Heresias Doutrinárias – A História da Igreja
Heresias Doutrinárias na história da Igreja
Sumário
5- O Modalismo ou Sabelianismo
1 – Unitarismo
Dado que a palavra e o conceito de Trindade , tal como se entende no sentido cristão, não constam no Novo Testamento , os unitários argumentam que o unitarismo teria seu início com o próprio Jesus, que, defendem, tinha consciência de ser simplesmente um homem enviado de Deus ao Mundo para transmitir Sua vontade, sem, todavia, ser divino, nem compartilhando da natureza do Pai. As igrejas Unitárias têm sua origem na Reforma Protestante, pelo que muitas de suas tradições e celebrações refletem este legado cultural.
2 – Subordinacionismo
Os teólogos da primitiva igreja ensinavam que o filho era subordinadado ao Pai. Apologistas (Os Pais da Igreja) como Justino, Irineu, Clemete de Alexandria e outros, consideravam Jesus como servo subordinado a Deus, o Pai. Embora concordassem que o Filho era eterno ( não criado ) e Divino, mas ainda assim não era igual ao Pai no Seu Ser e nos Seus atributos. Eles jamais ensinaram a crença em um Deus trino ( portanto são Unitaristas ), porque essa doutrina ainda não existia na igreja cristã. Para eles Deus era só a pessoa do Pai.Foi somente no Primeiro Concílio de Niceia ( 325 D.C ) que a doutrina da subordinação de Cristo ao Pai que era defendida pelo Bispo Ário, foi rejeitada pela Igreja em favor da ideia da igualdade entre o Pai e o Filho que daria origem a doutrina da Trindade que se tornaria mais tarde doutrina ortodoxa. Hoje as ideias subordinacionalistas são encontradas em Igrejas Cristãs como as Testemunhas de Jeová , Cristadelfianos e pelos Unitarios Bíblicos .
3 – Arianismo
A descrição clara da teologia ariana sobre a Divindade: Deus, o Pai, nascido antes do tempo e Criador do mundo era separado de um Deus menor, o Logos, Filho único de Deus (Cristo) criado pelo Pai. Este, trabalhando com o Filho, criou o Espírito Santo, que era subordinado ao Filho e, tal como o Filho, era subordinado do Pai. Segundo outros autores, para Ário o Espírito Santo seria uma criatura do Logos (Filho). Ário pregava que Deus , o Filho foi em dado momento criado por Deus , o Pai e que antes deste momento o Filho não existia , nem o Espírito Santo , mas somente o Pai. Assim, o Filho embora seja um ser celeste anterior a todo o resto da criação e bem maior que ela, não se igualaria ao Pai em todos os seus atributos. Os arianos se embasavam nos textos que chamavam o Filho de Unigênito e de Primogênito. O conflito entre Arianismo ( que são portanto Unitaristas ) e o Trinitarismo, que se tornou dominante desde então, foi a primeira dificuldade doutrinal importante na Igreja Católica, após a legalização do Cristianismo pelo imperador Constantino I e a sua elevação a religião oficial do Império Romano. Vendo que as disputas entre os cristãos poderiam causar uma ruptura interna no Império, Constantino determinou que o arianismo estava errado, que este era uma heresia, julgando assim contribuir para manter a coesão política do império, embora mais tarde viesse a aderir a ele, tendo sido batizado por um bispo ariano antes de morrer. O espiritismo cristão , kardecista , também enxerga em Jesus o Mestre Amado e o ser humano mais iluminado , mas não o confunde com Deus. Os Concílios de Nicéia 325 d.C. e de Constantinopla 381d.C. refutaram veementemente esta doutrina.
4 – Monarquianismo
Ou Monarquismo como é algumas vezes chamado, é uma série de crenças que enfatizam a Unidade Absoluta de Deus (Único Soberano Absoluto–Monarca). A crença conflita com a doutrina da Trindade , que vê em Deus uma unidade composta pelo Pai, Filho e Espírito Santo . Os modelos propostos pelo monarquianismo foram rejeitados como heréticos pela Igreja Católica .O Monarquianismo por si mesmo não é uma doutrina completa, mas um gênero do qual decorrem algumas espécies doutrinárias teológicas. Há basicamente dois modelos, contraditórios:
5- O Modalismo ou Sabelianismo
Considera que Deus seja uma pessoa, manifestando-se e operando em diferentes “modos”, como Pai, Filho e Espírito Santo. O proponente desta visão foi Sabélio. A crença foi rotulada Patripassianismo por seus oponentes, por subentender que Deus, o Pai, teria sofrido na cruz. O modalista, no terceiro século tornou-se mais conhecido por sabelianismo, e concebia as três Pessoas da Trindade como os três modos pelos quais Deus se manifestava aos homens.Alguns afirmam que o ensino modalista teria sido levado para Roma e Cartago (África) por Noeto de Esmirna, dando origem ao patripassianismo que, querendo preservar a doutrina da salvação, chegou a promover a ideia de que o Pai é que teria morrido na cruz e não Jesus. O modalismo comete o erro fatal de negar necessariamente as relações pessoais entre os membros da Trindade , dilui o âmago da doutrina da expiação , ou seja , a ideia de que DEUS enviou seu Filho como sacrifício vicário , de que o Filho carregou a ira de DEUS em nosso lugar e de que o Pai , representando os interesses da Trindade viu o sofrimento de Cristo e ficou satisfeito.O modalismo nega a independência de DEUS , pois se DEUS fosse somente uma Pessoa não teria capacidade de amar e de se comunicar sem as outras pessoas da sua criação , de tal forma que necessitaria de criar o mundo e portanto não seria independente de Sua criação.
6 – O Adocianismo
Esta heresia pressupõe que Deus é um ser, superior a tudo e completamente indivisível, defendendo a idéia de que o Filho não foi co-eterno com o Pai, mas que foi revestido de Deus (adotado) para os seus planos. Diferente versões do Adocionismo divergem quanto à hora da adoção por Deus, como a hora do seu batismo, ou de sua ascensão.Alguns portanto entendem que Jesus viveu como homem comum até o Seu batismo , por exemplo ,quando então Deus o “adotou” como Filho , conferindo-lhe poderes sobrenaturais. Os adocianistas não concordam que o Filho existia antes de ter nascido homem , portanto não consideram Cristo eterno .Mesmo depois da “adoção” de Jesus como Filho de DEUS não O julgavam detentor de uma natureza Divina , mas apenas um homem sublime .Muita gente que hoje considera Jesus um grande homem e alguém especialmente dotado por DEUS , mas não realmente Divino , se enquadraria na categoria adocianista.
7 – Patripassianismo
No extremo oposto ao Unitarismo se situavam os que identificavam totalmente o Pai ao Filho, entendendo que o Pai também havia sofrido e sido morto na cruz.
8 – Docetismo
Do grego δοκέω [dokeō], “para parecer”; é o nome dado a uma doutrina cristã do século II, considerada herética pela Igreja primitiva, que defendia que o corpo de Jesus Cristo era uma ilusão, e que sua crucificação teria sido apenas aparente. Não existiam docetas enquanto seita ou religião específica, mas como uma corrente de pensamento que atravessou diversos extratos da Igreja. A origem do docetismo é geralmente atribuída a correntes gnósticas para quem o mundo material era mau e corrompido e que tentavam aliar, de forma racional, a Revelação disposta nas escrituras à filosofia grega. Esta doutrina viria a ser condenada como heresia no Concílio Ecumênico de Calcedônia.
9 – Nestorianismo
É uma doutrina cristã, nascida no Século V, segundo a qual há em Jesus Cristo duas pessoas distintas, uma humana e outra divina, completas de tal forma que constituem dois entes independentes. A doutrina surgiu em Antióquia e manteve forte influência na Síria, e é sustentada ainda hoje pela Rosacruz e outras doutrinas ligadas à gnose.
Obs: O Monofisismo (mono=um e physis=natureza)é uma doutrina cristológica do século V , elaborada por Eutiques em reação ao Nestorianismo , admitia em Jesus Cristo uma só natureza, a divina. Provavelmente os monofisistas eram influenciados pela noção de que a vontade era um atributo da pessoa e não da natureza .Logo ,Jesus Cristo tinha apenas uma vontade porque era uma só pessoa com uma só natureza. Monofisitas consideravam que em Jesus Cristo, o princípio da carne tinha sido engolido pelo princípio do espírito, o humano pelo divino, e por isso eles reconheciam em Cristo uma só natureza. O Monofisismo também chamado de heresia de Eutiques, foi rejeitado pelo Quarto Concílio Ecuménico, o de Calcedónia (451).
Os Monotelistas (do grego «thelima», “desejo” ou “vontade”), apresentavam a ideia de que em Cristo exista uma só vontade. Partindo do receio de reconhecer uma vontade humana em Cristo, o que permitiria a ideia de duas pessoas nele, os Monotelistas reconheciam só a vontade divina em Cristo. Mas como os Padres da Igreja explicaram, esse ensinamento abolia todo o trabalho, para a salvação da humanidade, feito por Cristo, já que esse trabalho teria consistido na livre sujeição da vontade humana para a vontade divina: “Não se faça a minha vontade, mas a tua”, o Senhor orou. Esse erro foi rejeitado pelo Sexto Concílio Ecuménico (681).
**A faculdade das volições é parte fundamental da natureza humana.Portanto , podemos afirmar com toda convicção , que Jesus Cristo tinha uma vontade humana.Todavia , essa vontade existiu no tempo porque a natureza humana é temporal.Por outro lado , a vontade Divina do Redentor é numericamente uma com a do Pai e a do Espírito , porque é atributo da natureza e as três pessoas possuem a mesma natureza.Logo , as três pessoas da Trindade tem a mesma vontade Divina. Portanto é necessário que nós reconheçamos no Redentor duas vontades , porque cada uma delas está ligada a uma natureza.
10 – Apolinarismo
Fundador Apolinário de Laodicéia (310-390 d.C.) tentou criar um modo de explicar a natureza de Jesus, sua humanidade e divindade. Ele ensinava que o homem era composto de corpo, alma e espírito, e que, em Jesus, o espírito do homem fora substituído pelo Logos, ou, pela segunda pessoa da Trindade. Assim afirmando, Apolinário negava a humanidade de Jesus, pois este estaria num corpo, de certa forma, emprestado. Nessa visão, Cristo não era totalmente humano, mas sim, um espírito que se ‘incorporava’ nos homens. A idéia de que Jesus era apenas uma parte do todo sempre esteve presente na Igreja.
Mesmo hoje, vemos com frequência uma espiritualização exagerada da pessoa de Jesus Cristo, como se Ele não tivesse um corpo, ou como se Ele, sendo Deus, fez e suportou tudo o que passou por ser Deus. Isso não é verdadeiro. Jesus era um homem completo como nós o somos, e como homem completo (ver carta Aos Hebreus) passou por tudo e tudo fez conforme as Escrituras por sua obediência ao Pai e pelo seu andar com Ele. Se Jesus foi diferente do homem comum em alguma coisa, isso foi em sua relação com o Pai, a sua inteira entrega e comunhão com Deus.
11 – Pelagianismo
É uma teoria teológica cristã, atribuída a Pelágio . Sustenta basicamente que todo homem nasce moralmente neutro, e que é capaz, por si mesmo, sem qualquer influência externa, de converter-se a Deus e obedecer à sua vontade, quando assim o desejar. Uma das grandes disputas durante a Reforma protestante versou sobre a natureza e a extensão do pecado original.No século V Pelágio havia debatido ferozmente com Agostinho sobre este assunto. Agostinho mantinha que o pecado original de Adão foi herdado por toda a humanidade e que, mesmo que o homem caído retenha a habilidade para escolher, ele está escravizado ao pecado e não pode não pecar. Por outro lado, Pelágio insistia que a queda de Adão afetara apenas a Adão, e que se Deus exige das pessoas que vivam vidas perfeitas, Ele também dá a habilidade moral para que elas possam fazer assim. Ele reivindicou mais adiante que a graça divina era desnecessária para salvação, embora facilitasse a obediência.A convicção dos pelagianos é de o homem é totalmente responsável pela sua própria salvação e portanto, minimizam o papel da graça divina.
Escola de Antioquia
- nunca negou as duas naturezas de Cristo
- nunca negou a distinção entre estas duas naturezas
- porém entendiam que “a natureza humana se desenvolveu independentemente da Divindade; portanto uma real participação da Divindade na experiência da vida humana não era admissível”
- chegavam ao extremo de falar de dois Filhos e duas naturezas
- isto implicava até num incorreto pensamento de que a natureza humana de Jesus Cristo foi quem morreu na cruz , enquanto o Verbo Divino ficou impassível
- daí a tendência Nestoriana na escola de Antioquia.
Escola de Alexandria
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- teve grande influencia do pensamento grego
- Ário, bispo de Alexandria , ensinava que Cristo era o Filho criado de DEUS , não sendo portanto Divino , ontologicamente.
- Atanásio , um de seus representantes confrontou esta idéia fortemente.
- Eles enfatizavam muito a Divindade de Cristo deixando a Sua humanidade diminuída.
- Havia uma tendência docética no pensamento que tinham sobre a união das duas naturezas de Cristo.
- Esta ênfase conduziu a uma visão monofisista.
Obs: No Concílio de Nicéia ( 325 ) se aprovou oficialmente o dogma da Trindade e se condenou o arianismo como herético ; uma decisão que, com os distintos caminhos dos anos seguintes, acabaria sendo confirmada pelo Concílio de Constantinopla ( 381 ).
A escola Calvinista enfatiza a Soberania de DEUS , ou seja que DEUS escolheu o homem e que tudo está debaixo da Soberania de DEUS.Isto é bíblico , mas talvez não contenha toda verdade , especialmente em virtude do aspecto relacional de DEUS manifesto nas escrituras que dizem respeito a livre escolha do homem e da resposta de DEUS quanto a estas escolhas , ainda que saibamos que DEUS sabe de todas as coisas e que nada acontece sem que DEUS assim o permita.
A escola Arminiana ensina que o homem , na sua livre escolha , no seu livre arbítrio , pode mudar o rumo das coisas. Isto também tem base bíblica , principalmente se considerarmos o arrependimento humano diante de DEUS.
Ambas escolas trazem verdades bíblicas incontestáveis e complementares que só nos fazem adorar mais a DEUS haja visto Sua Soberania e Misericórdia e , além de todas Suas perfeições , vermos como Ele é um Ser extremamente relacional e relacionalmente Soberano.
















