VERDADES, VIDA e doutrinas cristãs na BÍBLIA e no CAMINHO da igreja.

Compilado por: Leonardo Dutra Rabelo

Novembro 2019

Buscai no livro do Senhor, e lede. Isaías 34:16a

para que aprendais a não ir além do que está escrito.
1 Coríntios 4:6b

Sumário

1. DEUS E A CRIAÇÃO. 16

1.1. O Ser de Deus. 16

1.2. Os céus e a terra. 19

1.3. Os anjos e o homem. 20

2. A REBELIÃO, A QUEDA E O PECADO. 22

2.1. A Rebelião dos Anjos. 22

2.2. A Rebelião do Homem e das nações. 22

2.3. O pecado. 25

3. O SENHOR JESUS CRISTO. 27

3.1. A Pessoa. 27

3.1.1. Quem é Jesus? 27

3.1.2. Cumprimento das profecias. 28

3.1.3. Deus. 30

3.1.4. Homem. 31

3.1.5. Senhor Jesus Cristo. 32

3.2. Os ofícios. 34

3.3. A obra. 35

4. EVANGELHO DA GRAÇA. 39

4.1. Arrependimento e fé. 39

4.2. A boa nova da salvação, novo nascimento e regeneração. 41

4.3. Filiação e adoção. 43

5. OBRA DA REDENÇÃO. 45

5.1. Encarnação, sangue e expiação. 45

5.2. Cruz, Ressurreição e Justificação. 49

5.3. Ascenção e glorificação. 53

6. O HOMEM. 55

6.1. Origem e criação. 55

6.1.1. Antiguidade. 56

6.1.2. Imagem e semelhança. 56

6.1.3. Vida Infinita após a criação. 58

6.1.4. A origem da alma. 59

6.1.5. Unidade da humanidade. 61

6.1.6. Literalidade do relato em Gênesis. 61

6.2. Estado original e a queda. 62

6.3. Constituição. 62

6.3.1. Espírito. 62

6.3.2. Alma. 63

6.3.3. Corpo. 63

6.3.4. Outros aspectos imateriais. 64

7. SALVAÇÃO DO HOMEM. 66

7.1. Salvação do espírito e VIDA eterna. 66

7.2. Salvação da alma, santificação e recompensa. 67

7.3. Salvação do corpo, cura e glorificação. 70

7.4. Doenças da alma e a psicologia. 73

8. IGREJA DE DEUS. 75

8.1. Comunhão na família de Deus, igreja casa. 76

8.2. Serviço na Casa de Deus, cinco ministérios. 77

8.3. Unidade do Corpo de Cristo e reuniões centralizadas. 79

8.4. Unidade e governo local. 80

9. BATISMO E CEIA 82

9.1. Batismo 82

9.2. Ceia 84

9.2.1. Questões de práticas. 87

9.2.2. A mesa centralizada. 91

9.2.3. O primeiro dia da semana 92

10. BÍBLIA E ORAÇÃO. 93

10.1. Bíblia. 93

10.1.1. Definição. 93

10.1.2. Composição. 94

10.1.3. Originais e traduções. 95

10.1.4. Os livros apócrifos e deuterocanônicos. 95

10.1.5. Tema central. 96

10.2. Oração individual e devocional. 97

10.2.1. Oração demanda resposta. 97

10.2.2. Como orar. 98

10.2.3. Aspectos práticos. 101

10.3. Oração corporativa 102

11. ADORAÇÃO E LOUVOR. 104

11.1. Sacerdócio. 104

11.2. Adoração. 105

11.3. Louvor. 108

12. MORDOMIA. 110

12.1. Dinheiro. 110

12.1.1. Finanças 112

12.1.2. Dívidas, empréstimos e fianças. 112

12.1.3. Dízimos, impostos e tributos 114

12.1.4. Ofertas e serviço na igreja. 116

12.1.5. Trabalhar ou viver pela fé. 119

12.1.6. Pobres e esmolas 121

12.1.7. Covil de salteadores. 121

12.2. Tempo. 122

12.2.1. O que é o tempo? 122

12.2.2. Tempo Kairós e Chronos. 123

12.2.3. O tempo Kairós no chronos de hoje. 124

12.3. Corpo. 126

12.3.1. Sacrifício vivo. 126

12.3.2. Cuidados e a dietética de Deus. 126

12.3.3. A língua e as palavras. 132

13. AUTORIDADE E GOVERNO. 135

13.1. Autoridade. 135

13.2. Reino e governo. 135

13.2.1. Reino. 135

13.2.2. Governo. 136

13.2.3. Graça e governo. 136

13.2.4. Disciplina e juízo. 137

13.3. Autoridades. 138

13.3.1. Deus. 138

13.3.2. A Palavra de Deus. 139

13.3.3. Apóstolos. 139

13.3.4. Autoridades delegadas. 139

13.3.5. Condições para o exercício da autoridade. 141

13.4. Rebelião, obediência e submissão 141

13.4.1. Rebelião. 142

13.4.2. Os limites da obediência e a submissão. 143

13.5. A Posição da Mulher. 144

14. OBEDIÊNCIA E VONTADE DE DEUS. 147

14.1. Perdão e obediência. 147

14.2. Vontade de Deus 150

15. RELACIONAMENTOS. 153

15.1. Escolha do cônjuge e relação antes do casamento. 153

15.2. Amizades e mundo. 155

16. CASAMENTO. 158

16.1. Casamento. 158

16.2. Família e criação de filhos 162

16.3. Divórcio e novo casamento 164

17. A CARNE. 167

17.1. A natureza da carne 167

17.2. Obras da carne 168

17.3. Conflito da carne com o espírito regenerado 169

17.3.1. O problema das duas naturezas. 171

17.3.2. Escolha, santificação da alma e andar no espírito. 173

18. A CRUZ. 175

18.1. A palavra da cruz 175

18.2. Por nós 176

18.3. Com Cristo 178

18.3.1. O velho homem 181

18.3.2. O caminho da cruz 183

18.4. Cristo em nós 184

19. O ESPÍRITO SANTO. 188

19.1. A terceira Pessoa do Ser de Deus. 188

19.2. Relação com o Pai e o Filho. 189

19.3. As ações. 190

19.3.1. A obra da convicção 190

19.3.2. O Testemunho. 191

19.3.3. Regeneração. 191

19.3.4. Libertação e santificação. 191

19.3.5. Ensino. 192

19.3.6. Oração. 193

19.3.7. Adoração. 193

19.3.8. Selagem e habitação. 193

19.4. Seu advento e a promessa. 194

19.4.1. Na preparação da 1ª vinda de Jesus Cristo. 194

19.4.2. O ensino indireto de Jesus sobre o Espírito. 195

19.4.3. O ensino direto de Jesus sobre o Espírito. 195

19.4.4. A promessa. 196

19.4.5. O derramamento do Espírito. 196

19.5. Batismo e enchimento ou plenitude do Espírito. 197

20. VIDA NO ESPÍRITO. 198

20.1. Novidade de vida, ressurreição e plena filiação. 199

20.2. Enchimento. 204

20.3. A noite escura da alma. 205

20.4. Dons espirituais 208

21. LÍNGUAS. 210

21.1. Três aspectos do dom de línguas. 210

21.2. As Línguas e suas controvérsias. 214

21.2.1. A posição favorável 216

21.2.2. A Posição contrária. 218

21.2.3. O Cessacionismo. 219

21.3. Andando e falando no espírito 220

22. A PERSEVERANÇA DOS SANTOS. 222

22.1. Salvação presente e futura. 222

22.2. Soberania de Deus e livre arbítrio do homem. 223

22.3. Preparação, santificação e perseverança. 230

23. OBRA DE DEUS. 234

23.1. Ide e pregai. 234

23.2. Fazei discípulos e ensinai 236

23.3. Cooperação e coordenação 237

24. DISPENSAÇÕES. 241

24.1. Dispensação. 241

24.1.1. As sete dispensações 241

24.1.2. As alianças 242

24.1.3. Os juízos ao final das dispensações. 243

24.2. Lei e graça. 244

24.2.1. Diferenças básicas. 244

24.2.2. Antinomianismo 244

24.2.3. Cerimonialismo. 245

24.2.4. Galacianismo 245

24.2.5. A lei antiga no novo testamento. 246

24.2.6. A nova lei e a graça no novo testamento. 247

24.2.7. Judeu, gentio e igreja 248

24.3. Adventos, ressurreições e juízos 249

24.3.1. Os dois adventos. 249

24.3.2. As duas ressurreições. 251

24.3.3. Os três Juízos. 251

Prefácio

Eclesiastes 12; 12 Além disso, filho meu, sê avisado. De fazer muitos livros não há fim; e o muito estudar é enfado da carne.

Cantares de Salomão 5; 16 O seu falar é muitíssimo suave; sim, ele é totalmente desejável. Tal é o meu amado, e tal o meu amigo, ó filhas de Jerusalém.

Salmos 119; 97-103 Oh! quanto amo a tua lei! ela é a minha meditação o dia todo. O teu mandamento me faz mais sábio do que meus inimigos, pois está sempre comigo. Tenho mais entendimento do que todos os meus mestres, porque os teus testemunhos são a minha meditação. Sou mais entendido do que os velhos, porque tenho guardado os teus preceitos. Retenho os meus pés de todo caminho mau, a fim de observar a tua palavra. Não me aperto das tuas ordenanças, porque és Tu quem me instrui. Oh! quão doces são as tuas palavras ao meu paladar! mais doces do que o mel à minha boca.

Este volume, sobre verdades da bíblia e história da igreja, foi preparado, às pressas, num curto período de seis semanas, três para compilação dos capítulos, duas para os apêndices, e outra para uma revisão preliminar, com a motivação e objetivo de subsidiar e contribuir para o trabalho de uma comissão, instalada em 28.10.2019, para elaborar um roteiro para ensino de verdades bíblicas básicas, num ambiente de cooperação e comunhão entre congregações da igreja em Belo Horizonte.

O trabalho desta comissão representa uma iniciativa de alta relevância para a expressão de unidade da igreja local, pela futura ministração conjunta das verdades básicas para novos convertidos de diversas congregações, a serem, também, batizados em eventos únicos, convocados, entre todas as congregações participantes da cooperação para a expressão da unidade, a partir de 2020.

Muito deste material foi compilado ao longo de muitos anos de comunhão e estudos bíblicos, em casas e locais diversos, em Belo Horizonte, ou em retiros em fins de semana ou datas especiais, nos arredores da cidade, juntamente com material de autoria própria, não sendo possível, por isso, citar todas as fontes bibliográficas do material compilado, de forma que apresento minhas desculpas aos muitos irmãos ou autores, sobre cujos ombros parte deste trabalho se apoia.

Esclareço que não me limitei ao escopo das verdades básicas a serem elaboradas pela comissão conjunta, mas incluí todo o material relevante para uma ampliada exposição das verdades, vida e doutrinas cristãs ao longo do caminho da igreja.

Para alguns poucos tópicos, como perseverança dos santos, santificação, línguas, arrebatamento, novo casamento e outros, incluí ou citei posições divergentes, enquanto, para outros, como antropologia e visão dicotômica do homem ou escatologia, me abstive de fazê-lo.

Há muita transcrição de textos da bíblia, sendo todas, exceto quanto especificado de outra forma, da versão Almeida revisada de 1967. Com vistas à utilização de aplicativos de leitura do texto em áudio, foi adotado o ponto e vírgula, ao invés de dois pontos, após os capítulos dos textos bíblicos, transcritos ou referenciados, de forma a se evitar a leitura, pelos aplicativos, como horas e minutos.

Agradeço, de forma antecipada, toda e qualquer contribuição para o aperfeiçoamento deste trabalho, seja de conteúdo, ou de correção do texto.

Leonardo Dutra Rabelo.

19.11.2019

Ao único Deus sábio seja dada glória por Jesus Cristo para todo o sempre. Amém. Romanos 16; 27

DEUS E A CRIAÇÃO.

O Ser de Deus.

Deus se revela na bíblia como um Ser maravilhoso e corporativo, por se constituir em três pessoas, Pai, Filho e Espírito Santo, de mesma natureza essencial de Amor, por compartilhar plenamente a VIDA e todos os perfeitos atributos entre Si. Esta VIDA compartilhada no Ser de Deus é a VIDA Eterna, não criada e sem princípio.

Ezequiel 1; 16 O aspecto das rodas, e a obra delas, era como o brilho de crisólita; e as quatro tinham uma mesma semelhança; e era o seu aspecto, e a sua obra, como se estivera uma roda no meio de outra roda.

Todos os atributos de Deus, relacionados na figura dos círculos ou rodas entrelaçadas, e na tabela a seguir, não podem ser separados do próprio Ser, ou do caráter de Deus, e pertencem à essência do seu Ser.

Atributos do Ser e da Vida de Deus, Eu sou, Elohim, Iahoueh:

TRI UNIDADE SANTIDADE TRANSCENDÊNCIA
MAJESTADE SOBERANIA IMANÊNCIA
AUTO EXISTÊNCIA AUTOSSUFICIÊNCIA ONIPOTÊNCIA
ONISCIÊNCIA SABEDORIA ONIPRESENÇA
IMUTABILIDADE ETERNIDADE INFINITUDE
PERFEIÇÃO VERDADE LUZ
FIDELIDADE JUSTIÇA BENIGNIDADE
LONGANIMIDADE BONDADE MANSIDÃO
AMOR GRAÇA MISERICÓRDIA

 

Não há nada, nem ninguém que seja como Ele. Em Deus não há partes. A harmonia do Ser de Deus não resulta do perfeito equilíbrio entre partes, mas da ausência de partes.

Isaías 40; 18 A quem, pois, podeis assemelhar a Deus? ou que figura podeis comparar a ele?

Isaías 46; 5 A quem me assemelhareis, e com quem me igualareis e me comparareis, para que sejamos semelhantes?

Para que a realidade do amor possa ser plena, são necessárias pelo menos duas pessoas. Se Deus fosse apenas uma pessoa, como algumas religiões ou seitas afirmam, a própria essência de amor ficaria prejudicada. A realidade do amor em Deus é, absolutamente, completa e perfeita, e é a essência da VIDA eterna compartilhada no Ser e nos atributos de Deus.

O amor do Pai, para com o Filho, é desfrutado e vivido na Pessoa do Espírito Santo. O Filho é eternamente gerado pelo Pai, mas o Espírito procede do Pai e procede do Filho e é uma Pessoa Divina, na comunhão entre o Pai e o Filho.

O Pai habita no Filho, o Filho habita no Pai, o Espírito procede do Pai e do Filho e contém o Pai e o Filho. Cada uma das três pessoas está em cada uma delas. Assim é o Ser de Deus.

Embora o Ser de Deus não seja, propriamente, uma verdade básica, no sentido de ser simples, é, certamente, a principal verdade básica no sentido de ser a base e o fundamento de tudo.

Contudo, a bíblia não explica o Ser de Deus, mas sim O apresenta e O revela para que O conheçamos e vivamos por Ele e para Ele, partilhando, também, da sua VIDA, tal como ela é partilhada na perfeita comunhão do Ser de Deus.

Desta forma, não precisamos nos alongar sobre este ponto, o que será feito ao longo de toda a caminhada do cristão, após nascer de novo, recebendo em seu espírito, pela fé no Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus que se fez carne e morreu por nós, esta VIDA eterna de Deus, na pessoa do Espírito Santo, que passa a habitar em nosso espírito, fazendo dele a morada do Pai e do Filho.

Este assunto do Ser de Deus foi o primeiro grande tema na história da igreja, seguido da natureza do Senhor Jesus e depois a do Espírito Santo e prossegue até nossos dias, entre teólogos e eruditos, ainda com muito esforço humano para se entender a trindade, palavra que nem consta na bíblia, com a mente, ao invés de conhecer e prosseguir em conhecer a Deus, como escreveu o profeta Oseias, pela sua Palavra, pelo seu Espírito e pelo relacionamento diário com este maravilhoso e surpreendente Deus.

Não há a necessidade de se provar ou de argumentar sobre a existência de Deus, que não demanda outra evidência, além da própria palavra de Deus e da existência do universo.

Os principais argumentos são:

  • Cosmológico: a existência do universo requer uma causa.
  • Teleológico: o universo tem um propósito.
  • Moral: a consciência de dever e da espiritualidade do homem.
  • Antropológico: pressuposição da existência de um ser supremo em todos os povos da terra.

Os homens são inescusáveis por não buscarem conhecer a Deus e o glorificar.

Romanos 1:19-21 Porquanto, o que de Deus se pode conhecer, neles se manifesta, porque Deus lho manifestou. Pois os seus atributos invisíveis, o seu eterno poder e divindade, são claramente vistos desde a criação do mundo, sendo percebidos mediante as coisas criadas, de modo que eles são inescusáveis; porquanto, tendo conhecido a Deus, contudo não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes nas suas especulações se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu.

Salmos 10:4 Por causa do seu orgulho, o ímpio não o busca; todos os seus pensamentos são: Não há Deus.

Salmos 53:1 Diz o néscio no seu coração: Não há Deus. Corromperam-se e cometeram abominável iniquidade; não há quem faça o bem.

Oseias 6:3 Conheçamos, e prossigamos em conhecer ao Senhor; a sua saída, como a alva, é certa; e Ele a nós virá como a chuva, como a chuva serôdia que rega a terra.

João 17:3 E a vida eterna é esta: que Te conheçam a Ti, como o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, aquele que Tu enviaste.

Os céus e a terra.

Gênesis 1; 1 No princípio criou Deus os céus e a terra.

Deus é o Criador de todas as coisas. A expressão “os céus e a terra” significa o Universo primordial. Céus, no plural, pode se referir ao terceiro céu, figura de um lugar onde Deus habita, ou à própria essência onipresente do Ser de Deus; ao segundo céu, que corresponde ao mundo espiritual, lugar original de habitação dos anjos e suas potestades e dominações, e ao primeiro céu ou firmamento, que corresponde ao universo físico com suas galáxias, estrelas e a terra, em meio a elas, onde Deus, após a queda dos anjos, a restaurou, enchendo-a da vida vegetal e animal e criou o homem, soprando nele vida espiritual.

Os céus, pelo menos o segundo e o primeiro, na concepção acima apresentada, foram criados para os anjos e para a terra, a terra, e tudo que hoje há nela da natureza original, foi criada, ou pelo menos restaurada, para o homem, e o homem foi criado para Deus.

Hebreus 2; 6-7 Mas em certo lugar testificou alguém dizendo: Que é o homem, para que te lembres dele? ou o filho do homem, para que o visites? Fizeste-o um pouco menor que os anjos, de glória e de honra o coroaste,

Teorias evolucionistas afirmam, erroneamente, que o homem evoluiu dos animais no decurso de longo tempo. A bíblia afirma, claramente, que o homem foi criado diretamente por Deus e que todos os animais foram criados segundo sua própria espécie. As teorias evolucionistas demandam bilhões de anos para que o processo evolutivo se viabilize. Mas, o homem, tal como o conhecemos hoje, pode não existir há mais de seis mil anos, aqui na terra, que é o tempo calculado, de forma aproximada, pelas gerações mencionadas na bíblia, desde Adão.

O primeiro verso da bíblia se refere à criação primordial do universo e pode acomodar longos períodos de tempo, como previstos por várias teorias científicas, o que não é o caso da teoria da evolução, que não é científica e nem pode ser comprovada por qualquer método realmente científico ou empírico. A bíblia não é um livro científico, nem o relato inicial do livro de Gênesis representa um relato detalhado da criação.

A bíblia é a palavra revelada de Deus e o relato inicial do Gênesis é um relato da restauração da terra, da expansão da vida e da criação do homem, mas não inclui nem a criação dos anjos, nem os detalhes da criação e juízos primordiais, relatados nos dois primeiros versos.

Os anjos e o homem.

Os anjos foram criados antes dos homens e há várias menções a este fato ao longo da bíblia:

Jó 38; 4-7 Onde estavas tu, quando eu lançava os fundamentos da terra? Faze-mo saber, se tens entendimento. Quem lhe fixou as medidas, se é que o sabes? ou quem a mediu com o cordel? Sobre que foram firmadas as suas bases, ou quem lhe assentou a pedra de esquina, quando juntas cantavam as estrelas da manhã, e todos os filhos de Deus bradavam de júbilo?

Anjos, hoje, são espíritos ministradores, enviados para servir a favor dos que hão de herdar a salvação e representam, cada um, uma criação inteira, como a humanidade, e, ao contrário dos homens, não formam família ou se reproduzem.

Existe, contudo, uma hierarquia entre eles:

Colossenses 1; 16 porque nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades; tudo foi criado por ele e para ele.

Alguns diferenciam anjos e arcanjos, que recebem nome na bíblia, como Miguel, o príncipe dos exércitos do Senhor, Gabriel, o anunciador da profecia e de boas novas e Lúcifer, embora não receba este nome, que significa o portador de luz, mas que é mencionado como a pretensa estrela da manhã, filho da alva, a primeira e mais formosa das criaturas de Deus, que veio a ser, pelo início da rebelião no mundo espiritual, o Diabo e Satanás, ou a antiga serpente e o grande dragão, com suas sete cabeças, representando todos os impérios e os reinos deste mundo, que caíram sob o seu poder, após a queda do homem.

O homem, antes da queda, foi criado perfeito, santo e em um estado de inocência. Este estado de perfeição inicial não significa que o homem era completo, uma vez que recebera a vida espiritual da criação pelo sopro de vida de Deus, mas ainda não tinha a VIDA eterna, não criada e partilhada dentro do Ser de Deus.

Como a VIDA eterna partilhada no Ser de Deus é Amor, e o Amor envolve escolha para o partilhamento da Vida, Deus disponibilizou esta VIDA eterna não criada, na Árvore da VIDA, no meio do jardim do Éden, onde o homem foi colocado para o lavrar e guardar, e onde, todo dia, ao final da tarde, Deus se encontrava com o homem e tinha comunhão com ele, para que ele escolhesse, pelo livre arbítrio que lhe foi concedido, viver pela VIDA de Deus, comendo do fruto da Árvore da VIDA.

Deus, também, avisou ao homem que ele não deveria comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, pretendendo viver por sua própria conta, discernindo o bem e mal por si mesmo e pela vida da criação, o que traria a morte, ou separação de Deus.

Ao escolher sua própria vida, ao invés da VIDA eterna de Deus, o homem estava se separando de Deus, por não receber e partilhar a VIDA eterna do Ser de Deus, passando a viver apenas pela vida da criação, até que o sopro desta vida se exaurisse pela morte, consequência da escolha de não partilhar a VIDA de Deus.

A criação e a doutrina do homem serão consideradas em mais detalhe no capítulo sobre o homem.

A REBELIÃO, A QUEDA E O PECADO.

A Rebelião dos Anjos.

A rebelião começa com a auto exaltação de um arcanjo:

Isaías 14; 13-14 Como caíste do céu ó estrela da manhã, Filho da alva, como fostes lançado por terra, tu que prostravas as nações. E tu dizias no teu coração: eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono; e no monte da congregação me assentarei, nas extremidades do norte; subirei acima das alturas das nuvens e serei semelhante ao Altíssimo.

Ezequiel 28; 15 Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que em ti se achou iniquidade.

Após a rebelião dos anjos e do juízo primordial de Deus sobre eles, o segundo verso da bíblia relata o caos na criação primordial, antes de sua restauração para a criação do homem:

Gênesis 1; 2 A terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo, mas o Espírito de Deus pairava sobre a face das águas.

Considera-se que um terço dos anjos seguiram a Satanás e se rebelaram:

Apocalipse 12; 3-4 Viu-se também outro sinal no céu: eis um grande dragão vermelho que tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre as suas cabeças sete diademas; a sua cauda levava após si a terça parte das estrelas do céu , e lançou-as sobre a terra; e o dragão parou diante da mulher que estava para dar à luz, para que, dando ela à luz, lhe devorasse o filho.

2 Pedro 2; 4 Porque se Deus não poupou a anjos quando pecaram, mas lançou-os no inferno (“tártaro” ou lugar dos malfeitores, no fundo do hades, o lugar dos mortos), e os entregou aos abismos da escuridão, reservando-os para o juízo;

Judas 1; 6 aos anjos que não guardaram o seu principado, mas deixaram a sua própria habitação, ele os tem reservado em prisões eternas na escuridão para o juízo do grande dia,

A Rebelião do Homem e das nações.

Pela tentação de Satanás, a mulher cai em transgressão, oferece o fruto do conhecimento do bem e do mal ao homem e ambos perdem a comunhão com Deus e descobrem sua nudez.

Gênesis 2; 8,9,16,17 Então plantou o Senhor Deus um jardim, da banda do oriente, no Éden, e pôs ali o homem que tinha formado. E o Senhor Deus fez brotar da terra toda qualidade de árvores agradáveis à vista e boas para comida, bem como a árvore do conhecimento do bem e do mal. Ordenou o Senhor Deus ao homem dizendo: De toda árvore do jardim podes comer livremente; mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dessa não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás.

Gênesis 3; 4-6 Disse a serpente à mulher: Certamente não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que comerdes desse fruto, vossos olhos se abrirão, e sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal. Então, vendo a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento, tomou do seu fruto, comeu, e deu a seu marido, e ele também comeu.

Mas, Deus vai à procura do homem caído e continua a sua obra:

Gênesis 3; 9,11,13 Onde estás? Comestes da árvore de que te ordenei que não comesses? Que é isto que fizestes?

E novamente o domínio sobre a terra é afetado:

Gênesis 3; 17 Porquanto destes ouvidos à voz de tua mulher, e comestes da árvore que te ordenei dizendo: Não comerás dela, maldita é a terra por tua causa.

Desde Adão, o princípio de rebelião governa a vida do homem. Após a rebelião, Adão gera homens à sua imagem:

Gênesis 5; 1-3 Este é o livro das gerações de Adão. No dia em Deus criou o homem, à semelhança de Deus o fez. Homem e mulher os criou, e os abençoou, e os chamou pelo nome de homem, no dia em que foram criados. Adão viveu cento e trinta anos, e gerou um filho à sua semelhança, conforme a sua imagem, e pôs-lhe o nome de Sete.

Depois de Adão, a rebelião vai se alastrando.

Gênesis 6; 5, 17 Viu o Senhor que era grande a maldade do homem na terra, e que toda a imaginação dos pensamentos do seu coração era má continuamente.
Porque eis que eu trago o dilúvio sobre a terra, para destruir, de debaixo do céu, toda carne em que há espírito de vida; tudo o que há na terra expirará.

Após o dilúvio, 1656 anos depois de Adão, Cão é o primeiro a manifestar o espírito de rebelião, ao desrespeitar a autoridade de seu pai.

Gênesis 9; 22 E Cão, pai de Canaã, viu a nudez de seu pai, e o contou a seus dois irmãos que estavam fora.

A seguir, um neto de Cão, filho de Cuche, Ninrode, o primeiro a ser poderoso na terra, estabelece Babel como princípio do seu reino (Gn 10; 8-10).

E as nações se juntaram para construir a torre de Babel com tijolos:

Gênesis 11; 4 Eia, edifiquemos para nós uma cidade e uma torre cujo cume toque no céu, e façamo-nos um nome, para que não sejamos espalhados sobre a face da terra.

A rebelião, que começou com pessoas individuais, agora se espalha pelas nações:

Salmo 2; 1-3 Porque se amotinam as nações, e os povos tramam em vão? Os reis da terra se levantam, e os príncipes juntos conspiram contra o Senhor e contra o seu ungido, dizendo: Rompamos as suas ataduras, e sacudamos de nós as suas cordas.

Do meio das nações, Deus chama Abrão, o pai da fé e, pela lei entregue no Sinai, Deus constituiu um povo para se revelar através dele e manifestar o seu reino e a sua autoridade, mas os israelitas também se rebelaram:

Isaías 30; 9 Pois este é um povo rebelde, filhos mentirosos, filhos que não querem ouvir a lei do Senhor.

Isaías 65; 2 Estendi as minhas mãos o dia todo a um povo rebelde, que anda por um caminho que não é bom, após os seus próprios pensamentos.

Ezequiel 3; 27 Mas quando eu falar contigo, abrirei a tua boca, e lhes dirás: Assim diz o Senhor Deus: Quem ouvir, ouça, e quem deixar de ouvir, deixe; pois casa rebelde são eles.

E, por fim, rejeitaram, o Filho de Deus:

João 1; 10-11 Estava ele no mundo, e o mundo foi feito por intermédio dele, e o mundo não o conheceu. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam.

Atos 2; 36 Saiba pois com certeza toda a casa de Israel que a esse mesmo Jesus, a quem vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo.

Atos 3; 14-15 Mas vós negastes o Santo e Justo, e pedistes que se vos desse um homicida; e matastes o Autor da vida, a quem Deus ressuscitou dentre os mortos, do que nós somos testemunhas.

Romanos 11; 7-12 Pois quê? O que Israel busca, isso não o alcançou; mas os eleitos alcançaram; e os outros foram endurecidos, como está escrito: Deus lhes deu um espírito entorpecido, olhos para não verem, e ouvidos para não ouvirem, até o dia de hoje. E Davi diz: Torne-se lhes a sua mesa em laço, e em armadilha, e em tropeço, e em retribuição; escureçam-se lhes os olhos para não verem, e tu encurva-lhes sempre as costas. Logo, pergunto: Porventura tropeçaram de modo que caíssem? De maneira nenhuma, antes pelo seu tropeço veio a salvação aos gentios, para os incitar à emulação. Ora se o tropeço deles é a riqueza do mundo, e a sua diminuição a riqueza dos gentios, quanto mais a sua plenitude!

O pecado.

A origem do pecado é a rebelião, pela transgressão da Palavra de Deus, e suas consequências foram:

  • Espírito: a morte espiritual ou a perda da relação do espírito do homem com Deus.
  • Alma: a corrupção interior da alma do homem, que escolheu viver por sua própria vida da criação, ao invés de partilhar a VIDA de Deus e se relacionar com Ele no espírito, escolhendo o fruto da árvore da VIDA, ou depender e viver a VIDA partilhada com Deus.
  • Corpo: a corrupção exterior e a maldição sobre a terra, com a fadiga para obter o alimento, o envelhecimento e doenças e, por fim, a morte física.
  • Mundo: a perda de domínio sobre a terra, que passou a ser exercido por Satanás e os anjos rebeldes que o seguiram.

A queda do homem começa pelo agir independente de Deus e a pretensão, iniciada pelo arcanjo rebelde e repassada à mulher na tentação, de ocupar o lugar do Criador:

Gênesis 3; 5 Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se vos abrirão os olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal.

Todo pecado é resultado da rebeldia por agir por conta própria fora do governo de Deus. O princípio do pecado é a rebelião e gera a morte.

Romanos 5; 12,19,18,14 Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens porque todos pecaram. Pela desobediência de um só homem muitos foram constituídos pecadores. Pela ofensa de um só a morte veio a reinar por esse. A morte reinou desde Adão até Moisés, mesmo sobre aqueles que não pecaram à semelhança da transgressão de Adão, o qual é figura daquele que havia de vir.

Todos os homens já nascem pecadores pela natureza do pecado herdado de Adão. O pecado se estende a toda a humanidade, todos os homens pecam e a consequência do pecado é a morte.

Os homens não são pecadores porque cometem atos pecaminosos, mas cometem atos pecaminosos porque são pecadores.

Pela lei e pela palavra de Deus vem o conhecimento do pecado:

Romanos 3; 20 visto que ninguém será justificado diante dele por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado.

O pecado atinge todos os homens, sem exceção:

Romanos 3; 10-12 como está escrito: Não há justo, nem sequer um. Não há quem entenda; não há quem busque a Deus. Todos se extraviaram; juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só.

Romanos 3; 23 Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus;

O SENHOR JESUS CRISTO.

A Pessoa.

Quem é Jesus?

Descobrir e crer Quem é Jesus é a maior descoberta que um ser humano pode fazer e dela depende a Vida e a eternidade. Somente a revelação de Deus pode nos levar a tal descoberta.

Mateus 16; 15-17 Mas vós, perguntou-lhes Jesus, quem dizeis que eu sou? Respondeu-lhe Simão Pedro: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. Disse-lhe Jesus: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelou, mas meu Pai, que está nos céus.

Mateus 11; 25-27 Naquele tempo falou Jesus, dizendo: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado. Todas as coisas me foram entregues por meu Pai; e ninguém conhece plenamente o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece plenamente o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar.

Jamais houve ou haverá alguém como Ele. Ele é o tema de mais livros, peças de teatro, poesia, filmes, cânticos e adoração que qualquer outro homem. Ele é o Verbo revelado e a palavra de Deus revelada na bíblia.

João 5; 39 Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna; e são elas que dão testemunho de mim;

Lucas 24; 27, 45 E, começando por Moisés, e por todos os profetas, explicou-lhes o que dele se achava em todas as Escrituras.

Então lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras;

Todo o universo existe e foi criado por meio dEle, por Ele e para Ele e todas as coisas convergem para Ele, na dispensação da plenitude dos tempos.

Romanos 11; 36 Porque dEle, e por Ele, e para Ele, são todas as coisas; glória, pois, a Ele eternamente. Amém.

Efésios 1; 10 para a dispensação da plenitude dos tempos, de fazer convergir em Cristo todas as coisas, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra,

1 Coríntios 15; 28 E, quando todas as coisas lhe estiverem sujeitas, então também o próprio Filho se sujeitará àquEle que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos.

Ele é o resplendor da glória e a expressa imagem revelada do Ser de Deus.

Hebreus 1; 3a sendo ele o resplendor da sua glória e a expressa imagem do seu Ser, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder,

Colossenses 2; 9 porque nEle habita corporalmente toda a plenitude da divindade,

Colossenses 1; 15-19 o qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; porque nEle foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades; tudo foi criado por Ele e para Ele. Ele é antes de todas as coisas, e nEle subsistem todas as coisas; também Ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio, o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência, porque aprouve a Deus que nEle habitasse toda a plenitude,

Ele é Senhor e Cristo (Atos 2; 36), o Senhor Jesus Cristo, o nosso Salvador, que se desvestiu de toda a sua glória como Deus, nasceu como homem numa manjedoura em Belém, andou por toda parte fazendo o bem e curando todos os oprimidos do diabo, foi crucificado e morreu por nossos pecados, foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, subiu aos céus, de onde voltará, em breve, da mesma forma que subiu.

Atos dos Apóstolos 2; 36 Saiba pois com certeza toda a casa de Israel que a esse mesmo Jesus, a quem vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo.

Cumprimento das profecias.

Não existe nenhuma possibilidade de qualquer outro personagem, no passado ou no futuro, cumprir todas as profecias do antigo testamento que se referem à vinda do Messias e ao cumprimento da promessa de Deus a Israel, o que torna surpreendente que o povo da antiga aliança, até hoje, não O tenha reconhecido.

2 Coríntios 3; 15-16 sim, até o dia de hoje, sempre que Moisés é lido, um véu está posto sobre o coração deles. Contudo, convertendo-se um deles ao Senhor, é-lhe tirado o véu.

Isaías 1; 3 O boi conhece o seu possuidor, e o jumento a manjedoura do seu dono; mas Israel não tem conhecimento, o meu povo não entende.

As escrituras hebraicas já estavam completadas no 4º século antes de Cristo e a versão grega, chamada septuaginta, por volta do ano 247 antes de Cristo. Existem cerca de 456 profecias messiânicas no antigo testamento, 75 no pentateuco, 243 nos profetas e 138 nos livros de sabedoria e quase todas se cumpriram no novo testamento, restando poucas, ainda, a se cumprir por ocasião da 2ª vinda de Cristo.

Sem entrar nos detalhes ou nos textos das profecias, as principais podem ser resumidas como: a semente da mulher que esmagaria a cabeça da serpente, o descendente de Abraão que abençoaria todas as nações, o profeta semelhante a Moisés, o servo sofredor crucificado e traspassado, o menino que é Deus forte e que terá um reino eterno, o renovo justo, o ungido morto após 7 + 62 semanas de anos = 483 anos, o eterno que iria reinar em Israel e nascer em Belém.

Muitas dessas profecias se referem a ação de terceiros e, numa avaliação probabilística conservativa, baseada somente em 8 dentre as 456 profecias messiânicas, um matemático avaliou em 1 para 10 elevado a 17, a possibilidade de que fossem cumpridas com exatidão, como o foram. Apenas para se ter uma ideia, esta probabilidade de 1 em 10 seguido de 17 zeros seria a mesma que sortear uma moeda marcada de 1 real (diâmetro 24mm x espessura de 1mm) numa montanha de moedas cobrindo todo o estado moderno de Israel (22.072 Km2), numa altura de 3,12 metros.

Para 48 profecias, a probabilidade cairia para 1 em 10 elevado a 157, sendo que qualquer evento com probabilidade abaixo de 1 em 10 elevado a 50 é quase impossível que aconteça, do ponto de vista matemático e o que dizer, então, se considerarmos todas as 456 profecias messiânicas: JESUS CRISTO é o MESSIAS.

Isaías 44; 7-8 Quem há como eu? Que o proclame e o exponha perante mim! Quem tem anunciado desde os tempos antigos as coisas vindouras? Que nos anuncie as que ainda hão de vir. Não vos assombreis, nem temais; porventura não vo-lo declarei há muito tempo, e não vo-lo anunciei? Vós sois as minhas testemunhas! Acaso há outro Deus além de mim? Não, não há Rocha; não conheço nenhuma.

Isaías 48; 3 Desde a antiguidade anunciei as coisas que haviam de ser; da minha boca é que saíram, e eu as fiz ouvir; de repente as pus por obra, e elas aconteceram.

Lucas 24; 27 E, começando por Moisés, e por todos os profetas, explicou-lhes o que dele se achava em todas as Escrituras.

Deus.

Jesus Cristo é Deus, a segunda pessoa no Ser de Deus, o eterno e unigênito Filho de Deus e sua preexistência na eternidade passada, antes da encarnação, é fundamental para a redenção.

João 1; 1-4 No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens;

João 1; 18 Ninguém jamais viu a Deus. O Deus unigênito, que está no seio do Pai, esse o deu a conhecer.

João 17; 5 Agora, pois, glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que eu tinha contigo antes que o mundo existisse.

Miqueias 5; 2 Mas tu, Belém Efrata, posto que pequena para estar entre os milhares de Judá, de ti é que me sairá aquele que há de reinar em Israel, e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade.

Jesus declarou: Quem me vê a mim, vê o Pai… (Jo 14; 9). Ele também recebeu adoração (Mt 2; 2,11, 14; 33, 28; 9) e exerceu sua autoridade divina, ao perdoar pecados (Mc 2; 10). Os discípulos reconheceram-no como o Filho de Deus (Mt 16; 16). Mesmo o duvidoso Tomé convenceu-se da deidade de Jesus Cristo no dramático encontro no cenáculo (Jo 20; 28).

A deidade de Cristo inclui sua coexistência no tempo e na eternidade, com o Pai e o Espírito Santo. Conforme indica o prólogo de João, o Verbo é eternamente preexistente. O uso do termo “Verbo” (no grego, Logos) é significativo, visto que Jesus Cristo é a principal expressão da vontade divina. Ele não é somente o único Mediador entre Deus e a humanidade (1 Tm 2; 5), mas foi, também, o Mediador na criação. Deus, falando, trouxe o Universo à existência, através do Filho, a Palavra Viva. Porquanto, sem Ele nada do que foi feito (na criação) se fez (Jo 1; 3).

João 10; 30 Eu e o Pai somos um.

João 14; 11 Crede-me que eu estou no Pai, e que o Pai está em mim; crede ao menos por causa das mesmas obras.

Colossenses 1; 15 diz que Cristo é “a imagem do Deus invisível”. E a passagem de Hebreus 1; 1-2, também, proclama a grande verdade: Cristo é a mais completa e melhor revelação de Deus à humanidade.

Antes da encarnação, o Verbo sempre esteve eternamente em existência como aquEle que revela a Deus e é bem provável que as teofanias (aparições da deidade) do Antigo Testamento fossem, na realidade, “cristofanias”, visto que, em seu estado preexistente, os encontros com várias pessoas, para revelar a vontade de Deus, estaria de pleno acordo com seu ofício de Revelador, como, por exemplo, passagens como Gênesis 21; 17-20; 48; 16 e Êxodo 23; 20, nas quais “o anjo do Senhor” é claramente identificado como deidade, embora distinto de Deus Pai.

Gênesis 48; 16 refere-se ao mensageiro celestial especificamente como “redentor” ou “libertador”. Nas outras passagens, onde o anjo do Senhor é tanto identificado com Deus como dEle distinguido, ou onde recebe adoração (como em Jz 13; 16-22), parece óbvio ser uma manifestação de Cristo.

As manifestações veterotestamentárias da segunda Pessoa da Trindade apontavam para a encarnação, quando Cristo viria para habitar entre os homens.

Homem.

Jesus Cristo não somente é pleno Deus, como pleno ser humano. Ele não é em parte Deus e em parte homem, mas cem por cento Deus, e, ao mesmo tempo, cem por cento homem. Ele possui um conjunto pleno, tanto de qualidades divinas, quanto de qualidades humanas, numa mesma Pessoa, de tal modo que essas qualidades não interferem uma com a outra.

Ele há de retornar como “esse mesmo Jesus” (At 1; 11). Numerosas passagens ensinam claramente que Jesus de Nazaré tinha um corpo verdadeiramente humano e uma alma racional.

Ele foi, verdadeiramente, o segundo homem (1 Co 15; 47). As narrativas dos evangelhos incluem a humanidade de Cristo. Ele é descrito como um bebê, na manjedoura, e sujeito às leis humanas do crescimento (Lc 2; 40,52). Ele aprendeu, sentia fome, sentia sede e se cansava (Mc 4; 38, Jo 4; 6). Ele também sofreu ansiedade e desapontamentos (Mc 9; 19); sofreu dor física e mental, e sucumbiu diante da morte (Mc 14; 33,37, 15; 33-38). Na epístola aos Hebreus há grande cuidado em se mostrar sua plena identificação com a humanidade (Hb 2; 9, 17, 4;

15, 5; 7-8 e 12; 2).

Na pessoa única do Senhor Jesus Cristo habitam uma natureza plenamente divina e outra plenamente humana, sem se confundirem. Ele é, verdadeiramente, pleno Deus e pleno ser humano, Céu e Terra juntos na mais admirável de todas as pessoas.

Colossenses 2; 9-10 porque nEle habita corporalmente toda a plenitude da divindade, e tendes a vossa plenitude nEle, que é a Cabeça de todo principado e potestade,

Hebreus 1; 5-6 Pois a qual dos anjos disse jamais: Tu és meu Filho, hoje Te gerei? E outra vez: Eu lhe serei Pai, e ele me será Filho? E outra vez, ao introduzir no mundo o primogênito, diz: E todos os anjos de Deus o adorem.

Hebreus 10; 5 Pelo que, entrando no mundo, diz: Sacrifício e oferta não quiseste, mas um corpo me preparaste;

João 1; 14 E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai.

Senhor Jesus Cristo.

O nome completo “Senhor Jesus Cristo” ajuda-nos a ver, com mais clareza, quem Ele realmente é. O termo “Senhor”, que implica em adoração, obediência e completa submissão ao Ser supremo, corresponde ao vocábulo grego “kurios”, bem como os vocábulos hebraicos: Adonai, que significa: “meu Senhor, meu Mestre, aquEle a quem pertenço”; e Yahweh (o nome revelado de Deus).

A significação prática desse termo é muito grande, tanto para nossa salvação, quanto nas implicações na vida diária. A vida inteira deve estar sob a liderança de Cristo. Ele deve ser o Mestre de cada momento da vida de todos quantos nasceram na família de Deus.

Romanos 10; 8-9 Mas que diz? A palavra está perto de ti, na tua boca e no teu coração; isto é, a palavra da fé, que pregamos. Porque, se com a tua boca confessares a Jesus como Senhor, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo;

O nome pessoal “Jesus” vem do hebraico Josué, que significa: o Senhor (Yahweh) é salvação. É o nome dado ao Filho de Deus antes de seu nascimento, por orientação divina (Mt 1; 21, Lc 1; 31), uma referência ao grande propósito de Deus na encarnação – salvar e livrar o homem da escravidão do pecado.

Deve-se salientar, no entanto, que embora o nome “Jesus” retrate a sua humanidade, a bíblia registra cuidadosamente a maneira de seu nascimento, diferente da mera procriação natural. Ele nasceu de uma virgem. Sua concepção foi miraculosa, obra criadora do Espírito Santo, mediante o poder do Altíssimo que veio sobre Maria (Lc 1; 34,35), fato profetizado por Isaías, mais de 700 anos antes de ocorrer (Is 7; 14).

Jesus difere de nós por esta característica única de ter a natureza de Deus e a do homem numa só pessoa. Ele estava isento de pecado, tendo sido, em sua humanidade, gerado pelo Espírito Santo fora das consequências da queda de Adão. Não obstante, seria submetido às mesmas provações que temos como seres humanos.

“Cristo” significa ungido e vincula Jesus de Nazaré às profecias do Antigo Testamento acerca de sua vinda. É a tradução da palavra hebraica “Mashiach”, Messias ou “O Ungido”. O termo era usado para indicar os reis ungidos por Deus, mas veio a descrever especialmente o profetizado Filho de Davi, que viria.

Lucas 22; 67 Se tu és o Cristo, dize-no-lo. Replicou-lhes ele: Se eu vo-lo disser, não o crereis;

João 10; 24-25 Rodearam-no, pois, os judeus e lhe perguntavam: Até quando nos deixarás perplexos? Se tu és o Cristo, dize-no-lo abertamente. Respondeu-lhes Jesus: Já vo-lo disse, e não credes. As obras que eu faço em nome de meu Pai, essas dão testemunho de mim.

Os ofícios.

Os conceitos dos ofícios divinos de Cristo estão vinculados ao que Ele é e veio fazer. Ele é profeta, sacerdote e rei, ungido por Deus. Cada um desses termos enfatiza a mediação de Cristo entre o Pai, no céu, e as pessoas, na terra.

Profeta indica alguém que fala por Deus. Envolve noções de proclamação, pregação e informação. O trecho de Isaías 42; 1-7 fala de Cristo como o Servo ungido que iluminaria as nações, ao passo que Isaías 11; 2 e 61; 1 falam do Espírito do Senhor, que sobre Ele repousaria.

O novo testamento retrata Jesus como um pregador e mestre, bem como aquEle que cura (Mt 9; 35). Ele anunciou a salvação aos pobres (Lc 4; 18-19).

Jesus, entretanto, cumpriu o ministério de profeta no sentido mais elevado. Ele disse: … a palavra que ouvistes não é minha, mas do Pai que me enviou (Jo 14; 24).

Capítulos inteiros de discurso nos evangelhos, como Mateus 24 e 25, são compostos por profecias. Nos primeiros dias de seu ministério, chegou proclamando o que os profetas do antigo testamento haviam previsto que se cumpriria nEle (Lc 4; 16-21) e que o Reino já estava próximo, na sua pessoa e ministério (Mt 4; 17).

Jesus Cristo também cumpriu o ofício de sacerdote. O sacerdote é um indivíduo especialmente consagrado que representa Deus diante do povo, e o povo diante de Deus. Os sacerdotes do antigo testamento ofereciam sacrifícios por si mesmos e pelo povo, para garantir o perdão e o favor divinos, e para celebrar seus relacionamentos com o Senhor (Hb 8; 3).

Em Cristo, conforme o livro de Hebreus, achamos o Grande Sumo Sacerdote, um perfeito representante do povo. Ademais, Ele não precisava purificar-se, conforme os sumos sacerdotes comuns costumavam fazer, e nem precisou oferecer sacrifício por Si mesmo. Ele mesmo tornou-se o sacrifício perfeito, puro e impecável.

Ofereceu-se a Si mesmo a Deus Pai como expiação suficiente para cobrir, pagar e permitir o perdão dos pecados do mundo inteiro.

O ofício de rei também é apropriado a Cristo. Ele é o nosso sacerdote e a nossa expiação, nosso Senhor e Mestre. Mais do que isso, é aquEle que quebrou as forças da morte, do inferno e do sepulcro. Ele é vencedor e reinará soberanamente por toda a eternidade.

As profecias do antigo testamento previam a vinda de alguém que uniria em si mesmo as funções de profeta, sacerdote e rei. A Davi fora prometido um reino sem fim (2 Sm 7; 16). Isaías olhou através das lentes da visão profética e viu alguém com emblemas de autoridade sobre os ombros, que faria eterno o trono de Davi (Is 9; 6,7). O livro de Apocalipse apresenta o Cordeiro de Deus no triunfo final, reinando como Rei dos reis (Ap 5; 6-13, 11; 15). Agora, Ele está sentado à mão direita do Pai, nas regiões celestes, onde reina como Cabeça da Igreja (Ef 1; 22,23).

A obra.

Jesus Cristo veio ao mundo para nos trazer a salvação e a fim de viver uma vida sem pecado, exemplo de perfeita retidão. Não somente Ele nasceu sem pecado, mas também viveu sem pecar (Hb 4; 15).

Durante sua jornada terrena, Jesus esvaziou-se ou despiu-se da glória que desfrutava com o Pai, na eternidade passada (Fp 2; 7).

Embora sua glória tivesse rebrilhado em ocasiões fugidias, como na espetacular transfiguração, em um monte da Galileia (Mt 17; 1-13), grande parte de seu ministério terreno foi realizado em e pelo poder do Espírito Santo (At 10; 38).

Ele orou para que essa glória lhe fosse restaurada (Jo 17; 5), e assim aconteceu, após sua ascensão (At 26; 13). A grande doutrina da “kenosis” ou esvaziamento na encarnação recebe sua mais ampla expressão em Filipenses 2; 1-11.

Embora Jesus tivesse vindo ao mundo por meio de um milagre e vivido uma vida miraculosa, a razão central da encarnação era a sua morte. Jesus veio ao mundo, primariamente, a fim de morrer. A sombra da cruz estava sobre Ele, desde o nascimento (Lc 2; 34,35).

A cruz é o evento central de toda a História e distingue o evangelho de todos os sistemas religiosos. O Cristianismo recebe sua maior significação, não apenas através da vida e ensinamentos do Senhor Jesus Cristo, mas, principalmente, através de sua morte.

Os quatro evangelhos não são biografias, no sentido ordinário do termo. Eles apressam-se através da vida e ensinos de Jesus a fim de chegarem aos eventos que conduziram à sua morte. Por exemplo, João chegou à última semana, a semana da paixão, no capítulo doze, o que mostra a importância que o Espírito Santo, através dos escritores dos evangelhos, dá a morte do Salvador.

As epístolas contêm muitas referências à cruz e ao sentido da morte de Cristo. Quando Jesus disse: Está consumado! E morreu, sua obra pela nossa redenção estava completa. A ressurreição de Cristo é a ousada proclamação, ao universo, de que a morte de Cristo foi eficaz; que as forças das trevas haviam sido conquistadas; e que, em triunfo, o vitorioso Cristo ressurgira do sepulcro:

1 Coríntios 15; 54-55 Mas, quando isto que é corruptível se revestir da incorruptibilidade, e isto que é mortal se revestir da imortalidade, então se cumprirá a palavra que está escrito: Tragada foi a morte na vitória. Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?

Importa-nos enfatizar que a ressurreição de Jesus foi corpórea e genuína, e o fez sair do estado de morte real. É a base sobre a qual repousa a fé e a salvação.

Vários pontos inequívocos, que provam a ressurreição de Jesus, podem ser ressaltados. Uma pedra foi rolada para a entrada do sepulcro, após o dia da preparação para o sábado daquela semana, tapando-a. Mas quem a teria rolado para fora? Os judeus e os romanos haviam deixado ali uma guarda; e não foram essas sentinelas que rolaram a pedra para fora da boca do túmulo. Por certo os soldados estavam cientes de que seriam condenados à morte se o fizessem. Quanto aos discípulos, estavam com medo, escondidos. E as mulheres que vieram ao sepulcro não tinham forças para removê-la. Mateus relata que, após a pedra ter sido selada e a guarda designada, foram os anjos que removeram a pedra (Mt 28; 2) para a entrada das testemunhas da ressurreição.

O testemunho de mais de 500 pessoas, cobrindo nada menos de dez aparições do Senhor, serve de poderosa confirmação à realidade do evento. Qualquer pessoa da época poderia facilmente rebater o testemunho deles, enquanto os evangelhos eram escritos (1 Co 15; 6). No entanto, não há evidência de que alguém tenha podido contestar os discípulos.

Ademais, à parte de uma genuína ressurreição, ninguém pôde explicar, de modo adequado, a mudança dramática ocorrida nos discípulos.

Examinando-se os fatos de modo objetivo, conclui-se que não existe explicação adequada para a sobrevivência, o crescimento e o impacto sobre a civilização mundial da proclamação da ressurreição e do evangelho, pelo posterior ousado testemunho dos discípulos de Jesus, que estavam temerosos e acuados, após sua crucificação, à parte do túmulo vazio.

O corpo ressurreto de Jesus apresentava características notáveis e os evangelhos revelam que era real, o mesmo que fora sepultado. Ele continuava com a capacidade de ocupar-se em atividades físicas apropriadas ao corpo humano (Lc 24; 39-44).

Entretanto, em adição às capacidades humanas, o corpo ressurreto de nosso Senhor fora transformado, e agora possuía algumas propriedades incomuns. Algumas limitações naturais ao corpo humano haviam desaparecido. Pedro viu o lenço da cabeça enrolado num lugar à parte e que os panos de linho, que envolviam o corpo, continuavam em perfeita ordem no túmulo, porém, vazio, como um casulo murcho. Ele, de início, não compreendeu como era possível o corpo sair dos panos enrolados em volta dele, sem desfazer o arranjo. Em seguida, João também entrou no sepulcro, “e viu e creu”; em outras palavras, reconheceu que Jesus saiu através dos panos enrolados, e, em consequência, acreditou (Jo 20; 6-8).

Jesus se manifestou em ambientes fechados com portas trancadas para estar com os discípulos, não foi reconhecido pela aparência física, em algumas de suas aparições, desvaneceu-se diante da vista de dois discípulos, após ter andado com eles na estrada para Emaús.

Quarenta dias de aparições aos discípulos, após a ressurreição, terminaram com a ascensão de Jesus aos céus. Ali, no monte das Oliveiras, diante da cidade de Jerusalém, Jesus foi tomado corporalmente, enquanto uma grande companhia de discípulos contemplava a tudo (At 1; 9,11). Aquele momento dramático encerrou o período da encarnação, no qual o Deus-Homem, Cristo Jesus, viveu em presença física sobre a terra.

Quando a nuvem o ocultou dos discípulos, Ele entrou no céu (Hb 4; 14, 1 Pe 3; 22), onde assumiu uma nova fase em seu ministério. A obra da redenção fora consumada, e Ele deixara aos discípulos instruções para proclamar o evangelho a toda criatura e por todo o mundo, mas que, antes, esperassem pela promessa do Pai, o Espírito Santo, que continuaria a sua obra na terra, através deles. Agora, terminada a fase associada à humilhação e à morte, sua ascensão inaugura o começo de um reino de exaltação.

O exaltado Senhor é, atualmente, nosso amigo e advogado, à mão direita do Pai, engajado no ministério da intercessão em nosso favor (Rm 8; 34, Hb 7; 25 e 1 Jo 2; 1) – uma nova fase de seu ministério sacerdotal. Nosso grande Sumo Sacerdote encontra-se agora assentado, o que evidencia o término de sua obra expiatória, e intercede por nós, no céu.

E, finalmente, sua glorificação fez-se acompanhar pelo envio do Espírito Santo para ser outro Consolador ou Ajudador (no grego, parakletos, ajudador, intercessor; Jo 14; 16-26). “Outro” significa outro da mesma espécie. Alguém como o próprio Cristo.

Embora o Senhor esteja separado fisicamente de nós, podemos desfrutar de união genuína com Ele, por meio do seu Santo Espírito, que aplica e torna real em nossos corações as insondáveis riquezas que temos em Cristo. Jesus Cristo continua, sempre, à nossa disposição, não mais limitado às restrições físicas, como em seu ministério terreno. Essas são, de fato, maravilhosas bênçãos disponíveis a nós, por causa da ascensão e exaltação de Cristo.

Efésios 1; 3 Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestes em Cristo;

EVANGELHO DA GRAÇA.

Arrependimento e fé.

Arrependimento é a mudança de atitude mental e de coração para com Deus, após se ouvir a palavra de Deus ou tomar conhecimento da situação de perdição, alienação e separação entre o homem e Deus, decorrente da rebelião e do pecado, ou da ignorância e livre opção de viver a vida da criação, à parte da VIDA eterna de Deus.

A primeira resposta, após tomarmos consciência e conhecimento de nossa situação diante de Deus, é o arrependimento, que significa tomada de consciência e mudança da nossa mente e do nosso modo de pensar em relação à Deus e à nossa posição incorreta diante Dele.

Como todos os homens são pecadores e pecam, todos precisam se arrepender e é assim que começa a boa nova da salvação:

Marcos 1; 14-15 Ora, depois que João foi entregue, veio Jesus para a Galileia pregando o evangelho de Deus e dizendo: O tempo está cumprido, e é chegado o reino de Deus. Arrependei-vos, e crede no evangelho.

Atos 17; 30 Mas Deus, não levando em conta os tempos da ignorância, manda agora que todos os homens em todo lugar se arrependam;

2 Pedro 3; 9 O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; porém, é longânimo para convosco, não querendo que ninguém se perca, senão que todos venham a arrepender-se.

O arrependimento, mesmo sendo uma resposta livre do homem, é, também, uma ação de Deus:

Atos 11; 18 Ouvindo eles estas coisas, apaziguaram-se e glorificaram a Deus, dizendo: Assim, pois, Deus concedeu também aos gentios o arrependimento para a vida.

2 Timóteo 2; 25 corrigindo com mansidão os que resistem, na esperança de que Deus lhes conceda o arrependimento para conhecerem plenamente a verdade,

2 Coríntios 7; 10 Porque a tristeza segundo Deus opera arrependimento para a salvação, o qual não traz pesar; mas a tristeza do mundo opera a morte.

Romanos 2; 4 Ou desprezas tu as riquezas da sua benignidade, e paciência e longanimidade, ignorando que a benignidade de Deus te conduz ao arrependimento?

Outro aspecto do arrependimento é a confissão, ou seja, ao tomarmos conhecimento e reconhecermos que somos pecadores, nos voltamos para Deus e confessamos os nossos pecados.

1 João 1; 8-10 Se dissermos que não temos pecado nenhum, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça. Se dissermos que não temos cometido pecado, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós.

Atos 19; 18 Muitos dos que tinham crido (na cidade de Éfeso) vinham, confessando e publicando (revelando) os seus feitos.

Um verdadeiro arrependimento com mudança de mente implica em uma decisão de largar os feitos errados.

Provérbios 28; 13 O que encobre as suas transgressões nunca prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia.

O arrependimento ocorre junto com a fé e, arrependimento mais fé em Jesus Cristo como Salvador e Senhor, representa a conversão.

A fé é a aceitação de um fato revelado por Deus na sua Palavra. Não é meramente uma crença. Como o homem se corrompeu na sua mente e no seu pensamento, somente pela fé podemos receber, novamente, a VIDA de Deus e a provisão de Deus para a salvação.

Efésios 2; 8 Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus;

Hebreus 11; 6 Ora, sem fé é impossível agradar a Deus; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam.

A boa nova da salvação, novo nascimento e regeneração.

Lucas 2; 10-11 O anjo, porém, lhes disse: Não temais, porquanto vos trago novas de grande alegria que o será para todo o povo: É que vos nasceu hoje, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor.

A boa nova foi que nasceu o Salvador e que Ele era Cristo, o Senhor. Deus conosco. O Verbo se fez carne e habitou entre nós. Ele se esvaziou. Deus, o criador dos céus e da terra, veio tabernacular entre os homens e o sinal foi um menino enrolado em faixas, deitado na manjedoura.

A boa nova é o evangelho e o evangelho é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê.

Romanos 1; 16-17 Porque não me envergonho do evangelho, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego. Porque no evangelho é revelada, de fé em fé, a justiça de Deus, como está escrito: Mas o justo viverá da fé.

Romanos 10; 8-10 Mas que diz? A palavra está perto de ti, na tua boca e no teu coração; isto é, a palavra da fé, que pregamos. Porque, se com a tua boca confessares a Jesus como Senhor, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo; pois é com o coração que se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação.

Jesus é o Salvador e a boa nova foi que o salvador havia nascido como homem. Ele é o evangelho. Foi Ele quem nos trouxe a salvação. Ele é o Senhor e somente Ele tem todo o poder para nos levar à plena realidade desta salvação. Jesus significa salvador e Ele salva o homem dos seus pecados.

Mateus 1; 21 ela dará à luz um filho, a quem chamarás JESUS; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados.

A boa nova não é, apenas, que o Senhor nasceu em Belém e foi posto naquela manjedoura enrolado em faixas, mas que Ele nos amou e deu a sua VIDA por nós na cruz do Calvário, que foi sepultado e que ressuscitou ao terceiro dia. Incluiu a nossa velha natureza de pecado em sua morte e nos deu uma nova VIDA de vitória em sua ressurreição para andarmos hoje em novidade de vida e termos vitória sobre o pecado e gozo e alegria na presença de Deus e em sua Palavra.

Colossenses 2; 12-15 tendo sido sepultados com ele no batismo, no qual também fostes ressuscitados pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos; e a vós, quando estáveis mortos nos vossos delitos e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-nos todos os delitos; e havendo riscado o escrito de dívida que havia contra nós nas suas ordenanças, o qual nos era contrário, removeu-o do meio de nós, cravando-o na cruz; e, tendo despojado os principados e potestades, os exibiu publicamente e deles triunfou na mesma cruz.

Na conversão (arrependimento mais fé), o espírito do homem, que estava desligado de Deus e sem possibilidade de se relacionar com Ele, é regenerado, nasce de novo ao receber uma nova VIDA, a VIDA não criada de Deus, a VIDA eterna.

João 3; 3-7 Respondeu-lhe Jesus: Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Perguntou-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Porventura pode tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer? Jesus respondeu: Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te admires de eu te haver dito: Necessário vos é nascer de novo.

1 Coríntios 2; 14 Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque para ele são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.

João 1; 12-13 Mas, a todos quantos o receberam, aos que creem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus.

Ser salvo é nascer de novo, pois só a VIDA eterna de Deus pode, verdadeiramente, nos salvar, nos livrar da morte e da condenação e nos levar a viver uma vida de vitória no poder do Espírito Santo.

A certeza da salvação vem pela palavra de Deus e pelo próprio testemunho do espírito que traz a convicção do novo nascimento como sendo real, e não como uma mera experiência mística ou religiosa.

Filiação e adoção.

Ao nascer de novo, o espírito do homem é regenerado. O homem recebe a justificação e o perdão de Deus, é plenamente reconciliado com Ele e se torna filho e herdeiro de Deus e de toda a sua riqueza e glória.

João 1; 12-13 Mas, a todos quantos o receberam, aos que creem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus

1 João 3; 1-3 Vede que grande amor nos tem concedido o Pai: que fôssemos chamados filhos de Deus; e nós o somos. Por isso o mundo não nos conhece; porque não conheceu a ele. Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifesto o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é, o veremos. E todo o que nele tem esta esperança, purifica-se a si mesmo, assim como ele é puro.

Como acontece na vida natural, o homem começa a crescer após o nascimento, até alcançar a maturidade na vida adulta. Esse é o sentido principal da adoção, que será tratado com mais detalhes nas lições sobre a santificação, o caminho da cruz e a vida vitoriosa em espírito.

Não somos filhos de Deus por adoção, no sentido de sermos adotados como filhos, mas sim por meio do novo nascimento no espírito e por meio da regeneração pela VIDA de Deus e a adoção significa assumir, pela maturidade e santificação, a plena condição e herança como filhos de Deus, ainda que essa adoção tenha sido predestinada no eterno propósito e soberania de Deus.

Efésios 1; 4-5 como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; e nos predestinou para sermos filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade,

Romanos 8; 12-17 Portanto, irmãos, somos devedores, não à carne para vivermos segundo a carne; porque se viverdes segundo a carne, haveis de morrer; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis. Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus. Porque não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes com temor, mas recebestes o espírito de adoção, pelo qual clamamos: Aba, Pai! O Espírito mesmo testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus; e, se filhos, também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo; se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados.

OBRA DA REDENÇÃO.

A obra completa do Calvário inclui:

1. O sangue que satisfaz, plenamente, a justiça de Deus como propiciação pelos nossos pecados e nos purifica, e continua nos purificando, de todo pecado para termos comunhão com Deus e uns com os outros. (1 Jo 1:7)

2. A cruz como base para considerarmo-nos mortos para o pecado, mas vivos para Deus. (Rm 6; 11)

3. A vitória do Senhor sobre a morte, sobre Satanás e todas as suas hostes espirituais e a provisão para nos incluir nesta vitória e sermos, também, vencedores. (Cl 2; 14-15, Ap 12; 11)

Por um lado, foram mãos de homens que pregaram o Senhor na cruz, mas, por outro, foi Deus mesmo que colocou nossos pecados sobre Ele e o crucificou, de forma que a cruz é obra, essencialmente, de Deus e não há nenhum crédito para Judas, para os judeus, Pilatos ou os soldados (At 2; 23, Jo 10; 17-18, Is 53; 5-10, Rm 3; 25, 1 Jo 4; 10, 2 Co 5; 21).

A expiação e a redenção são para satisfazer as exigências de Deus e envolvem todo o nosso ser, corpo, alma e espírito (Salvação completa ou perfeita: Hb 7; 25, 1 Ts 5; 21-24). A substituição, ou o primeiro aspecto da cruz, “Por nós”, é para recebermos o benefício da morte do Senhor.

O Senhor morreu por todos os homens (Jo 3; 16) e cumpriu a redenção, mas a substituição só se aplica aos cristãos, para quem o Senhor tomou sobre Si os pecados. O Senhor não morreu pelos pecados dos pecadores, o Senhor morreu por eles, ou seja, pelos pecadores.

A redenção consumada não implica na salvação concluída. A Salvação acontece no presente. Hoje é o dia da salvação. A redenção é o próprio Deus vindo para levar o pecado que o homem cometeu contra Ele. O Senhor Jesus não é uma terceira parte; Ele é o próprio Deus e somente Ele, ao se tornar homem, poderia consumar a redenção. Sem a redenção, o pecador irá assumir a consequência do pecado, perante a justiça de Deus, e ir para a morte e o lago de fogo.

Encarnação, sangue e expiação.

Deus entrou na história e no tempo para consumar a redenção.

João 1; 14 E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai.

Gálatas 4; 4 mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido debaixo de lei,

A encarnação é Deus entrando na criação e se tornando homem, para ser nosso Salvador e fazer a expiação pelos nossos pecados, pelo derramamento do seu sangue.

1 João 4; 2-3 Nisto conheceis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; e todo espírito que não confessa a Jesus não é de Deus; mas é o espírito do anticristo, a respeito do qual tendes ouvido que havia de vir; e agora já está no mundo.

1 Timóteo 3; 16 E, sem dúvida alguma, grande é o mistério da piedade: Aquele que se manifestou em carne, foi justificado em espírito, visto dos anjos, pregado entre os gentios, crido no mundo, e recebido acima na glória.

No sangue está a vida e o derramamento do sangue é a base da remissão dos pecados, da propiciação e da expiação.

Hebreus 9; 22 E quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e sem derramamento de sangue não há remissão.

1 Pedro 1; 18-21 sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver, que por tradição recebestes dos vossos pais, mas com precioso sangue, como de um cordeiro, sem defeito e sem mancha, o sangue de Cristo, o qual, na verdade, foi conhecido ainda antes da fundação do mundo, mas manifesto no fim dos tempos, por amor de vós, que por Ele credes em Deus, que o ressuscitou dentre os mortos e lhe deu glória, de modo que a vossa fé e esperança estivessem em Deus.”

O homem é resgatado e redimido pelo sangue do Senhor Jesus Cristo, derramado na cruz, alcançando a remissão de seus delitos, segundo as riquezas da graça de Deus.

A palavra redenção inclui todos os aspectos da obra redentora de Deus, desde o seu prévio conhecimento (aos que de antemão conheceu), a predestinação, o chamamento, o arrependimento e a fé, a expiação ou propiciação, a justificação, o novo nascimento e a regeneração, a reconciliação, a santificação, a adoção e a glorificação.

Pela expiação ou propiciação consumadas, o homem pode receber a reconciliação e a justificação. Se os delitos foram remidos ou cancelados, o escrito de dívida, que pesava sobre o homem, foi removido.

Colossenses 2; 13-15 e a vós, quando estáveis mortos nos vossos delitos e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-nos todos os delitos; e havendo riscado o escrito de dívida que havia contra nós nas suas ordenanças, o qual nos era contrário, removeu-o do meio de nós, cravando-o na cruz; e, tendo despojado os principados e potestades, os exibiu publicamente e deles triunfou na mesma cruz.

O Verbo se fez carne não apenas para viver uma vida humana, realizar milagres, curar, ensinar e se tornar um modelo. Ele veio a essa terra para morrer no lugar do pecador e para redimir o pecador.

A palavra propiciação significa apaziguamento ou satisfação, especificamente em relação a Deus. A propiciação é um ato entre duas partes, que envolve apaziguar a ira e atender a demanda da parte ofendida. Expiação ou propiciação significa tirar a culpa, remover a culpa, desviar a ira.

A necessidade de apaziguar a Deus é algo que muitas religiões têm em comum. Nas religiões pagãs antigas, ensinava-se que o homem aplacava os deuses com ofertas ou sacrifícios, o que já demonstrava alguma consciência do pecado em todos os homens.

A expiação de Cristo representa um sacrifício substitutivo, que satisfez as exigências da justiça de Deus sobre o pecado. Ao morrer por nós, Cristo pagou a penalidade pelo pecado dos homens, para trazer perdão, imputar justiça e reconciliar o homem com Deus. Por sua morte, o sangue de Cristo pagou a penalidade do pecado por aqueles que Deus elegeu e escolheu salvar, os quais, através da fé e arrependimento, podem aceitar a substituição e morte de Cristo como pagamento pelo seu pecado e livramento da morte eterna.

A parte principal da redenção é a propiciação e dela depende a justificação; já a reconciliação é o resultado da justificação.

A expiação no antigo testamento é um tipo da propiciação. Propiciação é uma palavra nem sempre bem compreendida, que aparece apenas cinco vezes no novo testamento: 1 Jo 2; 2; 4; 10; Rm 3; 25, Cristo como propiciação; Hb 9; 25, com Lv 16; 2, propiciatório, lugar da propiciação; Hb 2; 17, ação da propiciação.

A propiciação envolve duas partes, uma das quais ofendeu ou causou prejuízo à outra, ficando em débito e devendo atender as exigências da parte ofendida. O ato de propiciação é a expiação e significa fazer-nos, novamente, um com Deus, cancelando a separação pela ofensa, mas não resolve a inimizade ou o dano.

Reconciliação significa que, como inimigos, apenas a propiciação não seria suficiente para restabelecer as relações. Propiciação resolve o problema da ofensa e dos pecados e reconciliação inclui, também, a inimizade e as relação rompidas. Ela depende da redenção com a justificação. Redenção significa readquirir por um custo algo que era seu e se perdeu (Gl 3; 13, 1 Pe 1; 18).

O propiciatório era a cobertura da arca. Dentro da arca estavam as tábuas que representavam as exigências da lei e, acima da cobertura, os querubins que representavam as exigências da glória de Deus e, no meio, estava o propiciatório, onde era colocado o sangue.

Deus é um Ser moral, que tem que julgar o pecado. Mas Ele ama o pecador, e quer salvar o pecador. Como Ele vai resolver este dilema e fazer essas duas coisas ao mesmo tempo? Ele julga o pecado, totalmente, na pessoa de um substituto santo, que é Ele mesmo na pessoa do seu Filho. O Senhor Jesus Cristo não é uma terceira parte, mas o próprio Deus.

2 Coríntios 5; 19 pois que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões; e nos encarregou da palavra da reconciliação.

Colossenses 1; 20 e que, havendo por Ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, (reconciliação), por meio dele (Cristo) reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra como as que estão nos céus.

A obra da reconciliação vai alcançar todo o universo. A reconciliação do homem, pelo poder do sangue na obra da redenção, está relacionada com a justificação e o perdão dos nossos pecados. Somos reconciliados porque os nossos delitos foram remidos e por recebermos o perdão.

Nesse primeiro aspecto da expiação e da reconciliação, o sangue opera para resolver as nossas pendências com Deus.

Num segundo aspecto, o poder do sangue opera dentro de nós em nossa purificação e santificação.

1 João 1; 7 mas, se andarmos na luz, (ou seja, já recebemos a reconciliação) como Ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo o pecado.

Hebreus 12; 23-24 à universal assembleia e igreja dos primogênitos inscritos nos céus, e a Deus, o juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados; e a Jesus, o mediador de um novo pacto, e ao sangue da aspersão, que fala melhor do que o de Abel.

O poder do sangue de Jesus e sua aspersão é tipificado em toda a bíblia.

Não há redenção sem o sangue, que satisfaz a justiça de Deus e está sempre associado ao primeiro aspecto da cruz, Cristo morrendo por nós como nosso substituto.

1. Sangue derramado representa expiação e propiciação (Rm 3; 25), redenção (1 Pe 1; 18-19, Ef 1; 7), remissão (Hb 9; 18-23, 12; 22-24), preço de compra (At 20; 28) e justificação (Rm 5; 9).

2. A fé no poder do sangue traz reconciliação e base de paz (Cl 1; 20), entrada (Hb 9; 12) e acesso (Hb 10; 19) para aproximarmo-nos de Deus (Ef 2; 13).

3. A aplicação continuada do sangue renova a aliança, traz aperfeiçoamento (Hb 13; 20-21), libertação dos pecados (Ap 1; 5), purificação (1 Jo 1; 7) e vitória (Ap 12; 11).

Cruz, Ressurreição e Justificação.

Todos os aspectos da redenção estão relacionados e foi na cruz, pelo derramamento do seu sangue, que o Senhor Jesus Cristo fez a expiação pelos nossos pecados.

Mas além dos pecados, que se referem aos muitos atos pecaminosos, existe o problema do pecado, no singular, ou da natureza do pecado e a obra redentora nos incluiu na morte de Cristo na cruz para despojar o corpo do pecado, ou a base de operação do pecado em nosso velho homem, o que será visto, em mais detalhe, no capítulo sobre a cruz.

Romanos 6; 5-6 Porque, se temos sido unidos a ele na semelhança da sua morte, certamente também o seremos na semelhança da sua ressurreição; sabendo isto, que o nosso homem velho foi crucificado com Ele, para que o corpo do pecado fosse desfeito, a fim de não servirmos mais ao pecado.

Somos justificados, gratuitamente, pela graça de Deus, mediante a redenção que há em Cristo Jesus, ao qual Deus propôs como propiciação pela fé no seu sangue. Se o homem aceita esta proposta de Deus, o poder do sangue de Jesus lhe é eficaz e ele recebe a justificação e o perdão, com o cancelamento da dívida de seus delitos.

A obra da cruz apresenta 3 aspectos:

  • POR nós : Cristo morreu por nós.

1 Coríntios 15; 3 Antes de tudo, vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu POR nossos pecados, segundo as Escrituras.

Isaías 53; 5 Mas ele foi ferido POR causa das nossas transgressões, esmagado POR causa das nossas iniquidades. O castigo que nos traz a paz estava sobre Ele e pelas suas pisaduras fomos sarados.

  • Nós COM : Nós morremos com Ele ou fomos incluídos na sua morte.

Romanos 6; 2-5,11 De modo nenhum. Nós, que já morremos para o pecado, como viveremos ainda nele? Ou, porventura, ignorais que todos quantos fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele pelo batismo na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida. Porque, se temos sido unidos a ele na semelhança da sua morte, certamente também o seremos na semelhança da sua ressurreição;

Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus.

Colossenses 3; 3 porque morrestes, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus.

  • EM nós : Negamo-nos a nós mesmos, escolhendo o caminho da cruz, para segui-Lo a cada dia.

Lucas 9; 23 Em seguida dizia a todos: Se alguém quer vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz, e siga-Me.

O primeiro aspecto da cruz propicia a salvação do nosso espírito, com a expiação e o perdão dos nossos pecados, o novo nascimento e regeneração, a reconciliação, filiação e o início da obra da restauração (crescimento espiritual e santificação).

Quando o homem caiu, a queda trouxe como consequência a morte, a separação de Deus, a depravação e a culpa, que é a corrupção do homem em si mesmo, e o domínio de Satanás. Esse primeiro aspecto da cruz trata dessa primeira consequência da queda, a separação de Deus.

O segundo aspecto da cruz propicia nossa libertação do domínio do pecado, do jugo da carne, pelo despojar do velho homem.

O terceiro aspecto da cruz representa a cruz de cada dia, Cristo em nós. O velho homem da velha criação foi despojado, mas a natureza humana continua e o novo homem tem que prosseguir no caminho da cruz e da santificação, negando-se a si mesmo e escolhendo viver a vida com Deus e na dependência dEle, ao invés de continuar agindo por conta própria.

Romanos 12; 1 Rogo-vos pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.

A cruz sempre está associada com a ressurreição, como o negar agir por si mesmo o está com o andar em novidade de vida.

Pela ressurreição, o Senhor Jesus Cristo, eterno e unigênito Filho de Deus, é declarado Filho de Deus, também em sua nova humanidade ressurreta, que representa, pelo poder da ressurreição, a aceitação da expiação e atribuição de justiça aos que crerem em sua morte e ressurreição, confessando que Ele é o Senhor, o Filho de Deus.

Romanos 1; 3-4 acerca de seu Filho, que nasceu da descendência de Davi segundo a carne, e que com poder foi declarado Filho de Deus segundo o espírito de santidade, pela ressurreição dentre os mortos – Jesus Cristo nosso Senhor,

Se Cristo tivesse apenas realizado expiação, e não tivesse ressuscitado, a nossa fé seria vã. Justificação é Deus, ao aceitar a expiação realizada por Cristo, declarar justo todo aquele que recebe a Cristo, baseado apenas na justiça de Cristo.

Romanos 3; 21-26 Mas agora, sem lei, tem-se manifestado a justiça de Deus, que é atestada pela lei e pelos profetas; isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos os que creem; pois não há distinção. Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; sendo justificados gratuitamente pela sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus, ao qual Deus propôs como propiciação, pela fé, no seu sangue, para demonstração da sua justiça por ter ele na sua paciência, deixado de lado os delitos outrora cometidos; para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e também justificador daquele que tem fé em Jesus.

Somos justificados (declarados justos) no momento de nossa salvação. Justificação não nos torna justos em nós mesmos, mas declara nossa justiça. Nossa justiça vem de colocarmos nossa fé na obra redentora completa de Jesus Cristo. Seu sacrifício cobre o nosso pecado, permitindo que Deus nos veja como justificados e sem qualquer mancha. Pelo fato de sermos incluídos em Cristo, Deus vê a justiça de Cristo, quando olha para nós. Isso alcança as exigências de Deus para justiça; portanto, Ele nos declara justos e nos justifica.

É por causa da justificação, que a paz de Deus pode governar em nossas vidas, que podemos ter a certeza de salvação e que possibilita o começo da ação de Deus no processo de santificação, que tornará realidade em nossas vidas a posição que já ocupamos em Cristo.

Romanos 5; 18-19 Portanto, assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação e vida. Porque, assim como pela desobediência de um só homem muitos foram constituídos pecadores, assim também pela obediência de um muitos serão constituídos justos.

Romanos 4; 22-25 Pelo que também isso lhe foi imputado como justiça. Ora, não é só por causa dele que está escrito que lhe foi imputado; mas também por causa de nós a quem há de ser imputado, a nós os que cremos naquele que dos mortos ressuscitou a Jesus nosso Senhor; o qual foi entregue por causa das nossas transgressões, e ressuscitado para a nossa justificação.

Ascenção e glorificação.

Após a consumação da obra da cruz e da ressurreição, o Senhor Jesus Cristo ascende ao céu em glorificação e envia o Espírito Santo, que traz a plena realidade da redenção para a igreja e começa a obra de edificação do novo homem em Cristo.

João 17; 4-5 Eu Te glorifiquei na terra, completando a obra que Me deste para fazer. Agora, pois, glorifica-me Tu, ó Pai, junto de Ti mesmo, com aquela glória que Eu tinha contigo antes que o mundo existisse.

Lucas 24; 48-51 Vós sois testemunhas destas coisas. E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai porém, na cidade, até que do alto sejais revestidos de poder. Então os levou fora, até Betânia; e levantando as mãos, os abençoou. E aconteceu que, enquanto os abençoava, apartou-se deles; e foi elevado ao céu.

Atos dos Apóstolos 2; 33-36 De sorte que, exaltado pela destra de Deus, e tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vós agora vedes e ouvis. Porque Davi não subiu aos céus, mas ele próprio declara: Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos por escabelo de teus pés. Saiba pois com certeza toda a casa de Israel que a esse mesmo Jesus, a quem vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo.

João 16; 7-14 Todavia, digo-vos a verdade, convém-vos que Eu vá; pois se Eu não for, o Ajudador não virá a vós; mas, se Eu for, vo-Lo enviarei. E quando Ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo: do pecado, porque não creem em Mim; da justiça, porque vou para meu Pai, e não Me vereis mais, e do juízo, porque o príncipe deste mundo já está julgado. Ainda tenho muito que vos dizer; mas vós não o podeis suportar agora. Quando vier, porém, aquEle, o Espírito da verdade, Ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por Si mesmo, mas dirá o que tiver ouvido, e vos anunciará as coisas vindouras. Ele me glorificará, porque receberá do que é meu, e vo-lo anunciará.

João 7; 37-39 Ora, no seu último dia, o grande dia da festa, Jesus pôs-se em pé e clamou, dizendo: Se alguém tem sede, venha a Mim e beba. Quem crê em Mim, como diz a Escritura, do seu interior correrão rios de água viva. Ora, isto Ele disse a respeito do Espírito que haviam de receber os que nEle cressem; pois o Espírito ainda não fora dado, porque Jesus ainda não tinha sido glorificado.

Apocalipse 5; 13 Ouvi também a toda criatura que está no céu, e na terra, e debaixo da terra, e no mar, e a todas as coisas que neles há, dizerem: Ao que está assentado sobre o trono, e ao Cordeiro, seja o louvor, e a honra, e a glória, e o domínio pelos séculos dos séculos.

O HOMEM.

A antropologia é a doutrina do homem. A antropologia bíblica difere da antropologia científica em abordagem, por ter como base apenas a bíblia, e no propósito de demonstrar a posição diferenciada do homem em relação às demais criaturas, bem como sua atual deficiência moral diante de Deus.

Origem e criação.

Salmos 8; 3-6 Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que estabeleceste, que é o homem, para que te lembres dele? e o filho do homem, para que o visites? Contudo, pouco abaixo de Deus o fizeste; de glória e de honra o coroaste. Deste-lhe domínio sobre as obras das tuas mãos; tudo puseste debaixo de seus pés.

No capítulo 1, já tratamos da origem do homem como criação de Deus e não iremos tratar das alternativas seculares ou cristãs ao criacionismo puro, tais como a evolução, seja ateísta ou teísta.

O homem é criado por Deus (Mt 19; 4, Rm 5; 12-19, 1Co 15; 45-49, 1Tm 2; 13), e somente Deus pode ser a causa suficiente e razoável para explicar a complexidade da vida humana. Somente na palavra de Deus se pode encontrar uma revelação especial das atividades de Deus na criação do universo e de tudo o que nele existe.

A criação é relatada em dois textos distintos em Gênesis: 1; 26,27 e 2; 7, 21-23. Essa duplicidade de relatos tem levantado considerações de contradição ou origens diferentes entre os relatos.

No entanto, seguindo o plano de Gênesis, nota-se que a segunda narração é a descrição mais detalhada da criação revelada no primeiro relato.

Criação é o ato livre de Deus pelo qual, no princípio, para sua glória, Ele fez, sem uso de matéria preexistente, todo o universo visível e invisível e pode ser compreendida como origem com propósito.

Gênesis 1; 26-27 E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os animais domésticos, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que se arrasta sobre a terra. Criou, pois, Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.

Com base nesse primeiro relato bíblico da criação, não se pode chegar à outra conclusão, senão que o homem é resultado da intervenção direta de Deus, o que contraria a hipótese da utilização de um processo evolutivo para a formação do homem. Deus não utilizou formas “preexistentes” ou subumanas de vida para formar Adão.

Gênesis 2; 7 E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou-lhe nas narinas o fôlego da vida; e o homem tornou-se alma vivente.

Gênesis 2; 21-22 Então o Senhor Deus fez cair um sono pesado sobre o homem, e este adormeceu; tomou-lhe, então, uma das costelas, e fechou a carne em seu lugar; e da costela que o senhor Deus lhe tomara, formou a mulher e a trouxe ao homem.

No segundo relato da criação, percebemos que Deus formou o homem diretamente do pó da terra e, depois, formou a mulher de uma das costelas do homem, criado como homem e mulher do primeiro relato.

Antiguidade.

Muitos cientistas afirmam que a idade do homem, ou a da terra, é bem maior que a deduzida pelas genealogias da bíblia, que cobrem um período da ordem de seis mil anos, desde a criação do homem até os nossos dias.

Sejam quais forem os intervalos do tempo e o que tenha acontecido, ou se existiram seres semelhantes a nós na criação primordial, antes da criação do homem, conforme já comentado no capítulo 1, permanece verdadeiro que Deus criou o homem imediata e diretamente, conforme o relato do livro de Gênesis.

Imagem e semelhança.

“Imago Dei” é o grande diferencial na criação do homem, e o que, por certo, diferencia o homem do resto da criação, sendo tema antigo de debates teológicos, sem que se tenha chegado a um consenso a respeito do significado dessa imagem e semelhança.

Alguns dos pais da igreja entendiam que a imagem de Deus no homem consistia em suas capacidades racionais, morais e para a santidade, tais como capacidade Intelectual, pureza moral (antes da queda), natureza espiritual, domínio sobre a criação, criatividade, capacidade de fazer escolhas éticas, infinitude de existência após a criação.

Outros acrescentavam aspectos físicos ou diferenciavam o significado de imagem do de semelhança, o que foi rejeitado pelos reformadores, por considerarem a justiça original incluída na imagem de Deus e pertencente à própria natureza do homem em sua condição original.

As palavras hebraicas de Gênesis 1; 26-27 são “tselem e demuth”, que transmitem a ideia do homem, de alguma maneira, ser um reflexo concreto de Deus. “Tselem” significa imagem moldada, uma figura moldada, imagem no sentido concreto da palavra (2 Rs 11; 18, Ez 23; 14, Am 5; 26). “Demuth” se refere à ideia de similaridade, num aspecto mais abstrato ou idealístico.

Nos relatos bíblicos, as palavras imagem e semelhança são empregadas como sinônimos. Em Gn 1; 26 são empregadas as duas palavras, mas, no verso 27, apenas a primeira delas. Em Gn 5; 1 só ocorre a palavra semelhança e, no verso 3, ambas novamente. Porém, em Gn 9; 6 aparece apenas a palavra imagem. Ou seja, são utilizadas em Gênesis de maneira intercambiável. Outro detalhe importante é que, até mesmo as preposições utilizadas são igualmente intercambiáveis (Gn 1; 26-27 e 5; 1-3).

A imagem de Deus, segundo a qual o homem foi criado, certamente inclui o que se denomina “justiça original” ou estado de inocência, significando que o homem foi criado sem pecado.

Gênesis 1; 31 E viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom. E foi a tarde e a manhã, o dia sexto.

Eclesiastes 7; 29 Eis que isto tão-somente achei: que Deus fez o homem reto, mas os homens buscaram muitos artifícios.

O novo testamento menciona a restauração dessa imagem moral de Deus no homem regenerado.

Colossenses 3; 10 e vos vestistes do novo, que se renova para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou;

Esta imagem moral pode, portanto, implicar em um estado original de santidade positiva (recebida, mas não confirmada, tendo em vista o livre arbítrio), além de inocência ou neutralidade moral e que, até mesmo, os aspectos mais naturais do homem derivem de Deus. Ou seja, as faculdades intelectuais, sentimentos naturais, liberdade moral e a vontade no homem, tal como criado, são reflexos do Ser de Deus. Assim, o homem dispunha de uma capacidade moral e racional, que não se perdeu completamente (Gn 9; 6, 1 Co 11; 7, Tg 3; 9), embora já não seja mais a mesma, pela consequência do pecado.

Vida Infinita após a criação.

A afirmação da infinitude da vida futura do homem não é explícita no relato do Gênesis, mas pode ser encontrada em diversos outros textos da bíblia, mas não significa imortalidade, que só Deus possui.

1 Timóteo 6; 16 aquele que possui, ele só, a imortalidade, e habita em luz inacessível; a quem nenhum dos homens tem visto nem pode ver; ao qual seja honra e poder sempiterno. Amém.

A morte física não significa o fim de existência como vida consciente e a hipótese de aniquilação dos ímpios, proposta por alguns segmentos da cristandade, como adventistas do sétimo dia, para conciliar a bondade e justiça de um Deus moral com o problema da condenação eterna, não pode ser confirmada em toda a bíblia.

Eclesiastes 12; 7 e o pó volte para a terra como o era, e o espírito volte a Deus que o deu.

Jó levantou dúvidas sobre a continuidade da existência do homem, mas, em seu desespero, concluiu de outra forma.

Jó 14; 10 O homem, porém, morre e se desfaz; sim, rende o homem o espírito, e então onde está?

Jó 19; 25-27 Pois eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra. E depois de consumida esta minha pele, então fora da minha carne verei a Deus; vê-lo-ei ao meu lado, e os meus olhos o contemplarão, e não mais como adversário. O meu coração desfalece dentro de mim!

Ao contrário, o novo testamento afirma, claramente, a existência após a morte física, a ressurreição para o juízo e a condenação eterna dos ímpios no juízo do trono branco.

Lucas 16; 22-24 Veio a morrer o mendigo, e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão; morreu também o rico, e foi sepultado. No hades, ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe a Abraão, e a Lázaro no seu seio. E, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim, e envia-me Lázaro, para que molhe na água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama.

João 5; 28-29 Não vos admireis disso, porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz e sairão: os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida, e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo.

Apocalipse 20; 10-15 e o Diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde estão a besta e o falso profeta; e de dia e de noite serão atormentados pelos séculos dos séculos. E vi um grande trono branco e o que estava assentado sobre ele, de cuja presença fugiram a terra e o céu; e não foi achado lugar para eles. E vi os mortos, grandes e pequenos, em pé diante do trono; e abriram-se uns livros; e abriu-se outro livro, que é o da vida; e os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras. O mar entregou os mortos que nele havia; e a morte e o hades entregaram os mortos que neles havia; e foram julgados, cada um segundo as suas obras. E a morte e o hades foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte, o lago de fogo. E todo aquele que não foi achado inscrito no livro da vida, foi lançado no lago de fogo.

A origem da alma.

Existem hipóteses diversas para a origem da alma:

  • Teoria da pré-existência, que supõe que as almas de todos os homens foram criadas por Deus no início do universo, sendo incorporadas aos corpos por ocasião da formação;
  • Teoria do criacionismo, que supõe que a alma do homem é criada por Deus quando seu corpo nasce;
  • Teoria do traducianismo, que propõe a transmissão da alma por geração natural, tal como o corpo.

Esta última teoria, embora amplamente aceita, conflita com a encarnação de Cristo sem o pecado. A alternativa criacionista também apresenta conflitos sérios com almas sendo criadas no estado de pecado e a pré-existência das almas não apresenta nenhuma base bíblica.

Contudo, tais teorias que buscam elucidar a origem da alma, geralmente baseada numa visão dicotômica do homem, como sendo constituído de duas partes, uma imaterial, alma ou espírito, e outra material, o corpo, são meras hipóteses e a palavra de Deus não revela a origem da alma, mas que a alma se torna vivente, quando o sopro de Deus (espírito) é soprado sobre o pó (corpo), o que é uma das bases para a visão tricotômica do homem, que será vista num tópico à frente.

As hipóteses, ou teorias, traducionista e criacionista concordam que a alma não existe antes da concepção, o que está mais de acordo com a bíblia, que não menciona a existência da alma humana antes do ser humano ser concebido.

Sabemos que Deus é o responsável pela criação de cada alma, mesmo que não possamos saber se Ele as cria no momento de concepção, o que contraria o descanso do sétimo dia da criação, ou se Deus assim projetou o processo reprodutivo humano, ressalvada a transmissão da herança adâmica pela semente do homem, o que parece ser a hipótese mais compatível com a bíblia.

Salmos 139; 13-16 Pois tu formaste os meus rins; entreteceste-me no ventre de minha mãe. Eu te louvarei, porque de um modo tão admirável e maravilhoso fui formado; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem. Os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui formado, e esmeradamente tecido nas profundezas da terra. Os teus olhos viram a minha substância ainda informe, e no teu livro foram escritos os dias, sim, todos os dias que foram ordenados para mim, quando ainda não havia nem um deles.

Zacarias 12; 1 A palavra do Senhor acerca de Israel: Fala o Senhor, o que estendeu o céu, e que lançou os alicerces da terra e que formou o espírito do homem dentro dele.

Isaías 42; 5 Assim diz Deus, o Senhor, que criou os céus e os desenrolou, e estendeu a terra e o que dela procede; que dá a respiração ao povo que nela está, e o espírito aos que andam nela.

Eclesiastes 11; 5 Assim como tu não sabes qual o caminho do vento, nem como se formam os ossos no ventre da que está grávida, assim também não sabes as obras de Deus, que faz todas as coisas.

Deuteronômio 29; 29 As coisas encobertas pertencem ao Senhor nosso Deus, mas as reveladas nos pertencem a nós e a nossos filhos para sempre, para que observemos todas as palavras desta lei.

Unidade da humanidade.

Outra questão importante e relacionada com a hipótese criacionista da origem da parte imaterial do homem se refere à unidade da raça, esta, sim, claramente estabelecida na bíblia.

Atos dos Apóstolos 17; 26 e de um só fez todas as raças dos homens, para habitarem sobre toda a face da terra, determinando-lhes os tempos já dantes ordenados e os limites da sua habitação;

Romanos 5; 17-19 Porque, se pela ofensa de um só, a morte veio a reinar por esse, muito mais os que recebem a abundância da graça, e do dom da justiça, reinarão em vida por um só, Jesus Cristo. Portanto, assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação e vida. Porque, assim como pela desobediência de um só homem muitos foram constituídos pecadores, assim também pela obediência de um muitos serão constituídos justos.

Literalidade do relato em Gênesis.

A inclusão dos rios Tigre e Eufrates, que são reais, parece sugerir que o jardim e todo o relato seja igualmente literal.

O novo testamento faz referência aos fatos relacionados ao Jardim do Éden como fatos reais. Fala da criação de Adão e Eva (Mt 19; 4, 1 Tm 2; 13), de Adão como um ancestral literal de Jesus (Lc 3; 38) e de seu pecado original (1 Tm 2; 13, Rm 5; 12).

Para os escritores bíblicos, tanto Adão quanto Eva, são personagens históricos, e encontrados em uma leitura literal de Gênesis.

Estado original e a queda.

O estado original de santidade positiva já foi abordado no item referente à criação do homem à imagem e semelhança de Deus e a queda, pelo livre arbítrio e a escolha de conhecer o bem e o mal à parte de Deus, foi abordada no capítulo 1 sobre a rebelião, de forma que, embora estes temas sejam importantes para completar a doutrina do homem na bíblia, não serão aprofundados neste capítulo.

Em primeiro lugar, Satanás tentou fazer com que Eva duvidasse da bondade de Deus porque Ele lhes vedara acesso a uma árvore (Gn 3; 1, “toda”).

Depois, Satanás ofereceu a Eva um plano substituto, que permitia comer do fruto sem sofrer a penalidade (Gn 3; 4-5).

Eva justificou antecipadamente seu ato de comer o fruto (Gn 3; 6).

Por fim, Eva comeu e Adão a seguiu.

Constituição.

Gênesis 2; 7 E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou-lhe nas narinas o fôlego da vida; e o homem tornou-se alma vivente.

O homem foi formado do pó da terra, corpo, recebeu o sopro da vida da criação, espírito e se tornou alma vivente, a alma, de forma que o homem é constituído por espírito, alma e corpo.

Espírito.

A palavra “espírito” é equivalente a “ruah” hebraico e “pneuma” grego.

Algumas funções são atribuídas ao espírito, tais como: entendimento (Is 29; 24), memória (Sl 77; 6), humildade (Mt 5; 3), amargura (Gn 26; 35), a angústia (Jo 13; 21), ciúme (Nm 5; 14), a altivez (Pv 16; 18) e a opressão (Sl 34; 18). O espírito é a parte do homem que pode entrar em comunhão com Deus e adorá-Lo.

O espírito tem três faculdades principais que são a consciência, intuição e comunhão. Essas faculdades são correlacionadas e agem coordenadamente. Num espírito não regenerado, essas faculdades ainda existem, mas não funcionam adequadamente e, muitas vezes, são subjugadas ou confundidas pelas faculdades da alma.

Consciência é a faculdade de discernimento, que distingue o certo e o errado, por julgamento espontâneo e direto, sem que seja, necessariamente, pelo conhecimento da mente.

Intuição é a faculdade sensitiva, que nos traz ensino e conhecimento direto, por revelação de Deus e ação do Espírito Santo, independente de ajuda exterior ou da mente.

Comunhão é relacionar, partilhar a vida de Deus e adorar a Deus

Alma.

O termo “alma”, em português, vem da palavra “nephesh”, em hebraico, ou “psiche”, no grego. No velho testamento, encontramos o seu uso com os seguintes significados: ser vivente, vida, eu, pessoa, desejo, apetite, emoção e paixão. Basicamente significa vida ou uma pessoa por inteiro, mesmo que morta.

A alma se refere ao ego do homem e revela sua personalidade e autoconsciência, pela mente, emoções e vontade. Ela tem grande poder e é o centro do ser humano, podendo decidir quem governa: o corpo, o espírito ou ela mesma.

É também o ponto de encontro entre o espírito e o corpo, podendo contatar o mundo espiritual pelo espírito e o físico pelo corpo; é a sede do livre arbítrio.

As faculdades principais da alma são a mente, a emoção e a vontade.

Corpo.

Suas designações: corpo (Mt 6; 22), carne (Gl 2; 20), corpo de humilhação (Fp 3; 21), vaso de barro (2 Co 4; 7), templo do Espírito Santo (1 Co 6; 19)

Todos os homens serão ressuscitados dos mortos (Jo 5; 28,29). Os não-redimidos serão ressuscitados para uma existência eterna no lago de fogo (Ap 20; 12,15), e os remidos para estarem com o Senhor.

O corpo é a parte do homem que entra em contato com o mundo material e possibilita a consciência dele, através dos cinco sentidos: visão, audição, olfato, paladar e tato.

Outros aspectos imateriais.

O número de versos para ilustrar a constituição do homem, como espírito, alma e corpo é extenso e, muitas vezes, parecem se referir a mais de uma parte da constituição do homem, especialmente a alma e o espírito, o que nem sempre é fácil de separar.

Hebreus 4; 12 Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até a divisão de alma e espírito, e de juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração.

Mas existem várias outras palavras que se referem à parte imaterial do homem, sobre as quais destacaremos a palavra coração, devido à sua importância, a se referir ora ao espírito do homem e ora à alma do homem.

Na maioria dos casos o coração é utilizado para se referir ao homem interior ou às muitas facetas de sua personalidade.

O coração é o conceito mais amplo de todas as facetas da parte imaterial do homem. E a sede da vida intelectual, emocional, volitiva e da consciência espiritual do homem (Hb 4; 7, 12, Mt 22; 37).

Marcos 12; 30 Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de todas as tuas forças.

Desta forma, o coração pode ser considerado como uma janela entre o espírito e a alma, envolvendo todas as faculdades da alma e a faculdade de consciência do espírito:

  • O coração é o centro da vida intelectual, pois adquire o conhecimento da palavra de Deus (Sl 11; 11), ele sabe (Dt 8; 5), é fonte dos maus pensamentos e ações (Mt 15; 19, 20), possui propósitos e pensa (Hb 4; 12) e pode ser enganoso;
  • O coração é o centro da vida emocional, pois ama (Dt 6; 5), reprova (Jó 27; 6), se alegra (Sl 104; 15; Is 30;29), entristece (Ne 2; 2; Rm 9; 2), possui desejos (Sl 37; 4) e pode ficar amargurado (Sl 73; 21);
  • Ele é o centro da vida volitiva, pois busca (Dt 4; 29), pode ser mudado (Ex 14; 5) e endurecido (Ex 8; 15, Hb 4; 7), é capaz de escolher (Ex 7; 22,23) e pode ser insubmisso (Jr 9; 26, At 7; 51);
  • O coração apresenta interface com a vida espiritual, pois é nele que o homem crê para justiça (Rm 10; 9,10), é a morada do Pai (1 Pe 3; 15), do Filho (Ef 3; 17) e do Espírito Santo (2Co 1; 22), e para o cristão seu coração deve ser puro (1 Tm 1; 5, Hb 10; 22) e estar submisso (Rm 2; 29).

SALVAÇÃO DO HOMEM.

Salvação do espírito e VIDA eterna.

A salvação do espírito do homem corresponde ao recebimento da VIDA eterna, pela regeneração, novo nascimento e filiação, juntamente com a reconciliação e a justificação pelo perdão dos pecados, recebidas pela graça, por meio da fé no sangue de Jesus, que trouxe a redenção, pela expiação e propiciação dos pecados, pela cruz e pela ressurreição.

Desta forma, a salvação do espírito só depende da obra redentora de Deus e de nossa fé nela, sendo definitiva e imutável, independentemente do que tenhamos feito antes ou venhamos a fazer depois.

2 Coríntios 5; 17 Pelo que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.

Gálatas 6; 15 Pois nem a circuncisão nem a incircuncisão é coisa alguma, mas sim o ser uma nova criatura.

Não há salvação do espírito sem o novo nascimento e nenhuma ação do homem pode alterar isso. Não basta estudar ou fazer parte de alguma religião sem ter nascido de novo. Na cristandade tem muita gente simpática ao Evangelho, que gosta de andar no meio dos cristãos, mas que não nasceu de novo.

Efésios 4; 24 e vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade.

Deus criou um novo homem. Primeiro ele fez Adão. Agora em Cristo, quando cremos, nos convertemos e nascemos de novo, somos feitos um novo homem, uma nova criação.

Este novo homem é o nosso espírito regenerado, também chamado de homem interior. Quando Adão foi formado, ele recebeu a vida da criação. Quando o nosso espírito nasce de novo, nós recebemos a VIDA eterna, que é a vida não criada de Deus.

Romanos 7; 22 Porque, no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus;

2 Coríntios 4; 16 Por isso, não desanimamos; pelo contrário, mesmo que o nosso homem exterior se corrompa, contudo, o nosso homem interior se renova de dia em dia.

Assim que o espírito é regenerado e recebe a VIDA, o Espírito Santo vem habitar dentro dele e o homem passa a ter comunhão com Deus.

O novo nascimento e a salvação do espírito devem resultar em mudança e produzir frutos, sendo evidenciado por não se viver mais, habitualmente, no pecado, pela vitória sobre o mundo, por conhecer e crer em Deus e por andar em amor e retidão.

Salvação da alma, santificação e recompensa.

A salvação da alma, ao contrário da salvação do espírito, que é instantânea e definitiva, representa, por um lado, um processo contínuo de crescimento e transformação, que se estende ao longo de toda a vida e se inicia logo após o novo nascimento. Por outro lado, pode, também, conter um aspecto posicional instantâneo, em momentos específicos de tomada de consciência de nossa posição em Cristo, como sendo nossa santificação, em nosso novo espírito, ou de decisão pessoal de se consagrar a Deus e se afastar do pecado e do agir independente de Deus.

Em relação ao aspecto posicional, a santificação não depende de esforço próprio e é Cristo como nossa vida e santificação.

1 Coríntios 1; 30 Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual se nos tornou, da parte de Deus, sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção.

Filipenses 1; 21 Porquanto, para mim, o viver é Cristo.

Gálatas 2; 20 Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé no filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim.

Os Reformadores e os irmãos que se reuniam para as conferências em Keswick (como Evan Hopkins), Inglaterra, entendiam a santificação, não como um processo, mas como um ato definitivo, pela fé e união com Cristo, sendo um dom divino decorrente da nova criação, e possibilitando uma vitória uniforme e permanente sobre o pecado.

1 Coríntios 1; 2 à igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados para ser santos, com todos os que em todo lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso.

Pentecostais entendem a santificação como uma segunda experiência, relacionada com o que consideram como o batismo (ou enchimento) com o Espírito Santo, distinta da experiência inicial do novo nascimento. Alguns dentre eles, como as Assembleias de Deus, aceitam a santificação como progressiva, após a segunda experiência pelo enchimento do Espírito Santo, mas nunca completa, ao contrário de outros, como os Nazarenos, que entendem ser possível uma completa santificação.

Dispensacionalistas consideram que a santificação dependa, tanto da soberania e ação de Deus, como da participação humana. Entendem o recebimento do Espírito Santo de habitação em nossa regeneração, como experiência distinta do enchimento e plenitude do Espírito Santo, conduzindo-nos à maturidade e ao crescimento cristão pela revelação de Cristo como a nossa vida.

Wesleianos defendem a santificação como uma experiência prática e ética e não se importam muito com doutrina ou definições, mas com a fé que opera pelo amor de Deus. A santificação completa, sem estágios, conduzindo à perfeição no amor, à purificação do coração e à morte para o pecado.

Santificação significa se separar do mal, se consagrar a Deus e se encher do Espírito Santo.

Romanos 6; 11 Assim também vós considerai-vos mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus.

Romanos 12; 1 Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.

Existem versos na bíblia que mostram que a santificação depende tanto da ação de Deus, como da ação do homem.

1 Tessalonicenses 5; 23-24 E o próprio Deus de paz vos santifique completamente; e o vosso espírito, e alma e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo. Fiel é o que vos chama, e ele também o fará.

1 Pedro 1; 13-16 Portanto, cingindo os lombos do vosso entendimento, sede sóbrios, e esperai inteiramente na graça que se vos oferece na revelação de Jesus Cristo. Como filhos obedientes, não vos conformeis às concupiscências que antes tínheis na vossa ignorância; mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em todo o vosso procedimento; porquanto está escrito: Sereis santos, porque eu sou santo.

A santificação é a vontade de Deus para todos os seus filhos e existem consequências se para os que não a buscam.

1 Tessalonicenses 4; 3-5 Porque esta é a vontade de Deus, a saber, a vossa santificação: que vos abstenhais da prostituição, que cada um de vós saiba possuir o seu vaso em santidade e honra, não na paixão da concupiscência, como os gentios que não conhecem a Deus;

Hebreus 12; 13-15 e fazei veredas direitas para os vossos pés, para que o que é manco não se desvie, antes seja curado. Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor, tendo cuidado de que ninguém se prive da graça de Deus, e de que nenhuma raiz de amargura, brotando, vos perturbe, e por ela muitos se contaminem;

A salvação do espírito nos é dada, gratuitamente, e depende somente da graça de Deus, mas a recompensa, ou galardão, depende das obras, da salvação da alma e da santificação, ainda que a santificação, também dependa da graça e da ação de Deus.

Apocalipse 22; 12 E eis que venho sem demora, e comigo está o galardão que tenho para retribuir a cada um segundo as suas obras.

1 Coríntios 3; 8 Ora, uma só coisa é o que planta e o que rega; e cada um receberá o seu galardão segundo o seu trabalho.

Mateus 16; 27 Porque o Filho do Homem há de vir na glória de seu Pai, com os seus anjos, e, então, retribuirá a cada um conforme as suas obras.

A salvação do espírito diz respeito a vida eterna, mas não garante a recompensa futura. A recompensa tem a ver com o reinar com Cristo no milênio e com a posição futura na glória, e nem todos os cristãos vão entrar no reino ou ter o mesmo brilho e posição na glória. Mas perder a recompensa, ou não entrar no reino, não significa perder a salvação eterna do nosso espírito, que recebemos gratuita e definitivamente pela graça de Deus por meio da fé. Este tema será novamente considerado no capítulo sobre a perseverança dos santos.

Mateus 7; 21-23 Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então lhes direi claramente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade.

Salvação do corpo, cura e glorificação.

A salvação se inicia no novo nascimento pela salvação do espírito, prossegue, ao longo de nossa vida, pela salvação da alma, e será consumada na salvação e glorificação futura do nosso corpo, pela ressurreição ou pela súbita transformação, no momento do arrebatamento dos que estiverem vivos, por ocasião da vinda do Senhor.

Romanos 8; 19-23 Porque a criação aguarda com ardente expectativa a revelação dos filhos de Deus. Porquanto a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua vontade, mas por causa daquele que a sujeitou, na esperança de que também a própria criação há de ser liberta do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus. Porque sabemos que toda a criação, conjuntamente, geme e está com dores de parto até agora; e não só ela, mas até nós, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, aguardando a nossa adoção, a saber, a redenção do nosso corpo.

1 Tessalonicenses 4; 15-17 Dizemo-vos, pois, isto pela palavra do Senhor: que nós, os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, de modo algum precederemos os que já dormem. Porque o Senhor mesmo descerá do céu com grande brado, à voz do arcanjo, ao som da trombeta de Deus, e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos seremos arrebatados juntamente com eles, nas nuvens, ao encontro do Senhor nos ares, e assim estaremos para sempre com o Senhor.

1 Coríntios 15; 51-53 Eis aqui vos digo um mistério: Nem todos dormiremos mas todos seremos transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao som da última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos serão ressuscitados incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque é necessário que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade e que isto que é mortal se revista da imortalidade.

A salvação do corpo, embora futura, também apresenta efeitos presentes, numa extensão nem sempre entendida por todos, especialmente no que diz respeito a curas de enfermidades e doenças.

Romanos 8; 10-11 Ora, se Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o espírito vive por causa da justiça. E, se o Espírito daquele que dos mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dos mortos ressuscitou a Cristo Jesus há de vivificar também os vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que em vós habita.

Em relação à cura presente do nosso corpo físico, muitos entendem que a abrangência da obra da expiação inclui a provisão plena para a cura física.

Isaías 53; 4-5 Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e carregou com as nossas dores; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido. Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e esmagado por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.

Mateus 8; 16-17 Caída a tarde, trouxeram-lhe muitos endemoninhados; e ele com a sua palavra expulsou os espíritos, e curou todos os enfermos; para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta Isaías: Ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e levou as nossas doenças.

Mas, na verdade, com base no novo testamento, não podemos fazer tal afirmação e, embora as curas manifestem o poder de Deus e do reino vindouro, nem o Senhor Jesus considerou a cura física como prioridade, ainda que tenha curado a todos que o procuraram para serem curados. Deus é o mesmo e pode curar ainda hoje, mas não podemos reivindicar a cura pela obra da redenção, de forma idêntica à salvação do nosso espírito e o perdão dos nossos pecados pela obra consumada no Calvário.

Marcos 2; 5 E Jesus, vendo-lhes a fé, disse ao paralítico: Filho, perdoados são os teus pecados.

Marcos 7; 32-37 E trouxeram-lhe um surdo, que falava dificilmente; e rogaram-lhe que pusesse a mão sobre ele. Jesus, pois, tirou-o de entre a multidão, à parte, meteu-lhe os dedos nos ouvidos e, cuspindo, tocou-lhe na língua; e erguendo os olhos ao céu, suspirou e disse-lhe: Efatá; isto é Abre-te. E abriram-se-lhe os ouvidos, a prisão da língua se desfez, e falava perfeitamente. Então lhes ordenou Jesus que a ninguém o dissessem; mas, quando mais lho proibia, tanto mais o divulgavam. E se maravilhavam sobremaneira, dizendo: Tudo tem feito bem; faz até os surdos ouvir e os mudos falar.

Mateus 4; 23-24 E percorria Jesus toda a Galiléia, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino, e curando todas as doenças e enfermidades entre o povo. Assim a sua fama correu por toda a Síria; e trouxeram-lhe todos os que padeciam, acometidos de várias doenças e tormentos, os endemoninhados, os lunáticos, e os paralíticos; e ele os curou.

A inclusão da cura de doenças e enfermidades na mesma extensão e abrangência da expiação dos pecados na obra consumada no Calvário, ao invés da manifestação dos poderes do reino vindouro, tem gerado interpretações erradas das escrituras, dúvidas, ressentimentos e até velada revolta no meio do povo de Deus, ou perplexidade entre os ímpios ateus, que questionam como um Deus bom e todo poderoso poderia permitir tais situações, ou todo o sofrimento sobre a terra.

A saúde e a preservação da vida fazem parte da nossa mordomia e missão, mas devemos com serenidade e aceitação, e se o Senhor ainda tardar, sabermos nossos limites e até mesmo a nossa hora, quando ela se aproximar ou se vier de repente, de forma que precisamos estar sempre atentos e preparados.

As doenças e enfermidade podem ter causas diversas, como maus hábitos, pecados ou espíritos malignos. Deus, em sua soberania pode, até mesmo, usá-las para tratar conosco.

Doenças da alma e a psicologia.

Existem também doenças físicas por causas emocionais e doenças da alma, advindas de todo tipo de traumas, mágoas e raízes de amargura, que limitam a ação e as escolhas do homem e podem dificultar o processo da salvação.

A alma é o campo do psiquismo humano e existem aspectos da salvação da alma que não dizem respeito apenas à santificação, mas devemos ter cuidado com a grande influência da psicologia secular sobre a igreja, nos dias de hoje.

Isaías 35:8 E ali haverá uma estrada, um caminho que se chamará o caminho santo; o imundo não passará por ele, mas será para os remidos. Os caminhantes, até mesmo os loucos, nele não errarão.

A psicologia moderna e a pseudociência do aconselhamento psicológico, com decorrentes problemas éticos em sua comercialização, têm levado muitos ao abandono da fé na suficiência da palavra de Deus para nos dar “tudo o que diz respeito à vida e piedade, pelo conhecimento daquEle que nos chamou pela sua glória e virtude” (2 Pedro 1; 3)

As premissas de que a psicoterapia é científica, ou que psicologia cristã concilia a ciência com fé, e que aconselhamento é somente para profissionais, são enganosas. A Associação (americana) Cristã de Estudos Psicológicos, esclarecendo sua posição, escreveu que não existe qualquer psicologia cristã ou “psicólogos cristãos”, mas, sim, “cristãos psicólogos”, que, mesmo sendo licenciados em psicologia, adotam os princípios bíblicos para a visão dos problemas do homem e para aconselhamento. As teorias básicas do aconselhamento psicológico são contraditórias ao que a bíblia ensina sobre a natureza humana e seus problemas mentais, emocionais e comportamentais.

Ainda que os avanços da ciência sobre a mente e o comportamento humano, possam ser de ajuda para se tomar consciência de muitos problemas que se escondem no nosso inconsciente, a solução mais profunda dos problemas da alma se encontra, não na esfera externa do psiquismo e da alma, mas na esfera intrapsíquica do nosso espírito e sua relação e reconciliação com Deus, envolvendo libertação e cura, em alguns casos.

A relação de ajuda na igreja deve ser na dependência do Espírito Santo e baseada na bíblia e na oração. Não deve desculpar o pecado e a responsabilidade pessoal ou atribuir toda a causa das enfermidades da alma a circunstâncias fora da pessoa, como abuso de pais e meio ambiente.

A psicoterapia busca melhorar o ego através de conceitos, como amor próprio e autoestima, enquanto a bíblia ensina que o ego é o maior problema do homem e nunca a solução dos males que o afligem e que muitos problemas podem advir de causas espirituais.

Romanos 12:2-3 E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus. Porque pela graça que me foi dada, digo a cada um dentre vós que não tenha de si mesmo mais alto conceito do que convém; mas que pense de si sobriamente, conforme a medida da fé que Deus, repartiu a cada um.

2 Timóteo 3:1-5 Sabe, porém, isto, que nos últimos dias sobrevirão tempos penosos; pois os homens serão amantes de si mesmos, gananciosos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a seus pais, ingratos, ímpios, sem afeição natural, implacáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando-lhe o poder. Afasta-te também desses.

Marcos 5:2-8, 15 E, logo que Jesus saíra do barco, lhe veio ao encontro, dos sepulcros, um homem com espírito imundo, o qual tinha a sua morada nos sepulcros; e nem ainda com cadeias podia alguém prendê-lo; porque, tendo sido muitas vezes preso com grilhões e cadeias, as cadeias foram por ele feitas em pedaços, e os grilhões em migalhas; e ninguém o podia domar; e sempre, de dia e de noite, andava pelos sepulcros e pelos montes, gritando, e ferindo-se com pedras, Vendo, pois, de longe a Jesus, correu e adorou-o; e, clamando com grande voz, disse: Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? conjuro-te por Deus que não me atormentes. Pois Jesus lhe dizia: Sai desse homem, espírito imundo.

Chegando-se a Jesus, viram o endemoninhado, o que tivera a legião, sentado, vestido, e em perfeito juízo; e temeram.

IGREJA DE DEUS.

Mateus 16; 15-18 Mas vós, perguntou-lhes Jesus, quem dizeis que eu sou? Respondeu-lhe Simão Pedro: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. Disse-lhe Jesus: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelou, mas meu Pai, que está nos céus. Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do hades não prevalecerão contra ela;

Como Cristo é o mistério de Deus, a igreja é mistério de Cristo e é mencionada na bíblia como casa e família de Deus, noiva de Cristo ou o seu Corpo, no sentido do novo homem corporativo da nova criação, para se unir e compartilhar a VIDA eterna de Deus e com Deus.

1 Pedro 2; 5 vós também, quais pedras vivas, sois edificados como casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais, aceitáveis a Deus por Jesus Cristo.

Efésios 5; 31-32 Por isso deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e se unirá à sua mulher, e serão os dois uma só carne. Grande é este mistério, mas eu falo em referência a Cristo e à igreja.

Efésios 1; 22-23 e sujeitou todas as coisas debaixo dos seus pés, e para ser cabeça sobre todas as coisas o deu à igreja, que é o seu corpo, o complemento daquele que cumpre tudo em todas as coisas.

A igreja é de Deus, temos que ter cuidado em como proceder em relação a ela e não podemos confundi-la com prédios, templos ou instituições, nem destruir sua expressão verdadeira, impedindo que a multiforme sabedoria de Deus seja revelada através dela.

1 Timóteo 3; 15 para que, se eu tardar, fiques ciente de como se deve proceder na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, coluna e baluarte da verdade

1 Coríntios 3; 16-17 Não sabeis vós que sois santuário de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o santuário de Deus, Deus o destruirá; porque sagrado é o santuário de Deus, que sois vós.

Atos dos Apóstolos 20; 28-30 Cuidai pois de vós mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele adquiriu com seu próprio sangue. Eu sei que depois da minha partida entrarão no meio de vós lobos cruéis que não pouparão rebanho, e que dentre vós mesmos se levantarão homens, falando coisas perversas para atrair os discípulos após si.

Efésios 3; 10 para que, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida, agora, dos principados e potestades nos lugares celestiais, segundo o eterno propósito que estabeleceu em Cristo Jesus, nosso Senhor.

A igreja é única, universal ou católica, e só se entra nela pelo novo nascimento. Esta igreja universal é o corpo de Cristo, o homem celestial, que se expressa como a igreja local, constituída pelos nascidos de novo que moram e se reúnem em um determinado lugar.

Comunhão na família de Deus, igreja casa.

A igreja funciona através da comunhão e o melhor lugar para se ter comunhão é em grupos pequenos nas casas.

Atos 2; 42 E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações.

Essa era a vida da igreja e a atividade da igreja: a palavra de Deus e a doutrina dos apóstolos como o fundamento, e a comunhão dos santos, na palavra, no partir do pão, em memória do que o Senhor fez, e nas orações.

A participação de todos somente é possível em reuniões menores nas casas, mas não nas reuniões maiores ou centralizadas, que ocorrem em templos ou locais mais amplos.

1 Coríntios 14; 26 Que fazer, pois, irmãos? Quando vos congregais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação.

O ideal são reuniões regionais ou paroquiais em grupos pequenos, que tenham vínculos locais de moradia ou trabalho, sempre centradas na obra e pessoa do Senhor Jesus Cristo, na doutrina dos apóstolos, conforme revelada no Novo Testamento, e na comunhão da vida de Deus, sob o fluir e o comando do Espírito Santo, sem quaisquer outros vínculos associativos ou congregacionais, como denominação, escolha de irmãos ou preferências.

As reuniões devem ser simples, com ampla participação livre de todos os irmãos, e número de participantes que não dificulte a ampla participação.

Sempre que o número de irmãos ultrapassar um limite razoável, conforme o espaço disponível, ou que dificulte a ampla participação, novos grupos menores podem ser formados, conforme os vínculos regionais de proximidade.

Serviço na Casa de Deus, cinco ministérios.

A igreja, como organismo espiritual, é altamente organizada, mas é muito mais do que uma mera organização, é o Corpo de Cristo, do qual todos somos membros. No Corpo de Cristo, cada membro deve funcionar sujeito à cabeça, como em todo organismo vivo.

Para tanto, existem algumas funções especiais, como presbíteros, bispos ou anciãos para supervisionar e pastorear, e diáconos, para servir às mesas, e os ministérios ou dons de Deus à igreja para o aperfeiçoamento dos santos.

Efésios 4; 11 E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres,

O serviço desses obreiros nas localidades, reconhecidos nesses cinco ministérios, incluindo apóstolos, eventualmente, presentes na cidade, pode ocorrer circularmente nas casas e reuniões regionais, de forma livre ou coordenada, e em celebrações e reuniões centralizadas, sob supervisão do governo único reconhecido.

O serviço das mesas ou de diaconia deve ser feito por irmãos reconhecidos e cheios do Espírito Santo, aptos para a administração de ofertas recebidas dos irmãos, destinando-as para:

• Atendimento de necessidades básicas entre irmãos carentes;

• Sustento e despesas de obreiros itinerantes, locais ou extra locais, enviados e atuantes no cumprimento da grande comissão de pregar o evangelho a toda criatura, que não tenham capacidade de se auto sustentar, pelo próprio trabalho, rendas ou ofertas recebidas de enviadores e mantenedores;

• Ofertas humanitárias de amor a pobres, necessitados ou obras assistenciais, devidamente aprovadas pelo governo local e serviço das mesas.

Apenas como informação, uma vez que este assunto está mais associado com estruturas e organizações eclesiásticas, e não com a igreja, tal como a vemos na bíblia, existem, basicamente, dois tipos de organização eclesiásticas:

  • Episcopal, que estabelece a função dos presbíteros ou irmãos responsáveis para a tomada de decisões e governo,
  • Congregacional que estabelece decisões em assembleia de todos os santos.

Algumas instituições eclesiásticas são organizadas em termos misto, com decisões em assembleia local sob supervisão de um presbitério.

Contudo, na bíblia só se menciona presbitério em cada cidade, e não em cada congregação. O ideal seria um governo plural único na cidade, reconhecido por todas as paróquias ou grupos pequenos regionais, sem pretensão de supervisão sobre todo o sistema religioso, reconhecendo os demais governos e lideranças denominacionais ou congregacionais independentes, caso existentes na cidade, à parte da visão ideal do congregar local regionalizado e celebrações convocadas, sob um governo único na cidade.

Mas, na igreja de Deus, não deve existir divisão entre clero e leigos ou estruturas hierárquicas piramidais ou de tomada de decisão, como nas organizações humanas e no mundo empresarial e corporativo.

Mateus 20; 25-28 Jesus, pois, chamou-os para junto de si e lhes disse: Sabeis que os governadores dos gentios os dominam, e os seus grandes exercem autoridades sobre eles. Não será assim entre vós; antes, qualquer que entre vós quiser tornar-se grande, será esse o que vos sirva; e qualquer que entre vós quiser ser o primeiro, será vosso servo; assim como o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos.

Mateus 16; 19 Dar-te-ei as chaves do reino dos céus; o que ligares na terra terá sido ligado nos céus; e o que desligares na terra terá sido desligado nos céus.

Mateus 18; 18-20 Em verdade vos digo que tudo o que ligardes na terra terá sido ligado nos céus, e tudo o que desligardes na terra terá sido desligado nos céus. Em verdade também vos digo que, se dois dentre vós, sobre a terra, concordarem a respeito de qualquer coisa que, porventura, pedirem, ser-lhes-á concedida por meu Pai, que está nos céus. Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles.

Atos 16; 4 Ao passar pelas cidades, entregavam aos irmãos, para que as observassem, as decisões tomadas pelos apóstolos e presbíteros de Jerusalém.

As decisões eram tomadas por apóstolos e por anciãos ou presbíteros. Presbíteros agem localmente e apóstolos, por serem enviados, extra localmente.

1 Coríntios 12; 27 Ora, vós sois corpo de Cristo; e, individualmente, membros desse corpo.

Todos são irmãos servindo dentro do corpo, para edificação do corpo. Não existe, ou não deveria existir, um ministério fora do corpo.

Os anciãos e os diáconos servem na localidade, bem como, quase sempre, os pastores e mestres. Os evangelistas e os profetas servem, também, dentro das localidades, bem como os apóstolos, quando de passagem por elas, indo e avançando, enviados pelo Espírito Santo para outras localidades e ao longo do caminho.

A igreja é um veículo da graça de Deus, para conversão dos perdidos e, pelo envio dos apóstolos ou missionários, cumpre a grande comissão de ir e pregar o evangelho a toda criatura.

Mateus 28; 19-20 Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.

Unidade do Corpo de Cristo e reuniões centralizadas.

Para a expressão da unidade da igreja em cada localidade não bastam as reuniões regionais decentralizadas na cidade, sendo importantes e complementares as reuniões centralizadas periódicas ou semanais, desde que não perturbem ou ofereçam alternativas ao congregar regionalizado ou decentralizado nas casas.

Celebrações ou ajuntamentos periódicos conjuntos, regionais ou, quando possível e em ocasiões especiais, com todos os participantes das reuniões regionais e paroquiais da cidade, podem ser convocados, conforme disponibilidade de local que comporte grande número de irmãos, para adoração, partir do pão e testemunho corporativo de unidade na cidade, ou para o serviço de ministração da Palavra ou ensino por obreiros locais, ou extra locais, reconhecidos numa esfera mais ampla que o compartilhar nas casas.

As reuniões centralizadas, que incluam o partir do pão, contribuem para o discernimento do Corpo de Cristo na cidade, incluindo todos os irmãos que se reúnem nas diversas denominações e demais congregações na cidade, mesmo que não participem do congregar regional sem escolha de irmãos nas casas, junto com irmãos de outras congregações, que participem desse congregar conjunto e da visão ideal para a expressão da igreja e da unidade do Corpo de Cristo na cidade.

Unidade e governo local.

A unidade da igreja local em uma cidade não se baseia em locais de reunião, mas no reconhecimento prático da unidade do Corpo de Cristo e do governo local e plural da igreja, formado pelos anciãos ou presbíteros, na expressão da vida do Senhor, manifestadas pelo amor e pela comunhão entre os irmãos e pelo amor aos perdidos através da proclamação do Evangelho.

A unidade da igreja em uma localidade poderia, e deveria ser mantida, mesmo com muitos locais de reunião, todos debaixo de um mesmo governo, e um mesmo testemunho, reconhecido e aceito por todos os irmãos.

Qualquer grupo de irmãos, que, independentemente dos demais, tomar a iniciativa de estabelecer um governo congregacional sobre parte da igreja em uma localidade, onde existem muitos outros irmãos, cria uma situação em que, ou se gera mais divisão, ou se força todos os demais irmãos daquela localidade a se colocarem debaixo daquele governo, de forma a se manter o testemunho naquela localidade e não agir de forma independente.

Se vários grupos estabelecerem o governo, como geralmente ocorre nas denominações, volta-se à situação inicial da igreja dividida em denominações ou instituições, ainda que sem essas denominações, porém com resultado semelhante, principalmente quando esses governos estabelecidos sobre partes da igreja atuam isoladamente, sem uma visão e uma atuação que envolva todos os demais irmãos, mas apenas o testemunho levantado sobre aquele governo limitado.

Nessa situação, seja com denominações e instituições, seja com testemunhos verdadeiros da unidade, porém parciais e sem expressão e visão real e prática da unidade, resta, no meio das ruínas da igreja dividida, o caminho da comunhão e do serviço.

Sempre que a expressão local do governo da igreja não possa ser estabelecida e aceita por todos os irmãos que entendam e busquem a expressão da unidade, a obra do Senhor e a comunhão da igreja continuam, mesmo sem que se possa reconhecer este governo único.

A vida do Senhor ainda pode se expressar e o seu testemunho pode ser levantado, sem nenhuma ação independente aos diversos governos locais, uma vez que os mesmos exercem a sua atuação e estabelecem diretrizes em uma esfera limitada.

Não sendo possível estabelecer um governo único em uma localidade, ou não havendo um já estabelecido que exerça esse governo sobre toda a localidade, o serviço, a comunhão e a proclamação do evangelho, passam a estar sobre o governo direto do cabeça da igreja através de dois ou três irmãos. O Senhor distribui seus dons conforme lhe apraz, separando uns e outros para tanto, de forma que a obra da edificação continue e que nada falte entre os seus filhos.

Enquanto os governos estabelecidos não conseguem se unir ou atuar sobre toda a localidade, resta ainda caminhar para fora do arraial levando o opróbrio do Senhor, enquanto se aguarda que o governo direto do cabeça seja reconhecido e que todos os outros governos renunciem à posição de governo e assumam a posição de serviço, para que um novo governo possa ser estabelecido, ou que o testemunho seja levantado fora do arraial do sistema religioso.

BATISMO E CEIA

Batismo

O batismo em água representa um testemunho público do novo nascimento.

O batismo no Espírito Santo ocorre no momento do novo nascimento, após a salvação do espírito do homem, quando o Espírito Santo vem habitar no espírito regenerado, introduzindo e batizando ou imergindo o homem na vida de Deus e e no Corpo de Cristo, a igreja.

1 Coríntios 12; 13 Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e todos temos bebido de um Espírito.

O batismo no Espírito Santo precede, portanto, o batismo em água e não se confunde com o enchimento ou plenitude do Espírito Santo, que pode ocorrer, e até se renovar ou se repetir, em outros momentos, após o novo nascimento, embora, muitos utilizem a expressão batismo no Espírito Santo para se referir a esta segunda ou renovada experiência do enchimento do Espírito Santo, ainda que a bíblia não mencione o batismo no Espírito Santo nesse sentido.

Marcos 1; 8 Eu vos tenho batizado com água; Ele, porém, vos batizará com o Espírito Santo.

Jesus é quem nos batiza no Espírito Santo e, somente em seu próprio batismo, o batismo em água e o batismo no Espírito ocorreram ao mesmo tempo.

Mateus 3; 16-17 Batizado Jesus, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba, vindo sobre ele. E eis uma voz dos céus, que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo.

Alguns associam a menção ao novo nascimento, quando Jesus conversou com Nicodemos, como se referindo, também, ao batismo em água e no Espírito, mas o nascer de novo pela água não se refere a batismo em água, mas ao nascer por crer na palavra de Deus, muitas vezes também referida como água, que podemos também associar ao batismo em água, dede que entendamos, claramente, que não é o batismo em água que opera o novo nascimento.

João 3; 5 Respondeu Jesus (a Nicodemos): Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus.

Na pregação de Pedro no dia de Pentecostes, o batismo em água, também, foi associado com o recebimento do dom do Espírito Santo, indicando, que, logo após o arrependimento e a fé no Senhor Jesus Cristo, já se pode receber o Espírito Santo e ser batizado em água.

Atos 2; 38 Respondeu-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo.

Todos os que creem em Jesus Cristo e se fazem discípulos dEle devem logo ser batizados. Somente quem, conscientemente, creu em Jesus Cristo deve ser batizado e, por isso, não há, na bíblia, o registro de batismo de crianças, embora alguns segmentos da cristandade adotem essa prática, baseando-a na fé dos pais, ou como um rito de entrada na aliança, sem qualquer base ou evidência na bíblia que justifique tal prática.

At 22; 16 Agora por que te demoras? Levanta-te, batiza-te e lava os teus pecados, invocando o seu nome.

Atos 9; 18 E logo lhe caíram dos olhos como que umas escamas, e recuperou a vista; e, levantando-se, foi batizado.

Mateus 28; 19-20 Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.

Atos 2; 41 De sorte que foram batizados os que de bom grado receberam a sua palavra; e, naquele dia, agregaram-se quase três mil almas.

Atos 8; 12 Mas, como cressem em Filipe, que lhes pregava acerca do Reino de Deus e do nome de Jesus Cristo, se batizavam, tanto homens como mulheres.

Atos 8; 36-38 E indo eles caminhando, chegaram a um lugar onde havia água, e disse o eunuco: Eis aqui água; que impede que eu seja batizado? E disse Felipe: é lícito, se crês de todo o coração. E, respondendo ele, disse: Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus. Mandou parar o carro, e desceram ambos à água, tanto Filipe como o eunuco, e Filipe o batizou.

Atos 16; 15 Depois que foi batizada, ela (Lídia) e a sua casa, nos rogou, dizendo: Se haveis julgado que eu seja fiel ao Senhor, entrai em minha casa e ficai ali. E nos constrangeu a isso.

Atos 16; 33 E, tomando-os ele consigo naquela mesma hora da noite, lavou-lhes os vergões; e logo foi batizado, ele (o carcereiro em Filipos) e todos os seus.

Atos 18; 8 E Crispo, principal da sinagoga, creu no Senhor com toda a sua casa; também muitos dos coríntios, ouvindo-o, creram e foram batizados.

Mas o batismo tem outros significados, como:

  • Salvação ou emancipação do sistema do mundo, que não deve ser confundida com a salvação eterna ou do espírito, que não depende do batismo, mas do crer.

Marcos 16; 16 Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado.

  • Morte e ressurreição, que representa o significado mais profundo do batismo, como nossa inclusão na morte e ressurreição do Senhor Jesus Cristo.

Colossenses 2; 12 Sepultados com ele no batismo, nele também ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dos mortos.

Romanos 6; 3-4 Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte? 4De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte (igual ao que Colossenses falou); para que, como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida.

Outra questão é a forma de se batizar ou como batizar. A palavra batismo significa imersão, embora alguns segmentos da cristandade adotem a prática da aspersão.

A imersão é mais completa no significado de se ser sepultado com Cristo, mas se a aspersão do batismo for como as cataratas do Iguaçu, por exemplo, não faria tanta diferença entre a imersão e a aspersão, sendo o significado mais importante do que a forma.

Ceia

A própria vida da igreja implica em se ajuntar para se ter comunhão na palavra e vida do Senhor, participar da ceia, partir o pão, à sua mesa, e tomar do cálice, em sua memória, até que Ele volte. A mesa do Senhor deveria ser a expressão plena da vida compartilhada e da comunhão, num testemunho de amor, unidade de espírito e do corpo de Cristo, unidade de esperança, vocação e fé, sendo o próprio Deus, o Senhor e o Pai de todos, estando sobre todos, por todos e em todos os seus filhos, que recebem a graça, conforme a medida do dom de Cristo.

Atos dos Apóstolos 2; 42 e perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações.

A ceia, às vezes é chamada de partir do pão, eucaristia (no sentido de ação de graças por participar da comunhão) ou mesa do Senhor e representa a comunhão da vida de Cristo e a lembrança de sua morte e obra de redenção consumada por nós, até que Ele venha.

Mateus 26; 26-29 Enquanto comiam, Jesus tomou o pão e, abençoando-o, o partiu e o deu aos discípulos, dizendo: Tomai, comei; isto é o meu corpo. E tomando um cálice, rendeu graças e deu-lho, dizendo: Bebei dele todos; pois isto é o meu sangue, o sangue do pacto, o qual é derramado por muitos para remissão dos pecados. Mas digo-vos que desde agora não mais beberei deste fruto da videira até aquele dia em que convosco o beba novo, no reino de meu Pai.

1 Coríntios 11; 23-26 Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou pão; e, havendo dado graças, o partiu e disse: Isto é o meu corpo que é por vós; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o novo pacto no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim. Porque todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes do cálice estareis anunciando a morte do Senhor, até que ele venha.

A ceia foi instituída, como memorial, no dia da páscoa dos judeus, uma das três festas fixas do Senhor do primeiro mês do calendário de Israel, sendo pães asmos e feixes movidos as outras duas.

Êxodo 17; 17 Guardai, pois, a Festa dos Pães Asmos, porque, nesse mesmo dia, tirei vossas hostes da terra do Egito; portanto, guardareis este dia nas vossas gerações por estatuto perpétuo.

Êxodo 12; 21-28 Chamou, pois, Moisés todos os anciãos de Israel e lhes disse: Escolhei, e tomai cordeiros segundo as vossas famílias, e imolai a páscoa. Tomai um molho de hissopo, molhai-o no sangue que estiver na bacia e marcai a verga da porta e suas ombreiras com o sangue que estiver na bacia; nenhum de vós saia da porta da sua casa até pela manhã. Porque o Senhor passará para ferir os egípcios; quando vir, porém, o sangue na verga da porta e em ambas as ombreiras, passará o Senhor aquela porta e não permitirá ao Destruidor que entre em vossas casas, para vos ferir. Guardai, pois, isto por estatuto para vós outros e para vossos filhos, para sempre. E, uma vez dentro na terra que o Senhor vos dará, como tem dito, observai este rito. Quando vossos filhos vos perguntarem: Que rito é este? Respondereis: É o sacrifício da páscoa ao Senhor, que passou por cima das casas dos filhos de Israel no Egito, quando feriu os egípcios e livrou as nossas casas. Então, o povo se inclinou e adorou. E foram os filhos de Israel e fizeram isso; como o Senhor ordenara a Moisés e a Arão, assim fizeram.

1 Coríntios 5; 7-8 Lançai fora o velho fermento, para que sejais nova massa, assim como sois, sem fermento. Porque Cristo, nossa páscoa, já foi sacrificado. Pelo que celebremos a festa não com o fermento velho, nem com o fermento da malícia e da corrupção, mas com os ázimos da sinceridade e da verdade.

A prática de partir o pão em memória do Senhor era feita com regularidade, mas não há uma periodicidade especificada na bíblia, sendo, em geral feita no primeiro dia de cada semana, mas, algumas, vezes, em intervalos maiores ou em convocações para a expressão da unidade da igreja.

Atos 20; 7 No primeiro dia da semana, estando nós reunidos com o fim de partir o pão, Paulo, que devia seguir viagem no dia imediato, exortava-os e prolongou o discurso até à meia-noite.

A morte do Senhor é anunciada pelo vinho de um lado e o pão do outro.

Lucas 22; 19 E, tomando um pão, tendo dado graças, o partiu e lhes deu, dizendo: Isto é o meu corpo oferecido por vós; fazei isto em memória de mim.

1 Coríntios 11; 24 e, tendo dado graças, o partiu e disse: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim.

A ceia e a mesa do Senhor representam, além do memorial, a comunhão do corpo e do sangue do Senhor.

1 Coríntios 10; 16 Porventura, o cálice da bênção que abençoamos não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos não é a comunhão do corpo de Cristo?

Para participar da mesa do Senhor, temos que ser filhos de Deus nascidos de novo, discernir o Corpo de Cristo e a unidade da igreja ou de todos os filhos de Deus e não estarmos vivendo em pecado de forma deliberada e pública.

1 Coríntios 11; 27-31 De modo que qualquer que comer do pão, ou beber do cálice do Senhor indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma do pão e beba do cálice. Porque quem come e bebe, come e bebe para sua própria condenação, se não discernir o corpo do Senhor. Por causa disto há entre vós muitos fracos e enfermos, e muitos que dormem. Mas, se nós nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados;

Participar, sem discernir o Corpo de Cristo e a unidade da igreja, pode nos levar a participar de mesas que geram divisão ou que não reconheçam e expressem a unidade da igreja, o que o apóstolo Paulo associou com idolatria e com mesa de demônios.

1 Coríntios 10; 21 Não podeis beber o cálice do Senhor e o cálice dos demônios; não podeis ser participantes da mesa do Senhor e da mesa dos demônios.

A mesa do Senhor só deve ser posta, ou iniciada, sobre princípios que incluam todo o corpo de Cristo, proclamando a unidade de todos os cristãos. O pão não representa apenas quem está presente, mas deve reconhecer e incluir todos os filhos de Deus.

Até que Ele venha, anunciamos a sua morte e deve haver uma clara exposição e aceitação da unidade do corpo de Cristo, de que todos aqueles que creem no sacrifício de Jesus Cristo na cruz do Calvário, e que andam e vivem de acordo com essa fé, com uma conduta compatível com ela, são admitidos na comunhão.

Questões de práticas.

Inúmeras questões de discórdia e dúvidas relacionadas à prática dessa celebração memorial acompanham o povo de Deus:

• O pão e o vinho se tornam o corpo e o sangue de Jesus? São apenas símbolos?

• O pão pode ter fermento ou ser pão comum? Deve ser sem fermento?

• O vinho pode ter álcool? Tem que ser fermentado? Pode ser suco de uva?

• Todos devem beber num único cálice ou podem ser muitos pequenos cálices ou copinhos servidos a partir de um cálice único?

• Copos individuais implicam em individualismo e prejudicam o testemunho?

• É necessário alguém a presidir a mesa?

• Quem pode estabelecer e iniciar uma mesa ou a reunião de ceia do Senhor?

• Recebemos uma benção especial ou a própria vida do Senhor ao tomarmos o vinho e comermos o pão?

• Qual deve ser primeiro: o vinho ou o pão?

• Todos devem comer e beber ao mesmo tempo ou cada um pode comer e beber à medida que receber o pão e o vinho?

• Podemos participar se estivermos em pecado?

• Temos que participar sempre?

• A mesa do Senhor deve ser centralizada em cada localidade? É a mesa centralizada a condição para se estabelecer a unidade entre os filhos de Deus?

• Quais são os princípios corretos para se estabelecer a mesa do Senhor?

  • Devemos reconhecer e aceitar todas as mesas estabelecidas em cima dos mesmos princípios corretos? Elas devem se unir numa única mesa?

• Mais de uma mesa numa dada localidade implica em divisão e mau testemunho?

• Pode ser celebrada nas reuniões de casa em casa?

• A mesa nas denominações é a mesa do Senhor?

  • Mesas para as quais existam algum tipo de restrição à participação de filhos de Deus, com base em doutrinas ou qualquer outro ensinamento ou práticas especiais, são a mesa do Senhor?

• A ceia deve ser feita todo primeiro dia da semana? Tem que ser no primeiro dia?

• Pode ser feita em outro dia, ou em vários dias, ou todos os dias?

• Pode ser uma vez por mês ou uma vez por ano?

• Como devemos chamar esta reunião: Ceia do Senhor, mesa do Senhor, partir do pão, eucaristia, comunhão?

• Ela tem relação ou continuidade com a páscoa judaica?

• Tem relação com uma refeição ágape?

• Comemos juízo e condenação quando participamos de forma descuidada sem discernir o corpo de Cristo e podemos até mesmo adoecer e morrer por essa causa?

• Crianças podem participar?

• É necessário ser batizado para poder participar?

Estas não são todas as questões, mas podem dar uma ideia geral sobre a extensão das dificuldades e problemas ao longo de tantos séculos. Algumas dessas questões tem respostas claras na palavra de Deus, outras são esclarecidas por princípios espirituais que estejam claros ou como o Espírito de Deus conduziu a igreja, mas há algumas que o Senhor, em sua soberania, deixou em aberto. Muitas delas foram sendo acrescentadas por doutrinas e tradições de homens (Mc 7; 6-9), de forma que precisamos sempre nos voltar à palavra de Deus.

Geralmente, os elementos para a ceia, que não são, ou se tornam, o corpo do Senhor Jesus Cristo, são um único pão sem fermento, que é partido na presença de todos e suco de uva ou vinho derramado do único cálice, ou outro recipiente, em copinhos descartáveis individuais.

Por se tratar de questões de prática, não iremos responder a todas as questões, mas apresentar alguns pontos adicionais sobre a expressão da unidade do Corpo de Cristo e sobre a realidade espiritual da mesa do Senhor.

Recomenda-se priorizar reuniões regionais para partir o pão com irmãos que moram próximos, numa dada região das cidades, sempre que não for possível estabelecer uma clara unidade espiritual e de governo entre as diversas mesas do Senhor, onde o pão é partido nas cidades, de forma a possibilitar a comunhão entre todos os filhos de Deus, verdadeiramente nascidos de novo, independentemente de congregação ou confissão de fé.

Devemos ter cuidado para não estabelecer mais uma mesa, onde o pão seja partido numa esfera restrita, por irmãos que se relacionem e tenham comunhão entre si com base em qualquer outro princípio, ou circunstância, que não seja o reconhecimento e discernimento da unidade do Corpo de Cristo e de sua expressão local em qualquer região ou cidade.

O pão e o vinho nos falam de uma nova aliança e de uma melhor esperança sob um novo sacerdócio, sendo todos os participantes irmãos e filhos de Deus reunidos ao redor da sua mesa, em pleno descanso e confiança.

O pão sem fermento representada, tanto o corpo de Jesus, que foi crucificado na cruz, quanto o corpo de Cristo, que inclui todos os que nasceram de novo.

1 Coríntios 10; 17 Pois nós, embora muitos, somos um só pão, um só corpo; porque todos participamos de um mesmo pão.

1 Coríntios 11; 23-24 Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou pão; e, havendo dado graças, o partiu e disse: Isto é o meu corpo que é por vós; fazei isto em memória de mim.

João 6; 33 Porque o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo.

35 Declarou-lhes Jesus. Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim, de modo algum terá fome, e quem crê em mim jamais terá sede.

48 Eu sou o pão da vida.

50-51 Este é o pão que desce do céu, para que o que dele comer não morra. Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre; e o pão que eu darei pela vida do mundo é a minha carne.

53-57 Disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: Se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. Porque a minha carne verdadeiramente é comida, e o meu sangue verdadeiramente é bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. Assim como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo pelo Pai, assim, quem de mim se alimenta, também viverá por mim.

O vinho fermentado representa o sangue de Jesus.

1 Coríntios 11; 25 Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o novo pacto no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim.

Mateus 26.27-28 E tomando um cálice, rendeu graças e deu-lho, dizendo: Bebei dele todos; pois isto é o meu sangue, o sangue do pacto, o qual é derramado por muitos para remissão dos pecados.

O sangue nos lembra a realidade espiritual do altar, que percorre toda a revelação de Deus desde o jardim do Éden (Gn 3; 21), como na saída de Noé da arca, no monte Arará (Gn 9; 20) e logo na entrada da terra da promessa (Js 5; 10-12).

A mesa centralizada.

A primeira ordenação em relação ao altar era bastante simples e já trazia a ideia da recordação. O altar podia ser feito de forma simples, em qualquer lugar, desde que não houvesse nele o buril do homem (Êx 20; 22-26).

Mas, ao entrar na terra, a ordenação já foi completamente diferente (Dt 12; 1-13) e se estabeleceu um altar centralizado, num lugar escolhido por Deus.

Alguns, equivocadamente, aplicam uma mesa central literal, vinculada a um local ou a algum grupo de irmãos que se posicionem pela unidade, como expressão de unidade, ao invés de aceitarem a realidade espiritual maior da unidade, que pode ser expressada por mesas com princípios e visão da unidade do Corpo de Cristo, ainda que em distintos locais.

No caso do povo de Israel, houve até ameaça de guerra (Js 22; 26-34), quando as tribos que herdaram do outro lado do Jordão levantaram um outro altar de testemunho na fronteira, que nenhuma relação tinha com altares alternativos, divisivos ou idólatras, como o de Jeroboão em Betel (1 Rs 12; 27-33).

Por isso, devemos nos examinar diante do Senhor e considerar o que significa, verdadeiramente, discernir o Corpo do Senhor e qual o verdadeiro “lugar” escolhido por Deus, ao entrarmos na nossa terra prometida, que é Cristo, ou seja, se a mesa da qual participamos é, verdadeiramente, a mesa do Senhor e testemunha que somos do Senhor, somente a Ele adoramos e reconhecemos a todos que, também, são do Senhor como participantes do pão que é partido.

Que não venhamos a guerrear contra verdadeiros irmãos por causa do “altar do testemunho”, mesmo se escolherem o outro lado do Jordão. Muitas tribos, e não mais apenas duas e meia, como no caso do povo de Israel, tem se contentado com as terras de Gileade e de Jazer, por serem elas próprias para o gado e para as demais coisas e conveniências deste mundo (Nm 32; 1-23).

Talvez, agora, apenas duas tribos e meia estejam do lado do Jordão onde está o “lugar escolhido”, outras podem estar, até mesmo, na Babilônia do sistema religioso e outras, podem considerar que o local escolhido é mesmo um local ou uma base, que somente eles próprios conheçam como o lugar escolhido.

Quando o profeta Elias levantou o altar no monte Carmelo, aquele não era o local que Deus havia mostrado para Abraão (Gn 22; 2; 4) e, tempos depois, revelado a Davi como sendo o local escolhido (1 Cr 21; 28 – 22; 1), mas foram nele colocadas doze pedras conforme o número das tribos de Israel (1 Rs 18; 30-39), de forma que o altar estava na posição espiritual escolhida por Deus.

Quando o Senhor Jesus ofereceu a sua própria vida, a cruz, também, não estava naquele local escolhido, mas no monte Gólgota, fora das portas de Jerusalém.

O primeiro dia da semana

Foi num primeiro dia da semana que algumas mulheres que haviam acompanhado o Senhor, desde a Galileia até Jerusalém, por ocasião da sua crucificação, se dirigiram ao sepulcro, levando especiarias que tinham preparado e encontraram pedra revolvida e dois varões em vestes resplandecentes que lhes disseram:

Lucas 24; 5-6 e ficando elas atemorizadas e abaixando o rosto para o chão, eles lhes disseram: Por que buscais entre os mortos aquele que vive? Ele não está aqui, mas ressurgiu. Lembrai-vos de como vos falou, estando ainda na Galileia.

O primeiro dia da semana é o dia da ressurreição, o dia que o Senhor fez, o que se percebe comparando o texto abaixo de salmos com o de atos dos apóstolos.

Salmos 118; 22-24 A pedra que os edificadores rejeitaram, essa foi posta como pedra angular. Foi o Senhor que fez isto e é maravilhoso aos nossos olhos. Este é o dia que o Senhor fez; regozijemo-nos, e alegremo-nos nele.

Pedro, cheio do Espírito Santo, disse às autoridades e a todo o povo, quando inquirido sobre o benefício feito a um enfermo e do modo como foi curado:

Atos dos Apóstolos 4; 10-12 seja conhecido de vós todos, e de todo o povo de Israel, que em nome de Jesus Cristo, o nazareno, aquele a quem vós crucificastes e a quem Deus ressuscitou dentre os mortos, nesse nome está este aqui, são diante de vós. Ele é a pedra que foi rejeitada por vós, os edificadores, a qual foi posta como pedra angular. E em nenhum outro há salvação; porque debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, em que devamos ser salvos.

Após a ressurreição, o Senhor apareceu várias vezes aos seus discípulos, quase sempre no primeiro dia da semana. Assim, os discípulos, de forma espontânea e seguindo apenas a direção do Espírito Santo, passaram a se encontrar no primeiro dia da semana para considerarem a palavra do Senhor em comunhão e orações, quando também partiam o pão em memória do Senhor, anunciando a sua morte e aguardando a sua vinda, ou a sua volta.

Na velha criação, após a queda, e na antiga aliança os homens primeiro trabalhavam seis dias para descansar no sétimo. A ressurreição do Senhor inicia a nova criação e um novo dia, de forma que os filhos de Deus, reunidos em torno da mesa do Senhor, descansam na obra consumada na cruz do Calvário, partindo o pão e comungando a vida de Cristo para, em seguida, andarem seis dias sem fermento nas obras que o Senhor mesmo preparou para que andássemos nelas. (Ef 2; 10)

A reunião dos filhos de Deus no primeiro dia da semana ou em qualquer outro dia não vem de ordenanças ou preceitos da lei, mas de uma expressão de vida e de alegria pela presença do Senhor e sua iminente aparição e pela glória e grande poder manifestados na ressurreição, abrindo-nos o caminho para a nova criação e nos libertando de tudo que vem da velha criação, incluindo as sutilezas de uma religiosidade que, mesmo tendo alguma aparência de piedade, nega completamente a realidade espiritual e o vivo poder de um Senhor ressuscitado, que se faz presente no meio dos seus. (2 Tm 3; 5, Cl 2; 16-23)

BÍBLIA E ORAÇÃO.

Bíblia.

Definição.

Bíblia significa livros, um conjunto de sessenta e seis livros, divididos em dois grandes conjuntos, chamados de antigo testamento e novo testamento.

O antigo testamento é constituído por trinta e nove livros:

  • Cinco livros da lei, que forma o Pentateuco ou a Torá: Gênesis, Êxodo, Levítico, Número e Deuteronômio.
  • Doze livros históricos: Josué, Juízes, Rute, 1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis, 1 e 2 Crônicas, Esdras, Neemias e Ester.
  • Cinco livros poéticos ou de sabedoria: Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes e Cantares ou Cântico dos Cânticos.
  • Dezessete livros proféticos, quatro profetas maiores (Isaías, Jeremias, incluindo Lamentações, Ezequiel e Daniel) e doze profetas menores (Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias).

O novo testamento é constituído por vinte e sete livros:

  • Cinco livros históricos, que são os quatro evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João) e o livro de Atos.
  • Vinte e uma cartas: Romanos, 1 e 2 Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses 1 e 2 Tessalonicenses, 1 e 2 Timóteo, Tito, Filemon, Hebreus, Tiago, 1 e 2 Pedro, 1, 2 e 3 João e Judas.
  • O livro do Apocalipse.

Composição.

Estes livros foram incluídos na bíblia por fazerem parte do cânon ou conjunto de livros reconhecidos como inspirados. Eles foram compostos por quarenta autores, durante um período de tempo da ordem de mil e quinhentos anos, desde a época de Moisés ao final do primeiro século.

O conjunto do antigo testamento, é o cânon judaico, que pode ter sido compilado por Esdras.

Na época de Jesus, esse conjunto de livros era chamado de a lei, os profetas e os salmos.

O conjunto do novo testamento são os escritos dos apóstolos do primeiro século, que se consolidou pelo terceiro ou quarto século, após a geração apostólica, depois de transições e questionamentos, decorrentes de muitos livros apócrifos com doutrinas estranhas e heréticas, que começaram a circular, embora já existissem versões preliminares do Cânon, mesmo antes do seu fechamento.

O antigo testamento foi escrito em hebraico e partes em aramaico, língua falada na Babilônia, como partes do livro do profeta Daniel e do livro de Esdras.

O novo testamento foi escrito no grego mais popular, chamado grego “koinê”.

Versículos e capítulos foram acrescentados, posteriormente, para facilidade de referência. No antigo testamento, os massoretas já haviam introduzido alguma referência deste tipo, desde o século IX, e, no novo testamento, isso foi no século 16, na época da reforma.

Originais e traduções.

Não existem escritos originais, porque, naquela época, se escrevia em materiais perecíveis e eram feitas cópias. Existem muitos manuscritos antigos e um extenso trabalho para se chegar aos textos de nossas traduções.

As versões e traduções recomendadas são as baseadas no texto massorético do velho testamento e no texto recebido do novo testamento, com milhares de manuscritos e evidências, como as traduções da Sociedade Bíblica Trinitariana, edição revista e corrigida fiel ou outras edições mais recentes das versões revistas e corrigidas antigas de outras editoras bíblicas, em detrimento das versões e traduções modernas, ou contemporâneas, baseadas, principalmente, em apenas dois manuscritos antigos do novo testamento, descobertos no século 19, e com inúmeras e sérias alterações dos textos utilizados ao longo de toda a história da igreja.

Os livros apócrifos e deuterocanônicos.

Embora tais livros não façam parte do cânon da bíblia, amplamente reconhecido, faz-se necessário apresentar algumas considerações sobre os mesmos, em função de recorrentes perguntas sobre a diferença entre bíblias, em especial os livros incluídos em bíblias de edição católica. A palavra apócrifo significa oculto, enquanto a palavra deuterocanônico significa segundo cânon. Os apócrifos foram escritos no período entre o velho e novo testamento.

Os rabinos de Israel nunca os incluíram na bíblia hebraica, por terem sido escritos em grego. A igreja cristã primitiva debateu o status dos apócrifos, mas nunca houve consenso para sua introdução no cânon da bíblia. O novo testamento faz referência ao velho testamento centenas de vezes, mas nunca se refere aos livros apócrifos.

Apesar de terem sido, anteriormente, aceitos por muitos católicos, a igreja romana somente os adicionou, oficialmente, à bíblia, no concílio de Trento, ocorrido de 1545 a 1563, primariamente, como reação à reforma protestante, e para justificar algumas práticas condenadas na bíblia, como oração pelos mortos, petições a santos no céu, adoração a anjos, doações de caridade pelos pecados.

Os livros apócrifos contêm muitos erros, tais como ensino para mentir, justificação por obras, trato cruel a escravos e ódio a samaritanos, idolatria, superstição e histórias fictícias, além das contradições com a bíblia e devem ser vistos como documentos religiosos históricos, falhos e destituídos da autoridade e inspiração da palavra de Deus.

Os livros deuterocanônicos, apócrifos aceitos como segundo cânon, por católicos, são: adições em Daniel (salmo de Azarias, cântico dos três jovens, história de Susana, Bel e o dragão), adições em Ester, Baruque, Eclesiástico, Judite, 1 e 2 Macabeus, Tobias e Sabedoria.

A septuaginta (tradução da bíblia hebraica para o grego koiné, entre o século 3 a.C. e o século 1 a.C., em Alexandria) continha 14 apócrifos. A bíblia de Lutero e a versão King James, de 1611, os mantiveram, como um apêndice, entre o antigo e o novo testamento, em suas edições iniciais: 1 Esdras (3 Esdras, na Vulgata, que é a tradução da bíblia para o latim, entre fins do século 4, início do século 5, por Jerônimo), 2 Esdras (4 Esdras, na Vulgata), Tobias, Judite, Adições a Ester (Ester 10;4-16;24 na Vulgata), Sabedoria, Eclesiástico, Baruque e a Epístola de Jeremias (Baruque 6, na Vulgata), Cântico dos três filhos (Daniel 3; 24–90, na Vulgata), História de Susana (Daniel 13, na Vulgata), o ídolo Bel e o dragão (Daniel 14, na Vulgata), oração de Manassés (no final de 2 Crônicas, na Vulgata), 1 e 2 Macabeus.

Alguns outros apócrifos são reconhecidos como canônicos pela igreja ortodoxa (1 Esdras, 3 e 4 Macabeus, Salmo 151, oração de Manassés, salmos de Salomão e Odes) ou pela igreja síria (salmo 151, 152-155), de forma que a bíblia ortodoxa contém 78 livros, sendo 51 no antigo testamento.

Existem muitos outros livros apócrifos, de todo tipo, incluindo a época do novo testamento, com grande influência de heresias diversas e do gnosticismo (pensamento filosófico-religioso sincrético que tentou se imiscuir nas doutrinas cristãs, nos primeiros séculos da igreja).

Tema central.

O tema central da bíblia é Jesus Cristo, Filho de Deus e a redenção pelo sangue do Filho de Deus que se fez carne.

A bíblia revela verdades que o homem jamais poderia descobrir por si mesmo. Qualquer alternativa ou abordagem humana, intelectual ou filosófica, poderia chegar apenas a supor a existência de Deus (Romanos 1; 20), mas não poderia revelar o caráter de Deus, como um Ser pessoal de amor ou a origem, responsabilidades e destino final do homem.

A bíblia é a autoridade final em termos de assuntos que se referem a Deus. Ela é a palavra de Deus revelada, que sempre permanece, apesar de todos os ataques que tem sofrido ao longo dos séculos, como os ataques da filosofia materialista, negando a espiritualidade, negando um sentido maior no universo, ataques da teoria da evolução, negando a criação de Deus e ataques mais recentes dos teólogos modernistas, negando a verdade e a inspiração da bíblia.

A negação é, muitas vezes, sutil, como quando se diz que a bíblia “contém” a palavra de Deus ao invés de “ser” a Palavra de Deus.

2 Pedro 1; 21 porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana; entretanto, homens santos falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo.

2 Timóteo 4; 16-17 Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra.

Isaías 40; 8 seca-se a erva, e cai a sua flor, mas a palavra de nosso Deus permanece eternamente.

Mateus 5; 18 Porque em verdade vos digo: até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais passará da Lei, até que tudo se cumpra.

Mateus 24; 35 Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão.

Oração individual e devocional.

Oração demanda resposta.

Oração é para ser ouvida por Deus e respondida. A oração requer uma resposta, mas existem algumas condições, que podem impedir o sucesso na obtenção de resposta às orações, como desobediência e pecados não tratados ou confessados, incredulidade, ou pedir mal, segundo os próprios desejos e concupiscência.

Muitas vezes, a oração demanda não somente a fé, mas também a perseverança.

A bíblia menciona algumas causas de fracasso na oração, como desobediência, pecado não confessado, indiferença, incredulidade, autoindulgência.

Deuteronômio 1; 45 Tornastes-vos, pois, e chorastes perante o Senhor, porém o Senhor não vos ouviu, não inclinou os ouvidos a vós outros.

1 Samuel 28; 6 Consultou Saul ao Senhor, porém o Senhor não lhe respondeu, nem por sonhos, nem por Urim, nem por profetas.

Salmo 66; 18 Se eu no coração contemplara a vaidade, o Senhor não me teria ouvido.

Isaias 59; 2 Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça.

Miquéias 3; 4 Então, chamarão ao Senhor, mas não os ouvirá; antes, esconderá deles a sua face, naquele tempo, visto que eles fizeram mal nas suas obras.

Isaías 1; 15 Pelo que, quando estendeis as mãos, escondo de vós os olhos; sim, quando multiplicais as vossas orações, não as ouço, porque as vossas mãos estão cheias de sangue.

Provérbio 1; 28 Então, me invocarão, mas eu não responderei; procurar-me-ão, porém não me hão de achar.

Provérbio 21; 13 O que tapa o ouvido ao clamor do pobre também clamará e não será ouvido.

Provérbio 28; 9 O que desvia os ouvidos de ouvir a lei, até a sua oração será abominável.

Tiago 1; 6-7 Peça-a, porém, com fé, em nada duvidando; pois o que duvida é semelhante à onda do mar, impelida e agitada pelo vento. Não suponha esse homem que alcançará do Senhor alguma coisa.

Tiago 4; 3 pedis e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres.

Como orar.

A oração deve ser direta ao Pai e sem intermediários; devem ser breves e objetivas, com encargo e sempre no espírito.

Através da oração, falamos com Deus, em agradecimento, adoração e buscando direções ou apresentando nossas petições.

Mas a oração é um mistério, por um lado, muito simples, por outro, muito profunda. Pelo lado simples, é uma verdade muito básica da vida cristã, igual ao nosso respirar ou pedir ao Pai, como uma criança pede um pão. Pelo lado profundo, ela libera o agir de Deus, o que é algo surpreendente, quando pedimos segundo a vontade de Deus e não segundo a nossa própria vontade.

Desde Enos, o terceiro depois de Adão, quando se começou a invocar o nome do Senhor, até a volta do Senhor, a oração se faz presente em toda a bíblia. A oração deve ser um hábito de vida, mais natural, ao invés de forçado.

Gênesis 4; 26 A Sete nasceu-lhe também um filho, ao qual pôs o nome de Enos; daí se começou a invocar o nome do Senhor.

Apocalipse 8; 3 Veio outro anjo e ficou de pé junto ao altar, com um incensário de ouro, e foi-lhe dado muito incenso para oferecê-lo com as orações de todos os santos sobre o altar de ouro que se acha diante do trono.

1 João 5; 14 E esta é a confiança que temos para com ele: que, se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve.

Deus nos revela sua vontade pelo Espírito Santo, nós oramos a Deus para que essa vontade se cumpra, Deus nos ouve e executa a sua vontade. Oração, neste sentido mais profundo, é a união do nosso pensamento, da nossa vontade, do nosso livre arbítrio com a vontade de Deus. Por isso, é um mistério.

Oração não deveria ser simplesmente, como muitas vezes é entendida, a mera expressão da nossa vontade diante de Deus.

A oração deve ser dirigida a Deus. Existem menções específicas a orações ao Pai e ao Filho, embora não existam referências bíblicas de orações dirigidas, diretamente, à pessoa do Espírito Santo.

Devemos orar no Espírito Santo, ao Pai, em nome do Filho, sempre dirigindo a oração, diretamente, a Deus e nunca a intermediários de espécie alguma.

Salmo 65; 2 Ó Tu que escutas a oração.

Jeremias 33; 3 Invoca-Me, e te responderei; anunciar-te-ei coisas grandes e ocultas, que não sabes.

A oração é um trabalho sério a ser feito sob vigilância e encargo espiritual, até que esse encargo e todos os aspectos a ele relacionados sejam desincumbidos.

Gálatas 4; 19 meus filhos, por quem, de novo, sofro as dores de parto, até ser Cristo formado em vós.

Mateus 26; 44 Deixando-os novamente, foi orar pela terceira vez, repetindo as mesmas palavras.

2 Coríntios 12; 8 Por causa disto, três vezes pedi ao Senhor que o afastasse de mim.

Efésios 6; 18 com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito e para isto vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos.

A oração deve ser no Espírito, que nos ajuda nesse trabalho de oração.

Romanos 8; 26-27 Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis. E aquele que sonda os corações sabe qual é a mente do Espírito, porque segundo a vontade de Deus é que ele intercede pelos santos.

1 Coríntios 14; 15 Que farei, pois? Orarei com o espírito, mas também orarei com a mente; cantarei com o espírito, mas também cantarei com a mente.

Jesus nos ensinou, no Pai Nosso, um modelo de oração, que inclui três encargos de Deus, três pedidos e três louvores.

Existem tipos diversos de oração que podem não estar diretamente relacionados a pedir.

  • Oração de louvor e adoração.
  • Oração de ação de graça ao Senhor.
  • Oração de confissão e arrependimento, como o Salmo 51.
  • Oração de consagração a Deus.
  • Oração buscando a Deus por orientação e direção.
  • Oração de intercessão a favor de alguém.
  • Oração de meditação da palavra, buscando entendimento na leitura da bíblia.

Filipenses 4; 6 Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças.

Aspectos práticos.

Tempo e local específicos e separados para a oração não são, estritamente, necessários, mas podem ser de ajuda para a disciplina e criação de hábito para a prática de oração, adoração, meditação na palavra e para se cultivar um relacionamento pessoal com Deus, desde o início de nossa vida cristã, sendo o período inicial da manhã, até mesmo antes do nascer do sol, o período ideal.

Gênesis 24; 63 Saíra Isaque ao campo à tarde, para meditar; e levantando os olhos, viu, e eis que vinham camelos.

Salmos 119; 147-148 Antecipo-me à alva da manhã e clamo; aguardo com esperança as tuas palavras. Os meus olhos se antecipam às vigílias da noite, para que eu medite na tua palavra.

O local pode ser qualquer um, mas é recomendável que seja um local separado, e adequado para se colocar diante de Deus em oração.

Mateus 6; 6 Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.

A leitura devocional da bíblia, buscando ouvir a Deus, no início de cada dia, recebendo sua palavra como alimento, é diferente da leitura sistemática da bíblia, como estudo, e para conhecer suas doutrinas e ensinamentos gerais.

Quando oramos sozinhos não devemos orar tão pouco, nem tão longamente no começo, para que não desanimemos. Um período de tempo, entre dez minutos a trinta minutos, pode ser razoável para se iniciar o hábito e a prática de oração.

Salmo 5; 3 De manhã, SENHOR, ouves a minha voz; de manhã te apresento a minha oração e fico esperando.

Salmo 119; 147 Antecipo-me ao alvorecer do dia e clamo; na tua palavra, espero confiante.

Marcos 1; 35 Tendo-se levantado alta madrugada, saiu, foi para um lugar deserto e ali orava.

Salmo 88; 1 Ó SENHOR, Deus da minha salvação, dia e noite clamo diante de ti.

Podemos separar um momento pela manhã, outro à noite, ou, até mesmo, orar ao longo do dia e sem cessar.

1 Tessalonicenses 5; 17 Orai sem cessar.

Pela manhã, podemos orar em consagração, louvor, adoração e meditar na palavra.

À noite, podemos ler alguns versos da palavra de Deus, agradecer e fazer uma revisão do dia, diante de Deus, incluindo o arrependimento e a confissão. Podemos, também, interceder pelas pessoas com as quais nos encontramos durante o dia.

Algumas orações podem ser telegráficas e emergenciais.

Neemias 2; 4 Disse-me o rei: Que me pedes agora? Então, orei ao Deus dos céus.

Em princípio, orações devem ser breves e objetivas. Deus não precisa de relatórios.

Eclesiastes 5; 2 Não te precipites com a tua boca, nem o teu coração se apresse a pronunciar palavra alguma diante de Deus; porque Deus está nos céus, e tu, na terra; portanto, sejam poucas as tuas palavras.

Existem orações longas na bíblia, mas são raras e em ocasiões especiais.

Mateus 6; 7 E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios; porque presumem que pelo seu muito falar serão ouvidos.

Oração corporativa

Na oração corporativa, é fundamental a presença e concordância de dois ou três reunidos para orar juntos em nome do Senhor Jesus Cristo. Trata-se se uma ação na terra, como ligar ou desligar, que será confirmada no céu e que apresenta um aspecto importante de autoridade espiritual, sob a vontade de Deus.

Mateus 18; 18-20 Em verdade vos digo: Tudo quanto ligardes na terra será ligado no céu; e tudo quanto desligardes na terra será desligado no céu. Ainda vos digo mais: Se dois de vós na terra concordarem acerca de qualquer coisa que pedirem, isso lhes será feito por meu Pai, que está nos céus. Pois onde se acham dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.

A oração corporativa deve priorizar os interesses do próprio Senhor e do seu reino e obra, para o que se torna fundamental buscar a presença e os pensamentos de Deus.

A oração corporativa não deve substituir a oração individual e a oração individual não deve sobrecarregar a oração corporativa com temas que podem ser tratados individual e diretamente com o Senhor, sem necessidade de abordagem corporativa, não fazendo sentido a ideia de que a oração corporativa, por ser autoritativa, deve prevalecer sobre oração individual.

É claro que existem temas individuais que podem demandar ação corporativa, o que exige discernimento e que pode ser tratado previamente com irmãos responsáveis e mais experientes, no caso de haver dúvida sobre a pertinência de se introduzir necessidades individuais na oração corporativa.

Existem hábitos de muitos anos referentes a oração que precisam ser revistos e analisados à luz da palavra de Deus e na comunhão entre os santos, como orar pela salvação de parentes e outras pessoas, orar pelos doentes, considerar a oração de algum servo de Deus mais eficaz que nossa própria oração, com base na eficácia da súplica do justo, orar com um irmão em particular, e muitos outros.

Para muitos desses hábitos comuns de oração não há qualquer base bíblica clara, e alguns deles são até mesmo errados e contrários às orientações da palavra de Deus, tais como:

• Apresentação de relatórios e detalhes para fundamentar a oração.

• Oração discursiva e com excesso de palavras.

• Ficar pedindo para outros irmãos orarem por problemas particulares.

• Orar com alguém em particular.

• Introdução na oração corporativa de assuntos particulares, que podem ser tratados apenas na oração individual.

• Oração por assuntos ou interesses particulares, não claramente de acordo com a vontade expressa ou revelada de Deus, e que podem prejudicar interesses de terceiros, como obtenção de vantagens de qualquer tipo, como vitória em concorrências e similares.

• Oração com ênfase ou como meio de consolo e empatia em detrimento de real relacionamento e comunicação com o Senhor.

Este fato nos mostra a clara necessidade de se voltar aos princípios e fundamentos da palavra revelada de Deus, que nunca muda, para não criarmos ou nos acostumarmos com bezerros de ouro e vacas sagradas, que os que nos antecederam possam ter criado.

ADORAÇÃO E LOUVOR.

Sacerdócio.

A função de um sacerdote é, por um lado, estar em comunhão na presença de Deus e, por outro, ministrar diante do povo e levar a presença de Deus ao povo.

Neste aspecto de ministrar ao povo, temos os cinco ministérios mencionados no novo testamento. Na função de ministrar ao Senhor, o novo testamento inclui a todos, como, também, era o propósito inicial de Deus para a nação de Israel.

Êxodo 19; 5-6 Agora, pois, se atentamente ouvirdes a minha voz e guardardes o meu pacto, então sereis a minha possessão peculiar dentre todos os povos, porque minha é toda a terra; e vós sereis para mim reino sacerdotal e nação santa. São estas as palavras que falarás aos filhos de Israel.

1 Pedro 2; 9 Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as grandezas daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz;

A função de ministrar ao Senhor inclui a oração e a intercessão, mas também a adoração, o louvor e as ações de graças.

Geralmente, os servos de Deus dedicam muito tempo ministrando às pessoas e pouco para estarem na presença do Senhor, ministrando somente a Ele.

1 Crônicas 23; 13 Os filhos de Anrão: Arão e Moisés. Arão foi separado para consagrar as coisas santíssimas, ele e seus filhos, eternamente para queimarem incenso diante do Senhor, e o servirem, e pronunciarem bênçãos em nome de Deus para sempre.

No novo testamento, não há separação entre levitas e sacerdotes, ou mesmo entre sacerdote e rei, pois todos são chamados para ministrar ao Senhor, servir e reinar em vida.

Romanos 12; 1 Rogo-vos pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.

Romanos 5; 17 Porque, se pela ofensa de um só, a morte veio a reinar por esse, muito mais os que recebem a abundância da graça, e do dom da justiça, reinarão em vida por um só, Jesus Cristo.

Hebreus 10; 19-25 Tendo pois, irmãos, ousadia para entrarmos no santíssimo lugar, pelo sangue de Jesus, pelo caminho que ele nos inaugurou, caminho novo e vivo, através do véu, isto é, da sua carne, e tendo um grande sacerdote sobre a casa de Deus, cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé; tendo o coração purificado da má consciência, e o corpo lavado com água limpa, retenhamos inabalável a confissão da nossa esperança, porque fiel é aquele que fez a promessa; e consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras, não abandonando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia.

Um sacerdote é alguém que tem intimidade com Deus e desempenha uma função em sua presença. Ele se torna sacerdote por consagração e unção e, ao se tornar sacerdote, nunca mais deveria deixar de ser sacerdote (Hb 9; 6-12, 10; 19-23).

Muitos querem ocupar as primeiras posições de serviço na igreja e serem apóstolos ou profetas, mas o Senhor busca adoradores, sacerdotes e reis. Para nos tornarmos reis precisamos,antes, nos tornar sacerdotes. Muitos ainda não reinam, porque não ministram ou vivem como sacerdotes.

1Pe 2; 5 5 vós também, quais pedras vivas, sois edificados como casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais, aceitáveis a Deus por Jesus Cristo.

O que são sacrifícios espirituais? Adoração, louvor e oração (ações de graças, petição, súplica, intercessão) e ordenação (batalha espiritual e domínio sobre as trevas). Adoração, louvor e ordenação, como reis sacerdotes, e oração, como sacerdotes reis.

Adoração.

A palavra adoração é definida, no dicionário, como ato de adorar ou render culto e amor profundo a Deus, prostrando-se (literalmente, adorar significa se prostrar) diante Dele em sinal de reconhecimento; é uma interação vertical, num ato de um homem redimido ao seu Criador, através do qual sua vontade, intelecto e emoções respondem em reverência, honra e devoção à revelação da pessoa de Deus.

Além do embasamento na verdade da Palavra de Deus, a adoração deve ser no espírito e deve ter uma realidade espiritual advinda da comunhão e contemplação do Ser de Deus.

Em relação à verdade, precisamos conhecer a Deus e à sua Palavra, para que nossas experiências, gostos, devaneios ou sonhos não nos levem para longe dos limites da palavra de Deus. Somente a unção e o enchimento do Espírito Santo podem nos levar à plena realidade da adoração em espírito.

1 João 2; 27 E quanto a vós, a unção que dele recebestes fica em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a sua unção vos ensina a respeito de todas as coisas, e é verdadeira, e não é mentira, como vos ensinou ela, assim nele permanecei.

1 Coríntios 14; 14-16 Porque se eu orar em língua, o meu espírito ora, sim, mas o meu entendimento fica infrutífero. Que fazer, pois? Orarei com o espírito, mas também orarei com o entendimento; cantarei com o espírito, mas também cantarei com o entendimento. De outra maneira, se tu bendisseres com o espírito, como dirá o amém sobre a tua ação de graças aquele que ocupa o lugar de indouto, visto que não sabe o que dizes?

Todas as ideias carnais ou naturais de adoração devem ser revistas. Em vez de nossas próprias ideias e produções, devemos buscar a clara direção da palavra de Deus.

Efésios 5; 17-20 Por isso, não sejais insensatos, mas entendei qual seja a vontade do Senhor. E não vos embriagueis com vinho, no qual há devassidão, mas enchei-vos do Espírito, falando entre vós em salmos, hinos, e cânticos espirituais, cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração, sempre dando graças por tudo a Deus, o Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo,

Adoração em espírito deve incluir uma nova realidade ou, até mesmo, uma nova linguagem e expressão espiritual. Deus é espírito, nosso Salvador intercede a nosso favor, e o Espírito Santo habita dentro de nós para gerar essa adoração em e através de nós, o que não deveria ser tão raro, como parece ser, hoje, em meio à cristandade. Deus ainda procura adoradores.

Filipenses 3; 3 nós que somos a circuncisão, que adoramos no espírito a Deus, nos gloriamos em Cristo Jesus e não temos nenhuma confiança na carne é.

Atos dos Apóstolos 2; 11b … ouvimo-los falar das grandezas de Deus?

De que outra forma podemos realmente celebrar, proclamar ou falar das grandezas de Deus? Precisamos da unção do Espírito Santo. Só Ele sabe e nos ajuda a falar, até mesmo em outras línguas, palavras sobrenaturais que vão diretamente para Deus em seu trono. Não temos suficiente linguagem própria para proclamar suas maravilhosas obras e o seu Ser.

Cada cristão deve ser como o tubo de um instrumento musical, Mas muitos só se expressam pelo cantar na alma e no espírito estão entupidos, “enferrujados”, pela falta de uso, contaminados ou limitados pela interface de música com o mundo e precisamos deixar que o Espírito Santo sopre em nós, para que possamos profetizar, entoar salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando e salmodiando ao Senhor no coração, conforme a instrução apostólica da Palavra, sempre por tudo dando graças a Deus.

Se cada instrumento espiritual individual não se preparar e não se deixar tocar e afinar, os próprios instrumentos musicais ou a alma ainda acabam prevalecendo e nenhuma sinfonia celestial se forma. A adoração deve nos levar para o trono de Deus, além do véu, para a presença do Deus majestoso, que habita na luz, e que nenhum homem jamais viu, mas que habita em nós, no interior do nosso espírito.

Nossa compreensão sobre a adoração tem de se estender além de eventos dominicais com um tempo dedicado a “Louvor e adoração”, como acontece em meio a grande parte da cristandade. Adoração envolve muito mais do que isso. Jesus afirmou que a adoração a Deus deve ser em “espírito e em verdade”(Jo 4; 24).

A adoração se concentra no esplendor, na glória e na majestade do Ser de Deus, que criou os céus e a terra e a Quem devemos exaltar na sua santidade, mas pode envolver aspectos do louvor, como os atos poderosos de Deus, especialmente a salvação e redenção, sua misericórdia, graça e amor imutáveis; seus atos de livramento em nossa vida, tais como de inimigos ou enfermidades; e seu cuidado providente para conosco, dia após dia, tanto no aspecto material, quanto no espiritual.

Louvor.

O louvor, geralmente, está associado a uma ação de Deus e com a ideia de agradecimento, elogio, valorização, glorificação, exaltação pelos feitos de Deus em nossa vida ou na dos outros. (Sl 145; 4, 147; 12-13, Is 25; 1, Lc 19; 37).

Louvamos a Deus por suas obras, bênçãos, curas, livramentos, perdão, graça, amor, misericórdia, cuidado e, principalmente, pela salvação em Cristo.

Louvamos a Deus porque Ele é digno e merecedor (Sl 96; 4-6, Ap 4; 11), porque somos ordenados a fazê-lo (Sl 148; 1), porque Deus habita no meio dos louvores (Sl 22; 3), porque há poder no louvor (Sl 149; 6), porque é bom louvar a Deus (Sl 92; 1; Sl 135; 3) e porque fomos criados para isso (Is 43; 21, Ef. 1; 6, Ap 5; 8-11).

Os cânticos podem ser congregacionais, com todos cantando um mesmo cântico ao mesmo tempo ou individuais, quando apenas uma pessoa canta e os demais louvam e adoram a Deus silenciosamente.

Deve haver liberdade para que o Espírito Santo leve a congregação a cantar um cântico novo ao Senhor, em espírito e em verdade.

Salmo 98; 1 Cantai ao Senhor um cântico novo porque Ele tem feito maravilhas, a

sua destra e o seu braço santo lhe alcançaram a vitória.

Muitas congregações utilizam instrumentos e a música no louvor. O novo testamento nada menciona sobre a utilização de instrumentos musicais na adoração e louvor congregacional e eles não eram utilizados no início da igreja. A utilização dos instrumentos pode ser permitida, dentro da liberdade estabelecida no novo testamento, mas, não necessariamente, recomendada. As cenas da antiga aliança, com a introdução do louvor e dos instrumentos musicais no templo, não servem de fundamento para a igreja e são sombras e tipos da adoração em espírito.

No caso de opção pelo uso de instrumentos, recomenda-se evitar:

  • A centralidade ou dependência dos instrumentos musicais na adoração;
  • O uso e exposição ostensivos e excessivos dos instrumentos ou instrumentistas à frente da congregação;
  • A condução e predominância de sons dos instrumentos ou das vozes em microfones e amplificadores sobre a congregação, por meio em volume acima do canto congregacional;
  • Sons repetitivos em prolongados períodos de tempo, que excitem as emoções, em detrimento da adoração espiritual;
  • Predominância de deleite da alma sobre o espírito e a sutil interface como de música e canto, no campo da arte musical.

Há vários tipos de instrumentos de cordas, de percussão ou de sopro. Para tocá-los, no serviço de adoração e louvor ao Senhor, é necessário:

  • Ter conhecimento dos instrumentos e de música, como acordes, harmonia, melodia e como tocar com a técnica adequada;
  • Aprender a tocar no espírito e a ministrar a Deus com os instrumentos;
  • Investir tempo para tocar diante do Senhor.
  • Ter o coração tratado por Deus e pela obra da cruz, restringindo todo desejo de se projetar, chamar atenção, ou “dar um show”.

Algumas diferenças entre louvor e adoração.

LOUVOR ADORAÇÃO
Maior envolvimento da alma e emoções Em espírito e em verdade
Pode ser congregacional ou corporativo É, essencialmente, individual
Brota das emoções e gratidão Brota da devoção e contemplação
Pelos feitos de Deus Pelo que Deus é
Pelos presentes ou dádivas de Deus Pela presença de Deus
É uma expressão da vida É um estilo de vida
É circunstancial É incondicional
Reconhecimento e exaltação a Deus Consagração de vida e submissão a Deus
Pode ser distante Só ocorre na presença de Deus
Pode ser mais exuberante, cheio de energia, movimentado, barulhento, com mais palavras Tende a ser mais sóbrio, com menos movimentos, menos palavras
Mais compatível com o uso de instrumentos e música. Mais compatível com cânticos espirituais ou silêncio
Declaração e expressão verbal e física Atitude de se prostrar e contemplar

 

MORDOMIA.

O tema de como lidar com dinheiro, tempo e o corpo pode ser incluído num tema mais amplo da mordomia, que envolve todos os aspectos da nossa vida nesse mundo, sobre os quais haveremos de prestar contas a Deus, como a administração dos recursos que Ele nos confiou, o exercício dos dons, o nosso caminhar após a salvação, a utilização do tempo, do nosso corpo, as oportunidades que tivemos e todas as demais coisas.

A palavra mordomia advém da expressão em latim: “Major Domus”. Major = Principal e Domus = casa. Assim sendo, mordomo é o principal administrador da casa do seu senhor. Mordomia significa administração.

Deus nos constituiu como mordomos de toda a sua criação (Sl 115; 16). Sendo Ele mesmo o Senhor de tudo (Sl 24; 1). Confiou aos homens o domínio de suas obras (Gn 1; 26). Contudo, requer que cada um exerça a mordomia com fidelidade (1 Co 4; 2), cientes que, um dia, prestaremos contas a Deus por tudo que fizemos. (Rm 14; 12).

2 Coríntios 5; 10 Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem, ou mal.

Lucas 16; 2 E ele, chamando-o, disse-lhe: Que é isto que ouço de ti? Dá contas da tua mordomia, porque já não poderás ser mais meu mordomo.

Mateus 18; 23 Por isso o reino dos céus pode comparar-se a um certo rei que quis fazer contas com os seus servos;

Romanos 14; 12 De maneira que cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus.

Dinheiro.

Um dos pilares de todo o engano e dominação deste mundo se refere ao dinheiro e ao sistema financeiro mundial, hoje, sem nenhum tipo de lastro confiável e concentrado em poucas mãos poderosas que controlam a emissão de dinheiro e o governo e as riquezas de todas as nações. O mundo jaz no maligno e devemos levar a sério a exortação do amor ao dinheiro ser a raiz de todos os males, e de não ser possível servir a Deus e às riquezas, ou a Mamon, o deus delas.

O dinheiro deveria ser emitido com base no total de bens e serviços existentes, permitindo meios de troca, ao invés da emissão com base em dívidas e registros em sistemas digitais.

1 Timóteo 6; 7-11 Porque nada trouxe para este mundo, e nada podemos daqui levar; tendo, porém, alimento e vestuário, estaremos com isso contentes. Mas os que querem tornar-se ricos caem em tentação e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, as quais submergem os homens na ruína e na perdição. Porque o amor ao dinheiro é raiz de todos os males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores. Mas tu, ó homem de Deus, foge destas coisas, e segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão.

Lucas 20; 23-25 Mas Jesus, percebendo a astúcia deles, disse-lhes: Mostrai-me um denário. De quem é a imagem e a inscrição que ele tem? Responderam: De César. Disse-lhes então: Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.

Provérbios 11; 28 Aquele que confia nas suas riquezas cairá, mas os justos reverdecerão como a folhagem.

23; 4 Não te fatigues para enriqueceres; e não apliques nisso a tua sabedoria.

28; 20 O homem fiel será coberto de bênçãos, mas o que se apressa a enriquecer não ficará impune.

Mateus 19; 23 Disse então Jesus aos seus discípulos: Em verdade vos digo que é difícil entrar um rico no reino dos céus.

Lucas 6; 24 Mas ai de vós, ricos! Porque já tendes a vossa consolação.

Grande parte da cristandade tem se conformado aos valores deste mundo e servido a Mamon, o deus das riquezas, aceitando um outro evangelho.

Quando a salvação entra em nossa casa, o amor ao dinheiro deve sair pela porta dos fundos.

Lucas 19; 8-9 E, levantando-se Zaqueu, disse ao Senhor: Senhor, eis que eu dou aos pobres metade dos meus bens; e, se nalguma coisa tenho defraudado alguém, o restituo quadruplicado. E disse-lhe Jesus: Hoje veio a salvação a esta casa, pois também este é filho de Abraão.

Atos dos apóstolos 2; 44-45 E todos os que criam estavam juntos, e tinham tudo em comum. E vendiam suas propriedades e bens, e repartiam com todos, segundo cada um havia de mister.

Lucas 12; 33-34 Vendei o que tendes, e dai esmolas. Fazei para vós bolsas que não se envelheçam; tesouro nos céus que nunca acabe, aonde não chega ladrão e a traça não rói. Porque, onde estiver o vosso tesouro, ali estará também o vosso coração.

Como cristãos, devemos administrar nossas finanças com discernimento e segundo princípios estabelecidos na palavra de Deus, definindo nosso estilo de vida com uma estratégia bem pensada e planejada, ao invés de agir impulsivamente.

Finanças

Provérbios 21; 5 Os pensamentos do diligente tendem só para a abundância, porém os de todo apressado, tão-somente para a pobreza.

Precisamos encontrar o equilíbrio entre o que gastamos e o que poupamos.

Provérbios 21; 20 Tesouro desejável e azeite há na casa do sábio, mas o homem insensato os esgota.

Devemos gastar, poupar e investir sabiamente, procurando diversificar, mas deixando os resultados aos cuidados de Deus, ao invés de seguir os ciclos de mercado e suas especulações.

Eclesiastes 11; 2 Reparte com sete, e ainda até com oito, porque não sabes que mal haverá sobre a terra.

E honrar a Deus sobre todas as coisas.

Provérbios 3; 9-10 Honra ao Senhor com os teus bens, e com a primeira parte de todos os teus ganhos; E se encherão os teus celeiros, e transbordarão de vinho os teus lagares.

Provérbios 10; 22 A bênção do Senhor é que enriquece; e não traz consigo dores.

Dívidas, empréstimos e fianças.

Devemos evitar todo tipo de dívida e comprometimento a elas relacionados, especialmente, quando elas forem aceitas por mero constrangimento social ou familiar de não recusarmos as solicitações de pessoas conhecidas ou amigas, e não tivermos condições reais de arcar com os compromissos que elas representam.

Romanos 13; 8a A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros.

Provérbios 6; 1 Filho meu, se ficaste por fiador do teu companheiro, se deste a tua mão ao estranho.

Provérbios 22; 7 O rico domina sobre os pobres e o que toma emprestado é servo do que empresta.

Provérbios 22; 26 Não estejas entre os que se comprometem, e entre os que ficam por fiadores de dívidas.

Mas, se por alguma razão tivermos qualquer tipo de dívida, devemos pagá-la e honrar o compromisso, ao invés de agirmos como os ímpios.

Salmo 37; 21 O ímpio toma emprestado, e não paga; mas o justo se compadece e dá.

Porém, quando emprestarmos não devemos oprimir quem nos deve:

Êxodo 22; 25 Se emprestares dinheiro ao meu povo, ao pobre que está contigo, não te haverás com ele como um usurário; não lhe imporeis usura.

Deuteronômio 5; 7-8 Quando entre ti houver algum pobre, de teus irmãos, em alguma das tuas portas, na terra que o Senhor teu Deus te dá, não endurecerás o teu coração, nem fecharás a tua mão a teu irmão que for pobre; Antes lhe abrirás de todo a tua mão, e livremente lhe emprestarás o que lhe falta, quanto baste para a sua necessidade.

Deuteronômio 23; 19-20 A teu irmão não emprestarás com juros, nem dinheiro, nem comida, nem qualquer coisa que se empreste com juros. Ao estranho emprestarás com juros, porém a teu irmão não emprestarás com juros; para que o Senhor teu Deus te abençoe em tudo que puseres a tua mão, na terra a qual vais a possuir.

Deuteronômio 24; 10-13 Quando emprestares alguma coisa ao teu próximo, não entrarás em sua casa, para lhe tirar o penhor. Fora ficarás; e o homem, a quem emprestaste, te trará fora o penhor. Porém, se for homem pobre, não te deitarás com o seu penhor. Em se pondo o sol, sem falta lhe restituirás o penhor; para que durma na sua roupa, e te abençoe; e isto te será justiça diante do Senhor teu Deus.

Salmo 37; 25-26 Fui moço, e agora sou velho; mas nunca vi desamparado o justo, nem a sua semente a mendigar o pão. Compadece-se sempre, e empresta, e a sua semente é abençoada.

Salmo 112; 5 O homem bom se compadece, e empresta; disporá as suas coisas com juízo.

Em Israel, no contexto da lei, os empréstimos não tinham cunho comercial, mas caritativo para casos de necessidade. Havia também provisão para a remissão de dívidas, após 7 anos:

Deuteronômio 15; 1-4 Ao fim dos sete anos farás remissão. Este, pois, é o modo da remissão: todo o credor remitirá o que emprestou ao seu próximo; não o exigirá do seu próximo ou do seu irmão, pois a remissão do Senhor é apregoada. Do estrangeiro o exigirás; mas o que tiveres em poder de teu irmão a tua mão o remitirá. Exceto quando não houver entre ti pobre algum; pois o Senhor abundantemente te abençoará na terra que o Senhor teu Deus te dará por herança, para possuí-la.

Dízimos, impostos e tributos

Os dízimos eram praticados por vários povos antigos. Na lei de Israel, se aplicavam à semente da terra e ao rebanho (Lv 27; 30-32), sendo muitas vezes cobrados como impostos e controlados pelos reis:

1 Samuel 8; 15-19 E as vossas sementes, e as vossas vinhas dizimará, para dar aos seus oficiais, e aos seus servos. Também os vossos servos, e as vossas servas, e os vossos melhores moços, e os vossos jumentos tomará, e os empregará no seu trabalho. Dizimará o vosso rebanho, e vós lhe servireis de servos. Então naquele dia clamareis por causa do vosso rei, que vós houverdes escolhido; mas o Senhor não vos ouvirá naquele dia. Porém, o povo não quis ouvir a voz de Samuel; e disseram: Não, mas haverá sobre nós um rei.

Os dízimos representavam, também, o reconhecimento que a terra era do Senhor (Lv 25; 23) e era praticado mesmo antes da lei (Gn 14; 17-20, 28; 18-22).

Na igreja, a cobrança do dízimo foi iniciada no século 4; alguns pais da igreja, como Irineu, condenavam esta cobrança e a igreja do oriente não o aceitou. Ele foi se impondo pelo crescimento da obra dos nicolaítas (clericalismo), pelo aumento das despesas e da vinculação da igreja ao estado, tendo sido sancionado no concílio de Latrão (1123 e 1129). Na idade média, eles eram muitas vezes transferidos e negociados por soberanos católicos e os dizimeiros se comportavam de forma semelhante aos publicanos.

A reforma protestante parece não ter dado muita atenção ao dízimo, permanecendo, até hoje uma certa ambiguidade em relação ao mesmo. No ensino, há uma ênfase em Malaquias 3; 8-11 com uma ideia de confronto e teste de nossa fidelidade ou de liberação de bênçãos, muito próxima de uma visão legalista judaica em relação ao primeiro dízimo ou dízimo dos levitas. No contexto da lei, o pagamento dos dízimos era uma obrigação, cujo não cumprimento conduzia a maldição e o pagamento à benção.

Parece haver também um dogma de infalibilidade financeira em relação a estruturas eclesiásticas, sem necessidade de prestação de contas. Não há, também, nenhuma reflexão mais profunda sobre se as necessidades financeiras dessas estruturas eclesiásticas são legítimas e apropriadas e sobre quem são os levitas a quem se deve entregar os dízimos, o que reforça o clericalismo.

Fala-se apenas do primeiro dízimo, ou dízimo dos levitas (Lv 27; 30-33, Nm 18; 12-14, 20-24) e sacerdotes (o dízimo dos dízimos – Nm 18; 26-28), mas, raramente, do 2º dízimo a ser desfrutado em Jerusalém (Dt 14; 22-27) e, menos ainda, do dízimo para o pobre, ou dízimo do 3º ano (Dt 14; 28-29).

O dízimo, na lei, reflete uma visão não secular da existência, trazendo o sagrado para o trabalho, a família e a responsabilidade social. Deus é soberano sobre todas as coisas e, por sua misericórdia e providência, nosso trabalho é abençoado e frutifica. A satisfação do trabalho realizado é expressada em alegria pela suficiência, na certeza de que o que recebemos é bastante para dar.

O novo testamento ignora o dízimo como prática válida no contexto da igreja, mencionando-o, apenas, no contexto judaico e em relação à hipocrisia no cumprimento externo da lei (Mt 23; 23-24, Lc 11; 42, 18; 9-24), ou como princípio anterior à lei (e os princípios espirituais sempre permanecem) prenunciando o sacerdócio segundo a ordem de Melquisedeque (Hb 7; 4-11), para o que se tornava necessário uma mudança da própria lei e do sacerdócio.

Isto não significa que a prática do dízimo não possa ser adotada como prática válida por decisão de cada igreja local em nome do Senhor, o que deve ficar bem claro. Contudo, a igreja deve ir muito além de uma prática de cumprir apenas o que a lei determinava, principalmente quando tal prática estiver apenas associada à manutenção de estruturas clericais ou de patrimônio e de sustento da obra.

O padrão adotado pela igreja no novo testamento, sob direção do Espírito Santo e não sob mandamento, correspondia a uma consagração integral, com contribuição de 100% para o reino de Deus, o que não pode ser generalizado, ou ensinado nos dias de hoje, após tantos séculos de religiosidade, obrigação cumprida pela entrega do dízimo e, mais recentemente, ênfase no evangelho da “prosperidade”, como se outro evangelho existisse (Gl 1; 6-12).

Em relação a impostos e tributos estabelecidos pelas autoridades constituídas, permanece a obrigação de pagamento.

Romanos 13; 6-7 Por esta razão também pagais tributos, porque são ministros de Deus, atendendo sempre a isto mesmo. Portanto, dai a cada um o que deveis: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem temor, temor; a quem honra, honra.

Ofertas e serviço na igreja.

A ênfase no novo testamento é o amor fraterno e o sustento mútuo através de contribuições espontâneas. Cada cristão deve aprender a confiar em Deus e a se colocar no lugar daquele que está em dificuldade e o dar deve se originar de uma experiência vicária que conduz ao desejo de servir.

Para tanto, se torna necessária uma plena e verdadeira comunhão para compartilharmos as necessidades mútuas, o que não é possível quando existem discordâncias em relação aos obreiros, seus respectivos modos de vida ou aos critérios de administração dos bens comuns.

O dar deve ser com alegria, desprendimento e paz no coração e não como resultado de uma obrigação imposta. Deve expressar gratidão pelo fruto do trabalho realizado, por podermos viver dele e doar vida, atendendo necessidades dos pobres, necessitados e o sustento daqueles que doam suas vidas aos santos, numa atitude espontânea e sacrificial em reconhecimento à soberania de Deus.

Atos dos apóstolos 2; 44-45 E todos os que criam estavam juntos, e tinham tudo em comum. E vendiam suas propriedades e bens, e repartiam com todos, segundo cada um havia de mister.

Atos dos apóstolos 4; 32;34-35 E era um o coração e a alma da multidão dos que criam, e ninguém dizia que coisa alguma do que possuía era sua própria, mas todas as coisas lhes eram comuns. Não havia, pois, entre eles necessitado algum; porque todos os que possuíam herdades ou casas, vendendo-as, traziam o preço do que fora vendido, e o depositavam aos pés dos apóstolos. E repartia-se a cada um, segundo a necessidade que cada um tinha.

Atos dos apóstolos 11; 29 E os discípulos determinaram mandar, cada um conforme o que pudesse, socorro aos irmãos que habitavam na Judéia.

2 Coríntios 8; 1-5; 12-15 Também, irmãos, vos fazemos conhecer a graça de Deus dada às igrejas da Macedônia; Como em muita prova de tribulação houve abundância do seu gozo, e como a sua profunda pobreza abundou em riquezas da sua generosidade. Porque, segundo o seu poder (o que eu mesmo testifico) e ainda acima do seu poder, deram voluntariamente. Pedindo-nos com muitos rogos que aceitássemos a graça e a comunicação deste serviço, que se fazia para com os santos. E não somente fizeram como nós esperávamos, mas a si mesmos se deram primeiramente ao Senhor, e depois a nós, pela vontade de Deus.

Porque, se há prontidão de vontade, será aceita segundo o que qualquer tem, e não segundo o que não tem. Mas, não digo isto para que os outros tenham alívio, e vós opressão, mas para igualdade; neste tempo presente, a vossa abundância supra a falta dos outros, para que também a sua abundância supra a vossa falta, e haja igualdade; como está escrito: O que muito colheu não teve de mais; e o que pouco, não teve de menos.

2 Coríntios 9; 1;6-11 Quanto à administração que se faz a favor dos santos, não necessito escrever-vos; E digo isto: Que o que semeia pouco, pouco também ceifará; e o que semeia em abundância, em abundância ceifará. Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria. E Deus é poderoso para fazer abundar em vós toda a graça, a fim de que tendo sempre, em tudo, toda a suficiência, abundeis em toda a boa obra; Conforme está escrito: Espalhou, deu aos pobres; A sua justiça permanece para sempre. Ora, aquele que dá a semente ao que semeia, também vos dê pão para comer, e multiplique a vossa sementeira, e aumente os frutos da vossa justiça; Para que em tudo enriqueçais para toda a beneficência, a qual faz que por nós se deem graças a Deus.

Hebreus 13; 16 E não vos esqueçais da beneficência e comunicação, porque com tais sacrifícios Deus se agrada.

Romanos 15; 25-27 Mas agora vou a Jerusalém para ministrar aos santos. Porque pareceu bem à Macedônia e à Acaia fazerem uma coleta para os pobres dentre os santos que estão em Jerusalém. Isto lhes pareceu bem, como devedores que são para com eles. Porque, se os gentios foram participantes dos seus bens espirituais, devem também ministrar-lhes os temporais

Efésios 4; 28b antes trabalhe, fazendo com as mãos o que é bom, para que tenha o que repartir com o que tiver necessidade.

Gálatas 6; 10 Então, enquanto temos tempo, façamos bem a todos, mas principalmente aos domésticos da fé.

1 Coríntios 16; 1-3 Ora, quanto à coleta que se faz para os santos, fazei vós também o mesmo que ordenei às igrejas da Galácia. No primeiro dia da semana cada um de vós ponha de parte o que puder ajuntar, conforme a sua prosperidade, para que não se façam as coletas quando eu chegar. E, quando tiver chegado, mandarei os que por cartas aprovardes, para levar a vossa dádiva a Jerusalém.

Quase todas as referências acima mencionam o atendimento às necessidades de irmãos em situação de carência, para o que eram separados homens cheios do Espírito Santo.

Atos dos apóstolos 6; 1-4 Ora, naqueles dias, crescendo o número dos discípulos, houve uma murmuração dos gregos contra os hebreus, porque as suas viúvas eram desprezadas no ministério cotidiano. E os doze, convocando a multidão dos discípulos, disseram: Não é razoável que nós deixemos a palavra de Deus e sirvamos às mesas. Escolhei, pois, irmãos, dentre vós, sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais constituamos sobre este importante negócio. Mas nós perseveraremos na oração e no ministério da palavra.

Nos mosteiros beneditinos, havia um princípio, chamado “regra do Bento”: Ao abade compete distribuir os recursos do mosteiro, segundo as necessidades de cada um, e ao monge compete necessitar do mínimo possível.

Não há menção ao sustento da obra, pois a igreja não tinha estrutura permanente, investimentos, imobilizações, despesas urbanas elevadas (como água, luz, telefone, correio, marketing, divulgação de marca, etc.).

Trabalhar ou viver pela fé.

Todo cristão deve viver pela fé e deve também trabalhar. Para um verdadeiro cristão não existe trabalho secular e tudo é feito para o Senhor. Todos trabalhamos em tempo integral para o Senhor e confiamos na sua provisão e não em nossos salários ou no fruto do nosso trabalho.

Colossenses 3; 17 E, quanto fizerdes por palavras ou por obras, fazei tudo em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai.

Atos dos apóstolos 20; 35 Tenho-vos mostrado em tudo que, trabalhando assim, é necessário auxiliar os enfermos, e recordar as palavras do Senhor Jesus, que disse: Mais bem-aventurada coisa é dar do que receber.

1 Tessalonicenses 4; 11 e procureis viver quietos, tratar dos vossos próprios negócios, e trabalhar com vossas próprias mãos, como já vo-lo mandamos,

2 Tessalonicenses 3; 10 Porque, quando ainda estávamos convosco, isto vos mandamos: se alguém não quer trabalhar, também não coma.

Para alguns, que o Senhor separa para o serviço na igreja é lícito que sejam sustentados de forma digna.

Atos dos Apóstolos 18; 3-5 e, por ser do mesmo ofício, com eles morava, e juntos trabalhavam; pois eram, por ofício, fabricantes de tendas. Ele discutia todos os sábados na sinagoga, e persuadia a judeus e gregos. Quando Silas e Timóteo desceram da Macedônia, Paulo dedicou-se inteiramente à palavra, testificando aos judeus que Jesus era o Cristo.

1 Coríntios 9; 6-9 Ou será que só eu e Barnabé não temos direito de deixar de trabalhar? Quem jamais vai à guerra à sua própria custa? Quem planta uma vinha e não come do seu fruto? Ou quem apascenta um rebanho e não se alimenta do leite do rebanho? Porventura digo eu isto como homem? Ou não diz a lei também o mesmo? Pois na lei de Moisés está escrito: Não atarás a boca do boi quando debulha. Porventura está Deus cuidando dos bois?

Mateus 10; 10 Nem alforjes para o caminho, nem duas túnicas, nem alparcas, nem bordão; porque digno é o operário do seu alimento.

Gálatas 6; 6 E o que é instruído na palavra reparta de todos os seus bens com aquele que o instrui.

1 Timóteo 5; 17-18 Os presbíteros que governam bem sejam estimados por dignos de duplicada honra, principalmente os que trabalham na palavra e na doutrina; Porque diz a Escritura: Não ligarás a boca ao boi que debulha. E: Digno é o obreiro do seu salário.

Contudo, viver do evangelho (1 Cor 9; 14) não significa receber salário da igreja e Paulo não se valia desse direito (1 Cor 9; 11-13, 15-18) para não por nenhum impedimento ao evangelho (2 Cor 11; 7-10).

Se servimos ao Senhor, dEle devemos esperar o sustento. Devemos confiar nEle e não vivermos em ansiedade.

Filipenses 4; 6-7 Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus.

Lucas 12; 22-23 E disse aos seus discípulos: Portanto vos digo: Não estejais apreensivos pela vossa vida, sobre o que comereis, nem pelo corpo, sobre o que vestireis. Mais é a vida do que o sustento, e o corpo mais do que as vestes.

Contudo podemos, também, trabalhar:

1 Tessalonicenses 2; 9 Porque bem vos lembrais, irmãos, do nosso trabalho e fadiga; pois, trabalhando noite e dia, para não sermos pesados a nenhum de vós, vos pregamos o evangelho de Deus.

2 Tessalonicenses 3; 7-9 Porque vós mesmos sabeis como convém imitar-nos, pois que não nos houvemos desordenadamente entre vós, nem de graça comemos o pão de homem algum, mas com trabalho e fadiga, trabalhando noite e dia, para não sermos pesados a nenhum de vós. Não porque não tivéssemos autoridade, mas para vos dar em nós mesmos exemplo, para nos imitardes.

Pobres e esmolas

Deus sempre se lembra dos pobres e a palavra de Deus nos recomenda fazer o mesmo.

Gálatas 2; 10 Recomendando-nos somente que nos lembrássemos dos pobres, o que também procurei fazer com diligência.

Levítico 19; 10 Semelhantemente não rabiscarás a tua vinha, nem colherás os bagos caídos da tua vinha; deixá-los-ás ao pobre e ao estrangeiro. Eu sou o SENHOR vosso Deus.

23; 22 E, quando fizerdes a colheita da vossa terra, não acabarás de segar os cantos do teu campo, nem colherás as espigas caídas da tua sega; para o pobre e para o estrangeiro as deixarás. Eu sou o SENHOR vosso Deus.

Provérbios 19; 17 Ao Senhor empresta o que se compadece do pobre, ele lhe pagará o seu benefício.

Isaías 25; 4a Porque foste a fortaleza do pobre, e a fortaleza do necessitado, na sua angústia; refúgio contra a tempestade, e sombra contra o calor.

Ezequiel 16; 49 Eis que esta foi a iniquidade de Sodoma, tua irmã: Soberba, fartura de pão, e abundância de ociosidade teve ela e suas filhas; mas nunca fortaleceu a mão do pobre e do necessitado.

Mateus 6; 2-4 Quando, pois, deres esmola, não faças tocar trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão. Mas, quando tu deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita; para que a tua esmola seja dada em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, ele mesmo te recompensará publicamente.

2 Coríntios 9; 9 Conforme está escrito: Espalhou, deu aos pobres; A sua justiça permanece para sempre.

Covil de salteadores.

Que Deus nos livre dos mercenários e daqueles que fazem negócios com as coisas de Deus.

2 Pedro 2; 3; 14-15 E por avareza farão de vós negócio com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita. Tendo os olhos cheios de adultério, e não cessando de pecar, engodando as almas inconstantes, tendo o coração exercitado na avareza, filhos de maldição; os quais, deixando o caminho direito, erraram seguindo o caminho de Balaão, filho de Beor, que amou o prêmio da injustiça.

Atos dos apóstolos 20; 28-30 Olhai, pois, por vós, e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue. Porque eu sei isto que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não pouparão ao rebanho; E que de entre vós mesmos se levantarão homens que falarão coisas perversas, para atraírem os discípulos após si.

João 10; 10-14 O ladrão não vem senão a roubar, a matar, e a destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância. Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas. Mas o mercenário, e o que não é pastor, de quem não são as ovelhas, vê vir o lobo, e deixa as ovelhas, e foge; e o lobo as arrebata e dispersa as ovelhas. Ora, o mercenário foge, porque é mercenário, e não tem cuidado das ovelhas. Eu sou o bom Pastor, e conheço as minhas ovelhas, e das minhas sou conhecido.

Romanos 16; 18 Porque os tais não servem a nosso Senhor Jesus Cristo, mas ao seu ventre; e com suaves palavras e lisonjas enganam os corações dos simples.

Judas 11 Ai deles! Porque entraram pelo caminho de Caim, e foram levados pelo engano do prêmio de Balaão, e pereceram na contradição de Coré.

Ainda há muitos bezerros de ouro nos arraiais do Senhor, e a cristandade fez muitas concessões a Mamon, o deus das riquezas deste mundo. Mas é hora de expulsar os vendedores do templo e dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.

Mateus 21; 12-13 E entrou Jesus no templo de Deus, e expulsou todos os que vendiam e compravam no templo, e derribou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas; e disse-lhes: Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração; mas vós a tendes convertido em covil de ladrões.

Tempo.

O que é o tempo?

O que é, na verdade, o tempo e qual o seu significado e valor em nossas vidas?

Alguns cientistas, como Einstein, poderiam dizer que o tempo é como uma ilusão, já que, na verdade, ele é apenas mais uma dimensão do espaço-tempo e depende da velocidade e da presença de objetos densos, e que os relógios se movem mais lentamente para velocidades grandes ou na proximidade de objetos densos de grande massa.

Como tanto velocidades grandes, como objetos de grande efeito gravitacional não fazem parte de nossa experiência cotidiana, nada percebemos dessas grandes descobertas científicas do século passado e consideramos apenas nossos relógios, rugas e cabelos brancos como referências para a passagem do tempo, conforme nossa percepção biológica ou psicológica de como o tempo passa. Contudo, a atual crise e situação da humanidade e da natureza parece indicar que algo iminente e importante está para acontecer.

Romanos 8; 18-19 Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada. Porque a ardente expectação da criatura espera a manifestação dos filhos de Deus.

Tempo Kairós e Chronos.

Na língua hebraica não existem palavras para descrever o tempo cronológico abstrato, este tempo dos relógios que sequencia os eventos ou estabelece uma medição e referência para a duração dos mesmos. As palavras para tempo sempre se referem a uma estação ou a um tempo certo, a uma oportunidade para um acontecimento ou ação, o que ressalta, não a continuidade abstrata do tempo, mas o conteúdo dado por Deus a determinados momentos da história.

Na língua grega existe a palavra chronos que se refere a esse tempo cronológico ou sequencial, que passa, e a palavra kairós, que se refere a um momento certo, um momento determinado, quando algo especial acontece, ou vai acontecer.

Exemplos de referências para a palavra chronos:

Lucas 20; 9 Começou então a dizer ao povo esta parábola: Um homem plantou uma vinha, arrendou-a a uns lavradores, e ausentou-se do país por muito tempo.

João 5; 6 Jesus, vendo-o deitado e sabendo que estava assim havia muito tempo, perguntou-lhe: Queres ficar são?

E para a palavra kairós:

Atos dos apóstolos 17; 26-31 e de um só fez todas as raças dos homens, para habitarem sobre toda a face da terra, determinando-lhes os tempos (kairós) já dantes ordenados e os limites da sua habitação; para que buscassem a Deus, se porventura, tateando, o pudessem achar, o qual, todavia, não está longe de cada um de nós; porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos; como também alguns dos vossos poetas disseram: Pois dele também somos geração. Sendo nós, pois, geração de Deus, não devemos pensar que a divindade seja semelhante ao ouro, ou à prata, ou à pedra esculpida pela arte e imaginação do homem. Mas Deus, não levando em conta os tempos (chronos) da ignorância, manda agora que todos os homens em todo lugar se arrependam; porquanto determinou um dia em que com justiça há de julgar o mundo, por meio do varão que para isso ordenou; e disso tem dado certeza a todos, ressuscitando-o dentre os mortos.

Marcos 13; 32-33 Quanto, porém, ao dia e à hora, ninguém sabe, nem os anjos no céu nem o Filho, senão o Pai. Olhai! Vigiai! Porque não sabeis quando chegará o tempo (kairós).

Atos dos apóstolos 1; 6-7 Aqueles, pois, que se haviam reunido perguntavam-lhe, dizendo: Senhor, é nesse tempo (chronos) que restauras o reino a Israel? Respondeu-lhes: A vós não vos compete saber os tempos (chronos) ou as épocas (kairós), que o Pai reservou à sua própria autoridade.

1Tessalonicences 5; 1 Mas, irmãos, acerca dos tempos (chronos) e das épocas (kairós) não necessitais de que se vos escreva:

O tempo Kairós no chronos de hoje.

O tempo chronos sempre está passando e devemos sempre esperar a chegada do Kairós em nosso chronos. Muitos, que não estão apercebidos nem esperando, não notam a chegada do kairós.

O mundo valoriza e nos ensina a criarmos nossas oportunidades e nos empenharmos em alcançar alvos. Mas nós, que somos chamados a uma vocação celestial, já temos um alvo e esperamos sempre pelo kairós de Deus em nossas vidas.

Se não vigiarmos e discernirmos o tempo que estamos vivendo, o momento de Deus pode passar sem que o percebamos. Mas se o percebemos, devemos prosseguir e perseverar firmes na fé, sem retroceder, ou mesmo olhar para trás, sempre confiados em sua promessa.

Hebreus 10; 36-39 Porque necessitais de perseverança, para que, depois de haverdes feito a vontade de Deus, alcanceis a promessa. Pois ainda em bem pouco tempo aquele que há de vir virá, e não tardará. Mas o meu justo viverá da fé; e se ele recuar, a minha alma não tem prazer nele. Nós, porém, não somos daqueles que recuam para a perdição, mas daqueles que creem para a conservação da alma.

Marcos 13; 35-37 Vigiai, pois; porque não sabeis quando virá o senhor da casa; se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se pela manhã; para que, vindo de improviso, não vos ache dormindo. O que vos digo a vós, a todos o digo: Vigiai

Devemos remir, valorizar e planejar bem o nosso tempo, sempre pensando nas coisas do alto (Cl 3; 2), em coisas boas (Fp 4; 8), conforme a mente de Cristo (1 Co 2; 16) e sempre dependendo de Deus (Tg 4; 13-15).

Efésios 5; 15-16 Portanto, vede diligentemente como andais, não como néscios, mas como sábios, usando bem cada oportunidade, porquanto os dias são maus.

Salmos 90:12 Ensina-nos a contar os nossos dias de tal maneira que alcancemos corações sábios.

Eclesiastes 3:1 Tudo tem a sua ocasião própria, e há tempo para todo propósito debaixo do céu.

O tempo é um tesouro que Deus distribui a todos igualmente. Como dádiva de Deus, o tempo deve ser devidamente utilizado e sabiamente aproveitado.

A mordomia do tempo inclui a pontualidade nos compromissos e, para aqueles que já O esperam, este kairós já é agora:

Tiago 5; 7-8 Portanto, irmãos, sede pacientes até a vinda do Senhor. Eis que o lavrador espera o precioso fruto da terra, aguardando-o com paciência, até que receba as primeiras e as últimas chuvas. Sede vós também pacientes; fortalecei os vossos corações, porque a vinda do Senhor está próxima.

Ao vivermos neste permanente kairós em nosso chronos, trazemos um pouco da eternidade para dentro do tempo, eternidade que é a posse plena, completa e simultânea de todos os momentos chronos num interminável e perfeito kairós, que podemos até mesmo apressar.

2 Pedro 3; 12-14 aguardando e apressando-vos para a vinda do dia de Deus, em que os céus, em fogo, se desfarão, e os elementos, ardendo, se fundirão? Mas nós, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra, em que habita a justiça. Pelo que, amados, aguardando estas coisas, procurai que dele sejais achados imaculados e irrepreensíveis em paz

Corpo.

Sacrifício vivo.

Romanos 12:1 Rogo-vos pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.

Devemos glorificar a Deus por meio do corpo (Fp 1; 20), dedicando-o a Deus, como templo do Espírito Santo.

1 Coríntios 3; 16-17 Não sabeis vós que sois santuário de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o santuário de Deus, Deus o destruirá; porque sagrado é o santuário de Deus, que sois vós.

1 Coríntios 6; 19-20 Ou não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que habita em vós, o qual possuís da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por preço; glorificai pois a Deus no vosso corpo.

1 Tessalonicenses 4:3-6 Porque esta é a vontade de Deus, a saber, a vossa santificação: que vos abstenhais da prostituição, que cada um de vós saiba possuir o seu vaso em santidade e honra, não na paixão da concupiscência, como os gentios que não conhecem a Deus; ninguém iluda ou defraude nisso a seu irmão, porque o Senhor é vingador de todas estas coisas, como também antes vo-lo dissemos e testificamos.

Cuidados e a dietética de Deus.

A mordomia do corpo inclui os cuidados com a saúde, escolha e preparação de alimentos, exercícios físicos e repouso.

No início, Deus destinou ao homem, como alimento, tudo que tinha semente, ou que tinha vida e potencial de gerar a vida, para que o homem, de alguma forma, se voltasse e experimentasse do fruto da árvore da vida, compartilhando e desfrutando plenamente da vida eterna não criada de Deus.

As sementes estão nas frutas, cereais, nozes e legumes, que são componentes essenciais de qualquer alimentação saudável até os dias de hoje, apesar de muitos destes alimentos já não mais serem os mesmos pela ação descoordenada do homem sob a influência do dominador deste mundo.

Mas o homem comeu do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal e a morte entrou no cenário. O que, de alguma forma, também se aplica aos nossos hábitos, tradições e escolhas alimentares, também herdados de nossos pais.

Em seguida, após o dilúvio e a redução da vida do homem para até 120 anos, o homem recebeu permissão de comer alimento morto, sem a vida, ou seja, a carne de animais puros, porém sem o sangue e, mais tarde, sob a lei, sem a gordura, dedicada a Deus, em alguns dos sacrifícios prescritos.

A escritura não menciona a origem do conhecimento de Noé entre animais puros e imundos, como também não menciona a origem da introdução dos demais alimentos na alimentação do homem ou dos alimentos processados como o pão, referenciado, no sentido de alimento, na maldição pronunciada sobre a terra no Jardim do Éden e no encontro de Abrão com Melquisedeque, sacerdote do Deus altíssimo, juntamente com o vinho, o que já prenunciava o futuro celestial da dietética de Deus, de comer do pão vivo que desce do céu e beber do sangue ou da própria vida de Deus, por nós derramada na cruz do Calvário.

No antigo testamento, constatamos diversos outros alimentos, além do pão, como azeitonas, queijo, frutas, vegetais, peixes ou mesmo carne, somente consumida em ocasiões raras e especiais, e à qual nem todos podiam ter acesso.

Menciona-se também melões, alhos, pepinos, cebolas, leite, ovos, figos e uvas, mel, com algumas restrições ou em quantidade pequenas, sal e vinho, também com diversas restrições e advertências, especialmente no que se refere a não se embebedar com ele, mas de sempre nos enchermos do Espírito.

Os alimentos do Egito e o desejo de comer carne, com a subsequente morte, foram mencionados ao longo da peregrinação no deserto.

Mais tarde, Daniel escolheu e obteve permissão condicional para se alimentar somente de legumes e água ao invés das iguarias da mesa do rei.

Esta questão das comidas da mesa do rei se torna ainda mais significativa nos dias de hoje, quando muitos podem comer como reis, especialmente na parte inicial do dia, quando nosso organismo melhor poderia se recuperar pela prática regular do jejum matinal, e, também, adoecer com eles, confiando nos médicos, ao invés de buscarem primeiro a Deus.

Eclesiastes 10; 16-17 Ai de ti, ó terra, quando o teu rei é criança, e quando os teus príncipes banqueteiam de manhã! Bem-aventurada tu, ó terra, quando o teu rei é filho de nobres, e quando os teus príncipes comem a tempo, para refazerem as forças, e não para bebedice!

2 Crônica 16; 12 No ano trinta e nove do seu reinado Asa caiu doente dos pés; e era mui grave a sua enfermidade; e nem mesmo na enfermidade buscou ao Senhor, mas aos médicos.

Exôdo 23; 25 Servireis, pois, ao Senhor vosso Deus, e ele abençoará o vosso pão e a vossa água; e eu tirarei do meio de vós as enfermidades.

Os homens se meteram em muitos artifícios, interferindo na criação de Deus e produzindo muitos enganos que parecem alimentos, quase sempre embalados em caixas, garrafas ou pacotes cheios de rótulos.

A morte pode estar, até mesmo em nossas panelas e no grau de toxicidade e contaminação em quase tudo que consumimos, ou encontramos nas prateleiras dos supermercados, nos dias de hoje, até que as panelas possam se tornar santas e consagradas ao Senhor, ou que o Senhor mesmo tire o mal de nossas panelas.

2 Reis 4; 40-41 Assim tiraram de comer para os homens. E havendo eles provado o caldo, clamaram, dizendo: Ó homem de Deus, há morte na panela! E não puderam comer. Ele, porém, disse: Trazei farinha. E deitou-a na panela, e disse: Tirai para os homens, a fim de que comam. E já não havia mal nenhum na panela.

Outra importante questão se refere à sustentabilidade, desde a incumbência de cuidar do jardim e deixar a terra repousar no sétimo ano, novamente mencionando os frutos da terra como a base para a alimentação.

Levítico 25; 3-7 Seis anos semearás a tua terra, e seis anos podarás a tua vinha, e colherás os seus frutos; mas no sétimo ano haverá sábado de descanso solene para a terra, um sábado ao Senhor; não semearás o teu campo, nem podarás a tua vinha. O que nascer de si mesmo da tua sega não segarás, e as uvas da tua vide não tratada não vindimarás; ano de descanso solene será para a terra. Mas os frutos do sábado da terra vos serão por alimento, a ti, e ao teu servo, e à tua serva, e ao teu jornaleiro, e ao estrangeiro que peregrina contigo, e ao teu gado, e aos animais que estão na tua terra; todo o seu produto será por mantimento.

Devemos compreender as consequências de nossas escolhas alimentares para a nossa saúde, para o ambiente em que vivemos e para as gerações vindouras, diante da impossibilidade técnica de se alimentar toda a população com produtos de origem animal e as implicações econômicas, ambientais e para a saúde advindas desse desejo e de toda a atividade de “agricultura” animal.

Números 11; 13 Donde teria eu carne para dar a todo este povo? Porquanto choram diante de mim, dizendo: Dá-nos carne a comer.

Como foi no início, voltará a ser quando todas as coisas forem restauradas.

Isaías 11; 6-9 Morará o lobo com o cordeiro, e o leopardo com o cabrito se deitará; e o bezerro, e o leão novo e o animal cevado viverão juntos; e um menino pequeno os conduzirá. A vaca e a ursa pastarão juntas, e as suas crias juntas se deitarão; e o leão comerá palha como o boi. A criança de peito brincará sobre a toca da áspide, e a desmamada meterá a sua mão na cova do basilisco. Não se fará mal nem dano algum em todo o meu santo monte; porque a terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar.

Isaías 66; 15-18 Pois, eis que o Senhor virá com fogo, e os seus carros serão como o torvelinho, para retribuir a sua ira com furor, e a sua repreensão com chamas de fogo. Porque com fogo e com a sua espada entrará o Senhor em juízo com toda a carne; e os que forem mortos pelo Senhor serão muitos. Os que se santificam, e se purificam para entrar nos jardins após uma deusa que está no meio, os que comem da carne de porco, e da abominação, e do rato, esses todos serão consumidos, diz o Senhor. Pois eu conheço as suas obras e os seus pensamentos; vem o dia em que ajuntarei todas as nações e línguas; e elas virão, e verão a minha glória.

Apocalipse 22; 1-6 E mostrou-me o rio da água da vida, claro como cristal, que procedia do trono de Deus e do Cordeiro. No meio da sua praça, e de ambos os lados do rio, estava a árvore da vida, que produz doze frutos, dando seu fruto de mês em mês; e as folhas da árvore são para a cura das nações. Ali não haverá jamais maldição. Nela estará o trono de Deus e do Cordeiro, e os seus servos o servirão, e verão a sua face; e nas suas frontes estará o seu nome. E ali não haverá mais noite, e não necessitarão de luz de lâmpada nem de luz do sol, porque o Senhor Deus os alumiará; e reinarão pelos séculos dos séculos. E disse-me: Estas palavras são fiéis e verdadeiras; e o Senhor, o Deus dos espíritos dos profetas, enviou o seu anjo, para mostrar aos seus servos as coisas que em breve hão de acontecer.

Enquanto aguardamos este dia, devemos viver com sabedoria e discernimento, estando apercebidos do momento de engano que vivemos e exercendo todas as nossas escolhas na dependência do Senhor, de acordo com a convicção que temos, sem julgar os que pensam diferente, mas sem sermos indiferentes às consequências e implicações espirituais das escolhas deles ou das nossas, sempre que tivermos conhecimento e sabedoria para tanto e sem rejeitarmos o que Deus nos envia do céu, como o povo de Israel fez no deserto, se enfastiando do maná e desejando comer carne e outros alimentos do Egito.

Números 21; 5 E o povo falou contra Deus e contra Moisés: Por que nos fizestes subir do Egito, para morrermos no deserto? pois aqui não há pão e não há água: e a nossa alma tem fastio deste miserável pão.

Romanos 14; 2-6 ; Um crê que de tudo se pode comer, e outro, que é fraco, come só legumes. Quem come não despreze a quem não come; e quem não come não julgue a quem come; pois Deus o acolheu. Quem és tu, que julgas o servo alheio? Para seu próprio senhor ele está em pé ou cai; mas estará firme, porque poderoso é o Senhor para o firmar. Um faz diferença entre dia e dia, mas outro julga iguais todos os dias. Cada um esteja inteiramente convicto em sua própria mente. Aquele que faz caso do dia, para o Senhor o faz. E quem come, para o Senhor come, porque dá graças a Deus; e quem não come, para o Senhor não come, e dá graças a Deus.

Romanos 14; 13-23 Portanto não nos julguemos mais uns aos outros; antes o seja o vosso propósito não pôr tropeço ou escândalo ao vosso irmão. Eu sei, e estou certo no Senhor Jesus, que nada é de si mesmo imundo a não ser para aquele que assim o considera; para esse é imundo. Pois, se pela tua comida se entristece teu irmão, já não andas segundo o amor. Não faças perecer por causa da tua comida aquele por quem Cristo morreu. Não seja pois censurado o vosso bem; porque o reino de Deus não consiste no comer e no beber, mas na justiça, na paz, e na alegria no Espírito Santo. Pois quem nisso serve a Cristo agradável é a Deus e aceito aos homens. Assim, pois, sigamos as coisas que servem para a paz e as que contribuem para a edificação mútua. Não destruas por causa da comida a obra de Deus. Na verdade tudo é limpo, mas é um mal para o homem dar motivo de tropeço pelo comer. Bom é não comer carne, nem beber vinho, nem fazer outra coisa em que teu irmão tropece. A fé que tens, guarda-a contigo mesmo diante de Deus. Bem-aventurado aquele que não se condena a si mesmo naquilo que aprova. Mas aquele que tem dúvidas, se come está condenado, porque o que faz não provém da fé; e tudo o que não provém da fé é pecado.

Colossenses 2; 16-23 Ninguém, pois, vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa de dias de festa, ou de lua nova, ou de sábados, que são sombras das coisas vindouras; mas o corpo é de Cristo. Ninguém atue como árbitro contra vós, afetando humildade ou culto aos anjos, firmando-se em coisas que tenha visto, inchado vãmente pelo seu entendimento carnal, e não retendo a Cabeça, da qual todo o corpo, provido e organizado pelas juntas e ligaduras, vai crescendo com o aumento concedido por Deus. Se morrestes com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos sujeitais ainda a ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: não toques, não proves, não manuseies (as quais coisas todas hão de perecer pelo uso), segundo os preceitos e doutrinas dos homens? As quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria em culto voluntário, humildade fingida, e severidade para com o corpo, mas não têm valor algum no combate contra a satisfação da carne.

Hebreus 13; 9 Não vos deixeis levar por doutrinas várias e estranhas; porque bom é que o coração se fortifique com a graça, e não com alimentos, que não trouxeram proveito algum aos que com eles se preocuparam.

Acima de tudo, seja o nosso principal alimento a própria Palavra de Deus e sua vontade.

João 6; 47-57 Em verdade, em verdade vos digo: Aquele que crê tem a vida eterna. Eu sou o pão da vida. Vossos pais comeram o maná no deserto e morreram. Este é o pão que desce do céu, para que o que dele comer não morra. Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre; e o pão que eu darei pela vida do mundo é a minha carne. Disputavam, pois, os judeus entre si, dizendo: Como pode este dar-nos a sua carne a comer? Disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: Se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. Porque a minha carne verdadeiramente é comida, e o meu sangue verdadeiramente é bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. Assim como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo pelo Pai, assim, quem de mim se alimenta, também viverá por mim.

A língua e as palavras.

Na mordomia do corpo, podemos incluir a nossa língua e as palavras da nossa boca, que devem ser agradáveis e promover a edificação, sempre no temor do Senhor (Mt 12; 33-37, Lc 6; 45).

Colossenses 4:6 A vossa palavra seja sempre com graça, temperada com sal, para saberdes como deveis responder a cada um.

Efésios 4:29-30 Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que seja boa para a necessária edificação, a fim de que ministre graça aos que a ouvem. E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção.

Como a boca fala do que está cheio o coração, devemos guardar o nosso coração, a fim de que ele não seja invadido por maus pensamentos e alimentar o nosso espírito com coisas excelentes e com a Palavra de Deus (Sl 119; 11).

Provérbios 4; 23 Guarda com toda a diligência o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida.

1 Timóteo 4:7-8 mas rejeita as fábulas profanas e de velhas. Exercita-te a ti mesmo na piedade. Pois o exercício corporal para pouco aproveita, mas a piedade para tudo é proveitosa, visto que tem a promessa da vida presente e da que há de vir.

Tiago 3; 2, 8-13 Porque todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça em palavra, o tal é perfeito, e poderoso para também refrear todo o corpo.

Mas nenhum homem pode domar a língua. É um mal que não se pode refrear; está cheia de peçonha mortal. Com ela bendizemos a Deus e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus. De uma mesma boca procede bênção e maldição. Meus irmãos, não convém que isto se faça assim. Porventura deita alguma fonte de um mesmo manancial água doce e água amargosa? Meus irmãos, pode também a figueira produzir azeitonas, ou a videira figos? Assim tampouco pode uma fonte dar água salgada e doce. Quem dentre vós é sábio e entendido? Mostre pelo seu bom trato as suas obras em mansidão de sabedoria.

O número de versos da bíblia sobre a língua, lábios, palavras, boca e fala é surpreendente, do que podemos apreender a importância que o Espírito Santo dedicou a esse tema.

Provérbios 15; 4 Uma língua suave é árvore de vida; mas a língua perversa quebranta o espírito.

Na tradução grega Septuaginta, os 70 sábios traduziram este verso, como “Uma língua suave (ou que cura) é árvore da vida, quem a guarda (no original salvar da destruição), se encherá do espírito (ou entendimento) e, no hebraico, “Cura da língua árvore da vida, subversão (perversidade) dela quebra o espírito.

Provérbios 12; 18 Há palrador cujas palavras ferem como espada; porém a língua dos sábios traz saúde.

Provérbios 18; 21 A morte e a vida estão no poder da língua; e aquele que a ama comerá do seu fruto.

Provérbios 21; 23 O que guarda a sua boca e a sua língua, guarda das angústias a sua alma.

Salmos 19:14 Sejam agradáveis as palavras da minha boca e a meditação do meu coração perante a tua face, Senhor, Rocha minha e Redentor meu!

Salmos 35; 28 Então a minha língua falará da tua justiça e do teu louvor o dia todo.

Salmos 37; 30 A boca do justo profere sabedoria; a sua língua fala o que é reto.

Isaías 50:4 O Senhor Deus me deu a língua dos instruídos para que eu saiba sustentar com uma palavra o que está cansado; ele desperta-me todas as manhãs; desperta-me o ouvido para que eu ouça como discípulo.

1 Coríntios 2:4-7 A minha linguagem e a minha pregação não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria, mas em demonstração do Espírito de poder; para que a vossa fé não se apoiasse na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus. Na verdade, entre os perfeitos falamos sabedoria, não porém a sabedoria deste mundo, nem dos príncipes deste mundo, que estão sendo reduzidos a nada; mas falamos a sabedoria de Deus em mistério, que esteve oculta, a qual Deus preordenou antes dos séculos para nossa glória;

AUTORIDADE E GOVERNO.

Autoridade.

Autoridade significa uma forma de superioridade, constituída por uma investidura, o direito de fazer obedecer, ou um magistrado que exerce poder.

No novo testamento, existe a palavra “Exousia”, que significa autoridade ou poder legal, um poder legítimo, real e desimpedido de agir, possuir, controlar, usar ou dispor de alguém, ou de alguma coisa, e a palavra “Dynamis”, que significa um poder físico e está relacionada com os atos poderosos de Deus.

O princípio de autoridade se origina no próprio ser de Deus e na sua soberania. A autoridade é a base do trono de Deus, do seu governo soberano sobre toda a criação. Deus é a maior autoridade, e a fonte de toda autoridade.

Romanos 13; 1 Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas.

Reino e governo.

Reino.

Com base em sua soberania, Deus estabelece o seu reino.

Salmo 103; 19 Nos céus, estabeleceu o Senhor o seu trono, e o seu reino domina sobre tudo.

Salmo 145; 13 O teu reino é o de todos os séculos, e o teu domínio subsiste por todas as gerações.

Daniel 7; 27 O reino, e o domínio, e a majestade dos reinos debaixo de todo o céu serão dados ao povo dos santos do Altíssimo; o seu reino será reino eterno, e todos os domínios o servirão e lhe obedecerão.

A primeira ideia que vem à mente sobre um reino são os seus limites geográficos ou geopolíticos, mas todo reino implica num rei soberano. No reino de Deus, o Senhor é o Rei e o reino. O Rei imprime o seu caráter no reino, e o reino se manifesta onde Ele governa. O caráter do Rei é manifesto, sempre que pessoas se colocam sob o seu governo e o Espírito Santo desenvolve nelas o caráter de Cristo.

Por isso, Paulo escreve na carta aos Romanos que os homens são indesculpáveis, quando não reconhecem a soberania de Deus. O Reino é Deus soberano no governo da criação e o princípio desse governo de Deus é a autoridade. Deus age a partir do seu trono. E o seu trono está estabelecido sobre a sua autoridade. Por isso a autoridade é de primordial importância no universo. Deus é a maior autoridade, e a fonte de toda autoridade. Abaixo Dele, estão os arcanjos, os anjos, os homens e os seres viventes sobre a terra.

Governo.

O governo de Deus se refere à sua ordenação para a criação.

1 Coríntios 11; 3 Quero, entretanto, que saibais ser Cristo o cabeça de todo homem, e o homem, o cabeça da mulher, e Deus, o cabeça de Cristo.

O texto acima não se refere a irmãos ou irmãs, mas a homem e mulher. Tampouco se refere à relação entre o Pai e o Filho (João 10; 30), mas entre Deus e Cristo, o Ungido.

O sistema de governo está diretamente relacionado com a autoridade e o Reino. Trata-se de um sistema independente, sobre o qual Deus, em sua soberania, faz o que Lhe agrada de acordo com a sua justiça.

Na criação, Deus primeiro formou o homem e depois a mulher; como alimentação, o Senhor deu primeiro ao homem ervas e frutos com semente e, depois, carne e ervas, com exceção de sangue; e diversas outras disposições como essas.

Quanto mais conhecermos o governo de Deus, mais nos submeteremos a Deus, e à sua autoridade. O sistema de governo antecede a graça e continuará, após terminar a dispensação da graça.

Graça e governo.

O sistema da graça, através do qual são salvos todos os que aceitam o evangelho do Senhor Jesus Cristo, abrange a salvação, a igreja, a nossa vida como irmãos e irmãs, e filhos de Deus e toda a obra do Espírito Santo e da redenção.

O sistema da graça só foi acrescentado por causa da insubordinação e rebelião sob o sistema de governo. A graça tem como finalidade redimir e restaurar os insubordinados e rebeldes para que possam se sujeitar ao sistema de governo.

A graça vem para completar o sistema de governo e nunca interfere no governo de Deus. A graça jamais anula ou viola o governo, ao contrário, capacita-nos a obedecer ao governo de Deus.

O sistema da graça e do governo se unem no Senhor Jesus Cristo, que nos redime pela graça e estabelece o reino pelo seu governo. No monte Gólgota, onde a cruz foi levantada, se encontraram a justiça de Deus, e o amor de Deus. Este é um assunto muito sério e profundo. Como pode um Deus justo justificar um pecador, e continuar a ser justo? Como pode um Deus de amor condenar o ímpio e continuar sendo amor?

A vinda do Messias e o estabelecimento do Reino, como cumprimento de muitas outras profecias, se realizam em duas etapas. Na primeira, se manifestou a justiça de Deus, e o amor é anunciado a todos os homens, através das boas novas do evangelho. Na segunda, se manifestará o amor de Deus, e a justiça e o juízo cairão sobre todos os homens.

Disciplina e juízo.

O estabelecimento e a vinda do reino, sempre vem acompanhados de disciplina, sob o sistema da graça, e juízo sob o sistema de governo.

Hebreus 2; 2-3 Se, pois, se tornou firme a palavra falada por meio de anjos, e toda transgressão ou desobediência recebeu justo castigo, como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação?

1 Pedro 4; 17 Porque a ocasião de começar o juízo pela casa de Deus é chegada; ora, se primeiro vem por nós, qual será o fim daqueles que não obedecem ao evangelho de Deus?

No antigo testamento, existem diversos exemplos de juízos governamentais de Deus, como a expulsão de Adão do jardim do Éden (Gn 3:23-24), a proibição de Moisés (Dt 32; 48-52) e dos israelitas (Nm 14; 28-37), que saíram do Egito, entrarem na terra prometida, a espada não se afastar da casa de Davi (2 Sm 12; 9-12) e Uzá ser fulminado por estender a mão para a arca (2 Sm 6; 6-7).

No novo testamento, vemos o juízo sobre Ananias e Safira (At 5; 1-10), por mentirem ao Espírito Santo, além de diversas advertências do futuro juízo sob o sistema de governo.

Mateus 5; 25-26 Entra em acordo sem demora com o teu adversário, enquanto estás com ele a caminho, para que o adversário não te entregue ao juiz, o juiz, ao oficial de justiça, e sejas recolhido à prisão. Em verdade te digo que não sairás dali, enquanto não pagares o último centavo.

Mateus 6; 14-15 Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará; se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas.

Mateus 18; 33-35 não devias tu, igualmente, compadecer-te do teu conservo, como também eu me compadeci de ti? E, indignando-se, o seu senhor o entregou aos verdugos, até que lhe pagasse toda a dívida. Assim também meu Pai celeste vos fará, se do íntimo não perdoardes cada um a seu irmão.

Mateus 7; 22 Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade.

Todos esses exemplos se referem a disciplina e juízo sob o governo de Deus e estão diretamente relacionados com a questão da autoridade, sendo importante atentar para a questão do perdão, da submissão à vontade de Deus e da santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor. Contudo, a disciplina sob o governo de Deus não prejudica a salvação pela graça e em nada interfere com ela.

Autoridades.

Deus.

A autoridade fundamental é Deus, o Pai, o Senhor Jesus Cristo, enviado pelo Pai, o Espírito Santo, enviado pelo Pai e pelo Filho, investidos da plena autoridade inerente ao Ser de Deus.

Mateus 7; 28-29 Quando Jesus acabou de proferir estas palavras, estavam as multidões maravilhadas da sua doutrina; porque ele as ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas.

Mateus 9; 6-8 Ora, para que saibais que o Filho do Homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados disse, então, ao paralítico: Levanta-te, toma o teu leito e vai para tua casa. Vendo isto, as multidões, possuídas de temor, glorificaram a Deus, que dera tal autoridade aos homens.

Mateus 28; 18 Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra.

A Palavra de Deus.

2 Timóteo 3; 16 Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça,

2 Pedro 1; 20-21 sabendo, primeiramente, isto: que nenhuma profecia da Escritura provém de particular elucidação; porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana; entretanto, homens santos falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo.

João 6; 63 O espírito é o que vivifica; a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos tenho dito são espírito e são vida.

A Palavra viva traz, em Si, a própria natureza de Deus na segunda pessoa da divindade. O Verbo se fez carne e habitou entre nós. O universo foi criado pela palavra de Deus, e é sustentado por esta palavra. A autoridade de Deus se manifesta na sua palavra escrita, que, ao nos ser revelada, se torna espírito e vida.

Apóstolos.

Efésios 2; 20-21 edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular; no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para santuário dedicado ao Senhor,

1 Coríntios 12; 28 A uns estabeleceu Deus na igreja, primeiramente, apóstolos; em segundo lugar, profetas; em terceiro lugar, mestres; depois, operadores de milagres; depois, dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas.

Autoridades delegadas.

Romanos 13; 1-7 Toda alma esteja sujeita às autoridades superiores; porque não há autoridade que não venha de Deus; e as que existem foram ordenadas por Deus. Por isso quem resiste à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos a condenação. Porque os magistrados não são motivo de temor para os que fazem o bem, mas para os que fazem o mal. Queres tu, pois, não temer a autoridade? Faze o bem, e terás louvor dela; porquanto ela é ministro de Deus para teu bem. Mas, se fizeres o mal, teme, pois não traz debalde a espada; porque é ministro de Deus, e vingador em ira contra aquele que pratica o mal. Pelo que é necessário que lhe estejais sujeitos, não somente por causa da ira, mas também por causa da consciência. Por esta razão também pagais tributo; porque são ministros de Deus, para atenderem a isso mesmo. Dai a cada um o que lhe é devido: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem temor, temor; a quem honra, honra.

Os filhos de Deus deveriam sempre reconhecer autoridade e a quem devem obedecer. Uma pessoa independente e autoconfiante, que não se sujeita a autoridade delegada por Deus, jamais pode realizar a obra de Deus na terra.

Ninguém pode servir ao Senhor adequadamente, sem conhecer autoridade. Quem já se defrontou e compreendeu a autoridade de Deus, encontra autoridade em toda parte e, sendo restringido por Deus, pode ser usado por Ele. Antes de nos submetermos às autoridades delegadas por Deus, precisamos reconhecer a autoridade inerente ao próprio Deus.

Mateus 8; 9 Pois também eu sou homem sujeito à autoridade, tenho soldados às minhas ordens e digo a este: vai, e ele vai; e a outro: vem, e ele vem; e ao meu servo: faze isto, e ele o faz.

Todo cristão deve viver sob autoridade e em obediência, embora muitos têm falhado nesse ponto e nem sabem a quem obedecer. Não temos de escolher a quem obedecer, mas, sim, aprendermos a nos sujeitar a todas as autoridades.

As autoridades que Deus estabeleceu são:

  • Na família: os pais em relação aos filhos e os maridos em relação às esposas.
  • No mundo: os reis, governantes e magistrados, todos os seus representantes em relação aos que lhe são sujeitos; os empregadores e chefias em relação aos empregados e subordinados, os professores em relação aos alunos.
  • Na igreja: os anciãos, em relação ao povo de Deus, irmãos mais velhos e experientes em relação aos mais novos e os obreiros em relação ao seu trabalho.

A igreja é o corpo de Cristo e, no corpo, existe uma lei interna. Cada membro tem a sua função, mas está sujeito à lei do corpo. A característica básica de um corpo é a unidade. Ação independente de um membro do corpo representa doença. Por isso, nenhum filho de Deus pode violar a lei do corpo de Cristo e agir independentemente.

Mateus 18; 15-20 Ora, se teu irmão pecar, vai, e repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, terás ganho teu irmão; mas se não te ouvir, leva ainda contigo um ou dois, para que pela boca de duas ou três testemunhas toda palavra seja confirmada. Se recusar ouvi-los, dize-o à igreja; e, se também recusar ouvir a igreja, considera-o como gentio e publicano. Em verdade vos digo: Tudo quanto ligardes na terra será ligado no céu; e tudo quanto desligardes na terra será desligado no céu. Ainda vos digo mais: Se dois de vós na terra concordarem acerca de qualquer coisa que pedirem, isso lhes será feito por meu Pai, que está nos céus. Pois onde se acham dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.

Devemos reconhecer a autoridade da congregação ou da assembleia e as autoridades individuais, como os anciãos, que são os irmãos investidos de responsabilidade, os líderes e obreiros, os irmãos mais velhos e mais experientes no Senhor e a posição da mulher em relação ao homem sob o sistema de governo.

Condições para o exercício da autoridade.

Existem condições para o exercício de autoridade e toda autoridade delegada deve reconhecer que toda autoridade procede de Deus, ter um conhecimento pessoal de autoridade e exercer a sua autoridade, estando também sob autoridade.

Uma autoridade espiritual precisa conhecer a vontade e os caminhos de Deus e, por representar a autoridade de Deus, jamais presumir ter autoridade em si mesma. Se nada vimos ou recebemos de Deus, nenhuma autoridade temos diante dos homens. Só aqueles que vivem na presença de Deus, e aprendem com Ele, estão qualificados para falar entre os seus irmãos.

Até que saibamos qual que é a vontade de Deus, devemos manter a nossa boca fechada. Uma autoridade espiritual, não precisa se defender ou lutar para estabelecer a sua autoridade. Se alguns quiserem se rebelar e fazer a sua própria vontade, o problema é deles. Qualquer reação, juízo ou defesa, deve proceder de Deus. O governo de Deus é um assunto muito sério. No mundo, autoridade depende de posição. Na igreja, depende de ministério e serviço espiritual. Os que são qualificados para serem autoridade não têm nenhuma intenção de exercerem autoridade, mas de servir e lavar os pés dos seus irmãos.

Rebelião, obediência e submissão

Para os cristãos, a questão de autoridade e obediência, é fundamental. Nós devemos sempre procurar discernir as autoridades e desenvolver um espírito manso e humilde, sensível a qualquer tipo de rebelião.

Rebelião.

A rebelião se estabelece contra o princípio de autoridade do governo de Deus.

O princípio do pecado é o agir independente, fora do governo de Deus e fora da autoridade de Deus. Todo aquele, que não reconhecer o princípio de autoridade e confiar no seu próprio pensamento independente, acabará se rebelando contra Deus e contra as autoridades por Ele instituídas.

Como vimos no capítulo 2, a partir dos anjos, a rebelião se alastrou pela queda do homem e pelo desvio das nações e seus impérios.

O primeiro homem – Adão – está debaixo da transgressão. O segundo homem – Cristo – está debaixo da obediência e autoridade. No Senhor Jesus, vemos um homem que se submeteu plenamente à autoridade de Deus. Ele nada fazia por Si mesmo, e em tudo buscava a vontade do Pai.

A rebelião pode se dar por palavras, argumentos ou pensamentos e se consuma em ações fora do governo de Deus.

2 Pedro 2; 10 , 12 especialmente aqueles que, seguindo a carne, andam em imundas paixões e menosprezam qualquer governo. Atrevidos, arrogantes, não temem difamar autoridades superiores,

Esses, todavia, como brutos irracionais, naturalmente feitos para presa e destruição, falando mal daquilo em que são ignorantes, na sua destruição também hão de ser destruídos.

Judas 8 Ora, estes, da mesma sorte, quais sonhadores alucinados, não só contaminam a carne, como também rejeitam governo e difamam autoridades superiores.

Mateus 12; 34 Raça de víboras, como podeis falar coisas boas, sendo maus? Porque a boca fala do que está cheio o coração.

Romanos 9; 19-20 Tu, porém, me dirás: De que se queixa ele ainda? Pois quem jamais resistiu à sua vontade? Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?! Porventura, pode o objeto perguntar a quem o fez: Por que me fizeste assim?

Isaías 45; 9-12 Ai daquele que contende com o seu Criador! E não passa de um caco de barro entre outros cacos. Acaso, dirá o barro ao que lhe dá forma: Que fazes? Ou: A tua obra não tem alça. Ai daquele que diz ao pai: Por que geras? E à mulher: Por que dás à luz? Assim diz o SENHOR, o Santo de Israel, aquele que o formou: Quereis, acaso, saber as coisas futuras? Quereis dar ordens acerca de meus filhos e acerca das obras de minhas mãos? Eu fiz a terra e criei nela o homem; as minhas mãos estenderam os céus, e a todos os seus exércitos dei as minhas ordens.

2 Coríntios 10; 4 Porque as armas da nossa milícia não são carnais, e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas, anulando nós sofismas e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo,

Os limites da obediência e a submissão.

O Reino de Deus é estabelecido sobre a obediência do Senhor Jesus. O Reino de Deus implica na execução da vontade de Deus sem qualquer interferência. Ensinando os discípulos a orar, o Senhor disse: venha o teu reino e seja feita a tua vontade. A obediência perfeita ocorre na submissão do corpo em relação à cabeça, que representa uma autoridade viva, e orgânica.

A igreja deve manifestar a autoridade de Deus. Cada membro vivendo em plena obediência à cabeça, conforme a vontade de Deus. A ação independente de um membro do corpo representa doença, como um câncer. Precisamos obedecer àquilo que todo o corpo vê diante de Deus, e também rejeitar aquilo que todo o corpo rejeita. Devemos ter muita cautela, com todo aquele que age de forma independente, seguindo os seus próprios desejos e opiniões, sem aceitar a autoridade do corpo e a submissão a cabeça.

Mas pode haver um limite para a obediência, como constatado nas ações dos pais de Moisés, das parteiras hebreias, dos amigos de Daniel ou do próprio Daniel ou dos apóstolos.

Hebreus 11; 23 Pela fé, Moisés, apenas nascido, foi ocultado por seus pais, durante três meses, porque viram que a criança era formosa; também não ficaram amedrontados pelo decreto do rei.

Êxodo 1; 17 As parteiras, porém, temeram a Deus e não fizeram como lhes ordenara o rei do Egito; antes, deixaram viver os meninos.

Daniel 3; 17 Se o nosso Deus, a quem servimos, quer livrar-nos, ele nos livrará da fornalha de fogo ardente e das tuas mãos, ó rei. Se não, fica sabendo, ó rei, que não serviremos a teus deuses, nem adoraremos a imagem de ouro que levantaste.

Daniel 6; 7,10 Todos os presidentes do reino, os prefeitos e sátrapas, conselheiros e governadores concordaram em que o rei estabeleça um decreto e faça firme o interdito que todo homem que, por espaço de trinta dias, fizer petição a qualquer deus ou a qualquer homem e não a ti, ó rei, seja lançado na cova dos leões.

Daniel, pois, quando soube que a escritura estava assinada, entrou em sua casa e, em cima, no seu quarto, onde havia janelas abertas do lado de Jerusalém, três vezes por dia, se punha de joelhos, e orava, e dava graças, diante do seu Deus, como costumava fazer.

Atos 5; 29 Então, Pedro e os demais apóstolos afirmaram: Antes, importa obedecer a Deus do que aos homens.

Toda autoridade delegada vem de Deus, e está sujeita a uma hierarquia, cuja autoridade máxima é o próprio Deus. A nossa sujeição é à autoridade, e não ao homem que está investido dela.

Por isso a submissão, que é uma questão de atitude, deve sempre ser absoluta. Quanto à obediência, que é uma questão de conduta, pode ser relativa, para o caso de violar uma autoridade superior, ou algum princípio por ela estabelecido.

A Posição da Mulher.

1 Coríntios 11; 3,10 Quero, porém, que saibais que Cristo é a cabeça de todo homem, o homem a cabeça da mulher, e Deus a cabeça de Cristo.

Portanto, a mulher deve trazer sobre a cabeça um sinal de submissão, por causa dos anjos.

A questão da posição da mulher na igreja e do sinal de submissão sobre a cabeça está relacionada com o governo de Deus.

Deus mesmo é a cabeça e Ele estabelece Cristo como cabeça e depois o homem como cabeça.

Um dia, o mundo inteiro reconhecerá que Cristo é o cabeça e que tem preeminência sobre toda a criação. Por isso, todos devem se submeter à autoridade de Cristo. Mas hoje apenas a igreja reconhece isso.

Da mesma forma, Deus estabelece o homem como cabeça da mulher e apenas a igreja reconhece isso hoje.

O governo de Deus é inviolável e a graça não interfere com ele, porém, ao contrário, o sustenta.

Ninguém deve subestimar a autoridade do governo de Deus por ter se tornado cristão. Ninguém pode dizer que não precisa mais pagar impostos porque se tornou cristão e cidadão do reino de Deus. Ao contrário, quanto melhor for um cristão, mais ele irá manter e se submeter ao governo de Deus e é isto que significa o sinal de submissão sobre a cabeça: eu me submeto ao governo de Deus.

Na verdade, todos os homens devem ter a cabeça coberta em relação a Cristo. Mas, o privilégio de manifestar de forma visível o governo de Deus sobre a terra é dado às mulheres.

As mulheres devem cobrir a cabeça, não apenas por elas mesmas, mas também de forma representativa, pelos homens e por Cristo.

Quando a cabeça não está coberta é como se existissem duas cabeças, o que não é possível sob o governo de Deus.

A cabeça coberta é um testemunho para os anjos que se rebelaram contra a autoridade de Deus e expuseram suas cabeças. Por isso, Satanás não gosta muito do ensino sobre o véu e tudo faz para que ele não seja ensinado nas igrejas ou que seja considerado como algo cultural, que não mais se aplica nos dias de hoje.

Apenas entre os cristãos se requer que os homens tenham a cabeça descoberta e a mulher a cabeça coberta.

1 Coríntios 11; 4-7 Todo homem que ora ou profetiza com a cabeça coberta desonra a sua cabeça. Mas toda mulher que ora ou profetiza com a cabeça descoberta desonra a sua cabeça, porque é a mesma coisa como se estivesse rapada. Portanto, se a mulher não se cobre com véu, tosquie-se também; se, porém, para a mulher é vergonhoso ser tosquiada ou rapada, cubra-se com véu. Pois o homem, na verdade, não deve cobrir a cabeça, porque é a imagem e glória de Deus; mas a mulher é a glória do homem.

A questão de se cobrir a cabeça com um véu é um fato extremamente simples, mas que constitui um testemunho extremamente grande diante de todo o universo: que ninguém deve expor a sua cabeça diante de Deus e que a autoridade e a soberania de Deus estão acima de todas a coisas.

1 Coríntios 14; 34-35 Como em todas as igrejas dos santos, as mulheres estejam caladas nas igrejas; porque lhes não é permitido falar; mas estejam submissas como também ordena a lei. E, se querem aprender alguma coisa perguntem em casa a seus próprios maridos; porque é indecoroso para a mulher o falar na igreja.

Em relação à não permissão da mulher falar à igreja, por alguns entendidas como cláusula de exceção, que se sobreporia à permissão para profetizar e orar sob cobertura, devemos entendê-la, no contexto dos capítulos 10 a 14 da primeira carta aos Coríntios, como se referindo ao não julgamento dos que estão profetizando, ou ao falar desordenado que perturbe a ordem da reunião e não represente o “todos podem profetizar” ou orar, dentro dos limites de não exercer autoridade sobre o homem ou definir doutrina.

1 Timóteo 2; 11-12 A mulher aprenda em silêncio com toda a submissão. Pois não permito que a mulher ensine, nem tenha domínio sobre o homem, mas que esteja em silêncio.

OBEDIÊNCIA E VONTADE DE DEUS.

Perdão e obediência.

O perdão e a obediência devem ser aprendidos e praticados desde o início da vida cristã. Na verdade, como o perdão depende fundamentalmente de obediência, e não de sentimento, foi destacado, devido às suas profundas consequências para a nossa vida espiritual.

A base segundo a qual o Senhor requer que perdoemos os nossos devedores ou quem nos tenha ofendido é que Ele próprio nos perdoou de dívidas e ofensas muito maiores que as que possamos ter sofrido.

Mateus 18; 21-35 Então Pedro, aproximando-se dele, lhe perguntou: Senhor, até quantas vezes pecará meu irmão contra mim, e eu hei de perdoar? Até sete? Respondeu-lhe Jesus: Não te digo que até sete; mas até setenta vezes sete. Por isso o reino dos céus é comparado a um rei que quis tomar contas a seus servos; e, tendo começado a tomá-las, foi-lhe apresentado um que lhe devia dez mil talentos; mas não tendo ele com que pagar, ordenou seu senhor que fossem vendidos, ele, sua mulher, seus filhos, e tudo o que tinha, e que se pagasse a dívida. Então aquele servo, prostrando-se, o reverenciava, dizendo: Senhor, tem paciência comigo, que tudo te pagarei. O senhor daquele servo, pois, movido de compaixão, soltou-o, e perdoou-lhe a dívida. Saindo, porém, aquele servo, encontrou um dos seus conservos, que lhe devia cem denários; e, segurando-o, o sufocava, dizendo: Paga o que me deves. Então o seu companheiro, caindo-lhe aos pés, rogava-lhe, dizendo: Tem paciência comigo, que te pagarei. Ele, porém, não quis; antes foi encerrá-lo na prisão, até que pagasse a dívida. Vendo, pois, os seus conservos o que acontecera, contristaram-se grandemente, e foram revelar tudo isso ao seu senhor. Então o seu senhor, chamando-o á sua presença, disse-lhe: Servo malvado, perdoei-te toda aquela dívida, porque me suplicaste; não devias tu também ter compaixão do teu companheiro, assim como eu tive compaixão de ti? E, indignado, o seu senhor o entregou aos verdugos, até que pagasse tudo o que lhe devia. Assim vos fará meu Pai celestial, se de coração não perdoardes, cada um a seu irmão.

O assunto do perdão é muito importante na palavra de Deus e tem implicações, não apenas neste século presente em que estamos vivendo, mas também no século vindouro.

A dívida de dez mil talentos se refere a uma dívida impagável (da ordem de sessenta milhões de dias de trabalho), cujo perdão pode ser comparado ao perdão de Deus e à nossa salvação eterna.

Este perdão de Deus tem como base a obra consumada da redenção e o poder do sangue de Jesus e continua disponível sempre que pecarmos.

1 João 2; 12 Filhinhos, eu vos escrevo, porque os vossos pecados são perdoados por amor do seu nome.

1 João 1; 7-9 mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus seu Filho nos purifica de todo pecado. Se dissermos que não temos pecado nenhum, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.

Podemos confessar os pecados diretamente a Deus, mas também aos irmãos. O perdão confirmado ou administrado pelos servos de Deus tem também como base a certeza do perdão de Deus e a eficácia do sangue de Jesus.

Tiago 5; 16 Confessai, portanto, os vossos pecados uns aos outros, e orai uns pelos outros, para serdes curados. A súplica de um justo pode muito na sua atuação.

João 20; 23 Àqueles a quem perdoardes os pecados, são-lhes perdoados; e àqueles a quem os retiverdes, são-lhes retidos.

A igreja declara o que Deus consumou na obra da redenção e abre o caminho da comunhão. A igreja reconhece que a pessoa que creu em Jesus tem os seus pecados perdoados e declara, publicamente, que os pecados daquela pessoa estão perdoados, atestando o perdão que Deus concedeu.

Mas não é a ação da igreja que faz com que os pecados de alguém sejam perdoados, mas sim o sangue de Cristo.

Nem sempre o perdão de nossos pecados anula as consequências deles, como aconteceu com Davi.

Gálatas 6; 7 Não vos enganeis; Deus não se deixa escarnecer; pois tudo o que o homem semear, isso também ceifará.

A dívida de cem denários, e o seu perdão, podem ser relacionados com o perdão entre irmãos ou conservos e Deus, por nos ter perdoado da dívida impagável, demanda que também sejamos perdoadores.

Mateus 6; 12-15 e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós também temos perdoado aos nossos devedores; e não nos deixes entrar em tentação; mas livra-nos do mal. Porque teu é o reino e o poder, e a glória, para sempre, Amém. Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós; se, porém, não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai perdoará vossas ofensas.

Esse perdão e acerto de contas pode ter consequências não apenas nesse século presente, mas também no vindouro.

Mateus 5; 23-26 Portanto, se estiveres apresentando a tua oferta no altar, e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai conciliar-te primeiro com teu irmão, e depois vem apresentar a tua oferta. Concilia-te depressa com o teu adversário, enquanto estás no caminho com ele; para que não aconteça que o adversário te entregue ao guarda, e sejas lançado na prisão. Em verdade te digo que de maneira nenhuma sairás dali enquanto não pagares o último ceitil.

Não devemos deixar pendências e acertos para serem feitos no século vindouro ou no tribunal de Cristo.

Tiago 2; 13 Porque o juízo será sem misericórdia para aquele que não usou de misericórdia; a misericórdia triunfa sobre o juízo.

O perdão depende de obediência, mas a obediência se aplica em toda a nossa vida, desde o novo nascimento, quando começamos a andar com Deus, ouvindo e obedecendo às suas palavras.

Mateus 7; 24-25 Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as põe em prática, será comparado a um homem prudente, que edificou a casa sobre a rocha. E desceu a chuva, correram as torrentes, sopraram os ventos, e bateram com ímpeto contra aquela casa; contudo não caiu, porque estava fundada sobre a rocha.

Josué 1; 8 Não se aparte da tua boca o livro desta lei, antes medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer conforme tudo quanto nele está escrito; porque então farás prosperar o teu caminho, e serás bem sucedido.

1 Samuel 15; 22-23 Samuel, porém, disse: Tem, porventura, o Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrifícios, como em que se obedeça à voz do Senhor? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar, e o atender, do que a gordura de carneiros Porque a rebelião é como o pecado de adivinhação, e a obstinação é como a iniquidade de idolatria. Porquanto rejeitaste a palavra do Senhor, ele também te rejeitou, a ti, para que não sejas rei.

Este assunto de obediência e submissão foi visto em mais detalhes no capítulo 14 sobre autoridade e se aplica também a outras autoridades delegadas.

Colossenses 3; 20-22 Vós, filhos, obedecei em tudo a vossos pais; porque isto é agradável ao Senhor. Vós, pais, não irriteis a vossos filhos, para que não fiquem desanimados. Vós, servos, obedecei em tudo a vossos senhores segundo a carne, não servindo somente à vista como para agradar aos homens, mas em singeleza de coração, temendo ao Senhor.

Hebreus 13; 17 Obedecei a vossos guias, sendo-lhes submissos; porque velam por vossas almas como quem há de prestar contas delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil.

Vontade de Deus

Um outro aprendizado fundamental, tanto no início, como ao longo de toda a vida cristã, é sobre como descobrir a vontade de Deus.

Um cristão nascido de novo não deve mais continuar vivendo e agindo por conta própria e deve começar a viver a vida em submissão, dependência e obediência a Deus.

Efésios 4; 21-24 se é que o ouvistes, e nele fostes instruídos, conforme é a verdade em Jesus, a despojar-vos, quanto ao procedimento anterior, do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano; a vos renovar no espírito da vossa mente; e a vos revestir do novo homem, que segundo Deus foi criado em verdadeira justiça e santidade.

Fazer a vontade de Deus nos traz paz e alegria e devemos busca-la desde o princípio.

Atos dos Apóstolos 22; 10 Então disse eu: Senhor que farei? E o Senhor me disse: Levanta-te, e vai a Damasco, onde se te dirá tudo o que te é ordenado fazer.

A vontade de Deus não pode ser algo escondido e muito difícil de se achar. Deus mesmo, como nosso Pai, deseja que conheçamos, de forma clara, qual é a sua vontade para cada decisão ou momento em nossas vidas.

Romanos 12; 2 E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.

João 7; 16-17 Respondeu-lhes Jesus: A minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou. Se alguém quiser fazer a vontade de Deus, há de saber se a doutrina é dele, ou se eu falo por mim mesmo.

Existem alguns aspectos práticos que nos ajudam a discernir a vontade de Deus. Devemos crer que Deus quer nos revelar a sua vontade e que usa todas as circunstâncias para isso.

Um aspecto importante é a paz no coração e o sentimento interior de que o Espírito Santo confirma uma dada direção.

Filipenses 4; 7 e a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus.

Colossenses 3; 15 E a paz de Cristo, para a qual também fostes chamados em um corpo, domine em vossos corações; e sede agradecidos.

Outro aspecto é o alinhamento das circunstâncias.

Romanos 8; 27-28 E aquele que esquadrinha os corações sabe qual é a intenção do Espírito: que ele, segundo a vontade de Deus, intercede pelos santos. E sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.

Um terceiro aspecto é o ensino e confirmação pela palavra escrita de Deus. Deus nunca confirma uma direção que contraria o que Ele já falou e revelou em sua palavra.

Na maior parte dos casos, estes três fatores são suficientes para se conhecer a vontade de Deus, mas ainda há um quarto aspecto que pode muito ajudar, caso ainda permaneça alguma insegurança. Esse quarto aspecto é a concordância de dois ou três irmãos idôneos e que possam aconselhar sobre a direção a ser tomada.

Mateus 18; 19-20 Ainda vos digo mais: Se dois de vós na terra concordarem acerca de qualquer coisa que pedirem, isso lhes será feito por meu Pai, que está nos céus. Pois onde se acham dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.

Provérbios 11; 14 Quando não há sábia direção, o povo cai; mas na multidão de conselheiros há segurança.

A segurança sobre a vontade de Deus é reforçada pela concordância de todos estes aspectos ou fatores.

RELACIONAMENTOS.

Escolha do cônjuge e relação antes do casamento.

A Palavra de Deus não estabelece regras definidas sobre como devemos nos aproximar de uma pessoa com vistas ao casamento, mas sempre devemos fazê-lo com sabedoria, discernimento e plena submissão ao Espírito Santo de Deus.

Essa aproximação deve ter o casamento realmente em vista e, sendo o homem espírito, alma e corpo, a aproximação deve começar pelo espírito. Para um cristão, não há como começar um relacionamento, aprovado por Deus, com alguém que ainda não nasceu de novo e não tem a vida do Senhor.

Depois, a aproximação prosseguiria pelo compartilhar mais amplo de emoções e decisão da alma, com convivência mais próxima e em separado, porém sempre diante de Deus e, ainda, sem muito envolvimento físico, de forma a não gerar defraudação, ou uma união física precipitada, fora da aliança de matrimônio, sob o domínio de paixões e desejos da carne.

Por fim, mediante o compromisso e aliança de matrimônio diante de Deus e da igreja, a aproximação se consuma no casamento pela união dos corpos.

Começar a aproximação pelo corpo sempre trará grandes dificuldades e dano às consciências. Precisamos respeitar os princípios de Deus e também a pessoa com a qual pretendemos compartilhar toda a nossa vida. Se é por toda a vida, podemos esperar por alguns meses ou mesmo o tempo que for necessário, para fazermos tudo na luz Deus e de acordo com sua soberana vontade.

Os padrões do mundo e os costumes das épocas jamais alteram os pensamentos e os propósitos de Deus. Por isso, precisamos voltar aos princípios. Devemos sempre procurar entrar pela porta estreita e caminhar pelo caminho estreito e não pelo caminho largo e desenfreado do mundo.

Dois jovens cristãos sequer deveriam cogitar de se envolverem em relações prematuras de autogratificação, por se sentirem atraídos ou gostarem um do outro, sem buscarem, antes de tudo, agradar e obedecer a Deus, desde o início da aproximação. Devem almejar aprenderem a se relacionar com pessoas do sexo oposto de forma segura e saudável, com o objetivo de se conhecerem melhor, sabendo, de início, que a pessoa de quem se aproximam pode ainda não ser a pessoa com a qual se irá estabelecer um compromisso por toda a vida.

Qualquer relação deve se iniciar pela aproximação espiritual para mútuo conhecimento e confirmação dos objetivos perante Deus, o que, no mundo, se chamaria de namoro ou despertamento inicial. Essa primeira aproximação deveria ser uma relação espiritual, a ser vivenciada em meio à comunhão dos santos e dentro da proteção do corpo de Cristo, sem muito envolvimento físico e compromisso definido.

Em seguida, após confirmações das intenções e aprovação do Senhor, da família e da igreja, segue-se o início da aproximação mais afetiva e emocional, envolvendo a alma, caracterizando o compromisso firmado ou a relação de noivado.

Por fim, se a relação continuar sendo confirmada, segue-se o casamento com a união física, entre os corpos, se tornando uma única carne.

A palavra de Deus não recomenda união em jugo desigual, ou seja, um cristão se casar com alguém que não nasceu de novo:

2 Coríntios 6; 15 Que harmonia, entre Cristo e o Maligno? Ou que união, do crente com o incrédulo?

Esta recomendação não se aplica a nascidos de novo após o casamento, quando um dos cônjuges se converte e o outro não, mas apenas à escolha de cônjuges por cristãos.

Deuteronômio 7; 3-4 nem contrairás matrimônio com os filhos dessas nações; não darás tuas filhas a seus filhos, nem tomarás suas filhas para teus filhos; pois elas fariam desviar teus filhos de mim, para que servissem a outros deuses; e a ira do Senhor se acenderia contra vós outros e depressa vos destruiria.

Deus criou um universo de propósito e tem um propósito em todas as coisas e é insensato iniciar um relacionamento sem clara compreensão e compromisso com os propósitos de Deus.

Todos, que não forem mais sábios do que Salomão, mais piedosos que o rei Davi, ou mais fortes do que Sansão, estão susceptíveis de pecarem na área da sexualidade.

Tendo em vista a natural inexperiência e insegurança na juventude para iniciar relacionamentos, ainda que emocionantes e gratificantes, podem se tornar complexos e confusos, alguns aspectos práticos, mesmo que não claramente estabelecidos na palavra escrita, mas baseados nos princípios nela estabelecidos, podem ser de ajuda.

  • Levar a sério a instrução de não se envolver em jugo desigual (2 Co 6; 14)
  • Aprender a se relacionar e amar, priorizando o interesse do outro e a comunhão, não aprofundando a relação até clara e mútua confirmação de se estar pronto para o casamento.
  • Dependência e obediência ao Espírito Santo na disciplina e domínio próprio para manter desejos de aproximação física e paixões sob controle.
  • Investir tempo no crescimento espiritual, evitando envolvimentos românticos prematuros.
  • Buscar a santificação, a pureza diante de Deus e aconselhamento, sempre que necessário, com pais e conselheiros que conheçam os princípios da palavra de Deus e que sejam realmente comprometidos com a proteção e saúde espiritual, emocional, física ou social dos que se envolvem num relacionamento afetivo.
  • Adequar a expressão física de afeto ao nível e comprometimento do relacionamento, estabelecendo limites de comum acordo, de forma responsável e madura, conforme os princípios da palavra de Deus, sem despertar desejos sensuais que ultrapassem os limites do amor fraterno e o princípio claro da palavra de Deus, de que apenas o casamento é a provisão de Deus para tais desejos e que toda relação, que envolve a sexualidade despertada antes do casamento, é defraudação e pecado.
  • Evitar a relação dois a dois, ambientes alternativos e o isolamento social prematuro, mantendo as relações sociais, congregacionais e familiares.

Amizades e mundo.

A relação de amizade não é enfatizada na bíblia e existem poucas menções.

Atos dos Apóstolos 27; 3 No dia seguinte chegamos a Sidom, e Júlio, tratando Paulo com bondade, permitiu-lhe ir ver os amigos e receber deles os cuidados necessários.

No mundo, as relações de amizade são as mais importantes, após as relações familiares ou de sangue, mas entre os santos, essa importância diminui ao ser suplantada pelas relações fraternas entre irmãos e as amizades com o mundo vão sendo alteradas.

Como consequência do pecado, da alienação em relação a Deus, do domínio de Satanás sobre o mundo e dos costumes gerados em decorrência, vivemos um tempo complexo, em aceleradas transformações, caminhando para a fase final da história humana, tal como vivida até estes dias e se afastando cada vez mais da Palavra viva de Deus.

Todo o sistema do mundo jaz no maligno e está estruturado para nos afastar cada vez mais dos caminhos de Deus, através de quase tudo ao nosso redor:

  • Mídia de televisão, internet e cinemas;
  • Aparelhos celulares inteligentes e suas mídias sociais e vícios de uso;
  • Comércio, dinheiro e todo o sistema financeiro;
  • Vida urbana em grandes cidades, drogas e criminalidade;
  • Vestimenta, moda e costumes;
  • Desagregação da sexualidade, relações interpessoais e dos valores familiares;
  • Religião e espiritualidade;
  • Cultura, filosofia e pedagogia;
  • Sistema político, domínio do estado e a nova ordem mundial.

1 João 5; 19 Sabemos que somos de Deus, e que o mundo inteiro jaz no Maligno.

1 João 2; 15-18 Não ameis o mundo, nem o que há no mundo. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não vem do Pai, mas sim do mundo. Ora, o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus, permanece para sempre. Filhinhos, esta é a última hora; e, conforme ouvistes que vem o anticristo, já muitos anticristos se têm levantado; por onde conhecemos que é a última hora.

Tiago 4; 4 Infiéis, não sabeis que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus.

O único porto seguro é a palavra de Deus, na disciplina e dependência do Espírito Santo.

As relações antigas de amizade têm que ser adaptadas para não prejudicar o crescimento espiritual. Não devemos hostilizar ou simplesmente romper com os amigos antigos, mas relações profundas e íntimas com pessoas do mundo não devem continuar da mesma forma de antes, uma vez que recebemos uma nova vida e um novo Amigo quando nascemos de novo.

Se os antigos amigos não quiserem se tornar amigos do novo Amigo, a relação de amizade precisará ser redefinida. Para tanto, é fundamental comunicar aos antigos amigos sua fé no Senhor Jesus Cristo e apresentar a eles o novo Amigo, para que eles não continuem a inclui-lo em antigos programas, que não sejam adequados para o novo Amigo também participar.

Com o passar do tempo, ou os antigos amigos também aceitam o novo Amigo ou se afastam. Manter contatos prolongados com amizades do mundo pode ser prejudicial à vida espiritual e nos puxam para baixo, sendo difícil manter um comportamento adequado em ambientes mundanos.

1 Coríntios 15; 33 Não vos enganeis. As más companhias corrompem os bons costumes.

Salmos 1; 1 Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores;

2 Coríntios 6; 14-18 Não vos prendais a um jugo desigual com os incrédulos; pois que sociedade tem a justiça com a injustiça? ou que comunhão tem a luz com as trevas? Que harmonia há entre Cristo e Belial? ou que parte tem o crente com o incrédulo? E que consenso tem o santuário de Deus com ídolos? Pois nós somos santuário de Deus vivo, como Deus disse: Neles habitarei, e entre eles andarei; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. Pelo que, saí vós do meio deles e separai-vos, diz o Senhor; e não toqueis coisa imunda, e eu vos receberei; e eu serei para vós Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-Poderoso.

Na igreja, a amizade tem que se desenvolver sob uma base completamente nova, após anos de experiência na relação fraterna entre irmãos, com a maturidade espiritual possibilitando que irmãos e irmãs também se tornem amigos.

3 João 1; 14 Espero, porém, ver-te brevemente, e falaremos face a face. Paz seja contigo. Os amigos te saúdam. Saúda os amigos nominalmente.

CASAMENTO.

Casamento.

Quando Deus criou o homem à sua imagem e semelhança, Ele os criou homem e mulher e os abençoou dizendo que eles deveriam frutificar, multiplicar, encher e sujeitar a terra e dominar sobre os animais.

Gênesis 1; 27-28 Criou, pois, Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. Então Deus os abençoou e lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos; enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra.

Disse também que não era bom que o homem estivesse só e formou a mulher para lhe ser uma ajudadora idônea (Gn 2; 18). Após a queda, Deus disse à mulher que o desejo dela seria para o seu marido e que ele a dominaria (Gn 3; 16b).

Conversando com a mulher samaritana junto ao poço de Jacó, o Senhor disse que quem bebesse daquela água tornaria a ter sede (Jo 4; 13). Aquela era uma mulher que não tinha paz e que jamais se satisfazia; que já tinha tido cinco maridos e que naquela ocasião tinha um sexto homem em sua vida, que não era seu marido. Ninguém pode se satisfazer trocando de marido ou de esposa, ou tendo muitos e variados relacionamentos fora dos propósitos de Deus.

As justificativas da psicologia, a liberação ou emancipação da mulher, o mercado do sexo, as distorções da pornografia e a disponibilidade ou facilidade de se conseguir parceiros não trouxeram saciedade e plena satisfação a ninguém; mas somente aumentaram a sede de uma forma enganosa e pervertida, degradando os seres humanos e levando-os a desonrarem os seus próprios corpos (Rm 1; 24-28).

Gênesis 6:5 Viu o Senhor que era grande a maldade do homem na terra, e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era má continuamente.

Se pudéssemos ver o que se passa dentro das pessoas e ler os seus pensamentos, ficaríamos bastante surpresos com o tempo e a forma com que assuntos desta natureza, ligados a relacionamentos e ao desejo de satisfazermos nossas necessidades afetivas e sexuais, ocupam suas mentes.

Ficaríamos mais surpresos, ainda, ao constatarmos que grande parte desses pensamentos são impuros e se ocupam com esses assuntos de forma independente dos propósitos e intenções de Deus.

Precisamos voltar ao princípio e aos princípios do propósito de Deus. A provisão de Deus para a satisfação de nossas necessidades afetivas e sexuais é o casamento.

O casamento é a união carnal física e indissolúvel, estabelecida por Deus, entre um homem e uma mulher, que se unem, sob o compromisso de uma aliança de matrimônio, constituindo uma família e tornando-se uma só carne.

A aliança de matrimônio, estabelecida diante de Deus, implica na união física, que consuma o casamento e faz com que um homem e uma mulher, se tornem uma só carne aos olhos de Deus por toda a vida.

O casamento é estabelecido por Deus mediante a decisão voluntária e a união física dos noivos. Nenhuma cerimônia religiosa pode estabelecer um casamento. Embora não haja necessidade de oficialização por ministros religiosos, uma vez que não é a cerimônia, a benção, sacramento ou oração que efetiva o casamento, recomenda-se ampla e prévia comunicação à assembleia de irmãos antes da consumação do casamento e o registro civil, conforme a lei dos homens.

A igreja participa e testemunha a decisão dos noivos, mas não pode, por si mesma, estabelecer ou desfazer qualquer casamento. Por isso, toda questão relacionada a casamento deve ser resolvida e estabelecida diante de Deus, mediante o testemunho e a concordância da igreja. Maridos devem deixar pai e mãe para se unir à sua mulher, estabelecendo uma família e um novo lar, amando-a, cuidando dela e se alegrando com ela.

Gênesis 2; 24 Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne.

Mateus 19; 4-6 Então, respondeu ele: Não tendes lido que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher e que disse: Por esta causa deixará o homem pai e mãe e se unirá a sua mulher, tornando-se os dois uma só carne? De modo que já não são mais dois, porém uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem.

Malaquias 2; 14 E perguntais: Por quê? Porque o Senhor foi testemunha da aliança entre ti e a mulher da tua mocidade, com a qual tu foste desleal, sendo ela a tua companheira e a mulher da tua aliança.

Hebreus 13; 4 Digno de honra entre todos seja o matrimônio, bem como o leito sem mácula; porque Deus julgará os impuros e adúlteros.

Romanos 7; 2-3 Ora, a mulher casada está ligada pela lei ao marido, enquanto ele vive; mas, se o mesmo morrer, desobrigada ficará da lei conjugal. De sorte que será considerada adúltera se, vivendo ainda o marido, unir-se com outro homem; porém, se morrer o marido, estará livre da lei e não será adúltera se contrair novas núpcias.

1 Coríntios 7; 39 A mulher está ligada enquanto vive o marido; contudo, se falecer o marido, fica livre para casar com quem quiser, mas somente no Senhor.

O casamento tem como objetivo que o homem não fique só, que se multiplique sob a terra e que haja provisão para o desejo sexual que impulsiona a união e a multiplicação.

Gênesis 2; 18 Disse mais o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma ajudadora que lhe seja idônea.

Gênesis 1; 28 E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra.

Eclesiastes 4; 9-11 Melhor é serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho. Pois se caírem, um levantará o seu companheiro; mas ai do que estiver só, pois, caindo, não haverá outro que o levante. Também, se dois dormirem juntos, eles se aquentarão; mas um só como se aquentará?

1 Coríntios 7; 2 mas, por causa da impureza, cada um tenha a sua própria esposa, e cada uma, o seu próprio marido.

1 Coríntios 7; 9 Mas, se não podem conter-se, casem-se. Porque é melhor casar do que abrasar-se.

Qualquer outro tipo de relação, quer por descompromisso ou por ser prematura, é contrária aos propósitos de Deus e representa o domínio da concupiscência da carne e dos sentidos, que pode levar à defraudação, pelo despertamento de desejos e sensações físicas, que não poderão ser atendidos de uma maneira santa, conforme os propósitos de Deus (1 Ts 4; 4-8). Contudo, o que foi estabelecido por Deus permanece o mesmo; quando um homem se une a uma mulher, eles se tornam, aos olhos de Deus, como uma só carne (1 Cor 6; 16).

Por isso, qualquer união carnal fora do compromisso e aliança de matrimônio gera uma tremenda confusão em relação aos princípios de Deus e representa uma violação do seu grandioso e perfeito propósito na criação do ser humano como homem e mulher. Uniões fora do compromisso do matrimônio, em troca de um breve e pecaminoso momento de prazer, podem gerar muita confusão e dor, que terão consequências no século vindouro, quando todas as coisas ocultas virão à luz e terão que ser acertadas. Por isso, a Palavra de Deus nos diz, tão clara e enfaticamente, para fugirmos desse tipo de situação (1 Cor 6; 18; Gn 39; 12).

Provérbios 5; 18 Seja bendito o teu manancial, e alegra-te com a mulher da tua mocidade,

Eclesiastes 9; 9 Goza a vida com a mulher que amas, todos os dias de tua vida fugaz, os quais Deus te deu debaixo do sol; porque esta é a tua porção nesta vida pelo trabalho com que te afadigaste debaixo do sol.

Efésios 5; 25 Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela,

1 Pedro 3; 7 Maridos, vós, igualmente, vivei a vida comum do lar, com discernimento; e, tendo consideração para com a vossa mulher como parte mais frágil, tratai-a com dignidade, porque sois, juntamente, herdeiros da mesma graça de vida, para que não se interrompam as vossas orações.

As mulheres devem honrar o marido, sendo-lhes submissas e fiéis, cuidando e edificando sua casa.

Ester 1; 20 Quando for ouvido o mandado, que o rei decretar em todo o seu reino, vasto que é, todas as mulheres darão honra a seu marido, tanto ao mais importante como ao menos importante.

Provérbios 31; 27 Atende ao bom andamento da sua casa e não come o pão da preguiça.

1 Timóteo 5; 14 Quero, portanto, que as viúvas mais novas se casem, criem filhos, sejam boas donas de casa e não deem ao adversário ocasião favorável de maledicência.

Tito 2; 5a serem sensatas, honestas, boas donas de casa, bondosas, sujeitas ao marido, para que a palavra de Deus não seja difamada.

Efésios 5; 22-23 As mulheres sejam submissas ao seu próprio marido, como ao Senhor; porque o marido é o cabeça da mulher, como também Cristo é o cabeça da igreja, sendo este mesmo o salvador do corpo.

1 Pedro 3; 1 Mulheres, sede vós, igualmente, submissas a vosso próprio marido, para que, se ele ainda não obedece à palavra, seja ganho, sem palavra alguma, por meio do procedimento de sua esposa,

1 Timóteo 3; 11 Da mesma sorte, quanto a mulheres, é necessário que sejam elas respeitáveis, não maldizentes, temperantes e fiéis em tudo.

Família e criação de filhos

A família foi estabelecida por Deus e é a base principal das relações humanas. Os pais precisam conhecer a disciplina e o ensinamento do Senhor para se controlarem e cumprirem sua missão na criação dos filhos, que Deus lhes confia, em corpo, alma e espírito. A responsabilidade dos pais é grande e o futuro da próxima geração depende, em parte, deles. Ninguém pode influenciar e afetar mais a vida de outras pessoas, do que os pais podem influenciar os filhos.

Os pais devem se controlar e se santificarem em benefício dos filhos. O que os filhos veem no comportamento de seus pais os acompanha por toda a vida e eles não tem como se proteger.

Pai e mãe devem sempre estar de acordo na educação, restrição e instrução dos filhos e não devem permitir que as crianças descubram diferenças e forma de escape dos limites estabelecidos pelos pais.

A autoridade dos pais não é ilimitada e o direito dos filhos à liberdade e individualidade deve ser respeitado. Disciplina deve ser aplicada com sabedoria e cortesia sem provocar a ira dos filhos pelo abuso da autoridade. Não há covardia maior do que oprimir o fraco e o pequeno, que não tem como se defender e os pais irão prestar conta da missão que Deus lhes confiou.

Nunca se deve disciplinar filhos quando se está nervoso, ou sob perda de controle, e disciplina não deve se tornar habitual e repetitiva.

Provérbios 19; 18 Corrige a teu filho enquanto há esperança; mas não te incites a destruí-lo.

Não basta disciplinar. É necessário demonstrar aprovação, apreciação e elogiar os filhos sempre que agirem bem.

As instruções devem ser claras e ordens devem ser monitoradas no seu cumprimento, para não se tornarem vazias ou postergadas excessivamente. Promessas devem ser cumpridas e tudo que é dito deve ser valorizado e levado a sério.

A criação dos filhos deve ser na disciplina e admoestação do Senhor, não incentivando orgulho, ensinando-os a aceitarem derrotas e a aprenderem com elas e a serem humildes de espírito.

Os filhos devem ser ensinados, desde cedo, a fazerem escolhas e a cuidar de suas coisas e da casa.

Efésios 6; 1-4 Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo. Honra a teu pai e a tua mãe (que é o primeiro mandamento com promessa), para que te vá bem, e sejas de longa vida sobre a terra. E vós, pais, não provoqueis à ira vossos filhos, mas criai-os na disciplina e admoestação do Senhor.

Provérbios 29; 17 Corrige a teu filho, e ele te dará descanso; sim, deleitará o teu coração.

Provérbios 13; 24 Aquele que poupa a vara aborrece a seu filho; mas quem o ama, a seu tempo o castiga.

Provérbios 23; 13 Não retires da criança a disciplina; porque, fustigando-a tu com a vara, nem por isso morrerá.

Provérbios 22; 6 Instrui o menino no caminho em que deve andar, e até quando envelhecer não se desviará dele.

Devemos conduzir nossos filhos ao Senhor e não os perder para o mundo, para terem que ser resgatados depois.

É fundamental desenvolver um ambiente de amor, de franca comunicação em família e ter, pelo menos, um momento devocional familiar adequado à idade dos filhos, para compartilhar a palavra, orar ou simplesmente ter comunhão em família centrada na pessoa do Senhor Jesus Cristo e em sua palavra.

Divórcio e novo casamento

Um cristão nunca deve tomar a iniciativa de separação, sendo qualquer divórcio abominável ao Senhor, não devendo o homem separar o que Deus uniu.

1 Coríntios 5; 10 Ora, aos casados, ordeno, não eu, mas o Senhor, que a mulher não se separe do marido.

Mateus 19; 6 Assim já não são mais dois, mas um só carne. Portanto o que Deus ajuntou, não o separe o homem.

Em termos gerais, apenas o adultério, que destrói a união carnal entre os cônjuges, pela união ilícita de um deles com outra carne, possibilita, sem eliminar a possibilidade de perdão e reconciliação, um eventual novo casamento, desde que seja no Senhor.

Adultério é a união carnal de uma pessoa casada com qualquer outra pessoa do sexo oposto que não seja o próprio cônjuge.

Situações de novos casamentos estáveis, do ponto de vista de aliança matrimonial, por ocasião do novo nascimento de um dos cônjuges ou de ambos, não precisam ser desfeitas e devem ser tratadas caso a caso, em função da diversidade de situações anteriores possíveis.

Em situações presentes, o cônjuge ofendido deve sempre perdoar o cônjuge ofensor, com recomendação de reconciliação e renovação da aliança matrimonial, sempre que possível, e com arrependimento e retratação por parte do cônjuge ofensor, porém a ser feita, caso a caso, e sem obrigatoriedade de aceitação por parte do cônjuge ofendido.

Não existe concordância entre todos os cristãos sobre divórcio e novo casamento. Não havendo concordância e nem disposição na igreja para se chegar a um acordo, fica difícil se conhecer a mente do Senhor a respeito de qualquer assunto. A omissão da igreja como um todo a esse respeito, faz com que muitas vezes tenhamos que recorrer diretamente ao próprio cabeça da igreja em cada caso específico, a depender do Espírito Santo e a ouvir a voz de nossas próprias consciências, bem como a concordância de dois ou três irmãos idôneos que possam se dispor a ajudar, e a buscar a direção do Senhor para cada situação específica.

Alguns cristãos, com base na ordenação de Deus para o casamento, o que Deus uniu não separe o homem, não aceitam o novo casamento em hipótese alguma.

Outros, com base em Mateus 19; 9, chamada de cláusula de exceção, aceitam o novo casamento do cônjuge ofendido, em casos de adultério do outro cônjuge, ainda que a palavra específica utilizada nessa cláusula de exceção se refira a qualquer pecado grave ligado à sexualidade e não especificamente ao adultério e que essa exceção não seja mencionada nos outros evangelhos.

Já irmãos de posição mais liberal aceitam o novo casamento, também, para casos de abandono e separação unilateral por parte de um dos cônjuges, mesmo que o texto não seja específico em relação a isso, que se aplique, claramente, a casamentos em jugo desigual e que haja outros textos que proíbam o novo casamento.

1 Coríntios 7; 15 Mas, se o descrente quiser apartar-se, que se aparte; em tais casos, não fica sujeito à servidão nem o irmão, nem a irmã; Deus vos tem chamado à paz.

O assunto é complexo, difícil de ser generalizado, tendo em vista a responsabilidade solidária do cônjuge que se diz inocente no caso de abandono. Mesmo para os culpados, existe sempre o caminho do arrependimento, do perdão e da restauração. Talvez seja por isso, que a igreja ainda não conseguiu chegar a um acordo em relação a essa questão de divórcio e novo casamento. A igreja também não pode se omitir, e deve confiar sempre nas promessas do Senhor que disse que não nos deixaria órfãos, e que nos enviaria o Espírito da verdade que nos guiaria a toda a verdade.

Contudo, podemos claramente inferir alguns princípios gerais que podem nos guiar a essa verdade.

Como princípio geral, um cristão não deve, em nenhuma hipótese, tomar a iniciativa da separação. O caso do adultério não representa uma base para aprovação de divórcio, ainda que a cláusula exceptiva seja aceita. O que o Senhor reconhece é que, sendo o casamento, como instituído por Deus, a união de duas carnes, que se tornam como uma aos seus olhos, a união com uma terceira carne, destrói a unidade da primeira união, gerando uma poligamia, no caso de uniões estáveis, ou uma quebra da união inicial, no caso de adultério ocasional, o que não fazia parte do propósito inicial de Deus. Assim, o adultério, simplesmente, destrói uma unidade de carne entre um homem e uma mulher, estabelecida pelo próprio Deus. Por isso a palavra de Deus fala, tão seriamente, sobre o adultério.

Com a quebra da união, alguns irmãos entendem que pode haver outro casamento. Outros entendem que não. No caso do abandono sem o adultério, a iniciativa de se estabelecer uma nova união diante de Deus e da igreja, sob um compromisso de aliança e matrimônio, que implicaria nessa decisão em que a palavra de Deus não é clara, é uma decisão muito séria, que a igreja não deveria validar, sem plena convicção da vontade de Deus e a concordância mais ampla da igreja, ainda que alguns irmãos o façam.

A CARNE.

A carne representa inimizade contra Deus (Rm 8; 7), pensa nas coisas terrenas (Rm 8; 50 e gera morte (Rm 8; 6).

Podemos ser cristãos, porém, ainda carnais, (1 Cor 3; 1. Gl 3; 3), com todas as suas manifestações (Gl 5; 17-21), julgamentos (Jo 8; 15. Is 11; 3), propostas (2 Cor 1; 17), jactância (2 Cor 11; 18), aparência (Gl 6; 12), armas (2 Cor 10; 3-4), conhecimento (2 Cor 5; 16), cobiça (Gl 5; 16. Ef 2; 3) e muitas outras coisas semelhantes a essas (Gl 5; 21).

Não podemos fazer provisão para a carne (Rm 13; 14) ou dar ocasião a ela (Gl 5; 13), ou confiar nela (Fp 3; 3); ao contrário devemos odiá-la (Jd 23).

A natureza da carne

Na bíblia existem duas palavras traduzidas como “carne”: “basar”, no hebraico, e “sarx”, no grego, que podem ter mais de um significado.

Em geral, a carne se refere à pessoa não regenerada. No caso de alguém que nasceu de novo, carne se refere a alma ou ao corpo, uma vez que o espírito foi regenerado.

Algumas vezes, carne se refere à parte mole do corpo humano, em contraste com o sangue e com os ossos ou ao próprio corpo humano.

Outras vezes, a palavra carne pode representar toda a humanidade.

Iremos tratar apenas do significado de carne como a parte não regenerada do homem.

Neste sentido, o homem já nasce com esta natureza da carne, como a natureza que herdada dos pais.

Salmo 51; 5 Eu nasci na iniquidade, e em pecado me concebeu minha mãe”.

Jeremias 17; 9 Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?

Romanos 3; 10-12 Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer.

1 Coríntios 2; 14 Ora, o homem natural (cuja natureza é a da carne) não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.

A Carne está relacionada com o ego caído do homem e o pecado, e não se altera no novo nascimento ou regeneração. Por isso, no capítulo seguinte, iremos considerar, em mais detalhes, a Palavra da Cruz, já introduzido no capítulo sobre a obra da redenção.

Pela obra a cruz e pela escolha de tomar o caminho da cruz, mantemos a carne na cruz (Gl 5; 16,17,24, Cl 3; 5), tendo sido incluídos em Cristo, e negamo-nos a nós mesmos, para que o pecado não continue a dominar sobre as escolhas na nossa alma, induzindo-nos a escolhas à parte do espírito,

Obras da carne

1 João 2; 16 porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo.

Gálatas 5; 19-21 Ora, as obras da carne são conhecidas e são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, invejas, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, a respeito das quais eu vos declaro, como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam.

João 6; 63 O espírito é o que vivifica; a carne para nada aproveita;

  • Corpo.

Alguns pecados da carne são relacionados ao corpo e seus apetites e desejos, e estão ligados a imoralidade, impureza, licenciosidade, lascívia, bebedice e glutonaria.

  • Alma.

Outros pecados da carne são relacionados à alma, como inimizade, contenda, ciúmes e iras, mas podem se estender para obras “boas” da carne.

  • Espírito.

Existem atividades da carne relacionadas ao espírito, como comunicações sobrenaturais, feitiçarias, idolatrias, seitas religiosas, partidos, inveja, egoísmo, soberba e coisas semelhantes.

Efésios 2; 3 entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais.

  • Obras boas.

O lado evidentemente pecaminoso da carne é fácil de ser percebido. Mas há um lado, aparentemente, bom e não tão pecaminoso, que é mais difícil se ser percebido, por estar relacionado com um agir por conta própria, à parte de Deus.

Essas obras boas da carne estão ligadas às artes e filosofia, à bondade e moralidade do homem, e outros deleites ou feitos carnais decorrentes da cobiça e apetites do corpo, das habilidades da alma e da soberba do espírito.

Ainda que boas, tais obras, de forma alguma, tornam a carne aceitável a Deus.

O problema principal em relação à carne é o seu agir independente, fora do governo de Deus e, mesmo fazendo alguma obra boa, mais cedo ou mais tarde, fará uma obra má e manifestará, a rebelião e o lado mau.

Conflito da carne com o espírito regenerado

Romanos 8; 7-8 Por isso, o pendor da carne é inimizade contra Deus, pois não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo pode estar. Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus.

Com o novo nascimento, o espírito do homem é regenerado, recebendo uma nova natureza, a do Espírito, e o conflito com a carne se inicia.

Gálatas 2; 19-20 Porque eu, mediante a própria lei, morri para a lei, a fim de viver para Deus. Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim.

Colossenses 3; 3-4 porque morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus. Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então, vós também sereis manifestados com ele, em glória.

A carne, como natureza caída do homem, consequência do pecado, tem vontade própria, propósito, armas próprias, satisfação, sabedoria; ela julga, se gloria e se manifesta de muitas formas.

Efésios 2; 2-3 nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência; entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne,

2 Coríntios 1; 17 Ora, determinando isto, terei, porventura, agido com leviandade? Ou, ao deliberar, acaso delibero segundo a carne, de sorte que haja em mim, simultaneamente, o sim e o não?

2 Coríntios 10; 3-4 Porque, embora andando na carne, não militamos segundo a carne. Porque as armas da nossa milícia não são carnais, e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas, anulando nós sofismas.

Colossenses 2; 23 Tais coisas, com efeito, têm aparência de sabedoria, como culto de si mesmo, e de falsa humildade, e de rigor ascético; todavia, não têm valor algum contra a sensualidade.

2 Coríntios 1; 12 Porque a nossa glória é esta: o testemunho da nossa consciência, de que, com santidade e sinceridade de Deus, não com sabedoria humana, mas, na graça divina, temos vivido no mundo e mais especialmente para convosco.

João 8; 15 Vós julgais segundo a carne, eu a ninguém julgo.

2 Coríntios 11; 18 E, posto que muitos se gloriam segundo a carne, também eu me gloriarei.

Gálatas 6; 12 Todos os que querem ostentar-se na carne, esses vos constrangem a vos circuncidardes, somente para não serem perseguidos por causa da cruz de Cristo.

Gálatas 4; 23-24 Mas o da escrava nasceu segundo a carne; o da livre, mediante a promessa. Estas coisas são alegóricas; porque estas mulheres são duas alianças; uma, na verdade, se refere ao monte Sinai, que gera para escravidão; esta é Agar.

Gálatas 6; 8 Porque o que semeia para a sua própria carne da carne colherá corrupção; mas o que semeia para o Espírito do Espírito colherá vida eterna.

Gálatas 5; 16 Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne.

Romanos 6; 19 Falo como homem, por causa da fraqueza da vossa carne. Assim como oferecestes os vossos membros para a escravidão da impureza e da maldade para a maldade, assim oferecei, agora, os vossos membros para servirem à justiça para a santificação.

2 Coríntios 7; 1 Tendo, pois, ó amados, tais promessas, purifiquemo-nos de toda impureza, tanto da carne como do espírito, aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus.

O problema das duas naturezas.

Romanos 7; 14-20 Porque bem sabemos que a lei é espiritual; mas eu sou carnal, vendido sob o pecado. Pois o que faço, não o entendo; porque o que quero, isso não pratico; mas o que aborreço, isso faço. E, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. Agora, porém, não sou mais eu que faço isto, mas o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; com efeito o querer o bem está em mim, mas o efetuá-lo não está. Pois não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse prático. Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim.

Este texto do capítulo 7 de Romanos descreve o conflito entre a carne e o espírito, e nos leva ao questionamento de termos ou não duas naturezas, uma vez que fazemos o que não queremos e, o que queremos, não fazemos.

Quem está querendo e quem está fazendo? Só uma pessoa nascida de novo, consegue entender esse conflito, essa luta interna.

Quem está querendo é o seu espírito regenerado, que se deleita na lei de Deus. Quem está fazendo é a carne, onde não habita bem algum.

Alguns chegam a dizer que temos mesmo duas naturezas e até que o pecado é algo da natureza de Satanás que entrou no homem.

Essa questão de se ter duas naturezas apresenta o perigo de se considerar que quando eu faço algo errado não sou eu que está fazendo, mas sim o pecado.

A questão não é que nós temos a natureza da carne ou do pecado, mas sim que nós somos a carne.

Essa questão da natureza pecaminosa começou com Ambrósio, que viveu de 340 a 379, e Agostinho, um teólogo muito respeitado, considerou, sob a influência dos maniqueus, que os homens têm mesmo duas naturezas, combatendo a heresia pelagiana.

Esta heresia, que se tornou famosa nas controvérsias, apareceu, nesta mesma época, para se contrapor à ideia de se atribuir à natureza do pecado o que fazemos de errado, quando Pelágio extrapolou no contra-argumento às duas naturezas, defendendo a possibilidade de uma vida santa, mesmo sem a ajuda de Deus.

Tanto a opção de se aceitar a proposição das duas naturezas, como a de se erradicar, completamente, a natureza do pecado apresentam uma interface sutil e estão muito próximas de uma heresia, e não precisamos da abordagem dialética ou dualista, típica dos maniqueístas, para resolver esta dificuldade, mas sim de conhecer melhor a palavra de Deus.

Mas o conflito entre a carne e o espírito é bem real e devemos nos perguntar se ele se origina de duas naturezas ou de um relacionamento incorreto com Deus, uma vez que, se tivermos uma relação correta com Deus, o espírito vai dominar e nos libertar, não eliminando esta chamada natureza da carne, mas fazendo com que o espírito sempre prevaleça.

Defender que podemos ter uma natureza totalmente sem pecado é uma heresia e colocar toda a culpa de nossos pecados em uma outra natureza se aproxima de outra, e temos que ter cuidado com tudo que vai além do que está escrito na palavra de Deus.

Não podemos culpar a carne pelos nossos pecados, como se a carne fosse outra coisa, pois somos, nós mesmos, os responsáveis pelas nossas escolhas, o que, no todo da palavra de Deus, é bastante claro.

Se isto estiver mesmo claro, não se caindo no erro de justificar o pecado pela natureza da carne, a proposição das duas naturezas pode até ser aceita sem maiores problemas.

Porque é que o seu espírito tem prazer na lei de Deus e quer fazer o bem? Porque ele é regenerado, porque ele tem a vida de Deus dentro dele. Ele tem prazer nas coisas de Deus.

Mas a regeneração do nosso espírito não altera, de forma imediata a nossa alma, que somos nós mesmos, como pessoas, ainda responsáveis pelas nossas escolhas.

Escolha, santificação da alma e andar no espírito.

O processo de transformação da alma se chama santificação ou salvação da alma. A vida que está no espírito assume o comando da nossa vida e a nossa alma vai sendo santificada e a mente renovada

É sua natureza que está se transformando ou sua alma que está se submetendo ao espírito, em seu relacionamento correto com Deus?

Se o espírito se encher da Vida de Deus e se relacionar com Deus de forma correta, os desejos da sua alma ou do seu corpo não irão mais prevalecer sobre o querer do espírito.

Somente quando a alma age por conta própria e se relaciona de forma errada com as coisas do mundo, com as coisas de Satanás, é que seus desejos se sobrepõe à direção e ao querer do espírito.

Não precisamos ser dogmáticos sobre se temos ou não duas naturezas, ainda que essa opção pareça bem estranha e cause algumas dificuldades.

De qualquer forma, temos que aceitar que o homem é um só, responsável por suas escolhas e que sua alma precisa se submeter ao espírito, que se relaciona corretamente com Deus, e que não podemos escolher à parte de Deus, mas seguir a santificação pelo caminho da cruz e de negar a si mesmo, ou negar a vida independente da alma.

Gálatas 5; 16 Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne.

Gálatas 5; 17 Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer.

A carne permanece, mas, ao se andar no espírito, ela não mais prevalece, o que passa a ser uma questão de escolha e de fé.

Romanos 8; 13 Porque, se viverdes segundo a carne, caminhais para a morte; mas, se, pelo Espírito, mortificardes os feitos do corpo, certamente, vivereis.

Romanos 6; 6, 11 sabendo isto, que o nosso homem velho foi crucificado com ele, para que o corpo do pecado fosse desfeito, a fim de não servirmos mais ao pecado.

Assim também vós considerai-vos mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus.

Romanos 13; 14 mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e nada disponhais para a carne no tocante às suas concupiscências”.

Todas as claras instruções da palavra de Deus são para se andar no espírito e não para tratar ou resolver a questão das duas naturezas. Para tanto, vamos considerar a obra da cruz e, em seguida, o ser cheio do Espírito e o andar e viver no espírito.

O alimento sólido e a maturidade estão relacionados com a predominância da vida de Cristo pelo enchimento do Espírito Santo.

Como Adão no jardim do Éden, temos sempre que escolher entre a árvore da vida e a árvore da morte, se vamos viver pela nossa vida, ou pela vida de Cristo.

Gênesis 2; 16 Ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda árvore do jardim podes comer livremente;

Deuteronômio 30; 19-20 O céu e a terra tomo hoje por testemunhas contra ti de que te pus diante de ti a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência, amando ao Senhor teu Deus, obedecendo à sua voz, e te apegando a ele; pois ele é a tua vida, e o prolongamento dos teus dias; e para que habites na terra que o Senhor prometeu com juramento a teus pais, a Abraão, a Isaque e a Jacó, que lhes havia de dar.

O conflito permanece, quando escolhemos viver pela nossa própria vida, ou combater a carne em nossa própria força de vontade. Temos que desistir e escolher a Vida de Cristo pela fé. Não é a escolha do combate, é a escolha da vida, a qualidade da vida, a Vida de Cristo. Cristo, sim, combateu e venceu. Se Cristo vive em nós, vencemos também ou vencemos nEle pela Vida que Ele nos deu.

A CRUZ.

O tema da cruz já foi introduzido no capítulo sobre a obra da redenção, como sendo aplicada em três aspectos:

1. Cristo como o nosso Salvador, crucificado por nós, como substituto para os pecadores arrependidos, que estavam perdidos, para propiciar-lhes perdão e regeneração.

2. Nós, ou o nosso velho homem, incluídos ou identificados com Cristo, como nosso Libertador, em sua morte na cruz, para propiciar-nos libertação do poder do pecado e a possibilidade da plenitude do Espírito Santo.

3. Continuamente em nós, como Espírito de habitação no novo homem regenerado e liberto, para disciplina do corpo, como sacrifício vivo, negação da vida própria e qualquer agir independente, e vitória sobre Satanás e suas hostes.

A cruz, além dos aspectos mais profundos relacionados ao eterno propósito de Deus, de se separar num lapso de tempo, no Calvário, para nos incluir em sua divina dança e comunhão de amor e glória, representa:

1. Lugar onde o Salvador levou nossos pecados e fraquezas (astheneia: enfermidades, timidez, covardia, medo, autoconsciência, impulsividade, vergonha, etc.). 1 Pe 2; 24, 2 Cor 13; 4, 12; 5, Mt 8; 17-18.

2. Lugar do pecador crucificado. Rm 6; 6, Gl 2; 20, 5; 24, 6; 14.

3. Reconciliação e unidade. Ef 2; 16, Fp 2; 1-13.

4. A vitória sobre a morte, sobre Satanás e todas as suas hostes espirituais. Cl 2; 15.

5. Morte aplicada, substitutiva e continuada. Rm 6; 11, 2 Cor 5; 14, 4; 10-14.

A palavra da cruz

1 Coríntios 1; 18 Certamente, a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus.

De forma didática, podemos considerar os três aspectos, já mencionados, da obra da cruz: o primeiro, quando Cristo morreu por nós, nos redimindo dos nossos pecados (no plural), o segundo, nossa inclusão na morte de Cristo, que encerra o velho homem e nos liberta do poder do pecado (no singular) e o terceiro, a continuidade da operação da obra da cruz no novo homem, ao longo da vida cristã. Este é o caminho da cruz, a cruz a cada dia: “Negue-se a si mesmo, tome a cada dia a sua cruz, e me siga”.

Os dois primeiros foram consumados no passado, quando o Senhor Jesus Cristo morreu na cruz, e apresentam efeitos no presente, que se iniciam pela fé na consumação passada e o terceiro, permanente, em sequência à fé nos dois primeiros, com efeitos no presente e para o futuro, até a consumação da redenção.

Por toda a eternidade, ainda vamos nos surpreender e descobrir novos aspectos da a obra da cruz. É através da cruz que Deus se abriu para que nós possamos entrar na plena comunhão e participação da VIDA divina. É através da cruz que Deus se une ao homem, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos. Há um homem ressuscitado no céu e, por isso, o Espírito Santo está aqui na terra, dentro de nós, formando e edificando o Corpo de Cristo na terra.

Na palavra de Deus, a cruz sempre está associada com a ressurreição. Quando Jesus começou a falar da cruz, Ele sempre falava da ressurreição. Os discípulos não entendiam nem a palavra da cruz e nem a ressurreição. Mas a palavra da cruz é a sabedoria e o poder de Deus.

1 Coríntios 1; 22-25 Pois, enquanto os judeus pedem sinal, e os gregos buscam sabedoria, nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos, mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, Cristo, poder de Deus, e sabedoria de Deus. Porque a loucura de Deus é mais sábia que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte que os homens.

Por nós

1 Coríntios 15; 3 Antes de tudo, vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu POR nossos pecados, segundo as Escrituras.

Isaías 53; 5 Mas ele foi ferido POR causa das nossas transgressões, esmagado POR causa das nossas iniquidades. O castigo que nos traz a paz estava sobre Ele e pelas suas pisaduras fomos sarados.

1 Pedro 2; 24 carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados, para que nós, mortos para os pecados, vivamos para a justiça; POR suas chagas, fostes sarados.

2 Coríntios 5; 21 Aquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado POR nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus.

Esse primeiro aspecto da cruz está relacionado com a nossa salvação, o perdão dos nossos pecados (no plural) e o novo nascimento. Pecados no plural significa os atos pecaminosos que cometemos.

Efésios 2; 1 Ele vos vivificou quando nós estávamos mortos.

Quando o homem caiu, a queda trouxe como consequência a morte, a separação de Deus, a depravação, a culpa, a corrupção do homem em si mesmo, e o domínio de Satanás. Esse primeiro aspecto da cruz trata com a primeira consequência da queda, que foi a separação de Deus, para nos reconciliar e nos unir a Deus novamente, pela regeneração.

Esse primeiro aspecto da cruz é recebido pela fé como realidade para as nossas vidas, quando nos arrependemos, admitimos o nosso erro, a nossa culpa, nos convertemos, e somos salvos.

Em relação à depravação e corrupção interior, a purificação vem pelo sangue derramado na cruz. Não apenas o Senhor Jesus foi crucificado e pregado na cruz, tendo o corpo partido, mas também o seu sangue foi derramado. O sangue nos purifica da má consciência e nos abre o caminho para a santificação. Somos perdoados dos pecados, purificados internamente pelo sangue, santificados pela vida dEle dentro de nós, e libertos do domínio de Satanás. Quando Ele morreu na cruz, expôs todos os principados e potestades ao ridículo, triunfando deles na cruz. A cruz abre o caminho da libertação e da vitória.

Colossenses 2; 13-15 e a vós, quando estáveis mortos nos vossos delitos e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-nos todos os delitos; e havendo riscado o escrito de dívida que havia contra nós nas suas ordenanças, o qual nos era contrário, removeu-o do meio de nós, cravando-o na cruz; e, tendo despojado os principados e potestades, os exibiu publicamente e deles triunfou na mesma cruz.

Neste primeiro aspecto da obra da cruz e da redenção, não podemos ser incluídos e somente o Senhor Jesus Cristo, como o Cordeiro de Deus, poderia satisfazer a justiça de Deus. Aquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado. Ele, sozinho, morreu por nós, assumiu o nosso lugar; porque Ele é o nosso salvador e deu sua vida por nós.

Com Cristo

O segundo aspecto da cruz é COM, ou seja, não apenas Cristo morreu na cruz no nosso lugar, ou por nós, mas Ele levou, em Si mesmo, na cruz, o nosso velho homem, a natureza do pecado herdada de Adão, desde a queda. E, agora, sim, todos nós, os que cremos, podemos ser incluídos.

Romanos 6; 6 sabendo isto, que o nosso homem velho foi crucificado com ele, para que o corpo do pecado fosse desfeito, a fim de não servirmos mais ao pecado.

Romanos 6; 3-4 Ou, porventura, ignorais que todos nós que fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida.

Romanos 6; 11 Assim também vós considerai-vos mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus.

Esse segundo aspecto da cruz representa a nossa crucificação “com” Cristo e nossa libertação, a fim de não servirmos mais ao pecado. Pela inclusão na morte de Cristo, somos libertos do poder do pecado (no singular), como uma força ou uma lei, que nos escraviza.

Romanos 6; 8 Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos.

Colossenses 3; 3 porque morrestes (nós, como o velho homem, morremos ao sermos incluídos em Cristo), e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus”.

Isto representa uma grande libertação. Morremos em Cristo, o velho homem foi despojado e a nossa vida está agora escondida com Cristo.

Colossenses 3; 4-12 Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então também vós vos manifestareis com ele em glória. Exterminai, pois, as vossas inclinações carnais; a prostituição, a impureza, a paixão, a vil concupiscência, e a avareza, que é idolatria; pelas quais coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência; nas quais também em outro tempo andastes, quando vivíeis nelas; mas agora despojai-vos também de tudo isto: da ira, da cólera, da malícia, da maledicência, das palavras torpes da vossa boca; não mintais uns aos outros, pois que já vos despistes do homem velho com os seus feitos, e vos vestistes do novo, que se renova para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou; onde não há grego nem judeu, circuncisão nem incircuncisão, bárbaro, cita, escravo ou livre, mas Cristo é tudo em todos. Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de coração compassivo, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade,

Efésios 4; 22-24 no sentido de que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe segundo as concupiscências do engano, e vos renoveis no espírito do vosso entendimento, e vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade.

Esse aspecto da cruz, pelo despojar do velho homem, vai tratar com o mencionado conflito entre a carne e o espírito e abre o caminho para a nossa libertação da escravidão ao pecado e do jugo da carne, possibilitando a santificação, a purificação e a vitória sobre o pecado e o domínio de Satanás, anulando as demais consequências da queda, que trouxeram a depravação, a culpa e a perda do domínio.

A crucificação da nossa carne está diretamente relacionada com a nossa inclusão, pela fé, na morte de Cristo na cruz. Da mesma foram que cremos que o Senhor Jesus Cristo morreu por nós, termos que crer que nosso velho homem foi incluído na morte dEle, nos libertando para servir a Deus e viver para Ele.

Gálatas 5; 24 E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e concupiscências.

Mas como podemos crucificar a carne? Somente pela fé na nossa inclusão na morte de Cristo. Ninguém pode crucificar a si mesmo. Só podemos crucificar a carne, considerando-nos mortos para o pecado, em Cristo Jesus, pela obra da cruz.

Este é significado de sermos mergulhados nas águas no batismo, inclusão na morte de Cristo.

1 Pedro 4; 1 Ora, pois, já que Cristo padeceu na carne, armai-vos também vós deste mesmo pensamento; porque aquele que padeceu na carne já cessou do pecado;

A carne sendo crucificada e sem o comando da vida humana, fica impossibilitada de ser uma base de ação para Satanás nos atacar e fazer com que nós possamos agir novamente sob o domínio do pecado. Então, cessamos do pecado, saímos desse domínio do pecado, para que, no tempo que ainda nos resta na carne, não continuemos a viver para as concupiscências dos homens, mas para a vontade de Deus.

João escreveu que quem comete o pecado, e vive habitualmente no pecado, é escravo do pecado. Agora, já não somos mais escravos, somos livres e podemos servir a Deus, podemos escolher a vontade de Deus. Aquele que é escravo não pode escolher, ele é constrangido a seguir o caminho do pecado.

Da mesma forma que cremos que Jesus morreu em nosso lugar, como afirma a Palavra de Deus, e que nossos pecados foram perdoados, que somos filhos de Deus e que o Espírito Santo habita em nós, temos que crer, também conforme diz a mesma palavra de Deus, que fomos incluídos na morte de Cristo. Isto também é uma questão de fé.

A morte de Cristo na cruz poderia alcançar a todos, mas só os que creem são salvos. Todos os que creem foram incluídos na morte de Cristo, mas só os que creem nessa inclusão, recebem a libertação e os benefícios decorrentes do despojamento do velho homem.

A mesma palavra de Deus que diz que Cristo morreu por nós, levando nossos pecados, diz que o nosso velho homem foi crucificado e despojado. Basta crer na palavra para sermos libertos do pecado, da mesma forma que fomos salvos pela graça por meio da fé, recebendo o perdão dos pecados.

O pecado no singular não é meramente uma coisa errada que fazemos contra a palavra de Deus, mas é como uma lei que nos constrange a pecar, como lemos no capítulo 7 de Romanos.

Para vencer a lei do pecado que habita em nós, não basta nosso desejo e força de vontade. Não podemos vencer a lei do pecado dessa forma.

Paulo diz que eu quero fazer o bem, mas eu não consigo, e quando eu não quero fazer o mal, eu acabo fazendo. Que eu tenho, dentro de mim, prazer na lei de Deus, mas encontro, nos meus membros, uma outra lei, que guerreia contra a lei do meu entendimento. E conclui que, na carne, não habita bem nenhum e que é o pecado, como lei, que nos constrange a isso.

Ele diz: miserável homem que eu sou! Quem me livrará do corpo desta morte? Graças a Deus por Jesus Cristo. Ele nos livra dessa escravidão, através de uma outra lei, mais forte que a lei do pecado: a lei do Espírito e da Vida nos livra da lei do pecado e da morte, por isso nenhuma condenação há para aqueles que estão em Cristo Jesus.

A lei do pecado sempre opera e, por isso, nossa força de vontade não é adequada para vencê-la. Mas a lei do Espírito e da Vida, que é a Vida de Cristo em nós, também opera sempre e nos liberta e capacita a sairmos desta esfera de “pode não pode”, “faz não faz”, “cai não cai”, para uma esfera mais alta, como as águias que sobem, não se cansam e voam mais alto. Somos levados para uma vida celestial, e não somos mais constrangidos a viver nesta sequência de queda e perdão o tempo todo, porque somos livres do poder do pecado, como uma lei que prevalece.

O velho homem

Como já consideramos a natureza da carne e o conflito entre a carne e o espírito, faz-se necessário, agora, um parêntese para analisar a relação entre a carne e o velho homem.

O velho homem é o homem da velha criação, com a herança adâmica do pecado. Na primeira carta de Coríntios, no capítulo 15, verso 45, Cristo é mencionado como o último Adão, encerrando a velha criação e inaugurando a nova.

1 Coríntios 15; 45 Assim também está escrito: O primeiro homem, Adão, tornou-se alma vivente; o último Adão, espírito vivificante.

Cristo, como o primeiro da nova criação, e como representante da raça humana, leva a velha criação, o velho homem, os Adãos ou os filhos dele, à morte na cruz, para libertar a raça, por sua graça, por meio da fé na obra da redenção, abrindo o caminho para podermos viver como o novo homem ou o segundo homem.

1 Coríntios 15; 47-49 O primeiro homem, sendo da terra, é terreno; o segundo homem é do céu. Qual o terreno, tais também os terrenos; e, qual o celestial, tais também os celestiais. E, assim como trouxemos a imagem do terreno, traremos também a imagem do celestial.

A carne representa a velha natureza humana ou o velho homem assumindo o governo ou agindo por conta própria em espírito de rebelião.

O problema não são apenas as obras da carne, mas a própria carne. A carne não pode herdar o reino, pois representa rebelião.

1 Coríntios 15; 50 Mas digo isto, irmãos, que carne e sangue não podem herdar o reino de Deus; nem a corrupção herda a incorrupção.

A realidade do conflito entre a carne e o espírito só é percebida por quem nasceu de novo. Mas um cristão, nascido de novo, tendo o Espírito Santo habitando em seu espírito, ainda pode ser carnal, ao permitir que sua natureza humana assuma o governo de sua vida e faça suas escolhas ou tome suas decisões.

1 Coríntios 3; 1-3 E eu, irmãos não vos pude falar como a espirituais, mas como a carnais, como a criancinhas em Cristo. Leite vos dei por alimento, e não comida sólida, porque não a podíeis suportar; nem ainda agora podeis; porquanto ainda sois carnais; pois, havendo entre vós inveja e contendas, não sois porventura carnais, e não estais andando segundo os homens?

Quando nós nascemos de novo, nascemos como criancinhas em Cristo, mas não é normal que continuemos sempre como criancinhas espirituais, permitindo que nossa natureza humana permaneça no controle de nossas vidas.

Um cristão carnal é um cristão que está sendo governado pela sua natureza humana. A natureza humana no governo é a carne, e ela se opõe ao espírito, porque o espírito é quem deve estar no governo, no comando. O Espírito Santo deve ir assumindo o governo de nossas vidas através de nosso espírito regenerado.

Sempre que a natureza humana assume o governo, a carne milita contra o espírito e o conflito entre a carne e o espírito fica evidente.

Ainda que o velho homem tenha sido crucificado e despojado, uma vez que nascemos de novo e recebemos a nova Vida em nosso espírito regenerado, a natureza humana não acaba e o homem continua podendo escolher entre a carne e o espírito. Se a natureza humana assume o comando é a carne, como se o velho homem se levantasse de novo, após ter sido despojado. Mas isso não pode alterar o fato de que já somos o novo homem em Cristo.

O que se faz necessário é agir e viver como o novo homem. O velho homem está terminado e acabou, quando nascemos de novo. Esse é um fato. Mas, a natureza humana continua e, se assume o comando, temos a carne.

De forma ilustrativa, apresentamos, na página final deste capítulo, uma representação gráfica da vida eterna em Deus, da criação do homem, a entrada do pecado, morte e depravação, a encarnação, ressurreição, liberação da vida eterna, salvação do espírito e da alma, redenção do corpo e união final.

O caminho da cruz

Por isso, a cruz, neste aspecto, se torna uma questão de escolha voluntária, como se fosse uma encruzilhada com duas placas: uma indicando o caminho da cruz e o negar-se a si mesmo, e outra indicando o seu próprio caminho ou “eu mesmo” no comando.

Quase todos seguem a placa “eu mesmo”. Mas temos que escolher e seguir o caminho da cruz.

Jesus, em outro contexto, nos ensinou a entrar no caminho estreito.

Mateus 7; 13-14 Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela; e porque estreita é a porta, e apertado o caminho que conduz à vida, e poucos são os que a encontram.

Esta também é uma encruzilhada, como o caminho da cruz para um lado e o caminho do “eu” para o outro lado, ou a porta estreita para um lado, e a porta larga para o outro. O caminho do “eu” é largo e estamos acostumados com ele, desde que nascemos e sempre fizemos o que o “eu” queria. Fazer somente o que o espírito manda, é estreito, pois temos que ser restringidos.

Redenção do Corpo e Glorificação

O velho homem despojado e a carne na cruz

A vida do Espírito no centro: a SANTIFICAÇÃO

RESSURREIÇÃO

ENCARNAÇÃO

SALVAÇÃO

A lei dos membros atraindo para o pecado

A lei da mente tentando manter o controle da alma

A lei do espírito para trazer o Espírito para o centro

Salvação pela fé e vida de Deus no espírito

O fim da carne

Ao entrarmos na nova criação, temos, novamente, a possibilidade de escolha. Quem irá comandar? A natureza humana ou o Espírito Santo? A carne ou o espírito?

O fato da velha criação já está resolvido, o fato da carne, não.

Aquela encruzilhada pode ser considerada como a escolha entre a cruz e o “eu”, ou entre o espírito e a carne.

No caminho do “eu”, o ego assume o governo, e a natureza humana gera em nós a busca para satisfazer seus apetites, paixões e desejos, e isto é a carne.

A carne representa a porta larga, a autossatisfação, o agradar-se a si mesmo.

Nesse caminho se manifestam as obras da carne e se colhem os frutos da injustiça: conflito interior, ciúmes, ressentimentos, afetações, descontentamentos, auto piedade, rebelião, irritabilidade, incredulidade, falsidade, hipocrisia, egoísmo, crítica exacerbada, desespero, impureza, depravação. Tudo vem da carne.

Cristo em nós

O terceiro aspecto da cruz representa a cruz de cada dia, Cristo em nós e a vida do novo homem.

Lucas 9; 23 Dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me.

Primeiro, Cristo na cruz POR nós, depois, o nosso velho homem COM Cristo na cruz, e agora é Cristo EM nós.

O novo homem deve sempre escolher o caminho da cruz. Como a natureza humana (não o velho homem) continua, até que sejamos plenamente redimidos, sempre estamos diante daquela encruzilhada,

Pretender um nível de espiritualidade tal, que não mais tenhamos a possibilidade de pecar ou escolher o caminho do “eu no comando” e da carne, não tem base bíblica e sempre precisamos continuar a escolher o caminho da cruz ao longo de toda a vida. Devemos sempre negarmo-nos a nós mesmos, tomar a cruz a cada dia, e seguir o Senhor Jesus Cristo.

Romanos 12; 1 Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.

Estando o velho homem crucificado e morto em Cristo, o novo homem, que agora vive em nós, apresenta o corpo como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus. Cristo, como novo homem, crucificado em nós.

2 Coríntios 4; 7 Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós. Em tudo somos atribulados, porém não angustiados; perplexos, porém não desanimados; perseguidos, porém não desamparados; abatidos, porém não destruídos; levando sempre no corpo o morrer de Jesus, para que também a sua vida se manifeste em nosso corpo.

Romanos 13; 13 Andemos dignamente, como em pleno dia, não em orgias e bebedices, não em impudicícias e dissoluções, não em contendas e ciúmes; mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e nada disponhais para a carne no tocante às suas concupiscências.

Efésios 4; 24 e vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade.

Gálatas 5; 16 Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne

Romanos 8; 10-14 Se, porém, Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o espírito é vida, por causa da justiça. Se habita em vós o Espírito daquele que ressuscitou a Jesus dentre os mortos, esse mesmo que ressuscitou a Cristo Jesus dentre os mortos vivificará também o vosso corpo mortal, por meio do seu Espírito, que em vós habita. Assim, pois, irmãos, somos devedores, não à carne como se constrangidos a viver segundo a carne. Porque, se viverdes segundo a carne, caminhais para a morte; mas, se, pelo Espírito, mortificardes os feitos do corpo, certamente, vivereis. Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus.

A cruz de Cristo trata com o pecado e o Espírito Santo em nosso espírito e por meio da cruz com o ego. Somos assim libertos do poder do pecado e capacitados a vencer o ego diariamente para obedecer ao Senhor perfeitamente. A libertação do pecado é um fato consumado, mas a negação do ego tem que ser uma experiência diária e contínua.

Cristãos apenas perdoados dos seus pecados, mas não libertos do poder do pecado parecem ser 50% salvos, como bebês grandes, incapazes de comer alimento sólido. Não tem revelação, nem fé, na obra completa da cruz, para que o Espírito Santo os liberte. Não absorvem ensino espiritual e continuam querendo leite e conhecimento apenas na mente (1 Cor 3; 1-3, 1; 5). Não tem experiência espiritual. Contudo, o que buscam de ensino em conferencias, mestres ou estudos da bíblia de nada adianta e ainda aumenta a carnalidade pelo inchaço da mente e de informações ao invés de um coração obediente que deseje submeter sua vida ao Espírito Santo e seguir o caminho da cruz.

A regeneração não altera a carne. A co-crucificação não elimina a carne e a habitação do Espírito Santo não nos impossibilita de andarmos na carne. A erradicação da carne só ocorrerá na redenção final do corpo (Rm 8; 23). Por isso, não podemos militar segundo a carne (2 Cor 10; 3).

A cruz trata com toda a nossa alma, que é de onde provém os anseios mais profundos de nossa natureza humana:

1. Afeição (Mt 10; 37-39. Lc 14; 26-27): O amor natural vem da alma e deve ser governado pelo Senhor. Embora legitimo e sendo uma dádiva do próprio Senhor, devemos, ainda assim, negar a vida da alma e confiar somente no Senhor (Gn 22; 5-8).

2. Ego (Mt 16; 24-25): Auto piedade, amor próprio e medo do sofrimento afastam da cruz (autopreservação). A negação da vida da alma não é um fato consumado, como é a morte do velho homem para desfazer o corpo do pecado.

3. Amor pelo mundo (Lc 17; 32-33).

4. Poder da alma (Jo 12; 24-25).

5. Renovação da mente e conhecimento da vontade de Deus (Rm 12; 1-2).

O SER DE DEUS

UNIÂO nas Bodas do Cordeiro, após a glorificação

O fim da carne

Redenção do Corpo e Glorificação

O velho homem despojado e a carne na cruz

A vida do Espírito no centro: a SANTIFICAÇÃO

RESSURREIÇÃO

ENCARNAÇÃO

ENCARNAÇÃO: O Verbo se faz carne e traz a Vida de Deus para dentro da criação e, pela sua MORTE e RESSURREIÇÃO, libera a Vida de Deus para todo que crê.

Comunhão da Vida do Ser de Deus

A cruz e as entranhas da Vida do Ser de Deus

A QUEDA

SALVAÇÃO

A lei dos membros atraindo para o pecado

A lei da mente tentando manter o controle da alma

A lei do espírito para trazer o Espírito para o centro

Salvação pela fé e vida de Deus no espírito

O velho homem no centro de controle do homem

Depravação se expande e pode atingir
todo o ser do homem

A criação do homem

ESCOLHA entre A VIDA e a MORTE: o pecado

ALMA: o homem tornou-se alma vivente

CORPO: formou o homem do pó da terra

ESPÍRITO: soprou nas narinas o fôlego da vida

Espírito morre devido ao pecado pecadopecado.

Alma se corrompe e incha

O pecado entra no homem e com ele a morte

MORTE

VIDA

VH

O ESPÍRITO SANTO.

A terceira Pessoa do Ser de Deus.

O Espírito Santo é a terceira pessoa da divindade e, portanto, é uma pessoa e é Deus. Estes dois aspectos básicos eliminam quase todos os ensinos errados sobre o Espírito Santo como sendo um poder, uma influência ou alguma outra coisa.

O Espírito Santo possui os atributos de Deus, tais como:

  • Eternidade (Hebreus 9; 14);
  • Onipresença (Salmos 139; 7);
  • Onisciência (1 Coríntios 2; 10, João 16; 12);
  • Onipotência (Lucas 1; 35);
  • Senhorio (2 Coríntios 3; 17).

O Espírito participa ativamente da obra de Deus e é identificado como Deus:

  • Criação (Jó 33; 4, Salmo 104; 30, Gênesis 1; 1);
  • Vivificação (João 6; 63, Romanos 8; 11);
  • Profecias (2 Pedro 1; 21, 2 Samuel 23; 2)
  • Identificação com Yahweh (Isaias 6; 8 com Atos 28; 25, Êxodo 17; 7 com Hebreus 3; 7);
  • Identificação com Deus (Atos dos apóstolos 5; 3-4, Mateus 28; 19, 2 Coríntios 13; 14)
  • Pode-se blasfemar contra Ele (Mateus 12; 31-32).

O Espírito Santo, não apenas tem personalidade e características pessoais, mas age como pessoa. A personalidade do Espírito Santo é revelada na bíblia, através de:

  • Conhecimento (1 Coríntios 2; 10);
  • Vontade (1 Coríntios 12; 11);
  • Mente (Romanos 8; 27);
  • Amor (Romanos 15; 30);
  • Bondade (Neemias 9; 20);
  • Emoção (Efésios 4; 30, Hebreus 10; 29).

E também de suas ações:

  • Ele perscruta (1 Coríntios 2; 10);
  • Ele fala (Apocalipse 2; 7, 10; 19);
  • Ele clama (Gálatas 4; 6);
  • Ele ora (Romanos 8; 26);
  • Ele testifica (João 15; 26);
  • Ele ensina (João 14; 26);
  • Ele guia (João 16; 12, Romanos 8; 14);
  • Ele comanda (Atos 8; 29, 16; 6);
  • Ele chama (Atos 13; 2, 20; 28);
  • Ele tem comunhão (2 Coríntios 13; 14);
  • Ele conforta (Atos 9; 31).

Relação com o Pai e o Filho.

O Espírito Santo, mesmo sendo Deus, de alguma forma, está subordinado ao Espírito do Pai e do Filho e é enviado pelo Pai e pelo Filho.

João 14; 26 Mas o Ajudador, o Espírito Santo a quem o Pai enviará em meu nome, Esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto Eu vos tenho dito.

João 15; 26 Quando vier o Ajudador, que Eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade, que do Pai procede, Esse dará testemunho de Mim;

Ele veio para glorificar o Filho e fala do Filho.

João 16; 13-14 Quando vier, porém, aquEle, o Espírito da verdade, Ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por Si mesmo, mas dirá o que tiver ouvido, e vos anunciará as coisas vindouras. Ele me glorificará, porque receberá do que é meu, e vo-lo anunciará.

Alguns versos da bíblia os mencionam juntos.

Lucas 3; 21-22 Quando todo o povo fora batizado, tendo sido Jesus também batizado, e estando Ele a orar, o céu se abriu; e o Espírito Santo desceu sobre Ele em forma corpórea, como uma pomba; e ouviu-se do céu esta voz: Tu és o meu Filho amado; em Ti Me comprazo.

Mateus 28; 19 Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;

2 Coríntios 13; 14 A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós.

Quando O recebemos, o Pai e o Filho se fazem presentes.

João 14; 23 Respondeu-lhe Jesus: Se alguém me amar, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos a ele, e faremos nele morada.

As ações.

O Espírito Santo convence, regenera, vivifica e conduz a igreja ao longo de todos os séculos, dirigindo os filhos de Deus a toda a verdade, trazendo gozo, satisfação, plenitude e paz.

Alguns chamam o livro de Atos, dos atos do Espírito Santo, mas melhor seria os atos do Senhor Jesus pelo Espírito Santo através dos apóstolos. Toda a realidade espiritual depende dEle e sua ação é ampla e extensa.

A bíblia menciona também os dons do Espírito, que serão considerados no próximo capítulo.

A obra da convicção

Ele convencerá o mundo do pecado, da justiça, do juízo e, também dos muitos pecados que cometemos.

João 16; 8-11 E quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo: do pecado, porque não creem em mim; da justiça, porque vou para meu Pai, e não me vereis mais, e do juízo, porque o príncipe deste mundo já está julgado.

Isaías 63; 10 Eles, porém, se rebelaram, e contristaram o seu santo Espírito; pelo que se lhes tornou em inimigo, e ele mesmo pelejou contra eles.

Não devemos resistir ao Espírito Santo.

Atos dos Apóstolos 7; 51 Homens de dura cerviz, e incircuncisos de coração e ouvido, vós sempre resistis ao Espírito Santo; como o fizeram os vossos pais, assim também vós.

1 Tessalonicenses 5; 19 Não extingais o Espírito;

O Testemunho.

João 15; 26 Quando vier o Ajudador, que eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade, que do Pai procede, esse dará testemunho de mim;

Atos dos Apóstolos 5; 32 E nós somos testemunhas destas coisas, e bem assim o Espírito Santo, que Deus deu àqueles que lhe obedecem.

1 João 5; 7-8 Porque três são os que testificam no céu: o Pai, a Palavra e o Espírito Santo; e estes três são Um. E três são os que testificam na terra: o Espírito, e a água e o sangue; e estes três concordam nUm. (Versão corrigida e revisada fiel ao texto original, baseada no texto recebido)

1 Tessalonicenses 1; 5 porque o nosso evangelho não foi a vós somente em palavras, mas também em poder, e no Espírito Santo e em plena convicção, como bem sabeis quais fomos entre vós por amor de vós.

Regeneração.

Tito 3; 5 não em virtude de obras de justiça que nós houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou mediante o lavar da regeneração e renovação pelo Espírito Santo,

João 3; 5-7 Jesus respondeu: Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te admires de eu te haver dito: Necessário vos é nascer de novo.

Gálatas 4; 6 E, porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai.

Libertação e santificação.

Romanos 8; 2 Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte.

1 Pedro 1; 2 eleitos segundo a presciência de Deus Pai, na santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo: Graça e paz vos sejam multiplicadas.

Romanos 15; 16 para ser ministro de Cristo Jesus entre os gentios, ministrando o evangelho de Deus, para que sejam aceitáveis os gentios como oferta, santificada pelo Espírito Santo.

Efésios 3; 16 para que, segundo as riquezas da sua glória, vos conceda que sejais robustecidos com poder pelo seu Espírito no homem interior;

Gálatas 5; 22-25 Mas o fruto do Espírito é: o amor, o gozo, a paz, a longanimidade, a benignidade, a bondade, a fidelidade. a mansidão, o domínio próprio; contra estas coisas não há lei. E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências. Se vivemos pelo Espírito, andemos também pelo Espírito.

Ensino.

João 14; 26 Mas o Ajudador, o Espírito Santo a Quem o Pai enviará em meu nome, Esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto Eu vos tenho dito.

João 16; 12-14 Ainda tenho muito que vos dizer; mas vós não o podeis suportar agora. Quando vier, porém, aquele, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá o que tiver ouvido, e vos anunciará as coisas vindouras. Ele me glorificará, porque receberá do que é meu, e vo-lo anunciará.

Gálatas 5; 18 Mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais debaixo da lei.

1 Coríntios 2; 10-13 Porque Deus no-las revelou pelo seu Espírito; pois o Espírito esquadrinha todas as coisas, mesmos as profundezas de Deus. Pois, qual dos homens entende as coisas do homem, senão o espírito do homem que nele está? assim também as coisas de Deus, ninguém as compreendeu, senão o Espírito de Deus. Ora, nós não temos recebido o espírito do mundo, mas sim o Espírito que provém de Deus, a fim de compreendermos as coisas que nos foram dadas gratuitamente por Deus; as quais também falamos, não com palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas com palavras ensinadas pelo Espírito Santo, comparando coisas espirituais com espirituais.

Oração.

Efésios 6; 18 com toda a oração e súplica orando em todo tempo no Espírito e, para o mesmo fim, vigiando com toda a perseverança e súplica, por todos os santos,

Romanos 8; 26-27 Do mesmo modo também o Espírito nos ajuda na fraqueza; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós com gemidos inexprimíveis. E aquele que esquadrinha os corações sabe qual é a intenção do Espírito: que ele, segundo a vontade de Deus, intercede pelos santos.

Judas 1; 20 Mas vós, amados, edificando-vos sobre a vossa santíssima fé, orando no Espírito Santo,

Adoração.

Efésios 5; 18-19 E não vos embriagueis com vinho, no qual há devassidão, mas enchei-vos do Espírito, falando entre vós em salmos, hinos, e cânticos espirituais, cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração,

João 4; 23-24 Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus é Espírito, e é necessário que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade.

Selagem e habitação.

1 Coríntios 3; 16 Não sabeis vós que sois santuário de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós?

Ezequiel 36; 27 Ainda porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis as minhas ordenanças, e as observeis.

João 14; 17 a saber, o Espírito da verdade, o qual o mundo não pode receber; porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque ele habita convosco, e estará em vós.

Romanos 8; 9 Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele.

1 Coríntios 6; 19 Ou não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que habita em vós, o qual possuís da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos?

2 Coríntios 1; 21-22 Mas aquele que nos confirma convosco em Cristo, e nos ungiu, é Deus, o qual também nos selou e nos deu como penhor o Espírito em nossos corações.

Efésios 1; 13-14 no qual também vós, tendo ouvido a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, e tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa, o qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão de Deus, para o louvor da sua glória.

Seu advento e a promessa.

O advento do Espírito Santo é a sua vinda. Antes do derramamento, no dia de Pentecostes, quando a igreja nasceu, o Espírito Santo vinha sobre algumas pessoas, ao longo de todo o tempo da antiga aliança, e até as revestia com seu poder ou as enchia exteriormente, mas ainda não pelo seu habitar e vida dentro do espírito do homem, que não podia ser regenerado, até que a obra da redenção de completasse.

Na preparação da 1ª vinda de Jesus Cristo.

Lucas 1; 15 porque ele (João Batista) será grande diante do Senhor; não beberá vinho, nem bebida forte; e será cheio do Espírito Santo já desde o ventre de sua mãe;

Lucas 1; 35 Respondeu-lhe o anjo: Virá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso o que há de nascer será chamado santo, Filho de Deus.

Lucas 1; 41 Ao ouvir Isabel a saudação de Maria, saltou a criancinha no seu ventre, e Isabel ficou cheia do Espírito Santo,

Lucas 1; 67 Zacarias, seu pai, ficou cheio do Espírito Santo e profetizou, dizendo:

Lucas 2; 25-26 Ora, havia em Jerusalém um homem cujo nome era Simeão; e este homem, justo e temente a Deus, esperava a consolação de Israel; e o Espírito Santo estava sobre ele. E lhe fora revelado pelo Espírito Santo que ele não morreria antes de ver o Cristo do Senhor.

Mateus 1; 18 Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: Estando Maria, sua mãe, desposada com José, antes de se ajuntarem, ela se achou ter concebido do Espírito Santo.

Lucas 3; 21-22 Quando todo o povo fora batizado, tendo sido Jesus também batizado, e estando Ele a orar, o céu se abriu; e o Espírito Santo desceu sobre Ele em forma corpórea, como uma pomba; e ouviu-se do céu esta voz: Tu és o meu Filho amado; em Ti me comprazo.

Lucas 4; 1 Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão e foi guiado pelo mesmo Espírito, no deserto,

Lucas 4; 14 Então, Jesus, no poder do Espírito, regressou para a Galileia, e a sua fama correu por toda a circunvizinhança.

O ensino indireto de Jesus sobre o Espírito.

João 4; 13-14 Replicou-lhe Jesus: Todo o que beber desta água tornará a ter sede; mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que jorre para a vida eterna.

João 6; 35 Declarou-lhes Jesus. Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim, de modo algum terá fome, e quem crê em mim jamais terá sede.

João 7; 37-39 Ora, no seu último dia, o grande dia da festa, Jesus pôs-se em pé e clamou, dizendo: Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crê em mim, como diz a Escritura, do seu interior correrão rios de água viva. Ora, isto ele disse a respeito do Espírito que haviam de receber os que nele cressem; pois o Espírito ainda não fora dado, porque Jesus ainda não tinha sido glorificado.

O ensino direto de Jesus sobre o Espírito.

João 14; 16-17 E Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Ajudador, para que fique convosco para sempre. a saber, o Espírito da verdade, o qual o mundo não pode receber; porque não O vê nem o conhece; mas vós O conheceis, porque Ele habita convosco, e estará em vós.

João 14; 26 Mas o Ajudador, o Espírito Santo, a Quem o Pai enviará em meu nome, Esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto eu vos tenho dito.

João 15; 26 Quando vier o Ajudador, que eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade, que do Pai procede, esse dará testemunho de mim;

João 16; 7 Todavia, digo-vos a verdade, convém-vos que eu vá; pois se eu não for, o Ajudador não virá a vós; mas, se eu for, vo-lo enviarei.

João 16; 13-14 Quando vier, porém, aquele, o Espírito da verdade, Ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá o que tiver ouvido, e vos anunciará as coisas vindouras. Ele me glorificará, porque receberá do que é meu, e vo-lo anunciará.

João 20; 22 E havendo dito isso, assoprou sobre eles, e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo.

A promessa.

Lucas 24; 49 E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai porém, na cidade, até que do alto sejais revestidos de poder.

Atos dos Apóstolos 1; 4 Estando com eles, ordenou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, a qual (disse ele) de Mim ouvistes.

Atos 1; 8 mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra.

O derramamento do Espírito.

Atos dos Apóstolos 2; 4 Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem.

Atos dos Apóstolos 2; 16-18 Mas isto é o que foi dito pelo profeta Joel: E acontecerá nos últimos dias, diz o Senhor, que derramarei do meu Espírito sobre toda a carne; e os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, os vossos mancebos terão visões, os vossos anciãos terão sonhos; e sobre os meus servos e sobre as minhas servas derramarei do meu Espírito naqueles dias, e eles profetizarão.

Atos dos Apóstolos 8; 16-17 Porque sobre nenhum deles havia ele descido ainda; mas somente tinham sido batizados em nome do Senhor Jesus. Então lhes impuseram as mãos, e eles receberam o Espírito Santo.

Atos dos Apóstolos 10; 44-46 Enquanto Pedro ainda dizia estas coisas, desceu o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a palavra. Os crentes que eram de circuncisão, todos quantos tinham vindo com Pedro, maravilharam-se de que também sobre os gentios se derramasse o dom do Espírito Santo; porque os ouviam falar línguas e magnificar a Deus.

Atos dos Apóstolos 19; 2-7 perguntou-lhes: Recebestes vós o Espírito Santo quando crestes? Responderam-lhe eles: Não, nem sequer ouvimos que haja Espírito Santo. Tornou-lhes ele: Em que fostes batizados então? E eles disseram: No batismo de João. Mas Paulo respondeu: João administrou o batismo do arrependimento, dizendo ao povo que cresse naquele que após ele havia de vir, isto é, em Jesus. Quando ouviram isso, foram batizados em nome do Senhor Jesus. Havendo-lhes Paulo imposto as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo, e falavam em línguas e profetizavam. E eram ao todo uns doze homens.

Batismo e enchimento ou plenitude do Espírito.

Atos dos Apóstolos 4; 31 E, tendo eles orado, tremeu o lugar em que estavam reunidos; e todos foram cheios do Espírito Santo, e anunciavam com intrepidez a palavra de Deus.

No derramamento inicial do Espírito Santo, no dia de Pentecostes, todos os 120 irmãos presentes foram cheios do Espírito Santo, falaram em outras línguas, mas não se menciona que o mesmo tenha acontecido com os outros três mil, pelo menos naquele primeiro momento, quando se arrependeram e foram batizados.

Na casa de Cornélio, Pedro e os seis irmãos que o acompanhavam, os ouviram falar em línguas e magnificar a Deus e Pedro disse que haviam sido batizados e recebido o dom do Espírito Santo, da mesma forma que havia ocorrido no dia de Pentecostes.

Nas outras menções, incluindo Éfeso, constata-se que falavam em língua e profetizavam ou magnificavam a Deus, o que parece um padrão regular, indicando que o enchimento sempre era acompanhado dessas evidências como profetizar ou magnificar a Deus, de forma que, mesmo nas demais menções, em que não se especifica como se percebia o enchimento do Espírito Santo, tais evidências possam também ter ocorrido.

O que é importante, em função de terminologias como o batismo do Espírito Santo, ao invés do enchimento, é se entender que o batismo no Espírito Santo ocorre uma única vez, quando nascemos de novo e quem nos batiza é o Senhor Jesus.

1 Coríntios 12; 13 Pois em um só Espírito fomos todos nós batizados em um só corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos quer livres; e a todos nós foi dado beber de um só Espírito.

Mas, o enchimento com o Espírito Santo pode ser uma experiência sempre renovada, ou mesmo contínua, como um fluir de vida pelo nosso espírito.

Efésios 5; 18-19 E não vos embriagueis com vinho, no qual há devassidão, mas enchei-vos do Espírito, falando entre vós em salmos, hinos, e cânticos espirituais, cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração,

VIDA NO ESPÍRITO.

Após a regeneração, temos o Espírito de habitação em nós e devemos pedir e buscar a unção, o enchimento e o poder do Espírito Santo para:

• Viver uma vida permanente de céu aberto, de relacionamento com Deus e de santidade e de vitória sobre o pecado;

• Adorar em espírito e verdade, pelo fluir do Espírito para falar das grandezas de Deus;

• Orar com perseverança e visão para o avanço do Reino de Deus, confrontando os poderes espirituais;

• Buscar capacitação e os dons do Espírito para o serviço e ministério no Corpo de Cristo e para cumprir o nosso chamamento e missão;

• Receber o poder de Deus para proclamar as boas novas do evangelho, para testemunhar, ganhar almas e para transformar vidas e comunidades.

Novidade de vida, ressurreição e plena filiação.

1 Pedro 1; 17 E, se invocais por Pai aquele que, sem acepção de pessoas, julga segundo a obra de cada um, andai em temor durante o tempo da vossa peregrinação,

Efésios 5; 8 pois outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor; andai como filhos da luz

Gálatas 5; 16 Digo, porém: Andai pelo Espírito, e não haveis de cumprir a cobiça da carne.

Somos chamados, como homens espirituais, tendo o nosso espírito sido regenerado, a andar em temor, na luz e no espírito.

1 Coríntios 2; 11-16 Pois, qual dos homens entende as coisas do homem, senão o espírito do homem que nele está? assim também as coisas de Deus, ninguém as compreendeu, senão o Espírito de Deus. Ora, nós não temos recebido o espírito do mundo, mas sim o Espírito que provém de Deus, a fim de compreendermos as coisas que nos foram dadas gratuitamente por Deus; as quais também falamos, não com palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas com palavras ensinadas pelo Espírito Santo, comparando coisas espirituais com espirituais. Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque para ele são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. Mas o que é espiritual discerne bem tudo, enquanto ele por ninguém é discernido. Pois, quem jamais conheceu a mente do Senhor, para que possa instruí-lo? Mas nós temos a mente de Cristo.

Em sua divindade, Cristo sempre foi o eterno Filho de Deus, mas, pela ressurreição, Ele é designado Filho de Deus, em sua humanidade, como as primícias (1 Cor15; 20-26). Cristo encarnado não tinha a pecaminosidade da carne (Rm 8; 3), mas ainda precisava ser designado Filho de Deus em poder, pela ressurreição (Sl 2; 7 e At 13; 33).

Após nossa regeneração e filiação, pelo novo nascimento, também precisamos alcançar a plena adoção e filiação como homens maduros, pela união com Cristo (Rm 1; 4).

Nós, segundo a carne, não podemos ser designados Filhos de Deus (1 Cor 15; 50), mas o seremos pelo espírito de santidade que recebemos de Deus e pelo poder da ressurreição. Não devemos considerar a ressurreição apenas em sua realização futura (Jo 11; 25), pois Cristo é a ressurreição e Ele está em nós, na pessoa do Espírito Santo, e pode nos levar a uma experiência viva, subjetiva e atual da ressurreição, como o poder da vida, como vida em abundância e como novidade de vida.

Romanos 6; 4 Fomos, pois, sepultados com Ele pelo batismo na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida.

Recebemos a substância ou essência da vida na regeneração do espírito, que cresce e se expande na santificação e transformação da alma, e até vivifica nossos corpos mortais pelo Espírito que em nós habita (Rm 8: 6) e pelo poder da ressurreição

Para vencer todas as coisas negativas e até mesmo a morte (1 Cor 15; 26), não apenas vencendo-a, mas tragando-a. Morte é alimento para a ressurreição, como os inimigos do povo de Deus foram considerados comida (Nm 14; 9).

A vida de ressurreição produz crescimento, transformação, frutificação e poder para ascender e superar nossas fraquezas e todas as coisas negativas (pecados, fraquezas, orgulho, crítica, murmuração, falar demais, etc.), que, junto com as artimanhas de Satanás, sempre trabalham juntas e cooperam para nos manter abatidos e sob opressão ou depressão. Mas o Espírito Santo é o poder da vida e a realidade da ressurreição (Rm 8; 11, Ef 1; 19-20), nos conformando para participar da natureza divina (2 Pe 1; 3) e vencer todas essas coisas.

Temos, dentro de nós, a essência e o poder da vida do Senhor, embora ainda não tenhamos a plenitude e a completa conformação como Filhos de Deus.

Temos que escolher andar no espírito, colocar nossa mente no espírito e pelo espírito mortificar as práticas do corpo e da carne, aprendendo a viver somente pela unção interior. O Espírito Santo é a Pessoa divina que traz o espírito de santidade como substância e vida divina para dentro de nós, pois Cristo é espírito vivificante (1 Cor 15; 45, 2 Cor 3; 17, Rm 8; 8).

Não precisamos saber em detalhe tudo que temos no Espírito, como não precisamos saber todos os detalhes dos nutrientes nos alimentos que comemos. Temos que aprender e praticar viver pelo Espírito e pela unção em todos os momentos, investindo toda a vida nesta etapa intermediária entre a justificação e a glorificação, ao longo de nossa peregrinação.

Não podemos ser cheios do Espírito Santo se continuarmos vivendo de modo natural no mundo e no pecado. A morte de Cristo e nossa morte inclusiva nEle cumprem a exigência da justiça de Deus, para que Deus, de forma justa, possa nos encher com o seu Espírito, não para a salvação inicial, mas no nosso viver diário.

Para sermos cheios do Espírito Santo, devemos tomar a posição de pessoas crucificadas, declarando, pela fé, nossa morte com Cristo na cruz e pedir o Espírito Santo, como Ele nos instruiu.

A vida eterna que recebemos e nos regenerou tem, também, o poder da vida e da ressurreição para nos santificar (Rm 8; 11). A morte de Cristo satisfaz a justiça de Deus, que tem a ver com os atos de Deus e como Ele faz todas as coisas. A santidade é a natureza de Deus, a nós dispensada pelo poder da ressurreição, nos santificando e nos transformando até a glorificação, num processo permanente, que se prolonga ao longo de toda a nossa peregrinação aqui nesta terra, e que se iniciou com a ascensão de Cristo como as primícias.

A morte na cruz é a base para a justiça e o fim da vida velha no comando. A justificação tem a ver com os atos de Deus e a salvação do nosso espírito (expiação, propiciação, redenção, justificação, reconciliação e filiação). A vida de ressurreição é o processo que nos leva a santidade e coloca a vida eterna do espírito no comando. A santificação tem a ver com a natureza de Deus e a salvação da nossa alma (purificação, santificação, transformação e conformação). O objetivo final é a ascensão e a expressão de Deus na glorificação do nosso corpo (redenção, transformação, arrebatamento e união).

Precisamos de experiência subjetiva e real da justiça, santidade e da glória de Deus em nossas vidas: crucificados com Cristo, Cristo vivo em nós, pelo poder da ressurreição e o Espírito nos enchendo para a glória de Deus.

Diariamente, devemos tomar o caminho da cruz, assumir e confessar nossa posição de crucificados com Cristo, permitindo que Cristo viva em nós, para experimentarmos justiça e santidade e buscar o enchimento permanente do Espírito Santo, expressando a glória de Deus em nossas vidas. Esta expressão da vida eterna de Deus em todo o corpo de Cristo se consumará na plena glorificação (Jo 17; 22, Rm 8; 18).

Mas, mesmo hoje, enquanto andamos no caminho da cruz para santificação, iremos percebendo mais glória e sendo transformados de glória em glória (2 Co 3; 18).

O proposito final é que muitos filhos alcancem a plena filiação (Rm 8; 29); desde filho criança, pela testificação do espírito (Gl 4; 6, Rm 8; 15), a filho maduro, guiados por Deus (Rm 8; 14), filhos herdeiros (Rm 8; 17), via padecimento, até a glorificação. O sofrimento aumenta a intensidade da glória (2 Cor 4; 16-17). A sequência é a filiação inicial, a testificação, o enchimento, o guiar, as primícias do Espírito, a ajuda e o interceder do Espírito e o amor de Deus, derramado em nossos corações, do qual nada poderá nos separar.

Cristo foi designado Filho de Deus em sua humanidade pela ressurreição e nós também o seremos na semelhança da sua ressurreição (Rm 6; 5). Estamos, hoje, no processo de sermos designados plenamente filhos de Deus, que alguns entendem ser o sentido principal da adoção.

Somos levados à morte para participarmos da ressurreição e sermos, então, designados filhos na totalidade do nosso ser. Hoje, não temos ainda esta plena aparência e temos muitas falhas, mas, até elas, o Senhor usa para trabalhar sua vida em nós pela santificação, transformação, conformação e glorificação.

Transformação significa mudança de forma, ou seja, mudança de vida, valores e comportamento, pela presença da vida de Cristo em nós, até sermos conformados a Ele e, por fim, glorificados nEle, e designados, plenamente, Filhos de Deus pela ressurreição e transfiguração do nosso corpo. Filhos de Deus em espírito, o que já somos (1 Jo 3; 1), mas também em alma e corpo.

Além de vencer e reinar sobre o pecado e a morte, temos de vencer e subjugar Satanás, a origem do pecado e da morte. Para isso, precisamos de plena salvação para vencer a lei do pecado, o mundanismo, o viver natural, o individualismo, a tendência à divisão, o amor próprio, o ego, o corpo natural e suas concupiscências.

A batalha espiritual não é uma questão, apenas, individual, mas envolve o corpo de Cristo (Rm 16; 20).

Temos que depender de Deus e andar no espírito para vencer a carne. Se a carne fosse retirada sem que estivéssemos cheios do espírito, Satanás sutilmente nos enganaria de novo, como, de alguma forma, parece sempre acontecer com tantos que não prosseguem no caminho da santificação e da cruz, e continuam flertando com o pecado e o mundo, com suas riquezas e glória, sem saber quem está nos bastidores de tudo. Todos que buscam, verdadeiramente, ao Senhor são incomodados e inconformados com a carne e suas falhas.

Mesmo o novo homem, como vimos, precisa da cruz a cada dia. Nunca mais deixe o velho homem tomar a frente de novo, porque a natureza da carne ainda não foi aniquilada, e ela só vai ser aniquilada depois da redenção do nosso corpo.

Todos somos sacerdotes e vamos oferecer a Deus alguma coisa, um sacrifício vivo que tem que custar alguma coisa, para isso vamos exercitar domínio próprio, negarmo-nos a nós mesmos e desistir das nossas vontades, à parte de Deus, para fazermos somente a vontade de Deus. Mas o que é negar-se a si mesmo? É desistir de nós, do que queremos, dos nossos sonhos, dos nossos planos, para buscar somente a vontade de Deus.

Um cristão que não toma o caminho da cruz e não se nega, não pode frutificar muito. Se a cruz operar fundo em nós, a vida de Deus irá florescer.

O Espírito Santo só pode usar, plenamente, uma vida rendida e quebrada. Se seguirmos nossa vidinha de sempre, não daremos muitos frutos. Este aspecto da cruz é muito importante e somente neste caminho da cruz poderemos ser usados por Deus, para servir a Deus, para interceder, para o combate e vitória espiritual, manifestando, como filhos maduros de Deus, a sua glória e o poder da ressurreição aqui na terra.

A palavra da cruz é loucura para os que perecem, mas, para nós, é o poder de Deus para nossa salvação, para a nossa libertação, para a nossa santificação e para a nossa vitória. A obra da cruz e o enchimento do Espírito são a completa provisão para nos levar a esta novidade de vida no poder e vitória da ressurreição.

Enchimento.

No capítulo sobre o Espírito Santo, o tema do derramamento e do enchimento pelo Espírito Santo já foi introduzido.

Os três mil batizados no dia de Pentecostes receberam o Espírito Santo de habitação e foram incluídos no Corpo de Cristo e na comunhão da vida divina. Pedro falou que eles receberiam o dom do Espírito Santo, mas, naquele dia, não houve qualquer evidência de terem recebido este dom ou o revestimento do poder do alto.

Alguns fazem distinção entre o Espírito de habitação e o Espírito de revestimento e poder ou consideram duas experiências separadas.

  • Uma primeira experiência, no novo nascimento, recebendo o Espírito de habitação, que nos inclui no Corpo de Cristo e na comunhão inicial da vida de Deus.

João 20; 22 E havendo dito isso, assoprou sobre eles, e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo.

1 Coríntios 6; 19 Ou não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que habita em vós, o qual possuís da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos?

  • Uma segunda experiência, ao sermos cheios ou revestidos do poder do alto, que nos introduz na comunhão mais plena da vida de Deus e na maior capacitação para o serviço .

Atos dos Apóstolos 1; 8 Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém, como em toda a Judeia e Samaria, e até os confins da terra.

Atos dos Apóstolos 4; 31 E, tendo eles orado, tremeu o lugar em que estavam reunidos; e todos foram cheios do Espírito Santo, e anunciavam com intrepidez a palavra de Deus.

O dom do Espírito Santo, ou a sua plenitude e o revestimento de poder, não ocorreu apenas no dia de Pentecostes, mas se repetiu no dia seguinte à cura coxo da porta Formosa, na casa de Cornélio e naqueles doze discípulos de João em Éfeso. No dia seguinte a cura do coxo, o chão tremeu, na casa de Cornélio, nada parece ter acontecido e, em Éfeso, Paulo impôs as mãos.

A única instrução apostólica sobre o enchimento do Espírito nos exorta a nos enchermos, ou continuarmos a ser enchidos, pelo falar no espírito.

Efésios 5; 18-21 E não vos embriagueis com vinho, no qual há devassidão, mas enchei-vos do Espírito, falando entre vós em salmos, hinos, e cânticos espirituais, cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração, sempre dando graças por tudo a Deus, o Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo.

Desta forma, tendo em vista a relevância do tema, vamos considerar os dons do Espírito e, em seguida, o falar em línguas, como sendo o falar no espírito.

A noite escura da alma.

A expressão “a noite escura da alma” advém de um poema e comentário, escritos, no século 16, por São João da Cruz, poeta espanhol e místico cristão.

O poema narra a dolorosa jornada e experiência da alma, a partir de sua morada carnal e da busca do crescimento espiritual, até a união com Deus. A escuridão representa as dificuldades da alma em desapegar-se do mundo e atingir a luz da união com Deus, em dois níveis de sua purificação: primeiro dos sentidos e, em seguida, das motivações.

Ao se entrar na noite escura da alma, disciplinas espirituais, como a oração e devoção a Deus, subitamente, parecem perder todo o valor, diante de um sentimento de que Deus, de repente, nos tivesse abandonado. Ao invés de resultar em permanente devastação, a noite escura é considerada uma bênção disfarçada, pela qual somos despojados (na noite escura dos sentidos) do êxtase espiritual associado a uma vida piedosa ou da alegria inicial, após o novo nascimento e a reconciliação com Deus.

Por um momento, parecemos declinar em nossa vida espiritual, mas, na realidade, estamos crescendo espiritualmente, uma vez que passamos a buscar menos as recompensas espirituais (êxtases da primeira noite) e mais um verdadeiro amor a Deus, o que representa a purificação da alma, que trará pureza e união com Deus.

Apesar desta crise ser, geralmente, de natureza passageira, pode durar por longos períodos. A “noite escura” de São João da Cruz, no século 16, durou 45 anos. Ao final de sua vida, ele recusou a extrema unção e pediu que lhe lessem o Cântico dos cânticos, poema ao qual muitos santos se dedicam nesta busca por uma união mais plena com Deus.

Nos momentos mais difíceis e no caminho da cruz, a fé e a palavra nos guiam por qualquer escuridão, capacitando-nos a continuar sempre em frente, mesmo que as emoções pareçam sufocar a alma. Não há mapa, receita de bolo ou manual para terminar a crise, pois cada um vive a sua própria experiência e circunstâncias, na medida exata de suas necessidades, conforme a soberania e sabedoria de Deus.

1 Pedro 1:5-8 que pelo poder de Deus sois guardados, mediante a fé, para a salvação que está preparada para se revelar no último tempo; na qual exultais, ainda que agora por um pouco de tempo, sendo necessário, estejais contristados por várias provações, para que a prova da vossa fé, mais preciosa do que o ouro que perece, embora provado pelo fogo, redunde para louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo; a quem, sem o terdes visto, amais; no qual, sem agora o verdes, mas crendo, exultais com gozo inefável e cheio de glória,

Nossa noite escura da alma pode começar com uma tristeza fina e generalizada, mas não como numa depressão comum e centrada nos próprios sentimentos ou desmotivação. É como uma saudade indefinida, de algo que nunca foi vivido, e um anseio por preencher um grande vazio e sentimento de insatisfação espiritual na alma, pela ausência de Deus, de sentido na vida ou pelo estado da humanidade, e uma sensação de solidão, incompreensão e a impressão de que não há saída para o sofrimento alongado na escuridão à frente.

A noite escura da alma representa um período de sentimento de abandono, que pode se aproximar de uma depressão ou doença da alma. Muitos servos de Deus passam por essa experiência, como Davi (Salmos 13, 28, 42 a 44, 88) e Jeremias (Jr 4: 19). Não é uma depressão ordinária ou emocional, mas uma depressão ligada a uma crise de fé, uma crise que vem quando há um senso de ausência de Deus, que aumenta o sentimento de abandono por parte Dele.

Depressão espiritual é real e pode ser aguda. Alguns se perguntam como uma pessoa de fé pode experimentar tal baixa espiritual, mas este é o caminho da cruz e do crescimento espiritual. Consideram que a noite escura da alma é incompatível com o fruto do Espírito, não apenas a respeito da fé, mas também a respeito da alegria. Uma vez que o Espírito Santo inundou nosso coração com uma alegria indizível, como pode haver espaço para tal sentimento de escuridão.

Um cristão, contudo, ainda pode ter alegria em seu coração, em meio à depressão espiritual. Existe, ainda, uma esperança, e uma alegria, mais profunda, que nos sustenta durante essas noites escuras e não é extinguida pela depressão espiritual.

Nosso tesouro está contido, não em vasos de ouro ou prata, mas em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós mesmos e há um limite para esta noite escura da alma, mesmo se prolongado.

2 Coríntios 4:7-11 Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não da nossa parte. Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desesperados; perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos; trazendo sempre no corpo o morrer de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nossos corpos; pois nós, que vivemos, estamos sempre entregues à morte por amor de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nossa carne mortal.

Habacuque 3:17-19 Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto nas vides; ainda que falhe o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que o rebanho seja exterminado da malhada e nos currais não haja gado. todavia eu me alegrarei no Senhor, exultarei no Deus da minha salvação. O Senhor Deus é minha força, ele fará os meus pés como os da corça, e me fará andar sobre os meus lugares altos. (Ao regente de música. Para instrumentos de cordas.)

Ainda que a tristeza alcance as raízes de nossas almas, não pode resultar em amargura e a escuridão se dissipará diante da luz e do poder da ressurreição.

Mateus 4:16 o povo que estava sentado em trevas viu uma grande luz; sim, aos que estavam sentados na região da sombra da morte, a estes a luz raiou.

Colossenses 1:12-13 dando graças ao Pai que vos fez idôneos para participar da herança dos santos na luz, e que nos tirou do poder das trevas, e nos transportou para o reino do seu Filho amado;

Lucas 24:5-6 e ficando elas atemorizadas e abaixando o rosto para o chão, eles lhes disseram: Por que buscais entre os mortos aquele que vive? Ele não está aqui, mas ressurgiu. Lembrai-vos de como vos falou, estando ainda na Galileia.

Provérbios 4:18 Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito.

Dons espirituais

Existem 3 relações não exaustivas de dons.

Os dons da graça: profecia, ministério, ensinar, exortar, repartir, presidir e misericórdia.

Romanos 12; 6-8 De modo que, tendo diferentes dons segundo a graça que nos foi dada, se é profecia, seja ela segundo a medida da fé; se é ministério, seja em ministrar; se é ensinar, haja dedicação ao ensino; ou que exorta, use esse dom em exortar; o que reparte, faça-o com liberalidade; o que preside, com zelo; o que usa de misericórdia, com alegria.

Os nove dons espirituais, relacionados no capítulo 12 da primeira carta aos Coríntios, podem ser divididos em 3 grupos.

  • Dons de revelação: discernimento de espíritos, conhecimento e sabedoria.
  • Dons de expressão: profecia, variedade de línguas e interpretação de línguas.
  • Dons de poder: fé, dons de cura e milagres.

1 Coríntios 12; 4-10 Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. A cada um, porém, é dada a manifestação do Espírito para o proveito comum. Porque a um, pelo Espírito, é dada a palavra da sabedoria; a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência; a outro, pelo mesmo Espírito, a fé; a outro, pelo mesmo Espírito, os dons de curar; a outro a operação de milagres; a outro a profecia; a outro o dom de discernir espíritos; a outro a variedade de línguas; e a outro a interpretação de línguas.

Os dons ministeriais, ou homens dons, relacionados aos cinco ministérios (alguns consideram apenas quatro, mantendo pastor e mestre como um único dom)

Efésios 4; 11 E ele deu uns como apóstolos, e outros como profetas, e outros como evangelistas, e outros como pastores e mestres,

1 Coríntios 12; 28 E a uns pôs Deus na igreja, primeiramente apóstolos, em segundo lugar profetas, em terceiro mestres, depois operadores de milagres, depois dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas.

Entre os dons de expressão, se destaca o dom de profecia. Os dons do espírito operam juntos numa sequência de revelação, fé e expressão, liberando a manifestação do Espírito Santo

Os cristãos podem operar em todos os dons, ou em apenas alguns deles, e a grande comissão menciona que sinais seguirão aqueles que creem.

Marcos 16; 17-18 E estes sinais acompanharão aos que crerem: em meu nome expulsarão demônios; falarão novas línguas; pegarão em serpentes; e se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos, e estes serão curados.

Expulsar demônios pode ter relação com os dons de discernimento de espíritos, milagres e fé; falar em novas línguas pode se referir a um falar em língua mais amplo que o dom de variedade de línguas ou de interpretação, que não se aplica a todos os que creem; pegar serpentes (lutar com os poderes do espírito) pode ter relação com os dons de revelação e profecia, beber qualquer coisa mortal (por acidente) com o dom de fé e de milagres e imposição de mãos sobre os enfermos, com os dons de fé e cura.

Para que os dons operem, temos que ter revelação e fé e sua operação consistente pode se tornar um ministério para a edificação e o serviço. A operação dos dons do Espírito aumenta a percepção da presença de Deus, altera a atmosfera espiritual e desperta a fé para milagres ocorrerem.

LÍNGUAS.

Três aspectos do dom de línguas.

O dom de língua pode se manifestar em três diferentes aspectos, para os quais iremos considerar a importância e aplicação prática histórica ou atual de cada um deles.

  • Dom de línguas no fluir do espírito, com ênfase vertical para oração, adoração, comunhão e comunicação do espírito regenerado do homem com Deus, para edificação própria ou expressão de mistérios.
  • Dom de variedade de língua, acompanhado do dom de interpretação, com ênfase na comunicação horizontal para edificação dos santos em assembleia, falando dois ou três de cada vez, somente quando houver a interpretação.
  • Dom de língua, acompanhado do entendimento pelos ouvintes, em suas próprias línguas, como sinal para os incrédulos, com ênfase na comunicação horizontal para proclamação das grandezas de Deus ou proclamação do evangelho.

Diferenciação entre as línguas no fluir do espírito e o dom de variedade de línguas.

Línguas no fluir do Espírito Variedade de línguas
Falar com Deus Falar para edificar a congregação
Proclamação das grandezas de Deus Ação de graças e edificação.
Não necessita interpretação Demanda interpretação
Às vezes entendido por ouvintes em sua língua Sempre entendido pela interpretação
Mistérios nem sempre revelados Mistérios revelados
Edificação própria Edificação corporativa
Encher ou ser enchido do Espírito Exercício do dom espiritual
Oração e adoração individual ou congregacional Comunicação pelo falar e interpretação
Sinal a seguir todos os que crerem Não para todos
Sem instruções para exercício congregacional Claras instruções apostólicas para o exercício congregacional
Passível de engano e desvio Passível de engano e desvio

 

O terceiro aspecto, exceto a ênfase na comunicação horizontal, que requer considerações adicionais, tendo em vista que, no dia de Pentecostes, mesmo que os ouvintes estivessem entendendo o que estava sendo falado, tal entendimento era um sinal, pois os ouviam falar das grandezas de Deus em suas próprias línguas.

Contudo, embora este milagre tenha se repetido, isoladamente, ao longo da história da igreja, não há outras menções nas escrituras, de forma que vamos nos concentrar nos dois primeiros aspectos.

No dia de Pentecostes (At 2; 1-17), cada um os ouvia falar na própria língua, o que parece indicar que todos os ouvintes ouviam todos os falantes em suas próprias línguas.

Desta forma, como os falantes não poderiam estar falando todas as diferentes línguas ao mesmo tempo, a não ser que cada um, ou alguns juntos, falassem uma mesma língua específica, eles poderiam estar falando uma língua diferente, que todos os ouvintes ouviam em suas próprias línguas.

Eles não estavam falando para os ouvintes, mas para Deus, magnificando suas grandezas. Se estivessem mesmo falando uma língua diferente, que cada ouvinte entendia em sua própria língua, seria fácil entender porque alguns perguntaram o que queria dizer aquilo, enquanto outros zombavam, dizendo que os falantes estavam cheios de mosto.

Quando Pedro foi comunicar-se com os ouvintes atônitos, ele não continuou a falar numa língua diferente que cada um ouvia em sua própria língua, mas comunicou-se numa língua comum, que tanto falante quanto ouvintes, bem conheciam, provavelmente, o aramaico.

Neste primeiro evento, fica claro que todos os 120 irmãos que foram cheios do Espírito Santo, falaram em outras línguas, mas não se menciona que o mesmo tenha acontecido com os outros três mil, pelo menos naquele primeiro momento, quando se arrependeram e foram batizados.

Nas menções seguintes do enchimento do Espírito Santo (At 4; 31, 8; 14-19, 10; 44-47, 19; 6-7), o dom de línguas não é mencionado e nem como se percebia, de forma clara, o enchimento.

Na casa de Cornélio, Pedro e os seis irmãos que o acompanhavam os ouviram falar em línguas e magnificar a Deus, e Pedro disse que haviam sido batizados e recebido o dom do Espírito Santo, da mesma forma que havia ocorrido no dia de Pentecostes.

Nestas outras menções, incluindo Éfeso, constata-se que falavam em língua e profetizavam ou magnificavam a Deus, o que parece um padrão regular, indicando que o enchimento sempre era acompanhado dessas evidências, como profetizar ou magnificar a Deus, de forma que, mesmo nas demais menções, em que não se especifica como se percebia o enchimento do Espírito Santo, tais evidências possam também ter ocorrido.

O segundo aspecto do dom de línguas inclui claras e detalhadas instruções apostólicas nos capítulos 12 a 14 da 1ª carta de Paulo aos Coríntios, sendo relevante observar que o dom de variedade de línguas e de interpretação tem ênfase na edificação de todos em assembleia, mesmo se mantivermos que a ênfase de comunicação deva ser vertical, e, também, que nem todos possuem tais dons (1Co 12; 10-11, 30)

A menção a línguas de anjos (1Co 13; 1), sempre bastante controvertida, se é uma hipérbole ou uma real menção a línguas que não sejam as conhecidas entre os homens, abre mais uma possibilidade da língua concedida pelo Espírito Santo poder ser uma língua realmente desconhecida.

As línguas irão, um dia, cessar entre os homens (1Co 13; 8-11) e muitos consideram, com base nestes versos, que elas já cessaram e que não são para os dias atuais da igreja, o que será detalhado num item a seguir.

Nos ensinos sobre o tema no capítulo 14 da 1ª carta aos Coríntios, vários aspectos importantes são mencionados.

O falar a Deus, falar mistérios, palavras não inteligíveis e não entendidas, como falando no ar, nos mostra que as línguas podem ser mesmo línguas desconhecidas e que o falante, em geral, não conhece o significado de sua própria fala sob a ação e o mover do Espírito Santo. Por isso, o entendimento ou a própria mente fica infrutífera, quando se ora somente no espírito.

Embora devamos também orar e cantar com o nosso entendimento, isso não significa que o orar e cantar, somente no espírito, não tenham valor, uma vez que há edificação própria e se pode dar bem as graças, mesmo que os demais não entendam para falar o amém, quando se ora somente no espírito.

Assim, percebe-se alguma associação do orar em espírito com o orar em língua, com o que nem todos concordam.

Mas existem claras instruções para se orar constante e continuamente no espírito (Jd 1; 20, Ef 6; 18, 1Ts 5; 17-19) , o que não é possível sob o comando de nossa mente, em meio às muitas atividades do dia a dia.

Paulo disse que orava em língua mais que todos, que gostaria que todos orassem em língua, mas que, na assembleia, somente se deveria falar em língua se houvesse a interpretação, mas que não se devia proibir o falar em língua. Para que possa se manifestar a interpretação, é necessário que se comece a falar em língua. Caso ninguém interprete, se deve calar e orar somente a Deus, falando em voz baixa, sem preocupação em comunicar-se com os presentes.

Ainda assim, embora a variedade de língua com a interpretação seja equiparada a profecia, uma vez que todos entenderão e serão edificados, isso não significa que a ênfase seja na comunicação horizontal, uma vez que Deus pode falar direto em profecia, essa, sim, com clara ênfase horizontal.

A variedade de língua com a interpretação deveria manter a ênfase vertical, que a diferencia da profecia, mesmo que todos sejam também edificados, quando magnificamos a Deus falando diretamente a Ele ou lhe apresentando nossas ações de graças ou súplicas.

Mas algumas súplicas não precisam ser interpretadas (Rm 8; 26-27).

A língua interpretada ou entendida pelo ouvinte em sua própria língua representa um sinal para os incrédulos e, por isso, a recomendação de não falarem todos em língua ao mesmo tempo, sem a interpretação, quando incrédulos estiverem presentes. Incrédulos devem entender o que está sendo dito e, por isso, são convencidos pela profecia.

Essa profecia entendida passa a ser sinal para os que creem. Se somente cristãos estiverem presentes, não haveria problema se todos se dirigissem a Deus em oração ou adoração, em momentos específicos, por meio de línguas, sem alterar a prioridade da edificação de todos.

Para haver a edificação, a interpretação faz-se necessária e somente 2 ou 3 devem falar em cada reunião.

As Línguas e suas controvérsias.

O tema do dom de línguas e sua continuidade nos dias de hoje apresenta grande controvérsia na cristandade. Existe vasta literatura e pregações sobre o tema, tanto entre os que são contrários, quanto entre os que são favoráveis, sobre o que apresentamos as seguintes considerações gerais:

• Não é viável conciliar as posições e temos que depender diretamente do Senhor e da sua Palavra, orando sempre, no Espírito Santo, para que nos conduza a toda a verdade.

• Também não é de muito proveito analisar o tema ao longo da história da igreja, com escassa manifestação proveitosa ao longo de séculos de desvio e afastamento da palavra de Deus, muitas vezes relacionadas com seitas e interferências místicas.

• A história recente, a partir do século 20, embora ampla, também vem relacionada com muito desvio, ênfase primeiro na experiência, para depois se formular uma base de apoio na palavra de Deus.

• As referências principais, como já vimos, estão no final do evangelho de Marcos, em 3 passagens no livro de Atos e nos capítulos 12 a 14 da primeira carta aos coríntios.

• O tema está claramente incluído nas escrituras, ainda que alguns o considerem como disposição transitória, sem continuidade ao longo da história da igreja, mesmo se ela se tivesse mantido fiel.

• O próprio fato de tanta controvérsia sobre o tema e tanta atividade do mundo espiritual em torno do mesmo podem indicar que algo de valor esteja sendo falsificado e atacado.

• Para descobrir se há algo de precioso enterrado neste campo, antes de comprar o campo ou descartá-lo como não sendo de qualquer valor, podemos partir de pressupostos simples, como entender que a ocorrência inicial no dia de Pentecostes parece, em princípio, diferente do exercício do dom ou variedade de línguas, em Corinto, e as respectivas instruções de falar apenas 2 ou 3 e somente se houver interpretação. No dia de Pentecostes, falavam todos sem necessidade de interpretação e falavam glorificando a Deus por suas grandezas e não para pregar o evangelho, o que Pedro fez depois na língua aramaica ou grega.

• É importante notar que não falavam para serem compreendidos, embora muitos que falavam os diversos dialetos mencionados, entendiam todos os falantes, e não sabemos se esses 15 dialetos estavam sendo falados pelos falantes ou se eram outras línguas, uma vez que eram 120 pessoas e todas falavam em línguas, conforme o Espírito lhes concedia que falassem.

• Nas ocorrências seguintes do livro de Atos, na casa de Cornélio e em Éfeso, apenas se menciona que o milagre se repetiu, o que mostra alguma regularidade, pelo menos nestes casos mencionados, embora em diversos outros não haja esta mesma menção.

• Assim, se há mesmo algo de valor nesta experiência, e certamente pode haver, pela mesma estar, claramente, registrada nas escrituras, tal valor estará sempre relacionado com o enchimento do Espírito Santo. Mesmo sem fazer dessa experiência uma doutrina sobre ser cheio do Espírito Santo e tantas outras semelhantes, podemos sempre relacioná-la com alguma forma do fluir do Espírito, que pode ser o que de precioso possa estar sendo perdido.

• Desta forma, torna-se importante verificarmos se as menções na escritura sobre falar, orar, cantar ou mesmo andar no espírito possa ter alguma relação com essa experiência e com a prática regular da mesma e, tendo em vista as controvérsias sobre o tema, temos que novamente depender do Espírito Santo e praticarmos na dependência do Senhor, dentro dos limites das claras orientações das escrituras, e num ambiente seguro contra excessos de qualquer tipo de misticismo ou passividade em relação ao mundo espiritual.

• Existem experiências científicas que indicam que as palavras faladas em língua no espírito não vêm do centro normal de fala do nosso cérebro. Temos sempre que vigiar para manter nossa mente ativa, seja na oração, ou na adoração, sempre focada no próprio Ser de Deus e em suas grandezas. A eventual ativação de outras áreas do cérebro pode até contribuir para a neuroplasticidade cerebral e nossa saúde e crescimento espiritual.

• Ao nos exercitarmos espiritualmente falando em língua pelo fluir do espírito devemos estar sozinhos ou num ambiente seguro para nos dirigirmos diretamente a Deus.

• Devemos verificar o efeito dessa prática em nossa vida espiritual de oração e de adoração e se a mesma realmente contribui para uma maior comunhão com Deus e para o fluir do Espírito Santo também nas demais manifestações dos dons, disciplinas espirituais, andar no espírito e em nosso serviço.

• Devemos ter o cuidado de não generalizar tal experiência impondo-a a todos ou de entrar nas diversas polêmicas ou desvios no exercício de línguas, ou mesmo de ficarmos nos analisando o tempo todo. Toda genuína experiência espiritual depende da fé e a plenitude da unção do Espírito Santo é uma das promessas que devemos pedir e tomar posse por fé.

• Só o Senhor pode nos guiar pelo seu Espírito e nos conduzir a toda a verdade.

A posição favorável

Os que defendem as línguas no fluir do espírito nos dias de hoje e para todos consideram que, ao ser cheia ou revestida do poder do Espírito, o Espírito Santo começa a fluir de dentro do novo espírito regenerado como um rio.

Consideram que este fluir permanece ao continuarmos sendo preenchidos, falando e orando no espírito, mesmo em outras línguas e que todos os cristãos podem fluir no espírito dessa forma, uma vez que não se refere ao dom da variedade de línguas, que nem todos manifestam.

Nosso falar é uma parte muito importante das nossas vidas e falar ou orar em línguas tem grande significado espiritual e representa uma importante forma de oração, como uma ferramenta, que nos é dada por Deus e que devemos aprender a usar.

Quando oramos em língua no espírito, não é a mente que está produzindo as palavras, mas o espírito. Portanto, ninguém entende o que está sendo dito e não é necessário imaginar, traduzir ou mesmo tentar entender o significado.

Alguns podem então perguntar: mas se não entendemos o que está sendo dito, qual o sentido ou benefício de se falar ou orar em outras línguas?

Estes são os principais benefícios do falar em línguas em oração:

• O espírito fica mais aflorado e apto para receber mais revelações. Orar no espírito ou em outras línguas é falar de mistérios e Deus pode nos revelar mistérios e verdades espirituais pela sua unção sobre nós. Ao orar em outras línguas falamos diretamente a Deus.

• Pode trazer refrigério a todo o nosso ser, representando um descanso espiritual. Mesmo que o sentimento não esteja em evidência, podemos usar nossa fé e vontade para começar a orar em outras línguas. Fazemos isso tal como começamos a falar em nossa própria língua, ou como começamos a cantar, ou ler a bíblia.

• Edificação da própria pessoa que está orando, o que ajuda a crescer em maturidade, frutificação e plenitude espiritual e sermos transformados de glória em glória, podendo abrir caminho para a operação dos dons do espírito e nossa efetividade no seu exercício, nos edificando em nossa fé santíssima. Orar desta forma permite-nos continuar a sermos cheios ou enchidos no espírito, o que nos ajuda dominar a alma e o corpo. Pode nos libertar de fraquezas, complexos, áreas de escuridão, dor, lembranças na alma e todos os tipos de opressão satânica e amarras do passado. Temos que ser “guiados pelo espírito’ (Rom 8; 14) e orar no espírito nos ajuda a nos tornar sensíveis à voz do Espírito Santo.

• Quando oramos no espírito, não há envolvimento direto da mente ou alma. Elas podem participar e até mesmo interpretar, expressando significados pelo falar na língua que conseguimos entender. As emoções podem ser também envolvidas por Deus. Orar em outras línguas contorna a mente, o intelecto e o nosso psiquismo, uma vez que as palavras não vêm da mente. Nos ajuda na oração de intercessão, porque não sabemos orar como convém.

• Orar em línguas pode propiciar uma unção para adorar a Deus, individual ou corporativamente na congregação, em espírito e em verdade, de uma forma em que as ferramentas e estímulos externos do culto religioso, como a música, se tornam menos importantes. Assim como os instrumentos musicais emitem sons que não significam uma língua com conteúdo cognitivo de comunicação, a adoração em línguas pode se assemelhar a uma orquestra espiritual.

• Nos capacita e nos motiva para ministrar, evangelizar e ganhar outras almas para Cristo. Ao dirigirmos nossa fé para esse fim, o rio do Espírito Santo pode fluir para outros, propiciando que se movam sob aquela unção, trazendo libertação de amarras em pessoas.

A posição favorável ao dom de línguas considera que não há nenhum fundamento bíblico para dizer que o falar em línguas não é para a igreja nessa era e que todos os desvios existentes não desabonam e não podem suplantar o falar genuíno em outras línguas.

Aqueles que oram muitas vezes em outras línguas, terminam falando nessa outra língua de forma mais completa. Ao longo dos anos, o espírito pode conceder línguas diversas, em diferentes ocasiões. Isto é muito mais do que algumas palavras em cada língua. Na verdade, pode ser uma nova língua totalmente diferente da própria linguagem natural, tanto no uso de vogais e consoantes e também na entonação.

Os espectadores e ouvintes podem não entender e considerar que sejam coisas sem sentido. Ao nosso ouvido, todas as línguas estrangeiras que não entendemos parecem sem sentido. Nossa fé pode ser reforçada, ao reconhecermos o milagre do fluir do Espírito Santo em nossa boca. O falar em línguas, por não vir da região do nosso cérebro que usamos na fala cognitiva, está além de todas as regras naturais da fala.

A Posição contrária.

Os que se posicionam contra o dom de línguas, mas com restrições ao atual exercício do mesmo, apresentam considerações, como:

Dom de língua na Igreja primitiva Dom de língua na Igreja moderna
O dom menos importante. O dom mais importante.
Sinal para os incrédulos. Sinal para os crentes.
Cada um por sua vez de falar. Todos falando ao mesmo tempo.
Orar para interpretação. Orar para falar em línguas.
Para edificar a igreja. Para edificar a si mesmo.
Falavam uma língua conhecida. Quase nunca uma língua conhecida.
Acusação de loucura. Nenhuma acusação de loucura.
Falada em benefício dos ouvintes. Falada em benefício próprio.
Máximo de 3 de cada vez. Toda a Igreja fala livremente sem interpretação.
Intérprete para que todos entendam. Interpretação quase nunca feita hoje.

 

Consideram que o genuíno dom de línguas, manifestado na igreja primitiva:

    • Foi um dom do Espírito Santo de Jesus Cristo, necessário no início da igreja.
    • Envolvia um cristão usando uma linguagem falada existente e não aprendida anteriormente.
    • Envolvia ouvintes não-cristãos que entendem uma língua falada existente que já sabiam anteriormente.
    • Envolvia a comunicação pública de informação inteligível sobre o evangelho.
    • Representou um sinal para confirmar a proclamação do evangelho, cumprido em acontecimentos exclusivos, que incluíram judeus, gentios e seguidores de João Batista nas igrejas do novo testamento.
    • Que, como sinal inteligível, indica a bênção divina, mas, se a linguagem for ininteligível, indica a ira divina.
    • Que não se destina, hoje, a todos os cristãos e é o menos importante entre os vários dons espirituais.
    • Que se destina para a edificação congregacional, numa prática decente e ordeira, sempre com interpretação.
    • Que deve ser distinguido da glossolalia manifestada na igreja em Corinto, que pode ter influência de religiões pagãs e, por ser ininteligível, contribuir para causar discórdia e divisão,

O Cessacionismo.

Entre os que são contrários ao exercício atual do dom de línguas, existem os cessacionistas, que consideram que as línguas cessaram, após a conclusão do cânon das escrituras, e que todas as atuais manifestações do dom de línguas são engano ou obra do inimigo de Deus.

O Cessacionismo considera que parte dos chamados dons do Espírito Santo, apesar de terem sido de fundamental utilidade e importância nos primórdios da igreja cristã, cessaram de existir ainda no período da Igreja Primitiva.

Os cessacionistas podem ser divididos em vários níveis. Alguns, mais radicais, não aceitam por exemplo o dom de curas na igreja moderna. Já outros, defendem a tese de que o dom de profecia cessou na boca de profetas humanos, sendo restrita à manifestação da profecia escrita na bíblia.

É unânime entre os cessacionistas que o dom de línguas, nos moldes do falar em línguas, sejam línguas conhecidas (xenoglossia) ou indecifráveis (glossolalia), se encerrou nos tempos apostólicos.

Entendem os cessacionistas que os dons serviram ao propósito da fundação da Igreja primitiva, no momento em que os apóstolos teriam que cumprir o ide, sem possuírem qualificação de doutores ou mestres. Segundo eles, o encerramento do cânon das escrituras teria tornado desnecessária a existência dos dons milagrosos e de profecias.

Andando e falando no espírito

O falar, orar e cantar no espírito pode nos capacitar a estarmos sempre em comunhão e comunicação com Deus, conscientes de sua presença, ouvindo sua voz ou o suave guiar do seu Espírito dirigindo nossas vidas e inspirando nossas orações, intercessões e cânticos (Is 32; 3-4, 35; 6-8).

Só o derramamento do Espírito pode tirar a secura de nossas vidas, nos enchendo de frutos e fertilidade espiritual (Is 32; 15, 44; 3-4).

O derramamento do Espírito nos revela as Palavras de Deus em sabedoria e o poder da língua para fazer as obras (Pv 1; 23, 18; 20-21, Tg 3; 8-13)

Quando todos os homens falam uma só língua na terra (Gn 11; 1, 6-9), nada pode restringi-los. Se todos os filhos de Deus falarem a língua do Espírito, o propósito de Deus se cumprirá em nossas vidas.

Mas, como na planície de Sinar, após a intervenção do Senhor, falamos muitas línguas diferentes e temos nos dispersado e dado um testemunho inadequado da unidade da igreja (Lm 4; 1-2, 2Tm 2; 20-26, Is 6; 5-8).

Todos precisamos ter a nossa língua purificada e destravada ou libertada (Mc 7; 31-37), para começarmos a falar.

Oseias 14:1-2 Volta, ó Israel, para o Senhor teu Deus; porque pela tua iniquidade tens caído. Tomai convosco palavras, e voltai para o Senhor; dizei-lhe: Tira toda a iniquidade, e aceita o que é bom; e ofereceremos como novilhos os sacrifícios dos nossos lábios.

Sofonias 3:9 Pois então darei lábios puros aos povos, para que todos invoquem o nome do Senhor, e o sirvam com o mesmo espírito.

Salmos 35:28 Então a minha língua falará da tua justiça e do teu louvor o dia todo.

Salmos 71:8 A minha boca se enche do teu louvor e da tua glória continuamente.

Salmos 71:15-19 A minha boca falará da tua justiça e da tua salvação todo o dia, posto que não conheça a sua grandeza. Virei na força do Senhor Deus; farei menção da tua justiça, da tua tão somente. Ensinaste-me, ó Deus, desde a minha mocidade; e até aqui tenho anunciado as tuas maravilhas. Agora, quando estou velho e de cabelos brancos, não me desampares, ó Deus, até que tenha anunciado a tua força a esta geração, e o teu poder a todos os vindouros. A tua justiça, ó Deus, atinge os altos céus; tu tens feito grandes coisas; ó Deus, quem é semelhante a ti?

Isaías 59:21 Quanto a mim, este é o meu pacto com eles, diz o Senhor: o meu Espírito, que está sobre ti, e as minhas palavras, que pus na tua boca, não se desviarão da tua boca, nem da boca dos teus filhos, nem da boca dos filhos dos teus filhos, diz o Senhor, desde agora e para todo o sempre.

Atos dos Apóstolos 2:17 E acontecerá nos últimos dias, diz o Senhor, que derramarei do meu Espírito sobre toda a carne; e os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, os vossos mancebos terão visões, os vossos anciãos terão sonhos;

A PERSEVERANÇA DOS SANTOS.

Salvação presente e futura.

A salvação eterna e, portanto, definitiva, de nosso espírito morto, herdado das gerações que nos antecederam, desde a queda e a alienação dos homens em relação a Deus e ao seu propósito na criação, é obra exclusiva de Deus com base na justificação e na redenção pelo sangue de Cristo, derramado na cruz do Calvário.

Efésios 2; 8-10 Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie. Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus antes preparou para que andássemos nelas.

Temos então que conceituar bem que salvação nos está garantida no futuro e em que consiste nossa perseverança.

A expressão perseverança dos santos, nos termos que os teólogos o utilizam, se refere a não perder essa salvação eterna e que nossa perseverança nessa salvação depende apenas da graça e da soberania de Deus. Essa segurança na salvação eterna é plenamente bíblica e verdadeira, se compreendermos bem o que é a salvação. Neste sentido, nossa perseverança já está garantida e nela podemos descansar, que é o cerne da visão calvinista, enquanto arminianos consideram que podemos perder a salvação, pela nossa livre escolha, tornando-a, também, dependente do homem e não apenas de Deus.

Mas existe uma salvação a ser manifestada no futuro e, nesse aspecto, nossas escolhas atuais e a forma como vivemos podem ter consequências e alterar a recompensa futura.

1 Pedro 1:5-9 que pelo poder de Deus sois guardados, mediante a fé, para a salvação que está preparada para se revelar no último tempo; na qual exultais, ainda que agora por um pouco de tempo, sendo necessário, estejais contristados por várias provações, para que a prova da vossa fé, mais preciosa do que o ouro que perece, embora provado pelo fogo, redunde para louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo; a quem, sem o terdes visto, amais; no qual, sem agora o verdes, mas crendo, exultais com gozo inefável e cheio de glória, alcançando o fim da vossa fé, a salvação das vossas almas.

Soberania de Deus e livre arbítrio do homem.

Essa controvérsia histórica, da qual poucos cristãos conhecem os pontos principais e as grandes implicações dos mesmos para a visão prática da vida cristã e do julgamento ao final, pode ser resumida em 5 pontos.

Os cinco pontos do arminianismo foram apresentados à igreja holandesa, em 30 de outubro de 1605, na “Representação ou Declaração de Sentimentos” (“Remonstrance”):

• Capacidade humana e liberdade de escolha: todos os homens, embora sejam pecadores, ainda são livres para aceitar ou recusar a salvação que Deus oferece;

• Eleição condicional: Deus elegeu os homens que Ele previu que teriam fé em Cristo;

• Expiação ilimitada: Cristo morreu por todos os seres humanos, em todas as épocas e lugares;

• Graça resistível: os homens podem resistir à graça de Deus para não serem salvos;

• Decair da Graça: homens salvos podem perder a salvação, caso não perseverem na fé até o fim.

Podemos concordar com os 4 primeiros pontos e até com o 5º, se acrescentarmos que a perda de salvação se refere à perda de recompensa na salvação que está preparada para ser revelada no último tempo, ou à salvação da nossa alma.

Os cinco pontos do Calvinismo, chamados a “TULIP”, conforme as primeiras letras em inglês e em negrito dos cinco pontos abaixo, foram aprovados num concílio presbiteriano, convocado para discutir a controvérsia arminiana, que se contrapôs ao ensino dos reformadores calvinistas, ocorrido de 13 de novembro de 1618 a 9 de maio de 1619, na cidade de Dort, na Holanda, quando tanto Armínio, quando Calvino já tinham morrido.

• Depravação total ( T otal Depravity): todos os seres humanos nascem totalmente depravados, incapazes de se salvar ou de escolher o bem em questões espirituais;

• Eleição incondicional ( U nconditional Election): Deus escolheu, dentre todos os seres humanos decaídos, um grande número de pecadores por graça pura, sem levar em conta qualquer mérito, obra ou fé prevista neles;

• Expiação limitada ( L imited Atonement): Jesus Cristo morreu na cruz para pagar o preço do resgate somente dos eleitos;

• Graça Irresistível ( I rresistible Grace): a graça de Deus é irresistível para os eleitos, isto é, o Espírito Santo acaba convencendo e infundindo a fé salvadora neles;

• Perseverança dos Santos ( P erseverance of Saints): todos os eleitos vão perseverar na fé até o fim e nenhum eleito perderá a salvação.

Podemos concordar com os 2 primeiros pontos, com o 3º, com alguma adaptação para não limitar a abrangência da expiação, sem incluir o universalismo e com o 4ºe o 5º também, desde que se defina bem a que salvação se refere e sem anular a responsabilidade do homem em sua aceitação e resposta à graça de Deus.

Essa leitura estrita do calvinismo é chamada, por alguns teólogos, de hipercalvinismo, e se caracteriza pela negação da ideia de que a chamada do Evangelho se destina àqueles que não são eleitos e não podem responder com fé ao ouvirem o Evangelho. Considera-se que Deus planejou o mundo, de tal forma, que causas secundárias, como nossas ações, não são necessárias de modo algum, uma vez que Deus já escolheu quem vai ser salvo, não sendo, portanto necessário pregar o Evangelho. Esta visão não reflete o calvinismo histórico e, por isso, as adaptações mencionadas.

Existem três tendências no pensamento teológico em relação à doutrina da eleição, em especial à tensão existente entre a soberania de Deus e a liberdade de consciência, de ação e ao uso pleno da razão por parte do ser humano:

• A tendência chamada minimalista, que olha a questão de cima, a partir da soberania de Deus, e nega toda a possibilidade da liberdade humana, de consciência livre e escolha.

• A tendência chamada maximalista, que olha a questão de baixo, a partir de nossa humanidade, e não vê limitação à possibilidade do ser humano responder de forma livre ao chamado de seu Criador.

• A tentativa dialética de superar essa contradição, insuperável do ponto de vista da lógica, que defende que o ser humano pode e deve apoiar sua resposta à eleição e ao chamado de Deus em sua liberdade de ação e consciência, assim como no uso da razão, embora tal processo deva ter como ponto de partida a revelação.

Muitos concordam com pontos de vista de ambos os lados, como os batistas:

• Todos são eleitos.

• Deus opera a salvação em e através de Cristo, pelo favor imerecido de sua graça.

• Deus é pré-ciente.

• De acordo com o livre-arbítrio, desde a eternidade, Deus elege, chama, predestina, justifica e glorifica.

Deus opera a salvação em e através de Cristo, de pessoas eleitas desde a eternidade, chamadas, predestinadas, justificadas e glorificadas, à luz de sua presciência e de acordo com o livre arbítrio de cada um.

1 Pedro 1; 22 eleitos segundo a presciência de Deus Pai, na santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo: Graça e paz vos sejam multiplicadas.

Romanos 9; 20-22 Mas, ó homem, quem és tu, que a Deus replicas? Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: Por que me fizeste assim? Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para uso honroso e outro para uso desonroso? E que direis, se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição;

Romanos 8; 28-30 E sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos; e aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou, a estes também justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou.

Efésios 1; 3-5-6 Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestes em Cristo; como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; e nos predestinou para sermos filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade,

Eleição é a escolha feita por Deus, em Cristo, desde a eternidade, de pessoas para a vida eterna, não por qualquer mérito, mas segundo a riqueza da sua graça. Antes da criação do mundo, Deus, no exercício de sua soberania divina e, à luz de sua presciência de todas as coisas, elegeu, chamou, predestinou, justificou e glorificou aqueles que, no correr dos tempos, aceitariam livremente o dom da salvação.

Ainda que baseada na soberania de Deus, essa eleição está em perfeita consonância com o livre-arbítrio de cada um e de todos os seres humanos. A salvação do cristão é eterna. Os salvos perseveram em Cristo e estão guardados pelo poder de Deus. Nenhuma força ou circunstância tem poder para separar o cristão do amor de Deus em Cristo Jesus. O novo nascimento, o perdão, a justificação, a filiação, a eleição e o dom do Espírito Santo asseguram aos salvos a permanência na graça da salvação.

Entende-se que salvação implica em regeneração, que é ato inicial em que Deus faz nascer de novo o pecador perdido. É obra do Espírito Santo, quando o pecador recebe o perdão, a justificação, a filiação, a vida eterna e o dom do Espírito Santo. Neste ato de regeneração, o novo cristão é batizado com o Espírito Santo e é por Ele selado para o dia da redenção final, liberto do castigo eterno de seus pecados. Há duas condições para o pecador ser regenerado: arrependimento e fé.

O arrependimento implica em mudança radical do homem interior, que significa afastar-se do pecado e voltar-se para Deus. A fé é a confiança e aceitação de Jesus Cristo como Salvador e a total entrega da personalidade do pecador a Ele. Nessa experiência de conversão, o ser humano perdido é reconciliado com Deus, que lhe concede perdão, justiça e paz.

Não é fácil entender como os teólogos conseguem conciliar, logicamente, a doutrina de todos serem eleitos, com a doutrina de Deus eleger de acordo com o livre arbítrio do homem e com base em seu pré-conhecimento de todas as coisas.

A doutrina tradicional da perseverança dos santos é considerada uma das doutrinas antigas da graça e um dos 5 pilares da teologia Calvinista:

Jeremias 32; 38-40 E eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus. E lhes darei um só coração, e um só caminho, para que me temam para sempre, para seu bem e o bem de seus filhos, depois deles; e farei com eles um pacto eterno de não me desviar de fazer-lhes o bem; e porei o meu temor no seu coração, para que nunca se apartem de mim.

João 5; 24 Em verdade, em verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna e não entra em juízo, mas já passou da morte para a vida.

João 10; 27-29 As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu as conheço, e elas me seguem; eu lhes dou a vida eterna, e jamais perecerão; e ninguém as arrebatará da minha mão. Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém pode arrebatá-las da mão de meu Pai.

João 6; 39 E a vontade do que me enviou é esta: Que eu não perca nenhum de todos aqueles que me deu, mas que eu o ressuscite no último dia.

As escrituras afirmam, de forma clara, a perseverança dos santos nesse sentido de não se perder a salvação eterna e permanecer na graça.

Romanos 14; 4 Quem és tu, que julgas o servo alheio? Para seu próprio senhor ele está em pé ou cai; mas estará firme, porque poderoso é o Senhor para o firmar.

Filipenses 1; 6 tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até o dia de Cristo Jesus,

Hebreus 10; 14-18 Pois com uma só oferta tem aperfeiçoado para sempre os que estão sendo santificados. E o Espírito Santo também no-lo testifica, porque depois de haver dito: Este é o pacto que farei com eles depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei as minhas leis em seus corações, e as escreverei em seu entendimento; acrescenta: E não me lembrarei mais de seus pecados e de suas iniquidades. Ora, onde há remissão destes, não há mais oferta pelo pecado.

Assim, o perseverar na graça não seria obra humana, mas divina. A Confissão de Fé de Westminster admite o pecado entre os santos eleitos: …pelas tentações de Satanás e do mundo, pela força da corrupção neles restante e pela negligência dos meios de preservação, podem cair em graves pecados e, por algum tempo, continuar neles; incorrem assim no desagrado de Deus, entristecem o seu Santo Espírito e, de algum modo, vêm a ser privados das suas graças e confortos; têm os seus corações endurecidos e as suas consciências feridas; prejudicam e escandalizam os outros e atraem sobre si juízos temporais.

Apesar disso, o calvinismo afirma que o verdadeiro cristão, o eleito, o regenerado, não pode retornar ao estado de não-regenerado. Ele não pode cair, nem total, nem finalmente, da graça especial salvadora de Deus. Afirma que o salvo foi, definitivamente, resgatado não só da culpa, como também do domínio do pecado. Que o Espírito Santo de Deus o guardará, de modo que não se apartará de Deus. Pode pecar; mas o pecado já não terá domínio sobre ele; não é mais o senhor dele; não prevalecerá.

Romanos 6; 14 Pois o pecado não terá domínio sobre vós, porquanto não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça.

Um problema a ser considerado são as evidências de apostasia e não aprovação do Senhor, que eles consideraram referir-se a pessoas que, na verdade, nunca foram salvas e tinham apenas uma aparência de piedade.

Mateus 7; 21-23 Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então lhes direi claramente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade.

1 João 2; 19 Saíram dentre nós, mas não eram dos nossos; porque, se fossem dos nossos, teriam permanecido conosco; mas todos eles saíram para que se manifestasse que não são dos nossos.

Em relação às exortações, consideram que, assim como o arrependimento e a fé são os meios pelos quais a salvação é aplicada ao coração dos eleitos pela ação soberana do Espírito Santo, as exortações ao arrependimento e fé, ou alertando o homem para que não se aparte de Deus (ou não caía), são o meio (a graça, o livramento) que o Espírito Santo usa, poderosamente, para fazer com que o eleito persevere na salvação. Estas advertências se constituem em estímulos à humildade, à vigilância, à diligência e à dependência da graça de Deus.

A salvação definitiva e eterna tem interfaces com outras importantes doutrinas básicas, como a soberania de Deus, a aliança, a eleição, a regeneração e a obra do Espírito Santo em nós, a eficácia da obra consumada de Cristo no Calvário.

O Calvinismo defende a “perseverança dos santos”, enquanto o Arminianismo defende a “salvação condicional”. A “perseverança dos santos” se refere ao conceito de que a pessoa, que é eleita por Deus, irá perseverar em fé e nunca negará a Cristo ou se desviará Dele. A “salvação condicional” é a visão de que um cristão pode, por seu livre arbítrio, se desviar de Cristo e, assim, perder a salvação.

Não é fácil conciliar Calvinismo e Arminianismo. É interessante notar que na diversidade do Corpo de Cristo, há toda a sorte de mistura de Calvinismo e Arminianismo. Há quem apoie cinco pontos do Calvinismo e cinco pontos do Arminianismo, e ao mesmo tempo, há quem apoie apenas três pontos do Calvinismo e dois pontos do Arminianismo, misturando as duas visões, já que ambas falham ao tentar explicar a mente e pensamentos de Deus pela lógica limitada da mente humana.

Os seres humanos são incapazes de compreender totalmente como conciliar um Deus, absolutamente soberano e que tudo sabe, com seres humanos dotados de livre arbítrio e chamados a fazer uma decisão genuína de colocar sua fé em Cristo para a salvação. Estes dois fatos parecem contraditórios para nós, mas na mente de Deus, fazem completo sentido.

Contudo, considerando a salvação num sentido mais amplo, que começa no espírito, continua na alma e terminará no corpo, podemos alargar esta reflexão sobre a perseverança dos santos, conciliando todos os versos da escritura que aplicam o termo salvação em todas essas etapas e aprofundando nosso entendimento sobre as exortações e advertências da palavra de Deus em relação às nossas escolhas ao longo da vida cristã, sem contrariar as doutrinas básicas da fé cristã e da graça de Deus.

Desta forma, podemos concordar com o ponto de vista calvinista de que a salvação e a perseverança dos salvos depende unicamente da graça de Deus, se a aplicarmos à salvação do nosso espírito, pela eleição e soberania de Deus e que nosso espírito, uma vez regenerado e tendo recebido a vida eterna e não criada de Deus, nunca mais voltará ao estado dos ímpios com espíritos irregenerados, que receberam apenas a vida da criação e não nasceram de novo.

Mas podemos também concordar com o ponto de vista arminiano, de que nossa perseverança depende também de nossa escolha, se a aplicarmos à salvação de nossa alma, como um processo ao longo de toda a nossa caminhada com o Senhor, que será, ao final, avaliado no dia do julgamento, tendo como consequência as recompensas e justificando, então, todas as claras advertências e avisos nas escrituras.

A perseverança, no que se refere à salvação eterna do nosso espírito ou a não perda da nossa salvação final, está garantida pela soberania, pela eleição, pela graça, pela suficiência da obra de Cristo e pelo selo do Espírito Santo em nós.

Mas, no que se refere à salvação da alma, ou à nossa santificação e preparação, precisamos ser um pouco mais cuidadosos para não afirmarmos, precipitadamente, que ela dependerá apenas de nós, ou, pelo extremo oposto, que dependerá, como a salvação eterna do nosso espírito, apenas da graça e da soberania de Deus.

Preparação, santificação e perseverança.

Conforme nosso entendimento sobre a perseverança dos santos, será a nossa visão sobre a preparação e também sobre a santificação. Preparação e santificação estão relacionadas.

Após nascermos de novo, começa o processo de crescimento e preparação.

Num certo sentido, a preparação de uma noiva depende dela receber as vestes brancas ou nupciais para vestir, mas por outro dependente dela vestir as vestes.

Produzir as próprias vestes, como as folhas de figueira de Adão, a justiça própria de Jó ou dos fariseus ou judeus, as boas obras religiosas como meritórias para a salvação, de nada adiantaria. Mas dizer que não precisamos de vestes, de justiça ou de obras seria errar para o outro lado.

Desta forma, considerando que nosso espírito está sempre pronto, a preparação refere-se às escolhas da nossa alma. Novamente, temos que evitar as posições extremas de que, assim como a salvação, a preparação só depende da ação e da graça de Deus ou, por outro lado, que podemos nos preparar sozinhos e sem depender e buscar a graça de Deus.

Nossa preparação consiste em sempre estarmos nos preparando e prosseguindo, no mesmo sentido da perseverança e nunca poderemos afirmar que estamos já totalmente preparados ou completa e definitivamente salvos em todo o nosso ser. Como tudo na vida cristã, a maior lição a se aprender é sempre a dependência de Deus e o agir sempre em comunhão e cooperação com Ele.

Filipenses 2; 12-16 De sorte que, meus amados, do modo como sempre obedecestes, não como na minha presença somente, mas muito mais agora na minha ausência, efetuai a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade. Fazei todas as coisas sem murmurações nem contendas; para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus imaculados no meio de uma geração corrupta e perversa, entre a qual resplandeceis como luminares no mundo, retendo a palavra da vida; para que no dia de Cristo eu tenha motivo de gloriar-me de que não foi em vão que corri nem em vão que trabalhei.

Assim, a preparação está totalmente ligada à perseverança e a santificação, ou seja, nos preparamos perseverando na santificação, nos santificamos perseverando na preparação e perseveramos ao nos prepararmos e nos santificarmos.

Santificação e preparação são uma só, e juntas representam a perseverança. Então há Um que nos santifica ao nos dar a sua Vida, Um que nos prepara e nos ajuda a viver por essa Vida e Um que cumprirá e consumará todas as promessas dessa maravilhosa Vida, compartilhando conosco por toda a eternidade.

Pela fé, recebemos, no espírito, a Vida que nos santifica, pela fé, caminhamos e deixamos essa vida fluir em nós e, pela fé, perseveramos em andar no espírito e no fluir da vida, até a redenção do nosso corpo, que será o resultado final da perseverança.

À parte de todo o debate teológico sobre a perseverança e todos os enganos, sabemos, claramente, em nossa própria consciência, que iremos prestar contas de tudo que fazemos ou até mesmo falamos, a despeito da certeza de estarmos salvos e de que não seremos condenados.

A diferença será a recompensa que receberão os que se prepararem e se santificarem. A salvação, claramente, não pode depender de nossa ação, mas a recompensa terá, necessariamente, que depender, senão não será uma recompensa.

Apocalipse 22; 11-12 Quem é injusto, faça injustiça ainda: e quem está sujo, suje-se ainda; e quem é justo, faça justiça ainda; e quem é santo, santifique-se ainda. Eis que cedo venho e está comigo a minha recompensa, para retribuir a cada um segundo a sua obra.

1 Coríntios 3; 88 Ora, uma só coisa é o que planta e o que rega; e cada um receberá o seu galardão segundo o seu trabalho.

Mateus 25; 21 Disse-lhe o seu senhor: Muito bem, servo bom e fiel; sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.

1 Coríntios 9; 24-27 Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só é que recebe o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis. E todo aquele que luta, exerce domínio próprio em todas as coisas; ora, eles o fazem para alcançar uma coroa corruptível, nós, porém, uma incorruptível. Pois eu assim corro, não como indeciso; assim combato, não como batendo no ar. Antes subjugo o meu corpo, e o reduzo à submissão, para que, depois de pregar a outros, eu mesmo não venha a ficar reprovado.

1 Coríntios 3; 11-15 Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo. E, se alguém sobre este fundamento levanta um edifício de ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, a obra de cada um se manifestará; pois aquele dia a demonstrará, porque será revelada no fogo, e o fogo provará qual seja a obra de cada um. Se permanecer a obra que alguém sobre ele edificou, esse receberá galardão. Se a obra de alguém se queimar, sofrerá ele prejuízo; mas o tal será salvo todavia como que pelo fogo.

A recompensa é no futuro e, portanto, tem relação direta com a salvação a ser revelada no último tempo, enquanto a salvação eterna do espírito é agora.

2 Coríntios 5; 10 Porque é necessário que todos nós sejamos manifestos diante do tribunal de Cristo, para que cada um receba o que fez por meio do corpo, segundo o que praticou, o bem ou o mal.

Mateus 16; 26-27 Pois que aproveita ao homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua vida? Ou que dará o homem em troca da sua vida? Porque o Filho do homem há de vir na glória de seu Pai, com os seus anjos; e então retribuirá a cada um segundo as suas obras.

Hoje, muitos cristãos buscam só as coisas presentes e diversas exortações nas escrituras têm como propósito demover os servos de Deus da busca de riquezas e prazeres só aqui nessa terra, nos desafiando e encorajando no exercício das nossas virtudes e disciplinas cristãs, andando sempre com o Senhor e confiando nEle, para sustento nas perseguições, como aconteceu com os cristãos hebreus.

Hebreus 11; 24-27 Pela fé Moisés, sendo já homem, recusou ser chamado filho da filha de Faraó, escolhendo antes ser maltratado com o povo de Deus do que ter por algum tempo o gozo do pecado, tendo por maiores riquezas o opróbrio de Cristo do que os tesouros do Egito; porque tinha em vista a recompensa. Pela fé deixou o Egito, não temendo a ira do rei; porque ficou firme, como quem vê aquele que é invisível.

Gálatas 2; 19-20 … Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim.

Cristo vive em mim. Esse é o sentido mais importante da santificação, Cristo como nossa vida, uma vez que ela não depende apenas de esforço próprio ou obras. Mas como a perseverança, este é um assunto que gera algumas controvérsias. A santificação é Ele vivendo em nós, o que só pode fluir e ser real e prático se desistirmos de viver por nós mesmos, pela fé e pela obra completa da cruz no Calvário.

A santificação inclui três aspectos da vida de Cristo em nós:

• Separação,

• Consagração,

• Plenitude ou enchimento do Espírito Santo.

A santificação verdadeira é Cristo em nós, em expressão de vida, o que se inicia com a fé e nossa consagração por um ato de vontade, mas também há um prosseguir e permanecer em Cristo, sempre se afastando do mal, renovando a consagração a Deus e se enchendo com o Espírito Santo, como a vida de Cristo fluindo em nós.

OBRA DE DEUS.

Ide e pregai.

A ordem do Senhor para que a igreja anuncie o evangelho a toda criatura é clara e esta deveria ser a prioridade do esforço missionário da igreja.

Habacuque 3; 2 Eu ouvi, Senhor, a tua fama, e temi; aviva, ó Senhor, a tua obra no meio dos anos; faze que ela seja conhecida no meio dos anos; na ira lembra-te da misericórdia.

Este é o momento de cumprirmos todo o propósito do Senhor para as últimas gerações e de tomarmos uma posição clara em relação aos seus interesses nesta última hora.

João 4; 35 Não dizeis vós: Ainda há quatro meses até que venha a ceifa? Ora, eu vos digo: levantai os vossos olhos, e vede os campos, que já estão brancos para a ceifa.

Marcos 1; 15 e dizendo: O tempo está cumprido, e é chegado o reino de Deus. Arrependei-vos, e crede no evangelho.

Mateus 24; 14 E este evangelho do reino será pregado no mundo inteiro, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim.

A obra do Senhor deve ser realizada por toda a igreja e não apenas por agências missionárias, que muitas vezes tentam preencher um vazio e, às vezes, chegam a ocupar o lugar da igreja. A obra missionária pode ser realizada por aqueles de pouca força, que não negam o nome do Senhor, guardam a sua Palavra e confiam nEle.

Zacarias 4; 6 Ele me respondeu, dizendo: Esta é a palavra do Senhor a Zorobabel, dizendo: Não por força nem por poder, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor dos exércitos.

Gênesis 22; 18 e em tua descendência serão benditas todas as nações da terra; porquanto obedeceste à minha voz.

Atos dos Apóstolos 17; 6 Porém, não os achando, arrastaram Jáson e alguns irmãos à presença dos magistrados da cidade, clamando: Estes que têm transtornado o mundo chegaram também aqui,

Devemos nos dispor a ir, se esta for a vontade do Senhor, ou a ser um missionário aonde estivermos. Não é necessário atravessar um oceano para ser um missionário. Às vezes, basta atravessar um corredor para pregar para um vizinho, ou para aqueles que estão perdidos vagando sem esperança ao seu redor.

No começo do seu ministério, o Senhor disse:

João 4; 34 Disse-lhes Jesus: A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou, e completar a sua obra.

E ao final concluiu:

João 17; 5 Agora, pois, glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que eu tinha contigo antes que o mundo existisse.

Paulo, o apostolo, escreveu:

1 Coríntios 9; 23-27 Ora, tudo faço por causa do evangelho, para dele tornar-me coparticipante. Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só é que recebe o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis. E todo aquele que luta, exerce domínio próprio em todas as coisas; ora, eles o fazem para alcançar uma coroa corruptível, nós, porém, uma incorruptível. Pois eu assim corro, não como indeciso; assim combato, não como batendo no ar. Antes subjugo o meu corpo, e o reduzo à submissão, para que, depois de pregar a outros, eu mesmo não venha a ficar reprovado.

E, ao final, pode dizer:

2 Timóteo 4; 7-8 Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda.

Para a igreja, o Senhor disse:

Marcos 16; 15 E disse-lhes: Ide por todo o mundo, e pregai o evangelho a toda criatura.

João 14; 12 Em verdade, em verdade vos digo: Aquele que crê em mim, esse também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas; porque eu vou para o Pai;

João 9; 4 Importa que façamos as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; vem a noite, quando ninguém pode trabalhar.

Mateus 26; 7,13 aproximou-se dele uma mulher que trazia um vaso de alabastro cheio de bálsamo precioso, e lho derramou sobre a cabeça, estando ele reclinado à mesa.
Em verdade vos digo que onde quer que for pregado em todo o mundo este evangelho, também o que ela fez será contado para memória sua.

Mateus 24; 46-47 Bem-aventurado aquele servo a quem o seu senhor, quando vier, achar assim fazendo. Em verdade vos digo que o porá sobre todos os seus bens.

Fazei discípulos e ensinai

Mas não basta apenas pregar o evangelho. A grande comissão tem como objetivo fazer discípulos de todas as nações.

Mateus 28; 18-20 E, aproximando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra. Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos.

A proclamação do evangelho e fazer discípulos de todas as nações é uma responsabilidade da igreja. Quando o evangelho é proclamado numa determinada localidade e aqueles que o recebem começam a se reunir, o testemunho do Senhor é estabelecido naquela localidade e o Espírito Santo levanta e derrama os seus dons para a edificação dos santos. Com a edificação dos santos, a igreja cresce em vida, todos, ou muitos, começam a servir e alguns podem, então, ser enviados para proclamar o evangelho em outras localidades, enquanto os que permanecem continuam a se edificarem mutuamente e a pregar o evangelho naquela localidade.

A igreja cresce quando novas pessoas são salvas e quando a vida do Senhor cresce no interior daqueles que já foram salvos até que sejam cheios até a inteira plenitude de Deus. Vida gera vida e numa igreja sadia o fluxo da vida continua a fluir como rios de água viva, trazendo crescimento e também salvação. Não basta o crescimento da vida interior e a santificação.

Se não pregamos o evangelho, somos como estéreis, que não mais contribuem para gerar filhos para o Senhor. Na verdade, é o Senhor que gera os seus filhos, mas Ele nos usa para pregar o evangelho e proclamar a sua palavra. O resultado é responsabilidade do Espírito Santo.

Cooperação e coordenação

Devemos nos informar sobre o que está acontecendo nas nações e entre os povos ainda não alcançados pelo evangelho, nos envolver e orar pela obra do Senhor e pedir que Ele levante trabalhadores para a seara.

Apesar do impressionante avanço do evangelho ao longo dos vinte séculos, desde que o Senhor deu a sua vida na cruz do Calvário, a tarefa dada à igreja de pregar o evangelho a toda criatura ainda não foi, plenamente, cumprida e existem 3,1 bilhões de pessoas que nunca ouviram o evangelho e mais de 2 bilhões que, mesmo tendo acesso ao evangelho, ainda não creram no Senhor Jesus Cristo como salvador.

A situação da ação global da igreja em todo o mundo revela falta de dedicação e de esforço para o cumprimento da grande comissão e uma perda de foco, com a maior parte do trabalho, dos obreiros e dos recursos sendo direcionados para a própria igreja e para o sustento de suas estruturas e trabalhadores.

Do total de cerca de 440 mil missionários transculturais cristãos, incluindo católicos e cristãos nominais, atuando em todo o mundo em 2018, cerca de 72% deles servem aos próprios cristãos em igrejas existentes, 25% atuam entre não cristãos, que residem em localidades onde existem cristãos, igrejas e acesso ao evangelho e apenas 3% entre populações não alcançadas, sem nenhum acesso a igrejas e ao evangelho e sem nenhum contato com cristãos em seu meio.

Da renda total dos cristãos do mundo de cerca de USD 42 trilhões, apenas 0,7 trilhões, menos de 2%, são ofertados para sustentar as atividades das igrejas, e dessas ofertas apenas USD 45 bilhões, ou cerca de 6%, são destinados para a obra missionária, 87% para serviço entre cristãos, 12% a não cristãos que residem em localidades, onde existem cristãos, igrejas e acesso ao evangelho e apenas 1% a populações não alcançadas, sem nenhum acesso a igrejas e ao evangelho e sem nenhum contato com cristãos em seu meio.

É tarefa de toda a igreja cooperar e contribuir para o cumprimento da ainda inacabada tarefa de pregar o evangelho a toda criatura e de fazer discípulos de todas as nações, conforme o Senhor nos ordenou.

Atos dos apóstolos 1; 7-8 Respondeu-lhes: A vós não vos compete saber os tempos ou as épocas, que o Pai reservou à sua própria autoridade. Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém, como em toda a Judeia e Samaria, e até os confins da terra.

Muito esforço na obra extra local da igreja é voltada para encontros e conferências, que deveriam ser convocadas pelos obreiros em coordenação com as igrejas e deveriam evitar exposição excessiva de ministérios pessoais centralizados em púlpitos para ministração da palavra, ou carismas e manifestações de poder ou de revelações proféticas, especialmente quando se estabelece uma agenda definida e repetitiva de encontros, sem coordenação com a obra como um todo, com os irmãos responsáveis em cada localidade e a priorização do cumprimento da grande comissão de pregar o evangelho entre os não alcançados.

Pela omissão da igreja em se dedicar ao envio de obreiros e missionários e priorizar o avanço do evangelho, a obra, em geral, se divide em muitas ONG’s, que controlam seu próprio orçamento e traçam suas direções e objetivos.

A expressão da unidade de ação entre todas as igrejas deveria se estender ao serviço extra local, reconhecendo, separando obreiros e os enviando, e sustentando, para a proclamação do evangelho entre os que ainda não o ouviram.

Em localidades onde já exista igreja, todo o trabalho deveria ser feito em coordenação com a mesma e não contribuir externamente para sustento e atividades de obreiro, sem coordenação com as lideranças locais e sem alterar o direcionamento prioritário de recursos para atividades de obreiros em localidades onde não exista igreja, ou mesmo, caso se trate de cooperação entre igrejas, a assistência a igrejas mais próximas ou a pobres e necessitados.

As localidades onde não exista igreja e onde o evangelho não foi anunciado, ou onde a igreja não tenha condição de se manter e prosseguir sem cooperação externa, deveriam ser consideradas como prioridades na cooperação da obra, conforme encargo e obediência à grande comissão de proclamar o evangelho a todos que ainda não o ouviram, até se estabelecer a igreja nessa localidade. Uma vez estabelecida a igreja naquela localidade, ela passa para a situação anterior, e deve assumir a responsabilidade sobre a proclamação do evangelho na localidade e arredores e no eventual sustento dos obreiros locais, liberando o obreiro ou missionário, sustentado externamente, para se deslocar para outra localidade não alcançada, ou assumindo o seu sustento, caso ele decida permanecer.

Todos os obreiros reconhecidos e enviados por cada igreja deveriam, em suas viagens rumo aos campos não alcançados, contribuir para a expressão local de todas as igrejas, através da ação dos cinco ministérios com atuação extra local, coordenados com os cinco ministérios e o governo local em cada localidade ou igreja e nunca contribuírem para estender a lamentável divisão da igreja para os campos não alcançados ou perpetuando a criação de novas igrejas ao redor de ministérios.

Efésios 4; 11-16 E ele deu uns como apóstolos, e outros como profetas, e outros como evangelistas, e outros como pastores e mestres, tendo em vista o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo; até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, ao estado de homem feito, à medida da estatura da plenitude de Cristo; para que não mais sejamos meninos, inconstantes, levados ao redor por todo vento de doutrina, pela fraudulência dos homens, pela astúcia tendente à maquinação do erro; antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, do qual o corpo inteiro bem ajustado, e ligado pelo auxílio de todas as juntas, segundo a justa operação de cada parte, efetua o seu crescimento para edificação de si mesmo em amor.

Como já estamos, claramente, na fase final da história da igreja, que, conforme a palavra profética, serão tempos difíceis de muito engano e apostasia, devemos depender em tudo do Senhor, até mesmo para discernir o limite do nosso serviço e de sua expressão, tanto na igreja local, quanto em sua ação e cooperação extra local para o cumprimento da grande comissão, sem nenhuma expectativa de que o sistema religioso, com suas ONG’s e denominações se movam nessa mesma direção.

1 Coríntios 10; 11 Ora, tudo isto lhes acontecia como exemplo, e foi escrito para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos.

Efésios 5; 15-17 Portanto, vede diligentemente como andais, não como néscios, mas como sábios, usando bem cada oportunidade, porquanto os dias são maus. Por isso, não sejais insensatos, mas entendei qual seja a vontade do Senhor.

Apocalipse 2; 4-7 Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois, donde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; e se não, brevemente virei a ti, e removerei do seu lugar o teu candeeiro, se não te arrependeres. Tens, porém, isto, que aborreces as obras dos nicolaítas, as quais eu também aborreço. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida, que está no paraíso de Deus.

DISPENSAÇÕES.

Dispensação.

Dispensação é um período de tempo, durante o qual o homem é provado a respeito da sua obediência, para com uma determinada revelação da palavra de Deus.

Na bíblia, encontramos também a palavra século, que se refere a uma época ou a uma era ou período de tempo, não, necessariamente de cem anos, como o século antediluviano, que representa o período de tempo antes do dilúvio, o século presente, correspondente ao tempo atual e o século vindouro, que começará com a vinda do Senhor ou séculos vindouros, significando todas as épocas que virão depois do milênio e da eternidade.

Alguns consideram como sendo sete as dispensações, outros que são quatro: a dispensação do dilúvio, a da lei, da graça e a do reino.

As sete dispensações

  • Inocência: época do Adão antes da sua queda;
  • Consciência: após a queda;
  • Governo humano: época de Noé após o dilúvio e a saída da arca;
  • Patriarcal: tempo da promessa a Abraão, Isaque e Jacó, os patriarcas;
  • Lei: após Sinai e a formação da nação de Israel;
  • Graça: após o calvário e a formação da igreja;
  • Reino: após a volta de Jesus e o estabelecimento do reino na terra.

Cada dispensação termina com uma intervenção drástica de Deus em algum acontecimento muito importante, como a queda do homem, o pecado, o dilúvio, a confusão de línguas, o chamado de Abraão, o êxodo dos israelitas do Egito, a entrega da lei no Sinai, a primeira vinda de Jesus e a proclamação de João Batista e, agora, ainda a se cumprir, a segunda vinda do Senhor, o milênio e o juízo final do trono branco.

Ao longo dessas dispensações a revelação de Deus vai, progressivamente, aumentando. Alguns extrapolam nos limites da atuação de Deus entre as dispensações e são chamados ultra dispensacionalistas, por reservarem as bênçãos pronunciadas por Deus, exclusivamente para o povo que vive na época de cada dispensação, o que traz algumas dificuldades para a compreensão do todo da revelação nas escrituras.

Mesmo hoje, na dispensação atual da graça, nesta época da igreja, alguns consideram que o batismo e a ceia fazem parte de uma época transitória, relatada no livro de Atos. Outros chegam a dizer que muitas palavras de Jesus nos evangelhos são apenas para os judeus e não se aplicam à igreja, de forma que a compreensão das dispensações, mesmo sendo importante para se entender a revelação progressiva de Deus, deve ser sempre feita à luz da revelação completa das escrituras.

Por outro lado, a não compreensão das dispensações, leva outros a guardarem o sábado ou outros preceitos da lei ou do sacerdócio levítico até nos dias de hoje.

As alianças

Cada dispensação traz uma nova revelação de Deus para o homem, mediante uma aliança e uma prova ou condição, sendo que o homem sempre falhou em atender esta condição.

Na dispensação da inocência, Deus disse a Adão, como a aliança no Éden: De todas as árvores do jardim podes comer livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, não comerás, porque no dia em que dela comeres certamente morrerás.

Na época da consciência, Deus estabeleceu juízos com as consequências do pecado e a maldição sobre a terra e fez a promessa do redentor na descendência da mulher.

Na época do governo humano, Deus faz uma aliança com Noé, estabelecendo a continuidade da vida na terra e prometendo não mais destruir a terra através das águas do dilúvio. Fica estabelecida a base para o governo civil, mediante responsabilidade judicial e executiva, incluindo a pena capital, nas mãos do homem.

Na quarta dispensação, a dispensação patriarcal ou das promessas, Deus promete abençoar e dar herança aos patriarcas Abraão, Isaque e Jacó, sua descendência e todas as nações.

Na dispensação da lei, entregue a Moisés no Monte Sinai, Deus apresenta a Israel a escolha entre a vida e a morte, entre a benção e a maldição e, pela lei, traz o pleno conhecimento do pecado.

Na dispensação da graça, Deus estabelece a nova aliança em Cristo e a proclamação do evangelho a toda criatura.

Na dispensação do reino, Deus irá manifestar a sua justiça e o seu governo.

Em cada uma dessas dispensações, Deus vai revelando, gradativamente o seu propósito e, ao final de cada uma, faz separação entre os que obedeceram e os que não obedeceram ou foram fiéis à aliança daquela dispensação.

Sempre que o homem não obedece à condição proposta nas alianças, a degeneração moral e a apostasia vão aumentando, o que desencadeia a intervenção de Deus, mediante o juízo sobre os homens daquela dispensação.

Os juízos ao final das dispensações.

A dispensação da inocência termina com a expulsão do homem e da mulher do jardim do Éden e a perda do acesso a árvore da vida,

A dispensação da consciência termina com o dilúvio sobre a terra.

Na dispensação do governo humano, após o início dos impérios humanos sobre o princípio de Babel, Deus confunde as línguas e espalha o homem sobre a terra.

A dispensação das promessas ou dos patriarcas termina com o julgamento sobre o Egito e o êxodo, após a longa escravidão no Egito, com a travessia do mar vermelho e o início da caminhada no deserto até o monte Sinai.

A dispensação da lei, se aplica, de forma especial, ao povo de Israel, foi interrompida pela dispensação da graça, como se fosse um parêntese, descrito na profecia das setenta semanas, e vai ser retomada na dispensação do reino. Terminou, provisoriamente, com a destruição de Jerusalém, o cativeiro na Babilônia, e o período de 400 anos entre o final do antigo testamento e o ministério de João Batista no novo testamento.

A dispensação da graça, que representa o parêntese na tratativa de Deus com Israel na dispensação da lei, irá terminar com a volta do Senhor Jesus Cristo e alguns eventos descritos no livro do Apocalipse.

A dispensação do reino irá terminar com o juízo do trono branco, após o reino milenar na terra.

Lei e graça.

A lei e a graça, ainda que incluídas na quinta e sexta dispensação, demandam considerações adicionais, tendo em vista diversas dificuldades, especialmente sobre as relações de Deus com Israel e a igreja, ou com preceitos do antigo testamento e do novo testamento.

Essas duas alianças estão ainda em curso, a primeira para Israel e a segunda para todos, incluindo pessoas de Israel, apresentam aspectos atuais, sem perder de vista que as diversas alianças, em cada dispensação, sempre apontam para uma única e definitiva aliança no eterno propósito de Deus, a convergir em Cristo na dispensação da plenitude do tempo, tal como revelado no novo testamento.

João 1; 17 Porque a lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo.

Diferenças básicas.

Lei Graça
Israel Igreja
Sistema transitório Sistema definitivo
Sistema de provação Sistema de favor
Proibição e exigências Admoestação e exortação
Condenação e maldição Perdão e redenção
Melhor homem condenado Pior homem justificado
Morte Vida
Olho por olho A outra face
Fazer para viver Crer e viver para fazer
O cordeiro morre O Pastor morre

 

Antinomianismo

O antinomianismo é uma doutrina errada, que, para combater a aplicação da lei, na época da graça, rejeita completamente a lei e nega toda regra sobre a vida dos cristãos. Considera que, como somos salvos pela graça, sem exigência de mérito, não precisamos, na verdade, viver uma vida santa.

Embora seja antiga, essa doutrina tem sempre voltado sob novas abordagens, como alguns aspectos do atual movimento chamado de hipergraça pelos apologistas.

Tito 1; 16 No tocante a Deus, professam conhecê-lo; entretanto, o negam por suas obras; é por isso que são abomináveis, desobedientes e reprovados para toda boa obra.

Judas 4 Pois certos indivíduos se introduziram com dissimulação, os quais, desde muito, foram antecipadamente pronunciados para esta condenação, homens ímpios, que transformam em libertinagem a graça de nosso Deus e negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo.

Romanos 6; 1,15 Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que abunde a graça? Pois quê? Havemos de pecar porque não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça? De modo nenhum.

Cerimonialismo.

Uma segunda doutrina errada, estabelece a continuidade dos preceitos da lei no tempo da graça.

Gálatas 4; 9-11 agora, porém, que já conheceis a Deus, ou, melhor, sendo conhecidos por Deus, como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir? Guardais dias, e meses, e tempos, e anos. Temo a vosso respeito não haja eu trabalhado em vão entre vós.

Colossenses 2; 16-17 Ninguém, pois, vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa de dias de festa, ou de lua nova, ou de sábados, que são sombras das coisas vindouras; mas o corpo é de Cristo.

Galacianismo

Um terceiro erro, chamado de galacianismo, descrito na carta aos Gálatas, é a mistura da lei e da graça, que estabelece justificação, parte pela graça, e parte pela lei, e que a graça foi dada para capacitar o pecador a guardar a lei.

Nos dias atuais, ainda existem muitas tendências judaizantes e legalistas, ou movimentos que buscam as raízes judaicas da igreja, ou o nome de Deus, ou de Jesus, nas línguas originais.

Gálatas 3; 2-3 Quero apenas saber isto de vós: recebestes o Espírito pelas obras da lei ou pela pregação da fé? Sois assim insensatos que, tendo começado no Espírito, estejais, agora, vos aperfeiçoando na carne?

A lei antiga no novo testamento.

Romanos 7; 12, 14, 22 Por conseguinte, a lei é santa; e o mandamento, santo, e justo, e bom. Porque bem sabemos que a lei é espiritual; eu, todavia, sou carnal, vendido à escravidão do pecado. Porque, no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus;

1 Timóteo 1; 8 Sabemos, porém, que a lei é boa, se alguém dela se utiliza de modo legítimo,

Gálatas 3; 12 Ora, a lei não procede de fé, mas: Aquele que observar os seus preceitos por eles viverá.

Romanos 3; 20 visto que ninguém será justificado diante dele por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado.

Hebreus 7; 19 (pois a lei nunca aperfeiçoou coisa alguma), e, por outro lado, se introduz esperança superior, pela qual nos chegamos a Deus.

Atos 13; 39 e, por meio dele, todo o que crê é justificado de todas as coisas das quais vós não pudestes ser justificados pela lei de Moisés.

Gálatas 3; 19 Qual, pois, a razão de ser da lei? Foi adicionada por causa das transgressões, até que viesse o descendente a quem se fez a promessa, e foi promulgada por meio de anjos, pela mão de um mediador.

10-11 Todos quantos, pois, são das obras da lei estão debaixo de maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas escritas no Livro da lei, para praticá-las. E é evidente que, pela lei, ninguém é justificado diante de Deus, porque o justo viverá pela fé.

Tiago 2; 10 Pois qualquer que guarda toda a lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos.

Romanos 3; 19 Ora, sabemos que tudo o que a lei diz, aos que vivem na lei o diz para que se cale toda boca, e todo o mundo seja culpável perante Deus,

1 Coríntios 15; 56 O aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei.

Romanos 7; 4 Assim, meus irmãos, também vós morrestes relativamente à lei, por meio do corpo de Cristo, para pertencerdes a outro, a saber, aquele que ressuscitou dentre os mortos, a fim de que frutifiquemos para Deus.

Gálatas 3; 23-25 Mas, antes que viesse a fé, estávamos sob a tutela da lei e nela encerrados, para essa fé que, de futuro, haveria de revelar-se. De maneira que a lei nos serviu de aio para nos conduzir a Cristo, a fim de que fôssemos justificados por fé. Mas, tendo vindo a fé, já não permanecemos subordinados ao aio”.

A nova lei e a graça no novo testamento.

1 João 2; 6 aquele que diz que permanece nele (Cristo), esse deve também andar assim como ele andou.

1 Pedro 2; 11 Amados, exorto-vos, como peregrinos e forasteiros que sois, a vos absterdes das paixões carnais, que fazem guerra contra a alma,

Efésios 5; 1-2 Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados; e andai em amor, como também Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave.

Gálatas 5; 16 Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne.

Efésios 2; 8-9 Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie.

Tito 2; 11-13 Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens, educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos, no presente século, sensata, justa e piedosamente, aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus.

Tito 3; 7a fim de que, justificados por graça, nos tornemos seus herdeiros, segundo a esperança da vida eterna.

Atos 20; 32 Agora, pois, encomendo-vos ao Senhor e à palavra da sua graça, que tem poder para vos edificar e dar herança entre todos os que são santificados.

Hebreus 4; 16 Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna.

Judeu, gentio e igreja

Outro problema recorrente é a doutrina da substituição de Israel pela igreja, atribuindo à igreja todas as promessas feitas a Israel.

Gálatas 3; 26-28 Pois todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus. Porque todos quantos fostes batizados em Cristo vos revestistes de Cristo. Não há judeu nem grego; não há escravo nem livre; não há homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus.

Romanos 9; 4-5 São israelitas. Pertence-lhes a adoção e também a glória, as alianças, a legislação, o culto e as promessas; deles são os patriarcas, e também deles descende o Cristo, segundo a carne, o qual é sobre todos, Deus bendito para todo o sempre. Amém!

Romanos 3; 1-2 Qual é, pois, a vantagem do judeu? Ou qual a utilidade da circuncisão? Muita, sob todos os aspectos. Principalmente porque aos judeus foram confiados os oráculos de Deus.

Efésios 2; 11-12 Portanto, lembrai-vos de que, outrora, vós, gentios na carne (é outro grupo), chamados incircuncisão por aqueles que se intitulam circuncisos, na carne, por mãos humanas (esses são os israelitas), naquele tempo, estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel e estranhos às alianças da promessa (que era para Israel), não tendo esperança e sem Deus no mundo. Que grupo é esse? Esses são os gentios.

Efésio 4; 17-18 Isto, portanto, digo e no Senhor testifico que não mais andeis como também andam os gentios, na vaidade dos seus próprios pensamentos, 18obscurecidos de entendimento, alheios à vida de Deus por causa da ignorância em que vivem, pela dureza do seu coração.

Precisamos diferenciar e entender, de forma clara, quais são as promessas feitas ao povo de Israel e qual o seu significado espiritual, antes de estender tais promessas à igreja, como a promessa da terra prometida ou de uma pátria na terra ou no céu, e todas as diferenças entre lei e graça, judeu, Israel, igreja e gentios, para não haver enganos em relação a abrangência e escopo de disposições dispensacionais.

Deuteronômio 8; 7-8 Porque o Senhor teu Deus te está introduzindo numa boa terra, terra de ribeiros de águas, de fontes e de nascentes, que brotam nos vales e nos outeiros; terra de trigo e cevada; de vides, figueiras e romeiras; terra de oliveiras, de azeite e de mel;

Deuteronômio 28; 13 O Senhor te porá por cabeça e não por cauda; e só estarás em cima e não debaixo, se obedeceres aos mandamentos do Senhor, teu Deus, que hoje te ordeno, para os guardar e cumprir.

Filipenses 3; 20 Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo,

1 Coríntios 4; 11-13 Até à presente hora, sofremos fome, e sede, e nudez; e somos esbofeteados, e não temos morada certa, e nos afadigamos, trabalhando com as nossas próprias mãos. Quando somos injuriados, bendizemos; quando perseguidos, suportamos; quando caluniados, procuramos conciliação; até agora, temos chegado a ser considerados lixo do mundo, escória de todos.

É importante compreender as diferenças entre lei e graça, judeu, Israel, igreja e gentio, para se evitar abordagens ou ensinos equivocados, como muitas vezes se repetem na cristandade.

Adventos, ressurreições e juízos

Os dois adventos.

Os adventos se referem à primeira e a segunda vinda do Senhor Jesus Cristo.

A primeira, como o servo sofredor ou o rei humilde, como o menino nascido de uma virgem e posto na manjedoura e como Emanuel, Deus presente entre os homens para cumprir a redenção e salvar o povo dos pecados.

Isaías 9; 6-7 Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o governo estará sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai Eterno, Príncipe da Paz. Do aumento do seu governo e da paz não haverá fim, sobre o trono de Davi e no seu reino, para o estabelecer e o fortificar em retidão e em justiça, desde agora e para sempre; o zelo do Senhor dos exércitos fará isso.

Miquéias 5; 2 E tu, Belém-Efrata, pequena demais para figurar como grupo de milhares de Judá, de ti me sairá o que há de reinar em Israel, e cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade.

Lucas 1; 31-33 Eis que conceberás e darás à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus. Este será grande e será chamado filho do Altíssimo; o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi seu pai; e reinará eternamente sobre a casa de Jacó, e o seu reino não terá fim.

A segunda, como o Messias glorioso, Rei dos reis e Senhor dos Senhores para estabelecer e firmar o seu reino para sempre e julgar as nações.

Mateus 24; 27-30 Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até o ocidente, assim será também a vinda do filho do homem. Pois onde estiver o cadáver, aí se ajuntarão os abutres. Logo depois da tribulação daqueles dias, escurecerá o sol, e a lua não dará a sua luz; as estrelas cairão do céu e os poderes dos céus serão abalados. Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem, e todas as tribos da terra se lamentarão, e verão vir o Filho do homem sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória.

O povo de Israel esperava o Messias glorioso e não o reconheceu quando Ele veio humilde como o servo sofredor da profecia.

Lucas 19; 41-42 E quando chegou perto e viu a cidade, chorou sobre ela, dizendo: Ah! se tu conhecesses, ao menos neste dia, o que te poderia trazer a paz! mas agora isso está encoberto aos teus olhos.

A igreja conhece o Cristo que morreu na cruz, mas nem sempre se prepara para o seu retorno glorioso.

1 João 2; 28 E agora, filhinhos, permanecei nele; para que, quando ele se manifestar, tenhamos confiança, e não fiquemos confundidos diante dele na sua vinda.

Marcos 13; 35-36 Vigiai, pois; porque não sabeis quando virá o senhor da casa; se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se pela manhã; para que, vindo de improviso, não vos ache dormindo.

As duas ressurreições.

A primeira ressurreição corresponde à ressurreição dos justos para o encontro com o Senhor nos ares e a segunda ressurreição à ressurreição dos ímpios para o juízo do trono branco.

João 5; 28-29 Não vos maravilheis disto, porque vem a hora em que todos os que se acham nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão: os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida; e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo.

1 Coríntios 15; 22-23 Porque, assim como, em Adão, todos morrem, assim também todos serão vivificados em Cristo. Cada um, porém, por sua própria ordem: Cristo, as primícias; depois, os que são de Cristo, na sua vinda.

Apocalipse 20; 5 Os restantes dos mortos não reviveram até que se completassem os mil anos. Esta é a primeira ressurreição.

Os três Juízos.

Os juízos podem ser muitos, como o juízo sobre os pecados, quando o Senhor Jesus Cristo morreu na cruz do Calvário para a nossa justificação e muitos outros juízos ao longo das dispensações, incluindo juízos de anjos, mas enfatizaremos, para maior clareza, apenas três dos juízos futuros.

O julgamento irá começar pela casa de Deus e o primeiro dos julgamentos futuros será o tribunal de Cristo nas regiões celestiais, quando as obras do cristão serão julgadas por ocasião da Segunda vinda do Senhor, resultando em recompensa ou perda.

2 Coríntios 5; 9-10 É por isso que também nos esforçamos, quer presentes, quer ausentes, para lhe sermos agradáveis. Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo.

1 Coríntios 3; 13-15 a obra de cada um se manifestará; pois aquele dia a demonstrará, porque será revelada no fogo, e o fogo provará qual seja a obra de cada um. Se permanecer a obra que alguém sobre ele edificou, esse receberá galardão. Se a obra de alguém se queimar, sofrerá ele prejuízo; mas o tal será salvo todavia como que pelo fogo.

Mateus 16; 27 Porque o Filho do Homem há de vir na glória de seu Pai, com os seus anjos, e, então, retribuirá a cada um conforme as suas obras.

Apocalipse 22; 12 E eis que venho sem demora, e comigo está o galardão que tenho para retribuir a cada um segundo as suas obras.

Segue-se o juízo das nações para o estabelecimento do reino milenar, após a vinda do Senhor para a terra, no vale de Josafá.

Mateus 25; 31-32 Quando vier o Filho do Homem na sua majestade e todos os anjos com ele, então, se assentará no trono da sua glória; 32e todas as nações serão reunidas em sua presença, e ele separará uns dos outros, como o pastor separa dos cabritos as ovelhas;

Joel 3; 12 Levantem-se as nações e sigam para o vale de Josafá; porque ali me assentarei para julgar todas as nações em redor.

As nações serão julgadas com base no que fizeram em relação ao povo de Deus, durante a grande tribulação e para definir a participação no reino milenar.

Mateus 25; 40 O Rei, respondendo, lhes dirá: Em verdade vos afirmo que, sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.

Ao final do milênio, ocorrerá o juízo do trono branco, às vezes, chamado de juízo final e será o julgamento e condenação dos ímpios.

Apocalipse 20; 11 Vi um grande trono branco e aquele que nele se assenta, de cuja presença fugiram a terra e o céu, e não se achou lugar para eles.

Sobre outros juízos futuros, como o dos anjos, não temos muita revelação na bíblia de como serão estes juízos.

1 Coríntios 6; 3 Não sabeis que havemos de julgar os próprios anjos? Quanto mais as coisas desta vida!

Judas 6 e a anjos, os que não guardaram o seu estado original, mas abandonaram o seu próprio domicílio, ele tem guardado sob trevas, em algemas eternas, para o juízo do grande dia;

2 Pedro 2; 4 Ora, se Deus não poupou anjos quando pecaram, antes, precipitando-os no inferno, {inferno; no original, tártaro} os entregou a abismos de trevas, reservando-os para juízo;