões contraditórias e independentes de Deus, mas nos mantermos em obediência e na dependência dEle, independente do momento em que vivemos.
Uns, na iminência do “neguebe”, tornam-se desistidos e paralisam na caminhada, inviabilizando os projetos de Deus a seu respeito. Outros, entram no Neguebe, como Abrão, mas se movem na direção do mundo (Egito) para buscarem a provisão necessária do seu jeito, segundo seus métodos mundanos, também contrariando o propósito de Deus para eles.
Há outros, entretanto, que apesar das limitações pessoais e da aridez dos “Neguebes”, permanecem na presença do Senhor, em obediência e na dependência dEle. Esses são aprovados, amadurecidos e saem dos “Neguebes” da vida acrescentados e vitoriosos.
18- Decisão Errada – Mente não Renovada
Sair para buscar provisão do nosso modo, no mundo, quando deveríamos permanecer em obediência e dependência no Senhor para a providência, é sinal de imaturidade espiritual, de mentalidade não renovada em Cristo. É não confiar em Deus e sim no mundo e nas nossas habilidades. Deus quer que seus filhos e filhas, chamados para andar com Ele, sejam aprovados na obediência, sinceridade e confiança nEle.
Por causa de uma mente não renovada, Abraão, como muitos, escolheu buscar solução no Egito (no mundo).
Abrão já havia recebido a promessa e a ordem de Deus, já estava andando na promessa, mas sua mente ainda não havia se renovado para agir na promessa! Por isso escolheu errado! Nossa vitória não depende só de termos promessas de Deus para nós, mas também de termos a mentalidade da promessa em nós! Nossos valores definem a nossa mentalidade. Nossa mentalidade determina as decisões que tomamos. Sem a mentalidade do Reino de Deus, não decidirei em linha com Deus e não conseguirei prosperar nas promessas de Deus!
Lembre-se que para estar no mundo, viver e prosperar nele, e gozar dos benefícios do seu senhor, Abraão teve que mentir e negociar valores e princípios fundamentais para a bênção. Pelo medo de morrer, ele negociou Sarai – aquela de cujo ventre a sua bênção da paternidade chegaria.
Talvez seja por isto que Abraão deu a Ló a condição de escolher, conforme Gn 13; ele havia aprendido a lição de Neguebe.
Às vezes, por causa de uma mente não renovada em Cristo, deixamos de permanecer nos propósitos de Deus e colocamos em risco exatamente aquilo que Deus usará para nos abençoar (família, ministério, fé, esperança, igreja, célula, sonhos etc). É terrível quando, por causa de uma mente não renovada, colocamos o mundo, seu senhor e suas coisas no lugar de Deus e suas promessas. É na crise, nos momentos dos “Neguebes”, quando mais precisamos do Senhor.
Volte-se para o Senhor, arrependa-se diante dEle pelos atalhos no “Neguebe. Ele sempre está disposto a nos perdoar e restabelecer, quando nos encontra arrependidos. Fortaleça-se na promessa e transforme sua mente pela Palavra de Deus, ajustando-se aos princípios do Reino de Deus. Mostre-se obediente e confiante no Senhor e o sobrenatural Ele fará em seu favor. O Deus que prometeu é Fiel para cumprir!
19- Hebrom: O processo de Construção da Comunhão
“Eram aqueles dias os dias das primícias das uvas. Assim, subiram e espiaram a terra desde o deserto de Zim até Reobe, à entrada de Hamate. E subiram pelo Neguebe e vieram até Hebrom; estavam ali Aimã, Sesai e Talmai, filhos de Anaque (Hebrom foi edificada sete anos antes de Zoã, no Egito). Depois, vieram até ao vale de Escol e dali cortaram um ramo de vide com um cacho de uvas, o qual trouxeram dois homens numa vara, como também romãs e figos. Esse lugar se chamou o vale de Escol, por causa do cacho que ali cortaram os filhos de Israel. ” Nm 13:20-24
20- Hebrom e a simbologia dos Reis Cananeus
Os reis cananeus simbolizam as diversas formas de vida egocêntrica que, embora não representando pecados grosseiros, são, entretanto, grande impecilho para a realização do propósito de Deus em nossas vidas. Caso contrário, nunca conheceremos, na prática, o descanso e a perfeita harmonia com a Vontade de Deus. Devemos combatê-los e destruí-los. Se não o fizermos, eles não terão compaixão de nós.
Estes reis representam também a luta do inimigo para nos impedir de tomar posse de todas as bênçãos espirituais com as quais somos abençoados em Cristo, nos lugares celestiais (Ef 1.3). O nome de cada rei pode ter uma conotação positiva ou negativa. Se for positiva a lição é que tal rei tentará nos privar da bênção contida em seu nome. Se for negativa significa que ele se esforçará para nos levar a desviar do caminho, levando-nos a desobedecer a Deus naquilo que seu nome manifesta.
Os 5 primeiros reis apresentados no cap. 10 de Josué fundamenta, na verdade, o princípio bíblico da Graça e da Responsabilidade. Da parte de Deus, sempre Graça. Da nossa, dependerá a resposta em Responsabilidade a esta manifesta Graça. Logo, se formos fiéis no tratamento com os 5 primeiros reis, então podemos confiar que a profunda Obra da Cruz continuará operando e subjugando todas as formas sutis da manifestação do eu em nós! Não vamos analisar neste momento todos estes reis, mas somente aquele que está diretamente ligado à realidade tipificada em Hebrom. A análise e descrição completa dos demais está contida no Resumo sobre Josué.
21- A Conquista de Hebrom – Comunhão e Dias contados na Presença do Senhor
Ao subirem pelo Neguebe (Nm 13:22), eles chegaram até Hebrom. Hebrom tipifica comunhão. Hebrom significa um relacionamento sem nuvens com o Senhor. O rei Horão, no contexto do livro de Josué, sabia perfeitamente que o Senhor só conta os dias que passamos em Sua Presença. Se nos dedicarmos a qualquer outro rei, Deus deixa este tempo em branco. Para que nossos dias sejam contabilizados é necessário que habitemos em Cristo.
Este rei vai tentar nos impedir de conquistar Hebrom. O significado de Hebrom é comunhão. Isto significa o relacionamento sem nuvens entre nós e o Senhor.
O rei Hoão (“aquele a quem YHWH impele”) sabe perfeitamente que o Senhor só conta os dias em que passamos na Sua presença I Rs 6:1
- 40 anos do deserto + 450 anos de Josué e dos Juízes + 40 anos de Saul + 40 anos de Davi + 3 anos de Salomão = 573 anos
- 573 – 480 = 93 anos desperdiçados
- 8 anos (Rei da Mesopotâmia – Cusã (Trevas)- Risataim (Duplamente Malicioso) – FIG. DO MUNDO – Jz 3:7-9)
- 18 anos (Moabitas/Amonitas/Amalequitas – Eglom – (Rei Gordo – Alma Inchada) – FIG.DACARNE – Jz 3:12-14)
- 20 anos (Cananeus – Jabim – “aquele a quem Deus serve” – Partes baixas da carne – Opressão fortíssima – 900 carros de ferro – FIGURA DAS PAIXÕES E COBIÇAS – Jz 4:1-3)
- 07 anos (Midianitas – FIGURA DAQUILO QUE É LÍCITO MAS NOS ROUBA CRISTO + FIGURA DO MEDO DE SE DEIXAR TRABALHAR PELO SENHOR – Fonte de Harode – – Jz 6:1)
- 40 anos (Filisteus – Experiência de Sansão – FIGURA DO EU – Jz 13:1).
Juízes 2:1-3 “deuses” são laços é o ensino de Juízes.
Aqui fica claro! O que o Senhor deseja é nos impulsionar, nos impelir a que tenhamos profunda comunhão com Ele. Porém se nos dedicarmos a qualquer outro rei, Deus deixa este tempo em branco. Para que nossos dias sejam contabilizados é necessário que habitemos em Cristo.
Sl 90:12: “Ensina-nos a contar os nossos dias, de tal maneira que alcancemos corações sábios.”
Logo, no caso deste rei, o significado de seu nome implica naquilo de que ele nos quer privar (da bênção que está contida nos seu nome) sendo, obviamente ele, um rei que luta contra o povo de Deus.
Obs: Citamos neste ponto apenas o Rei e a cidade a ele relacionada, que é Hebrom, por ter sido explicitamente mencionada no texto. Os demais Reis Cananeus, suas simbologias, as realidades espirituais a eles correlacionadas e as guerras enfrentadas pelo povo de Deus na conquista de Canaã estão com razoável nível de detalhamento explicativo contidos no “Resumo sobre Josué”.
22- Aimã, Sesai e Talmai, filhos de Anaque – A realidade Espiritual
Aimã – Seu nome significa “Meu irmão é um dom”. Interessante, porque a raiz hebraica da palavra aponta para “corda” de harpa.
Sesai – Seu nome significa “Nobre”. A raiz hebraica da palavra aponta para “alvejado”, “Linho fino”, alabastro”.
Talmai – Seu nome significa “Sulcado”, e a raiz hebraica aponta para a palavra “sulcos”.
Anaque – Seu nome significa “Pescoço” e a raiz hebraica da palavra aponta para “servir como um colar”, como “um ornamento de pescoço”.
Zoã – Este nome significa “Um Lugar de Partida”. E ficava no Egito.
Devemos observar que o nome Anaque e, da mesma forma, os nomes de seus filhos parecem apontar para os aspectos relacionados à formação do caráter de Cristo no Seu povo. Isto fica tanto mais claro quanto mais avaliamos a Palavra tanto no contexto de Gn 24 (Rebeca) quanto no contexto de Acsa (Jz 01).
Em ambos os casos o que se tem em vista dizem a respeito à Mulher Virtuosa de Pv 31:10 em conexão com o que o apóstolo Pedro diz em I Pe 3:3-5. Sobre este tema já abordamos em outros resumos, notadamente nos resumos de Gênesis e Juízes.
23- Contextualização e análise do porquê destas Citações
Da mesma forma que os reis e as cidades a eles correlacionadas no contexto do livro de Josué, assim também o nome de cada um dentre estes gigantes pode ter uma conotação positiva ou negativa. Se for positiva a lição é que tal gigante tentará nos privar da bênção contida em seu nome. Se for negativa significa que ele se esforçará para nos levar a desviar do caminho, levando-nos a desobedecer a Deus naquilo que seu nome manifesta.
Veja, se juntarmos todos estes significados parece-nos clara a mensagem. O texto diz: “..ali estavam Aimã, Sesai e Talmai…”. Ora, tudo parece sinalizar que, depois de um tempo completo diante do Senhor (figura do número sete (anos) de Zoã), após a partida do Egito (local onde a peregrinação começou), eles seriam levados a uma realidade espiritual de plena comunhão com o Senhor e uns com os outros.
24- A Harpa
As menções bíblicas à harpa falam de algo que manifesta alegria, e traz descanso, paz, refrigério. Vemos isto quando Davi tocava a harpa para “acalmar” o espírito” de Saul e o livrar das influências dos espíritos malignos que lhe sobrevinham naquele contexto (I Sm 16:23), bem como em diversos outros contextos em que se tocavam harpas para louvarem o Senhor, especialmente nas celebrações (II Cr 5:12).
Observe que em Apocalipse há uma menção aos 144.000 e, possivelmente, partindo deles “uma voz do céu como voz de muitas águas, como voz de grande trovão; também a voz que ouvi era como de harpistas quando tangem a sua harpa. Entoavam novo cântico diante do trono, diante dos quatro seres viventes e dos anciãos. E ninguém pôde aprender o cântico, senão os cento e quarenta e quatro mil que foram comprados da terra. São estes os que não se macularam com mulheres, porque são castos. São eles os seguidores do Cordeiro por onde quer que vá. São os que foram redimidos dentre os homens, primícias para Deus e para o Cordeiro; ” Ap 14:2-4.
As “notas” relevantes aqui relacionam-se ao fato de que “eles seguem o Cordeiro por onde quer que Ele vá…”e que são “primícias para Deus” Isto é entrega total!!
25- O Alabastro
Ora, estando Jesus em Betânia, em casa de Simão, o leproso, aproximou-se dele uma mulher, trazendo um vaso de alabastro cheio de precioso bálsamo, que lhe derramou sobre a cabeça, estando ele à mesa. Vendo isto, indignaram-se os discípulos e disseram: Para que este desperdício? Pois este perfume podia ser vendido por muito dinheiro e dar-se aos pobres. Mas Jesus, sabendo disto, disse-lhes: Por que molestais esta mulher? Ela praticou boa ação para comigo. Porque os pobres, sempre os tendes convosco, mas a mim nem sempre me tendes; pois, derramando este perfume sobre o meu corpo, ela o fez para o meu sepultamento. Em verdade vos digo: Onde for pregado em todo o mundo este evangelho, será também contado o que ela fez, para memória sua. ” Mt 26:6-13
Não vamos entrar em detalhes, mas este texto está em um contexto que tipifica aquilo que o Evangelho deveria fazer em nós, pois relata a história de três irmãos, Marta, Maria e Lázaro, e a plena e total entrega de suas vidas ao Senhor.
Para tanto seria necessário estudar suas vidas e a transformação que experimentaram a partir de uma íntima e profunda comunhão com o Senhor. Interessante notar que eles viviam em Betânia, a “Casa dos Figos”. Logo, esta citação aqui é representativa do fruto que eles haviam de colher como prova de quão boa era a terra.
26- O Sulco
“Muitas vezes me angustiaram desde a minha mocidade, Israel que o diga; desde a minha mocidade, me angustiaram, todavia, não prevaleceram contra mim. Sobre o meu dorso lavraram os aradores; nele abriram longos sulcos. Mas o SENHOR é justo; cortou as cordas dos ímpios. Sejam envergonhados e repelidos todos os que aborrecem a Sião! Sejam como a erva dos telhados, que seca antes de florescer, com a qual não enche a mão o ceifeiro, nem os braços, o que ata os feixes! E também os que passam não dizem: A bênção do SENHOR seja convosco! Nós vos abençoamos em nome do SENHOR! ” Sl 129:1-8
Observe neste aspecto a relação entre a relação do fato de “abrir longos sulcos” com o fato de “sejam envergonhados e repelidos todos os que aborrecem a Sião”. Isto é significativo, pois Sião aponta para o Governo do Senhor, Seu Reino estabelecido. Os sulcos falam dos sofrimentos a que estamos sujeitos para que o Senhor possa fazer Sua Obra em nós, notadamente na questão que envolve o conhecimento de Governo, de Autoridade (Sião).
Também isto fala de vida de entrega total, pois podemos dizer não aos arranjos que o Senhor permite em nossas vidas para nos tratar. Logo, permanecer “no caminho” implica em “entrar pela porta estreita e andar pelo caminho apertado”. E não somente isto, mas escolher o caminho da cruz em todas as oportunidades; em especial nas questões que envolvem profundo tratamento da vida egocêntrica (orgulho, soberba, ira, contenda, julgamento de outros e etc…)
27- Análise Combinada das Três Expressões e o Objetivo: A Terra Prometida
Observe então a correlação, do contexto de Nm 13:20-24 combinado com Ap 14:2-4, na questão entre os harpistas e o serem “primícias para Deus”. Ou seja, em Hebrom haveria alegria, paz, descanso, refrigério. Mas a questão não é o local em si, mas aquilo para o que ele aponta, ou seja, sua realidade espiritual.
Podemos afirmar isto, pois somente os que são “primícias para Deus e que seguem o Cordeiro por onde quer que Ele vá”, é que desfrutam desta comunhão, desta segurança, desta alegria e que fazem uma entrega total de si mesmos a Deus (Relação com Primícias/Pentecostes). O texto de Números insiste em dizer que “…eram aqueles dias os dias das primícias das uvas”. Sabemos pelo contexto da Palavra que as uvas tipificam a alegria.
Observe que todo o texto sinaliza para este desfrute MEDIANTE a resposta interior do coração dos espias, do povo. É como se o Senhor estivesse a dar “dicas” daquilo que eles PODERIAM experimentar. E é por este motivo que, os que são primícias para Deus, seguem o Cordeiro por onde quer que Ele vá. É muito claro.
Mas devemos observar que isto implicaria em que fizessem uma entrega total de si mesmos a Deus (ALABASTRO), e não somente isto, mas que permitissem serem profundamente tratados através dos SULCOS que transformariam seu ser interior.
A colheita exterior era uma simbolização como possibilidade da realidade da qual eles poderiam se tornar participantes por meio de uma EXPRESSÃO VIVA DA PLENITUDE DE CRISTO, pois a Terra Prometida fala disto, da PLENITUDE DE CRISTO. E a questão não se limitava a questão da alegria somente, mas a um contexto do qual a alegria parecia ser a resultante, afinal são mencionadas duas outras frutas de Canaã.
Portanto, se estes gigantes que viriam a posteriormente serem expulsos por Calebe, conforme Js 15:13-14, tipificam aquilo que o inimigo tenta nos privar de alcançar para que possamos alcançar a PLENITUDE DA VIDA DE CRISTO, fica claro que seu objetivo é:
- Harpa – Nos impedir de seguir o Cordeiro por onde quer que Ele vá. Como? Procurando nos desviar do caminho, tentando nos fazer perder a visão, colocando medo/terror para nos paralisar no caminho, fazendo com que busquemos nossos próprios interesses para não sermos primícias (isto tem a ver com a Festa de Pentecostes e as Duas Casas de Israel – temas que veremos oportunamente) de pão partido (e porque não dizer de vinho vertido) a favor da vida de outros; dentre outros.
- Alabastro – Nos impedir de fazer uma entrega total de nós mesmos ao Senhor. Como? Fazendo-nos ser pessoas com “muitos interesses”, fomentando em nós um desejo pela satisfação do ego antes da satisfação do Senhor, ou seja, a busca de agradar-nos a nós mesmos antes de agradar ao Senhor. Intensificando nosso senso de autopreservação, auto exaltação, autocomiseração e tudo o que rivaliza com a negação plena da vida egocêntrica.
- Sulco – Buscando exacerbar em nós “nossos direitos”, nossa “justiça própria”. Tentando fazer com que não aceitemos as circunstâncias que nos sobrevêm para nos transformar, as críticas e as reprovações de outros; até mesmo, e principalmente, gerando ira e repulsa por aqueles que foram injustos conosco. E, sem dúvida, muitas vezes, tentando criar em nós a visão de um “caminho alternativo” a partir de um “entendimento parcial”, ao qual nos entregamos, consciente ou inconscientemente, mas que no fundo visa tão somente fazer com que venhamos a tomar outro caminho que não o caminho da cruz.
28- O Vale de Escol: Uvas, Romãs e Figos
Este é um vale perto de Hebrom de onde os espias enviados por Moisés trouxeram um ramo de vide com um cacho de uvas (Nm 13:22, 23; Dt 1:24, 25). É situado a norte de Hebrom, um vale que atualmente é famoso pelas suas uvas suculentas. O nome deste vale pode ter derivado do nome de Escol, o amorreu, que viveu nesta área no tempo de Abraão (Gn 14:13-24).
29- Aner, Escol e Manre – Gn 14:13-24
Interessante notar da possibilidade de este Vale de Escol ter se derivado de Escol, o amorreu que viveu na época de Abraão e ter participado da “empreitada” para salvar o sobrinho de Abraão, Ló. Porque?
Bem, primeiro porque o contexto é de guerra, de luta, de batalha. Já vimos que os 318 homens que ajudam a Abraão são compreendidos pelos rabinos como sendo uma guematria do nome do servo de Abraão, Eliézer.
Isto é significativo, especialmente neste contexto, porque o nome Eliézer significa “Deus é Meu Socorro”. Logo, estaria a indicar que “a batalha desta conquista de Canaã, assim como está para salvar a Ló, não é nossa, mas do Senhor”. Não interessam quantos vão conosco nesta batalha, o que interessa é que se o Senhor não for o nosso auxílio, o nosso socorro; nada feito.
Segundo, porque é significativo pensar que Ló chegou (e permaneceu) em Sodoma, porque se ateve a visão natural, não espiritual. Ele viu “as campinas do Jordão” e por este motivo foi “armando suas tendas” até Sodoma. Veja como isto rivaliza com o desfrute em Deus. E, evidentemente, sabemos que este desfrute em Deus tem a ver com a PLENITUDE DE CRISTO.
E, por último, há um contexto relacionado não meramente ao dízimo, no episódio da guerra da qual Abraão se torna participante, mas especialmente à consagração, que está implícito no texto de Gn 14:16-24. Observe que Abraão nada tomou para si; no entanto não privou ao amorreu Escol de fazê-lo. Interessante notar o que diz o Rei de Sodoma no versículo 21: “Então, disse o rei de Sodoma a Abrão: Dá-me as pessoas, e os bens ficarão contigo”.
Não sei se você nota, mas o rei de Sodoma (e sabemos para quem ele aponta), não está interessado em bens, mas em pessoas. Isto de um lado nos ensina como as coisas são usadas pelo inimigo de Deus para conquistar o coração das pessoas; mas de outro, nos faz pensar se nossa consagração se reduz ao dízimo, ou, à semelhança do rei de Sodoma, mas em favor dos interesses do Senhor, estamos dispostos a dar o que TEMOS e SOMOS, para que as pessoas possam ir ao Senhor!
Logo, ao referir-se a Aner, Escol e Manre, como veremos em detalhes mais à frente, o que parece estar subjacente é na verdade as questões acima delineadas. E, analogamente, quando observamos o Vale de Escol, no contexto dos espias, de forma correlacionada a estes elementos, vemos o que, de fato, significa estarmos cheios da PENITUDE DE CRISTO.
Aner Rapaz ou jovem (Ligação com força, fruto da permanência na Palavra e vitória sobre o Maligno) – I Jo 2:12-14.
Escol Cacho de uva (Ligação com alegria, transbordamento de Vida) – Mc 2:22.
Manre Força (Citação bíblica associada aos carvalhais fronteiros à Hebrom que tipifica comunhão) – Gn 13:18.
30- Videira
É um arbusto bem conhecido pela produção de uvas, cultivada desde os tempos antigos e mencionada muitas vezes nas Escrituras. Noé plantou uma vinha (Gn 9.20). Existia no Egito (Gn 40.9) e em Canaã (Dt 8.8). O tempo da vindima inspirava regozijo e festas (Jz 9.27; Jr 25.30).
A mesma figura de Israel às vezes é expressa pela videira, outras vezes pela vinha. Em linguagem figurada, é a nação de Israel mencionada como parábola em Salmo 80.8-16. Deus trouxe uma vinha do Egito e plantou numa terra, cujas nações foram lançadas fora (v 8). Sob a direção de Moisés o povo foi liberto da escravidão do Egito e, comandado por Josué, venceu os povos de Canaã.
Fez com que suas raízes se aprofundassem, seus ramos se tornassem como cedros e chegassem até o mar (vs 9-11). Tornou-se um reino próspero com a sabedoria e a grandeza de Salomão. Aparece também a parábola da videira em Isaías 5.1-7, apelando para o concerto que Deus fez com os pais quando os tirou do Egito.
“…julgai, vos peço, entre mim e a minha vinha. Que mais se podia fazer à minha vinha, que eu lhe não tenha feito? E, como, esperando eu que desse uvas boas, veio a produzir uvas bravas?” (Is 5.3b,4).
Israel foi escolhido por Deus para tornar conhecida a lei de Deus aos outros povos. Sua missão era servir de exemplo, de testemunho às nações que não conheciam a vontade do Senhor. ”E ser-me-eis santos, porque eu, o Senhor, sou santo, e separei-vos dos povos, para serdes meus” (Lv 20.26).
A responsabilidade de Israel era ser fiel a Deus, conservar o testemunho da santidade de Deus, do poder, da justiça e da misericórdia, para que os pagãos incrédulos conhecessem a palavra de Deus, que lhe foi confiada primeiro (Rm 3.1,2).
Como resultado, veio o castigo, cumprindo-se as predições de Deuteronômio 28 e dos profetas, especialmente Jeremias.
Vieram os exércitos da Assíria contra Samaria e de Babilônia contra Jerusalém, destruíram as cidades, os muros e o Templo e levaram para suas terras o restante do povo como cativo. Acabou-se a glória do povo de Israel. É o que significa a expressão: “O javali da selva a devasta, e as feras do campo a devoram “(SI 80.13). Deus mesmo declarou: “…tirarei a sua sebe, para que sirva de pasto…” (Is 5.5b)e “…já não há uvas na vide…” (Jr 8.13b).
Jesus Cristo pronunciou uma parábola para os judeus nos mesmos termos daquelas do Salmo 80 e Isaías 5. Um homem plantou uma vinha, tomou todas as providências de proteção e segurança e arrendou-a a uns lavradores. Estes, no tempo de dar conta dos frutos, espancaram uns servos, mataram outros e por fim mataram o próprio filho do proprietário (Mt 21.33-39).
Os judeus espancaram e mataram os profetas e crucificaram o Filho de Deus. Então Jesus perguntou “…o Senhor da vinha, que fará àqueles lavradores? ” E eles responderam: ”…Dará afrontosa morte aos maus, e arrendará a vinha a outros lavradores, que a seu tempo lhe deem os frutos…, Portanto eu vos digo que o reino de Deus vos será tirado, e será dado a uma nação que dê os seus frutos” (Mt21.40b,41b,43).
“…Como a videira entre as árvores do bosque, que tenho entregado ao fogo para que seja consumida, assim entregarei os habitantes de Jerusalém” (Ez 15.6b). Cumpriu-se de um modo mais detalhado, espiritualmente, em Atos 13.46b “…Era mister que a vós se vos pregasse primeiro a palavra de Deus; mas, visto que a rejeitais, e vos não julgais dignos da vida eterna, eis que nos voltamos para os gentios”.
Todavia a promessa feita a Abraão de abençoar sua descendência permanece no plano de Deus. Na mesma figura da videira (Ez 17.1-10,22-24), referindo-se a Israel, Deus acrescenta a figura do cedro, que representa majestade, prometendo fazer reverdecer a árvore seca.
31- Romãs
1-Uma árvore baixa, muito comum na Palestina, e geralmente no oriente. Os seus ramos são muito espessos e frondosos, sendo alguns guarnecidos de agudos espinhos.
2-As folhas são em forma de lança, e as flores vermelhas. O fruto, constando de uma casca dura, dentro da qual se acham grãos vermelhos, amadurece em outubro, e possui uma considerável quantidade de sumo agridoce, muito refrigerante nos países quentes, embora pouco fino para o paladar das pessoas do Norte.
3-A alta estima em que a romãzeira era tida pelos judeus pode depreender-se do fato de ser a romã um dos frutos que os espias trouxeram de Escol (Nm 13.23 – Nm 20.5), e de ser especificada pelos hebreus como um dos grandes mimos que eles tinham deixado no Egito.
4-Para Moisés foi este fruto uma das principais recomendações da Terra Prometida (Dt 8.8).
5-Além disso, a sua forma era tão admirada e tão claramente se via ser uma figura da abundância, que se empregava muito na ornamentação, sendo feitas nas bordas da vestimenta do sumo sacerdote romãs de azul e de púrpura, e escolhendo-as Salomão como principal embelezamento do templo.
6-A romã é uma fruta nativa do Irã, mas cultivada em toda a região do Mediterrâneo há milhares de anos. A palavra (em inglês, pomegranate) deriva do latim, pomum (maçã) e granatus (com sementes), devido ao seu formato semelhante à maçã e às centenas de sementes que preenchem o fruto. Em hebraico, a palavra para romã é rimon, que também significa “sino”.
7-As roupas dos sacerdotes, o Tabernáculo e o Templo eram ornamentados com romãs feitas em ouro. Apontavam para a voz profética. Quando o Sacerdote andava fazia barulho. Isto era um anúncio de que o Profeta estava chegando. Quando ele passava todos paravam para ouvir o que ele tinha a dizer.
8-Em Rosh Hashaná os judeus comem um novo fruto e fazem a bênção de shehecheyanu. Muitos judeus têm o costume de usar uma romã por causa de seus simbolismos especiais.
9-A romã é uma das sete espécies de plantas com as quais a Terra de Israel foi abençoada, e, portanto, exige uma bênção especial, para as Sheva Minim.
10-É também um símbolo de integridade, porque suas 613 sementes correspondem os 613 mandamentos da Torá.
11-Na Parashá Tetsavê, a Torá descreve a túnica do sacerdote. Era enfeitada com sinos de ouro e romãs alternados. As romãs eram bordadas com fios azuis, vermelhos e púrpuras. A bainha da túnica do sacerdote servia também para anunciar sua presença quando ele entrava no Santuário e para expiar pelo pecado de maledicência.
32- Figueira
1-É difícil encontrar sombra no verão quente nas terras do Oriente Médio. Qualquer árvore que proteja contra os raios solares é muito bem-vinda, especialmente quando ela cresce perto de casa.
2- A figueira, com as suas folhas grandes e largas e sua copa ampla, oferece uma sombra melhor do que quase qualquer outra árvore da região.
Segundo o livro Plants of the Bible (Plantas da Bíblia), “diz-se que a sombra [da figueira] é mais agradável e refrescante do que a de uma tenda”. As figueiras à beira de vinhedos, no Israel antigo, ofereciam aos vinhateiros lugares ideais para um breve descanso.
Ao fim de um dia longo e quente, os membros duma família podiam sentar-se debaixo da sua figueira e ter uma agradável associação.
3-Além disso, a figueira recompensa o seu dono com abundantes frutos nutritivos. Portanto, desde o tempo do Rei Salomão, o fato de a pessoa se sentar debaixo da sua figueira significava paz, prosperidade e abundância. — 1 Rs 4:24, 25.
4-Séculos antes disso, o profeta Moisés descreveu a Terra Prometida como ‘terra de figos’. (Dt 8:8) Doze espias forneceram evidência da fertilidade dela por trazerem figos e outros frutos de volta ao acampamento israelita. (Nm 13:21-23)
5-A figueira adapta-se à maioria dos solos, e seu extenso sistema de raízes torna possível que suporte o verão longo e seco do Oriente Médio.
6-Ela é incomum no sentido de que produz uma colheita de figos temporãos em junho e a safra principal, em geral, de agosto em diante. (Isaías 28:4)
Os figos da safra temporã costumavam ser comidos frescos. Os israelitas secavam os da safra posterior para serem consumidos no decorrer do ano.
Os figos secos podiam ser prensados para fazer tortas redondas, às vezes com a adição de amêndoas. Essas tortas de figos eram práticas, nutritivas e gostosas.
Abigail, uma mulher discreta, deu a Davi 200 tortas de figos prensados, sem dúvida achando que essas seriam um alimento ideal para os fugitivos. (1 Sm 25:18,27) Figos prensados tinham também valor medicinal. Uma cataplasma de figos secos, prensados, foi aplicada no furúnculo que ameaçava a vida do Rei Ezequias, embora sua subsequente recuperação tenha se devido principalmente à intervenção divina. — 2 Rs 20:4-7.
7-Os agricultores israelitas muitas vezes plantavam figueiras nos vinhedos, mas cortavam as árvores improdutivas. O solo bom era escasso demais para ser desperdiçado com árvores infrutíferas.
Na ilustração de Jesus a respeito duma figueira infrutífera, o agricultor disse ao vinhateiro: “Já faz agora três anos que venho procurar fruto nesta figueira, mas não achei nenhum. Corta-a! Realmente, por que devia ela manter o solo inútil? ” (Lucas 13:6, 7) Visto que no tempo de Jesus as árvores frutíferas eram tributadas, qualquer árvore improdutiva também seria um fardo econômico.
8-Os figos eram de muita importância na alimentação israelita. Por isso, uma má colheita de figos — talvez associada com um julgamento adverso da parte de Jeová — era uma calamidade. (Oséias 2:12;Amós 4:9)
O profeta Habacuque disse: “Ainda que a própria figueira não floresça e não haja produção nas videiras, o trabalho da oliveira realmente resulte em fracasso e os próprios socalcos realmente não produzam alimento. Ainda assim, no que se refere a mim, vou rejubilar com o próprio Jeová; vou jubilar com o Deus da minha salvação. ” — Habacuque 3:17, 18.
9-Às vezes, as Escrituras usam figos ou figueiras de modo simbólico. Por exemplo, Jeremias comparou os fiéis exilados de Judá a uma cesta de figos bons, de figos temporãos que costumavam ser comidos frescos. No entanto, os exilados infiéis eram comparados a figos ruins, que não podiam ser comidos e que teriam de ser descartados. — Jr 24:2,5,8, 10.
Na sua ilustração da figueira improdutiva, Jesus mostrou a paciência que Deus tinha com a nação judaica. Conforme já mencionado, ele falou sobre certo homem que tinha uma figueira no seu vinhedo.
10-A árvore havia sido improdutiva por três anos, e o dono ia mandar cortá-la. Mas o vinhateiro disse: “Amo, deixa-a também este ano, até que eu cave em volta dela e lhe ponha estrume; e, se então produzir fruto no futuro, muito bem; mas, se não, hás de cortá-la. ” — Lc 13:8, 9.
11-Quando Jesus contou essa ilustração, ele já havia pregado por três anos, fazendo esforços para que os membros da nação judaica desenvolvessem a fé. Ele intensificou sua atividade, “fertilizando” a figueira simbólica — a nação judaica — dando-lhe a oportunidade de produzir frutos. No entanto, na semana antes da morte de Jesus, tornou-se evidente que a nação, em geral, havia rejeitado o Messias. — Mt 23:37, 38.
Novamente, Jesus usou a figueira para ilustrar a má condição espiritual daquela nação. Ao viajar de Betânia para Jerusalém, quatro dias antes da sua morte, ele viu uma figueira com muitas folhas, mas sem fruto.
Visto que os figos temporãos aparecem junto com as folhas — e às vezes mesmo antes de surgirem folhas — a ausência de frutos na árvore mostrava que ela não valia nada. — Mc 11:13, 14.
Assim como a figueira improdutiva parecia sadia, a nação judaica tinha uma aparência enganosa. Mas não havia produzido fruto piedoso, e por fim rejeitou o próprio Filho de Jeová. Jesus amaldiçoou a figueira estéril, e os discípulos notaram no dia seguinte que ela já havia secado. Aquela árvore ressecada representava muito bem a iminente rejeição dos judeus por Deus qual povo escolhido. — Mc 11:20, 21.
12-Jesus usou também a figueira para ensinar uma lição importante a respeito da sua presença.
Ele disse: “Aprendei, pois, da figueira o seguinte ponto, como ilustração: Assim que os seus ramos novos se tornam tenros e brotam folhas, sabeis que o verão está próximo. Do mesmo modo, também, quando virdes todas estas coisas, sabei que ele está próximo às portas. ” (Mt 24:32, 33)
13-As folhas bem verdes da figueira são um sinal notável e inconfundível da chegada do verão. Do mesmo modo, a grande profecia de Jesus, registrada no capítulo 24 de Mateus, no capítulo 13 de Marcos e no capítulo 21 de Lucas, fornece evidências claras da atual presença dele no poder do Reino celestial. — Lc 21:29-31.
Já que vivemos em tal tempo decisivo da História, certamente queremos aprender algo da figueira. Se fizermos isso e continuarmos espiritualmente alertas, teremos a esperança de presenciar o cumprimento da grandiosa promessa: “Realmente sentar-se-ão, cada um debaixo da sua videira e debaixo da sua figueira, e não haverá quem os faça tremer; porque a própria boca de Jeová dos exércitos falou isso. ” — Miquéias 4:4.
33- Ritma – Os Homens e as Árvores
Ritma – No hebraico significa Zimbro, ou na maioria das traduções Giesta-das-Vassouras. É um dos locais de acampamento de Israel no ermo. (Nm 33:18-19). Sua localização é hoje desconhecida.
34- A Giesta-das-Vassouras – O Zimbro
A giesta-das-vassouras (Retama raetam) é na realidade um arbusto desértico da família da ervilha. O nome árabe correspondente (ratam) ajuda a identificar a planta e parece ser incorreta a tradução “junípero” em algumas versões. De forma simplificada, a “retama” poderia ser representada por um lenho seco, chamuscado.
Este arbusto é uma das mais abundantes plantas do ermo de Judá, da península de Sinai, bem como do restante da Arábia, e encontra-se em ravinas, em lugares rochosos, em encostas de morros e mesmo em trechos arenosos de áreas desérticas, onde suas raízes penetram fundo para captar umidade.
Atinge aproximadamente de 1 a 4 m de altura, tendo numerosos ramos finos, semelhantes a varas, e folhas estreitas e retas. Quando floresce, os pequenos cachos de flores delicadas, que variam de cor desde o branco até a rosa, apresentam uma linda vista ao recobrirem as encostas de morros de outro modo desprovidos de vegetação.
Obs: Interessante notar o nome desta estação e a correlação quanto a este arbusto, tendo em vista terem os espias partido de Cades-Barnéia (vimos o significado da raiz deste nome), e também pelo que já vimos com respeito às “vacilações dos começos”, em especial, em Pi-Hairote (“Mar de Juncos”).
35- Árvores – Aspectos Espirituais (Parênteses Explicativo)
35.1- Abraão e o Carvalho de Moré:
Vamos tomar, somente à título de exemplo (pois existem inúmeros outros que poderíamos citar e analisar em detalhes), o primeiro altar que Abraão edificou: foi em Siquém (Gn 12:6-7). A palavra Siquém significa “ombro”. O ombro é um lugar de força, de levar grandes pesos, portanto o significado de Siquém é “força”.
Mas em Siquém estava o carvalho de Moré. Moré em hebraico significa em “primeira chuva”, “professor”, “ensino”, “revelação”. Isto nos mostra que a força de Deus está no ensino que procede de vida, da revelação.
Abraão foi criado numa tradição pagã, a qual adorava vários deuses e vinculava objetos a essas divindades. Isto é claramente evidenciado em Josué 24.2, onde Josué ao discursar diante do povo, declara: “assim diz o Senhor Deus de Israel: Além do rio habitaram antigamente vossos pais, terá, pai de Abraão e pai de Naor; e serviram a outros deuses”.
Resumindo, Abraão, assim como seus familiares, era pagão; e, embora Deus o tivesse chamado para uma nova vivência espiritual, muitos elementos de sua antiga fé permaneceram entranhados em sua cosmovisão.
Afinal de contas, por setenta e cinco anos (Gn 12.4) o patriarca vivera naquela doutrina. Ele não conhecia nada a respeito de Yahweh; tudo o que fazia era baseado no conhecimento que o paganismo lhe dera.
Tanto que, quando Deus o chama, a primeira coisa que ele faz é procurar um carvalho (Gn 12.6,7). Isso evidencia uma crença comum em todo o antigo Oriente, a saber: a atribuição de sacralidade a algumas árvores.
Essas “árvores sagradas” eram parte integrante da vida “religiosa” em todo o Crescente Fértil, região na qual Abraão viveu durante muito tempo. Contudo, ainda que essa sacralização de árvores fosse comum na época do patriarca, vale salientar que elas não eram cultuadas ou divinizadas, mas funcionavam apenas como acessórios do culto de divindades celestes.
Portanto, eram revestidas de um simbolismo que as associava à fertilidade concedida pelo deus do céu, o qual, segundo a crença primitiva, derramava o seu sêmen (a chuva) para fecundar a terra (também vista como uma deusa).
Nesse contexto, a árvore usada com maior frequência para fins “religiosos” era o carvalho. Isto porque, frequentemente era atingida por raios, os quais estavam diretamente ligados aos deuses celestes.
Obs: Para detalhamento do significado do Carvalho ver “Resumo sobre as Árvores”.
A esse respeito, inclusive, os historiadores romenos salientam que o raio era, aos olhos do pagão primitivo, “a arma do deus do Céu em todas as mitologias e um local por ele atingido com um raio torna-se sagrado, os homens por ele fulminados ficam consagrados”. Por isso, nas regiões onde esses deuses eram adorados, o carvalho estava investido do poder e prestígios associados ao ser supremo.
Esse era o raciocínio de Abraão. Para ele, o carvalho marcava o local de culto; funcionando como uma espécie de “antena” que permitia a conexão com o divino. Assim, quando Deus fala com o patriarca, imediatamente, ele procura o “lugar” (māqôm) de Siquém, o carvalho de Moré (Gn 12.6).
Isto porque, na mentalidade de Abraão, se Deus disse que iria lhe mostrar a Terra Prometida, ele deveria dirigir-se a um carvalho para que a voz do Senhor fosse devidamente ouvida.
O mais interessante, é que, após chegar ao local do carvalho, Deus aparece a ele e lhe transmite uma mensagem. Isto é, o Senhor respeita a cultura de Abraão, e vai ao seu encontro de acordo com sua crença.
Em seguida, o texto sublinha que ali, ao pé do carvalho, onde Deus lhe falara, o patriarca edificou um altar (Gn 12.7), reforçando a ideia de que o local estava revestido de sacralidade, e que era, portanto, um ponto de conexão com o altíssimo.
O mais impressionante, no entanto, é que, além de buscar o carvalho de Moré, com o objetivo de ouvir a voz do Senhor, Abraão decidiu residir no meio dos carvalhos de Manre, e segundo o relato bíblico, “edificou ali um altar ao Senhor” (Gn 13.18). Isto é, o patriarca manteve a crença pagã que associava Deus ao carvalho, mesmo depois de encontrar-se com o Altíssimo.
Josefo (2005), inclusive, ressalta que, no período em que morou junto aos carvalhos, Abraão orava incessantemente, mostrando que o patriarca ainda vinculava a árvore ao Deus que lhe falara. Mesmo assim, naquele lugar ao qual o homem, ingenuamente, atribuía sacralidade, Deus foi ao encontro de Abraão (Gn 18.1).
Entretanto, o que chama a atenção é que muitos cristãos do século XXI, ainda agem como homens que, tendo os primeiros contatos com o Deus verdadeiro, atribuem sacralidade a lugares, tal como o monte das oliveiras, o rio Jordão, o monte Sinai, o templo X ou Y; e, por outro lado, revestem de malignidade os lugares onde os que professam credos diferentes se reúnem.
Ora, Deus não fez nem uma nem outra coisa, porém, entendendo que Abraão era um homem de seu tempo, o Senhor apresentou-se gradativamente, trabalhando em seu coração a fé verdadeira que se tornaria referencial para as gerações futuras.
Ele sabia que o patriarca não tinha o mesmo conhecimento teológico de Paulo. Assim, relevou os aspectos rudimentares de sua devoção e conduziu-o a um relacionamento íntimo consigo. Como podemos nós, então, priorizarmos discussões sem fim com pessoas que não creem “da maneira mais adequada”?
Deveríamos, na verdade, agirmos como o Senhor agiu: gradativamente e com amor apresentarmos as boas novas. Em contrapartida, é importante frisar que aquele que já abraçou a fé, que tem em mãos a revelação completa (a Bíblia), não pode agir como Abraão.
Pois, associar Deus a um lugar, objeto ou pessoa é coisa de quem não conhece toda a revelação. Foi justamente por isso que Deus, mais à frente, vendo que o pensamento pagão demonstrado pelo pai da fé permanecera no meio de Israel, enviou profetas para condenar tais práticas (Is 1.29; 57.5; Os 4.13). Afinal, a lei já havia sido dada. Não era aceitável que os israelitas continuassem sacrificando debaixo do carvalho.
É impressionante como o sincretismo é atraente. Até mesmo, homens consagrados como Josué utilizaram o carvalho como referencial religioso. Em Josué 24.26, por exemplo, o sucessor de Moisés, coloca uma grande pedra debaixo do carvalho que estava junto a um antigo santuário dedicado a Deus em Siquém, mesmo lugar onde Abraão edificou um altar ao pé do carvalho. Coincidência? Possivelmente não. Possivelmente, com o passar do tempo, o carvalho de Moré passou a ser venerado por causa de sua ligação com o patriarca.
Então, quando Josué, pretende sacralizar uma pedra para que esta sirva de memorial do concerto feito com o povo, o primeiro referencial religioso que vem à sua mente é o carvalho. Isto revela a força da influência cultural do paganismo oriental sobre a fé israelita. Essa influência pode ser percebida até mesmo em literaturas extra-bíblicas.
Mesmo assim, o amor de Deus nos surpreende. Ele poderia ter dado um basta nas reminiscências do paganismo, desde o início. Porém, Ele permitiu que aquelas permanecessem mesmo após a morte de Abraão.
Isaque, por exemplo, enterrou seu pai (Gn 25.9) e Débora, ama de Rebeca (Gn 35.8), em uma cova em frente aos carvalhos de Manre. Da mesma forma, Jacó, ao lado de Esaú, enterrou Isaque no mesmo local (Gn 35.27-29) e solicitou a seus filhos que também o sepultassem ali (Gn 49.28-30).
É bem provável que essa atitude recorrente tivesse como pano de fundo a crença pagã de que a árvore era o receptáculo das almas dos antepassados, visto que, em muitas culturas, ela representa a vida. Talvez, por isso, Manre tenha se tornado, mais à frente, um local de peregrinação.
Todavia, mesmo diante do sincretismo que caracterizava os patriarcas, Deus, sem tocar diretamente no assunto, aproximou-se daqueles homens a fim de revelar-se; abençoou-os, supriu suas necessidades, mostrando um amor incondicional, que se estende a toda a humanidade.
36- As Árvores, a Idolatria e os “estados de alma”
Baal – Dono, senhor, marido – O principal deus da fertilidade em Canaã. O culto a Baal foi uma das piores tentações dos israelitas, desde os tempos antigos.
Aserá – Companheira de Baal (Poste-Ídolo)
O culto a deuses pagãos, através de árvores que os representam ou atraem sua presença, antecede em milhares de anos ao nascimento de Cristo.
A palavra hebraica “asherah” é usada tanto para referir-se a Aserá, deusa da fertilidade, conhecida tanto como mãe de Baal como por mulher dele, quanto para identificar uma árvore sagrada, ou poste-ídolo, que a representasse.
Obs: Maiores detalhes ver Resumo sobre “Babilônia – A Mãe das Religiões”.
Assim, a adoração pagã de Aserá (também chamada Astarte, Astorete ou Asterote) estava ligada ao culto de árvores em bosques sagrados pelos semitas.
Já naquele tempo procurava-se justificar a idolatria relacionando-se, em textos e gravuras, o culto a Aserá a um suposto retorno à Árvore da Vida. Entenda-se, porém, ‘vida” nesse contexto como fertilidade, reprodução e prazer.
Os troncos de árvores em que imagens dessa deusa eram esculpidas, ou suas representações em metal preservavam parte de seus galhos para assumir a forma de “árvore da vida” nesse sentido, sexual.
Obviamente, nem todas as representações de Aserá eram tão explícitas. Mas bastava uma árvore frondosa ou mesmo um tronco com parte dos galhos para que a ligação mental surgisse.
Foi por isso que Deus proibiu expressamente a presença de qualquer árvore junto ao Seu altar: “Não estabelecerás poste-ídolo, plantando qualquer árvore junto ao altar do SENHOR, teu Deus, que fizeres para ti. ” Deuteronômio 16:21.
Os israelitas estavam proibidos de se ajuntar com os pagãos para participar de seus cultos, não deveriam visitar seus bosques sagrados, nem curvar-se diante de suas imagens nos lugares altos, mas isso não é tudo.
Estavam também proibidos de manter bosques ou mesmo uma única árvore próximo a um altar dedicado a Deus, para que o culto ao Deus verdadeiro fosse completamente diferenciado da adoração aos falsos deuses.
Os bosques ao redor dos lugares de culto dos pagãos serviam para ocultar os adoradores enquanto participavam das orgias e sacrifícios humanos que ali eram oferecidos.
No culto ao Deus de Israel, não havia necessidade de que nada fosse feito em segredo. Não era preciso nem permitido nenhuma árvore ou tronco próximos ao altar divino. Nem havia necessidade de qualquer representação ou símbolo da divindade, porque Deus não divide Sua glória com nenhum ídolo ou objeto de culto.
Quem adorava Baal adorava também a Aserá, através de seus postes-ídolos, feitos com pedaços de tronco de árvore ou árvores vivas, em que se começou a esculpir a figura de Aserá, posteriormente chamada Astarte.
Essas esculturas evoluíram a ponto de adquirirem formas cada vez mais humanas, mas eram posicionadas sempre junto a “árvores sagradas”, como as citadas em:
36.1- Jeremias 17:1-8:
“O pecado de Judá está escrito com um ponteiro de ferro e com diamante pontiagudo, gravado na tábua do seu coração e nas pontas dos seus altares. Seus filhos se lembram dos seus altares e dos seus postes-ídolos junto às árvores frondosas, sobre os altos outeiros. Ó monte do campo, os teus bens e todos os teus tesouros darei por presa, como também os teus altos por causa do pecado, em todos os teus territórios! Assim, por ti mesmo te privarás da tua herança que te dei, e far-te-ei servir os teus inimigos, na terra que não conheces; porque o fogo que acendeste na minha ira arderá para sempre. Assim diz o SENHOR: Maldito o homem que confia no homem, faz da carne mortal o seu braço e aparta o seu coração do SENHOR! Porque será como o arbusto solitário no deserto e não verá quando vier o bem; antes, morará nos lugares secos do deserto, na terra salgada e inabitável. Bendito o homem que confia no SENHOR e cuja esperança é o SENHOR. Porque ele é como a árvore plantada junto às águas, que estende as suas raízes para o ribeiro e não receia quando vem o calor, mas a sua folha fica verde; e, no ano de sequidão, não se perturba, nem deixa de dar fruto.”
Obs: É relevante notar como podem advir resultados tão distintos na questão sobre em quem (ou em Quem) a CONFIANÇA é depositada. Alías, este é o elemento-chave nesta estação de Ritma. No primeiro caso (homem) o resultado é se tornar um arbusto solitário, morar em lugares secos e inabitáveis. No segundo (Senhor) o resultado é Vida a despeito das situações episódicas exteriores de sequidão e adversidade. Para maior detalhamento deste tema basta analisar as vidas de Esaú e Ismael nos respectivos resumos em Gênesis.
36.2- I Reis 14:22-26:
“Fez Judá o que era mau perante o SENHOR; e, com os pecados que cometeu, o provocou a zelo, mais do que fizeram os seus pais. Porque também os de Judá edificaram altos, estátuas, colunas e postes-ídolos no alto de todos os elevados outeiros e debaixo de todas as árvores verdes. Havia também na terra prostitutos-cultuais; fizeram segundo todas as coisas abomináveis das nações que o SENHOR expulsara de diante dos filhos de Israel. No quinto ano do rei Roboão, Sisaque, rei do Egito, subiu contra Jerusalém e tomou os tesouros da Casa do SENHOR e os tesouros da casa do rei; tomou tudo. Também levou todos os escudos de ouro que Salomão tinha feito. ”
Obs: Note em primeiro plano que há profundo significado em “tomar os Tesouros da Casa do Senhor”. Isto, no contexto do Templo no A.T. conjugado com o “não ajuntar tesouros na terra mas nos céus” estaria a indicar um retrocesso na construção da Vida de Cristo e na retroalimentação da vida egocêntrica. Para tanto ver Resumo sobre “O Templo de Salomão – Câmara dos Tesouros”.
Em um segundo plano observe que foram tomados os “escudos de ouro”. Ora, sabemos que os escudos servem para proteção e o ouro manifesta a Vida de Deus. Logo, ambas realidades somadas implicam em uma abertura de brechas para a ação do inimigo. Mais à frente veremos a relação disto com Ritma cujo significado possui uma significação no hebraico que é “atar, reter”, e neste caso, apontando seu sentido negativo. Ora, estes elementos conjugados, apontam para o fato de que no fundo estas brechas são oportunizadas em nós, em nossas almas, para ação do inimigo visando “nos atar, nos reter”.
36.3- II Reis 17:7-12:
“Tal sucedeu porque os filhos de Israel pecaram contra o SENHOR, seu Deus, que os fizera subir da terra do Egito, de debaixo da mão de Faraó, rei do Egito; e temeram a outros deuses. Andaram nos estatutos das nações que o SENHOR lançara de diante dos filhos de Israel e nos costumes estabelecidos pelos reis de Israel. Os filhos de Israel fizeram contra o SENHOR, seu Deus, o que não era reto; edificaram para si altos em todas as suas cidades, desde as atalaias dos vigias até à cidade fortificada. Levantaram para si colunas e postes-ídolos, em todos os altos outeiros e debaixo de todas as árvores frondosas. Queimaram ali incenso em todos os altos, como as nações que o SENHOR expulsara de diante deles; cometeram ações perversas para provocarem o SENHOR à ira e serviram os ídolos, dos quais o SENHOR lhes tinha dito: Não fareis estas coisas.
37- A Giesta-da-Vassoura ou o Zimbro – Citações Bíblicas e os indicativos de sua significação espiritual nos contextos bíblicos
O nome hebraico da planta Giesta-da-Vassoura ou Zimbro(ró·them) evidentemente deriva dum radical que significa “ligar; amarrar”, referindo-se possivelmente à sua capacidade de segurar dunas de areia.
Quando Elias fugiu para o ermo, a fim de escapar da ira de Jezabel, segundo o registro em I Rs 19:4-5, diz que ele “sentou-se debaixo de certa giesta-das-vassouras (ou sua espécie correlata, o zimbro)” e então dormiu ali. Ao passo que as giestas-das-vassouras (zimbro) menores dariam muito pouca sombra contra o escaldante sol do ermo, uma de bom tamanho daria um agradável alívio.
As ameaças do espírito de Acabe e Jezabel agem no sentido de intimidar as pessoas colocando-as debaixo de um domínio de medo, mesmo que você tenha vivido milagres poderosos.
Por vezes um momento de vitória (afinal ele havia sido destemido ao enfrentar os 400 profetas de Baal) é seguido de um grande levante do inimigo que busca levar as pessoas para debaixo de um zimbro.
A PALAVRA ZIMBRO, NO HEBRAICO “RETHEM” SIGNIFICA “AMARRAR, ATAR”. E Elias, neste episódio, estava intimidado por uma palavra lançada contra a vida dele porque a árvore aqui tem um significado muito importante, ele não estava escondido debaixo da árvore da vida, mas sim, neste aspecto, debaixo de um possível “poste-ídolo”; à depender da simbolização que ele mesmo dava àquele local e também de “até que ponto aquele local não era indicativo de um estado de alma” que no fundo estava por manifestar brechas potenciais abertas para atuação do inimigo.
É exatamente o que o inimigo quer fazer, nos prender e amarrar, nos deixar estáticos e espiritualmente mortos, sem ação, mantendo assim toda unção do Espírito represada e inativa.
O desejo do inimigo é que aquela autoridade que nós recebemos fique presa e isso faça com que nós não tenhamos ação contra ele. Temos de sair de debaixo do zimbro, ir ao Monte de Deus e a nossa verdadeira constituição será manifesta!
Visto que as raízes da giesta-das-vassouras (zimbro) são amargas e nauseantes, em Jó 30:1-4 parece denotar um “estado de alma” de evidente instabilidade, em especial quando observamos ser este alimento associado a um contexto em que Jó manifesta explicitamente um sentimento de abandono, de exclusão, de inferioridade; chegando a apresentar até mesmo certo viés depressivo.
“Mas agora se riem de mim os de menos idade do que eu, e cujos pais eu teria desdenhado de pôr ao lado dos cães do meu rebanho. De que também me serviria a força das suas mãos, homens cujo vigor já pereceu? De míngua e fome se debilitaram; roem os lugares secos, desde muito em ruínas e desolados. Apanham malvas e folhas dos arbustos e se sustentam de raízes de zimbro.” Jó 30:1-4
No caso de Jó a manifestação deste “estado de alma” se deu através de um prolongado processo de tratamento, tendo em conta o que Deus tinha em vista fazer em sua vida. Já no caso de Elias, tal manifestação se deu após grande vitória de cunho espiritual e não parece associada a um lapso temporal tão grande.
Ou seja, a manifestação deste “estado de alma” que abre brechas, parece não ter necessariamente relação temporal, embora este possa catalisar o processo tanto maior a exposição da alma a situações adversas, conflituosas.
Obs: Neste sentido é interessante estudar sobre as reações da alma às circunstâncias da vida e os pecados potenciais a que estamos sujeitos associados aos sofrimentos contido no “Resumo sobre Levítico”.
38- I Rs 19:1-9
“Acabe fez saber a Jezabel tudo quanto Elias havia feito e como matara todos os profetas à espada. Então, Jezabel mandou um mensageiro a Elias a dizer-lhe: Façam-me os deuses como lhes aprouver se amanhã a estas horas não fizer eu à tua vida como fizeste a cada um deles. Temendo, pois, Elias, levantou-se, e, para salvar sua vida, se foi, e chegou a Berseba, que pertence a Judá; e ali deixou o seu moço. Ele mesmo, porém, se foi ao deserto, caminho de um dia, e veio, e se assentou debaixo de um zimbro; e pediu para si a morte e disse: Basta; toma agora, ó SENHOR, a minha alma, pois não sou melhor do que meus pais. Deitou-se e dormiu debaixo do zimbro; eis que um anjo o tocou e lhe disse: Levanta-te e come. Olhou ele e viu, junto à cabeceira, um pão cozido sobre pedras em brasa e uma botija de água. Comeu, bebeu e tornou a dormir. Voltou segunda vez o anjo do SENHOR, tocou-o e lhe disse: Levanta-te e come, porque o caminho te será sobremodo longo. Levantou-se, pois, comeu e bebeu; e, com a força daquela comida, caminhou quarenta dias e quarenta noites até Horebe, o monte de Deus. Ali, entrou numa caverna, onde passou a noite; e eis que lhe veio a palavra do SENHOR e lhe disse: Que fazes aqui, Elias?”
Obs: Note a clara correlação entre o “sentar-se à sombra do zimbro” com o “pedir a morte para si”, ou ainda, o “toma Senhor a minha alma”. Parece claramente um grito de alma; claramente uma brecha potencial para ação do inimigo, ou até mesmo como o resultado desta.
O zimbro é a representação anunciada e antecipada disto, se evidentemente entendemos o significado hebraico da raiz da palavra e temos também entendimento sobre a simbolização das árvores.
Mais um elemento interessante. Observe que Elias entra na caverna. A caverna é a testificação deste desejo por fuga, por esconder-se, e está muito associada às manifestações da vida egocêntrica quando estudamos biblicamente as menções à mesma.
Cabe ressaltar no contexto de Ritma que o Deserto em que eles se encontram é o Deserto de Parã, cujo nome significa “Lugar da Caverna”. Na verdade, este contexto relacionado a este Deserto já se faz presente desde Quibrote-Hataavá; portanto envolve as estações de
- Quibrote-Hataavá,
- Hazerote
- Ritma.
Ou seja, há uma clara associação entre a natureza dos eventos, o significado das localidades em que os mesmos se dão e para o que eles apontam sob o ponto de vista das possíveis respostas da alma humana ao operar transformador de Deus.
Em contraposição a isto, vemos a cidade de Gerar. Gerar significa alojamento, lugar de pernoite. Ambas são realidades distintas embora pareçam assemelhadas. Posteriormente podemos estuda-las mais à fundo.
Por ora, o que interessa é entender que por Gerar passou Isaque (Gn 26) e assemelhados a ele passaram pela “longa e escura noite em que a alma foi tratada e transformada”, todos os patriarcas.
Na caverna temos o grito da alma, quer seja pelo sofrimento das circunstâncias, quer seja pelo desejo de não oferecer-se à operação mais profunda da cruz, quer seja por que motivo for. Em Gerar o que se tem é a transformação do ser pela formação e manifestação da Vida de Cristo, dada a resposta NO ESPÍRITO que damos às questões acima colocadas.
Mas, mesmo na caverna, o Senhor nos entende e vem ao nosso encontro. A única forma de vencermos estas situações é “comermos e bebermos”, pois “com a força daquela comida” (metáfora da Palavra, de Cristo) poderemos ainda caminhar 40 dias e 40 noites até o deserto. Daí a indagação com ares de perplexidade do Senhor a Elias quando, a despeito de ter se alimentado, ainda permanecer na caverna: “Que fazes aqui, Elias?” (I Rs 19:9).
Todas estas considerações visam buscar compreender melhor a “ambiência” na qual ocorrem os eventos desta estação. Ou seja, o “pano de fundo” desta estação tem clara relação com os elementos até então abordados, sendo em grande medida destes originários. Daí o fato de a estação ser assim chamada.
Portanto, retornando a Números 13:25-33:
“Ao cabo de quarenta dias, voltaram de espiar a terra, caminharam e vieram a Moisés, e a Arão, e a toda a congregação dos filhos de Israel no deserto de Parã, a Cades; deram-lhes conta, a eles e a toda a congregação, e mostraram-lhes o fruto da terra. Relataram a Moisés e disseram: Fomos à terra a que nos enviaste; e, verdadeiramente, mana leite e mel; este é o fruto dela. O povo, porém, que habita nessa terra é poderoso, e as cidades, mui grandes e fortificadas; também vimos ali os filhos de Anaque. Os amalequitas habitam na terra do Neguebe; os heteus, os jebuseus e os amorreus habitam na montanha; os cananeus habitam ao pé do mar e pela ribeira do Jordão. Então, Calebe fez calar o povo perante Moisés e disse: Eia! Subamos e possuamos a terra, porque, certamente, prevaleceremos contra ela. Porém os homens que com ele tinham subido disseram: Não poderemos subir contra aquele povo, porque é mais forte do que nós. E, diante dos filhos de Israel, infamaram a terra que haviam espiado, dizendo: A terra pelo meio da qual passamos a espiar é terra que devora os seus moradores; e todo o povo que vimos nela são homens de grande estatura. Também vimos ali gigantes (os filhos de Anaque são descendentes de gigantes), e éramos, aos nossos próprios olhos, como gafanhotos e assim também o éramos aos seus olhos.
- O primeiro ponto a considerar é bastante interessante: o tempo demandado para “espiar a Terra” foi de quarenta dias. O número quarenta sempre está associado a provação. As menções bíblicas neste sentido são inúmeras.
- O objetivo pelo qual Deus nos prova é tal que tem por propósito nos dar a realidade interior que nos constitui. Evidente que Deus, pela Sua Onisciência e Presciência, já tem tudo “patente a Seus Olhos”. Logo, as provações são para que nós mesmos possamos compreender até que ponto as lições anteriores e as atuais tem servido para, de fato, nos transformar e com que grau de realidade isto tem se tornado Vida em nós.
- O segundo aspecto importante é o aspecto contraditório do relatório dos espias. No versículo 27 eles fazem o relato a Moisés: “Fomos à terra a que nos enviaste; e, verdadeiramente, mana leite e mel; este é o fruto dela.”
- Já nos versículos 32 e 33 o relato feito diante do povo foi outro: “E, diante dos filhos de Israel, infamaram a terra que haviam espiado, dizendo: A terra pelo meio da qual passamos a espiar é terra que devora os seus moradores; e todo o povo que vimos nela são homens de grande estatura. Também vimos ali gigantes (os filhos de Anaque são descendentes de gigantes), e éramos, aos nossos próprios olhos, como gafanhotos e assim também o éramos aos seus olhos. ”
- É interessante notar que no primeiro relato a ênfase (positiva) está na Terra. No segundo o relato tem ênfase (negativa) nos habitantes da Terra. Quando paramos e pensamos sobre isto, no contexto do todo da revelação bíblica, vemos que o grande empecilho para a conquista da Terra somos nós mesmos. Porque?
- Porque os gigantes cananeus são simbolizações da vida egocêntrica que herdamos de Adão (vide explicativo e quadro abaixo). Logo, é mais ou menos o seguinte: o que está se passando em Ritma é que vemos Cristo, desejamos os frutos desta “Terra Prometida”, sabemos que o fruto é maravilhoso, a Terra realmente “mana leite e mel”. Mas então qual o problema? Nossa aversão ao caminho da cruz, nossa tendência natural a negarmos a Cristo e não a nós mesmos.
39- Os Gigantes e a Batalha
Podemos ver em detalhes, pelo livro de Josué, quais são os gigantes, o que eles significam e quais batalhas estão associadas a cada um deles. Por uma questão de simplificação neste estudo faremos mera menção sem maiores detalhamentos. Os detalhamentos explicativos podem ser vistos no “Resumo sobre o Livro de Josué”.
Antes, devemos nos lembrar do que o Senhor falou a Moisés quando de seu chamamento para fazer o povo herdar a Terra.
Ex 23:20-33:
“Eis que eu envio um Anjo adiante de ti, para que te guarde pelo caminho e te leve ao lugar que tenho preparado. Guarda-te diante dele, e ouve a sua voz, e não te rebeles contra ele, porque não perdoará a vossa transgressão; pois nele está o meu nome. Mas, se diligentemente lhe ouvires a voz e fizeres tudo o que eu disser, então, serei inimigo dos teus inimigos e adversário dos teus adversários. Porque o meu Anjo irá adiante de ti e te levará aos amorreus, aos heteus, aos ferezeus, aos cananeus, aos heveus e aos jebuseus; e eu os destruirei. Não adorarás os seus deuses, nem lhes darás culto, nem farás conforme as suas obras; antes, os destruirás totalmente e despedaçarás de todo as suas colunas. Servireis ao SENHOR, vosso Deus, e ele abençoará o vosso pão e a vossa água; e tirará do vosso meio as enfermidades. Na tua terra, não haverá mulher que aborte, nem estéril; completarei o número dos teus dias. Enviarei o meu terror diante de ti, confundindo a todo povo onde entrares; farei que todos os teus inimigos te voltem as costas. Também enviarei vespas diante de ti, que lancem os heveus, os cananeus e os heteus de diante de ti. Não os lançarei de diante de ti num só ano, para que a terra se não torne em desolação, e as feras do campo se não multipliquem contra ti. Pouco a pouco, os lançarei de diante de ti, até que te multipliques e possuas a terra por herança. Porei os teus limites desde o mar Vermelho até ao mar dos filisteus e desde o deserto até ao Eufrates; porque darei nas tuas mãos os moradores da terra, para que os lances de diante de ti. Não farás aliança nenhuma com eles, nem com os seus deuses. Eles não habitarão na tua terra, para que te não façam pecar contra mim; se servires aos seus deuses, isso te será cilada.”
Este é um texto bastante profundo e cheio de detalhes, mas por ora devemos nos ater somente ao fato de que o Senhor mesmo disse que os levaria aos “amorreus, aos ferezeus, aos heteus, aos ferezeus, aos cananeus, aos heveus e aos jebuseus; E EU OS DESTRUIREI”. Ou seja, o desejo do Senhor é nos levar ao conhecimento de nosso próprio EU para que a vida egocêntrica, e todas suas formas mais sutis, possam ser DESTRUÍDAS.
40- As Manifestações da Vida Egocêntrica
Os reis cananeus que simbolizam as diversas formas de manifestações da vida egocêntrica se acham descritos em detalhes no livro de Josué. Há três grandes grupos de batalhas em Canaã que estão detalhadamente descritas no Resumo sobre o Livro de Josué. Neste ponto vamos considerar resumidamente o primeiro destes três grupos para compreensão dos aspectos relacionados àquilo que o Senhor deseja transformar em nós. Posteriormente, quando analisarmos a questão sobre a PERSEVERANÇA, poderemos com a Graça do Senhor, analisar os demais.
41- 1º Grupo da Batalha em Josué
- Adoni Zedeque – Rei de Jerusalém
O significado deste nome significa senhor da RETIDÃO ou senhor da JUSTIÇA.
Sabemos que Adoni Zedeque é da cidade de Jerusalém, cujo significado do nome da cidade é a cidade da paz. Ele, então, vai usar de todos os meios para nos impedir de conquistar esta cidade. Ele não quer ser retirado do “trono”. Enquanto ele mantiver os nossos olhos voltados para nós mesmos, para nossa justiça própria, jamais desfrutaremos de paz.
- Horão – Rei de Hebrom
Este rei vai tentar nos impedir de conquistar Hebrom. O significado de Hebrom é comunhão. Isto significa o relacionamento sem nuvens entre nós e o Senhor.
O rei Horão (“aquele a quem Iavé impele”) sabe perfeitamente que o Senhor só conta os dias em que passamos na Sua presença. Logo, no caso deste rei, o significado de seu nome implica naquilo de que ele nos quer privar (da bênção que está contida nos seu nome) sendo, obviamente ele, um rei que luta contra o povo de Deus.
- Pirão – Rei de Jarmute
O nome deste rei vem da palavra hebraica Pere, e significa jumento selvagem. Jarmute significa estar alto, ser elevado, ser exaltado. Tipifica o orgulho, a posição, a fama e a arrogância. Portanto, como trata-se de uma cidade, indica a cidade onde habitam os faltos de entendimento, ou seja, aqueles que agem por seus impulsos naturais e desejam ser exaltados, elevados diante dos homens.
- Jafia – Rei de Laquis
Jafia significa brilhante, resplandecente.
Laquis significa andar como homem (Robert Young) e invencível (Strong).
Aqui temos a batalha contra o rei que quer nos fazer brilhar neste mundo, levando-nos a andar como homens, a julgar que somos invencíveis.
- Debir – Rei de Eglom
Debir significa Sabedoria do alto, um oráculo, um orador ou locutor.
Eglom tem sua raiz o sentido de círculo, roda, redondo (Robert Young) e Rei Gordo representando a alma inchada (Jz 3:17).
Agora, a cidade do rei Debir é Eglom, palavra cuja raiz aponta para REDONDO, OU CÍRCULOS. Logo a questão é prática e bem simples. Este rei vai lutar contra nós para que não entremos em contato com a Palavra Viva de Deus e para que ela não se torne Vida em nós.
Ou então ficamos inchados de conhecimento alimentando às vezes nossa alma. E isto é um perigo, pois “o saber ensoberbece, mas o amor edifica…”.(I Co 8:1).
Assim, o resultado que ele busca em nós é um andar em círculos. Se o nosso contato com a Palavra é tal que ficamos só na esfera da letra e, é tal que, não se torna realidade em nossa experiência cotidiana, então estamos andando em círculos. Isto é morte, não Vida.
Retornando a Nm 14:1-5:
“Levantou-se, pois, toda a congregação e gritou em voz alta; e o povo chorou aquela noite. Todos os filhos de Israel murmuraram contra Moisés e contra Arão; e toda a congregação lhes disse: Tomara tivéssemos morrido na terra do Egito ou mesmo neste deserto! E por que nos traz o SENHOR a esta terra, para cairmos à espada e para que nossas mulheres e nossas crianças sejam por presa? Não nos seria melhor voltarmos para o Egito? E diziam uns aos outros: Levantemos um capitão e voltemos para o Egito. Então, Moisés e Arão caíram sobre o seu rosto perante a congregação dos filhos de Israel. ”
- A primeira e significativa observação é que, ao ouvirem o relato dos espias, o povo deu atenção à voz da maioria. Eram 10 contra 2. Veja que, na verdade, a reação deles foi emocional, não racional e muito menos espiritual. Não raras vezes na Bíblia vemos que o inconsciente coletivo fala mais alto do que a consciência individual. A mesma multidão que aclamou Jesus como Rei na entrada em Jerusalém foi, possivelmente, a mesma que o condenou à morte de cruz.
- O segundo ponto a considerar é que isto denota que havia uma pré-disposição do povo à esta reação, ou seja, é como se os espias tivessem funcionado como porta vozes de uma insatisfação latente daquela multidão contra aquele “estado de coisas”. Observe que não houve ponderação, não houve uma atitude reflexiva, ao contrário, houve isto sim, uma reação enérgica e evidentemente carregada de repulsa ao que estavam vivendo, a tal ponto que “Levantou-se, pois, TODA congregação e GRITOU em voz alta; e o povo CHOROU aquela noite”. Não foi uma reação velada, mas uma reação que queria demonstrar claramente uma insatisfação, uma repulsa.
- Interessante que não foi a maioria que agiu desta forma. Neste ponto eles foram UNÂNIMES. Gritaram, choraram e depois murmuraram.
- A reação da alma humana é, até certo ponto, previsível. O passo seguinte foi a reação típica de autocomiseração da alma, com elevada dose de fatalismo; manifestação característica da vida egocêntrica: “Tomara tivéssemos morrido na terra do Egito ou mesmo neste deserto”. Em outras palavras, este relato é, para eles, pior do que morrer como escravo no Egito ou quem sabe “definhar lentamente” neste deserto.
- O passo seguinte da alma é atribuir a Outro a culpa do que lhes sucede. Isto já ocorrera com Moisés e agora o alvo é o próprio Senhor. Aqui a grande questão. Apesar de todos os sinais, maravilhas, toda provisão e cuidado, ainda assim, eles tinham uma VISÃO ERRADA de seu Senhor. Eles viam ao Senhor como Alguém que lhes era contrário.
Obs: Aqui neste ponto devemos fazer duas importantes considerações:
5.1- Na luta de Jacó com Deus (Gn 32:22-32), Jacó só ganha quando, na verdade, perde e reciprocamente. A vitória de Deus nesta luta requer a derrocada do eu. A vitória de Jacó implicaria sua derrota, mas para ele mesmo.
5.2- Observe a pergunta de Josué (Js 5:13-14) Àquele Homem “que trazia na mão uma espada nua”: “És Tú dos nossos ou dos nossos adversários? ” Mais interessante ainda a resposta: “Não; Sou Príncipe do Exército do Senhor…”. Em outras palavras: “Josué, depende de como você me vê. Posso ser seu adversário ou aliado. Na verdade, Josué, seu maior inimigo é você mesmo”.
- Bem retornando ao texto de Nm 14, não bastasse isto, reincidiram na velha maneira de agir humana, egocêntrica, independente. Começaram a conjecturar sobre o que ELES MESMOS poderiam fazer para se livrar “desta maldade”! “E diziam uns aos outros: Levantemos um CAPITÃO e voltemos ao Egito”. Ou seja, começaram a “puxar suas cordinhas”; isto é característico da repulsa da alma a se submeter às situações em que, provada, necessita depender do Senhor e, nesta dependência, “agir pela fé”.
- Atenção à esta palavra CAPITÃO. No hebraico a palavra é ROSH, que significa CABEÇA. Isto é muito significativo. Desprezavam O CABEÇA, para se entregar a “uma cabeça”, representada por uma liderança humana, falível e assim como eles, pecadora. Esta menção simboliza a rejeição pelo Governo de Deus sobre suas vidas através de Moisés. E é evidente que mesmo está “solução humana” sempre se mostra incapaz de atender os anseios das “minhas expectativas”. Na verdade, a concretude de uma liderança visível, ainda que fraca e falível, sempre parece ao homem natural, mais “seguro”.

Obs: Strong da palavra CAPITÃO, ou melhor, ROSH que significa Cabeça e é indicativa de liderança, de governo.
- Moisés e Arão (este último havia aprendido muito no episódio de Hazerote) então “caíram sobre seu rosto perante a congregação dos filhos de Israel” ou, em outras palavras, se prostraram diante do Senhor à vista de toda aquela multidão. A atitude intercessória verdadeira é aquela que se coloca no lugar do outro, a fazer em muitas ocasiões, aquilo que o outro não faz. Este “espírito de intercessão” pouco se importa com julgamento humano alheio e por isto não teme se esconder, se humilhar, mas ao contrário, se prostra em humilhação diante do Senhor, pois sabe da seriedade que representa à obediência ao Governo de Deus, ao mesmo tempo em que por meio desta atitude pode servir, quem sabe, de intercessor e exemplo ao povo.
“E Josué, filho de Num, e Calebe, filho de Jefoné, dentre os que espiaram a terra, rasgaram as suas vestes e falaram a toda a congregação dos filhos de Israel, dizendo: A terra pelo meio da qual passamos a espiar é terra muitíssimo boa. Se o SENHOR se agradar de nós, então, nos fará entrar nessa terra e no-la dará, terra que mana leite e mel. Tão-somente não sejais rebeldes contra o SENHOR e não temais o povo dessa terra, porquanto, como pão, os podemos devorar; retirou-se deles o seu amparo; o SENHOR é conosco; não os temais.” Nm 14:6-9.
Bem, neste ponto, Josué e Calebe rasgando suas vestes (atitude de humilhação, de um declarado inconformismo diante dos fatos e simbolizando, inclusive, uma real possibilidade de “entrada do pecado”) se dirigem agora a toda congregação. E ao fazê-lo, eles abordam três questões principais:
- A Terra é muitíssimo boa. Ou seja, vamos inicialmente discernir: uma coisa é a Terra outra são seus habitantes. Na verdade, desalojar os habitantes é que nos faz desfrutar da Terra. Então a questão não é a Terra, mas como fazer para desalojar estes gigantes.
- “Se o Senhor se agradar de nós…”. Aqui não é uma declaração de justiça própria nossa. Não! O “se agradar de nós” tem a ver com nossa obediência à sua Palavra. “Tão somente não sejais REBELDES contra o Senhor”. Já em Ex 23:20-33 foi o próprio Senhor Quem nos assegurou que nos levaria a estes gigantes, e que Ele mesmo, os destruiria. Isto significa, espiritualmente falando, nos mostrar as áreas em nossas vidas em que ainda preservamos estes gigantes, ou em outras palavras, as manifestações da vida egocêntrica, para que a operação da cruz possa nos libertar deste jugo, desta “escravidão que tem ares de liberdade”.
- “Porquanto, COMO PÃO, os podemos devorar…”. Esta é uma figura linda e extremamente séria. O pão na Bíblia está associado, não raras vezes, à Palavra do Senhor, ou mesmo ao próprio Senhor, pois que Ele mesmo disse: “Eu Sou o Pão da Vida”. Ora, se destruir os gigantes equivale, conforme esta passagem, a devorá-los, e que isto significaria a “como se alimentar de pão”, então fica claro que, de um lado, nesta luta da carne contra o espírito não há meio termo; de outro, isto significa que aniquilar gigantes implica em ter em nós formado mais de Cristo. Sim, ao aniquilarmos os gigantes nos fortalecemos, pelo Pão, na comunhão e Vida do Senhor. Se, ao contrário, não o fizermos, isto equivale a dizer que deixamos de nos alimentar; e bem sabemos o que sucede aos que, famintos de PÃO, buscam se satisfazer com tantas outras coisas que não os alimenta. Desta forma, são eles mesmos vencidos, por aquilo que neles deveria morrer. Reitera-se o que antes foi dito pela experiência de Jacó e Josué.
Obs: Rever neste ponto o Resumo sobre “Fome e Sede” conforme a Bíblia.
“Apesar disso, toda a congregação disse que os apedrejassem; porém a glória do SENHOR apareceu na tenda da congregação a todos os filhos de Israel. Disse o SENHOR a Moisés: Até quando me provocará este povo e até quando não crerá em mim, a despeito de todos os sinais que fiz no meio dele? Com pestilência o ferirei e o deserdarei; e farei de ti povo maior e mais forte do que este. ” Nm 14:10-12.
42- A Agitação, a Incredulidade e a Ansiedade
Mateus, capítulo 06, expressa bem a preocupação de Jesus com o poder adoecedor da ansiedade. A ansiedade essencial é fruto da desconfiança básica de todo homem.
O que se crê é que ele, o homem, é o responsável pela sua própria vida e saúde, enquanto é ameaçado de todos os lados, tanto pela competição horizontal, como também pelo sentimento de abandono em relação a Deus.
Daqui nascem todos os males! Então, entra em campo o time da ansiedade, com todos os seus infindos craques de angustia e surtos de insegurança e carência; e, paradoxalmente, tomado de ambição e desejos fantasiosos de segurança e poder.
Ansiedade gera neurose assim como também produz uma mente paranoica.
A pessoa cai no “responsabilismo neurótico”; ou, então, entra no estado de desconfiança essencial [paranoia], amedrontado em relação ao que possui, e que pode lhe ser tirado, tanto por homens, como por doenças ou pragas invisíveis.
Ora, essas coisas nascem da ansiedade assim como a retroalimentam. Então a ansiedade-neurótico-paranoica gera a Síndrome do Pânico, a Hipocondria, a Depressão e os surtos de perseguição ou de angustia e medo de morrer.
Na base de quase todas as enfermidades da mente está a desconfiança essencial. Ora, a desconfiança essencial é a primeira filha da ansiedade do mesmo modo em que é a sua mãe. Sim! Pois o ansioso cai na desconfiança essencial, e a insegurança essencial é o que gera ansiedade. É o ciclo da morte… A cura para esse mal é a fé. Por isso Jesus apenas mandou confiar no amor do Pai.
E mostrou como é sem sentido pensar diferente. Afinal, pergunta Ele, quem pode o quê? E mais do que confiar, Jesus disse que a cura total dessa ansiedade essencial vem de se buscar em primeiro lugar o reino de Deus em nós. O reino de Deus em nós! …
O reino de Deus em nós é construído do material da confiança que o coração possua quanto ao amor de Deus por nós. O reino cresce com amor!… Sim! Ele só se dilata em nós pelo amor e pela confiança no amor de Deus!… Quem crê que é amado pelo Amado, esse anda sem ansiedades…
Ora, isto muda até mesmo a configuração de nosso cérebro de suas produções químicas… Muda tudo!
Obs: Quando “andamos” no homem natural “andamos” em AGITAÇÃO, “andamos” em PREOCUPAÇÃO; temos de aprender a nos acalmar, a estar EM ESPÍTITO, a viver SOBRENATURALMENTE, a VIVER PELA FÉ no Senhor. Aqui está a terrível luta entre a CONFIANÇA e a INCREDULIDADE.
Porque a congregação chegou ao ponto de querer apedrejá-los? Será que a simples contraposição de visão, a “simples” argumentação lastreada em fatos passados em que o Senhor já havia se mostrado protetor e defensor de Seu povo, ensejaria tão violenta repulsa a ponto de fazerem seus interlocutores “dignos de morte”?
43- Motivos do Apedrejamento Conforme a “Lei de Moisés”
1. Bestialidade cometida por homem;
2. Bestialidade cometida por mulher;
3. Blasfêmia contra Deus;
4. Relações sexuais com uma virgem comprometida;
5. Relações sexuais com enteada;
6. Relações sexuais com mãe;
7. Relações sexuais com madrasta;
8. Ao amaldiçoar os pais;
9. Instigar indivíduos à idolatria;
10. Idolatria;
11. Instigar comunidades à idolatria;
12. Necromancia (espiritismo / consultar os mortos);
13. Sacrificar o próprio filho ao “deus” Moloch;
14. Homossexualidade;
15. Pitonismo (prática pagã, mulheres ‘sacerdotistas dos oráculos’);
16. Rebeldia dos filhos contra os pais;
17. Desrespeitar o Shabat;
18. Bruxaria.
Obs: É importante registrar que em sua imensa maioria, as penalidades de apedrejamento estavam associadas à idolatria de uma forma ou de outra. Em geral consideramos somente a questão da agressão física, mas nos preocupamos pouco em analisar suas causas fundamentais.
44- As Pedras que Vivem e os que apedrejam
O tema “apedrejamento” é visto em diversas passagens tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. É significativo notar que a ênfase às PEDRAS pode ser negativa ou mesmo positiva.
Em seu aspecto positivo parece apontar para aquilo que o Senhor deseja edificar em nós individualmente e corporativamente. São diversas as passagens neste sentido e com inúmeros ensinos associados. A título de exemplo, podemos mencionar a vida de Davi no processo de formação do caráter de Cristo nele e o processo de transformação a que ele esteve sujeito para poder reinar. Sem a pretensão de fazer aqui uma análise minuciosa, vamos apenas mencionar as PEDRAS na vida de Davi e a relação com o operar de Deus:
- A Pedra de Ebenézer – “Até aqui nos ajudou o Senhor”. Tipificação da luta diária contra a manifestação da vida egocêntrica tipificada pelos filisteus. Relação com Mispa, Afeca, Betel e Gilgal. Cada uma das cidades tem sua significação espiritual.
- A Pedra no Vale de Elá – Tipificação da luta de Davi contra o gigante Golias. Ênfase na obra de Deus em favor daqueles que tem com Ele uma vida relacional.
- A Pedra de Ezel – Tipifica a separação figurada entre nós e nossa alma tipificada no amor fileo de Jônatas por Davi.
- A Pedra de Escape – Tipifica as experiências que aumentam nossa consciência de nossa extrema dependência de Deus, em especial, nos momentos em que não temos saída.
- A Pedra de Nabal – Sob o ponto de vista negativo tipifica o dano associado a um coração endurecido e, no seu aspecto positivo, o aprendizado de perdoar; e perdoar sempre.
Obs: Evidentemente que há muito a ser considerado sobre tema através inclusive da vida de outros servos de Deus. São inúmeros os detalhes, mas no caso de Davi, nós os temos mencionados no Livro de I Samuel (e também em outros livros) que estão associados ao PROCESSO de Deus em transformar sua vida; e isto como um modelo para aqueles que desejam reinar com Cristo. Portanto dado que o tema “Pedra” na Bíblia é extenso é importante verificar o Resumo sobre “I Samuel e as Pedras Preciosas – Vida Transformada”. As Pedras Preciosas falam da Obra de transformação em nós operada pelo Espírito Santo e tem íntima relação com os aspectos que envolvem relacionamentos com vistas à progressão da edificação da Casa de Deus.
No aspecto negativo, vemos a transgressão da Lei sendo penalizada pelo apedrejamento e, em sentido inversamente manifestado a este, como a reação daqueles que, contrariamente à Lei (mas parecendo “funcionar” como guardiões dela) não só não se deixavam trabalhar (interiormente), como refutavam aqueles que diferentemente destes, eram as verdadeiras “pedras que vivem”. Isto é muito interessante: somos rápidos em “atirar pedras” quando deveríamos ser cuidadosos e diligentes em cooperar com o Senhor para sermos transformados em “pedras que vivem”.
“Chegando-vos para ele, a pedra que vive, rejeitada, sim, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa, também vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo. Pois isso está na Escritura: Eis que ponho em Sião uma pedra angular, eleita e preciosa; e quem nela crer não será, de modo algum, envergonhado. Para vós outros, portanto, os que credes, é a preciosidade; mas, para os descrentes, A pedra que os construtores rejeitaram, essa veio a ser a principal pedra, angular e: Pedra de tropeço e rocha de ofensa. São estes os que tropeçam na palavra, sendo desobedientes, para o que também foram postos. Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz; vós, sim, que, antes, não éreis povo, mas, agora, sois povo de Deus, que não tínheis alcançado misericórdia, mas, agora, alcançastes misericórdia.” I Pe 2:4-10.
45- Passagens Bíblicas e o Apedrejamento – Novo Testamento
45.1- Mt 21:33-45 – Parábola dos Lavradores Maus da Vinha e a Pedra Angular
Ênfase: Relação entre o que deveria ser colhido (como resultante de algo que nasceu, cresceu e amadureceu) e o apedrejamento pela rejeição à Pedra Angular.
“Atentai noutra parábola. Havia um homem, dono de casa, que plantou uma vinha. Cercou-a de uma sebe, construiu nela um lagar, edificou-lhe uma torre e arrendou-a a uns lavradores. Depois, se ausentou do país. Ao tempo da colheita, enviou os seus servos aos lavradores, para receber os frutos que lhe tocavam. E os lavradores, agarrando os servos, espancaram a um, mataram a outro e a outro apedrejaram. Enviou ainda outros servos em maior número; e trataram-nos da mesma sorte. E, por último, enviou-lhes o seu próprio filho, dizendo: A meu filho respeitarão. Mas os lavradores, vendo o filho, disseram entre si: Este é o herdeiro; ora, vamos, matemo-lo e apoderemo-nos da sua herança. E, agarrando-o, lançaram-no fora da vinha e o mataram. Quando, pois, vier o senhor da vinha, que fará àqueles lavradores? Responderam-lhe: Fará perecer horrivelmente a estes malvados e arrendará a vinha a outros lavradores que lhe remetam os frutos nos seus devidos tempos. Perguntou-lhes Jesus: Nunca lestes nas Escrituras: A pedra que os construtores rejeitaram, essa veio a ser a principal pedra, angular; isto procede do Senhor e é maravilhoso aos nossos olhos? Portanto, vos digo que o reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que lhe produza os respectivos frutos. Todo o que cair sobre esta pedra ficará em pedaços; e aquele sobre quem ela cair ficará reduzido a pó. Os principais sacerdotes e os fariseus, ouvindo estas parábolas, entenderam que era a respeito deles que Jesus falava. ”
45.2- Jo 11:5-10 – Episódio da Ressurreição de Lázaro
Ênfase: A oposição ao avanço da Obra e a abnegação dos que já não buscam se preservar a si mesmos
“Ora, amava Jesus a Marta, e a sua irmã, e a Lázaro. Quando, pois, soube que Lázaro estava doente, ainda se demorou dois dias no lugar onde estava. Depois, disse aos seus discípulos: Vamos outra vez para a Judéia. Disseram-lhe os discípulos: Mestre, ainda agora os judeus procuravam apedrejar -te, e voltas para lá? Respondeu Jesus: Não são doze as horas do dia? Se alguém andar de dia, não tropeça, porque vê a luz deste mundo; mas, se andar de noite, tropeça, porque nele não há luz. ”
45.3- At 7:48-60 – Episódio da Morte por apedrejamento de Estevão
Ênfase: A repulsa humana em negar a Verdade através da violência. A negação “da negação de si mesmo”.
“Entretanto, não habita o Altíssimo em casas feitas por mãos humanas; como diz o profeta: O céu é o meu trono, e a terra, o estrado dos meus pés; que casa me edificareis, diz o Senhor, ou qual é o lugar do meu repouso? Não foi, porventura, a minha mão que fez todas estas coisas? Homens de dura cerviz e incircuncisos de coração e de ouvidos, vós sempre resistis ao Espírito Santo; assim como fizeram vossos pais, também vós o fazeis. Qual dos profetas vossos pais não perseguiram? Eles mataram os que anteriormente anunciavam a vinda do Justo, do qual vós agora vos tornastes traidores e assassinos, vós que recebestes a lei por ministério de anjos e não a guardastes. Ouvindo eles isto, enfureciam-se no seu coração e rilhavam os dentes contra ele. Mas Estêvão, cheio do Espírito Santo, fitou os olhos no céu e viu a glória de Deus e Jesus, que estava à sua direita, e disse: Eis que vejo os céus abertos e o Filho do Homem, em pé à destra de Deus. Eles, porém, clamando em alta voz, taparam os ouvidos e, unânimes, arremeteram contra ele. E, lançando-o fora da cidade, o apedrejaram. As testemunhas deixaram suas vestes aos pés de um jovem chamado Saulo. E apedrejavam Estêvão, que invocava e dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito! Então, ajoelhando-se, clamou em alta voz: Senhor, não lhes imputes este pecado! Com estas palavras, adormeceu. ”
45.4- At 14:8-22 – O apedrejamento de Paulo em Icônico – 1ª Viagem Missionária
Ênfase: O poder da inconsciência coletiva sobre a consciência individual, notadamente em questões relacionadas à idolatria
“Em Listra, costumava estar assentado certo homem aleijado, paralítico desde o seu nascimento, o qual jamais pudera andar. Esse homem ouviu falar Paulo, que, fixando nele os olhos e vendo que possuía fé para ser curado, disse-lhe em alta voz: Apruma-te direito sobre os pés! Ele saltou e andava. Quando as multidões viram o que Paulo fizera, gritaram em língua licaônica, dizendo: Os deuses, em forma de homens, baixaram até nós. A Barnabé chamavam Júpiter, e a Paulo, Mercúrio, porque era este o principal portador da palavra. O sacerdote de Júpiter, cujo templo estava em frente da cidade, trazendo para junto das portas touros e grinaldas, queria sacrificar juntamente com as multidões. Porém, ouvindo isto, os apóstolos Barnabé e Paulo, rasgando as suas vestes, saltaram para o meio da multidão, clamando: Senhores, por que fazeis isto? Nós também somos homens como vós, sujeitos aos mesmos sentimentos, e vos anunciamos o evangelho para que destas coisas vãs vos convertais ao Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar e tudo o que há neles; o qual, nas gerações passadas, permitiu que todos os povos andassem nos seus próprios caminhos; contudo, não se deixou ficar sem testemunho de si mesmo, fazendo o bem, dando-vos do céu chuvas e estações frutíferas, enchendo o vosso coração de fartura e de alegria. Dizendo isto, foi ainda com dificuldade que impediram as multidões de lhes oferecerem sacrifícios. Sobrevieram, porém, judeus de Antioquia e Icônio e, instigando as multidões e apedrejando a Paulo, arrastaram-no para fora da cidade, dando-o por morto. Rodeando-o, porém, os discípulos, levantou-se e entrou na cidade. No dia seguinte, partiu, com Barnabé, para Derbe. E, tendo anunciado o evangelho naquela cidade e feito muitos discípulos, voltaram para Listra, e Icônio, e Antioquia, fortalecendo a alma dos discípulos, exortando-os a permanecer firmes na fé; e mostrando que, através de muitas tribulações, nos importa entrar no reino de Deus.”
Retornando a Nm 14:10-12:
“Apesar disso, toda a congregação disse que os apedrejassem; porém a glória do SENHOR apareceu na tenda da congregação a todos os filhos de Israel. Disse o SENHOR a Moisés: Até quando me provocará este povo e até quando não crerá em mim, a despeito de todos os sinais que fiz no meio dele? Com pestilência o ferirei e o deserdarei; e farei de ti povo maior e mais forte do que este.”
Esta expressão “porém a Glória do Senhor apareceu na tenda da congregação” é significativa. A palavra, porém, é indicativa de uma contraposição de ideias, logo foi a glória do Senhor que impediu que Moisés e Arão fossem apedrejados. Através deste evento podemos entender com maior clareza o que o apóstolo Paulo disse em Rm 3:23-26.
“Pois todos pecaram e carecem (carecem porque estão destituídos) da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus, a quem Deus propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua justiça, por ter Deus, na sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos; tendo em vista a manifestação da sua justiça no tempo presente, para ele mesmo ser justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus. ”
Isto nos dá a dimensão de como o apedrejamento é uma medida de inconsciência humana e a testificação de sua extrema necessidade de “ver a Glória de Deus”. E aqui outro elemento interessante: enquanto a Glória de Deus não se manifestou eles não perceberam que Deus estava presente, que aquela reação feria suas ordenanças já previamente anunciadas. Eles pareciam estar sob certo “torpor de inconsciência” que os cegava para o agir de Deus naquela situação, chegando ao limite deles mesmos, como anteriormente verbalizaram, responsabilizarem a Deus pelos “maus tratos” para com eles:
“E por que nos traz o SENHOR a esta terra, para cairmos à espada e para que nossas mulheres e nossas crianças sejam por presa? ” Nm 14:3
O Senhor identifica a raiz do problema: “Até quando me provocará este povo e até quando não crerá em Mim, A DESPEITO DE TODOS OS SINAIS QUE FIZ NO MEIO DELES? ”. Incredulidade. Os sinais foram dados, em grande medida, para que eles se certificassem do PODER e da FIDELIDADE de Deus. A Incredulidade é o resultado de falta de confiança; e a falta de confiança é resultado de falta de conhecimento e relacionamento com Deus.
46- O aspecto subjetivo da fé: Esperança, Confiança, Obediência e Descanso
“Por isso, santos irmãos, que participais da vocação celestial, considerai atentamente o Apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa confissão, Jesus, o qual é fiel àquele que o constituiu, como também o era Moisés em toda a casa de Deus. Jesus, todavia, tem sido considerado digno de tanto maior glória do que Moisés, quanto maior honra do que a casa tem aquele que a estabeleceu. Pois toda casa é estabelecida por alguém, mas aquele que estabeleceu todas as coisas é Deus. E Moisés era fiel, em toda a casa de Deus, como servo, para testemunho das coisas que haviam de ser anunciadas; Cristo, porém, como Filho, em sua casa; a qual casa somos nós, se guardarmos firme, até ao fim, a ousadia e a exultação da esperança. Assim, pois, como diz o Espírito Santo: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração como foi na provocação, no dia da tentação no deserto, onde os vossos pais me tentaram, pondo-me à prova, e viram as minhas obras por quarenta anos. Por isso, me indignei contra essa geração e disse: Estes sempre erram no coração; eles também não conheceram os meus caminhos. Assim, jurei na minha ira: Não entrarão no meu descanso. Tende cuidado, irmãos, jamais aconteça haver em qualquer de vós perverso coração de incredulidade que vos afaste do Deus vivo; pelo contrário, exortai-vos mutuamente cada dia, durante o tempo que se chama Hoje, a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado. Porque nos temos tornado participantes de Cristo, se, de fato, guardarmos firme, até ao fim, a confiança que, desde o princípio, tivemos. Enquanto se diz: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração, como foi na provocação. Ora, quais os que, tendo ouvido, se rebelaram? Não foram, de fato, todos os que saíram do Egito por intermédio de Moisés? E contra quem se indignou por quarenta anos? Não foi contra os que pecaram, cujos cadáveres caíram no deserto? E contra quem jurou que não entrariam no seu descanso, senão contra os que foram desobedientes? Vemos, pois, que não puderam entrar por causa da incredulidade.” Hb 3:1-19.
O texto em Hb 3:1-19 nos traz muitos ensinos a este respeito. Inicialmente o texto nos exorta a “considerai atentamente o Apóstolo e Sumo Sacerdote (Foco em Cristo) da nossa confissão, Jesus, o qual é FIEL àquele que o constituiu, como também o era Moisés em toda a Casa de Deus”.
O texto inicia abordando a questão do foco em Cristo e, posteriormente, relaciona sob o tema FIDELIDADE, Cristo ao Pai e Moisés a Cristo (em figura relacionada à Casa de Deus).
Por óbvio, entendemos que a menção de Jesus como Apóstolo e Sumo Sacerdote carrega consigo a questão da expiação do Enviado de Deus para nos salvar realizando a expiação que somente o Sumo Sacerdote fazia, em figura, no Dia da Expiação (Lv 16).
Porém devemos considerar também o exercício do ministério de Cristo no Santuário Celestial como intercessor a nossa favor; figura clara do Sumo Sacerdote. E isto no contexto da formação de Cristo em nós; em seu aspecto subjetivo.
Ora, a questão objetiva da redenção já foi realizada por Cristo na cruz, por este motivo o autor da carta aos Hebreus tem o cuidado de mencionar: “E Moisés era fiel, em toda a casa de Deus, como servo, para testemunho das coisas que haviam de ser anunciadas;”, ou seja, toda figura do A.T. relacionada a Moisés e ao Tabernáculo tinha em vista um testemunho das coisas que haviam de ser anunciadas.
Neste contexto, observe o elemento interessante do texto que se encontra repetido nos versículos 06 e 14 do capítulo 03 de Hebreus:
- “Cristo, porém, como Filho, em sua casa; a qual casa somos nós, SE guardarmos firme, até ao fim, a ousadia e a exultação da esperança.” Hb 3:6. É muito significativo a palavra condicional SE. A questão aqui não está relacionada a saída do Egito (figura do mundo – questão posicional – objetiva), mas a questão subjetiva da manifestação da Vida de Cristo “EM SUA CASA, a qual casa somos nós”. E aí o tema recorrente que aparece é ESPERANÇA. Mas porquê? Porque “tudo quanto, outrora, foi escrito para o nosso ensino foi escrito, a fim de que, pela PACIÊNCIA e consolação das Escrituras, tenhamos ESPERANÇA”. Ou seja, a esperança é elemento fundamental tendo em vista o processo pelo qual somos transformados. “Amados, agora, somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é (Foco em Cristo plenamente revelado). E a si mesmo se purifica todo o que nele tem esta esperança, assim como ele é puro.” I Jo 3:2-3
Neste ponto é bastante importante verificar o texto que diz: “onde vossos pais me tentaram, pondo-me à prova, e viram as minhas obras por quarenta anos. Por isto, me indignei contra esta geração e disse: Estes sempre erram no coração; eles também não conheceram os meus caminhos.” Em outras palavras, temos o risco de ver as Obras de Deus e não conhecer os Seus caminhos.
- “Porque nos temos tornado participantes de Cristo, SE, de fato, guardarmos firme, até ao fim, a confiança que, desde o princípio, tivemos.” Hb 3:14. Observe que sob o tema CONFIANÇA o que se tem em vista é obediência. Ao contrário, o texto associa rebelião com pecado, e pecado com desobediência e desobediência com incredulidade. Estes termos parecem se intercambiar no texto de Hb 3:14-19.
Retornando a Nm 14:12:
“Com pestilência o ferirei e o deserdarei; e farei de ti povo maior e mais forte do que este.”
Ou seja, aqueles que queriam “ferir a outros”, apedrejando-os, são eles mesmos, os que são tidos por Deus como dignos de serem feridos. É sempre assim: ou fazemos “violência contra nós mesmos” ou receberemos pela Misericórdia de Deus as feridas que nos curam e tem o poder de nos fazer “participantes de Sua Santidade”. Reitera-se aqui a questão de Jacó e de Josué anteriormente mencionadas.
“Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração. E não há criatura que não seja manifesta na sua presença; pelo contrário, todas as coisas estão descobertas e patentes aos olhos daquele a quem temos de prestar contas. Tendo, pois, a Jesus, o Filho de Deus, como grande sumo sacerdote que penetrou os céus, conservemos firmes a nossa confissão. Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado. Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna. ” Hb 4:12-16.
Agora atente para o termo “e o deserdarei…”. A expressão dá o tom de como Deus os via: como FILHOS. A palavra deserdar possui o significado de “privar da herança a que se tinha direito ou que se esperava receber”.
“Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. Porque não recebestes o espírito de escravidão, para viverdes, outra vez, atemorizados, mas recebestes o espírito de adoção, baseados no qual clamamos: Aba, Pai. O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus. Ora, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo; se com ele sofremos, também com ele seremos glorificados. Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós. ” Rm 8:14-18
Que maravilhoso! Ao nos mantermos nos caminhos de Deus, como filhos maduros (huios), não só não necessitamos maios viver “atemorizados” porque recebemos o espírito de adoção (Aba, Pai!), mas sabendo que possuímos uma herança celestial, haveremos de nos tornar plenamente participantes de Cristo e ver ser manifestada em nós a Sua Glória. E aqui não como reprimenda para “não apedrejarmos a outros”, mas como manifestação de SUA VIDA EM NÓS!
“Irmãos, cumpre-nos dar sempre graças a Deus no tocante a vós outros, como é justo, pois a vossa fé cresce sobremaneira, e o vosso mútuo amor de uns para com os outros vai aumentando, a tal ponto que nós mesmos nos gloriamos de vós nas igrejas de Deus, à vista da vossa constância e fé, em todas as vossas perseguições e nas tribulações que suportais, sinal evidente do reto juízo de Deus, para que sejais considerados dignos do reino de Deus, pelo qual, com efeito, estais sofrendo; se, de fato, é justo para com Deus que ele dê em paga tribulação aos que vos atribulam e a vós outros, que sois atribulados, alívio juntamente conosco, quando do céu se manifestar o Senhor Jesus com os anjos do seu poder, em chama de fogo, tomando vingança contra os que não conhecem a Deus e contra os que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus. Estes sofrerão penalidade de eterna destruição, banidos da face do Senhor e da glória do seu poder, quando vier PARA SER GLORIFICADO NOS SEUS SANTOS e ser admirado em todos os que creram, naquele dia (porquanto foi crido entre vós o nosso testemunho). Por isso, também não cessamos de orar por vós, para que o nosso Deus vos torne dignos da sua vocação e cumpra com poder todo propósito de bondade e obra de fé, a fim de que o nome de nosso Senhor Jesus seja glorificado em vós, e vós, nele, segundo a graça do nosso Deus e do Senhor Jesus Cristo.” II Ts 1:3-12.
“Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança incorruptível, sem mácula, imarcescível, reservada nos céus para vós outros que sois guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para a salvação preparada para revelar-se no último tempo. Nisso exultais, embora, no presente, por breve tempo, se necessário, sejais contristados por várias provações, para que, uma vez confirmado o valor da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro perecível, mesmo apurado por fogo, redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo; a quem, não havendo visto, amais; no qual, não vendo agora, mas crendo, exultais com alegria indizível e cheia de glória, obtendo o fim da vossa fé: a salvação da vossa alma. ” IPe 1:3-9.
Retornando a Nm 14:13-19:
“Respondeu Moisés ao SENHOR: Os egípcios não somente ouviram que, com a tua força, fizeste subir este povo do meio deles, mas também o disseram aos moradores desta terra; ouviram que tu, ó SENHOR, estás no meio deste povo, que face a face, ó SENHOR, lhes apareces, tua nuvem está sobre eles, e vais adiante deles numa coluna de nuvem, de dia, e, numa coluna de fogo, de noite. Se matares este povo como a um só homem, as gentes, pois, que, antes, ouviram a tua fama, dirão: Não podendo o SENHOR fazer entrar este povo na terra que lhe prometeu com juramento, os matou no deserto. Agora, pois, rogo-te que a força do meu Senhor se engrandeça, como tens falado, dizendo: O SENHOR é longânimo e grande em misericórdia, que perdoa a iniquidade e a transgressão, ainda que não inocenta o culpado, e visita a iniquidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta gerações. Perdoa, pois, a iniquidade deste povo, segundo a grandeza da tua misericórdia e como também tens perdoado a este povo desde a terra do Egito até aqui. ”
47- Intercedendo no espírito do Sumo Sacerdote
Aqui temos a 3ª intercessão de Moisés a favor do povo. As duas anteriores estavam explicitamente relacionadas à idolatria no episódio do bezerro de ouro. A terceira também, mas implicitamente.
- 1ª Intercessão – Ex 32:11-14
- 2ª Intercessão – Ex 32:30-35
- 3ª Intercessão – Nm 14:13-19.
Observe que interessante. Na verdade, a idolatria é manifestação extrema de vida egocêntrica. Porque? Porque na murmuração ainda há uma “reverência a Deus”, uma vez que a alma se volta a Ele reconhecendo, ainda que de forma implícita, Seu Governo. O que está em jogo é: “ah, se fosse eu quem estivesse governando as coisas não estariam assim…! ” E então vem a murmuração.
Na idolatria não. A alma recusa o Governo de Deus e, ao invés de murmurar (o que também é extremamente incorreto), ela simplesmente desconsidera a Deus como Deus e se estabelece como sendo o “seu próprio deus”. Ela dita as regras, toma as decisões, e retorna em busca da satisfação daquilo que se vê momentaneamente privada na obediência do Governo de Outro.
As intercessões de Moisés parecem-nos à primeira vista paradoxais. Porque? Porque ele fala nada menos com Deus mesmo. E se já estudamos um mínimo acerca do Ser de Deus sabemos o quanto Ele é longânimo e perdoador. Ainda que Nele haja plena Justiça e Santidade, sabemos que Nele a “Misericórdia triunfa sobre o Juízo”.
Ora, parece-nos claro que as intercessões de Moisés, muito antes de se configurarem como uma ação providencial diante de um “Deus irado”, quem sabe até mesmo que age irrefletidamente em Sua ira, são na verdade instrumentos de Sua Graça na formação de Cristo em Moisés e no povo.
Seria ingênuo de nossa parte considerar que Deus, que conhece o fim desde o começo, e que não age movido por sentimentalismos, se deixaria levar a agir por uma ira “irrefletida”, a ponto de ter de se abster de “fazer ou deixar de fazer” algo, por causa de uma alteração interior de Seus propósitos, causada por uma “boa argumentação” de um servo pecador, embora fiel.
“O arrependimento da parte do homem envolve uma atitude, uma mudança de atitude para com Deus. O “arrependimento” da parte de Deus é uma mudança de atitude para com o homem com base na mudança de atitude do homem para com Deus. Porque? Porque Ele é sempre perdoador.
Obs: Neste aspecto é bom verificar o Resumo sobre “O Ser de Deus”.
Logo, embora possa carregar um ensino atrelado, tal manifestação relacional entre Moisés e Deus, o que parece estava também em vista era a completa formação de um verdadeiro servo que, levantado por Deus, deve necessariamente ter consciência de mordomia (isto ele claramente demonstrou em Gn 14:22-24 e Ex 10:26, episódios que o credenciaram a ser instrumento na construção do Tabernáculo), mas aliado a isto, deve também manifestar um profundo amor pelas almas (das quais foi encarregado por Deus) no processo de conduzi-las através do deserto até a Terra Prometida (A Plenitude de Cristo).
Retornando a Nm 14:20-25:
“Tornou-lhe o SENHOR: Segundo a tua palavra, eu lhe perdoei. Porém, tão certo como eu vivo, e como toda a terra se encherá da glória do SENHOR, nenhum dos homens que, tendo visto a minha glória e os prodígios que fiz no Egito e no deserto, todavia, me puseram à prova já dez vezes e não obedeceram à minha voz, nenhum deles verá a terra que, com juramento, prometi a seus pais, sim, nenhum daqueles que me desprezaram a verá. Porém o meu servo Calebe, visto que nele houve outro espírito, e perseverou em seguir-me, eu o farei entrar a terra que espiou, e a sua descendência a possuirá. Ora, os amalequitas e os cananeus habitam no vale; mudai, amanhã, de rumo e caminhai para o deserto, pelo caminho do mar Vermelho. ”
Interessante notar que, para o Senhor, o NÃO CONFIAR NELE implicou em COLOCÁ-LO À PROVA, significou MURMURAR CONTRA ELE, significou NÃO OBEDECER À SUA VOZ e, por fim, significou DESPREZÁ-LO. Ou seja, sob a perspectiva de Deus as coisas tiveram grande significado; Ele não relevou o acontecido, embora os tenha perdoado.
O perdão não os eximiu de sofrer as consequências de seus atos. O pecado obedece à Lei da Semeadura: “Aquilo que o homem semear, isto também ceifará”.
O Senhor se refere aos sinais, prodígios e maravilhas que executou à manifestação de Sua Glória perante os filhos de Israel; não somente no Egito (nas 10 pragas), como também nos feitos que lhes sucederam, após terem saído do Egito e caminhado de Ramessés até este ponto; em Ritma.
A Glória que lhes era favorável nestes episódios anteriores, agora era manifesta para lhes impedir de fazerem a loucura de apedrejarem a Moisés e Arão. E a penalidade era igualmente séria e estava vinculada à Glória do Senhor. Eles morreriam no Deserto e não veriam a manifestação da Glória do Senhor enchendo toda a Terra.
48- A Glória do Senhor e o Bom Perfume de Cristo
“Pois a terra se encherá do conhecimento da glória do SENHOR, como as águas cobrem o mar. ” Hc 2:14
Este texto parece apresentar um pleonasmo: “as águas cobrindo o mar”. Ora, o mar é o ajuntamento de águas. Isto nos fala de algo dentro de algo. Logo, aponta para uma realidade nova e que estabelece uma relação intrínseca entre Cristo e os Seus.
“Do tronco de Jessé sairá um rebento, e das suas raízes, um renovo. Repousará sobre ele o Espírito do SENHOR, o Espírito de sabedoria e de entendimento, o Espírito de conselho e de fortaleza, o Espírito de conhecimento e de temor do SENHOR. Deleitar-se-á no temor do SENHOR; não julgará segundo a vista dos seus olhos, nem repreenderá segundo o ouvir dos seus ouvidos; mas julgará com justiça os pobres e decidirá com eqüidade a favor dos mansos da terra; ferirá a terra com a vara de sua boca e com o sopro dos seus lábios matará o perverso. A justiça será o cinto dos seus lombos, e a fidelidade, o cinto dos seus rins. O lobo habitará com o cordeiro, e o leopardo se deitará junto ao cabrito; o bezerro, o leão novo e o animal cevado andarão juntos, e um pequenino os guiará. A vaca e a ursa pastarão juntas, e as suas crias juntas se deitarão; o leão comerá palha como o boi. A criança de peito brincará sobre a toca da áspide, e o já desmamado meterá a mão na cova do basilisco. Não se fará mal nem dano algum em todo o meu santo monte, porque a terra se encherá do conhecimento do SENHOR, como as águas cobrem o mar. Naquele dia, recorrerão as nações à raiz de Jessé que está posta por estandarte dos povos; a glória lhe será a morada.” Is 11:1-10.
Já este texto é extremamente rico em detalhes. Ele nos fala da Plenitude do Espírito manifestando a Plenitude da Luz do Senhor (referência implícita ao Candelabro). Observe que não há uma citação explícita da palavra Glória, mas conhecimento do Senhor. São realidades intrínsecas: conhecê-Lo sob este ponto de vista implica em ser cheio de Sua Glória. Este mesmo tema foi abordado em outros textos já citados tanto em II Ts 1:3-12 e Rm 8:14-18, dentre outros.
Outro ponto importante a ser registrado é que o texto diz que em Calebe houve outro “espírito” e que ele “perseverou” em seguir ao Senhor. Observe o significado da raiz hebraica relacionado à palavra “outro espírito”:


Obs: A palavra hebraica aponta para mente. Sua raiz aponta para perfume.
“Graças, porém, a Deus, que, em Cristo, sempre nos conduz em triunfo e, por meio de nós, manifesta em todo lugar a fragrância do seu conhecimento. Porque nós somos para com Deus o bom perfume de Cristo, tanto nos que são salvos como nos que se perdem. ” II Co 2:14-15
Observe que, em contraposição a este bom perfume, temos uma terrível figura no contexto do A.T. e refere-se à cidade de Jericó e seu significado. A tomada de Jericó está detalhada em Josué, capítulo 06. No entanto, temos uma menção significativa a Jericó relacionada a terceira etapa das batalhas contra os reis cananeus citadas neste livro. Afinal, temos três grupos de batalhas:
- 1º Grupo: Js 10:1- 27 – Reis de Jerusalém, Hebrom, Jarmute, Laquis e Eglom. Todos já foram mencionados, ainda que simplificadamente, acima.
- 2º Grupo: Js 10:28-43 – Cidades de Maquedá, Libna, Laquis, Eglom, Hebrom e Debir. Vamos mencioná-los abaixo.
- 3º Grupo: Js 11:1-23 – Demais reis e cidades explicitamente detalhadas. Idem.
49- A Perseverança necessária na Conquista da Terra Prometida

Obs: Raiz hebraica da palavra Perseverança; “estar cheio, estar completo”.
50- A Luta real da carne contra o Espírito
Continuação da Luta do 1º Grupo:
As 3 palavras encontradas em Josué 10.9-10 nos mostram o resultado da luta do Espírito contra a carne conforme Gálatas 5.17.
“Josué lhes sobreveio de repente, porque toda noite veio subindo desde Gilgal. O Senhor os conturbou diante de Israel, e os feriu com grande matança em Gibeom, e os foi perseguindo pelo caminho que sobe a Bete Horom, e os derrotou até Azeca e Maquedá. ” (Js 10.9-10).
- Bete Horom: Duas cidades em Efraim (a de cima e a de baixa).
51- O lugar da ira – Robert Young
51.1- Casa da Caverna ou Casa do Vazio – Strong
- Azeca: Uma cidade nas terras baixas de Judá
Podemos observar que estes reis buscam se esconder em Bete Horom; a cidade da caverna ou cidade do vazio. É a atitude típica de nosso eu querendo se preservar. Ele busca mecanismos de autodefesa para não ser exposto nem vencido.
52- Azeca simboliza Cercar ao Redor – Robert Young
52.1- Azeca significa ESCAVAR ou CAVAR AO REDOR – Strong
Portanto, ao declararmos guerra contra estes reis, damos total liberdade ao Espírito Santo para declarar guerra contra eles, e sua luta contra a carne visa colocar uma cerca ao redor deles, impedindo sua livre manifestação em nossa vida. A expressão CAVAR dá uma noção de que o Senhor deseja levar a morte em nós todas estas manifestações carnais procedentes do EU (Ex 23:23).
Pode significar a busca do EU de se esconder, de buscar um lugar de refúgio para não ser levado à cruz.
- Maquedá
Simboliza o curvar a cabeça – Isto significa submissão – Robert Young
Significa “lugar dos pastores” – Strong
Possível contextualização conjugada deste termos segundo Young
Bete Horom: O lugar da ira – Robert Young
Azeca: Simboliza Cercar ao Redor
Maquedá: Simboliza o curvar a cabeça
Antes de o Espírito Santo fazer guerra contra estes reis, nosso eu é como o rei Saul do Velho Testamento: do ombro para cima sobressai sobre todos os demais em Israel. Ele é grande, alto, forte e autossuficiente.
Logo, na nossa cooperação com o Senhor, o Espírito, na guerra contra estes reis são necessários três passos.
- Devemos odiar toda e qualquer manifestação da carne, do ego, de ira e de desobediência.
- Devemos nos entregar ao Espírito, no sentido de cercear as obras da carne e permitir que Ele possa levá-las a morte.
- Precisamos curvar nossas cabeças diante do Senhor em plena submissão, permitindo que nosso eu diminua a cada dia, e que Cristo cresça em nós!
Possível contextualização conjugada destes termos segundo Strong
Bete Horom: Casa da Caverna ou Casa do Vazio
Azeca: Significa Escavar ou Cavar ao Redor
Maquedá: Significa “Lugar dos Pastores”
Pode significar os mecanismos de autoproteção do EU buscando se auto proteger, rejeitando a Palavra do Senhor, a operação da Obra da Cruz e buscando somente coisas aprazíveis, palavras que não os exponham diante de si mesmos, em primeiro lugar.
I Co 4:1-2 e Gl 1:10-11: Muitos entendem que Maquedá significaria o local dos “falsos pastores” que não cuidam em ser fiéis ao Senhor e à Sua Palavra.
53- Os reis na caverna – Js 10:17-22
Existem cavernas em nossas vidas nas quais estes reis procurarão se esconder, como se eles não existissem mais. Estes reis simbolizam as manifestações da vida egocêntrica que geralmente são bastante sutis. Para localizá-los em seus esconderijos é necessária uma vida de total submissão à liderança do Espírito Santo. A introspecção de nada vale. Não nos conhecemos a nós mesmos.
Nossa atitude deve ser a de Davi: “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece os meus pensamentos. E ver se há em mim algum caminho mau, e guia-me pelo caminho eterno. ” (Sl 139.23-24).
Sabe porquê? “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá? Eu, o Senhor, esquadrinho o coração e provo os rins; e isto para dar a cada um segundo os seus caminhos e segundo o fruto das suas ações. ” (Jr 17.9-10).
Em Josué 10.22-26, vemos a atitude necessária para com estes reis.
“Depois disse Josué: Abri a boca da cova, e trazei-me para fora aqueles cinco reis. Fizeram, pois, assim, e trouxeram-lhe aqueles cinco reis para fora da cova: o rei de Jerusalém, o rei de Hebrom, o rei de Jarmute, o rei de Laquis e o rei de Eglom.
E sucedeu que, trazendo aqueles reis a Josué, este chamou todos os homens de Israel, e disse aos capitães dos homens de guerra, que foram com ele: Chegai, ponde os vossos pés sobre os pescoços destes reis. E chegaram, e puseram os seus pés sobre os pescoços deles.
Então Josué lhes disse: Não temais, nem vos espanteis; esforçai-vos e animai-vos; porque assim o fará o Senhor a todos os vossos inimigos, contra os quais pelejardes. ”
Pendurar no madeiro significa expor publicamente, manifestar, exibir. E o que é MARAVILHOSO é que o Senhor trata conosco de forma individual, cuidadosa, com AMOR. Ele não nos expõe publicamente senão a nós mesmos. Isto é, quando a luz do Senhor brilhar sobre nós, veremos a Luz (Sl 36.9). Se existe algo em nós de errado, o Espírito Santo fará Sua Obra de convencer-nos do pecado, da justiça e do juízo.
Se Ele tocar em nossa consciência, devemos imediatamente confessar o nosso pecado, e endireitar os nossos caminhos diante do Senhor!!
54- 2º Grupo: A Batalha Continua – Js 10.28-43
Como dissemos, aqui faremos mera menção as batalhas que se sucedem em Canaã. Neste ponto há uma correlação entre a batalha anterior e a posterior. Parece haver uma prerrogativa de vitória na anterior para que se possa passar à batalha seguinte.
A ideia aqui é de algo ascensional. Portanto para maior detalhamento é desejável que se estude o “Resumo sobre o Livro de Josué”, especialmente na correlação entre estas batalhas e as Câmaras dos Sacerdotes e Câmaras dos Tesouros mencionadas no Templo de Salomão.
Mas para que possamos compreender o PANO DE FUNDO associado a estas batalhas não podemos deixarmos de citar simplificadamente os dois princípios associados a ambas Câmaras. E isto tem relação com os despojos e suas simbologias.
54.1- 1° Princípio – Câmara do Tesouro
Ajuntar tesouros nos céus significaria deixar-se ser trabalhado (e responder positivamente a este trabalhar) para que Cristo seja formado em nós. Não é necessariamente fazer boas ações para “engordarmos nossa conta bancária celestial”, isto é uma consequência. E provêm da Graça de Deus; não de nós.
54.2- 2° Princípio – Câmara dos Sacerdotes
- Fala da caminhada ascensional, do elemento progressivo da vitória (de fé em fé),
- Do descanso que se vai experimentando e que implica em mais e mais dependência do Senhor,
- Do quanto se vai diminuindo (nosso eu) neste processo
Obs: Para o detalhamento de todas as batalhas, a sequência das mesmas, os reis e as cidades a eles associadas, bem como sua simbologia e significação é recomendável consultar o “Resumo sobre o Livro de Josué” e o “Resumo sobre o Templo de Salomão”.
55- Batalhas da Vida Cristã e a Vida Ascensional
Item Batalha em Curso Batalha/Rei Anterior Vitória Correspondente Risco Associado
01 Maquedá Jericó Submissão Busca de Palavras “boas”
02 Libna Jericó Simplicidade, Pureza Desvio de Foco; Mente
03 Laquis Libna Andar em Espírito, Maturidade Andar pelos sentidos
04 Eglom Laquis Vitória sobre a carne Vida carnal, egocêntrica
05 Hebrom Eglom Comunhão, Vida Espiritual Ser comandado pela alma
06 Debir Hebrom, Libna. Revelação, Fé, Testemunho Conhecimento e não Vida
56- A batalha prossegue – Js 10.28-43
Neste trecho das Escrituras vemos uma estrutura de apresentação das vitórias de Josué como que correspondendo à vitória do Senhor sobre todos nossos os inimigos interiores.
Portanto, investigando a estrutura do texto percebemos alguns elementos que se repetem:
- Apresentação da cidade e, em geral, a menção do seu rei (sem necessariamente citar seu nome) com o claro e evidente propósito de significar uma representação da batalha espiritual correspondente.
- A menção de que a cidade, o seu rei e todos os que nela estavam foram todos, via de regra, totalmente destruídos.
- Há uma clara indicação de uma vitória sequencial, com evidente caráter de conquista geográfica, mas de cunho espiritual ascensional, representada inclusive pela menção de que a vitória de um rei precede a vitória sobre o subsequente. Parece óbvio, mas cabe investigar esta sequência. Porque, ao final de quase todas as seções é claramente mencionado que aquilo que foi feito a determinado rei é exatamente aquilo que havia sido feito a seu antecessor; imediato ou não.
Obs: As cidades de Láquis e Eglom são tomadas, mas não há menção sobre os reis, pois eles já haviam sido mortos quando se juntaram a Adoni Zedeque.
1- Maquedá – Foi neste lugar que os reis tiveram de se submeter à espada de Josué.
Ênfase do Espírito – Simboliza o curvar a cabeça – Em outras palavras isto significa submissão – Robert Young
Antes de o Espírito Santo fazer guerra contra estes reis, nosso eu é como o rei Saul do Velho Testamento: do ombro para cima sobressai sobre todos os demais em Israel. Ele é grande, alto, forte e autossuficiente.
Saulo teve seu nome mudado para Paulo, depois que encontrou Jesus. Paulo significa pequeno. Logo, na nossa cooperação com o Senhor, o Espírito, na guerra contra estes reis são necessários três passos.
- Devemos odiar toda e qualquer manifestação da carne.
- Devemos nos entregar ao Espírito e permitir que Ele possa mortificar as obras da carne.
- Precisamos curvar nossas cabeças diante do Senhor em plena submissão, permitindo que nosso eu diminua a cada dia, e que Cristo cresça em nós!
Nosso eu rebelde está sob o poder da cruz e Jesus está reinando no Seu trono. A verdadeira aproximação de Deus deve gerar temor real e plena submissão a Ele. Neste ponto seu jugo suave está sobre nosso pescoço e desejamos que o Senhor cresça e que nós venhamos a diminuir.
57- Ênfase da carne – Significa “lugar dos pastores” – Strong
Pode significar os mecanismos de autoproteção do EU buscando se auto proteger, rejeitando a Palavra do Senhor, a operação da Obra da Cruz e buscando somente coisas aprazíveis, palavras que não os exponham diante de si mesmos, em primeiro lugar.
I Co 4:1-2 e Gl 1:10-11: Muitos entendem que Maquedá significaria o local dos “falsos pastores” que não cuidam em ser fiéis ao Senhor e à Sua Palavra.
Mas é importante analisar a correlação entre Maquedá e Jericó – Josué 10:28.
- Jericó era uma fortaleza. Seus muros eram altos e fortes e ela ficava no meio do caminho, impedindo que Israel se apossasse de Canaã. O povo deve entrar e possuir a Terra que mana leite e mel, mas o inimigo está bloqueando a passagem.
- O nome Jericó quer dizer perfume, ou fragrância (Robert Young), mas é uma falsificação. Paulo nos diz que somos o “bom perfume de Cristo” e que “por meio de nós, manifesta em todo lugar a fragrância de Seu conhecimento…” (II Co 2.14-17). Jericó parece então exalar um certo cheiro, mas não é o de Cristo. Tal perfume não manifesta de modo algum o conhecimento de Deus.
- Logo o que significaria Jericó neste contexto? II Co 10:3-6. “Toda altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus”. Logo, na linguagem do Novo Testamento, a conquista da Terra significa o “ganhar a Cristo”.
- Quando Paulo escreveu a carta aos Filipenses, ele já conhecia o Senhor, pois disse: “…por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas…” (Fp 3.8). Mas como explicar suas palavras quando diz “ganhar a Cristo…” e “…para O conhecer…”.
- O ganhar a Cristo fala de conhecê-Lo na prática, na experiência. É o conhecê-Lo no espírito, não na mente. Mas esta Terra possui fortalezas que se levantam para impedir que alcancemos o conhecimento experimental de Cristo. Há inimigos que precisam ser derrotados.
- Os Coríntios permitiram, de alguma forma, que o inimigo construísse neles fortalezas. O material usado para tal edificação vinha da mente carnal deles. Isto fica evidente em I Co: soberba, divisões, irmãos levando irmãos aos tribunais humanos e etc… Se permitirmos que o inimigo edifique uma mente carnal em nós, isto se tornará uma fortaleza contra o conhecimento de Cristo.
- Se permitirmos que o inimigo edifique uma mente carnal em nós, isto se tornará uma fortaleza contra o conhecimento de Cristo.
- O maior exemplo de fortaleza contra o conhecimento de Cristo é a vontade rebelde. Nossa vontade não deve entrar em conflito com a Vontade de Deus. Muitas vezes, entretanto, ela não se dobra ao querer do Senhor. Ela é forte e inflexível quando se trata de defender os “nossos” direitos e exigir o que é “nosso”. Entretanto ela é vacilante quando temos de caminhar a segunda milha, ou dar a outra face, ou rejeitar o pecado, o mundo e etc…
Logo, a relação entre Jericó e Maquedá parece residir no fato de que ambos estariam a representar:
- Fortalezas do conhecimento carnal que nos impedem de acessar pela fé o que o Senhor tem para nós. A incredulidade é um inimigo terrível. A fé que atua pelo amor deve nos conduzir a uma entrega total, sem restrições.
- O dar ouvidos a sofismas, a raciocínios falazes, fazendo escolhas voluntárias em insubmissão à Palavra de Deus. Tais atitudes são um impecílio à Obra que o Senhor deseja executar em nós. Tanto a cova de Maquedá quanto a fortaleza de Jericó apresentam a mesma raiz egocêntrica carnal.
- A única forma de exalarmos o bom perfume de Cristo é sermos transformados interiormente, o que implica em uma exposição de nossas almas ao trabalhar de Deus; voluntariamente e a uma resposta a este trabalhar; testemunho.
Sofisma = Raciocínio concebido com o objetivo de produzir a ilusão da verdade. Embora simule um acordo com as regras da lógica, apresenta, na realidade, uma estrutura interna inconsistente, incorreta e deliberadamente enganosa.
Raciocínios Falazes = Raciocínios intencionalmente enganosos.
Obs: Para maiores detalhes verificar o Resumo sobre o Livro de Juízes 05:1,8-9,14-18, onde nitidamente vemos que o campo de batalha é a alma.
Mas é necessário analisar também o significado dos despojos da batalha de Jericó conforme Josué 6:17-19 .
Porque? Porque toda primeira menção estabelece um princípio. Logo, o que sucede em Jericó pode significar um modelo daquilo que os despojos podem significar embora muitas vezes não citados explicitamente.
Afinal o que representam estes despojos? Ouro, prata, utensílios de bronze e de ferro.E porque eles deveriam ser consagrados ao Senhor?
Observem que no contexto de Josué 10:28-43 não há uma menção explícita de se tomar dos despojos. Porém esta é uma realidade presente na vitória do povo de Deus sobre seus inimigos:
- Quando Israel saiu da escravidão do Egito, o Senhor ordenou que eles despojassem os egípcios. Estes despojos foram dedicados ao Senhor para a construção e serviço no Tabernáculo (Ex 12:36).
- O mesmo é verdadeiro para a edificação do Templo. Os inimigos de Israel foram despojados e as coisas dedicadas foram usadas para a Casa do Senhor I Cr 26:20-27.
Os reis e suas respectivas cidades, como vimos no capítulo 10 representavam:
- Adoni-Zedeque Busca exacerbar nossa justiça própria. Vimos a correlação disto com a soberba, com a auto justificação.
- Horão Busca nos impedir de termos real comunhão com o Senhor, de nos fazer cair pela atração pelo mundo, cair pelas obras da carne, paixões e cobiças, vida egocêntrica, etc…
- Pirão visa nos fazer cair pela arrogância, orgulho de quem se rebela contra qualquer jugo ou restrição. Tenta fazer com que andemos como jumentos selvagem, sem sabedoria, discernimento e agindo por impulsos naturais.
- Jafia visa fazer com que andemos como homens, buscando glória pessoal, querendo brilhar neste mundo.
- Debir visa nos fazer andar em círculos pela incredulidade de tal maneira que a Palavra fique na esfera só da letra e não se torne Vida para nós.
Neste ponto há uma clara correlação com o Templo e duas figuras importantíssimas na compreensão do significado do despojo.
I Cr 28:11-12 Davi dá a Salomão a planta do Templo Aqui são mencionados cenáculos, câmaras interiores, câmaras em redor para os tesouros da Casa do Senhor.
O deserto falava das jornadas de Israel e do Senhor guiando Seu povo. Ali, os sacerdotes viviam em tendas e cumpriam seu serviço diário como peregrinos.
O Templo, fala do descanso prometido, tanto para Deus quanto para seu povo. As jornadas e as peregrinações haviam terminado. Por isto vemos dois tipos de câmaras:
- As câmaras do tesouro ou câmaras superiores
- As câmaras dos sacerdotes que foram edificadas ao redor do Templo.
58- As câmaras superiores ou do Tesouro
Não há detalhes específicos ou instruções registradas nas Escrituras com relação a estas câmaras do tesouro, exceto o que temos nestes versículos acima. Contudo, as medidas do Templo nos dão a entender onde estas câmaras superiores deveriam estar.
I Rs 6:2 A Casa do Senhor tinha (60 comprimento x20 largura x30 altura) côvados.
I Rs 6:20 O lugar Santíssimo tinha (20x20x20) côvados.
Logo, acima do Santíssimo Lugar temos uma área de 20x20x10 côvados. É bem provável que estas “câmaras superiores” ou “salas do tesouro” estejam aqui localizadas, embora é possível que possam existir também acima do Lugar Santo.
Estas câmaras superiores tinham seus vários compartimentos e eram revestidas de ouro conforme II Cr 3:9.
A Lei do Senhor, conforme Nm 31:21-24, ordenava que todos os despojos de guerra deveriam ser purificados pelo fogo ou pela água, de acordo com o material. Tudo em nossa vida deve ser dedicado ao Senhor e, para ser aceitável a Ele, deve passar pela purificação através do fogo e da água.
Mt 6:19-21 Utilizando da analogia com o A.T., parece evidente que sem dúvida o Senhor estava se referindo a estas câmaras do tesouro. Portanto, se assim for, a menção de Jesus aqui parece não se referir a ter, mas a ser. A questão não é posses, bens, mas aquilo em que se é transformado.
Como o inimigo na Terra é tipificado por nações que simbolizam a manifestação da vida egocêntrica, é bastante razoável imaginar que estes tesouros simbolizem a transformação interior pela negação do eu e a formação do caráter de Cristo. Esta riqueza é incorruptível, não se enferruja, nem ninguém a rouba de nós.
Sendo assim, acumular tesouros nas câmaras do tesouro simbolizaria a manifestação da Vitória do Senhor em nossas vidas, despojando os inimigos relacionados ao eu, ao ego, pois na medida em que eles vencessem aqueles inimigos mais e mais eles adentrariam na Terra Prometida, que tipifica Cristo.
Devemos nos lembrar que a arma da vitória de Cristo despojando principados e potestades foi a cruz. Da mesma forma a operação da cruz é o instrumento de Deus para nos conduzir a vitória. O que o mundo chama de derrota para Cristo é vitória.
Todo o discurso de Jesus em Mt 5,6 e 7 tem esta premissa, pois Ele está a falar da manifestação da Vida daqueles que vão reinar com Cristo.
Uma das coisas mais trágicas da história de Israel é vista no fato de que, muitas vezes, os inimigos de Deus saqueavam as câmaras do tesouro do Templo.
Por causa do pecado e da idolatria do povo, a Glória de Deus deixava o Templo, e, portanto, as câmaras do tesouro eram saqueadas. Elas foram roubadas várias vezes e isto trouxe vergonha e opressão para o povo de Deus. Algumas menções a estes episódios:
- O rei da Assíria foi apaziguado pelos tesouros tirados do Templo (II Rs 12:18).
- O perverso rei Nabucodonosor saqueou os tesouros do Templo e levou-os para a Babilônia (II Cr 36:18,19; II Cr 25:23,24).
59- As câmaras dos sacerdotes
Ao redor das paredes do Templo, isto é, no Lugar Santo e no Lugar Santíssimo, foram construídas câmaras para os sacerdotes. Estas câmaras estavam nos lados norte e sul do Templo.
As Escrituras não especificam claramente quantas câmaras havia, mas dadas as medidas e respectivos tamanhos, é possível que fossem aproximadamente 30 câmaras. Há alguns indicativos que parecem reafirmar esta possibilidade:
- O historiador Josefo em seu livro “A história dos hebreus”, livro 07, capítulo 3, sugere 30 câmaras.
- O Templo mencionado em Ezequiel também fala de 30 câmaras (Ez 41:5,6 e 40:7).
- José tinha 30 anos quando começou a governar.
- Davi tinha 30 anos quando subiu ao trono.
- Os sacerdotes deveriam ter 30 anos para serem consagrados ao ofício sacerdotal.
- Jesus tinha 30 anos de idade quando foi batizado nas águas do Jordão e foi ungido com o Espírito Santo para ministrar.
I Rs 6:6-10 Haviam três andares de câmaras sacerdotais. Estas câmaras sacerdotais ficavam apoiadas junto às paredes do Templo. À medida que se subia de andar a largura da câmara aumentava.
Primeiro Andar 5 côvados de largura
Segundo Andar 6 côvados de largura
Terceiro Andar 7 côvados de largura.
Algo significativo vincula as câmaras sacerdotais com a arca de Nóe, pois a arca de Noé tinha também três andares de altura. Ocorre que o nome Noé significa “descanso”.
Logo, tudo parece indicar que na medida que subimos às câmaras sacerdotais superiores duas realidades simultâneas seriam experimentadas:
- O descanso que se experimenta é maior, porque as câmaras são maiores.
- Sentimo-nos menores e menores e menores.
Mc 14:12-16 Espaçoso cenáculo pleno descanso.
Estas figuras parecem ter uma realidade espiritual no céu Am 9:6
Ocorre que em I Rs 6:8 verificamos que estes três andares se tornavam acessíveis primeiramente pela porta, e, depois, já do lado de dentro, por escadas em formato espiral.
Portanto, as batalhas mencionadas em Josué tipificam o caminhar espiritual dos filhos de Deus, que são reino e sacerdotes para Deus. Na caminhada somos transformados “de fé em fé” e de “glória em glória”.
Toda batalha que se segue com a correlação entre o nome da cidade e o despojo correspondente tem nestas duas simbologias das câmaras seu princípio espiritual.
Vejamos alguns dos registros bíblicos daquilo que aconteceu nas “câmaras do Senhor”, porque isto é um indicativo da manifestação desta Vida vitoriosa:
- Jesus teve a ceia da Nova Aliança numa câmara superior (cenáculo) com seus discípulos – Lc 22:12.
- O Dia de Pentecostes ocorreu numa câmara superior (cenáculo) –At 1:13 em conexão com At 2:1-4.
- O ensino de Jesus com respeito ao ministério do Espírito Santo aconteceu numa câmara superior, onde Ele também lavou os pés dos discípulos (Jo14-17).
- O rei leva a noiva à sala do banquete (câmaras), e sua bandeira sobre ela é o Amor (Ct 2:4).
60- Compreendendo as Batalhas em seu Aspecto Ascensional
- Apresentação da cidade e, em geral, a menção do seu rei (sem necessariamente citar seu nome) com o claro e evidente propósito de significar uma representação da batalha espiritual correspondente.
- A menção de que a cidade, o seu rei e todos os que nela estavam foram todos, via de regra, totalmente destruídos.
- Há uma clara indicação de uma vitória sequencial, progressiva, com evidente caráter de conquista geográfica, mas de cunho espiritual ascensional, representada inclusive pela menção de que a vitória de um rei precede a vitória sobre o subsequente. Parece óbvio, mas cabe investigar esta sequência. Porque, ao final de quase todas as seções é claramente mencionado que aquilo que foi feito a determinado rei é exatamente aquilo que havia sido feito a seu antecessor; imediato ou não.
61- Item Batalha em Curso Batalha/Rei Anterior Vitória Correspondente Risco Associado
01 Maquedá Jericó Submissão Busca de Palavras “boas”
02 Libna Jericó Simplicidade, Pureza Desvio de Foco; Mente
03 Laquis Libna Andar em Espírito, Maturidade Andar pelos sentidos
04 Eglom Laquis Vitória sobre a carne Vida carnal, egocêntrica
05 Hebrom Eglom Comunhão, Vida Espiritual Ser comandado pela alma
06 Debir Hebrom, Libna. Revelação, Fé, Testemunho Conhecimento e não Vida
Observações:
- Dois princípios espirituais estão colocados como “PANO DE FUNDO” destas batalhas. E tem relação com os despojos e sua simbologia.
61.1- 1° Princípio – Câmara do Tesouro
- Ajuntar tesouros nos céus significaria deixar-se ser trabalhado (e responder positivamente a este trabalhar) para que Cristo seja formado em nós. Não é fazer boas ações para engordarmos nossa “conta bancária celestial”, isto é uma consequência. E provêm da Graça de Deus; não de nós.
61.2- 2° Princípio – Câmara dos Sacerdotes
- Fala da caminhada ascensional, do elemento progressivo da vitória (de fé em fé),
- Do descanso que se vai experimentando e que implica em mais e mais dependência do Senhor,
- Do quanto se vai diminuindo (nosso eu) neste processo
- As cidades de Láquis e Eglom são tomadas, mas não há menção sobre os reis, pois eles já haviam sido mortos quando se juntaram a Adoni Zedeque.
- São apresentados 6 cidades e mencionados, implícita ou explicitamente, 7 reis. O 7º rei é Hoão, rei de Gézer. Ele sobe para ajudar a Laquis, mas é derrotado. Sua cidade significa “precipício”.
62- Análise do avanço sequencial nesta caminhada de conquistas
1- Maquedá – Já analisado.
2-Libna Significa brancura.
Libna foi uma das 42 estações pelas quais o povo de Deus esteve quando no deserto. Seria interessante fazer uma exposição da realidade geográfica e histórica de Libna, para que possamos entender melhor essa estação.
Ao observarmos um mapa da Península do Sinai, temos uma visão clara de toda essa região até a terra de Canaã, na costa do Mar Mediterrâneo, chegando ao Mar Grande. Esta é a Costa Baixa, de baixa altura, posto que está ao nível do mar.
Um pouco mais adentro, aproximadamente uns 15 km, há uma cordilheira nessa região que se levanta até a parte sul onde está o Egito, pelo lado ocidental. Chegando ao pé dessa cordilheira, esse lugar chama-se Sefelá ou terras baixas.
Ali em Sefelá existe uma cidade chamada Libna, que se localiza no limite, na divisa com o Egito. Este é um lugar muito interessante, é uma região muito importante. Especialmente nos livros de Reis e de Crônicas encontramos algumas menções de Libna, porque essa era uma região fronteiriça, e por isso muitos reis tentaram conquistá-la. O nome Libna se deve ao fato de:
- Estar situada ao pé do monte. Se você fosse visitar aquela região, iria ver que ao pé do monte daquelas cordilheiras havia umas pedras brancas, o que leva alguns estudiosos a acreditarem ser a origem do nome Libna,
- Embora existam estudiosos que consideram, que este nome Libna vem de Libner, em hebraico, que era o nome dado a uma árvore conhecida como Choupo Branco ou Populos Alba. Essa árvore expele uma resina branca e leitosa e talvez daí venha a palavra Libne ou Libner, em hebraico, que significa brancura.
Ocorre que no processo de conquista da Terra, o resultado de nossa plena submissão ao Espírito representado por Maquedá é a pureza.
Quando a espada de dois gumes começa a operar em nós, tudo o que pertence a velha criação, ao velho homem, será levado a morte. O eu vai diminuir a cada dia, sendo portanto, cortado. Cristo será então, formado em nós; de glória em glória.
Ap 2:12,17 Pérgamo fala da mistura, da gamia, do adultério e etc… Mas, o Senhor se apresenta como Aquele que separa alma de espírito e juntas e medulas. Aos vencedores, Ele promete dentre outras coisas que lhes daria uma PEDRINHA BRANCA, e sobre esta pedrinha um NOVO NOME, o qual ninguém conhece, exceto aquele que a recebe. Sabemos que o NOME tem uma significação espiritual correspondente às características do ser.
I Pe 2:1-5 Aqui há quatro importantes menções neste texto:
- A Bondade de Deus; mais à frente veremos que a sua característica mais marcante reside no fato de que ela tem por proposito nos transformar. Basta seguir a linha da revelação a partir de Rm 2:4
- O genuíno leite espiritual que devemos receber como crianças para que nos seja dado crescimento para a salvação. Isto fala de uma postura de humildade e dependência. Uma figura bastante similar a da resina da árvore que mencionamos.
- A nossa identificação como “pedras que vivem”. Isto implica em transformação e edificação.
- O fato de estarmos sendo edificados como CASA ESPIRITUAL.
É evidente que o que está sendo colocado aqui tem o propósito de gerar o material da Nova Jerusalém.
Estudar cada pedra, cada tribo, a relação entre ambas as coisas e sua disposição na posse da Terra pode nos ajudar muito na compreensão desta edificação que manifesta a multiforme Sabedoria de Deus.
Mas há um risco associado nesta batalha I Co 11:1-4. Os riscos são: ter a mente corrompida e nos apartarmos da simplicidade e pureza devidas a Cristo. Motivada por quem? Pela astúcia enganosa da serpente.
Por isto o Senhor ao falar implicitamente das câmaras do tesouro disse: Mt 6:22-23. Observe o “recheio do sanduíche” observando os textos anterior e posterior a esta afirmação.
3- Laquis
Laquis significa andar como homem. Julgar-se invencível. Isto fala da arrogância, da prepotência humana. É importante ressaltar que o seu rei chamava-se Jafia, que significa BRILHANTE, RESPLANDECENTE. Isto fala da incansável busca humana por glória pessoal.
Esta cidade é encontrada aqui em terceiro lugar. Como o número 3 simboliza a ressurreição, isto implica que só quando permitirmos que o Senhor, pela Sua Vida ressurreta, ande através de nós, é que experimentaremos vitória sobre este rei.
II Co 6:16-17 É magnífico!! Veja que há uma correlação entre a cidade cuja batalha em curso se trava (ANDAR COMO HOMEM) e a menção da vitória sobre a cidade anterior (PUREZA). Isto REAFIRMA o princípio que estamos procurando demonstrar relacionado ao aspecto progressivo, ascensional.
“Aquele que diz que permanece Nele, também deve andar como Ele andou…” (I Jo 2.6). Em outras palavras devemos não somente viver no Espírito, mas andar no Espírito…!!
4-Horão
Hoão, rei de Gézer, significa inchado ou precipício. Aqui se estabelece em conexão com a cidade anterior duas ideias:
- Quem conhece o Senhor e anda como homem manifesta sua “independência”, que nada mais é que vida egocêntrica, alma inchada, soberba. Estes não entenderam que não mais pertencem a si mesmos.
- O rei que vem ajudar a Laquis busca nos levar à derrota, à queda, ao precipício.
Este rei vem para ajudar os habitantes de Laquis. Ou seja, tão logo nos submetemos a andar como Cristo andou, vem o rei inchado e se levanta contra isto. Atenção: isto acontece interiormente.
Pv 14:12 Veja a incapacidade humana de discernir entre o “bem e o mal”.
O rei Hoão refere-se ao orgulho da natureza humana que se mantêm independente de Deus e que rejeita o julgamento de tudo o que se refere a velha natureza.
Se aceitarmos esta posição, o resultado será inevitavelmente o precipício, ou seja, a derrota espiritual!
5-Eglom
Eglom tem na sua raiz o sentido de:
Círculo, roda, redondo (Robert Young)
E, no relato em Juízes 3:17 está representado pelo “homem gordo” tipificando a alma inchada.
Interessante notar que neste mesmo capítulo 10 no verso vimos Debir, rei de Eglom. Correlacionamos ambos pelo fato de andarmos em círculos se não entrarmos em contato com a Palavra Viva de Deus, pela incredulidade. Inchamos de conhecimento, mas não temos a expressão Viva da Palavra em nós.
Agora, algo interessante parece suceder. São mencionadas duas cidades: Eglom e, mais à frente, Debir.
Ora, Eglom tipifica nossa luta contra a carne, conforme Juízes 3:12-31.
Porque a carne manifesta uma busca insaciável por:
- Satisfação – Cl 2:23
- Sabedoria – II Co 1:12
- Julgamento – Jo 8:15
- Cobiça – Gl 5:16
- Desejo – Ef 2:3
- Pensamentos – Rm 8:7
- Fraqueza – Rm 6:19
- Imundice – II Co 7:1
- Auto-Confiança – Fp 3:5
E esta manifestação carnal nos leva, invariavelmente, a cometer pecados em todas as esferas do nosso ser.
Pecados da carne relacionados ao corpo:
- Imoralidade
- Impureza
- Licensiosidade
- Lascívia
Pecados da carne relacionados à alma:
- Inimizades
- Contenda
- Ciúmes
- Iras
Pecados da carne relacionados ao espírito:
- Comunicações sobrenaturais
- Feitiçarias
- Idolatrias
- Seitas religiosas
- Soberba
- Egoísmo
Gl 5:16-21 Mais uma vez ratifica-se o princípio colocado. Se obtivermos a vitória com respeito ao rei/cidade anterior, seremos habilitados a vencer a batalha contra o rei/cidade em curso.
6- Hebrom – Já analisado anteriormente.
7- Debir
Debir significa Sabedoria do alto, um oráculo, um orador ou locutor.
Em Josué 15:14-17 vemos que “Subiu aos habitantes de Debir, cujo nome antes era Quiriate-Sefer…” Depois que Otniel (Leão de Deus), genro de Calebe, conquistou a cidade, o nome dela foi mudado para Debir.
Quiriate-Sefer significa cidade dos livros (fortaleza da sabedoria – terrena), mas sendo agora possessão de Calebe, passa a ser Debir, ou seja, uma revelação de Deus, um oráculo.
A diferença é que não devemos nos contentar com a cidade dos livros. Ou, na linguagem do Novo Testamento, “a letra mata…” (II Co 3.6). Jesus disse que Sua palavras são “espírito e são vida…”(Jo 6.63).
Mas isto já vimos. A nota especial que é significativo mencionar é a palavra “VOLTOU” no contexto de Js 10:38.
Possivelmente há pelo menos duas interpretações a isto:
- De um lado manifesta o aspecto helicoidal ascensional. Só voltamos a um lugar onde já estivemos.
- Mas de outro lado, se observarmos o aspecto geográfico veremos que Debir, neste contexto, seria quase que “um ponto fora da curva”. Isto demonstra a força da sabedoria terrena arraigada em nós.
Logo, necessitamos de renovar a nossa mente diariamente, e reafirma o que o Senhor disse: “quem de Mim se alimenta, por Mim viverá”. E, reafirma também o fato de retornamos ao ponto original: Jericó.
Logo o que significaria Jericó neste contexto? II Co 10:3-6. Toda altivez “que se levanta contra o conhecimento de Deus”. Logo, na linguagem do Novo Testamento, a conquista da Terra significa o “ganhar a Cristo”.
Ao final, Josué retorna ao quartel general da batalha: Gilgal. Este é o local de vitória sobre a carne!!
63- 3º Grupo: A Contínua Batalha pela Vida Abundante – Caps 11 e 12
1 – Ouvindo o que acontecera às tribos vizinhas, os reis do norte se alarmaram e formaram grande confederação para enfrentar Israel (Js 11.1).
2 – Aparece apenas o nome de dois reis (Jabim, rei de Hazor e Jobabe, rei de Madom), mas há registro de 4 cidades.
3 – Todavia, a Bíblia registra que o número dos inimigos é uma “multidão como a areia que está na praia do mar, e muitíssimos carros e cavalos…” (Js 11.1).
4 – Estes povos se reuniram em Merom (lugar alto) e seu objetivo era o de lutar contra o povo de Deus para que eles não tomassem posse da terra que mana leite e mel, simbolizando a Vida Abundante que o Senhor Jesus veio nos trazer.
5 – Por meio deste capítulo aprendemos que a Vida Abundante não é algo estático, um estado que alcançamos e, então, não mais precisamos mais lutar contra nenhum inimigo.
6 – Ao contrário, permanecer na Vida Abundante significa permanecer em constante batalha contra o inimigo, a fim de sempre conquistar novas vitórias em Cristo!!
Comentário Detalhado
1 – Jabim significa “aquele a quem Deus serve”
Mas a raiz primitiva da palavra tipifica a sabedoria humana. Jabim, portanto, na raiz primitiva da palavra significa discernir, compreender, ser inteligente.
Este rei é muito importante e poderoso, basta verificar Josué 11:10. Por ser inimigo do povo de Deus, seu nome lembra a astúcia de satanás, seus ardis e maquinações. Por isto o apóstolo Paulo disse acerca de satanás: “não lhe ignoramos os desígnios…” (II Co 2.11) e que devemos “ficar firmes contra as ciladas do diabo…” (Ef 6.11).
A vida deste rei se concentra na cabeça, assim como a da serpente. Quando este rei procura nos atacar, o perigo que corremos é aceitar sua suposta sabedoria.
Existe uma sabedoria humana que é hostil a Deus e a fé. Paulo disse que Cristo o envio “para pregar o evangelho, não com sabedoria de palavra, para que não se anule a cruz de Cristo. ” (I Co 1.17).
Logo, existe uma correlação evidente entre a vida egocêntrica (“aquele a quem Deus serve”) e a prepotência daquele que se acha inteligente, sábio, discernidor.
2 – Hazor – a cidade que era a cabeça dos reinos (Ver Js 11.10)
A cidade de Jabim era Hazor que significa castelo, mas possui a raiz primitiva indicando uma área cercada, fechada.
Ou seja, onde Jabim reina, o Senhorio de Cristo (em oposição à vida egocêntrica) e a fé (em oposição à sabedoria humana) não entram.
Hazor é uma fortaleza para impedir que a Sabedoria Divina possa reinar. Quando aceitamos a inteligência do inimigo, imediatamente nos tornamos independentes de Deus. Logo, então, nos achamos nas clausuras de satanás.
Foi isto o que aconteceu com Adão e Eva. Após a queda, de fato, eles conheciam o bem e o mal como Deus (o Senhor disse que eles eram “como um de nós…”). Mas a queda tirou-lhes o poder de escolher o bem e rejeitar o mal. Assim, logo após a queda eles se encontraram confinados na clausura de satanás.
E a queda fez com que se tornassem egocentrados, alienados de Deus e reféns de si mesmos.
Em outro sentido a junção de Jabim (“aquele a quem Deus serve”) com Hazor (“castelo”) indica o enclausuramento/alienação daqueles que gravitam em torno de si mesmos, daqueles que consideram que Deus existe para servi-los.
3 – Jobabe, o gritador
Seu nome significa uivador ou gritador. Se permitirmos que o inimigo nos feche em sua fortaleza, outro aliado aparecerá: Jobabe.
Este rei virá, em apoio a Jabim, para nos manter enclausurados. E como ele faz isto? Simplesmente levando-nos a trocar a razão pela gritaria.
Toda vez que o Espírito Santo tentar nos convencer de que estamos agindo segundo a inteligência do inimigo, Jobabe, o gritador, entrará em cena para nos confundir.
Sua função é manter-nos iludidos, afastados da realidade do Senhor.
4 – Madom e a disputa/conflito
A cidade do rei Jobabe (gritador) significa disputa, altercação; quer dizer discussão calorosa.
A participação deste rei visa tão somente levar-nos a discutir. Isto é uma consequência inevitável das três situações anteriores.
Quando aceitamos a suposta inteligência do inimigo, logo nos achamos no cerco. Em seguida vem o gritador, procurando abafar a voz do Espírito Santo que procura nos libertar da clausura de satanás. Aí o resultado inevitável é a altercação, a discussão calorosa alimentada pela sabedoria humana do rei Jabim.
O inimigo lutará com todas as forças para nos manter dentro destas cidades: Hazor (clausura) e Madom (conflito).
Isto pode se processar tanto no nível individual quanto no nível coletivo.
5 – Sinrom e o “posto de vigilância e preservação” do legalismo
Aqui não é mencionado o nome deste rei, mas temos o nome desta cidade: Sinrom.
Este termo quer dizer “posto alto de vigilância”; guardar, vigiar; procedente de “preservar”
Sendo a palavra comumente usada para guardar a lei, ela sugere o espírito de legalismo que está sempre unido ao raciocínio da incredulidade.
Em geral, os irmãos que gostam de discutir, possuem um espírito legalista. Eles tem como que uma régua de medir, um padrão próprio de medir a santidade, a consagração das pessoas.
São eles os que carregam seus defeitos nas costas, numa mochila, porque geralmente não os veem. Mas os defeitos alheios são colocados num saco bem grande à sua frente.
A finalidade de julgar o erro de um irmão não é o de destruí-lo, mas de restaurá-lo.
Paulo tratou com severidade ao irmão que cometia um pecado gravíssimo em Corinto (I Co 5), mas em sua segunda carta, ele pediu a Igreja que o perdoasse e o consolassem, para que o mesmo não fosse devorado por excessiva tristeza. A repreensão feita pela maioria foi disciplina suficiente (II Co 2.6-8).
6 – Acsafe, o bem sucedido, o habilidoso, o dedicado
Aqui também não temos o nome do rei indicado, mas temos o nome da cidade.
Acsafe significa “o enfeitiçado, no sentido de fascinado”, e possui uma raiz que aponta para “aquele que se julga o bem-sucedido, o habilidoso, o dedicado.
Gl 3:1-3 O interessante a notar aqui é que o espírito legalista anda junto com o fato de acharmos que somos ou alcançamos alguma coisa.
Irmãos entendem que este rei tem como propósito levar-nos a pensar e crer que verdadeiramente somos pessoas dedicadas a Deus. Isto pode representar sério risco para nosso crescimento no Senhor. A falsa ilusão de que somos algo e que já alcançamos muito.
7 – O resumo da ação do inimigo através destes reis e o perigo de sermos aprisionados por algum rei da terra
O rei Jabim mostrou a astúcia do inimigo e sua oferta era a de uma sabedoria que não procedia de Deus. A cidade dele era Hazor, isto é clausura, o cerco levantado pela independência de Deus.
Em seguida vem o rei Jobabe, o gritador, procurando abafar a voz do Espírito Santo que procura nos livrar da espiritualidade irreal. Ele provoca muito barulho e movimento para nos fazer crer que estamos dentro da Vontade de Deus, e para que não tenhamos tempo de meditar e esperar diante do Senhor. Sua cidade é Malom (disputa), onde o que importa é o meu ponto de vista, aquilo que eu acredito.
O rei de Sinrom refere-se ao espírito legalista daqueles que estão sempre julgando os outros de acordo com o seu próprio padrão.
Finalmente, vem o rei de Acsafe, o dedicado. Este somente busca nos levar a pensar e crer que já somos e já temos algo. Este rei tenta nos levar a um estágio em que achamos que já estamos “bem”.
Todo cristão que cai nas garras destes reis, fica preso em suas cidades e acabará por exibir uma falsa espiritualidade. Exteriormente parecem celestiais, mas interiormente são terrenos.
8 – Até onde vai a batalha?
- Sidom (Js 11.8) quer dizer caçada, no sentido de pescar.
Aqui vemos qual deve ser a nossa atitude com respeito a estes reis. Não devemos dar trégua a estes reis e suas fortalezas; se cooperarmos com o Espírito Santo, ele subjugará todas as manifestações da velha natureza em nós. Muito interessante a forma da caçada: uma pescaria.
- Misrefote-Maim (Js 11.8) significa águas ardentes, ou queimaduras de águas.
Para entendermos o significado deste local temos de juntar duas verdades reveladas na Palavra
- Lv 13:24-28 Pecados que surgem do Sofrimento – “Queimadura de fogo”
Uma queimadura com fogo podia provocar uma inflamação e se a carne viva na queimadura se tornasse em mancha lustrosa, tirando a vermelho ou branco e o pelo na mancha lustrosa se tornasse branco e parecesse ser mais profunda do que a pele era lepra (vs 24-25). Esta lepra oriunda da queimadura simboliza todo tipo de sofrimento que experimentamos, incluindo aqueles oriundos do relacionamento com os irmãos na Igreja, na família e no trabalho.
O sofrimento agudo e longo produz uma tendência para pecar. Por isto devemos redobrar nossa vigilância em tempos de sofrimento. Quando ficamos irritados e abatidos, quando somos criticados, perseguidos, mal vistos, desprezados e etc…, é fácil esquecer o Senhor e pecar contra Ele.
64- Lv 11:36 A Fonte de Água Viva – O Espírito da Vida
Se um cadáver caísse numa fonte de água, ela não seria contaminada. Porque? Porque a água é o próprio meio de purificação e simboliza Aquele que pode nos purificar. O Senhor Jesus podia se aproximar do leproso e “toca-lo” sem ser contaminado. Naamã deixa sua lepra no Jordão, mas o Jordão continua correndo tão puro quanto antes. A fonte aqui simboliza a energia do Espírito Santo. O segredo da imunidade está na operação viva do Espírito de DEUS, em Quem temos o poder de repelir tudo o que contamina.
A água, portanto, é elemento capaz de nos limpar, de nos purificar, refrescar, nos dessedentar e nunca produzir queimaduras; logo a junção destas duas verdades nos leva a conclusão de que este local nos faz lembrar as paixões do velho homem. Porque ela aponta para o oposto daquilo que deveria significar. Qual o resultado de cedermos a isto: queimaduras, dores!!
Qualquer “aquecimento” que se manifeste em nosso viver diário deve ser apresentado ao Espírito Santo para que Ele possa nos orientar.
- Vale de Mispa (Js 11.8) significa torre de vigia.
Em Gn 31:48-49 vemos o significado de Mispa: “Vigie o Senhor entre mim e ti…”. Representa a misericórdia de Deus vigiando entre Jacó e Labão. Ou, em outras palavras, entre nós e o nosso eu. Labão era o espelho de Jacó.
Logo, a luta deve ser tal que devemos passar pelo vale (que é representativo de circunstâncias muitas vezes difíceis) onde somos confrontados conosco mesmos para podermos nos arrepender e sermos verdadeira e profundamente transformados. Somente assim um testemunho será edificado através de nós.
É extremamente significativo a menção de Mispa em I Samuel 7:8-16.
- Totalmente destruídos (Js 11.12)
Como vimos, os reis de Canaã representam as formas sutis da carne.
Quando a Palavra de Deus diz que Josué os destruiu totalmente, isto significa que o Senhor, pelo Espírito, tem poder para exterminar as nossas inclinações carnais. (Cl 3.5 e Ex 23:23).
- Toda a terra conquistada (Js 11.16)
Há um ponto importante que é o fato de que a conquista da terra deveria ser realizada pela força combinada das 12 tribos.
Nesta passagem encontramos alguns nomes sugestivos com respeito a conquista da terra.
- Neguebe vai significar o local de decisões maduras. Escolhas no Senhor.
- Gósen quer dizer aproximar-se e aponta para a vida de comunhão íntima com o Senhor.
- As planícies nos dá a ideia de uma vida sem altos e baixos. Uma vida estável.
- Halaque quer dizer liso, suave. Como é uma região montanhosa, fala da vida de ressurreição. Em Cântico dos Cânticos, encontramos o Senhor “galgando os montes, pulando sobre os outeiros. ” (Ct 2.8). E sabemos que os montes na Bíblia em geral tipificam as dificuldades.
- Líbano quer dizer brancura, isto é a pureza do Senhor operada em nós pelo Espírito
- Hermom significa robusto, vigoroso, proeminente, como que resumindo todos os demais aspectos anteriores.
Veja que interessante. Ao chegarmos neste ponto vemos uma menção implícita da vida compartilhada de Cristo e de Sua Igreja. Porque? A resposta está no Sl 133:1-3.
“Oh! Como é bom e agradável viverem unidos os irmãos! É como o óleo precioso sobre a cabeça, o qual desce para a barba, a barba de Arão, e desce para a gola de suas vestes. É como o orvalho do Hermom, que desce sobre os montes de Sião. Ali, ordena o SENHOR a sua bênção e a vida para sempre. ”
65- Os Amalequitas e os Cananeus


Observe que a menção aos amalequitas e aos cananeus em Nm 1425 parece ter caráter genérico. Neste sentido o primeiro estaria a tipificar a carne e suas sutis investidas contra o povo de Deus pela “retaguarda” atacando sempre os “mais fracos e doentes”. O segundo estaria a tipificar os povos que, genericamente, são descendentes de Canaã, conforme mapa genealógico acima. Devemos ainda ter atenção ao fato de que são “nos vales” que as mais duras batalhas se travam.
66- O Castigo dado por Deus: “Eu disciplino a todos quanto Amo”
“Depois, disse o SENHOR a Moisés e a Arão: Até quando sofrerei esta má congregação que murmura contra mim? Tenho ouvido as murmurações que os filhos de Israel proferem contra mim. Dize-lhes: Por minha vida, diz o SENHOR, que, como falastes aos meus ouvidos, assim farei a vós outros. Neste deserto, cairá o vosso cadáver, como também todos os que de vós foram contados segundo o censo, de vinte anos para cima, os que dentre vós contra mim murmurastes; não entrareis na terra a respeito da qual jurei que vos faria habitar nela, salvo Calebe, filho de Jefoné, e Josué, filho de Num. Mas os vossos filhos, de que dizeis: Por presa serão, farei entrar nela; e eles conhecerão a terra que vós desprezastes. Porém, quanto a vós outros, o vosso cadáver cairá neste deserto. Vossos filhos serão pastores neste deserto quarenta anos e levarão sobre si as vossas infidelidades, até que o vosso cadáver se consuma neste deserto. Segundo o número dos dias em que espiastes a terra, quarenta dias, cada dia representando um ano, levareis sobre vós as vossas iniquidades quarenta anos e tereis experiência do meu desagrado. Eu, o SENHOR, falei; assim farei a toda esta má congregação, que se levantou contra mim; neste deserto, se consumirão e aí falecerão. Os homens que Moisés mandara a espiar a terra e que, voltando, fizeram murmurar toda a congregação contra ele, infamando a terra, esses mesmos homens que infamaram a terra morreram de praga perante o SENHOR. Mas Josué, filho de Num, e Calebe, filho de Jefoné, que eram dos homens que foram espiar a terra, sobreviveram. Falou Moisés estas palavras a todos os filhos de Israel, e o povo se contristou muito. ” Nm 14:26-39.
Ao concluir a dura e difícil experiência em Ritma, temos a menção do juízo disciplinador de Deus acerca daquela geração. Alguns pontos nos chamam a atenção:
- Dize-lhes: Por minha vida, diz o SENHOR, que, como falastes aos meus ouvidos, assim farei a vós outros.”. Que frase séria!! Segundo haveis falado!!!
Falaram acerca de desânimo, falaram sobre enfermidade, falaram sobre morte; segundo tudo o que falaram aos Meus ouvidos, assim Vou fazer com vocês!! Este é um ensino extremamente importante. Temos que ter muito cuidado com nossas palavras. Nossa maneira de falar, de pensar, de sentir. Isto sim é “pensamento positivo” e “confissão positiva”; não para crermos em nossas próprias palavras ou pensamentos, mas naquilo que o Senhor nos prometeu. É crer em Deus, crer em Suas Promessas, em Sua Palavra, em Sua Fidelidade!!
- Eles disseram: “…porque nossos filhos serão por presa…?”. Veja que visão totalmente distorcida em relação ao Senhor. Eles estavam a imaginar que os filhos pereceriam no deserto e isto por deliberada Obra do Senhor. Os que pereceram foram eles mesmos como resultante de suas próprias palavras.
- Josué e Calebe haviam dito: “…se o Senhor se agradar de nós…”. Pois o Senhor, referendando a palavra de ambos, testifica Seu desagrado através da sentença: a cada dia em que a Terra foi espiada corresponderá um ano no Deserto. Quarenta é o número da provação. Neste caso, reprovação.
67- A Fé e o Poder das Palavras
- O que eles falaram no deserto? “Oxalá morrêssemos neste deserto!”. O que disse Deus? “Neste deserto, cairá o vosso cadáver, como também todos os que de vós foram contados segundo o censo, de vinte anos para cima, os que dentre vós contra mim murmurastes; não entrareis na terra a respeito da qual jurei que vos faria habitar nela, salvo Calebe, filho de Jefoné, e Josué, filho de Num.”
- O que eles falaram no deserto? “Porque nos traz o Senhor à esta Terra? Será que é para que nossas mulheres e crianças sejam por presa?” Observe: eles viam os problemas enquanto seus filhos estavam debaixo da autoridade de pais incrédulos. “Mas os vossos filhos, de que dizeis: Por presa serão, farei entrar nela; e eles conhecerão a terra que vós desprezastes. Porém, quanto a vós outros, o vosso cadáver cairá neste deserto. Vossos filhos serão pastores neste deserto quarenta anos e levarão sobre si as vossas infidelidades, até que o vosso cadáver se consuma neste deserto.” Observe que a incredulidade dos pais teve reflexos na carga que os filhos tiveram de carregar por longos 40 anos. Nossas palavras, nossas atitudes, nossas ações tem consequências. Aqui não se trata de “pensamento positivo”, nem de um “determinismo voluntarioso”, nem mesmo de “tentar a Deus” determinando fatos conforme “nossa vontade”, mas de responder positivamente ao FALAR DE DEUS. Que terrível deixar para nossos filhos um legado tão triste e penoso como este. Deus tenha misericórdia de nós!
- Resultado: não haveria repouso, não haveria leite, não haveria mel, não haveria gozo, não haveria figos, não haveria romãs, não haveria uvas, ao contrário, no deserto seriam consumidos.
- E os 10 espias que desacreditaram o povo, que infamaram a Terra? O que sucedeu a eles? “Os homens que Moisés mandara a espiar a terra e que, voltando, fizeram murmurar toda a congregação contra ele, infamando a terra, esses mesmos homens que infamaram a terra morreram de praga perante o SENHOR. ” Interessante notar que a palavra “PRAGA”, no hebraico, significa “ser golpeado (sentido de uma pancada fatal) ”, ou ainda aponta para um “massacre” (referindo-se a batalha) e, por último tem o sentido de praga, pestilência (no sentido de julgamento Divino). A raiz hebraica aponta para “tropeçar”. Observe a relação disto com a estação anterior pela qual já haviam passado que é Mara. Porque foi em Mara que uma preciosa lição deveria ter sido aprendida. Ora, foi o próprio Senhor, em Mara Quem disse: “Se guardares os meus mandamentos e estatutos…..Eu serei para ti: O DEUS QUE TE SARA!
- Resultado final, parafraseando as consequências do acontecido, sob o ponto de vista do trajeto: “Sim, se há inimigos na Terra (e há”) e se vocês não Me creem, por favor retornem. Não se metam com eles.” Observe a relação disto com as possíveis traduções para a palavra PRAGA, em especial, aquela que simboliza um massacre (referindo-se a batalhas). E então eles passam anos e anos dando voltas e voltas.
- A vida cristã é uma vida de CONFIANÇA; de DEPENDÊNCIA de Deus. Que o Senhor nos livre de termos somente uma visão natural, de sermos incrédulos, de não respondermos ao Seu Falar, e assim, de colocarmos nossa confiança em nós, em nossas coisas ou mesmo em pessoas; quaisquer que sejam elas.
- Somos chamados a “andar por fé e não por vista”; necessitamos de ter uma vida de relacionamento com o Senhor. Que possamos buscar uma vida de santidade, que possamos desenvolver uma “vida secreta com Deus”; momentos frequentes de solitude e profunda comunhão com Ele. Que possamos ouvir Sua Voz, sempre aprendendo a responder em obediência e fé ao falar do Senhor; sempre confiando, dependendo e descansando Nele. Afinal, até mesmo a ansiedade é medida evidente de desconfiança. Ou porventura Ele não é totalmente FIEL? Claro que SIM!!! Esta é a grande lição que a estação de Ritma nos ensina.
“Assim diz o SENHOR: Maldito o homem que confia no homem, faz da carne mortal o seu braço e aparta o seu coração do SENHOR! Porque será como o arbusto solitário no deserto e não verá quando vier o bem; antes, morará nos lugares secos do deserto, na terra salgada e inabitável. Bendito o homem que confia no SENHOR e cuja esperança é o SENHOR. Porque ele é como a árvore plantada junto às águas, que estende as suas raízes para o ribeiro e não receia quando vem o calor, mas a sua folha fica verde; e, no ano de sequidão, não se perturba, nem deixa de dar fruto. ” Jr 17:5-8
O Senhor tenha Misericórdia de nós!!!